Categoria: Textos

  • BNDES Garagem premia iniciativas de impacto no Demoday

    BNDES Garagem premia iniciativas de impacto no Demoday

    Mais de 300 pessoas se reuniram na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, para acompanhar o Demoday do programa de aceleração BNDES Garagem. O evento celebrou o encerramento do quarto ciclo da iniciativa, que recebeu mais de 1.800 inscrições e selecionou 100 negócios para uma jornada intensiva de desenvolvimento. Dez startups chegaram à etapa final e disputaram prêmios que somaram R$ 720 mil. Duas delas, ambas do setor de saúde e lideradas por mulheres, conquistaram o primeiro lugar em suas categorias. O encontro reuniu empreendedores, especialistas e representantes do banco em um ambiente de troca e celebração, reforçando a importância da inovação e do empreendedorismo social para o fortalecimento do ecossistema de impacto no Brasil.

    No módulo Criação, voltado a negócios em fase inicial, a vencedora foi a Orby.co, do Rio Grande do Norte, que desenvolve soluções de neuromodulação não invasiva para promover neuroplasticidade e aliviar dores crônicas. Já no módulo Tração, que apoia empresas em crescimento, o primeiro lugar ficou com a WeCare, de São Paulo, que une biodiversidade e biotecnologia para desenvolver produtos que reduzem lesões de pele e mucosas em pacientes oncológicos. Com a premiação, Orby.co recebeu aporte de R$80 mil e a WeCare de R$150 mil. 

    Além das vencedoras WeCare e Orby.co, outras oito startups também subiram ao palco para apresentar suas soluções: Oncodata, Ceres Seeding, LimbX e Leme, pela categoria criação, e IQX, Yattó, Prol Educa e TelaVita, em criação. As empresas foram escolhidas a partir de 50 negócios que avançaram para a fase 2 do programa.  Todos os finalistas receberam uma premiação em dinheiro. Em Criação, os valores ficaram entre R$30 mil e R$80mil e em Tração variaram de R$ 60 mil a R$ 150 mil. 

    O Demoday: mais do que pitchs, um espaço para diálogo 

    Além do pitch das dez finalistas, o Demoday contou com a participação de especialistas e representantes do BNDES para discussão da importância dos negócios de impacto. O diretor Financeiro do BNDES, Alexandre Abreu, subiu ao palco para destacar o compromisso da instituição com o apoio a startups e anunciou que a BNDESPAR, braço de participações acionárias da instituição, poderá se associar a negócios promissores através de fundos de investimento. “Queremos ser sócios de empresas que conhecemos bem e que têm um impacto positivo real”, explica. 

    Marcelo Marcolino, Superintendente de Mercado de Capitais do BNDES, falou sobre a retomada dos investimentos diretos, com um foco inicial no capital semente e a progressão para o private equity, até o capital aberto; e Alice Lopes, gerente do BNDES Garagem, celebrou a força da comunidade formada ao longo do programa. “Criamos uma rede com mais de 120 negócios conectados, gerando parcerias reais. Só neste ciclo, mais de 20 contratos foram fechados, movimentando R$21 milhões”, destacou.

    Impacto e biodiversidade: a COP 30 no horizonte

    O painel COP 30 e a Economia de Impacto: por que o futuro sustentável começa agora?” reuniu especialistas e empreendedores para debater o papel dos negócios na construção de soluções sustentáveis. Pedro Iootty, assessor sênior do BNDES, relembrou a trajetória do BNDES Garagem na promoção de soluções ambientais. Já Nabil Kadri, superintendente de Meio Ambiente, defendeu a valorização da biodiversidade como motor de desenvolvimento inclusivo.

    Participaram do painel as empreendedoras Sonia Abreu, da Uirapuru, e Ana Lídia Ribeiro, da Melipona — ambas integrantes do portfólio do BNDES Garagem e atuantes na Amazônia. Engenheira florestal de formação, Sonia apresentou a plataforma de inteligência que coleta e automatiza dados de análise fundiária, ambiental e social, desenvolvida pela Uirapuru. A ferramenta  auxilia na regularização da propriedade e facilita o acesso de pequenos produtores a projetos socioambientais. Já Ana Lídia apresentou resultados da Melipona, startup que já expandiu a produção de mel e hidromel fermentado para sete países, beneficiando mais de 300 famílias. As empreendedoras acreditam que o maior desafio enfrentado pelos negócios de impacto da região, atualmente, não é a falta de créditos, mas sim a distância entre os recursos financeiros e os benefícios para a população local.

    O PROGRAMA:

    Com gestão do Quintessaa, o BNDES Garagem é uma iniciativa de fomento a negócios de impacto social e ambiental. Nesta edição, foram mais de 112 horas de mentorias coletivas e 400 horas de acompanhamento individualizado. A diversidade foi um dos marcos do programa: 42% das startups vêm das regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste; 61% são lideradas por mulheres e 47% por pessoas negras ou pardas. “Criamos um ambiente transformador onde a gente desenvolve, potencializa e escala soluções”, comentou Maércio Diogo, coordenador do programa e sócio do Quintessa. A expectativa é que, até 2028, 400 negócios sejam acelerados, com acesso a uma jornada contínua de desenvolvimento e conexões com potenciais parceiros, clientes e investidores. 

    Conheça as finalistas de cada módulo do BNDES Garagem 2024:

    Criação:

    Orby – RN (Temática: Saúde): solução de neuromodulação não invasiva que promove a neuroplasticidade, facilitando a recuperação funcional dos pacientes e fornecendo alívio efetivo da dor.

    Oncodata – SP (Temática: Saúde): plataforma de patologia digital que utiliza ferramentas de IA para auxiliar patologistas na análise de lâminas para diagnósticos oncológicos mais precisos e consistentes. 

    Ceres Seeding – MG (Temática: Economia Verde e Descarbonização): a empresa utiliza tecnologia de visão computacional e drones para oferecer serviços de restauração ecológica, do estágio pré-plantio até o monitoramento pós-plantio. 

    Limbx – RS (Temática: Saúde): oferece próteses biônicas impressas em 3D, acessíveis e funcionais, que utilizam tecnologia de estimulação muscular para possibilitar movimentos precisos, como abrir e fechar as mãos, realizar pinça e apontar. 

    Leme – SP (Temática: Educação): apoia escolas e gestores na redução das desigualdades educacionais a partir da análise de indicadores de aprendizagem por recorte de raça, gênero e nível socioeconômico. 

    Tração:

    WeCare – SP (Temática: Saúde): combina a biodiversidade brasileira com a biotecnologia para produzir compostos e formulações que reduzem lesões de pele e mucosa durante o tratamento oncológico. 

    IQX – SP (Temática: Economia Verde e Descarbonização): aditivos químicos para indústrias que lidam com materiais difíceis de reciclar, com soluções que promovem a economia circular e a gestão sustentável de resíduos.

    Yattó – SP (Temática: Economia Verde e Descarbonização): soluções de economia circular que transformam resíduos em novos produtos e gerenciamento de programas de logística reversa.

    Prol Educa – PE (Temática: Economia da Periferia e Educação): facilita o acesso de famílias periféricas a escolas particulares por meio de uma plataforma que oferece vagas ociosas com bolsas de até 80% de desconto. 

    TelaVita – SP (Temática: Saúde): solução de saúde emocional com metodologia de mapeamento populacional e oferta de jornada personalizada de cuidado e consultas online.

  • Inteligência Artificial Generativa e novas formas de fazer negócio

    Inteligência Artificial Generativa e novas formas de fazer negócio

    Inteligência Artificial Generativa: o que é e como ajuda meu negócio?

    A inteligência artificial (IA) pode parecer um conceito futurista, mas a verdade é que ela já existe há décadas, o que testemunhamos recentemente foi a sua popularização. Nos últimos anos chatbots de atendimento ao cliente emergiram como uma nova ferramenta de customer experience que diminuiria o tempo para resolução de problemas, antes restritos aos tradicionais “FAQ”, em paralelo, ferramentas de correção ortográfica e tradução já eram corriqueiras em aplicativos de textos e mensagens. 

    Recentemente, fomos testemunhas de um advento que atingiu outro patamar no que diz respeito ao uso de Inteligência Artificial, o marco da Inteligência Artificial Generativa (IA Gen): essa, ao invés de apenas obedecer comandos e fornecer respostas pré estabelecidas, é capaz também de gerar respostas inéditas a partir do cruzamento de grandes volumes de dados, entregando soluções personalizadas com uma infinidade de versões. A inteligência artificial, até então majoritariamente responsiva, passa a ocupar um papel propositivo ao oferecer, com uma agilidade nunca antes vista, soluções para questões complexas no dia a dia dos seres humanos – o avanço da computação em nuvem e o acesso a grandes volumes de dados impulsionaram essa evolução, permitindo o uso da IA como uma ferramenta estratégica. Um dos resultados? Escalabilidade como nunca antes vista, gerando mais eficiência e inovação.

