A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), maior evento sobre emergência climática do mundo, aconteceu em Glasgow (Escócia) em novembro de 2021. Com todos os olhares voltados para as grandes lideranças mundiais, as expectativas para novos acordos serem pactuados durante a conferência eram altas.
Uma das principais novas metas acordadas é a de que, até 2030, os países devem liberar na atmosfera apenas a quantidade de gases de efeito estufa que possa ser absorvida novamente por meios naturais ou artificiais. Como forma de apoiar governos e empresas a atingirem essa meta, um dos instrumentos pactuados durante a COP26 foi a finalização do chamado “livro de regras” do Acordo de Paris, que dá espaço ao nascimento de um novo mercado de carbono.
Empresas em todo o mundo estão cada vez mais alertas para a emergência climática e sendo cada vez mais cobradas para assumir a responsabilidade pelo impacto ambiental de suas atividades. A maioria das grandes empresas agora têm estratégias e metas climáticas públicas, muitas das quais incluem promessas que parecem reduzir significativamente, ou mesmo eliminar, suas emissões de CO2.
Um estudo do instituto de pesquisas Climate Accountability Institute em 2019, mostra que um grupo de 20 empresas é responsável por mais de um terço das emissões de gases causadores do efeito estufa em todo o mundo desde 1965.
Segundo a análise, publicada as 20 empresas produtoras de petróleo, gás natural e carvão foram responsáveis por 480,16 bilhões de toneladas de dióxido de carbono e metano liberados na atmosfera nesse período. O montante representa 35% das emissões totais de combustíveis fósseis e cimento, que foram de 1,35 trilhão de toneladas. O cálculo feito é baseado na produção anual de petróleo, gás natural e carvão relatada por cada empresa, e leva em conta as emissões desde a extração até o uso final do combustível.
O mercado de carbono se coloca como uma tendência e o cenário pós-COP fortalece esses compromissos e abre caminhos para que as empresas possam começar a agir de maneira efetiva. Além de ser uma tendência, uma pesquisa realizada pela equipe do Quintessa em uma de suas iniciativas com 30 empresas parceiras mostrou que, considerando o recorte de impacto ambiental, 100% delas estão focadas em atuar com soluções para “Redução da emissão de carbono”, 71% desejam atuar em “Eficiência Energética” e 71% em “Redução de Resíduo”.
Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Paula Cayoni Leite.
Em 2021, conversamos com mais de 150 grandes empresas e pudemos entender como a agenda ESG está evoluindo dentro delas
Nos últimos anos, e especialmente em 2021, aqui no Quintessa, temos nos dedicado a trabalhar junto a grandes empresas, institutos, fundações, e investidores. Trabalhamos com esses atores nas agendas de inovação, empreendedorismo e impacto positivo, apoiando seu relacionamento com startups de impacto. Todas as semanas, nós conversamos com novas empresas, o que nos dá uma visão muito privilegiada para acompanhar o que está acontecendo no mercado em relação a ESG e inovação para sustentabilidade.
Entendemos junto às lideranças empresariais quais são os temas que estão guiando suas atuações, formas com que têm trabalhado e nível de maturidade de estruturação e cultura voltada para sustentabilidade corporativa. Nesse sentido, somos uma espécie de espectador ativo do crescimento de um mercado que, se tudo der certo (e estaremos trabalhando para isso), irá mudar os contornos do capitalismo como conhecemos hoje.
Em 2021, foram mais de 150 conversas com empresas que, em sua maior parte, têm grande porte em termos de faturamento, muitas delas listadas na bolsa. Os setores foram variados, indo da indústria a serviços, e de segmentos diferentes. Deste lugar que ocupamos, surgem muitas reflexões sobre o setor, e queremos compartilhar algumas que achamos mais valiosas sobre o que vimos no ano que passou.
Momento
Em meados de 2020, a temática ESG emergiu como pauta prioritária dentro das empresas. Aquelas que já priorizavam isso anteriormente se beneficiaram, tendo agilidade em reportar resultados e iniciativas e amortecendo a demanda por novos projetos dentro de áreas de sustentabilidade que já estavam organizadas, com orçamento e cultura empresarial desenvolvida. Para estas, o desafio não foi de criar, mas de avançar. Avançar principalmente em dois sentidos: conectando mais a sustentabilidade ao negócio, de forma integrada à estratégia da empresa em si, e conectando mais a sustentabilidade à área financeira, seja na emissão de títulos e dívidas, seja na integração com áreas de fusões e aquisições e Corporate Venture Capital.
