Categoria: Destaque

  • Novos tipos de investimento podem impulsionar grandes empresas na agenda ESG

    Novos tipos de investimento podem impulsionar grandes empresas na agenda ESG

    Grandes e médias empresas estão cada vez mais buscando se conectar à agenda de impacto positivo. Seja mitigando o impacto negativo gerado, gerando impacto positivo a partir de sua operação e iniciativas, seja integrando à sua atividade principal a partir de um novo portfólio de produtos e serviços. Dentro dos caminhos possíveis, estão os instrumentos financeiros, como títulos de dívida atrelados a metas sociais e ambientais.

    Esses títulos podem ajudar as empresas a avançarem nas temáticas ambientais, sociais e de governança, atraindo recursos para viabilizar a implementação de ações para que atinjam suas metas.

    São muitas as modalidades de títulos, a exemplo dos green bonds, social bonds, sustainable bonds e dos sustainability-linked bonds. Falarei neste texto sobre este último.

    Segundo  relatório da Moody´s, o mercado de Sustainability Linked Bonds (SLBs) saiu de US$ 9 bi em 2020 para US$ 90 bi no ano passado. Neste ano, o montante pode chegar a US$ 200 bilhões. Os números mostram que ele está crescendo com velocidade.

    Na gravação de um dos episódios do Ponto de Ebulição, podcast do Quintessa, conversei com a Luiza de Vasconcelos, head de Negócios ESG no Itaú BBA, e com Marcio Lino, na época, diretor de ESG da Tim, que juntos emitiram uma das maiores operações brasileiras de títulos do tipo Sustainability Linked Bonds (SLBs). Compartilho aqui alguns dos aprendizados e dicas sobre o tema.

    Os  SLBs têm como característica, além do foco no atingimento de metas ESG, a flexibilidade na utilização dos recursos e taxa de juros relativa ao atingimento das metas.

    Por meio desses recursos é possível vincular as empresas a um incentivo positivo ou uma lógica de punição. No primeiro caso, quanto melhor o desempenho da organização em relação à meta, menor a taxa de juros que ela paga. No segundo, quanto pior o desempenho, mais caro ela pagará na taxa de juros. Porém, não necessariamente uma empresa pagará uma taxa de juros menor via SLBs do que pagaria via outros títulos financeiros, pois o valor da taxa varia de acordo com outros fatores macroeconômicos e de característica de risco da empresa. Ou seja, a motivação em emitir um SLB não deve ser meramente baseada em um benefício financeiro. Outros potenciais benefícios podem ser enxergados. O reforço ao posicionamento da empresa, da sua narrativa e do explícito comprometimento com as metas são alguns exemplos.

    A  emissão de um SLB começa com um bom embasamento estratégico e uma etapa consistente de planejamento e formulação de metas. Elas devem ser materiais, relevantes e ambiciosas, representando uma melhora significativa dos indicadores-chave de desempenho. Não pode ser algo que seria facilmente atingido com o que a empresa já faz atualmente. 

    A TIM, por exemplo, trabalhou durante cerca de quatro anos até a emissão da dívida, em uma jornada que contemplou a publicação de metas públicas de sustentabilidade e o acompanhamento por meio de relatórios globais, como GRI.

    Além disso, será necessária a determinação das características da emissão (como o tempo de cumprimento das metas) e a contínua elaboração de relatórios para acompanhamento da performance e cumprimento das metas.   

    Outro elemento importante é a governança. Os tomadores de decisão – como conselho, presidente, CFOs e outras instâncias – devem estar alinhados e engajados com as metas.  Ter  todos engajados é essencial para que não se emita o título contando apenas com uma área interessada mobilizada. Existe um risco financeiro atrelado ao seu não atingimento e estas costumam ser desafiadoras, no sentido de demandar soluções sistêmicas, com atuação de diversas áreas de forma integrada.

    Como quase toda tendência, há de se cuidar das boas práticas para não acabar com a potencial oportunidade antes mesmo que ela tenha se concretizado. Assim, o desejo é que o mercado avance na agenda com responsabilidade, prezando pela consistência de sua estratégia ESG e vendo o instrumento financeiro como um aliado da sua jornada por uma transformação real.

    Este texto foi publicado originalmente na coluna da Co-CEO do Quintessa, Anna de Souza Aranha, na Folha de São Paulo.

  • Como o Grupo Fleury está avançando nas metas ESG com inovação aberta

    Como o Grupo Fleury está avançando nas metas ESG com inovação aberta

    A inovação aberta está cada vez mais presente na área da saúde,seja para eficiência de processos ou para a geração de impacto positivo

    Em 2021, o Grupo Fleury emitiu títulos de dívidas atrelados às suas metas de sustentabilidade no valor de mais de R$1 bilhão, os chamados sustainability-linked bonds. O valor está atrelado a metas sociais e ambientais da empresa: ampliar o acesso à saúde para as classes C, D e E, atingindo 1 milhão de clientes dessas classes na sua plataforma digital até 2026 e reduzir a quantidade de resíduos biológicos em 20,5% até 2025. Foi a primeira vez que uma empresa emitiu títulos com metas sociais no Brasil.

    Uma das formas que a companhia encontrou para avançar na adoção de práticas e cumprimento dessas metas foi a inovação aberta, conectando-se com startups de impacto social e ambiental, em parceria com o Quintessa. Juntos desenvolvemos o Programa Impacta Grupo Fleury, com o objetivo de potencializar startups com soluções inovadoras para alavancar o tema ESG e os valores promovidos pela empresa, a partir de temas ligados à democratização do acesso à saúde para as classes C, D e E, educação em saúde, cultura médica, governança, mudanças climáticas, gestão de resíduos, diversidade e inclusão, além de outras práticas alinhadas aos seus valores e propósito.

    A iniciativa partiu de uma escuta e exploração com executivos do Grupo acerca de sua estratégia ESG e objetivos com o programa, resultando em duas vertentes:

    • Acelera: programa de aceleração com o objetibo de potencializar startups em estágio inicial que possuam soluções para as metas ESG de longo prazo do Grupo Fleury;
    • Soluciona: programa para implementar pilotos de soluções de startups maduras, focados nos desafios atrelados à emissão de debêntures ESG da empresa.

    As duas iniciativas se complementam, de forma que a empresa testa soluções para suas metas de curto prazo com negócios que já estão em fase de implementação, ao mesmo tempo em que investe em startups iniciais para que amadureçam e possam se tornar parceiras de negócio no futuro.

    Na prática

    Na iniciativa ‘Acelera’, foram mais de 145 negócios inscritos e, após uma seleção que avaliou critérios como grau de inovação, potencial de negócio e potencial de impacto, dez soluções em estágio inicial foram escolhidas para um programa de aceleração com duração de seis meses (a lista de startups está no final do texto). As 10 startups selecionadas receberam suporte personalizado de gestores do Quintessa para identificação de desafios prioritários e desenvolvimento do seu negócio, além de acesso a uma rede de mentores da aceleradora e do Grupo Fleury e a possibilidade de fazer negócios com a companhia. O objetivo da aceleração é auxiliar as startups a avançarem nas suas jornadas de validação e ida ao mercado de seus produtos ou modelos de negócio.