    Aliado a esse imenso, e ainda inexplorado novo universo entregue pelo avanço tecnológico, está o Machine Learning, ou, em tradução livre, Aprendizado de Máquina: que nada mais é do que a capacidade das ferramentas de IA evoluírem sua acuracidade conforme são utilizadas. 

    Sendo assim, quanto mais dados forem consumidos pela IA Generativa (RLHF), mais “repertório” de respostas ela terá – e, quanto mais essa inteligência é alimentada com bons dados de uma determinada organização, melhores serão as soluções personalizadas criadas considerando o contexto desta empresa. 

    A nível mercadológico, a IA Gen é capaz de automatizar processos, personalizar experiências e gerar insights valiosos. Para startups em especial, a IA não é apenas um diferencial – é um motor de crescimento. As ferramentas de machine learning ajudam a tomar decisões mais rápidas e precisas, enquanto modelos de linguagem natural (NLP) tornam a geração de conteúdo aos clientes mais fluida. Além disso, a possibilidade de se obter uma personalização massiva, entregando soluções customizadas para cada usuário com base no seu comportamento, gera força competitiva e torna produtos e serviços mais atrativos para seus clientes em potencial. 

    Um olhar crítico e diverso:

    As tecnologias geralmente se popularizam carregadas de entusiasmo, não poderia ser diferente com a Inteligência Artificial Generativa. Da mesma forma que o uso da internet e do computador doméstico, na década de 90, eletrizou a humanidade com a possibilidade de se conectar com o mundo, também trouxe desafios que permearam boa parte dos anos 2000 e 2010: falta de letramento digital para uso das novas máquinas, adequação a normas, sigilo de conteúdo e exclusão no mercado de trabalho, sobretudo das populações mais velhas e vulneráveis, que não acompanharam a velocidade dos gigabytes e viram algumas de suas habilidades ficarem obsoletas. 

    É ilusório acreditar que essas novas inovações são acessadas de maneira justa  por todos os grupos sociais, seja a nível educacional, mercadológico ou profissionalizante. Antes de impulsionar soluções de IA Generativa no seu negócio é importante questionar: além da sua equipe interna, seus consumidores estão prontos para lidar com produtos e serviços que abarcam essa tecnologia? Como os modelos de linguagem podem atuar para criar apps, páginas e interfaces mais acessíveis para pessoas com baixa visão, por exemplo? Essa perspectiva é fundamental para que essa inteligência seja mola propulsora de mudanças que promovam a inclusão, e não a construção de novas barreiras. 

    Ao mesmo tempo, sob um olhar macro, também é importante que empreendedores redobrem seu cuidado com gestão, manipulação e proteção de dados – diminuindo os riscos regulatórios. Garantir que os dados armazenados pela sua empresa respeitem leis como a mais recente LGPD, e outras legislações nacionais e internacionais. 

    Cases de Sucesso: organizações que já fazem isso:

    Quando olhamos para tecnologia aliada a negócios de impacto socioambiental, estamos falando de um poder multiplicador de soluções comprometidos em transformar o país. Isto é, maior número de beneficiários sem perder humanidade, análises preditivas direcionando esforços para onde realmente fazem a diferença, inteligência de dados e mensuração de impacto encaminham para que os resultados sejam não apenas escaláveis, mas também custo-efetivos para a economia, sociedade e o meio ambiente.

    Algumas startups brasileiras já estão surfando nessa onda com maestria e foram aceleradas pelo Quintessa na escala de suas soluções:

    A Árvore aposta na IA para recomendar livros personalizados para cada aluno, promovendo uma educação mais envolvente e eficaz, ajudando escolas públicas a melhorar o engajamento dos estudantes na leitura.

    “A Árvore utiliza inteligência artificial para construir uma educação inovadora. Com apoio da IA, nossa plataforma simplifica o trabalho dos educadores através de uma tutoria lúdica e personalizada oferecida aos estudantes no Criar. No Ler,  alunos realizam testes de fluência leitora e recebem  recomendações de livros de forma inteligente, desenvolvendo o gosto pela leitura. E vem muito mais por aí! A Árvore lidera esse movimento visando enriquecer e melhorar cada vez mais a experiência dos estudantes.” – João Leal, Founder da Árvore.

    A Barkus, por exemplo, usa IA para personalizar a educação financeira, ajudando jovens e adultos das classes CDE a tomarem decisões mais inteligentes sobre dinheiro com recomendações personalizadas baseadas em seu perfil. Já a Handtalk, referência em acessibilidade, utiliza IA para traduzir conteúdos automaticamente para Língua de Sinais, tornando a comunicação mais inclusiva para milhões de pessoas surdas. 

    No Quintessa acreditamos que tecnologia e impacto devem caminhar juntos. Com aIA Generativa cada vez mais acessível, tecnologia de ponta com propósito, conseguimos fortalecer negócios que realmente fazem a diferença e promovem mudanças estruturais na sociedade.

  • O valor da Bioeconomia para uma Economia de Impacto

    O valor da Bioeconomia para uma Economia de Impacto

    A bioeconomia é assunto do dia no debate sobre sustentabilidade e mitigação das mudanças climáticas. O Brasil deu a largada na discussão para regulamentação da atividade: recentemente foi criada a Estratégia Nacional de Bioeconomia, iniciativa do governo federal para implementação de políticas públicas para o desenvolvimento do setor. No último G-20, realizado em nov/2024 no Rio de Janeiro, líderes globais reconheceram pela primeira vez a importância desse paradigma produtivo para o crescimento inclusivo e definiram os princípios norteadores do setor em um documento que já é considerado histórico.  

    Motivos não faltam para celebrar: atualmente, a bioeconomia é apontada como uma das soluções às crises climática e ambiental, e peça-chave para uma economia de baixo carbono. Estima-se que a atividade tenha potencial para chegar a 2050 movimentando US$30 trilhões em negócios em todo o planeta. Se considerado apenas o Brasil, a implementação de tecnologias ligadas à bioeconomia tem potencial para injetar US$592,6 bilhões em recursos para o setor até 2050, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bioinovação. O estudo aponta ainda que, em termos ambientais, o incremento da bioeconomia pode auxiliar na redução dos gases do efeito estufa em 28,9 milhões em 30 anos – o equivalente a 65% das emissões do país.  

    Para tangibilizar, as mudanças no uso da terra representam a maior parte das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. De acordo com dados mais recentes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), 38% das emissões líquidas brasileiras vêm do setor de Uso da Terra, Mudança de Uso da Terra e Florestas (LULUCF, na sigla em inglês). Por isso, políticas de preservação florestal são cruciais para que o país atinja suas metas climáticas, segundo dados da 6ª edição das Estimativas Anuais de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Brasil.  

    O avanço da fronteira agrícola é um dos fatores responsáveis pelos índices crescentes de desmatamento no país. Mais de 100 milhões de hectares de vegetação nativa localizadas em propriedades rurais em todo o país são passíveis de conversão para atividades antrópicas. O desmatamento contribui para a perda de biodiversidade e de serviços ecossistêmicos, além de aumentar as emissões de gases de efeito estufa, agravando as mudanças climáticas.

    O aumento da população mundial e o risco das emergências climáticas impõem um desafio à agricultura: segundo dados da ONU, elevar a oferta de alimentos em 50% até 2050 aumentando a eficiência na utilização dos recursos naturais é o passo mais importante para atingir os objetivos ambientais e de produção alimentar, garantindo a conservação da vegetação nativa e a manutenção da biodiversidade.

    Investimentos em sistemas alimentares que promovam a inclusão social, a segurança alimentar e a redução das emissões de GEE são condições essenciais para uma transição verde no país. Projetos que promovam a restauração de ecossistemas e a conservação da floresta em pé, e mecanismos financeiros que fomentem a bioeconomia, o incremento da captura de carbono e o aumento da biodiversidade são fundamentais para o desenvolvimento socioambiental sustentável.

    Neste cenário, a bioeconomia é uma ferramenta estratégica para a construção de um modelo de produção pautado em recursos biológicos, gerando benefícios econômicos, ambientais e sociais para a sociedade. Ao promover o uso de recursos renováveis, a bioeconomia contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para a preservação da biodiversidade. Na pauta social, a bioeconomia promove a inclusão das comunidades quilombolas e ameríndias na cadeia produtiva, alavancando a economia e a cultura locais. 

    A amplitude do conceito é proporcional aos desafios e oportunidades na construção de soluções para a promoção da biodiversidade. Em qualquer uma das áreas de aplicação, a bioeconomia requer investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o fomento a soluções sistêmicas, a criação de políticas públicas capazes de regulamentar o mercado, viabilizando o crescimento econômico aliado à conservação da biodiversidade.  