Essas empresas foram exceção.
Parte significativa do mercado não tinha a agenda de sustentabilidade como prioridade, ainda que já pudesse tê-la formalmente em sua estrutura, e começou a se movimentar para abarcar isso na estratégia. O começo foi muito puxado por anúncios e compromissos, muitos deles voltados para a redução e neutralização de emissões relacionadas às mudanças climáticas.
Entendemos que os compromissos fazem parte do caminho, mas desde que anunciados junto com um plano de como a empresa pretende alcançá-los, ou podemos cair em um mero greenwashing. E vale explicitar que grandes empresas não mudam da noite para o dia, e, em alguns casos, precisamos de mais tempo para poder dizer o que é ou não greenwashing, no sentido de enxergar a consistência no tempo.
Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com João Ceridono.
No início de 2021 começamos a produzir conteúdos para apoiar grandes empresas, institutos, fundações e investidores nas suas jornadas em direção a uma nova forma de fazer negócios, mais inclusiva, sustentável e que gera impacto positivo.
Nos dedicamos para entregar a cada 15 dias um conteúdo feito com muito cuidado pela nossa equipe de gestores, que vivenciam diariamente a construção e implementação dos programas de inovação aberta do Quintessa, bem como os desafios, dúvidas e questionamentos de lideranças de grandes empresas e organizações sobre a temática de impacto positivo. Além disso, entregamos mensalmente uma newsletter com as principais novidades sobre ESG, inovação aberta e impacto positivo – você pode assinar aqui.
Reunimos neste texto os conteúdos que publicamos separados em temáticas, para apoiar pessoas gestoras de sustentabilidade, inovação, novos negócios, responsabilidade social e outras áreas neste momento de planejamento e virada de ano, orientando a leitura de todo o conteúdo de forma organizada.
Contexto: Entendendo a união entre inovação e impacto positivo
Outros conteúdos explicam alguns conceitos importantes, como a diferença entre Investimentos ESG e de Impacto, o termo Innovability e a Economia Donut, que propõe um novo modelo econômico e uma transformação das empresas em 5 estágios.
Para refletir
No texto de estreia na coluna da Capital Reset, falamos sobre como as práticas ESG exigem uma nova forma de pensar, e não um checklist a ser cumprido pelas empresas, reconhecendo as incoerências no caminho: ESG: Mais que a linha de chegada, é sobre a forma de caminhar | Reset
Temos enfatizado como a conexão com as startups pode ser um caminho rápido e eficaz para empresas, institutos e fundações endereçarem seus objetivos de impacto positivo de forma inovadora, além de gerar valor para os negócios. Não faltaram exemplos práticos ao longo do ano, que trouxemos em todas as edições da newsletter.
Neste texto trouxemos várias iniciativas entre empresas e startups que estão mostrando que a sustentabilidade não deve ser vista como custo mas como fonte de novos negócios.
Publicamos o case do Braskem Labs, que na sua sétima edição mostra resultados reais de um programa de inovação aberta com foco em desenvolvimento sustentável.
Conteúdos práticos
Por onde começar a pensar uma iniciativa de inovação e impacto? Como engajar a liderança? Como escolher o tipo de programa de inovação aberta?
Para apoiar as lideranças de inovação e sustentabilidade, produzimos conteúdos práticos a partir das nossas experiências e de quem está na ponta.
Publicamos um material inédito com um passo a passo da nossa metodologia para implementar programas de inovação aberta que geram valor para a empresa e impacto positivo. São mais de 50 páginas no Guia para Inovar com Impacto.
Entrevistamos três super especialistas na série Diálogos Quintessa, que trouxeram suas experiências na prática.
Ricardo Young, presidente do conselho do Instituto Ethos
Luis Guggenberger, Gerente Executivo de Sustentabilidade e Inovação da Vedacit
Realizamos três eventos na Plataforma Negócios pelo Futuro. A segunda edição, que chamamos de ESG na Prática, teve apoio da Braskem e da Vedacit e apresentou, em eventos abertos, pitchs de startups com soluções inovadoras para empresas adotarem práticas ESG. Os temas foram Logística Reversa, Diversidade e Capacitação e Desenvolvimento Territorial e de Fornecedores. Os eventos ficaram gravados na íntegra no site.
