Categoria: Conceitos

  • Inteligência Artificial Generativa e novas formas de fazer negócio

    Inteligência Artificial Generativa e novas formas de fazer negócio

    Inteligência Artificial Generativa: o que é e como ajuda meu negócio?

    A inteligência artificial (IA) pode parecer um conceito futurista, mas a verdade é que ela já existe há décadas, o que testemunhamos recentemente foi a sua popularização. Nos últimos anos chatbots de atendimento ao cliente emergiram como uma nova ferramenta de customer experience que diminuiria o tempo para resolução de problemas, antes restritos aos tradicionais “FAQ”, em paralelo, ferramentas de correção ortográfica e tradução já eram corriqueiras em aplicativos de textos e mensagens. 

    Recentemente, fomos testemunhas de um advento que atingiu outro patamar no que diz respeito ao uso de Inteligência Artificial, o marco da Inteligência Artificial Generativa (IA Gen): essa, ao invés de apenas obedecer comandos e fornecer respostas pré estabelecidas, é capaz também de gerar respostas inéditas a partir do cruzamento de grandes volumes de dados, entregando soluções personalizadas com uma infinidade de versões. A inteligência artificial, até então majoritariamente responsiva, passa a ocupar um papel propositivo ao oferecer, com uma agilidade nunca antes vista, soluções para questões complexas no dia a dia dos seres humanos – o avanço da computação em nuvem e o acesso a grandes volumes de dados impulsionaram essa evolução, permitindo o uso da IA como uma ferramenta estratégica. Um dos resultados? Escalabilidade como nunca antes vista, gerando mais eficiência e inovação.

    Aliado a esse imenso, e ainda inexplorado novo universo entregue pelo avanço tecnológico, está o Machine Learning, ou, em tradução livre, Aprendizado de Máquina: que nada mais é do que a capacidade das ferramentas de IA evoluírem sua acuracidade conforme são utilizadas. 

    Sendo assim, quanto mais dados forem consumidos pela IA Generativa (RLHF), mais “repertório” de respostas ela terá – e, quanto mais essa inteligência é alimentada com bons dados de uma determinada organização, melhores serão as soluções personalizadas criadas considerando o contexto desta empresa. 

    A nível mercadológico, a IA Gen é capaz de automatizar processos, personalizar experiências e gerar insights valiosos. Para startups em especial, a IA não é apenas um diferencial – é um motor de crescimento. As ferramentas de machine learning ajudam a tomar decisões mais rápidas e precisas, enquanto modelos de linguagem natural (NLP) tornam a geração de conteúdo aos clientes mais fluida. Além disso, a possibilidade de se obter uma personalização massiva, entregando soluções customizadas para cada usuário com base no seu comportamento, gera força competitiva e torna produtos e serviços mais atrativos para seus clientes em potencial. 

    Um olhar crítico e diverso:

    As tecnologias geralmente se popularizam carregadas de entusiasmo, não poderia ser diferente com a Inteligência Artificial Generativa. Da mesma forma que o uso da internet e do computador doméstico, na década de 90, eletrizou a humanidade com a possibilidade de se conectar com o mundo, também trouxe desafios que permearam boa parte dos anos 2000 e 2010: falta de letramento digital para uso das novas máquinas, adequação a normas, sigilo de conteúdo e exclusão no mercado de trabalho, sobretudo das populações mais velhas e vulneráveis, que não acompanharam a velocidade dos gigabytes e viram algumas de suas habilidades ficarem obsoletas. 

    É ilusório acreditar que essas novas inovações são acessadas de maneira justa  por todos os grupos sociais, seja a nível educacional, mercadológico ou profissionalizante. Antes de impulsionar soluções de IA Generativa no seu negócio é importante questionar: além da sua equipe interna, seus consumidores estão prontos para lidar com produtos e serviços que abarcam essa tecnologia? Como os modelos de linguagem podem atuar para criar apps, páginas e interfaces mais acessíveis para pessoas com baixa visão, por exemplo? Essa perspectiva é fundamental para que essa inteligência seja mola propulsora de mudanças que promovam a inclusão, e não a construção de novas barreiras. 

    Ao mesmo tempo, sob um olhar macro, também é importante que empreendedores redobrem seu cuidado com gestão, manipulação e proteção de dados – diminuindo os riscos regulatórios. Garantir que os dados armazenados pela sua empresa respeitem leis como a mais recente LGPD, e outras legislações nacionais e internacionais. 

    Cases de Sucesso: organizações que já fazem isso:

    Quando olhamos para tecnologia aliada a negócios de impacto socioambiental, estamos falando de um poder multiplicador de soluções comprometidos em transformar o país. Isto é, maior número de beneficiários sem perder humanidade, análises preditivas direcionando esforços para onde realmente fazem a diferença, inteligência de dados e mensuração de impacto encaminham para que os resultados sejam não apenas escaláveis, mas também custo-efetivos para a economia, sociedade e o meio ambiente.

    Algumas startups brasileiras já estão surfando nessa onda com maestria e foram aceleradas pelo Quintessa na escala de suas soluções:

    A Árvore aposta na IA para recomendar livros personalizados para cada aluno, promovendo uma educação mais envolvente e eficaz, ajudando escolas públicas a melhorar o engajamento dos estudantes na leitura.

    “A Árvore utiliza inteligência artificial para construir uma educação inovadora. Com apoio da IA, nossa plataforma simplifica o trabalho dos educadores através de uma tutoria lúdica e personalizada oferecida aos estudantes no Criar. No Ler,  alunos realizam testes de fluência leitora e recebem  recomendações de livros de forma inteligente, desenvolvendo o gosto pela leitura. E vem muito mais por aí! A Árvore lidera esse movimento visando enriquecer e melhorar cada vez mais a experiência dos estudantes.” – João Leal, Founder da Árvore.

    A Barkus, por exemplo, usa IA para personalizar a educação financeira, ajudando jovens e adultos das classes CDE a tomarem decisões mais inteligentes sobre dinheiro com recomendações personalizadas baseadas em seu perfil. Já a Handtalk, referência em acessibilidade, utiliza IA para traduzir conteúdos automaticamente para Língua de Sinais, tornando a comunicação mais inclusiva para milhões de pessoas surdas. 

    No Quintessa acreditamos que tecnologia e impacto devem caminhar juntos. Com aIA Generativa cada vez mais acessível, tecnologia de ponta com propósito, conseguimos fortalecer negócios que realmente fazem a diferença e promovem mudanças estruturais na sociedade.

  • O valor da Bioeconomia para uma Economia de Impacto

    O valor da Bioeconomia para uma Economia de Impacto

    A bioeconomia é assunto do dia no debate sobre sustentabilidade e mitigação das mudanças climáticas. O Brasil deu a largada na discussão para regulamentação da atividade: recentemente foi criada a Estratégia Nacional de Bioeconomia, iniciativa do governo federal para implementação de políticas públicas para o desenvolvimento do setor. No último G-20, realizado em nov/2024 no Rio de Janeiro, líderes globais reconheceram pela primeira vez a importância desse paradigma produtivo para o crescimento inclusivo e definiram os princípios norteadores do setor em um documento que já é considerado histórico.  

    Motivos não faltam para celebrar: atualmente, a bioeconomia é apontada como uma das soluções às crises climática e ambiental, e peça-chave para uma economia de baixo carbono. Estima-se que a atividade tenha potencial para chegar a 2050 movimentando US$30 trilhões em negócios em todo o planeta. Se considerado apenas o Brasil, a implementação de tecnologias ligadas à bioeconomia tem potencial para injetar US$592,6 bilhões em recursos para o setor até 2050, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bioinovação. O estudo aponta ainda que, em termos ambientais, o incremento da bioeconomia pode auxiliar na redução dos gases do efeito estufa em 28,9 milhões em 30 anos – o equivalente a 65% das emissões do país.  

    Para tangibilizar, as mudanças no uso da terra representam a maior parte das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. De acordo com dados mais recentes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), 38% das emissões líquidas brasileiras vêm do setor de Uso da Terra, Mudança de Uso da Terra e Florestas (LULUCF, na sigla em inglês). Por isso, políticas de preservação florestal são cruciais para que o país atinja suas metas climáticas, segundo dados da 6ª edição das Estimativas Anuais de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Brasil.  

    O avanço da fronteira agrícola é um dos fatores responsáveis pelos índices crescentes de desmatamento no país. Mais de 100 milhões de hectares de vegetação nativa localizadas em propriedades rurais em todo o país são passíveis de conversão para atividades antrópicas. O desmatamento contribui para a perda de biodiversidade e de serviços ecossistêmicos, além de aumentar as emissões de gases de efeito estufa, agravando as mudanças climáticas.