    Se no setor público o Brasil se esforça para assumir a liderança da pauta com a construção dos dez princípios de alto nível sobre bioeconomia e a construção do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, na iniciativa privada o desafio climático pode ser revertido em oportunidade de negócios com investimentos integrados em serviços e soluções que façam do capital natural um valioso ativo ambiental. 

    Com alto potencial  inovador, a bioeconomia pode  estimular a adoção de soluções de inovação advindas da ciência e da tecnologia, como biotecnologia, inteligência artificial e blockchain, movimentando a indústria e gerando novas oportunidades de emprego e negócios. Nesse sentido, as startups possuem uma oportunidade única de criar negócios disruptivos e de impacto positivo para a sociedade e para o meio ambiente. 

    O mercado mundial de green techs, startups com foco em soluções sustentáveis, pode chegar a US$74,64 bilhões até 2030, crescimento de sete vezes em uma década (Relatório da Allied Market).  O potencial de novos negócios é proporcional às reservas naturais contidas no território. Só na Amazônia, região de maior biodiversidade do mundo, estima-se que  a economia verde, ou de baixo carbono, dê um salto e amplie de forma exponencial a participação da região no Produto Interno Bruto, que hoje é de apenas 8%. 

    No entanto, a região Amazônica responde por 5% do mercado de startups do país, segundo o Mapa de Negócios de Impacto, estudo realizado pelo Quintessa e Pipe. Esse cenário evidencia o grande potencial ainda a ser explorado para consolidar a bioeconomia como pilar de uma economia verde e sustentável. E ainda há de se considerar o desafio de descentralizar a pauta para que não fique apenas entorno da Amazônia e se dê valor a tantos outros riquíssimos biomas brasileiros, como a Caatinga e o Cerrado.

    Portfólio para Bioeconomia

    A bioeconomia é um dos enfoques estratégicos do Quintessa, pelo qual atuamos através da seleção e aceleração de empreendimentos que trabalham na pauta, bem como do engajamento e fomento para que grandes empresas estimulem a demanda para o setor incorporando produtos da sociobiodiversidade em sua cadeia de suprimentos – atuando como offtakers. 

    Estudo recente publicado em setembro de 2024 pela Climate Policy Initiative aponta que, no Brasil, a bioeconomia recebeu mais de R$16,6 bilhões/ano em recursos financeiros no período de 2021 a 2023. Desse total, o setor privado foi a principal fonte de financiamento, com R$9,43 bilhões aportados por grandes corporações e pouco mais de R$2 bilhões provenientes de instituições financeiras – representando 69% do total de recursos disponíveis no país. O setor público contribuiu com R$3,32 bilhões, considerando investimentos do governo federal, dos governos estaduais e do BNDES.

    Acreditamos que a bioeconomia é um importante vetor da economia de impacto, com potencial para gerar um faturamento industrial adicional de US$284 bilhões até 2050, segundo projeções da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI). Para transformar esse potencial em realidade, articulamos programas,  recursos e parcerias estratégicas entre setor privado, startups e múltiplos atores. 

    Ao longo dos últimos 5 anos, construímos um robusto portfólio de projetos de aceleração que contribuem para a bioeconomia e a pauta de mudanças climáticas. Em 2022, apoiamos a construção da tese de atuação da Plataforma Parceiros da Amazônia (PPA) com a definição de teses temáticas, dentre elas a bioeconomia, e o mapeamento de iniciativas que apoiam organizações de impacto atuantes no bioma amazônico.  

    Pela terceira vez consecutiva,  desde 2022, somos os executores do programa  100+ Labs Brasil, uma iniciativa de inovação aberta com impacto da Ambev. Na edição 2023-2024, o programa foi correalizado pela PPA e USAID, com um foco especial na biodiversidade amazônica. Sete startups implementaram projetos-piloto com a Ambev, entre elas a Apoena, que utilizou aditivo de coco babaçu para a redução de consumo de combustível em veículos da frota da empresa, em São Luís, no Maranhão, com redução de até 8% no consumo de combustível e, portanto, das emissões

    No mesmo período, fomos parceiros do Fundo Vale no Desafio Floresta e Clima, colaborando com as definições estratégicas de tema, e aceleração de cinco iniciativas com potencial para resolver desafios do ecossistema de carbono florestal na Amazônia. 

    E, em 2023, em parceria com PPA, WWF e WRI, executamos a Aceleradora de Negócios Florestais, em que aceleramos 20 negócios florestais da cadeia de restauração e agrofloresta na Mata Atlântica e selecionamos cinco soluções para mentoria e acompanhamento em campo. A proposta foi construir uma trilha de conhecimento e capacitação de ações de restauração para empreendedores do bioma.  

    Atualmente, atuamos em parceria com o BNDES na realização de um dos maiores programas para negócios de impacto do Brasil, o BNDES Garagem. De 2024 a 2028, a proposta é acelerar 400 negócios em múltiplas áreas do desenvolvimento socioambiental do país, entre elas economia verde e descarbonização – tema de 50% das soluções inscritas no primeiro ciclo do programa.  

    Frente ao tamanho do desafio e potencial da pauta, há espaço para que diversas soluções sejam desenvolvidas. Além do Quintessa, diversas outras iniciativas se dedicam há anos. Algumas delas você pode conhecer neste mapeamento de organizações que apoiam negócios de impacto na Amazônia, recorte correlato ao que tratamos neste artigo.  

    E sua organização, como está se preparando para trabalhar com este importante segmento da economia brasileira?. 

  • Primeiro encontro presencial do BNDES Garagem 2024 promove intercâmbio, mentorias e parcerias estratégicas para fortalecer negócios de impacto

    Primeiro encontro presencial do BNDES Garagem 2024 promove intercâmbio, mentorias e parcerias estratégicas para fortalecer negócios de impacto

    O primeiro encontro presencial do BNDES Garagem 2024 chegou ao fim, deixando um saldo valioso de aprendizados e conexões. Entre os dias 28 e 30 de janeiro, startups e representantes dos setores público e privado participaram de três dias intensos de intercâmbio e palestras, além de uma agenda dinâmica repleta de mentorias, speed meetings e atividades interativas. O evento reuniu mais de 90 representantes dos 50 negócios selecionados para a fase 2 do programa na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, impulsionando conexões entre empreendedores, parceiros e possíveis clientes do ecossistema de impacto. 

    O encontro começou com uma visão 360º do ecossistema de inovação aberta, sob a perspectiva do setor público. O superintendente de Mercado de Capitais do BNDES, Marcelo Marcolino, deu as boas-vindas aos empreendedores, destacando a relevância dos negócios de impacto para a instituição. “A pauta ESG sempre esteve no DNA do banco. Sempre nos preocupamos com a pauta ambiental, sempre promovemos a pauta social e de governança”, afirmou. 

    No mesmo dia, Lucas Ramalho, diretor de Novas Economias no Ministério da Indústria e Comércio do governo federal, ressaltou o papel da Estratégia Nacional de Economia de Impacto (Enimpacto) e a importância do empreendedorismo para a geração de renda e emprego, elementos essenciais para a transformação do país. “O Brasil tem que se posicionar como um bioestado, com uma economia pautada pelos biocombustíveis, bioativos e bioinsumos, assumindo a liderança das pautas ambiental e climática”, afirmou.

    Na quarta-feira, 29, os empreendedores tiveram a  oportunidade  de fazer conexão com outros negócios, além de interagir com gestores da iniciativa privada e representantes de institutos e fundações. Pela manhã, uma série de painéis setoriais conduzidos por especialistas ofereceu uma visão abrangente sobre desafios e oportunidades nas áreas de saúde, educação, meio ambiente e descarbonização, sempre com foco em impacto. À tarde, uma rodada de encontros individuais reuniu empreendedores e representantes de mais de 20 empresas e instituições em speed meetings, criando um ambiente propício para diálogos estratégicos e novas oportunidades de negócios.

    Foco de atuação da maioria dos negócios selecionados para o ciclo 2024, a pauta ambiental foi um dos temas em destaque no evento presencial. Em um dos painéis setoriais, representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMADC), da Climate Ventures e da Embrapa apresentaram alguns dos assuntos em pauta na esfera federal, como o desenvolvimento de taxonomias para a definição de parâmetros de sustentabilidade e de critérios para acesso ao crédito rural, e a Estratégia Nacional de Bioeconomia, decreto que irá viabilizar a regulamentação dos pagamentos por serviços ambientais. Ambas as iniciativas têm o potencial de transformar desafios ambientais em novas oportunidades de negócios sustentáveis para os empreendedores de impacto.  

    As apresentações temáticas foram intercaladas com dinâmicas de grupo e sessões individuais, permitindo que cada startup recebesse apoio personalizado em sua jornada de aceleração. “Durante esse processo, buscamos criar conexões estratégicas para que os empreendedores possam refinar seus produtos e serviços, ampliando suas oportunidades de negociação com grandes empresas e o setor público. Nosso objetivo é que esses negócios cresçam e prosperem”, destaca Anna de Souza Aranha, co-CEO da Quintessa.

