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  • Case Quintessa | Como a Já Entendi montou sua máquina de vendas B2B

    Case Quintessa | Como a Já Entendi montou sua máquina de vendas B2B

    A Já Entendi é um negócio de impacto de capacitação profissional com uma exclusiva metodologia de aceleração de aprendizagem focada para pessoas que estão na base da pirâmide. Transformam qualquer tipo de conteúdo de treinamento, como apostilas e manuais, em vídeoaulas que facilitam a assimilação do conteúdo, especialmente para pessoas com baixa escolaridade. Alguns de seus clientes são a Natura, Enel e Pão de Açúcar.

    Contexto do negócio

    Além do desafio de aumentar e estabilizar suas vendas, trabalhamos com a Já Entendi a definição de foco e senso de priorização do negócio, garantindo clareza das metas e da visão de futuro da empresa.

    Para isso, revisitamos o planejamento estratégico da empresa e implementamos a metodologia de OKR, definindo os principais indicadores do negócio e das metas de vendas. A partir dessa clareza é que iniciamos a estruturação da estratégia comercial. Reforçamos aqui a importância que vemos em ter uma visão estratégica mais ampla definida, para que as ações de cada área estejam conectadas aos mesmos objetivos.

    Ao final da aceleração, a Já Entendi teve um aumento significativo, quase dobrando a sua receita, superando a meta daquele ano, com uma melhora significativa na margem líquida.

    O plano de ação realizado seguiu 6 passos

    1. Definição do público
    2. Discurso de vendas
    3. Prospecção
    4. Classificação dos leads
    5. Formação de equipe
    6. Processos e rotinas

    1. Definição do público

    Primeiramente, deve-se entender quem é o consumidor ideal do seu produto ou serviço. Falamos neste texto sobre o Ideal Customer Profile e Buyer Persona. Para entender o perfil ideal, você deve analisar primeiro qual é a vertical dentro das empresas que o seu produto resolve o problema muito bem. A partir daí, fazer uma lista de potenciais empresas que tenham o ideal customer profile.

    A Já Entendi já tinha um histórico de vendas para grandes empresas e clareza das necessidades atendidas, então foi preciso somente organizar essas informações. Definimos os segmentos de empresa, as áreas internas e os cargos que a Já Entendi iria buscar como cliente ideal, tendo clara a respectiva proposta de valor para cada um dos públicos. Além de olhar o “CNPJ”, é preciso olhar o “CPF”, ou seja, a pessoa que toma a decisão dentro da empresa e quem sente a dor que você irá resolver.

    vendas b2b estratégia

    A venda B2B é uma venda personalizada, na qual é necessário entender qual o problema do cliente e como sua solução pode resolver tais problemas. O principal desafio é entender corretamente toda a demanda, por isso a inteligência comercial deve passar por:

    • saber quais são particularidades do segmento do seu cliente;
    • saber quais são todas as opções disponíveis para solucionar o mesmo problema;
    • oferecer um diagnóstico que converse com a realidade da empresa.

    Na imagem acima, por mais que esteja descrito “todos fazem sentido”, vale sempre detalhar o máximo que puder, por exemplo, “empresas que possuem um volume relevante de colaboradores e parceiros de negócio com baixa escolaridade”.

    2. Discurso de vendas

    Após definirmos qual a proposta de valor para os diferentes públicos, construímos o discurso de vendas para cada um deles, incluindo também um case de sucesso que comprova a qualidade da entrega naquela área específica.

    O discurso possui duas partes principais: a base padrão, que está presente em todo tipo de venda, e a parte específica, que apresenta a proposta de valor para cada uma das áreas definidas acima.

    discurso de vendas b2b

    Diferente das vendas B2C, nas quais ocorrem muitas compras por impulso, no processo de vendas entre empresas a negociação é mais complexa e racional. Isso não exclui os aspectos emocionais na tomada de decisão, mas eles não são tão determinantes quanto no B2C.