    O aumento da população mundial e o risco das emergências climáticas impõem um desafio à agricultura: segundo dados da ONU, elevar a oferta de alimentos em 50% até 2050 aumentando a eficiência na utilização dos recursos naturais é o passo mais importante para atingir os objetivos ambientais e de produção alimentar, garantindo a conservação da vegetação nativa e a manutenção da biodiversidade.

    Investimentos em sistemas alimentares que promovam a inclusão social, a segurança alimentar e a redução das emissões de GEE são condições essenciais para uma transição verde no país. Projetos que promovam a restauração de ecossistemas e a conservação da floresta em pé, e mecanismos financeiros que fomentem a bioeconomia, o incremento da captura de carbono e o aumento da biodiversidade são fundamentais para o desenvolvimento socioambiental sustentável.

    Neste cenário, a bioeconomia é uma ferramenta estratégica para a construção de um modelo de produção pautado em recursos biológicos, gerando benefícios econômicos, ambientais e sociais para a sociedade. Ao promover o uso de recursos renováveis, a bioeconomia contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para a preservação da biodiversidade. Na pauta social, a bioeconomia promove a inclusão das comunidades quilombolas e ameríndias na cadeia produtiva, alavancando a economia e a cultura locais. 

    A amplitude do conceito é proporcional aos desafios e oportunidades na construção de soluções para a promoção da biodiversidade. Em qualquer uma das áreas de aplicação, a bioeconomia requer investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o fomento a soluções sistêmicas, a criação de políticas públicas capazes de regulamentar o mercado, viabilizando o crescimento econômico aliado à conservação da biodiversidade.  

    Se no setor público o Brasil se esforça para assumir a liderança da pauta com a construção dos dez princípios de alto nível sobre bioeconomia e a construção do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, na iniciativa privada o desafio climático pode ser revertido em oportunidade de negócios com investimentos integrados em serviços e soluções que façam do capital natural um valioso ativo ambiental. 

    Com alto potencial  inovador, a bioeconomia pode  estimular a adoção de soluções de inovação advindas da ciência e da tecnologia, como biotecnologia, inteligência artificial e blockchain, movimentando a indústria e gerando novas oportunidades de emprego e negócios. Nesse sentido, as startups possuem uma oportunidade única de criar negócios disruptivos e de impacto positivo para a sociedade e para o meio ambiente. 

    O mercado mundial de green techs, startups com foco em soluções sustentáveis, pode chegar a US$74,64 bilhões até 2030, crescimento de sete vezes em uma década (Relatório da Allied Market).  O potencial de novos negócios é proporcional às reservas naturais contidas no território. Só na Amazônia, região de maior biodiversidade do mundo, estima-se que  a economia verde, ou de baixo carbono, dê um salto e amplie de forma exponencial a participação da região no Produto Interno Bruto, que hoje é de apenas 8%. 

    No entanto, a região Amazônica responde por 5% do mercado de startups do país, segundo o Mapa de Negócios de Impacto, estudo realizado pelo Quintessa e Pipe. Esse cenário evidencia o grande potencial ainda a ser explorado para consolidar a bioeconomia como pilar de uma economia verde e sustentável. E ainda há de se considerar o desafio de descentralizar a pauta para que não fique apenas entorno da Amazônia e se dê valor a tantos outros riquíssimos biomas brasileiros, como a Caatinga e o Cerrado.

    Portfólio para Bioeconomia

    A bioeconomia é um dos enfoques estratégicos do Quintessa, pelo qual atuamos através da seleção e aceleração de empreendimentos que trabalham na pauta, bem como do engajamento e fomento para que grandes empresas estimulem a demanda para o setor incorporando produtos da sociobiodiversidade em sua cadeia de suprimentos – atuando como offtakers. 

    Estudo recente publicado em setembro de 2024 pela Climate Policy Initiative aponta que, no Brasil, a bioeconomia recebeu mais de R$16,6 bilhões/ano em recursos financeiros no período de 2021 a 2023. Desse total, o setor privado foi a principal fonte de financiamento, com R$9,43 bilhões aportados por grandes corporações e pouco mais de R$2 bilhões provenientes de instituições financeiras – representando 69% do total de recursos disponíveis no país. O setor público contribuiu com R$3,32 bilhões, considerando investimentos do governo federal, dos governos estaduais e do BNDES.

    Acreditamos que a bioeconomia é um importante vetor da economia de impacto, com potencial para gerar um faturamento industrial adicional de US$284 bilhões até 2050, segundo projeções da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI). Para transformar esse potencial em realidade, articulamos programas,  recursos e parcerias estratégicas entre setor privado, startups e múltiplos atores. 

    Ao longo dos últimos 5 anos, construímos um robusto portfólio de projetos de aceleração que contribuem para a bioeconomia e a pauta de mudanças climáticas. Em 2022, apoiamos a construção da tese de atuação da Plataforma Parceiros da Amazônia (PPA) com a definição de teses temáticas, dentre elas a bioeconomia, e o mapeamento de iniciativas que apoiam organizações de impacto atuantes no bioma amazônico.  

    Pela terceira vez consecutiva,  desde 2022, somos os executores do programa  100+ Labs Brasil, uma iniciativa de inovação aberta com impacto da Ambev. Na edição 2023-2024, o programa foi correalizado pela PPA e USAID, com um foco especial na biodiversidade amazônica. Sete startups implementaram projetos-piloto com a Ambev, entre elas a Apoena, que utilizou aditivo de coco babaçu para a redução de consumo de combustível em veículos da frota da empresa, em São Luís, no Maranhão, com redução de até 8% no consumo de combustível e, portanto, das emissões

    No mesmo período, fomos parceiros do Fundo Vale no Desafio Floresta e Clima, colaborando com as definições estratégicas de tema, e aceleração de cinco iniciativas com potencial para resolver desafios do ecossistema de carbono florestal na Amazônia. 

    E, em 2023, em parceria com PPA, WWF e WRI, executamos a Aceleradora de Negócios Florestais, em que aceleramos 20 negócios florestais da cadeia de restauração e agrofloresta na Mata Atlântica e selecionamos cinco soluções para mentoria e acompanhamento em campo. A proposta foi construir uma trilha de conhecimento e capacitação de ações de restauração para empreendedores do bioma.  

    Atualmente, atuamos em parceria com o BNDES na realização de um dos maiores programas para negócios de impacto do Brasil, o BNDES Garagem. De 2024 a 2028, a proposta é acelerar 400 negócios em múltiplas áreas do desenvolvimento socioambiental do país, entre elas economia verde e descarbonização – tema de 50% das soluções inscritas no primeiro ciclo do programa.  

    Frente ao tamanho do desafio e potencial da pauta, há espaço para que diversas soluções sejam desenvolvidas. Além do Quintessa, diversas outras iniciativas se dedicam há anos. Algumas delas você pode conhecer neste mapeamento de organizações que apoiam negócios de impacto na Amazônia, recorte correlato ao que tratamos neste artigo.  

    E sua organização, como está se preparando para trabalhar com este importante segmento da economia brasileira?. 

  • Pensamento Sistêmico: do conceito à prática

    Pensamento Sistêmico: do conceito à prática

    Por Heloisa G. Salgado e Paula Cayoni com contribuições de Vinicius Picanço

    Desafios como pobreza, educação ou mudanças climáticas envolvem sistemas dinâmicos e complexos que resistem a soluções tradicionais. Muitos projetos socioambientais enfrentam dificuldades para gerar impacto sustentável porque tratam os sintomas — os “eventos observáveis” na superfície — sem considerar os padrões, estruturas e modelos mentais mais profundos que alimentam esses problemas.

    Imagine um iceberg. A ponta que emerge da água representa os eventos observáveis, como altos índices de evasão escolar ou baixa renda per capita. Esses eventos são resultados diretos de padrões subjacentes — tendências de longo prazo que perpetuam o problema. Ainda mais abaixo, encontramos as estruturas (normas, políticas e recursos) e, no fundo, os modelos mentais — crenças e valores que sustentam o sistema.

    Essa metáfora explica por que intervenções tradicionais muitas vezes não resultam em transformação estruturante: elas lidam com a ponta do iceberg. Por exemplo, oferecer capacitações desconectadas da realidade de mercado local pode gerar empregos temporários, mas não resolve os desafios estruturais ou culturais que dificultam a empregabilidade no longo prazo, ou eventualmente gerar excesso de oferta incompatível com demandas produtivas.