    No último dia do evento, os empreendedores participaram de duas apresentações sobre diversidade e inclusão, onde conheceram as inspiradoras trajetórias de duas mulheres negras que transformaram desafios em oportunidades de impacto. Priscila Salgado, co-criadora e líder de diversos programas pioneiros de inclusão, equidade e igualdade racial em diversas empresas do país, como Magalu e 99Jobs. Já Dione Assis, advogada especializada em reestruturação empresarial, fundou a Black Sisters in Law, uma rede com mais de cinco mil profissionais negras que oferece serviços jurídicos de alto impacto para grandes corporações. “Uma mulher negra que se movimenta, é uma casa inteira que se movimenta e se transforma”, conclui Dione.

    Vindos de todas as regiões do país, os empreendedores celebraram a diversidade e a qualidade dos encontros realizados ao longo dos três dias de evento. Para Lucas Arthur, representante da Telavita – startup que desenvolve uma ferramenta de autoavaliação da saúde emocional e oferece uma jornada de cuidado –, o encontro foi uma oportunidade única para ampliar conexões e enriquecer estratégias. “Foram dias super ricos de conexão, troca de informação, muito enriquecimento da nossa estratégia. Estou muito  feliz de participar do programa e muito empolgado com o que vem pela frente, na segunda fase do BNDES Garagem”, afirma Lucas Arthur, líder do negócio.

    Sobre o programa: 

    O BNDES Garagem é o programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que fomenta as bases de desenvolvimento sustentável de negócios de impacto ao apoiar ações empreendedoras em todo o Brasil.

    Na segunda fase da edição 2024 do programa, os 50 negócios selecionados – 25 de criação e 25 de tração – receberão acompanhamento individual e acesso a especialistas e suporte da equipe da aceleradora para destravar desafios para aprimoramento do negócio. 

    Até abril, acontecerão uma série de workshops, acompanhamentos individuais, rodadas de negócio com o mercado, mediadas pelo programa, e encontros, presenciais e remotos, para apoio no desenvolvimento das estratégias do seu negócio. 

    Ao final do ciclo, dez startups que se destacarem participarão do Demoday e concorrerão a prêmios. 

  • Pensamento Sistêmico: do conceito à prática

    Pensamento Sistêmico: do conceito à prática

    Por Heloisa G. Salgado e Paula Cayoni com contribuições de Vinicius Picanço

    Desafios como pobreza, educação ou mudanças climáticas envolvem sistemas dinâmicos e complexos que resistem a soluções tradicionais. Muitos projetos socioambientais enfrentam dificuldades para gerar impacto sustentável porque tratam os sintomas — os “eventos observáveis” na superfície — sem considerar os padrões, estruturas e modelos mentais mais profundos que alimentam esses problemas.

    Imagine um iceberg. A ponta que emerge da água representa os eventos observáveis, como altos índices de evasão escolar ou baixa renda per capita. Esses eventos são resultados diretos de padrões subjacentes — tendências de longo prazo que perpetuam o problema. Ainda mais abaixo, encontramos as estruturas (normas, políticas e recursos) e, no fundo, os modelos mentais — crenças e valores que sustentam o sistema.

    Essa metáfora explica por que intervenções tradicionais muitas vezes não resultam em transformação estruturante: elas lidam com a ponta do iceberg. Por exemplo, oferecer capacitações desconectadas da realidade de mercado local pode gerar empregos temporários, mas não resolve os desafios estruturais ou culturais que dificultam a empregabilidade no longo prazo, ou eventualmente gerar excesso de oferta incompatível com demandas produtivas.

    Fonte: Modelo Iceberg de Inovação Social | Otto Scharmer

    Modelo Iceberg de Inovação Social | Otto Scharmer

    Além disso, se não visualizarmos o todo para tomar uma decisão – ela pode desencadear efeitos imprevistos ou indesejados.

    Fonte: STERMAN, John. MIT System Dynamics.

    E por que isso acontece? Os incentivos geralmente recompensam resultados de curto prazo. Quando algo dá errado, tendemos a culpar as externalidades, ignorando que o verdadeiro problema está na falta de compreensão ou consideração do sistema como um todo.

    Para lidar com problemas complexos, é essencial mudar o modelo mental e adotar uma perspectiva de longo prazo. Diferentemente de desafios lineares, esses problemas não seguem um padrão de começo, meio e fim. A abordagem requer ação estratégica em pontos de acupuntura, onde o impacto pode ser amplificado.

    Como bem destacou Annie Duke: “I can’t know what decisions to make only because I know where I want to be, I need to know where I am now” – “(Não posso tomar decisões apenas sabendo onde quero chegar; é crucial entender onde estou agora)” – na tradução livre para o português. 

    Instrumento e ferramentas que apoiam o pensamento sistêmico: 

    Existem diversas abordagens de Pensamento Sistêmico aplicadas ao impacto. Darius Pollok, do International Alumni Center (IAC) de Berlim, adota uma perspectiva voltada à formação de redes catalíticas. Já o Skoll Centre, em Oxford, categoriza diferentes formas de intervenção sistêmica, como: Empower Changemakers, Scaling Up, Coordinating Actors, Exploring and Experimenting e Scaling Deep

    No Quintessa, adotamos a linha de Dinâmicas de Sistemas do MIT, capitaneado pelo Jay Forrester, pelo John Sterman e bem disseminado por Donella Meadows, em seu livro “Pensando em Sistemas”. O livro traz um detalhamento de “Pontos de Alavancagem: locais estratégicos para intervir em um sistema” ferramenta que ajuda a identificar onde e como intervir em um sistema para atingir resultados desejados. Assim como no modelo do Iceberg, ela revela camadas mais profundas do sistema — porém, com uma abordagem mais técnica e orientada à ação.

    Os Pontos de Alavancagem variam desde elementos mais simples, como números e parâmetros (subsídios, impostos, padrões), até intervenções profundas, como alterar o paradigma e modelos mentais de um sistema. A escolha do ponto de intervenção influencia diretamente o tipo de resultado esperado, sendo que os pontos mais profundos têm um impacto mais transformador. 

    Adaptação do livro “Pensando em Sistemas”, Donella Meadows.

    A metodologia de Dinâmica de Sistemas foi desenvolvida pelo MIT, com foco no Causal Loop Diagram (CLD). Esse tipo de diagrama possibilita mapear como diferentes variáveis interagem dentro de um sistema, identificando ciclos de retroalimentação que podem amplificar ou mitigar problemas.

    Fonte: FourWeekMBA plataforma especializada em modelos de negócios, estratégias de crescimento e conceitos de economia.

    Por exemplo, no contexto de inclusão socioprodutiva, um CLD pode mostrar como o baixo acesso a crédito impacta a produtividade de pequenos empreendedores, criando um ciclo  de exclusão econômica. 

    O vídeo The Systems Approach Explained, produzido pela Descola, usa uma metáfora poderosa para ilustrar a importância de adotar uma visão sistêmica. Ele compara a situação de um grupo de pessoas cegas tentando descrever um elefante: cada uma toca apenas uma parte — como a tromba, as patas ou a cauda — e, com base nisso, acredita entender o animal como um todo. Porém, apenas ao unir todas essas percepções é possível compreender a verdadeira natureza do elefante.

    Essa metáfora destaca que, ao focarmos em partes isoladas de um problema ou sistema, perdemos a visão completa e integrada. Aplicada ao contexto de negócios ou resolução de problemas complexos, o recado é bastante importante: é essencial considerar as interconexões e a totalidade dos elementos envolvidos para gerar soluções mais eficazes e sustentáveis.


    A abordagem sistêmica na prática: 

    Entre 2021 e 2023, o Quintessa trabalhou com sete secretarias municipais de educação atuando diretamente nas defasagens geradas pela pandemia nas matérias de Matemática e Português no ensino público. O programa integrou diagnósticos detalhados de educação, reuniu e contou com a colaboração de multi-stakeholder, além de contar com tecnologias educacionais para enfrentar os desafios da defasagem de aprendizagem.

    O Modelo Pedagógico foi desenhado para abordar as lacunas de aprendizagem de maneira holística e centrada no estudante. Ele orientou práticas pedagógicas ao longo de oito eixos sistêmicos, como:

    • Uso de avaliações diagnósticas para identificar as necessidades dos estudantes e adaptar intervenções.
    • Adequação curricular com foco nas prioridades de aprendizagem.
    • Formações contínuas para professores e gestores, promovendo uma pedagogia colaborativa e contextualizada.