    Como resultados, destacamos:

    • Média de 9,6 na nota dos empreendedores para a pergunta “quanto você indicaria o programa para outros empreendedores?”
    • 96% de média de atingimento das metas das startups no programa;
    • 35 conexões realizadas entre startups e outras empresas, sendo 17 com possíveis clientes; 
    • 50% das startups aceleradas fizeram vendas ou uma parceria crucial para o próximo passo (potenciais investidores, parcerias comerciais e operacionais)
    • 40% dos acelerados estão em negociação de POC com o Grupo Fleury.

    Na iniciativa ‘Soluciona’, duas startups foram escolhidas para implementar projetos pilotos, com objetivo de firmar futuras parcerias com o Grupo Fleury. Para o piloto que visa aumentar o acesso à saúde para classes C, D e E, foi selecionada a startup Fleximedical, que amplia a atuação do Grupo Fleury por meio de unidades móveis de saúde (vans e caminhões adaptados); e para o desafio de Gestão de Resíduos, a startup selecionada foi a Vertown, que integra e otimiza o gerenciamento da cadeia de resíduos nas áreas de facilities e sustentabilidade.

    Os empreendedores implementaram os pilotos com as áreas internas para testar as soluções em relação às metas ESG e foram acompanhados por quatro meses pelo time do Quintessa para avaliar a eficácia dos projetos. Com a Vertown, foi possível reduzir em 67% o tempo gasto na gestão de resíduos, destinar mais de 100 toneladas e reaproveitar mais de 15 toneladas de resíduos. Agora, o piloto está em negociação para rollout.

    Para encontrar e selecionar os negócios, o programa abriu uma chamada aberta para inscrições e utilizou a base de dados do Quintessa, com mais de cinco mil negócios de impacto mapeados, e o time de Seleção da aceleradora, que realiza entrevistas e um Pitch Day com uma banca escolhida pelo Grupo Fleury.

    “O pitch aberto foi uma excelente experiência, pois nos possibilitou uma visão bastante favorável e positiva dos participantes. Além do contato com soluções diferenciadas, geramos experiência e aprendizado organizacional, junto ao ecossistema de inovação, que também é um dos objetivos do programa” – Daniel Périgo, gerente sênior de ESG do Grupo Fleury. 

    O programa é um exemplo prático de relação ganha-ganha entre startups e corporações. Os empreendedores recebem suporte técnico para seu desenvolvimento, implementam suas soluções, geram impacto positivo e têm a possibilidade de crescer junto a grandes parceiros. O Grupo Fleury encontra novas soluções para alcançar suas metas ESG e trazer inovação e novos negócios para a companhia. E, ainda, a sociedade também ganha, com a ampliação do acesso à saúde para as classes C, D e E.

    A metodologia do Quintessa para a criação de programas como o Impacta está descrita no ‘Guia para Inovar com Impacto’.

    Quer conhecer outros cases como este e entender se uma iniciativa de inovação aberta faz sentido para a sua empresa? Acesse esta página.

  • Em um cenário de recessão econômica em 2023, como fica o ESG?

    Em um cenário de recessão econômica em 2023, como fica o ESG?

    Chegamos ao final do primeiro trimestre de 2023, ano que começou com notícias pouco animadoras relacionadas à economia mundial. O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou um relatório, ainda no final de 2022, afirmando para o G20 que as perspectivas para o futuro da economia global “são sombrias”.

    Os desafios globais relacionados ao cenário de recessão, como a invasão russa, na Ucrânia afetam todos os setores da economia no mundo. E não deixam também de afetar o funcionamento e operação de grandes empresas e corporações, que entendem esse contexto e tendem a agir com mais cautela com seus orçamentos.

    Temos visto nos últimos anos que a agenda ESG ganhou força surfando em uma onda impulsionada pela pandemia.

    Na época, empresas precisaram, de uma maneira ou de outra, olhar para os aspectos sociais e ambientais relacionados à sua atividade principal e, de certa forma, tentaram também diminuir os impactos negativos externos gerados pela operação.

    Mas então como podemos garantir que o ESG não seja deixado de lado em tempos difíceis e mostrar que a pauta realmente criou raízes firmes que aguentam passar por uma recessão?

    É claro que, em um cenário de crise, um dos primeiros planos de ação é tentar reduzir os custos para que a empresa continue operando sem grandes prejuízos. Por isso, acredito que podemos ver diferentes cenários neste contexto.

    Historicamente, ações relacionadas a impacto positivo, sustentabilidade e ESG foram comumente vistas apenas como custo, mas, com a atenção dada ao tema nos últimos anos, quero acreditar que isso tenha mudado.

    E é exatamente diante de cenários como este que poderemos observar durante o ano se as empresas continuam com orçamentos destinados às ações de impacto ou se veremos esses orçamentos sendo cortados por conta da recessão, demonstrando, dessa forma, que o mercado não entendeu a potencialidade de encarar pautas ESG de forma estratégica.

    Já foi comprovado que companhias com propósito têm melhor retorno e que gerar impacto não significa sacrificar lucro —e é assim que muitas empresas vêm pensando e se comportando em relação ao mercado.

    Um exemplo é quando emitem dívidas financeiras relacionadas a metas sociais e ambientais, estratégia que têm se mostrado tendência no mercado internacional e também ganhou robustez no Brasil ano passado.

    Esse comprometimento financeiro e de médio ou longo prazo demonstra que as empresas firmaram compromissos de maneira séria com a pauta ESG, perpetuando a cultura de que é necessário ter um olhar estratégico e de longo prazo para as ações que se propuseram a fazer.

    Vivemos em um mundo com restrições de recursos naturais e risco climático que, ano após ano, tem se agravado. E, justamente por isso, mobilizado a agenda de lideranças globais, pressão de consumidores, além de novas regulamentações.

    Grandes empresas que lançam novos produtos, projetos e iniciativas precisam estar alinhadas a esse novo contexto, sob risco de retaliação do mercado e má performance financeira dos seus lançamentos e atuações.

    Esse olhar de impacto transversal à atividade da empresa e fortemente conectado à estratégia deveria ser o novo modus operandi, independente de recessão econômica. Até porque é justamente esse olhar que pode trazer inovações que farão com que a empresa saia até mais fortalecida deste período.

    Em um cenário de recessão, os problemas continuam e até se acentuam, ou seja, vão precisar de esforços para serem endereçados.

    Dessa forma, principalmente para aquelas empresas que têm o impacto intrínseco na estratégia e enxergam a oportunidade de negócio, os tempos difíceis estimulam criatividade, parcerias e inovação.

    Por isso, acredito que 2023 será o ano em que saberemos se a pauta entrou de fato de maneira estratégica nas discussões das lideranças. Ou se é apenas uma onda onde foi possível surfar nos últimos dois anos.