    Fonte: Modelo Iceberg de Inovação Social | Otto Scharmer

    Modelo Iceberg de Inovação Social | Otto Scharmer

    Além disso, se não visualizarmos o todo para tomar uma decisão – ela pode desencadear efeitos imprevistos ou indesejados.

    Fonte: STERMAN, John. MIT System Dynamics.

    E por que isso acontece? Os incentivos geralmente recompensam resultados de curto prazo. Quando algo dá errado, tendemos a culpar as externalidades, ignorando que o verdadeiro problema está na falta de compreensão ou consideração do sistema como um todo.

    Para lidar com problemas complexos, é essencial mudar o modelo mental e adotar uma perspectiva de longo prazo. Diferentemente de desafios lineares, esses problemas não seguem um padrão de começo, meio e fim. A abordagem requer ação estratégica em pontos de acupuntura, onde o impacto pode ser amplificado.

    Como bem destacou Annie Duke: “I can’t know what decisions to make only because I know where I want to be, I need to know where I am now” – “(Não posso tomar decisões apenas sabendo onde quero chegar; é crucial entender onde estou agora)” – na tradução livre para o português. 

    Instrumento e ferramentas que apoiam o pensamento sistêmico: 

    Existem diversas abordagens de Pensamento Sistêmico aplicadas ao impacto. Darius Pollok, do International Alumni Center (IAC) de Berlim, adota uma perspectiva voltada à formação de redes catalíticas. Já o Skoll Centre, em Oxford, categoriza diferentes formas de intervenção sistêmica, como: Empower Changemakers, Scaling Up, Coordinating Actors, Exploring and Experimenting e Scaling Deep

    No Quintessa, adotamos a linha de Dinâmicas de Sistemas do MIT, capitaneado pelo Jay Forrester, pelo John Sterman e bem disseminado por Donella Meadows, em seu livro “Pensando em Sistemas”. O livro traz um detalhamento de “Pontos de Alavancagem: locais estratégicos para intervir em um sistema” ferramenta que ajuda a identificar onde e como intervir em um sistema para atingir resultados desejados. Assim como no modelo do Iceberg, ela revela camadas mais profundas do sistema — porém, com uma abordagem mais técnica e orientada à ação.

    Os Pontos de Alavancagem variam desde elementos mais simples, como números e parâmetros (subsídios, impostos, padrões), até intervenções profundas, como alterar o paradigma e modelos mentais de um sistema. A escolha do ponto de intervenção influencia diretamente o tipo de resultado esperado, sendo que os pontos mais profundos têm um impacto mais transformador. 

    Adaptação do livro “Pensando em Sistemas”, Donella Meadows.

    A metodologia de Dinâmica de Sistemas foi desenvolvida pelo MIT, com foco no Causal Loop Diagram (CLD). Esse tipo de diagrama possibilita mapear como diferentes variáveis interagem dentro de um sistema, identificando ciclos de retroalimentação que podem amplificar ou mitigar problemas.

    Fonte: FourWeekMBA plataforma especializada em modelos de negócios, estratégias de crescimento e conceitos de economia.

    Por exemplo, no contexto de inclusão socioprodutiva, um CLD pode mostrar como o baixo acesso a crédito impacta a produtividade de pequenos empreendedores, criando um ciclo  de exclusão econômica. 

    O vídeo The Systems Approach Explained, produzido pela Descola, usa uma metáfora poderosa para ilustrar a importância de adotar uma visão sistêmica. Ele compara a situação de um grupo de pessoas cegas tentando descrever um elefante: cada uma toca apenas uma parte — como a tromba, as patas ou a cauda — e, com base nisso, acredita entender o animal como um todo. Porém, apenas ao unir todas essas percepções é possível compreender a verdadeira natureza do elefante.

    Essa metáfora destaca que, ao focarmos em partes isoladas de um problema ou sistema, perdemos a visão completa e integrada. Aplicada ao contexto de negócios ou resolução de problemas complexos, o recado é bastante importante: é essencial considerar as interconexões e a totalidade dos elementos envolvidos para gerar soluções mais eficazes e sustentáveis.


    A abordagem sistêmica na prática: 

    Entre 2021 e 2023, o Quintessa trabalhou com sete secretarias municipais de educação atuando diretamente nas defasagens geradas pela pandemia nas matérias de Matemática e Português no ensino público. O programa integrou diagnósticos detalhados de educação, reuniu e contou com a colaboração de multi-stakeholder, além de contar com tecnologias educacionais para enfrentar os desafios da defasagem de aprendizagem.

    O Modelo Pedagógico foi desenhado para abordar as lacunas de aprendizagem de maneira holística e centrada no estudante. Ele orientou práticas pedagógicas ao longo de oito eixos sistêmicos, como:

    • Uso de avaliações diagnósticas para identificar as necessidades dos estudantes e adaptar intervenções.
    • Adequação curricular com foco nas prioridades de aprendizagem.
    • Formações contínuas para professores e gestores, promovendo uma pedagogia colaborativa e contextualizada.

    O programa reuniu secretarias de educação, organizações formadoras, implementadoras e startups educacionais (edtechs). Cada ator teve um papel específico:

    • Edtechs: Ofereceram soluções tecnológicas como plataformas de aprendizagem gamificada e gestão de dados educacionais.
    • Organizações formadoras: Capacitaram professores e gestores para implementar práticas inovadoras.
    • Secretarias de educação: Participaram ativamente do planejamento e adaptação das soluções às realidades locais.

    Um dos grandes diferenciais foi o uso pioneiro do Marco Legal das Startups (MLS) no setor público educacional. Essa ferramenta permitiu que secretarias testassem tecnologias educacionais antes da contratação definitiva. Por exemplo:

    • A plataforma Jovens Gênios foi integrada como ferramenta de gamificação para matemática, alcançando picos de 90% de engajamento dos estudantes em Domingos Mourão (PI).

    O programa incluiu trilhas formativas intensivas para educadores e gestores, com destaque para:

    • Comunidades de prática, onde professores e gestores trocavam experiências e aprendizados.
    • Treinamentos para uso de dados e tecnologias educacionais, garantindo autonomia para continuidade das ações.

    Diferente de programas focados em contraturnos ou ações pontuais, o impulsiONar operou no turno regular das aulas. Isso garantiu que as mudanças atingissem todos os estudantes e se integrassem ao cotidiano escolar.

    O impacto foi mensurado em várias dimensões:

    • Acadêmico: Um avanço médio de 5,5 pontos em Matemática e 0,6 em Língua Portuguesa no SAEB.
    • Gestão educacional: 83% dos gestores declararam intenção de manter as práticas do programa.
    • Tecnológico: Edtechs como Portabilis e Aprimora foram fortalecidas, e novas ferramentas surgiram a partir do programa. 

    A integração de tecnologia, formação continuada, adaptação local e articulação multissetorial foi a chave para o sucesso do impulsiONar, que se destaca como um exemplo prático de como intervenções sistêmicas podem transformar a educação pública.  E ilustra o Quintessa desenvolve uma visão integrada dos sistemas, identificando alavancas críticas e interdependências que ajudam a transformar o sistema de forma contínua e duradoura.

    Articulação multissetorial e estrutura de governança coordenada pelo Quintessa no impulsiONar.

    “Muitas vezes, buscamos explicações exógenas para os problemas e fenômenos que enfrentamos, especialmente aqueles que desafiam o nosso entendimento e cujas tentativas de solução fracassaram no passado. Quando passamos a ter um olhar orientado aos sistemas, buscamos explicações dentro do sistema, pois entendemos que a estrutura de um sistema – suas partes e as relações entre essas partes – determinam os possíveis comportamentos desse sistema, tanto os desejáveis quanto os indesejáveis. Aos indesejáveis, damos o nome de problemas. Daí a necessidade de termos um olhar sistêmico para gerenciar problemas complexos, típicos de sistemas humanos e socioecológicos.

    O impulsiONar é definitivamente um grande exemplo de como devemos buscar respostas e alavancas nos mecanismos do sistema: as práticas educacionais, os processos, os marcos e aspectos regulatórios, os stakeholders e o espaço de governança no qual o fenômeno se desenrola. Resolver a defasagem em disciplinas básicas do ensino público brasileiro é um problema complexo que precisa ser compreendido no detalhe e governado ao longo do tempo”. Vinicius Picanço | Professor assistente do Insper e Honorary Research Fellow na University of Strathclyde (Reino Unido), membro do Conselho do The Good Food Institute e pesquisador afiliado do Food and Retail Operations Lab (FaROL) no MIT.