Novo posicionamento Quintessa
Neste ano nós apresentamos uma nova marca e posicionamento. O objetivo foi consolidar o Quintessa como um ecossistema de soluções inovadoras para nossos desafios sociais e ambientais centrais, com iniciativas para startups, empresas, institutos, fundações, investidores e demais organizações.
Para finalizar, acabamos de publicar também em parceria com a PPA, uma tese de aceleração de negócios socioambientais na Amazônia! Você pode conhecer um resumo neste texto e depois baixar a tese completa.
Esperamos que esses textos possam apoiar você e seu time a se aprofundarem na temática de inovação com impacto positivo e pensar estratégias para implementar essa visão na prática. Continuaremos publicando quinzenalmente às quintas-feiras aqui no blog, na Reset e no Um Só Planeta e contamos com as suas sugestões e feedbacks. Cadastre-se aqui para receber a nossa newsletter mensal e nos acompanhe nas redes sociais (Linkedin e Instagram) para não perder nenhum conteúdo.
E por fim, se você está buscando suporte para implementar uma estratégia de impacto positivo no próximo ano, estamos à disposição para te apoiar. É só escrever para [email protected] ou deixar sua mensagem no site.
Parcerias entre startups de impacto e grandes empresas mostram na prática como integrar sustentabilidade e resultados para o negócio
Por mais que os temas de impacto socioambiental positivo e ESG estejam ganhando relevância e começando a ser vistos amplamente entre os executivos, percebemos que para muitos ainda é difícil tangibilizar a visão de que ações de impacto positivo e sustentabilidade não devem ser enxergadas como custo e podem ser fonte de novos negócios.
Na última semana, a Reserva anunciou uma parceria com a Equal, um negócio de impacto especializado em roupas adaptadas para pessoas com deficiência. A Reserva lançou uma linha de roupas adaptadas para esse público, que inclui, por exemplo, ímãs no lugar de botões e zíper na lateral das calças.
Além da iniciativa promover a inclusão, trazendo liberdade e autonomia para as pessoas com deficiência, a Reserva também amplia o seu mercado, pois milhões de novas pessoas agora irão consumir seus produtos. No Brasil, 45 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência, o que representa quase 25% de toda a população. Há outros exemplos nesta linha, como a Freeda, que aceleramos este ano e traz peças para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, como idosos com Alzheimer.
O mesmo vale para o Magazine Luiza e a Azul, que ao contratarem a Hand Talk, startup de impacto com uma tecnologia que traduz o português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), passaram a ter um site acessível para as mais de 10 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência auditiva no Brasil.
Muitas vezes, o que chamamos de minorias são na realidade maiorias minorizadas. Trata-se de um amplo mercado, com milhões de potenciais clientes que hoje são mal atendidos pelo mercado.
É o caso quando pensamos em mulheres, pessoas pretas, pessoas de baixa renda. Passar a enxergar esses grupos como potenciais clientes e criar soluções relevantes para eles pode revelar novos mercados ainda não ocupados.
No Quintessa, temos vivenciado há 12 anos a integração estratégica entre impacto e resultado financeiro e acreditamos que a conexão com as startups de impacto é um caminho rápido e eficaz para criar iniciativas com esse objetivo. A boa notícia é que as empresas já começaram a apostar nas parcerias com startups e não faltam exemplos, como os citados acima, para inspirar demais empresas a fazerem o mesmo.
Enxergamos quatro principais objetivos para as empresas se conectarem a startups de impacto: integrar impacto positivo à agenda de inovação e novos negócios; trazer as startups para implementar práticas ESG e alcançar metas de sustentabilidade; apoiar startups de impacto nas ações de filantropia, e realizar investimentos, fusões e aquisições.
Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Mariana Valle.
A imagem abaixo mostra a pirâmide de renda da população (antes da pandemia):
— Foto: FGV Social a partir de microdados da PNADC e da PNAD/Covid
Esses dados retratam um pouco do triste quadro social do Brasil, marcado por profundas desigualdades.
É claro que esse é um problema que, para ser resolvido, precisa de ações em diversas frentes, e por parte de vários atores: governo, empresas, fundos, ONGs, sindicatos, sociedade civil.
Entre empresas e fundos de investimentos, que são os espaços por onde o Quintessa mais circula no dia-a-dia, vemos, felizmente, um crescimento constante da importância da pauta ESG. No entanto, enquanto o aspecto Environment (Ambiental) é contemplado por inúmeros compromissos de net-zero e similares, as ações e metas para o aspecto Social, em grande parte, ficam em dois campos: (i) aumentar a diversidade no quadro de funcionários e (ii) ações de responsabilidade social.