    O potencial cliente precisará conhecer as vantagens do produto ou serviço, preço de aquisição, funcionamento, garantias… 

    Um ponto chave para apoiar o discurso de vendas é criar materiais de cases, que demonstram as entregas e resultados atingidos com outros clientes. A criação de um case não precisa ser complexa! O ideal é que, com o tempo e maior volume de projetos, a empresa crie materiais com referências de diferentes segmentos que podem servir como apoio para o vendedor.

    Exemplos de algumas informações para construir o case:

    • Cliente
    • Segmento de Mercado
      – Energia
    • Dor do cliente
      – Capacitação da base da pirâmide
    • Problema a ser resolvido
      Alto índice de acidentes de trabalho por falta de capacitação
    • Ação/Resultado
      Implementação de treinamento da equipe que reduziu em 90% o número de acidentes no trabalho em 1 ano

    Quanto mais quantitativo e específico for a descrição do resultado, não incluindo apenas o aspecto qualitativo, melhor será para demonstrar a eficácia da sua solução.

    3. Prospecção

    Com os públicos definidos e o discurso de venda refinado, analisamos as estratégias para geração de leads.

    Prospecção ativa 

    Começamos listando empresas para entrar em contato por telefone, e-mail ou LinkedIn a partir do público definido: gerentes das áreas de RH, Marketing ou Vendas em qualquer segmento de empresa. É importante saber que nem sempre você chegará diretamente na pessoa certa. Em vendas B2B é bem provável que você terá contato com muitos decisores até chegar na pessoa que de fato irá garantir a assinatura do contrato.

    LinkedIn

    Outra estratégia foi garantir maior presença e uso do perfil da CEO da Já Entendi, tanto para atrair e abordar novos contatos pelo LinkedIn, como para manter relacionamento com os clientes existentes e receber indicações.

    Um caminho para isso é analisar quais foram as entregas de sucesso, analisar o perfil do cliente para determinar possíveis contatos da rede que possam ser interessantes para a sua empresa. Então, ao entrar em contato com esse ex-cliente, já encaminhar quais contatos você tem interesse que ele faça a conexão.

    Palestras e eventos

    Um terceiro caminho para geração de leads foi listar as principais palestras e eventos das áreas de RH, marketing e comercial que aconteceriam naquele ano e analisar quais seriam interessantes para participar – como ouvinte ou palestrante.

    O interessante de participar como palestrante é mostrar o quanto você conhece e tem autoridade no assunto, contribuindo para que ganhe a confiança do seu potencial cliente.

    Leads passivos

    A Já Entendi também recebe um volume de leads por meio do site, resultado de ações de imprensa, redes sociais e eventos. Assim como estruturamos um discurso de venda para negociação, é importante estruturar um discurso e uma classificação das empresas que chegam pelo site. 

    O primeiro filtro é entender se aquele lead se encaixa no perfil de cliente ideal ou está muito distante, assim você sabe se vale a pena investir em uma primeira conversa. Se você usa um formulário para receber leads no seu site, é interessante colocar algumas perguntas objetivas sobre o perfil. No caso da Já Entendi, perguntando o cargo e a área da empresa por meio do site você já tem informações se o lead é quente ou frio antes mesmo do primeiro contato.

    4. Classificação dos leads

    Com os canais e estratégias definidos, buscamos entender quais as dores de cada tipo de lead e a necessidade em resolvê-la, para organizar os leads no funil.

    A partir da pergunta: Qual objetivo de negócio você quer solucionar e que eu posso te ajudar? Temos duas possíveis respostas, por exemplo:

    1. “Meu time de vendas está perdendo clientes”/”Meu índice de acidente de trabalho é alto” ou
    2. “Precisamos fazer um treinamento”

    O Lead da resposta 1 possui uma clareza maior de sua necessidade, logo, vale a

    pena investir o tempo de conversas e uma breve consultoria. Para o lead da segunda resposta, o ideal seria entender o motivo da necessidade de treinamento e enviar materiais institucionais/instrutivos.

    Assim, chegamos a três perfis de lead:

    LEAD A

    Já conhece o trabalho da Já Entendi e sabe o que está procurando. Muitas vezes, o contato é direto com o próprio decisor.

    Ponto chave: preço

    LEAD B

    Já ouviu falar sobre a Já Entendi, possui referências, mas ainda não sabe ao certo se o serviço da empresa é o que ele busca de fato. Pode ser que o contato esteja distante do decisor.

