Categoria: Textos

  • Construção de equipe em startups: dicas para o momento de contratação

    Construção de equipe em startups: dicas para o momento de contratação

    A formação de uma equipe complementar, capacitada e motivada é um dos aspectos mais importantes, senão o mais importante, para o crescimento de qualquer negócio. Principalmente em startups, por estarem em um ambiente de maior dinamismo – em que o modelo de negócio, o cliente e o mercado podem mudar – a construção de um time que garanta as entregas é essencial.

    O processo de recrutamento e seleção envolve diferentes técnicas, metodologias e etapas, e na realidade de negócios em fase de crescimento, esse trabalho de RH acaba sendo feito pelos próprios empreendedores e o time. Por isso, este texto tem o objetivo de te guiar no entendimento dos aspectos importantes no processo de contratação, para construir um bom time para o seu negócio.

    Entenda o time necessário para o nível de maturidade do negócio

    A escolha dos colaboradores e dos talentos-chave que um negócio precisa estão relacionados principalmente ao estágio em que o negócio se encontra e ao modelo do negócio. Em um momento inicial, com um time enxuto, as escolhas das pessoas que fazem parte é ainda mais essencial, pois estas terão ao mesmo tempo um olhar estratégico e operacional. 

    O estágio de validação é um momento de testes, de entendimento e exploração do mercado. Neste momento é importante que os empreendedores tenham um entendimento em profundidade do problema, do cliente e do segmento de mercado, e uma equipe mínima suficiente para conseguir vender e entregar. 

    Geralmente é necessária uma pessoa para olhar estrategicamente o produto, outra para a área comercial, outra para o financeiro e pessoas que garantam a operação para o negócio fluir. É comum nessa fase a operação ainda ser bem manual e não ter muita estrutura de sistemas (como financeiro, ERP, etc.) e que uma pessoa acumule mais de uma função. 

    À medida que o negócio cresce e a operação se estrutura, é necessário trazer pessoas para garantir essa expansão. Vemos muitas startups em fase de tração que ainda têm uma operação muito dependente da atuação direta do(a) empreendedor(a) e isso pode ser um fator relevante que limita sua capacidade de crescimento. 

    Por exemplo, um negócio na área de educação em que os empreendedores são os facilitadores dos cursos. No início funciona, até para que conheçam a fundo o cliente e o produto, mas é fácil chegar a um limite de crescimento e problemas começarem a aparecer. Com isso, o negócio acaba crescendo menos do que poderia, ou começa a estagnar, pois o(a) empreendedor(a) não está focado(a) no olhar estratégico e visão de longo prazo. 

    O ideal é que a liderança tenha capacidade de estruturação para escala e a equipe esteja focada na execução e tração.

    formacao de time

    É neste momento de crescimento, também, que surge a necessidade de trazer novas lideranças complementares à figura do(a) empreendedor(a). E para isso, é preciso olhar para o modelo de negócio e as competências fundamentais para que ele dê certo.

    Leia mais: O crescimento do negócio e seus dilemas – como, quando e a qual ritmo crescer?

    Quem são os talentos que preciso atrair?

    Em um nível básico, é necessário entender o que é o mínimo que o negócio precisa fazer para existir e se qualificar para o mercado. Defina quais são as áreas chave do seu modelo de negócio que precisam ter talentos na liderança: operação, produto, tecnologia, vendas, financeiro, gestão de pessoas… 

    Se você tem um produto tecnológico para a saúde e você é médico(a), mas não entende de desenvolvimento, certamente será preciso trazer uma liderança para a área de tecnologia.

    Então, entenda quais são as suas habilidades principais dentro dessas áreas e dos demais sócios na operação. O autoconhecimento é um exercício fundamental para entender as habilidades complementares necessárias. Algumas reflexões que você pode fazer são:

    • Em quais assuntos eu tenho conhecimento técnico? Em quais tenho experiência? Em quais minhas habilidades de relacionamento interpessoal, organização, entre outras, me garantem que execute com qualidade?
    • No que eu sou bom/boa? Onde eu agrego mais valor para o negócio?
    • O que falta ou poderia ser melhor em mim? Qual a minha capacidade de delegar e confiar estes aspectos para outra pessoa?
    • O que eu gosto de fazer?

    Além dos aspectos técnicos, vale fazer um balanço também com as competências socioemocionais (soft skills) e comportamentos que podem ser complementares. Se você tem um perfil mais idealista, por exemplo, é interessante ter uma pessoa mais pé no chão e pragmática ao seu lado.

    Leia mais: Como identificar os talentos-chave que diferenciam o seu negócio

    Reflexões antes de iniciar um processo de contratação

    Idealmente, antes de começar um processo de contratação, é importante que a empresa tenha clareza de sua visão estratégica, tais como propósito, visão, crenças e valores. Esta visão ajuda a ter um norte de quais talentos chaves são necessários para o negócio prosperar a longo prazo.

    Quando falamos em recrutamento, é muito difícil encontrar pessoas 100% alinhadas à cultura da empresa. Mas, quanto mais próximas elas estiverem dos seus valores, tendo valores em comum, mais fácil será, garantindo que o restante do alinhamento seja desenvolvido por meio de processos de comunicação e feedback.

    Sugerimos utilizar a matriz abaixo:

    cultura da empresa

    O ideal é que todos estejam no quadrante superior direito, de alta produtividade e fit cultural. Os profissionais do quadrante ‘perigo’ são arriscados para o negócio no longo prazo, pois o “como” entregam o resultado pode ser desalinhado com os valores da empresa, enquanto os do quadrante ‘segunda chance’ podem se desenvolver se acompanhados de perto.

    Uma vez que a empresa consegue montar um time coeso, que trabalha alinhado com os valores da organização, atingir as metas e os resultados fica mais fácil. Por isso a importância de se recrutar e reter talentos que compartilham os valores do negócio.

    Contratando diferentes níveis: cargos estratégicos, táticos e operacionais

    Os cargos operacionais dizem respeito à “colocar a mão na massa”. São pessoas que exercem funções práticas e detalhadas, com grau de complexidade médio e baixo, orientadas a ações de curto prazo. 

    Os cargos táticos são responsáveis por interligar no dia-a-dia as duas pontas, o profissional estratégico e o operacional. Suas funções se relacionam com o controle das operações, gestão de times e suas ações estão no âmbito de médio prazo.

    Os cargos estratégicos são responsáveis por tomar decisões mais complexas e que influenciam na estratégia da empresa a fim de atingir objetivos de longo prazo. Tratam-se de cargos de muita responsabilidade e cujas decisões podem impactar toda a organização.

    Leia mais: Dicas e práticas para um bom relacionamento com seus sócios

    Para cargos mais operacionais, é mais fácil abrir uma vaga publicamente com um descritivo padrão. Quanto mais estratégico for o cargo, a contratação se torna mais relacional, sendo normalmente mais fácil contratar por meio de indicações ou de pessoas que já estão no seu círculo de relacionamento – por poder conhecer em mais profundidade a pessoa, seu histórico e compatibilidade de valores, além dos aspectos técnicos.

    Entendendo o perfil e atributos necessários

    Para definir qual nível de cargo e qual escopo que você precisa para resolver alguma demanda no seu negócio, recomendamos listar as atividades que precisam ser realizadas pela área. Depois disso, você poderá entender aquelas que já conseguem ser realizadas pela sua equipe atual e aquelas que não.

    formacao de equipe

    Assim, com clareza de onde há falta de novas pessoas no time, com base no escopo definido, é o momento de pensar nas competências necessárias do(a) profissional. 

    Uma das metodologias utilizadas para isso é a CHAV, que reúne os Conhecimentos, Habilidades, Atitudes e Valores, sendo estes:

    Conhecimentos: Saber teórico | Escolaridade, faculdade, cursos, treinamentos, livros e pesquisas;

    Habilidades: Saber fazer – conhecimento teórico aplicado na prática | Comunicação, Negociação, etc.

    Atitudes: É a ação, como se relaciona com os conhecimentos e habilidades | Iniciativa, resiliência, flexibilidade, etc.

    Valores: Motivos para fazer o que faz | Altruísmo, empatia, etc.

    Sabemos que é muito comum, principalmente em startups, as atividades listadas neste escopo mudarem conforme o negócio redireciona a estratégia e é por isso que reforçamos a importância do fit cultural, de valores e o olhar para a Atitudes e Habilidades das pessoas, pois isso permitirá que tenham mais flexibilidade para se adaptar a diferentes funções.

    Vale sempre pensar: quais são as características que as pessoas devem ter para trabalharem aqui? E para esta vaga em específico?

    Para a primeira pergunta, considere 3 ou 4 aspectos chave necessários a todo colaborador que você deseja atrair –  e que reflitam a cultura do negócio. No Quintessa, uma pergunta de entrevista que gostamos de fazer é “qual o significado de sucesso para você?”.

    Dicas gerais para empreendedores

    • Mantenha sua agenda aberta para conhecer bons talentos, mesmo que não esteja com vagas abertas, durante todo o ano.
    • Boas contratações levam tempo. É importante que o(a) empreendedor(a) participe do processo seletivo, principalmente para os cargos mais estratégicos.
    • Especialmente na contratação de profissionais mais jovens ou menos experientes, leve em consideração se a empresa tem recursos para apoiar, capacitar e desenvolver o profissional.
    • Lembre-se da diversidade: opiniões, idade, raça, gênero, formação, orientação sexual, PCD. É importante ter um time coeso em relação a valores, mas a presença de divergências nos ajuda a crescer pessoalmente e impulsiona a inovação.

    Cada vez mais vemos profissionais deixarem grandes empresas em busca de um trabalho com mais propósito e alinhado aos seus valores e motivações, e para negócios de impacto, essa pode ser uma grande vantagem na atração de talentos. Por mais que, muitas vezes, a remuneração ou os benefícios que o seu negócio pode oferecer no início não sejam os mesmos de uma grande empresa, fatores como a cultura, trabalhar por uma causa e ter espaço para participar e crescer são capazes de atrair e motivar as pessoas.

    Em um próximo texto falaremos do aspecto de remuneração variável, vesting e outras ferramentas para atração e retenção de talentos, como também traremos textos sobre o processo de contratação em si.

    O que mais você gostaria de saber sobre construção de equipe para o seu negócio? Deixe nos comentários ou escreva para [email protected].

  • Como definir e acompanhar as métricas ideais para o seu negócio de impacto

    Como definir e acompanhar as métricas ideais para o seu negócio de impacto

    A gestão dos negócios está relacionada com a forma com que se conduz o time e as atividades (propósito, crenças, valores, cultura, liderança) e as práticas do dia a dia: os rituais, ferramentas, métricas e metodologias que garantem seu funcionamento. 

    Dentro disso, de forma complementar com embasamentos mais subjetivos ou intuitivos, acreditamos que uma abordagem importante é a valorização de dados e informações para orientar as decisões. 