Em relação ao ponto (i), que tem sido o mais amplamente trabalhado, temos profundo respeito por essa pauta, mas nos parece que ela não é suficientemente capaz de dar uma resposta efetiva em um prazo razoável para os indicadores urgentes que trouxemos no início do texto.
Em relação ao ponto (ii), apesar dessas ações serem essenciais para milhões de pessoas impactadas, elas não fazem com que as empresas gerem desenvolvimento social no seu core (atividade principal).
Em suma: na nossa opinião, se as empresas e fundos querem tratar o S com a seriedade que merece, e que precisamos como sociedade, o foco de ação tem que amadurecer.
Onde deveria, então, estar o foco das empresas e dos fundos ESG?
Vamos trazer algumas perguntas que podem parecer óbvias, mas que são complexas de serem trabalhadas, e que acreditamos serem importantes para levar à construção de um S mais maduro e integrado com o crescimento das empresas.
Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com João Ceridono.
Rodada de USD 30 MM de uma startup de impacto ambiental desafia critérios clássicos de investimento em startups
Venture Capital (VC) é considerado um business estatístico: de 200 startups que são financiadas pelos principais VCs do mundo, apenas 15 delas geram quase todo o retorno econômico desses fundos, aponta levantamento do CFI. Esta modalidade de investimento consiste na compra de equity (participação acionária) de empresas emergentes. Ao virar sócio, a aposta é a valorização das ações e sua realização em uma possível saída (vendendo essa participação para outro investidor ou via IPO).
Por estar inserido em um contexto de tanto risco, a tese de investimento da maioria dos fundos de VC tende a seguir alguns parâmetros de mercado. Esses parâmetros delimitam o risco que os investidores estão confortáveis em comprar: captable (composição acionária dos sócios) coerente com a rodada, time de fundadores com experiência, mercado com tamanho suficientemente grande e potencial de escala são algumas das premissas clássicas de investimento.
Assim, não é novidade que a maioria dos investidores de risco priorizam startups que são digitalmente escaláveis.
Quanto mais rápido a empresa crescer, maior sua valorização em um determinado período. Não é apenas sobre priorizar modelos inovadores com propostas de valor sólidas. É também sobre garantir que a startup cresça exponencialmente utilizando o mínimo de ativos possíveis neste ganho de escala.
À primeira vista, pode-se enxergar estes critérios de investimento de risco com muita sinergia com as startups de impacto. Elas possuem soluções que resolvem tanto demandas de mercado como problemas socioambientais críticos para a sociedade, assim, expandir a operação de maneira rápida significa dar potência a soluções de problemas reais de forma eficiente. Seguindo esta lógica, escalar a operação da empresa significa aumentar o impacto gerado.
No entanto, apesar desta tese ser verdade para uma parcela das startups de impacto, nem todo problema crítico que estamos vivendo pode ser solucionado apenas por soluções digitalmente escaláveis. Ao colocar esse critério como premissa, abre-se mão de um grande volume de potenciais cases. Por exemplo, startups que trazem soluções robustas para superar desafios complexos (o que leva a um tempo de crescimento menos acelerado e em geral, a abordagens mais profundas e menos escaláveis).
A grande maioria de startups de impacto ambiental se propõe a enfrentar desafios complexos. Em muito dos casos, contam com uma operação de economia real: problemas como acesso à energia renovável, eficiência na reciclagem ou tratamento de resíduos muitas vezes precisam ser resolvidos por operações que demandam investimentos em painéis solares, frotas logísticas e estações de tratamento, ou seja, são estratégias de investimento intensivas em ativos. Não por isso deixam de trazer elementos de inovação para solucionar problemas reais ou de ter menor capacidade de resolvê-los em escala.
É neste cenário que a notícia do primeiro round da Terraformation causa um misto de curiosidade para o mercado e esperança para empreendedores comprometidos com a pauta ambiental. Fundada pelo ex-CEO da Reddit, Yishan Wong, a Terraformation visa ajudar as organizações a compensar suas próprias emissões de carbono. Auxiliando no financiamento, planejamento de projetos, consultoria e desenvolvimento de tecnologia, a meta da empresa é restaurar três bilhões de acres de ecossistemas florestais nativos globais.
Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Fabiana Goulart.