    Este texto foi publicado originalmente na coluna da Co-CEO do Quintessa, Gabriela Bonotti, na Folha de São Paulo.

  • Quintessa oferece programa gratuito para apoiar mulheres empreendedoras na captação de investimento

    Quintessa oferece programa gratuito para apoiar mulheres empreendedoras na captação de investimento

    Convexa Lab irá selecionar 8 empreendedoras para uma jornada de formação além de conectá-las com fundos de investimento

    São Paulo, 18 de abril de 2022 – O Quintessa, aceleradora de impacto pioneira no Brasil, lança hoje (18) o Convexa Lab, programa que irá preparar mulheres empreendedoras para o processo de captação de investimento. O objetivo é apoiar as empreendedoras no desenvolvimento de habilidades técnicas e subjetivas e trabalhar em rede, fomentando o ecossistema de venture capital a encarar as barreiras de gênero.

    Para isso, serão selecionadas 8 mulheres com negócios de alto potencial que estão captando a primeira rodada com investidores profissionais (fundos de Venture Capital ou Private Equity). Outros critérios exigem que as empreendedoras tenham dedicação integral ao negócio, sejam sócias majoritárias da startup e ainda não tenham captado com fundos de investimento.

    Durante os 4 meses do programa, as empreendedoras terão acompanhamento individual de gestoras do Quintessa e de um(a) empreendedor(a) que já captou investimento, além de acesso a uma rede de mentores para apoiar em desafios específicos e de visibilidade e conexão com potenciais investidores.

    Segundo o Female Founders Report, startups fundadas somente por mulheres receberam apenas 0,04% do total de investimento aportado em 2020 no Brasil. No mundo, o total é de 2,2% (Pitchbook & All Raise: All In Report, 2019). 

    “Pesquisas mostram que o retorno ao investir em startups lideradas por mulheres chega a ser superior do que as lideradas por homens. Ainda assim, elas receberam nos últimos anos apenas 2% do volume de aportes de venture capital. São muitas as barreiras de gênero no processo de captação de investimento, seja na trajetória das empreendedoras, seja no viés de análise de quem investe”, comenta Anna de Souza Aranha, co-CEO do Quintessa.

    “A partir da nossa metodologia própria, aplicada nos últimos 14 anos, desenvolvemos uma jornada focada em apoiar as empreendedoras no processo de captação e no fomento do tema no ecossistema de startups, convidando os fundos de investimento a enxergarem as excelentes oportunidades de negócio que existem entre as startups lideradas por mulheres no Brasil”, completa.

    A jornada utiliza a metodologia do Quintessa, que já apoiou mais de 400 startups, e traz conteúdos como a tese da captação, tamanho da rodada, business plan (plano de negócio), valuation (valoração de empresa), identificação de investidores alvo, preparação para o pitch, até os pontos jurídicos e financeiros da negociação. Além disso, serão trabalhados aspectos subjetivos de como driblar vieses, como aumentar a autoconfiança e segurança e a realização de encontros para potencializar o networking.

    O programa é uma iniciativa filantrópica do Quintessa, viabilizado por recursos de doação da organização. As inscrições estão abertas até o dia 5 de maio e o edital está disponível no site do programa: convexalab.com.br

  • Nove startups de impacto implementam pilotos para as metas de sustentabilidade da Ambev e parceiros

    Nove startups de impacto implementam pilotos para as metas de sustentabilidade da Ambev e parceiros

    Na última terça-feira (21/03), nove startups de impacto participaram do DemoDay da Aceleradora 100+, evento da Ambev que teve como objetivo apresentar os pilotos das startups aceleradas na edição de 2022 do programa. 

    O programa Aceleradora 100+ surgiu em 2018, alinhado à iniciativa global da Ambev e aos seus compromissos de sustentabilidade para 2025. A partir disso, foram mais de 60 startups aceleradas e R$15 milhões investidos nos negócios parceiros. Em 2021, a Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e Quintessa se uniram a essa jornada e, agora, PepsiCo, Valgroup, Ball Corporation e Machado Meyer chegaram para integrar a quarta edição e ampliar a escalabilidade dos projetos apresentados.

    As startups implementam as soluções de impacto por um período e mensuram os resultados gerados. A implementação pode ser de uma solução pronta, mas também é possível adaptar uma solução existente e até cocriar algo novo entre executivos(as) e empreendedores (as). O foco do programa é garantir o êxito dessa implementação, corrigir a rota, se necessário, e orientar as duas partes a partir de boas práticas.

    No evento, que aconteceu em São Paulo e também foi transmitido pelo Youtube (assista aqui), apresentou às nove startups do programa brasileiro apresentaram os resultados dos pilotos realizados com a cervejaria. 

    1. MEIShop

    O MEiShop é um portal completo para o Microempreendedor Individual (MEI). A plataforma oferece soluções facilitadoras para as burocracias da categoria MEI, jornadas estratégicas de educação, saúde, lazer, finanças. 

    Sobre o piloto:

    O piloto visou fornecer solução integrada (informações, conteúdos e infraestrutura tecnológica) para a empresa parceira e para o empreendedor, para fomentar interesse dos PDVs pela categoria MEI e pela formalização como Pessoa Jurídica, de forma a garantir aderência ao CNPJ e, consequentemente, benefícios à Ambev. Durante o piloto foi possível impactar mais de 40.000 empreendedores que acessaram informações sobre MEI. 

    1. Barkus

    A Barkus é uma edtech que tem como objetivo democratizar o acesso à educação financeira para jovens e adultos, expandindo horizontes, ajudando a mudar realidades e diminuindo desigualdades. Uma das crenças da startup é de que aprender a lidar com o dinheiro é fundamental para que a população tenha mais liberdade de escolha e segurança financeira.

    Sobre o piloto:

    O piloto implementado pela startups teve como objetivo apoiar o desenvolvimento de pontos de venda (PDVs) da Ambev ao desmistificar conceitos de educação financeira, entregando ferramentas úteis e práticas para o dia a dia e passando conhecimentos básicos de educação financeira (organização, crédito e investimentos) através do Whatsapp. Durante o piloto a startup desenvolveu trilhas de educação financeira específicas para os desafios dos PDVs da Ambev, ao final cerca de 191 pontos de venda foram impactados. 

    1. O2eco 

    A 02eco é uma startup focada em trazer novas tecnologias para o meio ambiente. A tecnologia é baseada em hidrocarbonetos e oligoelementos, produto focado em despoluição de águas por método sem utilização de bactérias exóticas ou química, somente através da bioestimulação.