    No Quintessa, percebemos muitos empreendedores com dificuldade em implementar práticas e rotinas de gestão conectadas à estratégia do negócio.

    Assim, este texto é o terceiro de uma série. Primeiro, abordamoss como embasar um bom planejamento estratégico, depois, falamos sobre o uso da ferramenta OKR e sua importância para tirar o planejamento do papel e implementar uma cultura com foco em resultados.

    Neste texto, nosso objetivo é trazer clareza sobre como definir e acompanhar os indicadores de performance (KPIs) mais importantes para o sucesso do negócio.

    Os KPIs (Key Performance Indicators, em português, indicadores-chave de desempenho) são as métricas que indicam a saúde do negócio e devem ser medidas regularmente. 

    Enquanto estiverem dentro dos valores esperados, significa que tudo vai bem e você provavelmente não precisa agir, mas com resultados diferentes, são estes números que irão te indicar os pontos de atenção, com necessidade de acompanhamento mais próximo e de mudança nas ações executadas.

    Como definir as métricas importantes para o meu negócio?

    Há vários caminhos para definir os KPIs mais importantes. 

    Algumas abordagens sugerem o acompanhamento de 4 ou 5 KPIs importantes para seu negócio e outras sugerem o uso de uma única métrica para mensurar a essência da proposta de valor do negócio (pesquise por ‘North Star Metric’ ou ‘One Metric that Matters’). Vale dizer que são complementares e ambas podem ser utilizadas, dentro de focos de análise distintos. 

    Na metodologia do Quintessa, costumamos dividir os indicadores em quatro áreas: de negócio, operacionais, financeiros e de impacto. Vamos explicar cada um deles.

    1. Indicadores de negócio

    Entendemos que é essencial começar a definição dos indicadores com os indicadores de negócio, que são aqueles que medem e garantem que os atributos chave (entregas de valor do negócio para o cliente) sejam bem executados.

    Isso começa pelo entendimento de quais são essas as principais entregas de valor do seu negócio para o cliente.

    Por exemplo, se a missão do seu negócio é democratizar o acesso à saúde e sua visão é ser o serviço de telemedicina mais acessível para o usuário, garantindo qualidade e facilidade na experiência digital, seus principais atributos-chave (entregas de valor para o cliente) devem estar ligados a preço, atendimento e usabilidade produto.

    metricas-e-kpis

    A partir dessa clareza de quais são os 3 a 5 atributos chave,  defina 1 ou 2 indicadores para medir cada atributo, que garantam que você está acompanhando a qualidade da entrega de valor para o cliente.

    No caso do exemplo acima em que os atributos chave são (1) preço, (2) atendimento e (3) usabilidade do produto, os indicadores de negócio podem ser:

        1. preço: % de diferença de preço em relação aos principais concorrentes (ou % em relação ao salário mínimo, avaliando o quão acessível está); 
        2. atendimento: NPS do cliente; 
        3. usabilidade do produto: nota do usuário sobre a usabilidade do produto.
    1. Indicadores Operacionais ou Internos

    Eles garantem que atividades e questões operacionais sejam bem acompanhadas. Podem estar também estar relacionados aos atributos chave, com a diferença de que estão ligados à qualidade das atividades executadas, enquanto os de negócio, como mencionamos acima, estão ligados à percepção do cliente.

    Para cada atributo chave, defina 2-3 indicadores operacionais ligados a atividades internas para acompanhar esse atributo.

    No caso do exemplo acima, os indicadores operacionais poderiam ser:

        1. preço: ticket médio, ticket máximo e ticket mínimo; 
        2. atendimento: nº de atendimentos classificados internamente como ‘problemas ou críticas’ por mês ; 
        3. usabilidade do produto:
          3.1 nº de falhas do produto identificadas internamente por mês;
          3.2 nº de atendimentos classificados como ‘dúvidas do produto’ ou ‘problemas com o produto’.

    kpis de negocio

    Ainda, uma outra forma (que pode ser complementar) de definir indicadores operacionais é estabelecer 5 a 10 indicadores operacionais que serão atribuídos às áreas da empresa, como Comercial, Sucesso do Cliente, Produto ou outras áreas que o negócio tiver.

    Listamos algumas métricas que podem fazer sentido para as diferentes áreas:

    quais kpis utilizar

    1. Indicadores Financeiros

    Estes indicadores são fundamentais e garantem o entendimento sobre a saudabilidade financeira do negócio e revelam se o crescimento está acontecendo de forma sustentável.

    Exemplos de indicadores:

    • Receita mensal e % de crescimento/decréscimo em relação a um período anterior
    • Margem bruta e margem líquida
    • Lucro Líquido mensal e % de crescimento/decréscimo
    • Posição de caixa mensal
    • Relação de cada categoria de custo em relação à receita líquida
    • Relação de cada categoria de despesa em relação à receita líquida

    (Este documento da Pipe.Social traz o significado de muitos dos indicadores mencionados no texto).

    1. Indicadores de Impacto

    Estes indicadores são fundamentais para os negócios de impacto. Por mais que a mensuração de impacto não seja uma tarefa simples, o compromisso com o impacto gerado é um dos pilares que definem os negócios de impacto. O foco é garantir que o impacto positivo que se objetiva gerar esteja de fato acontecendo.

    Uma referência teórica que vale a pena citar é a Teoria de Mudança, por meio da qual se estabelece a tese de impacto, as atividades que acontecerão, os indicadores a nível de output e a nível de outcome. 

    Os exemplos variam bastante para cada negócio e se são a nível de output ou outcome, mas podem ser neste sentido: % de clientes que são da classe CDE, quantidade de CO² poupado, quantidade de material reciclado, valor de renda gerada para o público beneficiado, entre outros.

    As métricas devem orientar a tomada de decisão

    Para resolver um problema ou avaliar o desempenho de uma pessoa, o acompanhamento dos indicadores é o que garante que as decisões sejam tomadas com base em fatos, em percepções concretas, e não apenas em opiniões subjetivas.

    Além disso, as métricas precisam ser acionáveis, ou seja, mostrarem um dado que te permita agir a partir dele. Procure se perguntar o porquê de analisar determinada métrica e o que faria em termos de novas ações a depender do resultado que ela indique. Se não souber a resposta, ou se ela não impactar diretamente o rumo do negócio, descarte.

    Como acompanhar as métricas e criar uma rotina?

    Gestão também é sobre “fazer bem todos os dias”. A rotina de acompanhamento irá garantir o foco em fazer o que é importante corretamente (com excelência) e continuamente (com constância), de forma que resultados de longo prazo sejam alcançados com as ações de curto prazo bem feitas.

    Se no dia a dia os gestores e equipes não estiverem vendo valor em acompanhar um painel de controle de indicadores, pode ser que as métricas que estão nele não façam sentido ou não sejam relevantes (então foram mal definidas) ou porque ainda não se têm uma rotina de acompanhamento e é preciso criar esse hábito, essa cultura.

    O ideal é entender qual a frequência necessária de acompanhamento dos indicadores no seu negócio. Recomendamos que seja no mínimo mensal, para que te dê tempo de agir e corrigir a rota se necessário. Para isso, garanta uma reunião de acompanhamento periódico.

    Fazer o acompanhamento de poucos e bons KPIs é suficiente. Não é recomendado fazer uma reunião mensal em que se passam por milhares de KPIs por horas, mas sim que se entenda com profundidade a evolução de cada um dos indicadores prioritários. Recomendamos que cada líder tenha entre três e cinco KPIs prioritários, nunca mais do que isso, para não perder o foco. 

    O acompanhamento deve ser feito pelos empreendedores e lideranças do negócio, mas compartilhado com o time também – o que garante alinhamento da equipe e que todos estejam olhando para o mesmo lugar. 

    Construa um painel de controle que agrupe todos os KPIs definidos, indicando qual a métrica, meta, evolução, responsável e periodicidade.

    Uma possibilidade é ter um painel de gestão à vista: ficar em um lugar visível, aberto para todos (pode ser online e/ou físico) – combinar quem é responsável por atualizá-lo e qual a periodicidade que a equipe vai parar para avaliá-lo. 

    Segue um exemplo abaixo:

    acompanhar-metricas-negocio

    Por fim, este painel reúne todas as informações que um(a) empreendedor(a) precisa ter clareza:

    indicadores de negocio

    Casos Quintessa: como as métricas mudaram a visão dos negócios

    No Quintessa acompanhamos muitos empreendedores que têm saltos de performance após a implementação de indicadores da forma correta. 

    Nesses casos, identificamos que no início da aceleração o(a) empreendedor(a) não tinha clareza se o negócio estava indo bem ou tinha uma visão superficial do desempenho do negócio – acreditava que estava indo bem, e quando problemas começavam a surgir, tinha dificuldade de identificar a origem deles.

    Em um dos negócios acelerados no programa de Tração, tivemos como resultado o aumento da margem líquida de -16% para 47%, após a implementação de uma rotina de acompanhamento dos indicadores financeiros. Os números existiam, mas eram revisados apenas anualmente. Com o acompanhamento mensal foi possível diminuir despesas desnecessárias, como redução do aluguel e contas recorrentes que até então não eram controladas.

    Um outro caso foi a criação de uma área de Customer Experience e indicadores para avaliar a performance de um produto digital. As métricas até então analisadas pelos empreendedores mostravam que as vendas dos cursos não estavam ruins, então tudo seguia normalmente. Com novos indicadores, entendemos que somente um terço dos alunos completava de fato os cursos, o que levou a um olhar para mudança no portfólio e na jornada oferecida ao cliente.

    Por isso, esse é um tema que não deve ser visto como trivial. Comece a definir as métricas compreendendo o significado do que está por trás delas e implemente uma rotina de acompanhamento, pois é na prática que você irá realmente entender o valor disso e ir refinando as métricas utilizadas com o tempo.

    Se você tem dúvidas sobre as métricas a serem utilizadas no seu negócio ou se identificou com os exemplos do texto, entre em contato conosco no e-mail [email protected]. Nosso time de seleção está disponível para ajudar os empreendedores a entenderem os caminhos para seguir – seja pelos nossos programas ou indicando outras soluções.

  • Dicas e práticas para um bom relacionamento com seus sócios

    Dicas e práticas para um bom relacionamento com seus sócios

    O relacionamento entre sócios é um tema pouco falado no universo das startups, mas que já comprometeu o sucesso de muitas delas. Sabemos que não existe uma fórmula certa ou exata para que uma sociedade dê certo, mas já vivenciamos diversas experiências no Quintessa e reunimos aprendizados que podem ser válidos para muitos negócios. 

    O que é importante para um bom relacionamento societário? Como lidar com desentendimentos? Que tipo de perfil buscar quando preciso de um(a) sócio(a)? 

    Neste texto buscamos responder algumas destas perguntas iniciais a partir da visão de mentores e empreendedores da nossa rede que participaram deste webinar:

    [su_youtube_advanced url=”https://www.youtube.com/watch?v=MCVcQ4VEZfE”]

    Quais premissas são importantes para um bom relacionamento entre sócios?