    O programa reuniu secretarias de educação, organizações formadoras, implementadoras e startups educacionais (edtechs). Cada ator teve um papel específico:

    • Edtechs: Ofereceram soluções tecnológicas como plataformas de aprendizagem gamificada e gestão de dados educacionais.
    • Organizações formadoras: Capacitaram professores e gestores para implementar práticas inovadoras.
    • Secretarias de educação: Participaram ativamente do planejamento e adaptação das soluções às realidades locais.

    Um dos grandes diferenciais foi o uso pioneiro do Marco Legal das Startups (MLS) no setor público educacional. Essa ferramenta permitiu que secretarias testassem tecnologias educacionais antes da contratação definitiva. Por exemplo:

    • A plataforma Jovens Gênios foi integrada como ferramenta de gamificação para matemática, alcançando picos de 90% de engajamento dos estudantes em Domingos Mourão (PI).

    O programa incluiu trilhas formativas intensivas para educadores e gestores, com destaque para:

    • Comunidades de prática, onde professores e gestores trocavam experiências e aprendizados.
    • Treinamentos para uso de dados e tecnologias educacionais, garantindo autonomia para continuidade das ações.

    Diferente de programas focados em contraturnos ou ações pontuais, o impulsiONar operou no turno regular das aulas. Isso garantiu que as mudanças atingissem todos os estudantes e se integrassem ao cotidiano escolar.

    O impacto foi mensurado em várias dimensões:

    • Acadêmico: Um avanço médio de 5,5 pontos em Matemática e 0,6 em Língua Portuguesa no SAEB.
    • Gestão educacional: 83% dos gestores declararam intenção de manter as práticas do programa.
    • Tecnológico: Edtechs como Portabilis e Aprimora foram fortalecidas, e novas ferramentas surgiram a partir do programa. 

    A integração de tecnologia, formação continuada, adaptação local e articulação multissetorial foi a chave para o sucesso do impulsiONar, que se destaca como um exemplo prático de como intervenções sistêmicas podem transformar a educação pública.  E ilustra o Quintessa desenvolve uma visão integrada dos sistemas, identificando alavancas críticas e interdependências que ajudam a transformar o sistema de forma contínua e duradoura.

    Articulação multissetorial e estrutura de governança coordenada pelo Quintessa no impulsiONar.

    “Muitas vezes, buscamos explicações exógenas para os problemas e fenômenos que enfrentamos, especialmente aqueles que desafiam o nosso entendimento e cujas tentativas de solução fracassaram no passado. Quando passamos a ter um olhar orientado aos sistemas, buscamos explicações dentro do sistema, pois entendemos que a estrutura de um sistema – suas partes e as relações entre essas partes – determinam os possíveis comportamentos desse sistema, tanto os desejáveis quanto os indesejáveis. Aos indesejáveis, damos o nome de problemas. Daí a necessidade de termos um olhar sistêmico para gerenciar problemas complexos, típicos de sistemas humanos e socioecológicos.

    O impulsiONar é definitivamente um grande exemplo de como devemos buscar respostas e alavancas nos mecanismos do sistema: as práticas educacionais, os processos, os marcos e aspectos regulatórios, os stakeholders e o espaço de governança no qual o fenômeno se desenrola. Resolver a defasagem em disciplinas básicas do ensino público brasileiro é um problema complexo que precisa ser compreendido no detalhe e governado ao longo do tempo”. Vinicius Picanço | Professor assistente do Insper e Honorary Research Fellow na University of Strathclyde (Reino Unido), membro do Conselho do The Good Food Institute e pesquisador afiliado do Food and Retail Operations Lab (FaROL) no MIT.


    A abordagem sistêmica nos desafia a abandonar soluções lineares e pensar de forma integrada. Ela nos lembra que nenhum ator isolado — seja uma organização, governo ou empresa — consegue transformar realidades complexas sozinho. É por isso que, no Quintessa, nosso trabalho não termina com a implementação de um projeto: buscamos deixar um legado de transformação contínua e colaborativa.

    Os mais de 500 empreendedores de impacto que já aceleramos, com uma taxa de sobrevivência de 93%, refletem o poder dessa visão. Acreditamos que, ao enxergar o todo e agir com estratégia, podemos enfrentar até os desafios mais complexos de forma eficaz e duradoura.

    A solução para problemas complexos não está em programas fragmentados ou ações de curto prazo, mas em intervenções que enxergam o todo e trabalham para transformar sistemas inteiros. Seja na educação, na inclusão socioprodutiva ou em qualquer outro campo, é possível gerar impactos reais e sustentáveis ao focar no “iceberg” completo e agir com estratégia.

  • Adyen Accelerator 2024: impacto positivo e inovação como forma de fortalecer corporações

    Adyen Accelerator 2024: impacto positivo e inovação como forma de fortalecer corporações

    Empreender  e impulsionar negócios inovadores: esses foram os objetivos que nortearam a segunda edição nacional do Adyen Accelerator, realizado em outubro de 2024 pela parceria firmada entre Adyen e Quintessa.  Neste ano, exclusivamente sediado no Brasil, o programa reafirmou seu papel como uma plataforma de transformação, conectando negócios de impacto socioambiental com mentores, ferramentas e oportunidades estratégicas.

    Ao longo de uma semana intensiva, realizada entre os dias 21 e 25 de outubro, o Adyen Accelerator reuniu startups, investidores e especialistas em um ambiente dinâmico e colaborativo. A iniciativa não apenas gerou resultados expressivos para as 10 startups aceleradas, mas também trouxe impactos diretos para a própria Adyen, fortalecendo sua cultura de inovação e reforçando seu posicionamento como uma empresa comprometida com responsabilidade socioambiental e inovação sustentável.

    Impactos concretos: transformações para startups e para a Adyen

    O Adyen Accelerator foi desenhado para potencializar negócios de impacto, e os resultados confirmam sua efetividade: durante a semana de aceleração as startups participantes experimentaram um avanço médio de 36% em sua maturidade operacional, com ganhos significativos em áreas como estratégia comercial e desenvolvimento de produtos.

    No campo comercial, os participantes registraram um aumento de 78% em sua confiança para planejar e executar estratégias, potencializado pelas mentorias personalizadas e conexões estratégicas. Já em produto o crescimento foi de 65% na capacidade de alinhar soluções às demandas do mercado, reforçando a competitividade das startups. Entre os destaques da edição a Cientik, uma plataforma de streaming de alta qualidade com conteúdos educacionais alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), foi a vencedora do programa e recebeu R$175 mil em premiação. Já a startup Carteiro Amigo Express, que desenvolve soluções logísticas para comunidades periféricas, ficou em segundo lugar, sendo premiada com R$75 mil. 

    “O Adyen Accelerator 2024 superou todas as minhas expectativas, eu não imaginava que os cursos e as palestras tivessem uma curadoria tão perfeita e sob medida para empreendedores de negócios de impacto social. A equipe do Quintessa nos recebeu com o maior carinho e todo o trabalho de mentoria foi muito assertivo, na medida, direto ao ponto. Toda a logística e organização foram impecáveis, pude notar, inclusive, o perfeito entrosamento entre o time da Adyen, que além de patrocinar o evento, nos recebeu em sua sede, com o time do Quintessa. Nós do Cientik, ficamos muito felizes com a vitória em primeiro lugar no prêmio, mas mais contentes ainda em aprender muito com as equipes da Adyen e do Quintessa”, compartilha Zé Luiz, CEO e Fundador da Cientik, sobre sua experiência no programa.

    Para a Adyen, o impacto do programa foi igualmente transformador: colaboradores atuaram como mentores e padrinhos, conectando-se diretamente aos desafios reais enfrentados pelas startups. Tal experiência prática não apenas fortaleceu competências de liderança e criatividade, mas também aprofundou o alinhamento dos colaboradores com os valores da empresa. O programa, assim, consolidou-se como uma oportunidade de engajamento interno e um catalisador para reforçar a cultura de inovação e impacto da Adyen.


    “O Adyen Accelerator deste ano foi muito especial. Planejamos a semana pensando em cada startup, e elas simplesmente brilharam, desde as trocas ao longo de toda a semana até os pitches no evento de encerramento. Fazer parte da jornada de crescimento desses negócios de impacto é uma honra. Também levamos para a nossa história os aprendizados dessas trajetórias, que eles gentilmente compartilharam conosco”, pontua Irene Rodrigues, Implementation Team Lead na Adyen.

    Adyen Accelerator: inovação estratégica para corporações

    Embora seja um programa da Adyen global, o Adyen Accelerator adaptou-se ao contexto brasileiro em 2024, explorando o potencial do ecossistema local de impacto. A parceria com o Quintessa permitiu a personalização da jornada das startups, desde a curadoria inicial até a execução de mentorias e conteúdos ajustados às demandas do mercado nacional.

    O formato intensivo do programa foi outro diferencial. Em apenas uma semana, workshops, mentorias práticas e um Pitch Day de alto nível criaram um ambiente propício para aprendizado e conexões estratégicas. O Pitch Day, por exemplo, reuniu investidores e atores importantes do ecossistema, ampliando a visibilidade das startups e reforçando o papel da Adyen como facilitadora de conexões relevantes, mobilizando também diferentes parceiros como Uber, Zigpay e Estapar.