    Sobre o piloto:

    Implementar a tecnologia de bioestimulação da O2eco-TWC™ no córrego Vargem do Tropeiro para verificar potenciais melhorias das condições de qualidade da água após descarte de efluente tratado. Os resultados alcançados durante a implementação do piloto em 800 metros lineares no tratamento do córrego, foi possível alcançar a: 

    • Redução de 7,3% de Demanda bioquímica de oxigênio (DB0) é o parâmetro utilizado para a medida do consumo de oxigênio na água. Representa a quantidade de oxigênio do meio que é consumido pelos peixes e outros organismos aeróbicos e que gasta de oxidação de matéria orgânica presente na água
    • Redução de 20% de turbidez 
    • Redução de 24,5% no teor de nitrogênio 
    • Redução de 25,7% de Demanda química de Oxigênio (DQO)} ou carência química de Oxigénio, é um parâmetro que mede a quantidade de matéria orgânica, através do oxigênio dissolvido, suscetível de ser oxidada por meios químicos que existam em uma amostra líquida
    1. ATMOS 

    A ATMOS empresa de tecnologia que atua no mercado de energia, com foco em gestão e controle de energia, utilizando dispositivos inteligentes que garantem a redução de até 20% do consumo de energia de micro e pequenas empresas.

    Sobre o piloto:

    Durante o piloto a startup verificou a possibilidade de otimizar o uso de energia em estabelecimentos comerciais relacionados a Ambev gerando redução de custo e diminuição de desperdício. Os equipamentos foram instalados em 11 PDVs e os resultados obtidos foram: 

    • 4 PDVs com readequação de quadros de energia e instalação dos equipamentos;
    • Uma das câmaras frias de congelados chegou a ter 38,64% de redução de consumo;
    • Em média, a redução foi de 7,73% em bares com câmaras de congelados. 
    1. iWRc

    A iWRC é uma plataforma colaborativa digital que constrói um ecossistema circular autossustentável entre consumidores, catadores, cooperativas de reciclagem e parceiros de marca.

    Sobre o piloto:

    A startup realizou a criação de uma infraestrutura de logística e agregação de shrink para atender à The Ink/ValGroup envolvendo cooperativas treinadas e que tenha sustentabilidade financeira, de modo que o custo por kg seja  menor do que a coleta individualizada nas cooperativas. Ao final do piloto foi possível obter resultados quanto a reciclabilidade dos materiais: 

    • 71,7% de redução dos custos logísticos
    • 837,2 Kg de shrink coletados;
    • Produção inédita de shrink Ambev  com 15% de material reciclado do pós-consumo.
    1. Biotecland

    A Biotecland é uma startup em agro-biotecnologia especializada em microalgas para agricultura sustentável com o objetivo de combater o problema da baixa eficiência na adubação, da desertificação do solo e pragas e doenças na produção.

    Sobre o piloto:

    O piloto foi realizado em parceria com o departamento agrícola da Ambev com o objetivo de usar as microalgas no plantio de Cevada, o piloto focou no controle do Fusarium que é a principal praga na produção da Cevada. Após os testes de laboratório, foi observada a ação das microalgas impedindo o desenvolvimento do Fusarium e esse resultado permitiu o planejamento para manejo biológico na safra de Cevada 2023.

    • Inibição de 52% no desenvolvimento de Fusarium em teste de laboratório, a principal praga no plantio de Cevada;
    • Planejamento de continuidade da parceria visando um manejo biológico na Safra de 2023 visando sanidade da produção, aumento da produtividade e qualidade da semente;
    • Potencial de redução de insumos químicos aplicados na produção da Cevada.
    1. Agtrace

    A Agtrace é uma startup com solução Blockchain para rastrear todas as etapas da cadeia de valor alimentar e tem como foco o atendimento a agricultores, cooperativas, processadores de alimentos e varejistas com objetivo de ajudá-los a aumentar a eficiência de suas operações, reduzir riscos e aumentar a transparência.

    Sobre o piloto:

    O piloto teve como objetivo aumentar a rastreabilidade dos fornecedores indiretos na cadeia do Guaraná, capturando informações relevantes de dentro da porteira, passando pelos agregadores (cooperativas e associações) até a indústria. Os resultados obtidos durante a pilotagem foram: 

    • 100% da cadeia do piloto mapeada trazendo digitalização para suprimentos e novas informações sobre o território;
    • Customização total da plataforma para garantir usabilidade de diversos perfis de atores no dia a dia;
    • 100% de taxa de utilização do sistema ao longo do projeto piloto. 
    1. AMZ Projects 

    A AMZ é uma produtora de experiências de turismo de base comunitária especializada em criar e realizar roteiros de eventos de experiência e eventos na Amazônia em parceria com comunidades tradicionais ribeirinhas, indígenas e quilombolas.

    Sobre o piloto:

    O piloto teve como objetivo descobrir se capacitar pessoas locais para o trabalho com turismo local, culinária e criação de novas rotas turísticas aumentaria o nível de empregabilidade do grupo treinado pela AMZ Projects. Os resultados foram: 

    • Desenvolvimento de metodologia de capacitação aderente e replicável para algumas regiões da Amazônia Legal;
    • 24 pessoas capacitadas e conectada com oportunidade no mercado local;
    • 11 parceiros integrados para a realização do projeto.
    1. Urucuna 

    A Urucuna é um negócio de Bem-Estar para Casa que tem como objetivo agregar valor aos produtos da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais, valorizando e respeitando o modo de vida e o conhecimento tradicional com possibilidade de escala sem perder o impacto socioambiental positivo.

    Sobre o piloto:

    O piloto teve como objetivo co-criar uma vela artesanal e um curso online e/ou e-book que valorizassem a cultura e os saberes tradicionais e atuais alinhado com a geração de renda para artesãos, mulheres e parteiras de Maués, além de empoderamento e conscientização da maternidade e paternidade de forma preventiva, humanizada e ancestral. Os resultados obtidos durante o piloto foram: 

    • Criação de metodologia para co-criação de produtos em territórios similares de forma replicável; 
    • Protótipo de Vela “Essência de Maués” com a participação de 10 representantes de grupos culturais locais da comunidade no desenvolvimento da embalagem; 
    • Testagem do uso fitocosmético do guaraná ou pau rosa; 
    • E-book sobre “Inovação e criatividade -desenvolvimento de Aromas de Ambientes Naturais com insumos da sociobiodiversidade”. 

    Faça download do material sobre a Aceleradora 100+ e saiba mais sobre o programa de inovação aberta entre Ambev e Quintessa.

  • Dia Mundial da Água | Conheça 06 startups com soluções de acesso, monitoramento e tratamento de água

    Dia Mundial da Água | Conheça 06 startups com soluções de acesso, monitoramento e tratamento de água

    O Dia Mundial da Água é comemorado anualmente em 22 de março, essa data é destinada à reflexão e discussão sobre a importância da preservação da água para a sobrevivência de todos os ecossistemas do planeta. A data foi cunhada em 1993 e desde então a Organização das Nações Unidas (ONU) propõe um tema de conscientização a cada ano. 

    Para 2023, o tema escolhido  foi  “Acelerando Mudanças: seja a mudança que você deseja ver no mundo”. O objetivo é convidar a todos a discutir formas de acelerar mudanças para solucionar a crise global da água e saneamento.

    Neste contexto, separamos uma lista de 06 startups aceleradas pelo Quintessa nos últimos anos que nasceram com objetivo de propor soluções de acesso, monitoramento e tratamento de água. 