    O primeiro passo é estar alinhado(a) com o propósito e com os valores do negócio do qual você vai fazer parte. Uma relação tende a ser mais saudável quando as pessoas compartilham os mesmos objetivos e valores éticos.

    Esse alinhamento de valores ajuda a criar um espaço de transparência, honestidade e escuta, que é essencial para estabelecer a confiança no relacionamento. A base dessa confiança deve ser construída desde o início da relação, de forma intencional. 

    Outro pilar importante é a comunicação. Ela é uma das ferramentas mais eficientes para resolver os inúmeros problemas que irão surgir. Especialmente em startups, uma comunicação clara ganha ainda mais importância, por serem ambientes em que as coisas mudam muito rápido e os sócios precisam tomar decisões ágeis e fazer ajustes com frequência.

    Como saber o perfil ideal e encontrar sócios para o meu negócio?

    Como falamos no início do texto, é difícil – e pouco saudável – idealizar um(a) sócio(a) ou ter a expectativa de seguir uma receita pronta para uma boa relação, mas alguns elementos podem ser levados em conta no momento em que você precisa encontrar alguém para dividir as responsabilidades do negócio.

    Primeiro, vale diferenciar o tipo de sócio(a) que está buscando: é alguém para investir recursos financeiros e ajudar pontualmente em decisões estratégicas? É alguém para entrar na operação e “segurar o piano” com você? Existe o(a) sócio(a) investidor(a), que na maioria das vezes tem um papel menos ativo na operação diária, e o(a) sócio(a) operacional, o(a) co-fundador(a), a pessoa que coloca a mão na massa e toma riscos e decisões em conjunto.

    Depois, vale fazer uma análise fria sobre o que você prioriza como critério nesta escolha. É muito comum iniciar um negócio com amigos, familiares ou conhecidos da sua rede. Pode dar muito certo, por você já ter facilidade de se relacionar, como pode dar muito errado. Mais do que alguém com quem você irá se relacionar no dia a dia, é importante pensar que essa deve ser também a pessoa que irá fazer o negócio funcionar e crescer. 

    Um dos elementos que valorizamos muito aqui no Quintessa ao analisar os negócios é a complementaridade nos perfis dos sócios. Pense nas habilidades e competências que você possui para gerir o negócio, quais não possui e quais são aquelas que o seu negócio precisa. Ter clareza das habilidades complementares necessárias é um primeiro passo para entender o perfil de sócio(a) que você deve buscar.

    Procure identificar quais experiências você considera relevantes que a pessoa possua e os conhecimentos técnicos ou de segmento mercado necessários. Isso pode ser um critério para uma busca no LinkedIn, por exemplo, ou identificar eventos que podem ser fonte de networking.

    Outro fator para considerar é o momento de vida daquela pessoa. Ter um negócio próprio te faz abrir mão de algumas coisas e colocar na balança muitos aspectos da vida pessoal. Por isso, por mais que a pessoa pareça ter o perfil ideal, se ela não estiver em um momento propício para tomar riscos e se dedicar “de corpo e alma”, isso pode ter um custo maior no futuro.  Seja transparente sobre isso desde a primeira conversa e conte também sobre o seu momento e objetivos com o negócio. 

    Vocês não precisam estar necessariamente no mesmo momento – mas caso não estejam, vale a pena ter claro o alinhamento de expectativas de dedicação de tempo e aporte financeiro que cada um pode ou está disposto, deixando claro até onde um está disposto a ir para fazer o negócio dar certo.

    Uma reflexão interessante para se fazer ao pensar no tipo de sócio(a) que você quer ter, é pensar que tipo de sócio(a) você é ou está disposto(a) a ser para alguém. Entender como você lida com as decisões, incertezas e riscos pode ajudar a traçar comportamentos de quem combina ou não com você – e permitir que as pessoas possam conscientemente se sentir identificadas ou não com seu estilo.

    Qual o momento certo de definir regras e formalizar acordos?

    Ouvimos de muitos empreendedores, principalmente em fase inicial, o receio de fazer acordos societários “cedo demais” e criar conflitos e colocar pautas desconfortáveis na mesa enquanto a relação está indo bem. Porém, não ter papéis e responsabilidades combinados desde o início também acaba sendo um erro comum para que conflitos aconteçam. Entendemos que, não importa o tamanho do negócio, sempre pode ter espaço para se definir um pouco de governança e a divisão de papéis.

    Costumamos dizer que a relação em sociedade se assemelha com a relação em um casamento, em muitos aspectos. Se uma pessoa tem certeza que não quer ter filhos e a outra tem certeza que deseja ter, é melhor que conversem sobre isso no início da relação ou descubram isso após 5 anos de casados? Só cada um sabe dizer o que considera essencial em uma relação, e isso deve ser explicitado e conversado. Quanto mais o negócio evolui sem discutir esses pontos, mais a relação pode ir ficando desconfortável.

    Além disso, no momento em que se casa, você precisa definir como será a divisão de bens caso se separem. Por que em uma sociedade não podemos fazer igual? Alguns acordos básicos sobre compra e venda de ações serão melhores explorados no início do que no calor do momento, com uma oportunidade de venda em jogo.

    Existe uma tendência de discutir questões societárias ‘sob demanda’, no momento de se captar investimento, por exemplo. O problema é que esses momentos vêm carregados de emoção. Então, por mais que a relação seja ótima e de boa fé, é fundamental ter os combinados para se guiar e eliminar qualquer dúvida.

    Chega um momento em que de fato é importante colocar essas conversas em um instrumento formal, mas sabemos que tem um custo – tanto financeiro, quanto de tempo, e para startups focadas em colocar o negócio de pé, muitas vezes isso não será a prioridade. Portanto, se existiram essas conversas francas no início, depois ficará muito mais fácil registrar no ‘papel’ o que já está alinhado – com o cuidado de não ‘deixar sempre para depois’. 

    Em diferentes ciclos de vida da empresa, o grau de formalização vai amadurecendo também. Um estudo do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) recomenda para as startups o ciclo abaixo:

    relacionamento-socios-startups

    Fonte: IBGC – Governança Corporativa para Startups & Scale-ups

    O documento recomenda que para a fase de ideação, deve-se:

    “Estruturar os papéis e as responsabilidades dos sócios, especificar as formas de contribuição e a intensidade de dedicação, a remuneração e futura participação, bem como opções de saída e descontinuidade. Garantir a titularidade da propriedade intelectual da sociedade e o alinhamento entre os sócios, o processo de tomada de decisão e a construção de consenso.”

    Em validação, é recomendado:

    “Constituir a empresa e organizar regramentos quanto a direitos e deveres dos sócios, incluindo as primeiras reflexões sobre o propósito da organização. Organizar práticas referentes a potenciais empregados-chave e a relação com clientes e parceiros estratégicos. Também começa a ser importante manter controles internos e indicadores mínimos adequados para apuração de resultados e eventual prestação de contas a terceiros.”

    Para negócios em fase de tração:

    “Fortalecer o entendimento da diferença entre a posição de sócio e de executivo, definir alçadas para tomada de decisão, estruturar o conselho (consultivo ou de administração) e evoluir nas práticas de planejamento e controle do negócio.”

    E na etapa de escala, “consolidar práticas de governança que podem auxiliar o negócio a prosperar e a ter a continuidade desejada”.

    Acima de regras e acordos, sociedade é sobre pessoas: permitam que os sentimentos entrem na pauta

    Quando falamos sobre o tema societário, é normal começarmos a pensar em regras e acordos que serão estabelecidos. Buscamos mecanismos técnicos e racionais, procurando advogados, escrevendo cláusulas… É claro que isso é uma parte importante do processo, mas também é fundamental não negligenciar o lado emocional da relação societária.

    Em uma situação de conflito, o lado racional é importante para entender os acordos feitos, mas o emocional não pode ser tratado como uma pauta implícita. Explicitar o sentimento pode ajudar a conversa a fluir melhor. Acolher o sentimento do outro de estar com medo, de não ter mais dinheiro para investir, de estar sentindo uma grande pressão familiar… Crenças e sentimentos enviesam as opiniões em discussões, por mais objetivas e práticas  que elas possam parecer, por isso a transparência sobre eles é muito importante. 

    Se a relação entre os sócios não está indo bem, o quanto vale a pena insistir ou desistir?

    O momento de saída de um(a) sócio(a) é um dos mais delicados e pode desestabilizar o negócio se não for feito de maneira cuidadosa e transparente. Nem sempre é fácil chegar em um acordo ideal ou encontrar potenciais compradores para a participação societária de quem está saindo. Além disso, se trata-se de uma pessoa essencial para a empresa, o momento traz ainda inseguranças de como o negócio irá seguir sem este ‘ativo’ importante. 

    São muitos fatores envolvidos e é difícil recomendar o quanto insistir ou não na relação. Acreditamos que seja essencial ter uma insistência inicial para entender o que está acontecendo e, principalmente em startups, como o crescimento é muito rápido e muitas pessoas são empreendedoras de primeira viagem, é importante experimentar e dar oportunidade para as pessoas aprenderem e se desenvolverem.

    Por outro lado, insistir demais na manutenção da relação pode virar teimosia e acabar criando uma relação ‘tóxica’ de sociedade, deixando de ser funcional. Isso pode ser comum em relações societárias que envolvem uma amizade anterior à sociedade: muitos prezam por preservar a amizade e acabam evitando ou relevando os conflitos – e sabemos que em uma questão de tempo, isso irá prejudicar tanto o lado profissional quanto pessoal.

    Para dosar o equilíbrio entre essa insistência e teimosia, vale olhar pela ótica da empresa, pensando que a relação dos sócios deve ser funcional para a empresa: O que é necessário para a empresa ser mais eficiente, produtiva, crescer, ter sucesso?

    A partir do momento que a colaboração daquele(a) sócio(a) não está cumprindo seu papel funcional, é o momento de refletir se a relação ainda faz sentido para a empresa. E isso pode acontecer por diferentes motivos, seja por baixa performance, por relacionamento interpessoal ou falta de interesse daquela pessoa em continuar na sociedade. Todos os colaboradores têm suas contribuições e responsabilidades, e se alguma dessas frentes não está funcionando é a hora de ligar um alerta e tentar resolver antes de culminar em um prejuízo maior para todos.

    Quando esse momento chega, provavelmente foi precedido de um processo de enfraquecimento da relação ao longo do tempo, muitas vezes ignorado. O momento de finalizar a relação é o último ao qual você deve recorrer, por isso reforçamos a importância da transparência e confiança como base da sociedade para que o conflito seja identificado e tente ser resolvido – podendo ajudar a presença de mediadores neutros para apoiar na resolução. 

    Um ponto importante é essa neutralidade dos mediadores – não ampliando o conflito recorrendo a pessoas para endossar a sua perspectiva, sem trazer o lado do outro. Isso pode acentuar que os sentimentos de tristeza, injustiça ou raiva se sobreponham, menosprezando o valor da sociedade e daquela pessoa que investiu e aderiu ao risco ao seu lado.