    Ponto chave: alinhamento de expectativas e orçamento.

    LEAD C

    Não conhece a empresa e não sabe o que procura, apenas que precisa treinar/capacitar os colaboradores. O contato está distante do decisor e, as vezes, é necessário elaborar um mini projeto para mostrar como seria um possível curso (espécie de pré-consultoria)

    Ponto chave: explicação sobre o trabalho da empresa.

    Neste caso, o LEAD B foi definido como prioritário.

    Segundo média de mercado, o mais comum é as empresas apresentarem um funil com:

    20% Lead A
    30% Lead B
    50% Lead C

    Sendo que, o Lead B pode vir a se tornar um lead A ou um Lead C.

    É importante realizar, religiosamente, uma reunião de alinhamento semanal para avaliar cada um dos leads no funil, qual “foto” que temos no momento e quais serão as ações a serem realizadas ao longo da semana.

    Um ponto chave foi encontrar aquelas 4 ou 5 perguntas essenciais que respondem quem está mais propenso a comprar o serviço da Já Entendi ou não. Por exemplo: 

    1. Qual a necessidade a ser suprida?
    2. Já teve algum outro curso/capacitação para atender esta necessidade?
    3. Qual é o tempo previsto para implementação?
    4. Possui budget para isso?

    Conforme a resposta de cada um deste itens, o ideal é que o vendedor já tenha mapeada “qual a próxima ação”: seja marcar uma nova conversa ou mandar um material informativo/case.

    5. Formação de equipe

    Outra etapa da aceleração da Já Entendi foi a contratação de novas pessoas para formar um time de vendas. A partir do olhar para todo o processo de vendas, entendemos a lista de atividades da área comercial – sejam as que já eram realizadas ou as que precisavam ser feitas.

    Leia mais sobre formação de equipe.

    As três principais frentes de uma equipe comercial são:

    CAPTAÇÃO

    Gerar, captar e classificar novos leads (pré-venda)

    Frente responsável por criar conteúdo, estratégia de comunicação e ações que atraiam clientes para a base. Nesta etapa é necessário entender quem é seu cliente, qual dor resolve, onde eu se relaciona com ele e que tipo de conteúdo ele quer consumir.

    Nesta frente é importante um profissional de marketing, responsável pela criação de conteúdo e estratégia de comunicação, e um profissional de pré-venda (chamado de SDR ou Hunter), responsável por encontrar os leads e classificá-los para o vendedor.

    A pré-venda é uma etapa muito importante da venda B2B, pois entrega o lead mais qualificado ao vendedor, aumentando o sucesso na conversão, gerando eficiência.

    GERENCIAMENTO

    Relacionamento constante com o potencial cliente. Aqui é tanto quem “encanta” quanto quem realiza a venda.

    É muito importante estar interagindo com o potencial cliente, mantendo sempre seus dados atualizados e todos os contatos feitos registrados em um cadastro, tal como um CRM. Ações como ligar, mandar e-mail, enviar um brinde, convidar para um evento ou palestra, os deixam cientes de que não os esqueceu e que está a disposição para o que precisar.  Mas cuidado, nem sempre a interação deve ser oferecendo algo ao cliente. Mais do que um produto ou serviço, você está vendendo confiança e garantia de entrega.

    MANUTENÇÃO

    Parte mais operacional da venda (forecast, follow up, contrato, etc) e pós-venda (gerenciamento do contato a longo prazo).

    Após a venda, o cliente passa a fazer parte de um novo funil: clientes que já fizeram negócio com a empresa e são inclinados a uma nova compra. Assim, é necessário realizar a manutenção da venda e do relacionamento com esse cliente, garantindo que o que foi prometido seja entregue e que tudo esteja dentro do combinado (tanto do lado do cliente quanto da empresa). 

    No geral, quem trabalha com vendas B2B precisa ser mais analítico, pois atua como um consultor. Sua missão é diagnosticar o problema, propor uma solução, criar um relacionamento de confiança e depois partir para a fase de negociação. Logo, precisa estudar muito o mercado e o cliente antes de entrar em contato, além de ter um conhecimento aprofundado sobre o produto.