    1. Água Camelo

    A Água Camelo junta a inovação ao design para combater a desigualdade social e promover o acesso à água tratada, hoje inacessível para 35 milhões de pessoas no Brasil – principalmente em regiões do semiárido, florestas e centros urbanos.  

    A solução é o Kit Camelo, composto por uma mochila que suporta até 15L de água imprópria por vez, um filtro portátil acoplado a ela que elimina até 99,99% de todas bactérias, protozoários e partículas sólidas flutuantes na água, um suporte de parede para pendurar a mochila na residência e um manual de uso do produto para o beneficiado final.

    1. SDW

    Através de projetos ESG com as organizações parceiras, a startups trabalha para mudar a vida das pessoas que vivem nas zonas rurais do mundo. O processo se dá em quatro grandes etapas: Diagnóstico: marco zero, onde são coletados indicadores de saúde, saneamento e educação das comunidades; Capacitação: educação ambiental e técnica, voltada para uma educação com foco no saneamento; Implantação: produtos são postos em operação com suporte ativo das famílias; Monitoramento: relatório com indicadores socioambientais comparados com os do diagnóstico.

    1. O2Eco 

    A startup oferece uma tecnologia composta de hidrocarbonetos inertes em água que contém nanominerais essenciais para os seres vivos. É um potente bioestimulador dos organismos benéficos que agem no processo de regeneração natural, onde o próprio Meio elimina a poluição das águas em rios, lagos, lagoas e outros corpos hídricos.

    O método de despoluição natural das águas se faz através da proliferação de bactérias benéficas que consomem materiais orgânicos e inorgânicos.

    Com o tratamento da água pela imersão da tecnologia O2eco, que contém uma alta carga de oligoelementos e nanominerais, há um aumento exponencial na proliferação destas bactérias benéficas, acelerando a despoluição do meio a ser tratado. 

    1. Lia Marinha

    A LiaMarinha atua no desenvolvimento de alternativas mais ecológicas e sustentáveis para a gestão da água nos setores da mineração, saneamento e da agroindústria.

    O trabalho  interorganizacional traz maior agilidade para testar hipóteses por meio da pesquisa aplicada. As alternativas tecnológicas são testadas  em desafios reais, por meio de provas de conceito (PoC), com a finalidade de obter indicadores para validar as hipóteses e levantar parâmetros do processo para aumentar a escala da alternativa tecnológica.

    1. Inspectral

    A Inspectral resolve o problema do método tradicional de monitoramento da qualidade da água, que envolve o difícil deslocamento até a margem do rio, com equipamentos pesados, sensores, o que muitas vezes aumenta o custo logístico do monitoramento. 

    Pensando nos problemas gerados para monitorar a qualidade em um país continental como o Brasil, que tem a maior rede hidrográfica do mundo, a startup desenvolveu uma tecnologia para que esse monitoramento ocorra de forma remota por meio de imagens de satélite e drones, a solução também pode ser aplicada para monitorar outras atividades como de agricultura e em florestas.  

    1. TRC Sustentável

    A TRC Sustentável desenvolve tecnologias sustentáveis para reduzir os custos com a água, em um modelo de negócio que envolve Produto + Serviço + Tecnologia voltados para conduzir projetos na gestão da água. 

    Durante a implementação de um piloto a startups validou a solução para reduzir o consumo de água nos centros de distribuição e pontos de uma empresa parceira do Quintessa. Os pontos escolhidos para implementação foram: CDD em Joinville e São Cristóvão (RJ) e um bar, pizzaria e um restaurante no Rio de Janeiro. O projeto foi instalado e a startup começou a mapear cada ML de água gasto nos locais e também realizou treinamentos com os colaboradores sobre o uso consciente da água.  

    Ao final do processo, que teve duração de 03 meses, o impacto foi de 1.5 milhão de litros de água economizados, gerando uma média de 42% de economia de água, com ganho financeiro de R$69 mil. Se o resultado for projetado para os próximos 12 meses o impacto é de 6 milhões de litros de água economizados, o que representa um ganho de R$276 mil ao ano. 

  • Inovação aberta e impacto no setor da saúde | Cases Quintessa

    Inovação aberta e impacto no setor da saúde | Cases Quintessa

    Grandes empresas do segmento buscam parcerias com healthtechs para ampliar serviços com base na inovação

    A pandemia da covid-19 trouxe muitos desafios para a área da saúde, impondo projetos de inovação por parte das empresas, como a necessidade de realizar consultas à distância, por exemplo. As novas demandas abriram oportunidades para as companhias do setor investirem em soluções de ponta para seus negócios.

    Em um cenário em que o número de healthtechs cresceu 16,1% no país entre 2019 e 2022, segundo levantamento realizado pela PwC, muitas startups de impacto positivo encontraram oportunidades de negócio, contribuindo para que corporações da saúde ampliassem serviços e fidelizassem clientes com base na inovação. 

    Reunimos aqui alguns programas de inovação aberta realizados pelo Quintessa na área da Saúde, gerando impacto positivo e novos negócios para as empresas parceiras.

    1 – CVC e implementação de pilotos em Inteligência Artificial

    O Grupo NotreDame Intermédica (GNDI) iniciou sua atuação em CVC ao realizar aporte minoritário na NeuralMed, startup que utiliza inteligência artificial para auxiliar as tomadas de decisão do sistema de saúde. A IA passou a ser uma importante ferramenta para auxiliar nas tomadas de decisão no sistema da saúde. Seu uso no diagnóstico de exames, por exemplo, tem aumentado a precisão de análise e acelerado o processo. O Quintessa implementou sua metodologia para desenvolver 4 projetos-piloto de soluções de IA da startup NeuralMed em parceria com o Grupo NotreDame, que havia acabado de investir na startup. Os pilotos tiveram como objetivo mapear sinergias e desenvolver caminhos de implementação da solução da NeuralMed dentro do ecossistema do grupo, engajando as áreas da empresa e validando a aplicação da tecnologia da startup para diferentes desafios internos, como remuneração médica, triagem de exames radiológicos, triagem com mamografia e análise de dados de pacientes diabéticos. 

    2 – Inclusão e diversidade no atendimento: aceleração focada

    O sistema da saúde precisa estar cada vez mais preparado para lidar com as particularidades de cada paciente, o que envolve também o suporte adequado aos seus familiares no atendimento. A Beneficência Portuguesa contou com o apoio do Quintessa para o desenvolvimento e amadurecimento da BeEqual, startup que utiliza tecnologias digitais para ofertar serviços de apoio a pais e cuidadores de crianças com desafios cognitivos, comportamentais e sociais, com o objetivo de validar um possível investimento na startup após o programa. O projeto viabiliza essas facilidades para segmentos sociais de menor poder aquisitivo, explorando um novo mercado para a organização, ao mesmo tempo em que gera impacto positivo.