    Por fim, a incerteza dentro de startups já é muito grande e exige muitas decisões rápidas. Em momentos inesperados, como essa crise que estamos vivendo com o COVID-19, a necessidade de adaptação cresce ainda mais e vem carregada de emoção e instabilidade, o que demanda ainda mais que a relação esteja forte e resista ao stress do momento. 

    Seja com termos escritos ou conversas informais, em qualquer que seja a maturidade do seu negócio, garanta que todos os sócios estejam alinhados sobre:  Se nós discordarmos sobre uma decisão, como vamos resolver? Como nós vamos estar em paz em evoluirmos mesmo tendo opiniões distintas sobre uma decisão? Ou seja, como podem concordar em discordar, sem que isso se transforme em conflito.

    A relação societária de fato não é um assunto trivial. Envolve desde questões jurídicas, regras e acordos, até questões de viés pessoal. Assim, este texto teve o papel de trazer dicas e reflexões mais amplas sobre a relação entre os sócios. Em um próximo texto falaremos de questões mais práticas e burocráticas da relação societária – acompanhe o assunto conosco!


    Sugestões de conteúdo:

    Webinar Quintessa | Relacionamento entre sócios
    Publicação IBGC | Governança Corporativa para Startups & Scale-ups
    Notícias de Impacto | Como e por que você deve cuidar da relação societária na sua startup

  • Como e por que utilizar o OKR no seu planejamento estratégico

    Como e por que utilizar o OKR no seu planejamento estratégico

    Tão importante quanto construir um planejamento estratégico bem embasado, é incorporá-lo na cultura do negócio e acompanhar os resultados no dia a dia. 

    Muitos empreendedores têm dificuldade em criar indicadores relacionados à estratégia macro e vemos equipes desmotivadas por não terem clareza sobre a conexão das suas tarefas diárias com os objetivos do negócio.

    Neste texto vamos detalhar como a ferramenta OKR pode te ajudar a trazer essa visão sistêmica, priorizar ações, conectar a estratégia e a prática, garantindo resultados e alinhamento do time.

    _ Depois da leitura, você pode fazer o download da nossa planilha automatizada de acompanhamento do OKR e começar a implementar.

    Para diferenciar os conceitos, trazemos a analogia abaixo:o que e okr
    Referência: perdoo.com

    A estratégia é o que te ajuda a decidir onde você quer chegar. É pensada a partir da visão de futuro do negócio e deve embasar e direcionar as decisões do negócio. Este texto pode te ajudar a embasá-la.

    O OKR é seu GPS: ele te mostra o caminho para chegar ao destino e te ajuda a corrigir a rota, caso seja necessário. O OKR é mais flexível e serve para colocar em prática o planejamento estratégico.

    A ferramenta ajuda a priorizar atividades para gerar mudanças na performance do negócio. Mas, para fazer isso, você deve garantir que os outros aspectos da empresa continuem funcionando. 

    Por isso dizemos que os KPIs (Key Performance Indicators, em português, indicadores-chave de desempenho) são os mostradores do painel do carro. São indicadores de saúde do negócio e informam se tudo está ok. Você irá medir regularmente e, enquanto estiverem dentro dos valores esperados, você não precisará realizar mudanças.

    Em um próximo texto falaremos sobre o acompanhamento dos KPIs e quais são importantes para o seu negócio.

    Uma parte dos seus KPIs farão parte do seu OKR, podendo mudar de um ciclo para outro, enquanto alguns serão os mesmos ao longo de todo o ano.

    Por exemplo, imagine, sobre o seu site:

    A quantidade de visitantes e taxa de conversão serão os KPIs que você irá monitorar ao longo de todo o ano. Ao analisar um segmento de visitantes com boa conversão, você pode incluir no seu OKR uma meta para aumentar o número de visitas deste segmento em X%. No próximo trimestre, você pode concentrar esforços para melhorar a conversão dos visitantes de outro segmento e monitorar esta performance pelo OKR.

    como fazer okr

    Como funciona o OKR?

    A sigla OKR significa Objetivos e Resultados chave (em inglês, Objectives and Key Results), e se divide nestes dois eixos: definir alvos e mensurar progresso.

    1. O que eu quero alcançar?
      Estes são os objetivos.
    2. Como vou me orientar para entender se estou chegando lá?
      Aqui entram os resultados chave.

    A ferramenta surgiu na década de 70, na Intel, em um momento de mudança do modelo de negócio e da gestão da empresa e foi difundida quando adotada pelo Google.

    Objetivos

    Os objetivos são qualitativos e inspiracionais, que apontam o resultado desejado, mas não em termos numéricos. Por exemplo: Aumentar, lançar, garantir, conquistar.

    Pense em objetivos ambiciosos em termos de resultado, mas realistas em termos de execução. O OKR deve ser uma ferramenta para motivar e desafiar a equipe, mas não pode ser inalcançável a ponto de desengajar as pessoas.

    Estabeleça no máximo 5 objetivos para o ano, que serão replicados nos trimestres. Eles podem representar áreas da sua empresa ou serem objetivos que conectem mais de uma área. A partir deles, desenvolva até 4 resultados chave.

    Resultados Chave (Key Results)

    Os resultados chave são as métricas que você vai utilizar para medir os objetivos e acompanhar o seu progresso em relação a eles. São atribuídos a um colaborador ou equipe responsável. Por isso, devem ser numéricos e mensuráveis, como uma escala de progresso (0-100%), um aumento ou diminuição (de x% a y%), monetário, em quantidade de itens ou unidades, notas ou escala.

    O ideal é que sejam números, mas alguns key results podem acabar sendo ‘entregáveis’, como um processo implementado ou método criado, mas neste momento é preciso ter muito cuidado para não transformar o seu OKR em uma lista de tarefas. 

    A ferramenta faz parte de uma cultura com foco em resultados e performance, e se você realiza tarefas e nada melhora, não significa que teve sucesso. É sobre focar no que precisa ser atingido, na consequência desejada das ações realizadas, e não na listagem das ações em si.

    Além disso, uma tarefa é somente uma hipótese, você não tem certeza de qual ação vai gerar o resultado esperado, por isso definir o resultado também dá autonomia e liberdade para o time realizar suas próprias iniciativas, testes e projetos a fim de alcançar o objetivo proposto. Caso defina um key result em forma de ‘entregável’, tenha certeza de que ele é muito relevante para atingir esse objetivo.

    okr exemplos

    Veja mais exemplos aqui (em inglês).

    Em geral, os indicadores dos Resultados Chaves (KR) se mantém ao longo do ano e o que se altera, ao longo dos trimestres, é a meta em si. Por exemplo, o indicador “valor vendido em novos contratos” se mantém, mas o quanto tem que ser vendido, o valor da meta em si, vai sendo alterado. Por exemplo, “R$5 milhões vendidos em novos contratos” no ano e “R$1,5 milhão vendido em novos contratos” em um trimestre específico.

    No entanto, não se apegue a isso: pode fazer sentido variar o KR ao longo dos trimestres também, sem utilizar os mesmos ao longo de todo ano. Acima do método, o foco aqui é a prática: ter clareza sobre o que se deseja alcançar e clareza sobre o progresso, se está sendo atingido ou não.

    Como acompanhar o progresso?

    No geral, as metas traçadas no OKR visam um período de três meses, mas cada empresa pode entender qual a cadência que faz mais sentido. Planejar ciclos muito curtos podem transformar a ferramenta em uma lista de tarefas, por não haver tempo suficiente para se gerar e mensurar os resultados delas, enquanto ciclos muito longos podem distanciar os resultados concretos do dia a dia e desengajar as pessoas.

    No Quintessa, adotamos o ciclo de três meses, que nos traz agilidade e possibilita rápida adaptação à mudanças do mercado. Mais importante que a cadência, é garantir acompanhamento regular. Por isso, estabeleça agendas trimestrais com toda a equipe para avaliar o resultado do trimestre para então definir as metas do próximo.

    Ainda sobre como fazemos aqui, apesar da reunião com todo o time ser trimestral, mensalmente mensuramos o resultado dos KRs. Caso algum esteja com resultado muito abaixo do esperado, esperar três meses para mudar a estratégia de execução pode ser um período longo demais para se aguardar para agir.

    Mensurando os resultados

    Para medir se os resultados do trimestre foram atingidos, a maneira mais simples é usar a proporção linear (ou horizontal). Se a meta era conseguir 1.000 novos clientes pagantes e você conseguiu 800, você atingiu 80% da meta.

    O ideal é que os key results sejam atingidos entre 60% e 80% da meta estabelecida, significando que são desafiadores, porém, alcançáveis. Atingir 100% pode significar que sua meta não foi audaciosa.

    Os que ficarem abaixo de 60% podem continuar para o próximo trimestre, ou podem ser descartados se interpretados como um reflexo de uma ação não prioritária para a empresa. Os resultados abaixo de 30% podem significar que a meta está muito alta, ou que o engajamento do time está baixo, ou ainda que a estratégia tático-operacional para atingir esse resultado não está funcionando e deve ser alterada. 

    O OKR deve ser público para o time, transparente e aberto

    Quando falamos de OKR, trazemos também o tema de equipe e construção em conjunto. O OKR acaba se tornando parte da cultura da empresa.

    Construir de forma colaborativa garante alinhamento, e ter um painel aberto de OKRs e seu status para toda a empresa ajuda com que todos trabalhem juntos em uma única direção, tendo clareza dos seus papéis enquanto colaboradores e equipes para gerar mudanças significativas no todo.

    Faça algo que as pessoas olhem todo trimestre, todo mês, toda semana. Essa consistência faz com que a definição de objetivos seja um hábito e mude a forma sobre como as pessoas pensam sobre o seu trabalho e encaram suas tarefas diárias.

    Os OKRs podem inclusive pautar os temas das reuniões semanais. As atividades do time devem ser priorizadas com base nos resultados chave. Pergunte quais foram as conquistas da última semana, e depois, como elas geraram progresso no alcance das metas. E por outro lado, pergunte sobre desafios e preocupações no alcance do OKR, o que te ajuda a identificar gargalos e guiar os próximos passos. 

    A motivação aumenta quando o colaborador entende seu escopo de trabalho e vê suas tarefas diárias gerarem progresso, pois sente que está focado em resolver desafios.

    Vale mencionar que as reuniões das áreas podem abranger, além do acompanhamento do OKR da empresa, o acompanhamento dos KPIs que relevam a “saúde”, o bom funcionamento da área, e um OKR da área em si. Ou seja, a empresa pode realizar o OKR macro e cada área pode realizar o seu também, sempre com objetivos alinhados e indo na mesma direção que a empresa, mas com possibilidade de incluir objetivos que seriam muito “micro” para virarem objetivos para toda a empresa acompanhar.