    Durante as mentorias durante a aceleração, um dos mentores do Quintessa trouxe um ponto para a Já Entendi sobre a importância do papel da empreendedora no processo de vendas. A empreendedora vende uma ideia, um conceito, enquanto um bom vendedor vende um produto. Assim, quem capta o lead é aquele que consegue vender o conceito (empreendedora). Quem vende o produto (vendedor) é quem consegue atender a necessidade.

    6. Processos e rotinas

    A estrutura de uma área de vendas B2B é muito voltada para processos e rotinas. Pelo perfil de cliente, é muito importante a disciplina. Na Já Entendi, criamos uma planilha para acompanhar o pipeline, permitindo uma visualização completa dos indicadores, gargalos, dificuldades e oportunidades, além do estágio de cada lead.  

    É importante ter esse processo documentado e acompanhado, tanto para no futuro ter maior conhecimento do funil de venda da empresa quanto para auxiliar nas atividades semanais. Como no B2B a negociação é longa, ter tudo registrado ajuda o vendedor a não se perder no processo, sabendo quando acelerar ou pausar a conversa.

    Além disso, uma vez imputados os dados, o ideal é que a planilha seja uma base para visualizar quais empresas é necessário fazer um follow up ou não. 

    No início, com um fluxo de leads baixo, pode parecer que não é necessário, mas é importante já ir se habituando com esta dinâmica para quando o funil estiver mais cheio. Nesse caso você pode migrar também de uma planilha para uma ferramenta de CRM como Pipefy ou Pipedrive.

    Nesse texto buscamos explicitar os pontos trabalhados nesse caso específico. Para ver nosso conteúdo sobre estratégia comercial, acesse este texto.

    Conheça mais casos de sucesso do Quintessa em: quintessa.org.br/portfolio

  • Conheça negócios de impacto com soluções para os grandes desafios ambientais

    Conheça negócios de impacto com soluções para os grandes desafios ambientais

    startups meio ambiente

    Nesse momento difícil e atípico que estamos vivendo com o isolamento e a pandemia muitos desafios que sempre estiveram presentes ficaram ainda mais explícitos e em pauta, e um deles foi o impacto da atividade humana no planeta.

    Os desafios ambientais estão relacionados com toda a nossa forma de viver e estar no mundo, e as soluções exigem esforços e ações conjuntas de governos, empresas, órgãos internacionais, ONGs e indivíduos.

    No Dia Mundial do Meio Ambiente, apresentamos negócios da rede Quintessa que promovem soluções inovadoras para os diferentes desafios da pauta ambiental. Conheça!

    Gestão de resíduos e reciclagem

    O Brasil gera aproximadamente 79 milhões de toneladas de resíduos por ano. 8% desse resíduo ainda não é coletado, e 40% é destinado de forma incorreta (Abrelpe).

    Nesse tema, a Recicleiros atua assessorando prefeituras na implementação da coleta seletiva, e também implementa programas de logística reversa para empresas no cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Já o Instituto Muda implementa a coleta em condomínios residenciais, empresas e colégios, cuidando de todo o processo, desde a conscientização dos moradores até a destinação do resíduo. 

    A Gaia Negócios Sociais também está nesta frente, promovendo a PNRS e tendo em vista a inclusão sócio produtiva do catador de material reciclável, que são responsáveis por quase 90% do lixo reciclado no Brasil.

    No campo da reciclagem, a Boomera é referência na transformação de resíduos, inclusive aqueles considerados difíceis, por meio de uma metodologia que envolve cooperativas de catadores, estudos laboratoriais, desenvolvimento e fabricação de novos produtos. Outro negócio inovador é a Eco Panplas, que desenvolveu uma tecnologia sustentável para reciclagem embalagens de óleo lubrificante, que têm alto potencial de contaminação da água.  E

    Mobilidade mais sustentável

    O transporte é o principal emissor de CO² no Brasil, representando 48% do total (SEEG). Uma startup que oferece alternativa de transporte mais sustentável é a E-Moving, com um programa de assinatura de bikes elétricas para pessoas físicas ou empresas que oferecem o benefício aos seus colaboradores. No setor de logística, a Courri inova ao utilizar as bikes como meio de transporte para entregas last-mile nas cidades.