    A abordagem sistêmica nos desafia a abandonar soluções lineares e pensar de forma integrada. Ela nos lembra que nenhum ator isolado — seja uma organização, governo ou empresa — consegue transformar realidades complexas sozinho. É por isso que, no Quintessa, nosso trabalho não termina com a implementação de um projeto: buscamos deixar um legado de transformação contínua e colaborativa.

    Os mais de 500 empreendedores de impacto que já aceleramos, com uma taxa de sobrevivência de 93%, refletem o poder dessa visão. Acreditamos que, ao enxergar o todo e agir com estratégia, podemos enfrentar até os desafios mais complexos de forma eficaz e duradoura.

    A solução para problemas complexos não está em programas fragmentados ou ações de curto prazo, mas em intervenções que enxergam o todo e trabalham para transformar sistemas inteiros. Seja na educação, na inclusão socioprodutiva ou em qualquer outro campo, é possível gerar impactos reais e sustentáveis ao focar no “iceberg” completo e agir com estratégia.

  • A potência das deeptechs: o ecossistema do futuro em expansão

    A potência das deeptechs: o ecossistema do futuro em expansão

    Por Caroline Gibim e Anna de Souza Aranha

    Ao longo dos últimos dois séculos, as condições de vida melhoraram significativamente com o surgimento de tecnologias como a eletricidade, o telefone e a internet. Agora estamos testemunhando o surgimento de uma nova onda poderosa de tecnologias disruptivas: as deeptechs. Se isso soa ambicioso, é porque realmente é.  

    Para quem ainda não está familiarizado, as deeptechs são empreendimentos que vão além das soluções convencionais: mergulham fundo em descobertas científicas e tecnologias de ponta, como IA (inteligência artificial), energia solar, biotecnologia e manufatura avançada. Essa nova natureza de negócios tem o potencial de abrir novos caminhos para o crescimento econômico, equidade social e sustentabilidade ambiental.

    Os números mostram que estamos no caminho certo. O Brasil se destaca na América Latina com 70% dos pesquisadores, 47% das contribuições em publicações científicas e 58% das patentes registradas. Hoje, estima-se existirem 875 deeptechs mapeadas no país, com uma grande concentração nos setores de biotecnologia, saúde, agro, inteligência artificial e energia limpa. 

    Mas ainda há bastante a ser feito, em especial focando no recorte da crise climática. Dois planetas Terra seriam necessários para sustentar o modo de vida da humanidade até 2030 e estudos indicam que as mudanças climáticas podem reduzir o PIB global em 11% a 14% até 2100, o que corresponde a US$ 23 trilhões por ano, caso não sejam tomadas ações significativas para mitigação​. As soluções já conhecidas não são suficientes para endereçar o desenvolvimento sustentável e econômico necessário, o investimento em inovação radical das deeptechs é essencial para que as empresas se mantenham produtivas e obtenham as soluções necessárias para atingirem suas metas net zero. 

    O potencial da agenda é acompanhado pelos diversos desafios que ainda temos nela. 

    A maior parte das deeptechs ainda vive o desafio de cruzarem o ambiente dos laboratórios e terem adesão de fato do mercado, se tornando negócios. Grande parte delas está na fase de prova de conceito, ou seja, em estágio inicial, de comprovar que suas tecnologias realmente funcionam. Apenas 30% conseguiram chegar em uma fase de comercialização e escalabilidade.


    Quando o assunto é investimento, 70% do financiamento para deeptechs no Brasil vêm de programas públicos e investidores anjo e 28% delas recebeu apoio do programa PIPE FAPESP. Para crescerem, essas deeptechs precisam atrair capital privado também, a fim de sustentar equipes experts, infraestrutura, adequação a regulamentações, validação de produto, rodagem em escala industrial e ainda se blindar contra a competição global acirrada – de EUA e Europa – que estão um passo à frente com apoio ao longo ciclo de desenvolvimento tecnológico e capital de risco paciente já consolidados.

    Para esse novo momento de mercado, há um grande potencial de integração entre os ecossistemas de inovação/ciência e tecnologia e o ecossistema de impacto, coordenando esforços e melhorando a jornada dos inventores e empreendedores. Um traz um vasto campo de relacionamento entre academia, parques tecnológicos, IC&Ts e recursos de governo para fomento à ciência e tecnologia. O outro traz um vasto campo de aceleradoras, incubadoras, filantropos, investidores de VCs, CVCs e outros dinamizadores voltados ao ganho de escala e crescimento de empreendimentos que ajudam a solucionar desafios socioambientais. 

    Chegou a hora de implementarmos abordagens sistêmicas para responder aos desafios que desejamos resolver. Cada ator desempenhando seu melhor papel, de forma articulada e coesa com os demais, colocando o desafio a ser superado no centro. É também momento de usarmos de forma mais adequada cada bolso – o comercial que terá retorno financeiro (via equity ou crédito) e o de fomento, paciente e catalítico, que viabilizará a existência do mercado – combinados em arranjos personalizados para tipos e estágios diferentes dos negócios, bem para as diferentes finalidades do efeito que se deseja gerar. 

    As deeptechs apresentam características importantes a serem consideradas, como:

    • Longo ciclo de validação: demandam potencialmente longo tempo de convencimento do mercado para adoção de tecnologias de ponta, adequação ao ambiente regulatório, pesquisa intensiva, testes rigorosos e ciclos de desenvolvimento prolongados.
    • Validação e provas de conceito diferenciados: além da necessidade de validar mercado potencial e capacidade de crescimento em termos financeiros, deeptechs tipicamente precisam passar por testes de validação clínicos e laboratoriais, apresentando uma maior quantidade de momentos de validação, bem como determinação de mais métricas confiáveis de validação de resultado, e, assim, costumam ser avaliadas por representarem mais risco (um jogo de alto risco, bem como potencial alto retorno).
    • Necessidade de especialização e talento técnico: requerem equipes altamente qualificadas e com expertise técnica específica.
    • Escala para produção e comercialização: diversas soluções demandam infraestrutura específica para produção em larga escala (como biorreatores, por exemplo), podendo requerer parcerias com grandes empresas ou governos.
    • Alto custo para seu desenvolvimento: precisam de potencial alto investimento inicial para que as soluções cheguem ao mercado, diferenciando das startups típicas digitais e com ciclos de retorno mais rápidos priorizadas pelos investidores de venture capital.

    No Quintessa, já impulsionamos o crescimento de diversas deeptechs, mencionando aqui algumas delas. A Cromai, apoiamos no início da sua jornada junto ao Caos Focado. A startup desenvolveu uma tecnologia que otimiza processos de manejo agrícola e operações de controle de qualidade industrial através da análise de imagens e dados. Atualmente eles possuem 75 milhões de imagens diagnosticadas e 800 mil amostras de impurezas vegetais analisadas.

    Outro case é a Inspectral, que apoiamos junto ao Fundo Vale e à Ambev. Eles desenvolveram uma inteligência geoespacial com a precisão da IA, gerando análises de dados de forma mais rápida e barata. Na implementação que acompanhamos, foi feito o mapeamento de 6 bacias hidrográficas em diferentes regiões do Brasil e com alto estresse hídrico, gerando dados de indicadores como sólidos em suspensão e transparência da água – dando insumo para eventuais intervenções e substituindo a tecnologia de drones para geoespacial. A Inspectral diminuiu em aproximadamente 19 vezes o custo em relação à tecnologia anterior utilizada.

    Por último, a Quanticum, que apoiamos junto ao Fundo Vale e à Irani. A solução mapeia o potencial agronômico e ambiental do terreno com base em nanopartículas naturais da terra, atendendo pequenos produtores, grandes indústrias e produtores, associações e governos que querem entender melhor as características do solo. Com isso, realizaram o mapeamento por sensoriamento remoto de 14 mil hectares de floresta nativa da Irani e realizaram a análise de solo laboratorial de 700 hectares para determinar o estoque atual de carbono no solo da região.

    Precisamos de soluções escaláveis para os grandes desafios que enfrentamos e para que a inovação no Brasil seja cada vez mais uma referência global, principalmente do que tange a questão climática. O ecossistema do futuro é aqui. 

    As deeptechs são chave para o futuro e o Quintessa acredita em uma abordagem integrada para destravar o potencial destes negócios no Brasil, unindo empreendedores, cientistas, capital de fomento, capital privado e as indústrias. 

    Fontes de alguns dados mencionados: BID: The new wave; STARTUPS.COM: Startups; GOV: Serviços e Informações do Brasil; EMERGE: Mapeamento Brasil.