    Neste texto contamos como foi a construção do planejamento estratégico da Acordo Certo, fintech em alto crescimento que precisava garantir que a empresa toda estava olhando para um mesmo norte.

    Cultura com foco em resultados

    O uso da ferramenta OKR implica em uma mudança de cultura em relação a resultado, e para algumas empresas que trabalham baseadas na mensuração de tempo gasto ou tarefas executadas, implementar o OKR exige uma mudança muito mais profunda na forma de trabalhar.

    Se o seu negócio opera dessa forma, saiba que não é no primeiro uso do OKR que terá essa mudança de cultura. A implementação pode acontecer de forma gradual. 

    No primeiro trimestre, será difícil colocar números nos seus key results. Você ainda não terá muitas referências do que são métricas de resultado que fazem sentido, pois não tem referências de resultados altos ou baixos ou mesmo familiaridade com a linguagem.

    Um dos caminhos é começar por resultados entregáveis, medindo com o resultado ‘feito ou não feito’, e ir gradualmente tornando-o o mais mensurável possível e mais próximo da linguagem de resultado do que de tarefa. Neste caso, pode ser interessante começar com ciclos mais curtos, de 30 a 45 dias, para acelerar o aprendizado e chegar mais rapidamente nos números. E, novamente, tomando o cuidado para não manter por muito tempo os key results como lista de tarefas.

    Todo porte ou tipo de negócio pode se beneficiar da ferramenta. Nas startups em que existem muitas hipóteses e ideias a serem exploradas, o OKR pode ser um aliado para manter o foco e priorizar o que é realmente importante para o sucesso da empresa, mesmo em um cenário de rápidas mudanças.

    O OKR é um processo de tentativa e erro e de aprendizado contínuo com o uso. Por mais que pareça simples, o sucesso depende da implementação e regularidade no acompanhamento com o comprometimento de todos os envolvidos.

    Podemos resumir os benefícios do uso da ferramenta nestes quatro principais pontos:

    • Visão de onde estão e onde querem chegar
    • Priorização de como chegar lá (guia do caminho)
    • Entendimento do que é esperado de cada área
    • Foco diário nos objetivos mais relevantes

    Diante deste cenário de instabilidade e incerteza que estamos vivendo por conta da pandemia do COVID-19, o OKR pode te ajudar a replanejar adaptações maiores e menores. Isso porque o raciocínio por trás da ferramenta ajuda a não perder o foco principal e permite que você corrija a rota e acompanhe o progresso na frequência necessária.

    Neste momento será necessário adaptar ou refazer o planejamento, garantindo foco nos objetivos mais prioritários. Pode ser melhor se programar para atuar em ciclos mais curtos, estabelecendo metas para um horizonte de duas semanas a um mês, por exemplo, e com rotinas mais frequentes de acompanhamento. 

    Para começar a implementar, faça o download da nossa planilha automatizada de acompanhamento dos OKRs! 


    Sugestões de leitura:

    OKR – The Ultimate Guide to Objectives and Key Results (em inglês)
    Company OKR Examples – How to write Company Objectives and Key results? (em inglês)
    How to Make OKRs Actually Work at Your Startup (em inglês)
    Livro | Radical Focus – Christina R Wodtke

  • Como embasar um bom planejamento estratégico

    Como embasar um bom planejamento estratégico

    Existem várias formas de gerir um negócio de impacto e diversas ferramentas para realizar o planejamento estratégico e acompanhar a gestão no dia-a-dia. 

    Acreditamos que a utilização de uma ferramenta para dar suporte ao planejamento estratégico seja fundamental, ajudando a explicitar onde você quer chegar e o que é necessário neste caminho.

    Neste texto falamos sobre a ferramenta do OKR, mas antes de implementá-la, propomos refletir sobre algumas premissas que consideramos importantes.

    Como enxergamos o planejamento estratégico?

    O planejamento estratégico é uma importante forma da empresa conseguir priorizar e não se perder nas urgências do dia-a-dia, além de garantir o alinhamento de todo o time em uma mesma direção e entender o porquê de realizar determinadas ações.

    Entendemos que existem diferentes formas de conduzir o planejamento de um negócio, e isso é particular de cada gestor(a).

    Existem aqueles que começam de forma mais macro, analisando como está o mercado e as tendências. Outros, começam a pensar em onde gostariam de ver a empresa em 10 anos, para depois então pensar no ano seguinte. E também os que começam se baseando no desejo para o ano seguinte e depois é que analisam o movimento macro do mercado e concorrentes para checar se há alinhamento.

    Para nós, mais importante do que a forma de planejar ou a meta de faturamento são as premissas que o embasam. É ter um planejamento que deixe claro para todos quais movimentos necessários para o ano e quais oportunidades devem ser aproveitadas (e quais não). Uma boa estratégia, independente de metodologia, vai te ajudar a chegar onde quer. 

    Para embasar um bom planejamento estratégia sugerimos seis ações que fazemos no Quintessa e aplicamos também aos negócios acelerados.

    Leia mais: Como a Acordo Certo criou um forte norte estratégico

    1. Tenha clareza do direcionamento a longo prazo 

    Para nós, uma premissa essencial é garantir que o planejamento seja construído em consistência com as crenças internas da empresa e direcionamentos de longo prazo. Nesse sentido, é importante ter definidos o propósito, visão e missão da organização. 

    Tenha clareza sobre a razão de existir, o que se deseja atingir no futuro e o que a empresa faz (ou não faz) para atingir essa visão de futuro.

    Sempre que pensamos na estratégia anual, em um objetivo a ser atingido ou ação a ser realizada, nos perguntamos: isso irá contribuir para a concretizar nossa visão no longo prazo? Isso está alinhado ao nosso propósito e missão? Esse alinhamento ajuda a transparecer para os colaboradores o significado do que estão fazendo hoje e como isso se conecta a um movimento maior.

    Além dessa definição, existe um exercício bem simples para alinhar o significado de sucesso para você e o seu time, complementar ao que estamos falando aqui. São 4 perguntas guias: você lê uma, responde individualmente, compartilha entre o time, depois lê a seguinte – e assim em diante.

    • Estamos em 2025 (daqui 5 anos). Abrimos o jornal e lemos a manchete que divulga o quanto demos certo. O que diz essa manchete? O que significa que “demos certo”?
    • O que fizemos entre 2020 e 2025 para que a empresa tivesse atingido esse resultado ou tivesse chegado a esse cenário?
    • Estamos em 2025 (daqui 5 anos). Abrimos o jornal e lemos a manchete que divulga que demos muito errado. O que diz essa manchete? O que significa que “demos errado”?
    • O que fizemos entre 2020 e 2025 para que a empresa tivesse atingido esse resultado ou tivesse chegado a esse cenário?

    É um exercício bem simples e ajuda tanto a alinhar o significado de sucesso entre o time, quanto a antecipar ações que devem ser realizadas no médio prazo. Você pode realizar ele pensando em um horizonte de cinco ou dez anos.

    A determinação da Teoria de Mudança do seu negócio de impacto pode ajudar neste sentido também, trazendo clareza sobre a transformação que se deseja gerar e os resultados esperados em termos do impacto social ou ambiental positivo gerado a curto e a longo prazo.

    Em resumo, antes de se planejar, você precisa reconhecer e determinar o que desejam ser.

    2. Faça uma leitura macro do mercado: considere o cenário do país e as tendências

    Ao traçar uma estratégia para a sua empresa, é importante considerar que ela faz parte de um sistema muito maior, e por isso influencia e é influenciada pelas ações dos atores ao seu redor.

    O que está acontecendo com o mercado que faz parte? Consumidores têm comprado mais de um jeito do que de outro? Algum movimento social ou cultural tem influenciado o mercado? Algum cenário ecológico deve entrar em pauta? 

    O mais importante destes questionamentos sobre o mercado é conseguir compor uma imagem de tendência que possam acontecer para os próximos 1-3 anos. A partir disso, é mais fácil pensar o papel da empresa neste contexto.

    Analise também os concorrentes e substitutos. O que eles estão praticando? Em que público estão focando? As inovações que estão trazendo podem fragilizar seu diferencial competitivo? Há algum espaço do mercado que sua empresa deveria ocupar?

    Essa análise te ajuda a identificar oportunidades e ameaças para o seu negócio no curto e longo prazo.

    O importante é saber fazer essa leitura com discernimento. Não é porque seus concorrentes estão realizando um movimento, que você tenha que acompanhar. Pode ser o caso de acompanhar (por exemplo, atualizando a tecnologia que vocês utilizam hoje) ou de ir na direção contrária (por exemplo, se diferenciando no canal de venda em relação ao que o mercado utiliza).

    3. Conheça as necessidades do seu cliente

    A visão do cliente traz informações fundamentais para o planejamento. Em outro texto já falamos sobre a importância da escuta da opinião dos clientes e parceiros de negócio. 

    Nesse aspecto da estratégia você deve levar em conta as melhorias no produto/serviço, a experiência do cliente, atendimento, relacionamento e reputação.  Identifique o que precisa ser resolvido e melhorado no curto prazo, para que possa atingir seus objetivos de longo prazo. 

    Qual produto tem vendido melhor? Por que? Qual tem sido o melhor canal de vendas? Há alguma reclamação ou sugestão recorrente? Qual sua taxa de retenção?

    Pense em como você deseja que a empresa seja vista e qual proposta de valor quer que o seu cliente enxergue.

    4. Olhe para dentro: considere sua capacidade e limites internos

    Tão importante quanto analisar o cenário externo é entender onde você está em relação a ele e quais fatores internos te colocam neste lugar. As oportunidades e ameaças do mercado te darão as dicas de como explorar seus pontos fortes e cuidar dos seus pontos fracos.

    Avalie os pontos fracos e fortes em processos internos, gestão de pessoas, financeiro, entre outros aspectos.

    A avaliação dos processos internos é importante para entender qual operação você precisa ter para entregar a solução para o cliente. Devem ser levadas em conta a produtividade, uso de tecnologia, gestão do conhecimento, custo e tempo de desenvolvimento com o objetivo de melhorar a qualidade e o grau de inovação dos processos da empresa. Aqui é importante questionar a eficiência e capacidade da empresa de melhoria contínua principalmente em um cenário de crescimento.

    No aspecto de pessoas, estamos falando sobre a equipe necessária para a operação, e também sobre aprendizado e crescimento. Entenda os talentos chave que você precisa atrair ou reter para alcançar os objetivos e o nível de senioridade necessário do time para as entregas.  

    Nesse momento é importante considerar a perspectiva do crescimento do time no longo prazo. Qual a infraestrutura necessária para garantir a qualidade do time em um cenário de crescimento? A resposta está relacionada ao desenvolvimento das pessoas, cultura, remuneração, garantindo satisfação, motivação e engajamento. Procure pensar nesses ativos “intangíveis” que são fundamentais para que a empresa tenha sucesso.