    Educação e comportamento

    A conscientização e educação ambiental têm papel fundamental na preservação do meio ambiente. No âmbito escolar, a Reconectta é um negócio de impacto que leva valores e cultura da sustentabilidade aos alunos por meio de experiências educacionais. 

    Para estimular a criação de novos hábitos, a So+ma desenvolveu um programa de fidelidade em que os bons comportamentos geram pontos para serem trocados por cursos, serviços e outras recompensas. Com foco na população de baixa renda, o primeiro comportamento estimulado é a reciclagem, e faz com que a entrega de materiais recicláveis converta em pontos aos usuários.

    Além da ação no pós-consumo, é importante repensar também o impacto dos produtos que consumimos. A Nossa Nova é um dos negócios que promove o consumo consciente. O marketplace reúne marcas atentas ao ciclo de vida de seus produtos e com um propósito socioambiental bem definido, além de promover projetos de conscientização em grandes empresas.

    Alternativas ao plástico descartável

    720 milhões de copos plásticos descartáveis são consumidos por dia no Brasil, correspondendo a 1.500 toneladas de resíduos plásticos produzidos diariamente (ONU e Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos – ABRELPE)

    A Meu Copo Eco propõe a mudança de mentalidade relacionada aos descartáveis, e fornecendo alternativas (produtos e serviços) para a substituição de copos descartáveis por copos reutilizáveis (duráveis), seja em eventos,empresas, escritórios ou escolas – ou em qualquer ambiente que tiver descartáveis. 

    A Já Fui Mandioca oferece uma alternativa ao plástico descartável, produzindo copos e recipientes biodegradáveis feitos com fécula de mandioca.

    Agricultura mais sustentável

    Agricultura e meio ambiente são temas indissociáveis. As práticas agrícolas podem ter seu impacto na natureza se feitas de forma inadequada. A Muda Meu Mundo é um negócio de impacto que se propõe a capacitar pequenos agricultores com práticas sustentáveis de produção e oferece uma remuneração justa, ao fazer a ponte direta com o varejo, o que também contribui para a redução do desperdício. 

    Você sabia que um terço de toda a comida produzida no mundo é desperdiçada? A Fruta Imperfeita é outro negócio com solução para este desafio. O modelo é de assinatura de caixas de frutas e verduras ‘imperfeitas’, que estão boas para consumo mas seriam descartadas por não estarem no padrão estético exigido pelo varejo. Outra solução é a Fazu, uma rede de fazendas urbanas hidropônicas para plantação de hortaliças direto no local de consumo, como restaurantes. 

    O mau uso de defensivos agrícolas também é responsável por consequências diretas no meio ambiente, como a contaminação do solo, água e alimentos. Além disso a identificação tardia de pragas e doenças pode levar a um uso excessivo de defensivos e perda na produção. A Cromai é uma das startups com soluções tecnológicas para o campo, atuando na identificação precisa de pragas e deficiências na plantação, diminuindo a perda de produção e promovendo o uso mais eficiente de fertilizantes e defensivos.

    Reflorestamento

    O reflorestamento em grande escala é uma das ações que pode ajudar a reduzir o impacto das mudanças climáticas. A PlantVerd é um dos negócios que trabalha para recuperar áreas degradadas e já soma mais de 2 milhões de mudas plantadas. Complementar a esse trabalho, o Nucleário é uma startup que desenvolveu um dispositivo plástico que envolve as mudas e aumenta a eficiência das restaurações em larga escala, reduzindo a manutenção do pós-plantio.

    Energia

    Por fim, no campo da energia renovável, trazemos a Emap Solar como referência em instalação e projetos de energia solar e energia fotovoltaica em todo o Brasil, e a Infra Solar, que desenvolve estações de carregamento de veículos elétricos com uso da energia solar.