  • Como encontrar startups que geram valor para sua empresa

    Como encontrar startups que geram valor para sua empresa

    Um estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) avaliou as iniciativas de relacionamento entre grandes empresas e startups na América Latina e revelou que a principal dificuldade apontada pelas empresas para trabalhar com startups é identificar negócios que podem gerar valor para a corporação. Em seguida, aparecem a mudança de cultura e mentalidade para trabalhar com startups e em terceiro, o desafio de atrair empreendedores de qualidade. 

    Fonte: Estudo BID

    O primeiro desafio acontece por falta de uma estratégia bem definida sobre o porquê se relacionar com as startups e para quais desafios a empresa está buscando soluções. Já as outras dificuldades apontadas, como atração de empreendedores qualificados, confiança nos empreendedores e encontrar ideias viáveis, podem ser solucionadas com um processo de seleção bem feito.

    Aqui no Quintessa buscamos direcionar a empresa para que a iniciativa de inovação aberta seja efetiva e assim possamos identificar as startups que resolvam os desafios propostos.  Sendo assim, nosso ponto de partida para conceber uma nova iniciativa é sempre entender a estratégia da empresa, a partir da escuta de executivos(as) de diferentes áreas e análises de materiais. 

    Dessa forma, garantimos que a iniciativa esteja alinhada às prioridades da empresa, e também que tenhamos mais propriedade para buscar startups que realmente irão gerar negócios e resultados. Avaliamos aspectos como o foco da empresa, metas e desafios a longo prazo, novos mercados que desejam entrar, estratégia de sustentabilidade, causas que já apoia, entre outros, e qual público a iniciativa deseja beneficiar (público interno, comunidades do entorno, clientes, fornecedores, etc.).

    Neste texto, vamos explorar como funciona a nossa metodologia de busca e seleção de startups de impacto em programas de inovação aberta, que costuma durar três meses.

    Definindo o recorte de startups:

    A partir da estratégia definida, é preciso entender o recorte de startups que faz sentido a empresa se relacionar, que pode ser setorial (Saúde, Energia, Água, etc.), temático (empregabilidade, equidade de gênero, etc.) ou de soluções para seus desafios em ESG.

    Curadoria e inscrições: 

    Crucial para garantir o sucesso da iniciativa, a etapa de curadoria é onde conseguimos identificar a qualidade dos participantes da iniciativa e a adequação frente às expectativas da empresa. Esta fase  é composta pela busca e identificação das startups. 

    Este estágio exige um momento de preparação, definindo a estratégia de divulgação, os critérios de seleção, criação do regulamento e demais instrumentos de seleção (como formulário de inscrição), e até metas de quantidades de startups inscritas. 

    Este último aspecto depende do recorte de startups escolhido e da quantidade de empreendedores que a empresa deseja selecionar, já que alguns setores possuem muito mais soluções de startups do que outros. No Quintessa, possuímos uma base com mais de 4.5 mil startups mapeadas, o que nos possibilita realizar análises de setores, maturidade dos negócios, identificar gaps e ofertas de soluções.

    No momento de atração das startups para participar do programa, decidimos entre duas estratégias: convites ativos e chamadas abertas.

    A estratégia baseada em convites costuma garantir uma alta qualidade das startups, mas muitas vezes um volume menor de candidatos. Para embasar a qualidade, um dado: 70% a 95% das turmas formadas nos últimos programas que conduzimos, vieram de convites ativos para a nossa base. É importante dizer que apesar de convidarmos ativamente, os empreendedores passam pelas mesmas análises, entrevistas e processos junto ao Quintessa e a empresa parceira.

    Complementar a ela, a estratégia de chamada aberta é baseada na divulgação da oportunidade para o mercado – em que criamos uma identidade, site, divulgamos em mídia, redes sociais e mobilizamos indicações de atores do ecossistema (como outras aceleradoras, incubadoras, investidores). Essa estratégia, apesar de mais longa, garante divulgação da marca e da iniciativa, além de oxigenar com novos candidatos e permitir que se faça um panorama mais amplo de caminhos possíveis.

    Geralmente fazemos uma combinação entre uma chamada aberta ao público e convites direcionados para os empreendedores já mapeados pelo Quintessa, e assim garantimos que os bons nomes que já conhecemos serão avisados da oportunidade. Mas alguns parceiros preferem seguir somente com os convites, especialmente quando o programa envolve a seleção de poucas startups (menos de 5, por exemplo).

    Em ambos casos, nossa recomendação é que a empresa seja específica, transparente e assertiva ao explicar a proposta de valor do programa para os empreendedores. Não parta do princípio que os empreendedores vão querer se inscrever e participar apenas pela força da sua marca – ainda mais se seu foco for trabalhar com startups em estágios mais avançados. Programas de aceleração levam tempo, dedicação e empenho por parte dos empreendedores, e por isso deve ser uma relação de troca e ganha-ganha.

    Vá além do termo “aceleração” e explique o formato do programa, se há apoio individual ou não, se há acesso aos executivos e as áreas da empresa, possibilidade de investimento, etc. É uma forma de você começar a relação demonstrando respeito pelos empreendedores – e entendendo que eles devem ter informações suficientes para decidirem se querem ou não participar e dedicar seu tempo.

    A etapa de Seleção: 

    Após a etapa de busca dos candidatos, vem a seleção. Normalmente ela é baseada na filtragem a partir dos formulários de inscrição, entrevistas individuais e uma banca de seleção final, geralmente um Pitch Day. 

    Uma boa prática é refletir se essa será uma etapa conduzida exclusivamente pelo time que está liderando a iniciativa de inovação aberta ou se cabe abrir para participação e engajamento de mais colaboradores, para que possam ter contato com as startups candidatas e influenciarem o processo embasando os interesses de diferentes áreas. 

    Quais os critérios de seleção? Temos uma régua própria de análise de negócio e de impacto e somamos uma terceira régua, que é a adequação aos desafios do parceiro. Alguns critérios são a análise do perfil do(a) empreendedor(a) (aspectos como brilho nos olhos e abertura para rever premissas), potencial de impacto e relevância da solução, modelo de negócio, tamanho do mercado e potencial de crescimento; e outros dependem do formato e dos objetivos do programa, definidos junto ao parceiro, como o caso da maturidade da startup, o histórico da solução e a viabilidade de implementação. 

    Quantas startups selecionar? Essa resposta vem com uma série de “depende” – tendo que ser adequada ao tamanho, momento, entre outras características da empresa. Ainda assim, como reflexão: quando a empresa já está muito madura em relação ao que deseja de resultado, pode fazer sentido ela trazer uma abordagem de priorização e foco, trabalhando com apenas 1 a 3 startups, se relacionando na profundidade. Quando o(a) executivo(a) ainda não está seguro(a) de qual tipo de startup e solução pode fazer sentido, ou ainda está experimentando, vale a pena conhecer um grupo maior (6-12 startups) com soluções diversas, já que a possibilidade de gerar resultado é maior e menos arriscada.

    Alguns cases do Quintessa:

    Aceleradora 100+ Ambev

    O recorte buscado pela Ambev é de startups setoriais e temáticas, que podem apoiar a empresa a alcançar suas metas de sustentabilidade (gestão da água, mudanças climáticas, embalagem circular, entre outras). A cada ano, são selecionadas até 20 startups para uma fase inicial de aprofundamento, por meio de chamadas abertas, e durante o programa acontece um segundo Pitch Day, em que nove das vinte soluções são implementadas na empresa. Neste caso, o programa é executado pela área de Sustentabilidade, mas os(as) executivos(as) das áreas da Ambev que receberão as soluções implementadas participam ativamente do processo para garantir a viabilidade do projeto, como a área de embalagens e de agro, por exemplo. Veja mais sobre como foi o programa de Inovação Aberta entre Quintessa e Ambev.

    Braskem Labs

    O Braskem Labs é o programa da Braskem que acelera startups com soluções sustentáveis na cadeia da química e do plástico. A busca por startups se divide entre negócios em estágio inicial (que são direcionadas para a iniciativa Ignition) e em estágio de tração e escala (para o programa Scale).

    Dessa forma, o peso dos critérios de seleção é diferente para as duas iniciativas, e no momento do Pitch Day as soluções podem ser avaliadas separadamente – competindo com outras do mesmo nível. Ao todo, apresentamos 40 soluções na etapa final e 20 são selecionadas para os dois programas pela banca de executivos(as) presentes no evento. A estratégia se baseia em chamadas abertas, mas após 8 anos de programa, já acontece de muitos finalistas das edições anteriores serem convidados diretamente e até de participantes do programa Ignition se inscreverem para o Scale após alguns anos. Saiba mais sobre o Braskem Labs.