    Para as corporações, iniciativas como o Adyen Accelerator demonstram a forma com que programas de aceleração podem ser ferramentas estratégicas, atuando no fortalecimento da interação entre colaboradores e startups, posicionando as empresas como líderes em inovação responsável com soluções sustentáveis.

    O sucesso do Adyen Accelerator 2024 reflete o potencial transformador da colaboração entre corporações e negócios de impacto. Para a Adyen, a segunda edição do programa no Brasil não foi apenas uma ação de responsabilidade social, mas uma oportunidade de alinhar sua estratégia global a desafios locais, contribuindo para o fortalecimento do ecossistema brasileiro.

    O Brasil, com sua riqueza de negócios inovadores e desafios sociais urgentes, segue como um terreno fértil para o crescimento de iniciativas como essa. O programa demonstra que, com planejamento estratégico e colaboração, é possível gerar impacto significativo em pouco tempo. Para empresas que buscam fazer parte dessa transformação, o momento de agir é agora.

  • A potência das deeptechs: o ecossistema do futuro em expansão

    A potência das deeptechs: o ecossistema do futuro em expansão

    Por Caroline Gibim e Anna de Souza Aranha

    Ao longo dos últimos dois séculos, as condições de vida melhoraram significativamente com o surgimento de tecnologias como a eletricidade, o telefone e a internet. Agora estamos testemunhando o surgimento de uma nova onda poderosa de tecnologias disruptivas: as deeptechs. Se isso soa ambicioso, é porque realmente é.  

    Para quem ainda não está familiarizado, as deeptechs são empreendimentos que vão além das soluções convencionais: mergulham fundo em descobertas científicas e tecnologias de ponta, como IA (inteligência artificial), energia solar, biotecnologia e manufatura avançada. Essa nova natureza de negócios tem o potencial de abrir novos caminhos para o crescimento econômico, equidade social e sustentabilidade ambiental.

    Os números mostram que estamos no caminho certo. O Brasil se destaca na América Latina com 70% dos pesquisadores, 47% das contribuições em publicações científicas e 58% das patentes registradas. Hoje, estima-se existirem 875 deeptechs mapeadas no país, com uma grande concentração nos setores de biotecnologia, saúde, agro, inteligência artificial e energia limpa. 

    Mas ainda há bastante a ser feito, em especial focando no recorte da crise climática. Dois planetas Terra seriam necessários para sustentar o modo de vida da humanidade até 2030 e estudos indicam que as mudanças climáticas podem reduzir o PIB global em 11% a 14% até 2100, o que corresponde a US$ 23 trilhões por ano, caso não sejam tomadas ações significativas para mitigação​. As soluções já conhecidas não são suficientes para endereçar o desenvolvimento sustentável e econômico necessário, o investimento em inovação radical das deeptechs é essencial para que as empresas se mantenham produtivas e obtenham as soluções necessárias para atingirem suas metas net zero. 

    O potencial da agenda é acompanhado pelos diversos desafios que ainda temos nela. 

    A maior parte das deeptechs ainda vive o desafio de cruzarem o ambiente dos laboratórios e terem adesão de fato do mercado, se tornando negócios. Grande parte delas está na fase de prova de conceito, ou seja, em estágio inicial, de comprovar que suas tecnologias realmente funcionam. Apenas 30% conseguiram chegar em uma fase de comercialização e escalabilidade.

    Quando o assunto é investimento, 70% do financiamento para deeptechs no Brasil vêm de programas públicos e investidores anjo e 28% delas recebeu apoio do programa PIPE FAPESP. Para crescerem, essas deeptechs precisam atrair capital privado também, a fim de sustentar equipes experts, infraestrutura, adequação a regulamentações, validação de produto, rodagem em escala industrial e ainda se blindar contra a competição global acirrada – de EUA e Europa – que estão um passo à frente com apoio ao longo ciclo de desenvolvimento tecnológico e capital de risco paciente já consolidados.

    Para esse novo momento de mercado, há um grande potencial de integração entre os ecossistemas de inovação/ciência e tecnologia e o ecossistema de impacto, coordenando esforços e melhorando a jornada dos inventores e empreendedores. Um traz um vasto campo de relacionamento entre academia, parques tecnológicos, IC&Ts e recursos de governo para fomento à ciência e tecnologia. O outro traz um vasto campo de aceleradoras, incubadoras, filantropos, investidores de VCs, CVCs e outros dinamizadores voltados ao ganho de escala e crescimento de empreendimentos que ajudam a solucionar desafios socioambientais. 

    Chegou a hora de implementarmos abordagens sistêmicas para responder aos desafios que desejamos resolver. Cada ator desempenhando seu melhor papel, de forma articulada e coesa com os demais, colocando o desafio a ser superado no centro. É também momento de usarmos de forma mais adequada cada bolso – o comercial que terá retorno financeiro (via equity ou crédito) e o de fomento, paciente e catalítico, que viabilizará a existência do mercado – combinados em arranjos personalizados para tipos e estágios diferentes dos negócios, bem para as diferentes finalidades do efeito que se deseja gerar. 

    As deeptechs apresentam características importantes a serem consideradas, como:

    • Longo ciclo de validação: demandam potencialmente longo tempo de convencimento do mercado para adoção de tecnologias de ponta, adequação ao ambiente regulatório, pesquisa intensiva, testes rigorosos e ciclos de desenvolvimento prolongados.
    • Validação e provas de conceito diferenciados: além da necessidade de validar mercado potencial e capacidade de crescimento em termos financeiros, deeptechs tipicamente precisam passar por testes de validação clínicos e laboratoriais, apresentando uma maior quantidade de momentos de validação, bem como determinação de mais métricas confiáveis de validação de resultado, e, assim, costumam ser avaliadas por representarem mais risco (um jogo de alto risco, bem como potencial alto retorno).
    • Necessidade de especialização e talento técnico: requerem equipes altamente qualificadas e com expertise técnica específica.
    • Escala para produção e comercialização: diversas soluções demandam infraestrutura específica para produção em larga escala (como biorreatores, por exemplo), podendo requerer parcerias com grandes empresas ou governos.
    • Alto custo para seu desenvolvimento: precisam de potencial alto investimento inicial para que as soluções cheguem ao mercado, diferenciando das startups típicas digitais e com ciclos de retorno mais rápidos priorizadas pelos investidores de venture capital.

    No Quintessa, já impulsionamos o crescimento de diversas deeptechs, mencionando aqui algumas delas. A Cromai, apoiamos no início da sua jornada junto ao Caos Focado. A startup desenvolveu uma tecnologia que otimiza processos de manejo agrícola e operações de controle de qualidade industrial através da análise de imagens e dados. Atualmente eles possuem 75 milhões de imagens diagnosticadas e 800 mil amostras de impurezas vegetais analisadas.

    Outro case é a Inspectral, que apoiamos junto ao Fundo Vale e à Ambev. Eles desenvolveram uma inteligência geoespacial com a precisão da IA, gerando análises de dados de forma mais rápida e barata. Na implementação que acompanhamos, foi feito o mapeamento de 6 bacias hidrográficas em diferentes regiões do Brasil e com alto estresse hídrico, gerando dados de indicadores como sólidos em suspensão e transparência da água – dando insumo para eventuais intervenções e substituindo a tecnologia de drones para geoespacial. A Inspectral diminuiu em aproximadamente 19 vezes o custo em relação à tecnologia anterior utilizada.

    Por último, a Quanticum, que apoiamos junto ao Fundo Vale e à Irani. A solução mapeia o potencial agronômico e ambiental do terreno com base em nanopartículas naturais da terra, atendendo pequenos produtores, grandes indústrias e produtores, associações e governos que querem entender melhor as características do solo. Com isso, realizaram o mapeamento por sensoriamento remoto de 14 mil hectares de floresta nativa da Irani e realizaram a análise de solo laboratorial de 700 hectares para determinar o estoque atual de carbono no solo da região.

    Precisamos de soluções escaláveis para os grandes desafios que enfrentamos e para que a inovação no Brasil seja cada vez mais uma referência global, principalmente do que tange a questão climática. O ecossistema do futuro é aqui. 

    As deeptechs são chave para o futuro e o Quintessa acredita em uma abordagem integrada para destravar o potencial destes negócios no Brasil, unindo empreendedores, cientistas, capital de fomento, capital privado e as indústrias. 

    Fontes de alguns dados mencionados: BID: The new wave; STARTUPS.COM: Startups; GOV: Serviços e Informações do Brasil; EMERGE: Mapeamento Brasil.