  • Como trabalhar com startups de impacto gera valor para grandes empresas: aprendizados do case Braskem Labs

    Como trabalhar com startups de impacto gera valor para grandes empresas: aprendizados do case Braskem Labs

    Texto publicado originalmente no LinkedIn em 27/01/2020

    O texto de hoje tem o intuito de contar como startups de impacto podem gerar valor para uma grande empresa. Compartilho aqui os 5 elementos do case do Braskem Labs, parceiro do Quintessa, que enxergo como características exemplares e que podem ser replicáveis para outras empresas:

    1. Clareza de objetivo e programas segmentados por foco 

    Ouço muitos executivos de empresas dizendo “quero inovar”, “quero conectar minha marca à temática de sustentabilidade ou impacto socioambiental”, ou “quero transformar a cultura da empresa para que ela seja mais inovadora”. Este é um ótimo ponto de partida, porém é apenas um ponto de partida. 

    Para que um programa de relacionamento com startups de impacto dê certo é essencial que a empresa tenha clareza do seu objetivo com ele:

    • “Para quê” se deseja criar a iniciativa? O objetivo prioritário é entrar em um novo mercado? Oxigenar a empresa com novas tendências do setor? Desenvolver novos produtos ou serviços? Se relacionar de uma nova forma com seus clientes? Tornar a cadeia de valor mais sustentável? Desenvolver seus colaboradores? Cumprir com a legislação? Se conectar a uma causa relacionada à marca?
    • De qual forma deseja se relacionar com as startups? Investir? Contratar como fornecedora? Ser parceira de negócio oferecendo soluções em conjunto? Apoiar seu desenvolvimento? Apenas conhecê-las?
    • Qual prazo têm disponível para atingir este objetivo? É algo para curto/médio ou longo prazo? Qual a abertura à tomada de risco que a empresa se permite ter hoje?

    É claro que os programas vão evoluir e amadurecer com o tempo, mas esta clareza inicial é essencial para que haja mais eficiência e alinhamento de expectativas ao lançar a ação.

    Por exemplo, se o foco é implementar soluções e gerar resultados de curto/médio prazo, faz mais sentido pensar em se relacionar com startups de estágios mais maduros do que de estágios ainda muito iniciais, que tipicamente representariam um maior risco.

    No caso do Braskem Labs, a plataforma possui três programas distintos, segmentados por respostas também distintas às perguntas anteriores:

    • O Scale tem seu recorte em startups em fase de tração e escala e é focado em apoiar o desenvolvimento delas por meio da aceleração, bem como gerar novos negócios para a Braskem e seus clientes, com executivos envolvidos como mentores;
    • O Ignition apoia startups em fase de validação, tendo a perspectiva de resultados mais a longo prazo, e também é focado no desenvolvimento das startups por meio da aceleração, com executivos envolvidos como mentores;
    • O Challenge é focado em soluções para processos internos da Braskem, sejam eles industriais ou corporativos, trabalhando com soluções que já tragam essa capacidade de implementação.

    Essa separação dos programas é essencial tanto para alinhar as expectativas com os empreendedores que entram nos programas, bem como alinhar as expectativas do resultado que cada programa deverá trazer para a companhia. 

    Dado que o tempo dos empreendedores é sempre escasso e hoje existe uma pluralidade de programas de aceleração no mercado, é essencial que esteja claro para eles a proposta de valor da iniciativa, o que deverão dedicar para ela e o que poderão esperar em troca como benefício.

    2. Evolução com o tempo 

    Nós do Quintessa entramos para executar a quinta edição do programa do Braskem Labs, em 2019, dando continuidade ao Scale e inaugurando o Ignition. Entramos no refinamento do desenho do programa e proposta de valor para os empreendedores, definição do posicionamento de marca perante eles, busca e seleção de negócios, bem como a execução do programa em si, promovendo os encontros coletivos e seus conteúdos, e também o suporte individualizado e mentoria personalizada para cada negócio participante.

    Já estamos vendo mudanças para a edição de 2020, mas vale retomar o histórico para terem uma visão mais ampla de como a iniciativa evoluiu – e de como entendemos que sejam um bom exemplo de como esse movimento é natural.

    A primeira edição aconteceu em 2015, como uma premiação para reconhecer ideias de negócios que utilizassem plástico e/ou química para gerar impacto social ou ambiental.