    3 – Apoio na estratégia de inovação aberta

    O Quintessa ajudou a Viveo na formulação da sua atuação em inovação aberta, refinando a estratégia da área, sua atuação e objetivos, além do desenho da parceria entre a empresa e a startup NoHarm, que usa a Inteligência Artificial para a automatização da triagem farmacêutica, de forma a encontrar um formato de relacionamento que gerasse valor para ambas as partes.

    4 – Cumprimento de metas ESG atreladas a títulos financeiros

    Grandes empresas têm apostado na emissão de títulos de dívida atrelados a projetos ou metas sociais e ambientais como instrumentos para avançar na temática ESG. O Grupo Fleury emitiu R$ 1 bilhão em dívidas atreladas a suas metas ESG em 2021 e, em parceria com o Quintessa, criou dois programas para encontrar startups com soluções para estes desafios, em temas como a democratização do acesso à saúde para as classes C, D e E, educação em saúde, cultura médica, governança, mudanças climáticas, gestão de resíduos, diversidade e inclusão. O projeto inclui programas de aceleração de 10 startups em estágio inicial, para fomentar e desenvolver o ecossistema e a implementação de três pilotos de startups mais maduras.

    5 – Aquisição de startup de impacto

    Um dos grandes tópicos atuais da saúde pública é o relacionado a saúde mental. Empresas prospectam alternativas de programas de suporte a funcionários nessa temática. A Gympass, unicórnio brasileiro que oferece serviços de bem-estar para corporações, adquiriu a startup de saúde mental Vitalk, acelerada pelo Quintessa, para atuar no fornecimento de apoio psicológico a profissionais. 

    A Vitalk passou pelos programas do Quintessa em diferentes momentos, desde o início, com menos de 10 colaboradores, quando apoiamos na validação do negócio, até o momento de captação de investimento, quando desenhamos a estratégia da rodada e apoiamos no relacionamento e negociação com os fundos. Este exemplo mostra a importância de investir na aceleração e desenvolvimento dos negócios de impacto para que escalem e se tornem boas oportunidades de negócio para o mercado.

    Empresas que têm os ODS no seu core business, como é o caso das empresas de saúde, possuem alto potencial em se conectar com startups de impacto para trazerem inovação e novos negócios para suas operações. São diferentes formas de praticar a inovação aberta, que dependem muito da estratégia e objetivos de cada empresa nessa relação, seja encontrar parceiros de negócio, desenvolver soluções para o setor, implementar pilotos, investir ou adquirir startups. 

    Conte com o Quintessa para desenhar a sua estratégia de inovação aberta com impacto positivo. Fale com o nosso time!

  • Fórum Econômico Mundial: os principais destaques da agenda socioambiental em Davos

    Fórum Econômico Mundial: os principais destaques da agenda socioambiental em Davos

    Entre os dias 16 a 20 de janeiro aconteceu mais uma edição do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Após dois anos de interrupção pela pandemia, o evento, que reúne líderes políticos, empresariais e da sociedade civil, voltou à agenda mundial.

    O tema escolhido para 2023 foi a “Cooperação em um Mundo Fragmentado”, com o objetivo de buscar soluções e parcerias público-privadas para os desafios mais urgentes de um mundo globalizado que enfrenta uma guerra, polarizações políticas, ameaças à democracia, consequências econômicas da Covid-19 e emergência climática.

    Os principais temas abordados foram a preocupação com uma recessão global, a guerra da Ucrânia – principalmente sobre seus impactos na crise energética e a inflação. Dentre os temas dos painéis, vimos a pauta da atração/retenção de talentos e o significado do trabalho em meio a uma onda de layoffs (demissões em massa, em português) e do crescimento do “quiet quitting“. Conversas sobre desinformação e democracia, a situação das mulheres no Irã, poluição plástica, descarbonização e greenwashing, entre muitos outros que estão disponíveis para assistir online.

    Houve também muito interesse pelo Brasil e o retorno do nosso país ao protagonismo da agenda ambiental. Reunimos aqui os principais destaques de Davos no que diz respeito ao país e à pauta socioambiental.

    1. Uma recessão mundial é esperada: como fica o ESG?

    Dois terços das lideranças entrevistadas pelo Fórum Econômico Mundial (63%) esperam uma recessão global em 2023 – destes 18% consideram extremamente provável que ela aconteça. Segundo o WEF (sigla para World Economic Forum, em inglês), este número cresceu significativamente desde a última pesquisa, feita em setembro de 2022. Os impactos da guerra na Ucrânia na economia ainda representam um risco, principalmente na Europa. Apesar disso, a percepção sobre o painel final foi de otimismo sobre uma retomada econômica.

    E como garantir que o ESG não é deixado de lado em tempos difíceis? Essa pergunta tem aparecido bastante e, em um dos painéis em que foi feita, foi respondida de forma que concordamos bastante aqui no Quintessa: essa questão não é um conflito e não deve ser vista como um trade-off. Já foi comprovado que companhias com propósito têm melhor retorno, e gerar impacto não significa sacrificar lucro. Os problemas continuam e vão precisar de esforços para serem endereçados, portanto, principalmente para aquelas empresas que têm o impacto intrínseco na estratégia e enxergam a oportunidade de negócio, os tempos difíceis estimulam a criatividade, as parcerias e a inovação. 

    1. O papel das empresas em um mundo fragmentado

    Em 2023, ao menos 630 CEOs estiveram em Davos – ou, uma em cada quatro pessoas no Fórum, um ambiente extremamente importante para ser debatida a pauta ESG e o papel das empresas na transformação socioambiental. Neste assunto, destacamos o painel “Profit and Purpose“, que assistimos de forma online e contou com a participação da LEGO, Deloitte, GHR Foundation e Henry Schein, sobre o S do ESG.

    Um assunto unânime foi o já mencionado acima, que não deve existir trade-off entre lucro e impacto. “Este virou um tema polarizado, como se cuidar dos stakeholders ou dos shareholders fossem dilemas opostos, mas a verdade é que no longo prazo, fazer investimentos em ESG é um caminho para dar retorno aos acionistas”, comentou o CEO da Deloitte. “Os investidores querem retorno e os consumidores querem empresas que atendam suas necessidades e que sejam honestas, e a melhor forma de provar sua honestidade é fazer bem para a sociedade”, finalizou o CEO da Henry Schein.

    Foi discutido também sobre a representatividade da liderança e o dilema entre se posicionar ou não em temas importantes, que é o que mais tem tomado tempo de CEOs, segundo um dos painelistas. Em uma “guerra de talentos”, as pessoas querem trabalhar em lugares alinhados aos seus valores, e o que a liderança representa tem muito peso. Ainda, acredita-se que em um mundo fragmentado, as empresas têm o papel de serem pontes, e precisam fazer parte das conversas. Porém, isso não significa que devemos esperar que as empresas se tornem árbitros de tudo o que acontece.