A ascensão da temática ESG, sigla que representa as práticas ambientais, sociais e de governança empresariais, tem acelerado o compromisso das empresas em trazer mais diversidade aos seus quadros de colaboradores. Porém, além de estabelecer planos e compromissos públicos, é preciso tirá-los do papel, e para isso as startups de impacto podem ser grandes aliadas.
O Quintessa, aceleradora de impacto fundada em 2009, possui uma base de mais de 4 mil startups de impacto e identificou mais de 100 que atuam para promover inclusão e diversidade no mercado de trabalho.
As startups mapeadas trazem soluções com diferentes abordagens, tanto na vertical em que atuam (diversidade racial, de gênero, LGBTQIA+, etária, entre outras), quanto na abordagem de soluções que trazem (recrutamento e seleção, práticas internas, educação e conscientização, consultorias estratégicas, entre outras).
Para o mercado de tecnologia, por exemplo, que tem alta demanda por profissionais desenvolvedores, as empresas podem contar com soluções como a Toti, que forma pessoas refugiadas como programadoras e conecta com vagas de emprego, ou a {Parças}, que tem um modelo semelhante atuando com pessoas egressas do sistema prisional. Há ainda a Specialisterne e a Laboratoria, que ensinam programação para pessoas autistas e mulheres, respectivamente.
Não faltam exemplos de startups: TransEmpregos e Camaleao.co têm foco em empregabilidade de pessoas LGBTQIA+, Maturie Labora atuam com a temática da inclusão etária, apoiando a contratação de pessoas com mais de 50 anos, e a Comunidade Empodera e EmpregueAfro são voltadas para a inclusão de pessoas negras nas empresas.
No processo de recrutamento e seleção, a Jobecam é um exemplo de tecnologia que transforma a entrevista em uma chamada de vídeo às cegas, diminuindo os vieses e preconceitos do recrutador, e tem aumentado em até 68% a diversidade na contratação.
Além de trazer pessoas diversas para o time, é papel das empresas trabalhar a inclusão e ambientação desses colaboradores, além de educação coletiva sobre a temática de diversidade. Para isso, existem soluções como a Diáspora Black, que oferece palestras, experiências culturais, cursos e dinâmicas sobre os valores afro-brasileiros e a cultura negra, e a Filhos no Currículo, que apoia as empresas na promoção de uma cultura que valorize as famílias e de um ambiente de confiança para profissionais com filhos.
Com o objetivo de apresentar soluções inovadoras de startups de impacto para a promoção da diversidade nas empresas, o Quintessa realiza no dia 29 de julho, às 14 horas, o segundo Pitch Day da Plataforma Negócios pelo Futuro – ESG na Prática. No evento, seis startups apresentarão suas soluções para desafios de diversidade e capacitação, as quais foram selecionadas e serão avaliadas por uma banca formada pela Vedacit e Braskem, apoiadoras da edição.
“A agenda de diversidade tem muito a avançar em todas as organizações, incluindo as grandes empresas. O desafio é complexo e requer conscientização, reflexão, mudanças em políticas internas e também adoção de novas práticas. Neste sentido, as startups de impacto, que já têm soluções prontas para serem implementadas, são um caminho eficaz para as empresas trazerem os seus objetivos para a prática. Com o evento, buscamos ampliar o repertório de executivos(as) no tema e apresentar estas soluções”, diz Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa.
O evento é o segundo de três encontros da Plataforma Negócios pelo Futuro – ESG na Prática, iniciativa do Quintessa que conecta soluções de startups de impacto e grandes empresas, para que, por meio de parcerias e contratação das soluções, impulsionem a adoção de práticas ESG nas suas operações. A iniciativa é realizada em parceria com a Alvarez & Marsal e tem apoio da Vedacit e da Braskem.
O evento é gratuito e aberto ao público. As inscrições podem ser feitas neste link.
Resumo Evento online 2º Pitch Day Negócios pelo Futuro – Edição ESG na Prática – Tema: Diversidade e capacitação 29 de julho – 14h Inscrição gratuita Link
Análises e aprendizados sobre o pipeline de startups que atuam na temática
O 3º Mapa de Negócios de Impacto lançado este ano pela Pipe Social contou com um estudo especial sobre negócios da área ambiental. Ao todo, foram 536 negócios mapeados alinhados à agenda ambiental, com atuação nos setores da agropecuária, florestas e uso do solo, indústria, logística e mobilidade, energia e biocombustíveis, água e saneamento e gestão de resíduos.