    Grupo Fleury

    programa Impacta Grupo Fleury é dividido em duas iniciativas com objetivos distintos: ambas buscam soluções para a agenda ESG da empresa; o Soluciona, com o foco em implementar soluções já maduras na companhia, e o Acelera, com foco em acelerar soluções de startups de impacto dentro das temáticas ambientais, sociais e de governança. Para a primeira iniciativa, o Grupo Fleury buscava 3 soluções, e a estratégia adotada foi exclusivamente de convites direcionados às startups, que se inscreveram e passaram por um Pitch Day. Já para o Acelera, optamos junto à empresa por abrir uma chamada com ampla divulgação para o mercado, em busca de 10 selecionadas.

    Aceleradora parceira

    O processo de curadoria e seleção de startups é uma etapa essencial para que o programa de inovação aberta tenha resultados relevantes nas empresas, e contar com uma aceleradora parceira pode trazer muitas vantagens, especialmente quando falamos em conseguir conectar inovação com sustentabilidade. A falta de experiência pode fazer a agenda não avançar e cair em um ponto cego dos executivos em não conseguir enxergar uma integração entre os dois campos. 

    Uma aceleradora parceira pode trazer um pipeline de negócios mais robusto e já com uma curadoria, uma visão ampla de mercado para analisar o diferencial, potencial de inovação e de modelo de negócio das startups, além de metodologias de seleção já validadas com diversas startups ao longo da sua experiência. Vemos isso ao realizar a etapa de curadoria: não é apenas sobre ampliar a quantidade de startups candidatas, mas também sobre trazer eficiência e metodologia para selecionar aquelas que a empresa já conhece – sem depender de um(a) executivo(a) fazer isso sozinho(a), sem experiência na área ou sem tempo disponível para administrar mensagens diretas nas redes sociais.

    Conte com o Quintessa para ser parceiro na criação de uma iniciativa de inovação aberta e/ou realizar uma curadoria de startups para sua empresa se relacionar. Entre em contato!

  • Semana do Meio Ambiente: 7 temáticas sustentáveis que empresas podem se engajar

    Semana do Meio Ambiente: 7 temáticas sustentáveis que empresas podem se engajar

    Os ecossistemas naturais sustentam toda a vida na Terra – quanto mais saudáveis eles forem, mais saudável será o planeta. Segundo as Nações Unidas, em recente documento lançado, os próximos 10 anos serão cruciais para a restauração dos nossos ecossistemas – medida que apoia o enfrentamento à mudança do clima e a preservação de um milhão de espécies em risco de extinção.

    Os desafios ambientais estão relacionados com a nossa forma de viver e estar no mundo, e as soluções exigem esforços e ações conjuntas de governos, empresas, órgãos internacionais, ONGs e indivíduos.

    A atuação das empresas na pauta ambiental deve ser planejada, com o suporte de especialistas, a partir de seus objetivos relacionados à sustentabilidade e das externalidades da sua operação. Na Semana do Meio Ambiente, apresentamos algumas temáticas que empresas podem apoiar frente aos diferentes desafios da pauta ambiental e como a inovação integrada à sustentabilidade pode impulsionar essa agenda.

    Conscientização e mudança de comportamento:

    A primeira temática que costumamos falar é a da conscientização: tão importante quanto as próximas que vamos abordar durante esse texto, estar consciente da importância de preservar o meio onde vivemos é essencial – precisamos entender que o “meio” e o “ambiente” são parte de um mesmo ecossistema e que vivem – ou deveriam viver – de forma harmoniosa.

    Para além da conscientização, é preciso estimular a ação. Um exemplo de startup de impacto que pode se conectar com as empresas nesse sentido, estimulando o engajamento em torno de práticas ambientais, é a So+ma. Ao mesmo tempo em que trabalha a gestão de resíduos, promove a mudança comportamental, ao incentivar que os cidadãos entreguem seus resíduos nos pontos de coleta e ganhem pontos de fidelidade – que podem ser trocados por cursos, descontos, serviços e outras recompensas.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Paula Cayoni Leite.

  • Diversidade: reflexões e aprendizados de uma jornada na prática

    Diversidade: reflexões e aprendizados de uma jornada na prática

    Muitas são as motivações para as organizações desenvolverem ambientes mais diversos, inclusivos e com equidade. Dados do Guia Salarial 2022 mostram que as práticas de diversidade, equidade e inclusão impactam prioritariamente em melhor produtividade na percepção de 41% dos entrevistados. Mas, quando bem desenvolvidas, as iniciativas também têm potencial para impactar positivamente na cultura da empresa (38%), atrair e reter talentos (37%), tornar o ambiente mais criativo e inovador (34%) e atrair investidores (30%). Além do motivo pautado em uma visão de justiça social e desejo de transformação da nossa realidade, obviamente.

    Os dados do Guia Salarial 2022 também mostram que 90% das empresas entrevistadas já fizeram alguma mudança em seu processo de recrutamento e seleção para garantir mais diversidade e inclusão nas contratações.

    Com três sócias mulheres e com time interno majoritariamente feminino, o Quintessa tem em seu quadro de colaboradores uma representatividade diferente do que o mercado tradicionalmente apresenta.

    A diversidade de gênero influencia nossa cultura e nossas relações. E embora este fato seja motivo de orgulho, sabemos que é uma exceção – e que representa apenas um aspecto da diversidade que queremos ter no time. Há 3 anos decidimos que era necessário ter um time mais diverso em diferentes aspectos e iniciamos ativamente nossa jornada pela inclusão de pessoas negras no Quintessa.

    Como forma de mostrar um caminho possível para as organizações lidarem com a temática da diversidade e ampliarmos o diálogo sobre ela, compartilhamos aqui as principais conquistas, aprendizados e reflexões que vivemos até agora em nossa jornada nesta direção.

    O ponto de partida

    O início da nossa trajetória em diversidade se deu com a consciência de que tínhamos insatisfações coletivas:

    Éramos uma organização diversa em gênero, mas pouco diversa em questões étnico-raciais, etárias, de pessoas com deficiência e de pessoas da comunidade LGBTQIAP+;

    Tínhamos pouco conhecimento técnico e prático para endereçar essa questão;

    Não havia internamente responsáveis pela pauta.

    Em primeiro lugar, foi preciso criar um novo formato de orientação para o esforço coletivo: os grupos de trabalho. No início de 2020, alguns membros do nosso time criaram o Grupo de Trabalho de Diversidade (GT).

    Em segundo lugar, com o GT de Diversidade estruturado, foi possível avançar no consumo e divulgação de conhecimento acerca de diversidade, equidade e inclusão. Pílulas de conteúdo, como filmes, livros, documentários e indicações de pessoas influentes passaram a figurar na nossa newsletter interna semanal.

    O grupo teve também o apoio de dois mentores do Quintessa, que já participam ativamente da temática em suas empresas e projetos, para trazer benchmarks, ideias de próximos passos e suporte em aspectos práticos que não havíamos mapeado antes.

    Parte do desafio de nos tornarmos um time mais diverso passava pelo formato de nosso processo seletivo. Assim, além da produção de conteúdo, o GT Diversidade também foi responsável por repensar o formato do processo seletivo, se aproximar de canais e grupos de talentos focados em diversidade e realizar as primeiras contratações com esse foco.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Gabriel Costa.

  • Qual o momento ideal para realizar uma iniciativa de inovação aberta?

    Qual o momento ideal para realizar uma iniciativa de inovação aberta?

    Para quem acompanha o nosso trabalho aqui no Quintessa, já sabe que trazemos a inovação aberta como caminho para as empresas desenvolverem novos negócios, cortarem custos e se diferenciarem no mercado, bem como gerarem impacto social e ambiental positivo. Se conectar com startups de impacto faz sentido para todo tipo de empresa e também para institutos e fundações – mas será que todas estão no momento certo de realizar este tipo de iniciativa? Ou melhor, existe um momento ideal para começar a executar a inovação aberta com impacto? A empresa precisa estar ‘pronta’?

    Nossa resposta é que não. As iniciativas de inovação aberta fazem parte da jornada da empresa em direção a geração de impacto positivo e também do processo de amadurecimento da cultura da empresa. Mas é importante ressaltar que realizar uma iniciativa de conexão com startups de impacto não deve ser o primeiro passo da empresa nessa jornada, mas sim deve ser parte da estratégia maior, que precisa estar bem definida antes de começar a buscar soluções no mercado. É sobre isso que abordaremos neste texto.