  • Nossa Parte Pela Educação: buscando reduzir impactos da pandemia, Quintessa e Instituto BRF implementam soluções em 6 estados brasileiros

    Nossa Parte Pela Educação: buscando reduzir impactos da pandemia, Quintessa e Instituto BRF implementam soluções em 6 estados brasileiros

    A pandemia de covid-19 escancarou desigualdades brasileiras, sobretudo na educação. Os dias fora da sala de aula apresentaram reflexos diretos para a juventude no que diz respeito aos processos educacionais e inserção no ensino superior. Em paralelo, as sucessivas quedas na taxa de empregabilidade, e dificuldades de inserção no mercado de trabalho por falta de formação técnica, impactou a geração de renda de famílias situadas em comunidades de alta vulnerabilidade. 

    Empreender na linha de frente a esses desafios exigiu uma mobilização sistêmica financiada pelo Instituto BRF e executada pelo Quintessa que, em quase 2 anos, engajou e articulou diferentes atores no enfrentamento aos efeitos causados pela pandemia na educação. O programa “Nossa Parte Pela Educação” selecionou e acelerou startups com soluções inovadoras no âmbito educacional, buscando tangibilizar as ideias em ferramentas práticas que pudessem ser utilizadas pelos educadores no dia a dia, o mais rápido possível.

    O programa

    6 cidades onde a BRF possui operação industrial foram pré-selecionadas para receberem soluções de impacto na região. Durante esse processo foram analisadas as demandas locais intrinsecamente ligadas à educação nos municípios, construindo um estudo aprofundado que posteriormente serviria de base para seleção de startups que atendessem, com assertividade, a necessidade de cada território. 

    A partir da seleção dos territórios era chegada a hora de buscar parceiros: OSCs (Organizações da Sociedade Civil), prefeituras, secretarias municipais de educação e lideranças locais foram acionadas para, juntas, contribuírem com a definição dos eixos temáticos norteadores da atuação do programa, compreendidos como B2G: formação continuada, redução da defasagem e B2C: educação digital, formação profissionalizante, inserção no ensino superior e no mercado de trabalho – relevantes e assertivos para os desafios locais.

    Logo em seguida, uma chamada aberta recebeu a inscrição de 108 startups em um processo seletivo composto por formulários de inscrição, entrevistas e pitchs, contando, inclusive, com representantes das OSCs e dos municípios nas bancas de seleção. Finalizada essa etapa, 8 startups foram selecionadas para avançarem até a aceleração, onde teriam a oportunidade de executar e testar a aplicabilidade de suas ideias na prática, consolidando os chamados “pilotos”.

    Formação de um programa sistêmico

    Desafios complexos são superados por mobilização em rede. Além do subsídio da indústria privada e da inovação trazida pelas startups, o programa contou com apoio de executivos para mentorias especializadas, envolvimento do setor público e do terceiro setor para análise das necessidades da população, assim como a participação de agentes de inovação e articuladores locais. Todos os setores unidos por um só propósito: mais educação de qualidade para mais brasileiros. 

    “O ‘Nossa Parte pela Educação’ é um programa que trabalha com agendas complexas, no caso, os desafios da educação. E entendemos que não conseguimos resolver esse desafio somente enquanto uma associação privada, ou enquanto empresa, mas sim trazendo a expertise de cada um dos atores que estão envolvidos nesse processo”. – Gabriela Cândido, Coordenadora de Impacto Social no Instituto BRF. 

    Impacto positivo da territorialidade

    “Por natureza, esse é um programa de inovação, e que precisou de um mergulho inicial dentro dos territórios justamente para entender quais eram os gargalos que impediam, hoje, uma educação e uma inclusão produtiva de melhor qualidade”. – Fabiana Goulart, sócia do Quintessa.  

    As 8 startups selecionadas estabelecem sua atuação em 6 estados diferentes localizados em 4 regiões do Brasil: Empreende Aí (Dourados, MS), Gerar (Paranaguá, PR), NeuroEscola e TOTI (Videira, SC), Mathema e Força Meninas (Vitória de Santo Antão, PE), Plure (Uberlândia, MG) e Seren (Marau, RS). 

    E contaram, respectivamente, com a parceria das seguintes organizações: Casa Criança Feliz, 5C Centro Cultural, Secretaria de Educação do município de Videira, EPB (Escola de País do Brasil), Prefeitura do Município de VSA, Instituto Dom de Deus, Ação Moradia e ABESFA (Associação Beneficente São Francisco de Assis).

    A parceria das startups com as OSCs e prefeituras foi fundamental para chancelar as novas iniciativas nas região, bem como acessarem dados valiosos com características específicas de cada uma das cidades, culminando em relações B2B e B2G firmadas sob o compromisso de gerar impacto positivo nos territórios selecionados. 

    Soluções e resultados em destaque

    O programa “Nossa Parte Pela Educação” alcançou a marca de 4.122 beneficiários diretos, somado o impacto gerado pelas pelas 8 startups em parceria com OSCs e órgãos municipais. 

    A startup “Neuroescola” cria de trilhas de aprendizagem, baseadas em evidências científicas, para alfabetização de crianças típicas e atípicas, com 21 professores que impactaram 291 alunos -, após a aceleração, o negócio registrou um aumento de 29% no número de alunos com autonomia de leitura em Videira (SC). 

    Também na educação básica, o “Mathema” impactou diretamente 1.552 estudantes e trabalhou com 57 educadores em quatro escolas do município de Vitória de Santo Antão (PE), em parceria com a Secretaria de Educação do município a startup buscou melhorar o ensino de matemática com uma nova metodologia que inclui jogos e trilhas de aprendizado lúdicas, registrando, até então, uma evolução de 12,9% no desenvolvimento de habilidades na BNCC específicas.

    Índices significativos se sobressaem no âmbito da geração de renda, inserção no mercado de trabalho e capacitação profissionalizante: em Dourados (MS), pequenos e microempreendedores atingiram um aumento de 24% em suas rendas mensais após serem alunos do “Empreende Aí”, negócio que fomenta o empreendedorismo periférico. Em Uberlândia (MG), a startup “Plure” empregou 19 mulheres após potencializar suas soft skills para processos seletivos em uma trilha que inclui temas como síndrome do impostor, desenvolvimento de oratória e criação de currículo. 

    Já a startup “Força Meninas”, que se propôs a incentivar a entrada de jovens em profissões comumente exercidas por homens para estudantes, formou 100 meninas no município de Vitória de Santo Antão (PE). Enquanto isso, a startup SEREN registrou um índice de 60% de jovens com escolha profissional lúcida após utilizarem seu app que divulgou mais de 1600 vagas de trabalho em Marau (RS). 

    Por fim, a solução GERAR implementou, em Paranaguá (PR), um curso preparatório para ENEM e vestibulares que atingiu 36.47% de avanço na aprendizagem dos alunos – resultados promissores também foram registrados em Videira (SC) com a startup TOTI, que colabora com a inclusão de pessoas migrantes e refugiadas no mercado de trabalho de tecnologia, e recebeu nota média 76 de desempenho nas avaliações. 

    Educação: parte de todos

    O programa “Nossa Parte Pela Educação” resume a necessidade de empreender soluções do futuro no agora, além da urgência em combater desafios de desenvolvimento econômico e social do presente para pessoas, comunidades e territórios. 

    A relevância da iniciativa se potencializa na máxima de desenvolvimento territorial com ampla participação local, construído de forma ativa e participativa. Múltiplos atores aplicaram, sob as startups aceleradas, um olhar prioritário para os benefícios do município e do território, fomentando soluções de alto impacto e relevância temática para os desafios do ecossistema. 

    A expansão capilar de mais ideias inovadoras depende, estritamente, de mais parcerias que mobilizem novos atores. Seja você também parte da solução para educação no Brasil!

  • 54ª Edição do Fórum Econômico Mundial 2024: Reconstrução da Confiança

    54ª Edição do Fórum Econômico Mundial 2024: Reconstrução da Confiança

    O Fórum Econômico Mundial, é um evento anual que ocorre desde 1971, é o palco onde políticos e representantes de empresas detalham suas ações para contribuir com o futuro global. Este ano o fórum está em sua 54ª edição e foi realizado entre os dias 15 a 19 de janeiro em Davos, Suíça.

    O tema escolhido desta edição foi a “Reconstrução da Confiança”, com cerca de 200 palestras e apresentações de relatórios e opiniões críticas sobre o futuro das nações, líderes mundiais e executivos empresariais abordaram questões críticas para o futuro global, com destaque para três principais temas: Preocupações Climáticas, Impactos das Mudanças Climáticas na Saúde Mundial e o Futuro da Inteligência Artificial.

    Reunimos aqui as três principais temáticas das discussões em Davos:

    01. Preocupações Climáticas

    Assim como nas edições anteriores, a crise climática dominou a maior parte dos painéis e das conversas do fórum em Davos. pós os acontecimentos de seus efeitos mais evidentes em 2023, essas preocupações aumentaram acendendo um sinal vermelho para os líderes mundiais e executivos que entenderam que a colaboração entre governos, empresas e comunidades é fundamental para uma criar uma solução mais sistêmica e colaborativa para os efeitos da emergência climática.