Alguns dados merecem destaque sobre estas startups: 39% delas ainda não tiveram faturamento e 28% faturaram até R$100 mil em 2019. Em 45% delas, a necessidade por capital se mostra presente e dos que já receberam algum tipo de recurso, 68% acessaram um bolso filantrópico.
Sob a perspectiva de impacto, 42% dos negócios mapeados estão voltados à gestão de resíduos, o que mostra que grande parte das greentechs estão de olho no “lixo” como negócio. E não é só no Mapa da Pipe Social que isso se comprova.
Este é o 3º ano que o Quintessa é o parceiro do Braskem Labs, o programa de inovação aberta da Braskem que faz parte da estratégia de Desenvolvimento Sustentável da empresa – acelerando startups que geram impacto socioambiental positivo na cadeia do plástico e da química. Procuramos por negócios com foco em agronegócio, biotecnologia, construção e infra, economia circular, embalagens, mobilidade e química sustentável. O Labs conta com duas turmas: o Ignition, para negócios em estágio de validação do modelo de negócio, e o Scale, para negócios onde o desafio é estruturar a gestão e impulsionar o crescimento.
Na edição deste ano recebemos aproximadamente 400 inscrições, sendo 25% dos negócios inscritos os de economia circular. Desses, menos da metade eram elegíveis para o programa do Scale, sendo direcionados para o Ignition, o que demonstra que, de fato, a maioria dos negócios desse setor está em estágio inicial de desenvolvimento.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) instituída em 2010 abriu uma série de oportunidades para empreendedores desenharem modelos de negócio que auxiliassem os geradores a cuidarem da destinação correta dos resíduos.
O que por um lado parece oportuno demais, por outro faz com que o mercado se torne bastante habitado por soluções similares, o que costumamos chamar de “oceano vermelho”. Buscar por diferencial competitivo nesses casos é a base para garantir um posicionamento sólido no mercado.
É interessante notar nas inscrições do Braskem Labs a quantidade de negócios focados em coleta e destinação correta de resíduos pós consumo por meio de benefícios para o consumidor final. Geralmente se configuram em modelos de recompensa para quem leva o seu resíduo separado (pet, vidro, alumínio etc) por meio de pontos ou outros benefícios. So+ma e Molecoola são dois ótimos exemplos que passaram no Braskem Labs em 2019 e 2020, respectivamente. Como eles, vários outros vêm surgindo.
Outro exemplo são as empresas de rastreabilidade da cadeia de resíduos, como a Plataforma Verde ou a Circular Brain. Aqui estamos falando de plataformas de logística reversa que permitem a integração de todos os players da cadeia, bem como monitoramento deles, promovendo um aumento da entrada de resíduos no ecossistema.
Com tantas soluções habitando esse mercado, a pergunta que fica é: como se diferenciar nesse mercado? Sabemos que ele está se desenvolvendo e que talvez essa resposta também esteja. Mas já dá para reconhecer algumas pistas. Destacamos aqui algumas delas.
Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Thaís Fontoura.
Está no ar o “Guia para inovar com impacto”, uma publicação do Quintessa que apresenta um passo a passo para criar programas de inovação aberta que gerem valor para o negócio e impacto socioambiental positivo.
Compartilhamos nossa metodologia para apoiar grandes empresas, institutos e fundações a avançarem nesta agenda, detalhando a abordagem dentro de três pilares: novos negócios, sustentabilidade e ESG, e filantropia corporativa e responsabilidade social.
A publicação tem patrocínio da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto.
ESG e investimentos de impacto têm ganhado espaço nos últimos anos e meses, mas apesar de terem um princípio em comum, é importante esclarecer que são conceitos distintos.
Os dois conceitos partem do mesmo princípio – de que não basta apenas gerar retorno financeiro, mas é preciso considerar o efeito gerado pelo investimento. Ambos estão dentro de uma camada mais ampla de investimentos responsáveis.
Diferenciando os dois conceitos
Os investimentos que levam em conta a análise dos fatores ESG têm um olhar mais focado no “como” a empresa opera, se tem práticas nos aspectos ambiental (E), social (S) e governança (G) que geram impacto positivo ou negativo.
Os investimentos de impacto tem foco no “por que” e “o que” a empresa faz, ou seja, se o seu core business (sua atividade principal) resolve desafios sociais e ambientais.
Enquanto investimentos ESG têm uma abordagem para identificar riscos não-financeiros que podem afetar o valor do ativo, sendo parte de um processo de análise, os investimentos de impacto dizem sobre o tipo de investimento que o(a) gestor(a) está buscando e sua intencionalidade.