    Não é uma linha de chegada

    Antes de tudo, é preciso entender que trazer soluções de startups para a empresa não deve ser visto como o ‘objetivo final’ ou a linha de chegada. Se motivar pelo reconhecimento do mercado em ser vista como uma empresa inovadora e ter pressa para realizar o programa pode levar a decisões equivocadas e poucos resultados.

    Além disso, é preciso pensar no que as startups vão ganhar na relação com você. Ter um programa “só por ter” provavelmente vai te levar a um lugar em que poucas startups de qualidade vão se engajar, e sem startups de qualidade, o programa não tem valor e provavelmente será descontinuado.

    Você precisa ter clareza das motivações para fazer o programa de inovação com impacto, e isso precisa ter lastro estratégico na empresa. 

    Definir a estratégia da empresa

    O ponto de partida para conceber um programa de inovação aberta sempre deve ser a estratégia da empresa: o que está buscando fazer, que metas quer alcançar ou quais são os direcionamentos de novos produtos/mercados que a empresa quer entrar. Entendemos que a iniciativa de inovação aberta não é “algo a mais”, mas sim uma nova forma de alcançar aquilo que já é prioridade da empresa.

    Portanto, é importante que a empresa já tenha definido suas metas de impacto social/ambiental e prazos de atingimento, e tenha clareza de quais são os principais desafios da empresa, tanto nos aspectos de negócio, quanto nos aspectos sociais e ambientais que se deseja trabalhar. Só assim é possível encontrar soluções de startups no mercado que gerem valor para a empresa.

    Antes de definir o tipo de solução que precisa ser encontrada, vale a empresa ter clareza de quais tecnologias e soluções já foram testadas (e os aprendizados sobre o que deu certo e errado) e quais soluções já estão sendo desenvolvidas internamente por P&D.

    Algumas perguntas que costumamos fazer antes de criar uma iniciativa são:

    • Qual o foco da empresa: propósito, missão e valores?
    • Quais são os direcionamentos de negócio para o longo prazo: metas, desafios e oportunidades que enxergam, como novos mercados que desejam entrar e evoluções do modelo de negócio?
    • Qual a estratégia de sustentabilidade da empresa: matriz de materialidade, ODS que orientam a estratégia, se já respondeu assessments como o do Sistema B, etc.?
    • Qual a estratégia de responsabilidade social e filantropia corporativa – se existe instituto ou fundação empresarial?
    • Quais são as causas nas quais a marca se posiciona?
    • Quais são os desafios operacionais da empresa e os desejos de melhoria?
    • A empresa já possui outras iniciativas de inovação aberta, intraempreendedorismo, voluntariado, etc.?

    A empresa não precisa ter todas essas respostas, mas quanto mais informações, dados e análises a empresa tiver, mais consistente será a estratégia e mais assertiva será a busca de soluções para inovação aberta. 

    Um olhar externo, com conhecimento específico em inovação e sustentabilidade, pode ser de grande valia nessa etapa, para apoiar a empresa a buscar as informações necessárias. Aqui no Quintessa apoiamos as empresas nesta etapa, e a valorizamos bastante, pois nos ajuda muito na execução do programa depois, já iniciando a parceria bem alinhados sobre a estratégia da empresa e objetivo daquela iniciativa. 

    Além disso, é importante que neste alinhamento estratégico todas as áreas da empresa estejam bem contempladas, para depois, durante o programa, conseguir um engajamento das áreas para se envolverem e testarem as soluções.

    As iniciativas de inovação aberta têm a ver com essa nova forma de pensar, e a partir dela as práticas e programas vão evoluindo e sendo refinados. Um exemplo é o Braskem Labs, que em 2022 inicia sua oitava edição – e o quarto ano realizado pelo Quintessa. Desde que o programa surgiu, mudaram-se  formatos, metodologias, benefícios para os empreendedores, áreas e pessoas envolvidas, mas o programa só cresceu e se fortaleceu por conta do alinhamento estratégico muito bem amarrado desde o início, em fomentar e se conectar com soluções inovadoras e sustentáveis na cadeia da química e do plástico. 

    Orçamento para inovação aberta

    É comum vermos as lideranças presas em uma questão de primeiro precisar mostrar resultado para conseguir orçamento para o programa, mas para colher resultado é preciso agir e isso requer investimento. Portanto, uma boa prática é ter um orçamento mínimo planejado para implementar iniciativas de experimentação com as startups e gerar dados que provem o valor desse relacionamento.

    Conseguir aliados internos também pode fazer toda a diferença. Tradicionalmente, áreas de CVC têm interesse que as áreas de inovação das empresas se desenvolvam. Outro caminho que tem sido frutífero, especialmente em temas ligados à sustentabilidade, é o de engajar áreas financeiras e criar Sustainability Linked Bonds, que depois vão demandar que se invista em inovação para atingi-los.

    Os tipos de programa exigem competências diferentes

    A depender do tipo de programa desenhado – aceleração, pilotos ou outro – o preparo exigido tem algumas variações, mas a estratégia é sempre uma premissa.

    Leia mais: Por que fazer um programa de inovação aberta e quais os formatos possíveis?

    Ao fazer um programa de aceleração, por exemplo, precisamos de um direcional estratégico que contemple principalmente quais são os desafios da empresa para buscarmos soluções no mercado. 

    A aceleração é um espaço para conhecer diferentes iniciativas que podem gerar negócios para diferentes áreas da empresa. Porém, tem um peso menor na necessidade de se fazer negócios concretos com as startups, e por isso pode ser um bom caminho para quem ainda está começando e quer avaliar as opções que existem no mercado, sem necessariamente precisar se comprometer. Também é um ambiente melhor para desenvolver a equipe da empresa em mentorias e competências de inovação e empreendedorismo.

    Já um programa de implementação de pilotos exige não só um orçamento para contratar de fato as soluções das startups, mas uma definição muito mais específica do tipo de desafio que está buscando a solução, pois ela já será implementada diretamente. 

    Além disso, o engajamento das áreas que irão receber as soluções também é fundamental, bem como uma estrutura mínima capaz de receber a solução. Por exemplo, se os processos burocráticos de suprimentos e contratação estiverem pouco adaptados para receber startups, pode fazer sentido começar por um programa de aceleração criando um espaço de ambientação para os executivos, tangibilizando como trabalhar com uma startup, e depois fazer os pilotos.

    Cultura da empresa

    Muitas vezes nos perguntam se a empresa precisa ter uma cultura consolidada de inovação ou sustentabilidade para o êxito do programa. A mudança cultural é importante, mas a cultura está sempre em construção, e não ‘pronta’, então realizar iniciativas de inovação e impacto positivo também se torna um meio de apoiar e amadurecer a cultura.

    Os programas de inovação aberta são excelentes espaços de aproximação dos colaboradores e lideranças com a inovação e sustentabilidade na prática, interagindo com empreendedores das startups e conhecendo novas formas de pensar e operar no dia-a-dia. Falamos mais sobre isso neste texto.

    Quanto mais a empresa estiver aberta a se relacionar com inovações externas, maior fluidez terá o programa. Isso não é algo que acontece da noite para o dia, e muitas áreas vão precisar ver resultados concretos antes de se abrirem – também por isso a importância do programa estar bem amarrado com a estratégia da empresa. 

    Ainda, a iniciativa ajuda a empresa a aprender a trabalhar junto a startups, no sentido de processos internos. Por exemplo, pode ser necessário adaptar as políticas do Jurídico (acostumado a exigir exclusividade e direito de propriedade intelectual) e de Suprimentos (acostumado a espremer preço, exigir longos prazos para pagamento, exigir documentos que a pequena empresa não possui), que podem mais prejudicar a startup do que ajudá-la a crescer. Essas adaptações de processos também são meios de apoiar a mudança de cultura e forma de trabalho.

    É importante começar

    Para concluir, é válido dizer que se a empresa já possui um programa de inovação aberta com startups ‘tradicionais’, para desafios não relacionados à impacto positivo e sustentabilidade, não necessariamente está pronta para um programa com esse recorte. Pode ser que a questão cultural já esteja mais avançada, mas como falamos no início, o mais importante são as definições estratégicas no que tange a sustentabilidade, ESG e impacto positivo para buscar soluções assertivas. 

    A inovação aberta é um caminho que naturalmente apresentará desafios e desconfortos, e que ao mesmo tempo tem um potencial enorme para impulsionar a empresa em direção ao seu futuro. Costumamos dizer que não há uma iniciativa “certa” ou “errada”. Mas há iniciativas consistentes e inconsistentes, assertivas ou não assertivas – tanto do lado da empresa, como do lado da proposta de valor oferecida para os empreendedores, por isso é tão importante saber o porquê a iniciativa existe, passando pelos aspectos mencionados aqui no texto, e começar o quanto antes para evoluir no caminho.