    Sobre a perspectiva financeira, avalie o custo dessa operação, qual a sua capacidade de investimento para o ano e os resultados que pretende atingir. 

    Embora o desempenho financeiro seja o que viabiliza que a empresa esteja funcionando no final do dia, entendemos que os números devem servir como indicadores de resultado e da saúde da empresa e não devem ser o que orienta unicamente a estratégia como um todo. 

    Essa dimensão é importante para analisar a relação entre as decisões que precisam ser tomadas nas outras áreas (pessoas, processos, produto) para que o desempenho financeiro seja alcançado, e para entender no que é possível investir ou não no momento. 

    5. Defina o que é necessário para o momento atual da empresa e priorize

    Como será o próximo ano? É sobre um desafio na construção do produto? Ou estamos falando de conseguir garantir a gestão de um time que precisará dobrar de tamanho? Será necessário captar investimento? 

    Traga esse debate para um ambiente entre sócios ou lideranças e se puder, envolva também os colaboradores, para definirem essas prioridades em conjunto. 

    Essa etapa é fundamental para embasar os objetivos e a alocação de recursos financeiros, tempo e esforço. Comunique de forma clara e transparente à toda equipe, para que entendam o que está por trás dos objetivos e metas que serão estabelecidos para cada um.

    Uma pergunta lúdica que usamos no exercício de priorização de objetivos é “o que nos fará abrir o champagne no final do ano? O que, se não acontecer, nos fará deixar de celebrar este ano? E o que é legal que aconteça, mas mesmo se não acontecer, vamos querer comemorar ainda assim?”. Claro que o champagne é uma brincadeira para simbolizar o momento de celebração, mas pode ajudar no exercício de visualização sobre o que realmente é prioritário que aconteça, frente a todos os assuntos que você deseja tirar do papel. 

    Vale se atentar aqui para diferenciar o que se deseja como sócio(a) e o que de fato sua empresa precisa e é necessário que aconteça. Um bom planejamento estratégico deve ir além do benefício individual e prezar pelo olhar coletivo.

    Já falamos essa frase anteriormente, mas vale repeti-la aqui: “Um não para B, é um sim para A”. Dado que há um limite do quanto você e seu time conseguem absorver, focar nos objetivos prioritários é uma forma de protegê-los e garantir que aconteçam. Muitos objetivos distintos podem dispersar a atenção do time e arriscar com que nenhum deles seja atingido com excelência.

    Ainda, vale a pena explicitar outro aspecto que influencia a construção da estratégia: o impacto social ou ambiental positivo gerado. Ele pode e deve enviesar a sua priorização em relação a locais de atuação, serviços/produtos realizados, público atendido e clientes, entre tantos outros aspectos do seu negócio. Ou seja, além do que deseja e do que é necessário que aconteça internamente, pode fazer sentido considerar o que é necessário que aconteça na sociedade com urgência também.

    6. Determine os ciclos de planejamento

    Já falamos do planejamento de longo e curto prazo, tanto pensando em cinco ou dez anos, quanto no ano atual em específico.

    Aqui no Quintessa, além do planejamento anual, nos organizamos com planejamentos trimestrais para termos momentos de ajustar as ações de acordo com o cenário e com a concretização dos objetivos gradativamente ao longo do ano.

    No Quintessa e nos negócios acelerados, utilizamos a ferramenta do OKR (Objectives and Key Results) na realização do nosso planejamento anual. Este texto do blog explica como funciona na prática e os nossos aprendizados com ela. 

    O uso de cada ferramenta traz crenças implícitas e, nesse momento, vale ressaltar o que está por trás do OKR. Ele é recomendado para quem quer atuar com foco em resultado, já que todos os objetivos têm resultados-chave mensuráveis e atribuídos a um colaborador ou grupo. Além disso, parte do cenário de que as coisas mudam rápido, e mais do que planejar o ano, também são feitos um planejamento e uma revisão a cada trimestre. 

    E depois?

    É depois de realizado o planejamento estratégico que você começa a pensar no orçamento, alocando os recursos de acordo com as ações que serão necessárias para alcançar os objetivos priorizados.

    Pós orçamento, é a hora da vida real! Certamente seu planejamento não vai acontecer exatamente como você imaginou. Você pode ter sido muito otimista na criação dele, muito pessimista, o mercado pode mudar, entre tantos outros fatores. A boa notícia é que quanto mais os anos passam e você realiza o planejamento, mais assertivo ele fica, pois você vai ganhando mais previsibilidade sobre o comportamento do mercado, dos seus clientes, time, etc. e vai aprendendo mais sobre onde você têm tendência de ser otimista ou pessimista. 

    Algumas pessoas gostam de fazer cenários de orçamento logo de início, com cenário pessimista – realista – otimista. Ter esses cenários em mente pode te ajudar a se sentir mais seguro(a) sobre o melhor ou pior que imagina que possa acontecer, bem como determinar as expectativas de resultados do time com bastante clareza. 

    Ainda assim, lembre do que falamos ao início: o planejamento serve como um norteador para suas ações – com a consciência, tranquilidade e desapego que as coisas não acontecerão exatamente da forma como você imaginou.

    Assim, o planejamento se torna ao vivo, vivenciado, que pode e deve ser ajustado se necessário. Quase tão importante quanto criá-lo, é acompanhá-lo. Checar mensalmente se estão atingindo as metas, se o cenário macro requer alguma adaptação, se o recorrente não atingimento de uma meta requer a redução de algum custo ou despesa orçados, entre outras análises. O importante é mantê-lo, ao longo do ano, como esse instrumento que norteia e coordena seu time.

    No momento em que escrevemos este texto, estamos em plena quarentena devido ao coronavírus. Teremos ajuda do nosso conselho e estamos ajudando nossos empreendedores a pensarem em como se adaptar diante deste novo cenário e ajustar seus planejamentos.

    Certamente teremos que realizar mudanças no nosso planejamento, mas sem a clareza de como será, fica difícil fazer um plano único e assertivo (como dissemos no ponto 2 deste texto). Caso seja necessário, se permita refazer o planejamento em fases, ou ciclos, pensando no que você pode decidir agora e o que precisará esperar mais alguma semanas e um cenário mais claro para decidir.

    Muitos negócios nos trazem dificuldade em priorizar ações no dia a dia e muitas vezes entendemos que são sintomas da falta de um planejamento estratégico embasado. Por isso, antes de implementar qualquer ferramenta, garanta que tenha passado pelas premissas básicas que compartilhamos aqui.

    Esperamos que estes pontos tenham te ajudado a refletir e se preparar! Leia o próximo texto, sobre como acompanhar o planejamento estratégico na prática e conte conosco para te apoiar a implementá-lo: conheça os nossos programas de aceleração para negócios de impacto ou escreva para [email protected].

    Conheça também um caso de sucesso em que implementamos o planejamento estratégico durante a aceleração da Acordo Certo.

  • Como embasar um bom planejamento estratégico

    Como embasar um bom planejamento estratégico

    Existem várias formas de gerir um negócio de impacto e diversas ferramentas para realizar o planejamento estratégico e acompanhar a gestão no dia-a-dia. 

    Acreditamos que a utilização de uma ferramenta para dar suporte ao planejamento estratégico seja fundamental, ajudando a explicitar onde você quer chegar e o que é necessário neste caminho.

    Neste texto falamos sobre a ferramenta do OKR, mas antes de implementá-la, propomos refletir sobre algumas premissas que consideramos importantes.

    Como enxergamos o planejamento estratégico?

    O planejamento estratégico é uma importante forma da empresa conseguir priorizar e não se perder nas urgências do dia-a-dia, além de garantir o alinhamento de todo o time em uma mesma direção e entender o porquê de realizar determinadas ações.

    Entendemos que existem diferentes formas de conduzir o planejamento de um negócio, e isso é particular de cada gestor(a).

    Existem aqueles que começam de forma mais macro, analisando como está o mercado e as tendências. Outros, começam a pensar em onde gostariam de ver a empresa em 10 anos, para depois então pensar no ano seguinte. E também os que começam se baseando no desejo para o ano seguinte e depois é que analisam o movimento macro do mercado e concorrentes para checar se há alinhamento.

    Para nós, mais importante do que a forma de planejar ou a meta de faturamento são as premissas que o embasam. É ter um planejamento que deixe claro para todos quais movimentos necessários para o ano e quais oportunidades devem ser aproveitadas (e quais não). Uma boa estratégia, independente de metodologia, vai te ajudar a chegar onde quer. 

    Para embasar um bom planejamento estratégia sugerimos seis ações que fazemos no Quintessa e aplicamos também aos negócios acelerados.

    Leia mais: Como a Acordo Certo criou um forte norte estratégico

    1. Tenha clareza do direcionamento a longo prazo 

    Para nós, uma premissa essencial é garantir que o planejamento seja construído em consistência com as crenças internas da empresa e direcionamentos de longo prazo. Nesse sentido, é importante ter definidos o propósito, visão e missão da organização. 

    Tenha clareza sobre a razão de existir, o que se deseja atingir no futuro e o que a empresa faz (ou não faz) para atingir essa visão de futuro.

    Sempre que pensamos na estratégia anual, em um objetivo a ser atingido ou ação a ser realizada, nos perguntamos: isso irá contribuir para a concretizar nossa visão no longo prazo? Isso está alinhado ao nosso propósito e missão? Esse alinhamento ajuda a transparecer para os colaboradores o significado do que estão fazendo hoje e como isso se conecta a um movimento maior.

    Além dessa definição, existe um exercício bem simples para alinhar o significado de sucesso para você e o seu time, complementar ao que estamos falando aqui. São 4 perguntas guias: você lê uma, responde individualmente, compartilha entre o time, depois lê a seguinte – e assim em diante.

    • Estamos em 2025 (daqui 5 anos). Abrimos o jornal e lemos a manchete que divulga o quanto demos certo. O que diz essa manchete? O que significa que “demos certo”?
    • O que fizemos entre 2020 e 2025 para que a empresa tivesse atingido esse resultado ou tivesse chegado a esse cenário?
    • Estamos em 2025 (daqui 5 anos). Abrimos o jornal e lemos a manchete que divulga que demos muito errado. O que diz essa manchete? O que significa que “demos errado”?
    • O que fizemos entre 2020 e 2025 para que a empresa tivesse atingido esse resultado ou tivesse chegado a esse cenário?

    É um exercício bem simples e ajuda tanto a alinhar o significado de sucesso entre o time, quanto a antecipar ações que devem ser realizadas no médio prazo. Você pode realizar ele pensando em um horizonte de cinco ou dez anos.

    A determinação da Teoria de Mudança do seu negócio de impacto pode ajudar neste sentido também, trazendo clareza sobre a transformação que se deseja gerar e os resultados esperados em termos do impacto social ou ambiental positivo gerado a curto e a longo prazo.

    Em resumo, antes de se planejar, você precisa reconhecer e determinar o que desejam ser.