    Existe um receio por parte das empresas, pois as temáticas importantes têm sido colocadas de um lado ou de outro do espectro político. O debate foi bem rico, no entanto, a conclusão foi que as empresas e a liderança devem sempre explicitar seus valores, pois muitas questões são éticas e baseadas em valores, e não em política, como crimes de ódio, racismo, entre outros, e não podemos nos calar diante deles. 

    Inovação aberta em foco: em outro painel, foi lançado o Catalyst 2030 Business Commitment, um selo que vai reconhecer as grandes empresas que trabalham em parceria com negócios de impacto social.

    1. O interesse pelo Brasil: democracia, economia e meio ambiente

    O Brasil não só esteve presente como despertou grande interesse do mundo todo em Davos. O governo federal foi representado pela ministra Marina Silva e o ministro Fernando Haddad, passando o recado de que economia e sustentabilidade devem andar juntas no novo governo.

    Em um evento com o tema fragmentação, o interesse global estava muito voltado aos ataques à democracia do dia 8 de janeiro, e o Brasil buscou passar o recado de que a democracia está sólida. Para Marina Silva, “a estabilidade democrática passa pela capacidade de darmos respostas para os graves problemas sociais, ambientais e econômicos e para novas perspectivas para o Brasil”.

    Haddad mencionou também que é preciso engajar CEOs em uma agenda civilizatória, e que está disposto a convencer as corporações a assumir determinados compromissos sociais e ambientais públicos e com consequências práticas. “Como consumidores, temos capacidade de pressionar. “Como podemos compactuar com empresas que não se manifestam claramente a favor da democracia?”, pontuou ao ser questionado sobre o tema.

    Em um tom propositivo, a participação dos dois líderes conseguiu criar grande expectativa mundial sobre o retorno do protagonismo brasileiro no cenário internacional, sobretudo na questão ambiental. 

    1. Dados para o investimento na Amazônia

    A Amazônia foi tema exclusivo de um dos painéis, com a participação do pesquisador Carlos Nobre, do governador do Pará, Helder Barbalho, e representantes de outros países que abrigam o território amazônico falaram sobre a economia da floresta em pé.

    O Instituto Igarapé lançou em Davos o painel de dados Amazônia in Loco, que, segundo a presidente Ilona Szabó, tem como objetivo “preencher lacunas críticas de informações em nível local e acelerar o investimento responsável na região”. Ele fornece uma compreensão aprofundada da dinâmica ambiental, social, econômica e demográfica nos 772 municípios que compõem a Amazônia Legal Brasileira, apresentando mapas e gráficos interativos que abordam temas como áreas protegidas, hotspots de biodiversidade, produtividade econômica, desafios socioambientais e tecnologias sustentáveis recomendadas.

    O painel busca consolidar o controle territorial em áreas com foco de crimes ambientais, fazendo com que o setor privado possa abordar os riscos relacionados à temática ESG e aprofundar sua compreensão e envolvimento com as comunidades locais na Amazônia.

    1. Filantropia pelo clima

    Amy Goldman, CEO da GHR Foundation, falou em  um dos painéis que o capital filantrópico pode ser aplicado de forma criativa, pode ter risco, visão de longo prazo, ser visionário e inovador, assunto que temos trabalhado ativamente aqui no Quintessa.

    No geral, o foco dado durante o Fórum foi sobre como a filantropia pode acelerar e escalar a ação climática, especialmente em parcerias com o setor público e o privado. O Fórum Econômico Mundial lançou uma iniciativa global de doação chamada GAEA (Giving to Amplify Earth Action) que busca mobilizar parcerias públicas, privadas e filantrópicas (PPPPs) para ajudar a liberar os US$ 3 trilhões necessários para financiar soluções climáticas por ano. 

    O empreendedor da rede Quintessa, Rodrigo Pipponzi, a frente da Editora MOL, esteve presente em Davos e pontuou em seu LinkedIn sobre este tema: “assisti a um painel sobre a evolução da filantropia da Ásia – saí muito impressionado com a forma como o continente encara o tema, estimulando que a filantropia sempre caminhe de mãos dadas com governo e empresas e que sempre tenha suas estratégias desenhadas para escala, independentemente do tamanho que comecem (como referência, vale conhecer a Rohini Nilekani Philanthropies, que me encheu de inspiração e bons insights)”.

    1. Empreendedorismo brasileiro presente na Suíça

    Todos os anos, a Schwab Foundation premia empreendedores sociais com soluções inovadoras, e este ano um dos 16 vencedores foi o empreendedor Tasso Azevedo, da MapBiomas, que como o nome sugere, se dedica a mapear a cobertura e o uso do solo dos biomas brasileiros, para apoiar e desenvolver a gestão sustentável e a conservação dos recursos naturais. 

    Empreendedores da rede Quintessa também estiveram presentes, como o Guilherme Brammer da Boomera, Rodrigo Pipponzi da Editora Mol, Rodrigo Oliveira da Green Mining e o time da Digital Innovation One.

    O Fórum Econômico Mundial em Davos tem menos participação da sociedade civil e do sul global que outros eventos internacionais, como a COP, por exemplo, e com isso, se mostra um evento menos diverso. Não dá para negar sua importância na troca entre lideranças dos setores público e privado e influência nos assuntos da economia global, portanto é válido reconhecer positivamente os esforços para que os assuntos de ESG e meio ambiente estejam em grande parte das sessões. Por outro lado, há uma cobrança muito grande para essa “elite econômica” que participa da conferência sobre suas reais intenções e práticas ao fim da semana de eventos.

    O secretário geral da ONU, António Guterres, e a ativista Greta Thunberg deixaram seus posicionamentos. Guterres falou sobre greenwashing e cobrou a todos os líderes corporativos que apresentem “planos de transição para o net zero confiáveis ​​e transparentes” antes do final de 2023. Já Greta, afirma que o Fórum falha em não dar lugar para as pessoas afetadas pela crise climática nos debates e reúne pessoas que não colocam essa emergência como prioridade.

    O site do Fórum Econômico Mundial disponibiliza todas as sessões gravadas (muitas com tradução para Português) e resumos em texto – em inglês.

  • Grupo Fleury seleciona dez startups com potencial para alavancar as ações ESG da companhia

    Grupo Fleury seleciona dez startups com potencial para alavancar as ações ESG da companhia

    Dezstartups acabam de ser selecionadas para o programa de aceleração ‘Impacta’, promovido pelo Grupo Fleury. O programa visa potencializar startups com soluções inovadoras para aprimorar o ecossistema de saúde e alavancar o tema ESG e os valores promovidos pela empresa, a partir de temas ligados à democratização do acesso à saúde para as classes C, D e E, educação em saúde, cultura médica, governança, mudanças climáticas, gestão de resíduos, diversidade e inclusão, além de outras práticas alinhadas aos seus valores e propósito.

    A iniciativa contempla duas etapas: Soluciona e Acelera. Na fase ‘Soluciona’, duas startups foram escolhidas para implementar projetos pilotos, com objetivo de firmar futuras parcerias com o Grupo Fleury. Para o piloto que visa aumentar o acesso à saúde para classes C, D e E, foi selecionada a startup Fleximedical; Para o desafio de Gestão de Resíduos, a startup selecionada foi a Vertown. Ambas estão participando do projeto desde julho. 