    Em alguns discursos, líderes admitiram que os esforços para lidar com os efeitos das mudanças climáticas têm sido insuficientes. A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que é preciso compromissos mais ambiciosos no clima, e enfatizou a importância de se cumprir as promessas nessa frente.

    Um estudo apresentado realizado  pelo banco UBS alertou que anos de negligência deixaram uma lacuna de investimentos na biodiversidade e nas soluções ligadas à natureza. Além de ressaltar que o capital privado é essencial para fechar esse gap, que chega a US$700 bilhões por ano.

    Já o relatório de Riscos Globais 2024 lançado pelo Fórum destacou que 5 dos 10 principais riscos nos próximos 10 anos são referentes às questões ambientais: eventos climáticos extremos, mudança crítica nos sistemas terrestres, perda de biodiversidade e colapso do ecossistema, escassez de recursos naturais e poluição.

    Os líderes sentiram uma urgência imperativa em relação à necessidade de concretizar ações. Além disso, debateram estratégias para desenvolver uma abordagem sistêmica de longo prazo, visando atingir os objetivos de um mundo neutro em carbono e benéfico para a natureza até o ano de 2050.

    “Não podemos continuar a basear os futuros modelos de negócios no esgotamento da natureza e dos recursos” disse Jesper Brodin, Diretor Executivo, Grupo Ingka (IKEA). As empresas que não se adaptarem ficarão no esquecimento, acredita ele.

    02. Um olhar para os impactos das mudanças climáticas na saúde Mundial

    A incapacidade de agir em relação às alterações climáticas não tem implicações apenas para o planeta. Por esse motivo as discussões sobre as mudanças climáticas no fórum não se concentram apenas na natureza e na economia global, mas também nas consequências que estão diretamente ligadas na saúde humana e no sistema de saúde global, causados pelo aumento das temperaturas do planeta.

    “A crise climática é uma crise de saúde”, disse Vanessa Kerry, Cofundador e CEO, Seed Global Health.

    O relatório “Quantificando o Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde Humana”, lançado pelo fórum  sobre o impacto das mudanças climáticas investiga seis categorias principais de eventos climáticos que impulsionam impactos negativos na saúde: inundações, secas, ondas de calor, tempestades tropicais, incêndios florestais e aumento do nível do mar. Essas mudanças podem causar cerca de 14,5 milhões de mortes e gerar perdas econômicas globais de US$12,5 trilhões até 2050. 

    Uma inquietação adicional ressaltada é que as mudanças climáticas intensificam a desigualdade global em saúde, impactando de forma desproporcional segmentos mais vulneráveis da população, tais como mulheres, jovens, idosos, indivíduos de baixa renda e comunidades de difícil acesso. Esta disparidade é particularmente acentuada nas regiões da África e do Sul da Ásia.

    03. Futuro da Inteligência Artificial

    Os gigantes da tecnologia como Google, Meta e Microsoft e executivos como o fundador do Chat GPT, OpenAI, compareceram aos painéis oficiais e as inúmeras reuniões informais com políticos e líderes empresariais, com debates sobre impacto no da tecnologia no mercado de trabalho, segurança nas eleições, além de ressaltar a necessidade de regulamentação das tecnologias para proteger os usuários.

    O mercado de trabalho emergiu como um dos tópicos centrais durante as discussões no fórum. Os economistas enfatizaram a ascensão da inteligência artificial generativa, prevendo-a como uma tecnologia potencialmente “comercialmente disruptiva” com impactos no cenário ocupacional. No entanto, destacaram que essa evolução tecnológica não apenas transformará o mercado de trabalho, mas também acarretará benefícios significativos para as economias. Entre esses benefícios, antecipam-se o aumento da eficiência na produção e a promoção da inovação nos próximos anos.

    Sam Altman, CEO da OpenAI, destacou em seu discurso a importância de envolver todas as pessoas no desenvolvimento da inteligência artificial. Ele ressaltou que, apesar do avanço dessa ferramenta, ela não substituirá a necessidade fundamental do entendimento mútuo entre os seres humanos. Altman enfatizou a ideia de que a IA deve ser uma extensão das capacidades humanas, promovendo colaboração e complementaridade, em vez de suplantar o papel humano no processo de compreensão e tomada de decisões.

    O Brasil em Davos

    O Brasil foi amplamente mencionado durante o evento como protagonista na agenda ambiental. As poucas autoridades que representaram o país em Davos concentraram seus discursos nas pautas de sustentabilidade. Apesar da participação de mais de 2,8 mil pessoas ao longo da semana, observou-se uma presença relativamente limitada de empreendedores brasileiros no evento.

    Ana Sarkovas, co-fundadora da Ecoa Capital e participante de Davos, enfatizou a existência de uma vasta oportunidade para conectar empreendedores brasileiros com capital institucional, tanto filantrópico quanto de investidores. “Vejo o Brasil com uma grande participação como solução”, ressaltou.

    A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, representou o Brasil nesta edição do fórum. Em seus discursos, defendeu uma transição energética mais ágil no país, destacou a importância do desenvolvimento sustentável na Amazônia e reforçou a necessidade de investimentos para a adaptação do Brasil às mudanças climáticas, especialmente no regime de águas e rios da região amazônica.

    Sobre a transição para energias renováveis, Marina Silva afirmou: “Temos uma decisão corajosa de colocar na agenda a transição para o fim do uso de combustíveis fósseis. Isso significa acelerar as energias renováveis, triplicando os investimentos de forma robusta.”

    Ana Sarkovas complementou, enfatizando que as novas tecnologias serão fundamentais para essa transição, seja no sistema alimentar ou na transição energética, representando oportunidades significativas de investimento.

    Sarkovas observou que, apesar da presença limitada de empreendedores brasileiros, houve uma forte representação de startups europeias apresentando soluções tecnológicas para desafios climáticos e preservação da natureza –

    A ministra Silva mencionou a promessa do presidente Lula de zerar o desmatamento até 2030 e o compromisso de não explorar petróleo na Amazônia. Ela também ressaltou que a presidência do Brasil no G20 até novembro de 2024 oferecerá oportunidades para avanços significativos sobre o tema ambiental.


    Análise Geral:

    Em linhas gerais, as discussões do fórum apontam para um reconhecimento coletivo da necessidade de abordar desafios globais de maneira colaborativa e sustentável. Destaca-se a importância da inclusão e da busca por soluções inovadoras para impulsionar o crescimento econômico e enfrentar questões cruciais, como as emergências climáticas, em escala mundial. No entanto, o impacto efetivo dessas discussões dependerá da implementação concreta de políticas e iniciativas resultantes, envolvendo governos, empresas e a sociedade civil.

    O site do Fórum Econômico Mundial disponibiliza todas as sessões gravadas e resumos em texto, porém, estão disponíveis apenas em inglês.

  • Conexão ESG – Agenda ESG e a integração com os negócios de impacto

    Conexão ESG – Agenda ESG e a integração com os negócios de impacto

    O estudo “CONEXÃO ESG –  Agenda ESG e a Integração com os Negócios de Impacto” é uma leitura entre a oferta dos negócios de impacto e a demanda das grandes empresas.

    Sua tese é de que negócios de impacto podem ser aliados estratégicos para impulsionar a agenda ESG de grandes empresas, ofertando soluções, expertise e rede de relacionamento para que atinjam suas metas.  

    O levantamento revela as oportunidades e os gaps do ecossistema, estimulando e trazendo eficiência para que grandes empresas e negócios de impacto aprofundem e ampliem suas relações como clientes-fornecedores e parceiros de negócios, de forma a gerar mais impacto positivo e mitigar impactos negativos.

    ​O estudo nasce a partir da quarta edição do Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental, que acompanha a evolução do pipeline de negócios de impacto positivo, realizado pelo Quintessa e pela Pipe Social, via Base de Impacto. 


    O que você vai encontrar


    01 | Visão das grandes empresas

    • ​Evolução da agenda ESG e dos setores da economia
    • Temáticas de atuação e demanda
    • Maturidade da agenda de inovação e sustentabilidade
    • Inovação aberta


    02 | Visão dos negócios de Impacto

    • Setores da agenda ESG
    • ​Desafios e Soluções
    • Cases
    • Histórico
    • ​Evolução da agenda ESG e dos setores da economia
    • Temáticas de atuação e demanda
    • Maturidade da agenda de inovação e sustentabilidade
    • Inovação aberta


    03 | Oferta e demanda

    • Cruzamentos de grandes empresas e negócios de impacto
    • Análise acerca dos estágios de maturidade dos negócios

    04 | Tendências 

    • Oportunidades
    • Pontos de atenção