    Percebendo que não adiantava apenas reconhecer, mas era necessário também apoiar o desenvolvimento destes negócios, bem como focar em quem já estivesse operando e gerando algum tipo de impacto, criou-se o Scale em 2016.

    Percebendo que alguns negócios não precisavam de ajuda para se desenvolverem, mas já estavam prontos para fazerem negócio com a Braskem e implementarem suas soluções na operação da empresa, criou-se o Challenge em 2017.

    Percebendo que recebiam inscrições de soluções muito inovadoras e com alto potencial, mas ainda muito iniciais para entrarem no Scale, criou-se o Ignition em 2019.

    Com isso, até hoje, a Braskem já trabalhou com mais de 100 startups em seus programas.

    Não acreditamos que exista uma premissa fixa de um tipo programa que seja certo ou errado, mas existe sim uma análise de se o programa é adequado ao objetivo da empresa e se sua proposta de valor faz sentido aos empreendedores com os quais a empresa deseja se relacionar.

    O legal deste exemplo é que, a partir da vivência do programa inicial, a Braskem pôde aprender e entender mais sobre o universo das startups e, com isso, ir refinando seus objetivos e criando iniciativas segmentadas. Antes de criar algo gigante e difícil de tirar do papel, vale começar com algo viável para que, a partir dos seus aprendizados e comprovação de resultados para a empresa, se possa evoluir para algo mais completo e complexo. Além disso, é natural que a resposta do “para quê a iniciativa existe”, que falamos no início do texto, possa se modificar e também evoluir com o tempo. 

    3. Impacto positivo + negócios gerados para a empresa 

    Um outro aspecto que acho muito legal ver acontecendo nas empresas (e do qual o Braskem Labs é também um exemplo) é o programa nascer dentro da área de Desenvolvimento Sustentável, com o foco de concretizar os objetivos da área por meio da relação com startups de impacto, e com o tempo ir se provando e ganhando importância interna – e também ir se conectando mais às áreas de negócio da empresa.

    Tangibilizando, ano passado, na banca final de seleção (Pitch Day), participaram executivos das áreas de Inovação & Tecnologia, Sustentabilidade, Desenvolvimento de Mercado, bem como clientes da Braskem se engajaram ao longo de um dia inteiro para assistirem aos pitchs das startups – não interessados apenas no impacto que elas geravam, mas muito interessados também nas inovações que traziam para seus negócios. Por exemplo, soluções para água e saneamento, produtos para agricultura, soluções para logística reversa e reciclagem de plástico, entre tantas outras soluções (você pode conhecer as participantes do Scale e do Ignition ao final do texto).

    Para 2020, contamos com mais uma evolução, buscando ativamente negócios que atuam em áreas chave para a Braskem: agronegócio, embalagens, mobilidade e transporte, saúde, construção e moradia, biotecnologia e economia circular. 

    Vemos como muito positiva esta conexão entre os eixos de Novos Negócios/Inovação e de Sustentabilidade/Impacto.

    Enquanto sociedade, ainda estamos muito acostumados a separar eles e pensar que é “algo OU algo”, não considerando que possa existir o “E”.

    Nossa visão positiva vem da crença de que quanto mais conectadas às pautas de negócio, as pautas de impacto terão maior possibilidade de crescer e se perenizar dentro das empresas, ganhando o valor estratégico que merecem.

    4. Compromisso verdadeiro e respeito aos empreendedores

    Um outro aprendizado é ser fiel ao que foi prometido como proposta de valor aos empreendedores e não apenas lançar a iniciativa, mas se estruturar para que depois ela aconteça de fato.

    Sabemos que entre o “feito” e o “perfeito” há uma grande gama de possibilidades de operar, mas diferente de exigir o “ideal”, acreditamos que seja necessário garantir uma mínima estrutura para que a experiência dos empreendedores não seja frustrante.

    Por exemplo, a empresa prometer investimento sem ter a garantia do orçamento, ou a estrutura jurídica, ou uma dedicada para que isso possa acontecer. Ou que a promessa seja a contratação da solução, mas tendo ainda processos de contratação extremamente engessados, ou um fluxo de pagamento longo demais, ou falta de orçamento para pagar pela solução. Assim, vale calibrar para que a proposta de valor prometida e a estrutura provida sejam consistentes entre si.