    2. Faça uma leitura macro do mercado: considere o cenário do país e as tendências

    Ao traçar uma estratégia para a sua empresa, é importante considerar que ela faz parte de um sistema muito maior, e por isso influencia e é influenciada pelas ações dos atores ao seu redor.

    O que está acontecendo com o mercado que faz parte? Consumidores têm comprado mais de um jeito do que de outro? Algum movimento social ou cultural tem influenciado o mercado? Algum cenário ecológico deve entrar em pauta? 

    O mais importante destes questionamentos sobre o mercado é conseguir compor uma imagem de tendência que possam acontecer para os próximos 1-3 anos. A partir disso, é mais fácil pensar o papel da empresa neste contexto.

    Analise também os concorrentes e substitutos. O que eles estão praticando? Em que público estão focando? As inovações que estão trazendo podem fragilizar seu diferencial competitivo? Há algum espaço do mercado que sua empresa deveria ocupar?

    Essa análise te ajuda a identificar oportunidades e ameaças para o seu negócio no curto e longo prazo.

    O importante é saber fazer essa leitura com discernimento. Não é porque seus concorrentes estão realizando um movimento, que você tenha que acompanhar. Pode ser o caso de acompanhar (por exemplo, atualizando a tecnologia que vocês utilizam hoje) ou de ir na direção contrária (por exemplo, se diferenciando no canal de venda em relação ao que o mercado utiliza).

    3. Conheça as necessidades do seu cliente

    A visão do cliente traz informações fundamentais para o planejamento. Em outro texto já falamos sobre a importância da escuta da opinião dos clientes e parceiros de negócio. 

    Nesse aspecto da estratégia você deve levar em conta as melhorias no produto/serviço, a experiência do cliente, atendimento, relacionamento e reputação.  Identifique o que precisa ser resolvido e melhorado no curto prazo, para que possa atingir seus objetivos de longo prazo. 

    Qual produto tem vendido melhor? Por que? Qual tem sido o melhor canal de vendas? Há alguma reclamação ou sugestão recorrente? Qual sua taxa de retenção?

    Pense em como você deseja que a empresa seja vista e qual proposta de valor quer que o seu cliente enxergue.

    4. Olhe para dentro: considere sua capacidade e limites internos

    Tão importante quanto analisar o cenário externo é entender onde você está em relação a ele e quais fatores internos te colocam neste lugar. As oportunidades e ameaças do mercado te darão as dicas de como explorar seus pontos fortes e cuidar dos seus pontos fracos.

    Avalie os pontos fracos e fortes em processos internos, gestão de pessoas, financeiro, entre outros aspectos.

    A avaliação dos processos internos é importante para entender qual operação você precisa ter para entregar a solução para o cliente. Devem ser levadas em conta a produtividade, uso de tecnologia, gestão do conhecimento, custo e tempo de desenvolvimento com o objetivo de melhorar a qualidade e o grau de inovação dos processos da empresa. Aqui é importante questionar a eficiência e capacidade da empresa de melhoria contínua principalmente em um cenário de crescimento.

    No aspecto de pessoas, estamos falando sobre a equipe necessária para a operação, e também sobre aprendizado e crescimento. Entenda os talentos chave que você precisa atrair ou reter para alcançar os objetivos e o nível de senioridade necessário do time para as entregas.  

    Nesse momento é importante considerar a perspectiva do crescimento do time no longo prazo. Qual a infraestrutura necessária para garantir a qualidade do time em um cenário de crescimento? A resposta está relacionada ao desenvolvimento das pessoas, cultura, remuneração, garantindo satisfação, motivação e engajamento. Procure pensar nesses ativos “intangíveis” que são fundamentais para que a empresa tenha sucesso.

    Sobre a perspectiva financeira, avalie o custo dessa operação, qual a sua capacidade de investimento para o ano e os resultados que pretende atingir. 

    Embora o desempenho financeiro seja o que viabiliza que a empresa esteja funcionando no final do dia, entendemos que os números devem servir como indicadores de resultado e da saúde da empresa e não devem ser o que orienta unicamente a estratégia como um todo. 

    Essa dimensão é importante para analisar a relação entre as decisões que precisam ser tomadas nas outras áreas (pessoas, processos, produto) para que o desempenho financeiro seja alcançado, e para entender no que é possível investir ou não no momento. 

    5. Defina o que é necessário para o momento atual da empresa e priorize

    Como será o próximo ano? É sobre um desafio na construção do produto? Ou estamos falando de conseguir garantir a gestão de um time que precisará dobrar de tamanho? Será necessário captar investimento? 

    Traga esse debate para um ambiente entre sócios ou lideranças e se puder, envolva também os colaboradores, para definirem essas prioridades em conjunto. 

    Essa etapa é fundamental para embasar os objetivos e a alocação de recursos financeiros, tempo e esforço. Comunique de forma clara e transparente à toda equipe, para que entendam o que está por trás dos objetivos e metas que serão estabelecidos para cada um.

    Uma pergunta lúdica que usamos no exercício de priorização de objetivos é “o que nos fará abrir o champagne no final do ano? O que, se não acontecer, nos fará deixar de celebrar este ano? E o que é legal que aconteça, mas mesmo se não acontecer, vamos querer comemorar ainda assim?”. Claro que o champagne é uma brincadeira para simbolizar o momento de celebração, mas pode ajudar no exercício de visualização sobre o que realmente é prioritário que aconteça, frente a todos os assuntos que você deseja tirar do papel. 

    Vale se atentar aqui para diferenciar o que se deseja como sócio(a) e o que de fato sua empresa precisa e é necessário que aconteça. Um bom planejamento estratégico deve ir além do benefício individual e prezar pelo olhar coletivo.

    Já falamos essa frase anteriormente, mas vale repeti-la aqui: “Um não para B, é um sim para A”. Dado que há um limite do quanto você e seu time conseguem absorver, focar nos objetivos prioritários é uma forma de protegê-los e garantir que aconteçam. Muitos objetivos distintos podem dispersar a atenção do time e arriscar com que nenhum deles seja atingido com excelência.

    Ainda, vale a pena explicitar outro aspecto que influencia a construção da estratégia: o impacto social ou ambiental positivo gerado. Ele pode e deve enviesar a sua priorização em relação a locais de atuação, serviços/produtos realizados, público atendido e clientes, entre tantos outros aspectos do seu negócio. Ou seja, além do que deseja e do que é necessário que aconteça internamente, pode fazer sentido considerar o que é necessário que aconteça na sociedade com urgência também.

    6. Determine os ciclos de planejamento

    Já falamos do planejamento de longo e curto prazo, tanto pensando em cinco ou dez anos, quanto no ano atual em específico.

    Aqui no Quintessa, além do planejamento anual, nos organizamos com planejamentos trimestrais para termos momentos de ajustar as ações de acordo com o cenário e com a concretização dos objetivos gradativamente ao longo do ano.

    No Quintessa e nos negócios acelerados, utilizamos a ferramenta do OKR (Objectives and Key Results) na realização do nosso planejamento anual. Este texto do blog explica como funciona na prática e os nossos aprendizados com ela. 

    O uso de cada ferramenta traz crenças implícitas e, nesse momento, vale ressaltar o que está por trás do OKR. Ele é recomendado para quem quer atuar com foco em resultado, já que todos os objetivos têm resultados-chave mensuráveis e atribuídos a um colaborador ou grupo. Além disso, parte do cenário de que as coisas mudam rápido, e mais do que planejar o ano, também são feitos um planejamento e uma revisão a cada trimestre. 

    E depois?

    É depois de realizado o planejamento estratégico que você começa a pensar no orçamento, alocando os recursos de acordo com as ações que serão necessárias para alcançar os objetivos priorizados.

    Pós orçamento, é a hora da vida real! Certamente seu planejamento não vai acontecer exatamente como você imaginou. Você pode ter sido muito otimista na criação dele, muito pessimista, o mercado pode mudar, entre tantos outros fatores. A boa notícia é que quanto mais os anos passam e você realiza o planejamento, mais assertivo ele fica, pois você vai ganhando mais previsibilidade sobre o comportamento do mercado, dos seus clientes, time, etc. e vai aprendendo mais sobre onde você têm tendência de ser otimista ou pessimista. 

    Algumas pessoas gostam de fazer cenários de orçamento logo de início, com cenário pessimista – realista – otimista. Ter esses cenários em mente pode te ajudar a se sentir mais seguro(a) sobre o melhor ou pior que imagina que possa acontecer, bem como determinar as expectativas de resultados do time com bastante clareza. 

    Ainda assim, lembre do que falamos ao início: o planejamento serve como um norteador para suas ações – com a consciência, tranquilidade e desapego que as coisas não acontecerão exatamente da forma como você imaginou.

    Assim, o planejamento se torna ao vivo, vivenciado, que pode e deve ser ajustado se necessário. Quase tão importante quanto criá-lo, é acompanhá-lo. Checar mensalmente se estão atingindo as metas, se o cenário macro requer alguma adaptação, se o recorrente não atingimento de uma meta requer a redução de algum custo ou despesa orçados, entre outras análises. O importante é mantê-lo, ao longo do ano, como esse instrumento que norteia e coordena seu time.

    No momento em que escrevemos este texto, estamos em plena quarentena devido ao coronavírus. Teremos ajuda do nosso conselho e estamos ajudando nossos empreendedores a pensarem em como se adaptar diante deste novo cenário e ajustar seus planejamentos.

    Certamente teremos que realizar mudanças no nosso planejamento, mas sem a clareza de como será, fica difícil fazer um plano único e assertivo (como dissemos no ponto 2 deste texto). Caso seja necessário, se permita refazer o planejamento em fases, ou ciclos, pensando no que você pode decidir agora e o que precisará esperar mais alguma semanas e um cenário mais claro para decidir.

    Muitos negócios nos trazem dificuldade em priorizar ações no dia a dia e muitas vezes entendemos que são sintomas da falta de um planejamento estratégico embasado. Por isso, antes de implementar qualquer ferramenta, garanta que tenha passado pelas premissas básicas que compartilhamos aqui.

    Esperamos que estes pontos tenham te ajudado a refletir e se preparar! Leia o próximo texto, sobre como acompanhar o planejamento estratégico na prática e conte conosco para te apoiar a implementá-lo: conheça os nossos programas de aceleração para negócios de impacto ou escreva para [email protected].

    Conheça também um caso de sucesso em que implementamos o planejamento estratégico durante a aceleração da Acordo Certo.

  • Conheça ações de startups de impacto que podem te ajudar durante a crise do coronavírus

    Conheça ações de startups de impacto que podem te ajudar durante a crise do coronavírus

    startups e coronavirus

    Neste momento de atenção e cuidado, acreditamos que a ação do governo, dos profissionais da saúde e as ações coletivas da população são essenciais, mas iniciativas empreendedoras também estão demonstrando papel importante para minimizar o impacto dessa crise. 

    Nossa crença é que as empresas podem e devem ser parte da solução dos nossos desafios sociais e ambientais centrais. 