Fazendo uma analogia simples: ao fazer um investimento ESG, eu posso aportar recursos em uma empresa que vende um iogurte comum, mas com práticas adequadas em termos sociais, ambientais e de governança – por exemplo, com uma correta destinação dos resíduos da produção e uma justa remuneração dos produtores de sua cadeia produtiva. Ao fazer um investimento de impacto, seria preciso escolher, por exemplo, uma empresa que tem foco em mudar o cenário de subnutrição, com um iogurte reforçado com vitaminas e um preço acessível à população que enfrenta a subnutrição – tendo em seu core business o foco em resolver um desafio social e ambiental.
Podemos dizer que o ESG é um “guarda-chuva” mais amplo.
O investimento com foco em ESG, além do retorno financeiro, busca também, em primeira instância, mitigar riscos ambientais, sociais e de governança para proteger valor, ou ainda, adotar práticas positivas nestes três âmbitos, para aumentar seu valor.
Os investimentos de impacto possuem um foco distinto, pois têm a intenção e o foco em soluções para os desafios sociais e ambientais, por meio das atividades core das empresas investidas.
Fonte da imagem: Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto – https://aliancapeloimpacto.org.br/
A expectativa de retorno sobre os investimentos de impacto varia bastante de acordo com o perfil dos investidores, e podem ser mais ou menos competitivas, como vemos nos três quadros da imagem acima.
Segundo o relatório ‘Investimento de Impacto na América Latina’, elaborado a cada dois anos pela Aspen Network of Development Entrepreneurs (Ande), dos 28 investidores respondentes, quase metade espera taxas alinhadas às de mercado, enquanto uma parcela menor aceita taxas um pouco inferiores. Os 11 investidores, que respondem por menos de US$ 100 milhões, fazem alocação com intenção de preservar capital.
Fonte da imagem: Aspen Network of Development Entrepreneurs (Ande) – Investimentos de Impacto na América Latina Tendências 2018 & 2019
O que são os investimentos ESG
Os investimentos ESG (ASG, em português) são aqueles que consideram os fatores ambientais, sociais e de governança na análise e no processo de tomada de decisão. Com uma análise mais ampla se comparada à dos investimentos tradicionais, é frequentemente utilizada como uma forma de se melhorar o desempenho financeiro.
Segundo o CFA Institute, cada letra refere-se a:
E – Ambiental (Environmental, em inglês) | Medida da conservação do mundo natural, que inclui os esforços relacionados às mudanças climáticas, emissões de gases de efeito estufa, poluição, biodiversidade, gestão de resíduos e efluentes, etc.
S – Social | Medida da consideração das pessoas e sua relação com a empresa, como satisfação do consumidor, engajamento dos funcionários, diversidade, relação com comunidades, proteção de dados, relações de trabalho, etc.
G – Governança | Medida dos padrões de gestão de uma empresa que tratam da composição do conselho de administração, estrutura dos comitês de auditoria e fiscal, processos para evitar corrupção, ouvidoria, etc.
O termo foi cunhado em 2005, no Estudo chamado “Quem se importa vence.” realizado pelo Pacto Global.
O ESG não é um produto ou classe de ativos, é um critério de análise e um novo olhar na decisão por um investimento.
Existe a separação em investimentos que são “mitigadores de risco”, impactando a análise e diligência na decisão de investimento, e outros que são focados em “oportunidades positivas”, buscando proativamente o progresso dentro dos três pilares.
Cada vez mais há dados que mostram que os investimentos focados em oportunidades de progresso são mais rentáveis a longo prazo, por correlações, por exemplo, entre a busca da redução das emissões de carbono e a redução de custos com energia, entre uma maior diversidade entre o time e uma maior produtividade, retenção e engajamento deste time, e mesmo entre uma maior geração de valor e fidelização dos clientes.
Cada vez mais vemos grandes empresas emitindo dívidas vinculadas a metas de descarbonização, com a identificação como ESG. São exemplos as captações da Sicredi e da Fazenda da Toca, e mesmo fundos que se identificam desta maneira, como o da Plural Asset. Ao mesmo tempo, é comum a discussão sobre a adequação ou não dessa identificação, como o caso da dívida emitida pela Via, o que convoca ao cuidado neste tipo de análise.
O que são os investimentos de impacto
Os investimentos de impacto são aqueles que têm a intencionalidade clara de gerar impacto social e/ou ambiental de forma mensurável, além do retorno financeiro (GIIN – Global Impact Investors Network).