    No caso do Braskem Labs, há o envolvimento direto do diretor, da gerente e de uma analista da área, que garantem sua coordenação e articulação interna, bem como existe um comitê formado por executivos de outras áreas que se reúne mensalmente para tomar decisões estratégicas e garantir que o programa esteja bem posicionado frente às prioridades da empresa.

    Em ambos os programas de aceleração, os empreendedores têm mentores “padrinhos” (ou mentoras “madrinhas”) que além de aconselhamento estratégico funcionam como um “guia” para eles dentro da Braskem, abrindo portas e articulando conexões. Essa clareza de interface dentro da empresa facilita muito a experiência dos empreendedores. Um aprendizado neste sentido é a importância de que esta pessoa, além de ter capacidade de articulação/influência internamente, esteja de fato engajada com o programa e, às vezes até, tenha interesse/incentivos para que a relação com a startup dê certo – sabemos que o dia a dia é sempre corrido, mas a dedicação precisa manter-se constante.

    Existem indicadores e metas que são monitorados durante e após o programa sob os mais diferentes aspectos, inclusive a quantidade de conexões com potenciais clientes ou parceiros de negócio feitas para cada startup.

    Por último, o programa respeita os direitos de propriedade intelectual dos empreendedores e tem termos de sigilo, sem estabelecer uma relação predatória com as startups. 

    5. Relação ganha-ganha

    Enquanto as startups ganham, em um programa gratuito: conteúdos e metodologias dos nossos 10 anos de experiência do Quintessa, sessões de mentoria para decisões estratégicas com executivos da Braskem, apoio personalizado e individualizado dos nossos gestores, conexões com potenciais clientes e parceiros estratégicos, conexão com outros empreendedores, além de acessarem o mercado com o endosso da Braskem e terem a oportunidade de fazerem negócios juntos…

    A Braskem ganha também: acesso e  deal flow a novas tecnologias e soluções inovadoras, desenvolvimento de seus líderes e cultura organizacional, posicionamento e reputação de marca, e novas formas de relacionamento com seus clientes – além de colocar em prática seu propósito de “melhorar a vida das pessoas criando as soluções sustentáveis da química e do plástico e a nossa visão estratégica é ser a líder mundial da química sustentável”.

    A estrada é longa, mas pode ser iniciada hoje

    Aqui no Quintessa acreditamos que as empresas podem ser relevantes para superar os desafios sociais e ambientais centrais do nosso país. No entanto, sabemos que a estrada é longa e que muitas delas, além de não gerarem impacto positivo, geram impacto negativo.

    Sabemos também que a grande maioria possui seu “teto de vidro” e incoerências com o objetivo de gerar impacto positivo. Assim, seguimos na crença de que um movimento de transição deve ser iniciado e que, tendo a coerência em sua linha de horizonte, durante esta transição a empresa terá que lidar com as suas incoerências, mantendo o foco em concretizar o que deseja ser e não o que foi até agora. 

    Em tempos do plástico sendo visto como grande vilão e inimigo, por que não apenas admitirmos seus riscos e prejuízos, mas também olharmos para soluções que promovem a sua reciclagem ou soluções para as quais a presença do plástico é imprescindível para causar impacto socioambiental positivo? É através de iniciativas como o Braskem Labs que a Braskem está construindo seu futuro mais sustentável.

    Quer saber como unir inovação e impacto socioambiental?

    Se você trabalha em uma grande empresa e quer entender mais sobre como se conectar ao universo de startups de impacto, conheça nossa frente de Programas em Parceria e nos escreva.

    Sabemos que este é um tema novo, mas também sabemos que é imprescindível, como falou recentemente o CEO da BlackRock, gestora de mais de 6 trilhões de dólares. Assim, temos ajudado cada empresa a entender qual tipo de programa pode ser mais consistente com a sua estratégia e atuação. 

    Conto com você para concretizarmos mais exemplos de que gerar negócio e gerar impacto positivo podem andar juntos!

    E você, quais aprendizados já teve com suas experiências em programas de inovação aberta?