    Este tema faz parte do Guia para Inovar com Impacto, publicação inédita do Quintessa que apresenta um passo a passo para criar programas de inovação aberta que gerem valor para o negócio e impacto socioambiental positivo. Acesse o Guia completo aqui!

    Para entender melhor como o Quintessa pode te ajudar na criação de uma iniciativa de inovação aberta com impacto positivo, entre em contato conosco: [email protected]

  • Inovação Aberta e Impacto Positivo – Entrevista com Anna de Souza Aranha

    Inovação Aberta e Impacto Positivo – Entrevista com Anna de Souza Aranha

    Em entrevista para o Rio2C, maior evento de tecnologia, criatividade e inovação da América Latina, a sócia e diretora do Quintessa, Anna de Souza Aranha, falou sobre como as empresas estão se aproximando das startups de impacto e como explorar os formatos de relacionamento – aceleração, implementação de pilotos, etc.

    A entrevista também trouxe cases do Quintessa e abordagens sobre os tipos de desafio nas empresas que as startups podem endereçar, como ESG e sustentabilidade, agenda de novos negócios e inovação, responsabilidade social, filantropia e investimento.

    Por fim, Anna trouxe dicas para empreendedores e para empresas neste processo de relacionamento.

    Assista na íntegra:

  • Em sua sétima edição, Braskem Labs anuncia 20 startups selecionadas  para seus programas de aceleração

    Em sua sétima edição, Braskem Labs anuncia 20 startups selecionadas para seus programas de aceleração

    Neste ano, a plataforma de empreendedorismo conta com apoio de Johnson & Johnson Consumer Health, Grendene, Sherwin-Williams e Oxiteno como co-sponsors. Desde 2015, a plataforma acelerou mais de 90 startups.

    A Braskem anuncia as 20 startups selecionadas para a próxima etapa do programa Braskem Labs, que chega à sétima edição em 2021. Com objetivo de impulsionar negócios sustentáveis criados a partir da química e do plástico, o programa conta este ano com as parcerias de Johnson & Johnson Consumer Health, Grendene, Sherwin-Williams e Oxiteno, que trabalharam juntas na escolha e darão mentoria aos projetos inovadores e com impacto positivo na sociedade e no meio ambiente. O Quintessa, aceleradora dedicada a startups de impacto socioambiental positivo, é parceiro da Braskem nesta plataforma pelo terceiro ano consecutivo.

    Respeitando as medidas de isolamento social, a edição desse ano foi, pela segunda vez, em formato digital. A seleção ocorreu nos dias 11 e 13 de maio contando com os integrantes das empresas participantes e importantes nomes da cadeia da química e do plástico, que determinaram as startups que seguirão no Braskem Labs. O programa conta com duas frentes: 10 projetos irão participar do Braskem Labs Ignition, focado em startups ainda em fase de validação de modelo de negócio; e 10 do Braskem Labs Scale, que oferece suporte para negócios em fase de tração ou escala, impulsionando seu crescimento.

    Desde 2015, quando foi criado, mais de 90 startups foram aceleradas pelos dois programas e, destas, 96% continuam no mercado e outras 34% atraíram investimentos externos. A próxima fase de aceleração teve início na última quarta-feira, 09/06, contando com um evento de kick-off. Ao longo deste ano, os empreendedores participarão de workshops e mentorias – individuais e em grupo – com executivos da Braskem e dos co-sponsors relacionados aos seus negócios, realizando dinâmicas envolvendo desde o estabelecimento de um público-alvo à construção do modelo de negócio. 

    Para Karla Censi, gerente de soluções sustentáveis na Braskem e responsável pelo programa de aceleração Braskem Labs, a iniciativa reforça o papel da Braskem de antever a importância de incentivar esse ecossistema e fomentar seu próprio programa de aceleração de startups há sete anos, como uma forma de apoio ao empreendedorismo e construção de parcerias em prol da inovação.

     “Ao longo de todo o desenvolvimento do programa, temos notado movimentos que geram resultados positivos e viabilizam a realização de projetos disruptivos, tirando-os do campo das ideias e oferecendo possibilidades para que sejam colocados em prática. Com isso, o Braskem Labs contempla duas frentes primordiais nos negócios, não só no presente, mas também visando as gerações futuras: a inovação e a sustentabilidade”, afirma. 

    O Braskem Labs é inteiramente equity free, ou seja, as empresas apoiadoras não se tornam sócias das startups, o que reforça o posicionamento do programa em prol do ecossistema e dos empreendedores. Nos últimos seis anos, mais de 32% das empresas participantes firmaram parcerias com a Braskem ou co-sponsors. 

    Confira as empresas selecionadas para participar do Braskem Labs 2021:

    Braskem Labs Ignition 

    Startup Descrição
    Circular Brain Primeiro ecossistema digital para rastreabilidade e gestão do Ciclo de Vida de equipamentos eletroeletrônicos. Um hub de soluções digitais para economia circular por meio de logística reversa (pós-venda e pós-consumo), segurança da informação, reuso, reciclagem e disposição final de produtos tecnológicos. 
    BioBeads Produção e desenvolvimento de micro e nanopartículas poliméricas naturais biodegradáveis e/ou biocompatíveis para aplicação em diversos setores como cosmético, farmacêutico e médico.
    Dana Agro Linha de produtos atóxicos que protegem e renovam as culturas de cana-de-açúcar, soja, milho, hortaliças e frutas, dos danos ambientais (seca, chuva intensa, alternância de temperaturas, chuvas de granizo e geada). Por meio da tecnologia, o produtor tem garantida a produtividade e a arentabilidade nas lavouras frente as condições adversas.
    Desembala Comercialização de linha completa de produtos de limpeza disponíveis em sachês concentrados e hidrossolúveis. 
    FitStock Plataforma digital onde as empresas podem anunciar seus excedentes de insumos químicos para venda, compra de materiais anunciados ou outras solicitações que sejam procuradas no mercado.
    Instituto Cidade Jardim Telhados verdes e jardins verticais que possibilitam espaço para produção local de alimentos, ajudando a reduzir as distâncias entre o produtor e o consumidor. 
    Minha Coleta Solução que promove a coleta para todos tipos de resíduos em condomínios,  com assinatura de crédito de logística reversa e programas de logística reversa para empresas.
    Mush Embalagens e isolamento acústico biodegradável produzidos a partir da tecnologia de micélio, com resíduos do agronegócio. 
    O2Eco  Placa de parafina com nano minerais que ativam o processo de bioestimulação, mobilizando, naturalmente, as bactérias que já estão no corpo hídrico a consumirem a matéria orgânica.
    S3nano Aditivo utilizado para eliminar fungos, bactérias e vírus das superfícies dos produtos, aumentando o tempo de vida da produção e reduzindo a transmissão de doenças.

     

    Braskem Labs Scale

    Startup Descrição
    BioLambda Venda de equipamentos de fotopolimerização de ambientes, ar e superfícies.
    Bioz Green Produtos de limpeza e higiene isentos de conteúdo petroquímico.
    Coletando Inclusão bancária por meio da coleta de resíduos. Por meio da plataforma, é possível gerar renda extra ao trocar embalagens por dinheiro. 
    Descarte Correto Recebem ou compram resíduos eletrônicos, atuando em 3 frentes: (1) recuperação de computadores e venda a preços acessíveis para centros educativos, (2) recuperação de computadores e venda da licença da metodologia para centros educativos com cursos profissionalizantes e (3) venda da matéria-prima de volta para a indústria.
    Fleurity Venda de coletores menstruais ou calcinhas/absorventes reutilizáveis, reduzindo o risco de infecções e evitando o descarte de absorventes usados no meio ambiente. 
    Port Roll Substituição da embalagem one way de madeira por caixas de plástico reutilizáveis.
    Rochmam Venda ou aluguel de máquinas para a recuperação de solventes.
    TNS Nano Soluções de nanotecnologia para aplicação em embalagens, tecidos, tintas, espumas e fibras.
    Trashin Sistema de coletas e projetos de logística reversa. Trabalham com educação e sinalização no ponto de coleta, rastreabilidade até a destinação adequada, dados em sistema online e cashback aos geradores sobre a venda dos resíduos.
    YouGreen Cooperativa que realiza a gestão integrada de resíduos para grandes geradores, trazendo uma solução completa para clientes industriais, comerciais e residenciais.