    Na fase ‘Acelera’, foram mais de 145 negócios inscritos e, após uma seleção que avaliou critérios como grau de inovação, potencial de negócio e potencial de impacto, dez soluções em estágio de validação e ida a mercado foram escolhidas para um programa de aceleração com duração de seis meses. O objetivo nesta fase é amadurecer as soluções existentes no ecossistema, que podem se tornar potenciais parceiras do grupo. A partir de novembro, as 10 startups selecionadas receberão acesso à rede de mentores do Grupo Fleury e do Quintessa, bem como suporte personalizado de gestores para desenvolvimento do seu negócio.

    “Responsabilidade ambiental, social e de governança corporativa são temas extremamente importantes para o Grupo Fleury. O programa faz parte da nossa iniciativa de inovação aberta em ESG, já que o Grupo busca se unir a empresas que podem ajudar a impulsionar o ecossistema de saúde nacional. O objetivo é, além de buscar melhorias internas para as metas ESG estabelecidas, contribuir para o desenvolvimento e crescimento de empreendedores sociais”, ressalta Daniel Périgo, gerente sênior de ESG do Grupo Fleury.

    Com mais de 25 projetos de inovação aberta realizados em 2022, Anna de Souza Aranha, sócia-diretora do Quintessa, comenta: “O Acelera é um ótimo exemplo de iniciativa que integra inovação e sustentabilidade, e que maximiza a agregação de valor para as partes envolvidas. Ficamos muito satisfeitos com a estreia do programa: superamos em 84% a meta de inscritos para a Iniciativa Acelera do Programa Impacta Grupo Fleury. Esse fato confirma a tese de que existe demanda do mercado de startups para programas que fomentem o desenvolvimento de negócios em estágio inicial. ”

    Conheça as 10 startups selecionadas:

    Hi! Healthcare IntelligencePlataforma de Health Analytics para gestão de desperdícios de tratamentos de alto custo de sistemas de saúde
    Sou PaguPlataforma de psicologia feminista, exclusiva para mulheres, que democratiza a saúde mental.
    Lacrei SaúdePlataforma de Saúde segura e inclusiva para a comunidade LGBTQIAPN+.
    GestarPlataforma online que conecta o ecossistema de profissionais da saúde e cuidados materno infantil a famílias tentantes, gestantes e com filhos na 1ª infância.
    Mulheres no ComandoHR Tech que tem o objetivo de ajudar as empresas a alcançar a equidade de gênero.
    Ziel BiosciencesÉ uma empresa liderada por mulheres com foco em pesquisa, inovação e desenvolvimento de soluções para medicina personalizada, oncologia e saúde da mulher.”
    Tato Fisioterapia InteligenteHealth tech especializada em realizar gestão de cuidado e telerreabilitação de pessoas com dor e condições musculoesqueléticas crônicas para empresas e operadoras de saúde
    Hefesto MedtechOrtopedia 4.0: fabricação de órteses impressas em 3D, personalizadas, ajustáveis e feitas com polímeros recicláveis que substituem o gesso ortopédico e outros tipos de imobilização.
    MedstreamEdTech que capacita e valoriza os médicos, melhorando o atendimento à população.
    Carbon Free BrasilClimatech que ajuda empresas a darem o primeiro passo na jornada ESG através da gestão e compensação das emissões de carbono.

    Sobre o Programa Impacta Grupo Fleury

    O Programa Impacta Grupo Fleury visa aprimorar internamente as diretrizes ESG da companhia e contribuir para o desenvolvimento e crescimento de negócios de impacto, sendo dividido em duas vertentes: o Acelera, que tem o objetivo de potencializar startups em estágios iniciais com soluções para as metas ESG de longo prazo do Grupo Fleury; e o Soluciona, cujo objetivo é a implementação de pilotos de startups maduras, focados nos desafios atrelados à emissão de debêntures ESG da empresa.

  • Quintessa oferece programa gratuito para incentivar a atuação de jovens negros em organizações de impacto positivo

    Quintessa oferece programa gratuito para incentivar a atuação de jovens negros em organizações de impacto positivo

    O Quintessa, aceleradora de impacto positivo referência no Brasil, em parceria com o Choice, maior movimento de jovens empreendedores de impacto do país, e apoio da Comunidade Trabalhar com Impacto, acabam de lançar o Pulsa+.  O programa, gratuito, busca promover a equidade racial no ecossistema de impacto positivo, ESG e sustentabilidade. O objetivo é oferecer conteúdos, oportunidades e uma rede de contatos para apoiar jovens negros a trabalharem em organizações e empresas que estão mudando a forma de fazer negócios, facilitando seu acesso a esse segmento de mercado. 

    Para isso, o Pulsa+ oferecerá uma formação gratuita para 50 jovens negros de 18 a 29 anos em todo o Brasil que tenham interesse em atuar no setor. Interessados devem se inscrever no site até o dia 29 de janeiro de 2023.

    A capacitação tem duração de três meses e é necessário estar cursando a partir do 5º semestre da graduação ou ter até quatro anos da conclusão da formação no ensino superior, além de ter disponibilidade para participar das aulas online ao vivo. Os participantes do Pulsa+ também contarão com uma bolsa de estudos de até R$ 900 reais destinada aos que cumprirem o mínimo de presença e entrega de atividades. 

    O programa busca apresentar os principais atores e oportunidades para atuar com impacto positivo, abordando temas como: liderança e autoconhecimento, Agenda 2030 e ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), empreendedorismo social, terceiro setor, ESG e sustentabilidade corporativa, setor público e investimentos de impacto, além de preparação de currículo e entrevistas. Os instrutores do programa Pulsa+ são profissionais negros especialistas e atuantes no mercado, como Augusto Júnior, Bia Santos, Jéssica Silva Rios, Rosane Santos e outros.

    Ao final, os participantes terão a oportunidade de conversar com recrutadores de diversas organizações de impacto para se candidatarem às vagas disponíveis.

    O programa é uma iniciativa filantrópica do Quintessa, viabilizado por recursos de doação da organização. “Temos trabalhado para ampliar a  diversidade racial dentro do time do Quintessa e sabemos que é possível fazer mais. O Pulsa+ foi criado por mentores e gestores do time, pensando em gerar impacto para além das nossas portas, impulsionando a atração de talentos negros para todo o ecossistema de impacto”, explica Anna de Souza Aranha, sócia e diretora do Quintessa.

    “Os jovens são a parcela da população mais afetada pelo desemprego e 73% do total de desempregados no Brasil são pessoas negras. Queremos contribuir para mudar esse cenário e esperamos que esta seja a primeira de muitas edições do Pulsa+. Além disso, sabemos que o segmento de mercado no qual atuamos, com as temáticas de impacto, ESG e sustentabilidade, carece de diversidade racial entre as pessoas que atuam nele – e queremos ajudar a mudar isso”, completa.