O termo surgiu em 2010, no relatório do JP Morgan “Impact Investments: an emergent asset class”, que incluiu a lente dos impactos sociais e ambientais positivos além do retorno financeiro.
Os investimentos de impacto são então os investimentos feitos em negócios e soluções empreendedoras com intencionalidade clara de resolver um desafio social ou ambiental, como a melhoria da educação, acesso à saúde, gestão de resíduos, fontes de energia renovável, entre outros, ao mesmo tempo que geram retorno financeiro – os chamados negócios de impacto.
Os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), os quais estão por trás da Agenda 2030, são comumente usados como base para fundamentação sobre a relevância do desafio que se busca superar.
No conceito sistematizado pela Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, negócios de impacto são “empreendimentos que endereçam problemas socioambientais por meio de sua atividade principal e atuam de acordo com a lógica de mercado, com um modelo de negócio que busca retorno financeiro” e possuem essas quatro características principais:
– Intencionalidade de resolução de um problema social e/ou ambiental;
– Solução de impacto é a atividade principal do negócio;
– Busca de retorno financeiro, operando pela lógica de mercado;
– Compromisso com monitoramento do impacto gerado.
Pelo foco explícito na geração de impacto, muitas vezes os investidores se distanciam desses negócios por enxergá-los próximos ao terceiro setor e ações de filantropia. O que diferencia os negócios de impacto das ONGs é a busca de retorno financeiro e a geração de impacto atrelada à geração de receita pela venda de produtos e serviços, além da possibilidade de poderem distribuir dividendos, o que os torna capazes de oferecer retorno aos investidores com os mesmos parâmetros de mercado de startups tradicionais, por exemplo.
Qual o cenário dos investimentos de impacto no Brasil?
O GUIA 2.5, realizado pelo Quintessa, já mapeou 19 iniciativas de investimento em negócios de impacto no ecossistema brasileiro. Além das iniciativas que trabalham com a modalidade de investimento de risco (Venture Capital), temos também iniciativas de empréstimos com foco em impacto.
Fonte: guiadoisemeio.com.br
As organizações de desenvolvimento dos negócios, como aceleradoras e incubadoras, têm papel fundamental para desenvolver e preparar os negócios para crescer e estarem maduros para receber os investimentos de risco, qualificando esse pipeline.
Por outro lado, a participação da sociedade e a decisão “mais consciente” de onde alocar os seus recursos também está crescendo. Não é mais novidade a mudança na tomada de consciência das pessoas, especialmente as novas gerações, sobre as questões sociais e ambientais. Não só em busca de incentivar e consumir de empresas ‘responsáveis’, existe um crescente interesse em alinhar também seus investimentos a seus valores pessoais.
Em uma pesquisa de 2014, somente 47% das pessoas acima de 69 anos acreditavam que é possível obter retornos financeiros ao investir em negócios de impacto. Já para os millennials, esse número salta para 73% (US Trust Insights on Wealth and Worth, 2014).
O mercado já tem se movimentado para atender esse público, como a notícia recente da Fama Investimentos, que reduziu a aplicação mínima no fundo de ESG para mil reais. Segundo a gestora, a tese dialoga com o público mais jovem, com menor poder aquisitivo, mas que tem buscado esse alinhamento. Outro exemplo é a frente de empréstimo coletivo da Sitawi, com tíquetes iniciais acessíveis.
Temos observado o mesmo interesse por parte dos family offices. Existe cada vez mais o desejo de se alinhar e aplicar os valores da família nas suas decisões de investimento, deixando um legado mais consistente de seus recursos.
Para trazer uma ordem de grandeza, segundo o JP Morgan, os investimentos ESG ultrapassaram US$ 45 trilhões em 2020 (90% na Europa e Estados Unidos), enquanto isso, o relatório de 2019 da GIIN estimou que o mercado de investimentos de impacto está em US$ 502 bilhões. Debates e visões do mercado também são animadoras e otimistas quanto ao potencial de rentabilidade dos investimentos ESG e de impacto.
A tendência é de cada vez mais crescimento, visibilidade e capital para a solução dos nossos maiores desafios sociais e ambientais. Visto por muitos como a “nova moda”, nós acreditamos que ela não é passageira, e que no futuro próximo, o que é visto hoje como ‘investimento tradicional’ será visto como exceção.
Assim, é importante que você esteja preparado(a) para identificar, analisar e investir nestes diferentes tipos de investimento, os quais vemos como complementares.