    Conheça as ações promovidas pelos negócios de impacto da rede do Quintessa e de startups do ecossistema brasileiro para ajudar neste momento.

    Saúde

    TNH Health

    Assistente virtual dentro da plataforma Vitalk, que tira dúvidas comuns sobre o COVID-19, checa sintomas para dar orientações ao vivo e dá apoio emocional. No aplicativo Vitalk, além de todo o conteúdo para cuidar da saúde mental foram adicionados conteúdos focados em isolamento social e os impactos do COVID-19 na saúde emocional.
    Saiba mais

    Tamboro

    Em parceria com a Arte Despertar, a Tamboro desenvolveu a Sou Saúde: Solução on-line e gratuita para o desenvolvimento socioemocional dos profissionais da saúde, visando contribuir para que possam lidar com as situações a que estão expostos diariamente. Os profissionais poderão acessar uma trilha desenvolvida especialmente para eles, trocar experiências e ouvir podcasts que vão de encontro aos seus anseios presentes.
    Saiba mais

    Senior Concierge

    Em parceria com o Mão na Roda, a Senior Concierge lançou o projeto Escuta Solidária, uma plataforma de apoio psicológico aos profissionais de saúde que estão na linha de frente lidando com COVID 19 e para os idosos, oferecido por psicólogos voluntários.
    Saiba mais

    Universaúde

    Telessaúde aberto para tirar dúvidas sobre o COVID-19. A ferramenta está a disposição 24 horas todos os dias via Chat online no site. Uma outra ação será a realização de 40 Lives de 18/03 a 12/05 através do canal no Youtube, das 20h57 às 21h30, abordando 7 temas da área da Saúde para gestores e profissionais de saúde.
    Saiba mais

    Caren.App

    Teste gratuito de auto-avaliação para os sintomas do COVID-19.
    Saiba mais

    Fleximedical

    Desenvolvimento de unidades móveis e portáveis  (containers, carretas, ônibus, vans) para suprir a falta de leitos de internação, leitos de isolamento,  UTI e exames que fazem parte do protocolo de tratamento do Coronavírus, como tomografia.
    Saiba mais

    Telavita

    A plataforma oferece atendimento de psicoterapia online com profissionais qualificados para cuidar da saúde mental e emocional ao público geral e a empresas interessadas em oferecer esse benefício aos seus colaboradores.
    Saiba mais

    Dandelin

    Disponibiliza um filtro no app para encontrar médicos aptos a atender casos de COVID-19, e oferece consultas gratuitas para pessoas no grupo de risco. Além disso estão distribuindo gratuitamente álcool em gel, máscaras, luvas e cartilhas de como se comportar para ajudar a conter a contaminação. São 3.000 horários disponíveis exclusivamente para casos de COVID-19.
    Saiba mais

    Dr. Sintomas

    Autoavaliação gratuita baseada nos protocolos da OMS para o COVID-19. Também pode ser utilizada como triagem digital por governos e empresas privadas.
    Saiba mais

    Labi Exames

    Até o fim de março, testes gratuitos para identificar o COVID19 nos pacientes acima de 80 anos. Quem estiver apresentando os sintomas do Coronavírus, pode preencher um questionário e anexar o pedido médico para agendar o serviço de coleta em casa do Labi sem custos. Os exames são restritos à área de cobertura e limitados à capacidade de atendimento.
    Saiba mais

    VidaClass

    Consultas online por 30 dias para avaliar sintomas do coronavírus.
    Saiba mais

    SaveLivez

    Desenvolvimento da Livia.bot, uma assistente virtual que ajuda nas dúvidas sobre o COVID-19 e também sobre os requisitos para a doação de sangue de forma online e gratuita.
    Saiba mais

    Colab e Epitrack

    Criação da plataforma Brasil Sem Corona, com objetivo de diminuir a disseminação do vírus nas cidades, mapeando os casos de Covid-19 e as regiões com risco de surtos.
    Saiba mais

    Oli

    Plataforma de planos e gestão de saúde que está disponibilizando seu checkup digital e plataforma de atendimento médico 24hrs sem custo pelo período de 15 dias.
    Saiba mais

    Educação

    Nave À Vela

    Plataforma de atividades makers em casa para serem utilizadas gratuitamente por qualquer escola. São atividades mão na massa com objetivo de desenvolvimento de competências socioemocionais.
    Saiba mais

    A Taba

    Maratona de histórias, rodas de leitura online e contações de histórias gratuitas para crianças, além de disponibilizar dicas de atividades e oferta de materiais gratuitos para as famílias.
    Saiba mais

    Stoodi 

    Videoaulas de preparação para o vestibular disponíveis gratuitamente no aplicativo.  A ação tem duração inicial de 30 dias, podendo ser prorrogada caso a suspensão das aulas em escolas do país permaneça por mais tempo.
    Saiba mais

    Reconectta

    Conteúdo com inúmeras possibilidades de atividades e materiais de educação e sustentabilidade para pais, filhos e educadores no período que estão em casa.
    Saiba mais

    Jornal Joca 

    1. Abertura de todos os conteúdos sobre coronavírus no site:
    • Edição 145 da versão impressa em PDF
    • Informações atualizadas
    • Matérias e reportagens
    • Podcasts para educadores e para jovens
    • Atividades para as escolas aplicarem à distância
      Saiba mais

    Já Entendi

    Disponibiliza por 6 meses de forma gratuita o curso preparatório para o ENEM. Após fazer o cadastro, é necessário solicitar a liberação para [email protected]
    Saiba mais

    ChatClass

    Plataforma de aprendizado de inglês via Whatsapp e aulas ao vivo disponíveis gratuitamente até 17 de Abril.
    Saiba mais

    ForEducation Edtech

    Guia de boas práticas para aulas online, incluindo ferramentas e orientação pedagógica.
    Saiba mais

    Alfa e Beto

    Disponibiliza de forma gratuita os cursos online para educadores e jogos pedagógicos para alfabetização, matemática e desenvolvimento da fluência de leitura para crianças.
    Saiba mais

    Bem-estar

    Pé de Feijão

    Programa de assessoria remota para apoiar as pessoas a se organizarem no homeoffice para comer em casa. Planejamento alimentar online via lives, pílulas de conteúdo, apostilas e com um canal no WhatsApp para tirar dúvidas sobre alimentação.
    Saiba mais

    Mais Vívida

    Está disponível de forma gratuita a operação da startup, que recruta jovens para apoiar idosos em diferentes atividades, como compras de remédios e suprimentos, auxílio tecnológico remoto e contato por videochamadas para combater o isolamento.
    Saiba mais

    Informação

    Hand Talk

    Disponibiliza de forma gratuita para site de notícias o plugin para tradução de texto em Libras, para tornar a informação acessível para surdos.
    Saiba mais 

    Guia Para Todos Verem | Veever

    Plataforma que centraliza de forma acessível para cegos e pessoas com baixa visão diversas informações sobre o COVID-19. Idealizada pela equipe da startup Veever.
    Saiba mais

    Serviços

    Nobis

    Plataforma que conecta clientes a prestadores de serviços em domicílio. Estão oferecendo canal de vendas gratuito a pequenos comerciantes e serviços especiais como comprador pessoal, gerando renda para autônomos, MEIs e pessoas desempregadas.
    Saiba mais

    Conhece alguma iniciativa para incluir nesta lista? Comente ou envie para [email protected].

    Compartilhe com a sua rede:

    covid solucoes de startups

     


    Identificamos também outras listas similares a essa, e disponibilizamos abaixo:
    #StartupsVSCovid19 | Startups brasileiras contra o coronavírus
    Pandemia coronavírus: a hora das startups mostrarem sua força
    Gonew Community #StartupsVsCovid19

  • O crescimento do negócio e seus dilemas: quando, como e a qual ritmo crescer?

    O crescimento do negócio e seus dilemas: quando, como e a qual ritmo crescer?

    É um desafio para todo(a) empreendedor(a) conseguir equilibrar os movimentos de crescimento e de estruturação da gestão do negócio, ou seja, o crescimento no curto prazo com a formação de uma base que sustente o crescimento a longo prazo. 

    Ouvimos reflexões como: primeiro devo vender ou primeiro devo contratar uma equipe para garantir a qualidade da entrega? Devo iniciar o foco em vendas ou finalizar o produto que estamos desenhando? Como diferenciar, no dia a dia, o “feito” do “perfeito”?

    Dado que é impossível padronizar uma resposta única que se aplique aos mais diversos casos, sugerimos aqui algumas perguntas que podem te ajudar nas reflexões necessárias:

    • Considerando o que já ouvi do mercado, dos meus potenciais clientes, sobre o que precisam como solução para suprir sua necessidade, meu produto/serviço já está suficiente para operar no mercado? O quanto já não passei do limite de refinar buscando uma versão perfeita na minha concepção e está na hora de ouvir o mercado e testar na prática? Os clientes estão dizendo que a solução está suficiente ou está abaixo do que esperavam? 
    • Qual a lógica do meu serviço/produto? Consigo melhorar ele colocando algumas horas a mais de dedicação e contratando um time maior ou mais sênior? Ou o aprimoramento dele demanda um longo ciclo de desenvolvimento?
    • O que o seu time está dizendo? Estão com capacidade ociosa e com disponibilidade para absorver mais demandas? Ou já estão no limite no que conseguem operar?
    • Caso precise contratar mais pessoas, quanto tempo isso leva? Você tem fácil acesso a novos talentos? Quanto tempo demora para treinar as pessoas e fazer a introdução ao seu negócio, metodologias e cultura? É possível contratar terceiros temporariamente para executarem as tarefas com a qualidade necessária? Você tem disponibilidade de caixa (recursos financeiros) para absorver estas novas contratações?
    • O quanto você já delegou funções e preparou seu time para suportar o crescimento? O quanto as funções ainda estão muito centralizadas em você e isso será um gargalo para crescer?
    • Qual o timing do mercado? É o momento de ter uma atitude conservadora e evitar a tomada de novos riscos? Ou é o momento de aproveitar uma janela de oportunidade e tomar mais riscos para acompanhar o crescimento do mercado?

    Estas perguntas podem parecer simples, mas são muito úteis no momento de evitar um “crescimento a qualquer custo” que comprometam a perenidade do seu negócio. 

    Quando falamos em ser algo “a qualquer custo” é no sentido de não olhar para o time, para a cultura, para a governança, podendo levar à cenários como perda de talentos chave para o time, perda de clientes que deveriam estar renovando e risco de ameaçar seu próprio potencial de crescimento.

    Falamos que o processo ocorre como um “efeito sanfona”: você cresce um pouco, depois segura as vendas e estrutura o time para entregar o que foi vendido. Depois, força um pouco mais as vendas. Repetindo o ciclo continuamente. Abaixo trazemos algumas dicas práticas.

    Ouça os clientes e o seu time

    Dado que não há um “certo” ou “errado” determinado, uma boa prática é estar sempre conectado(a) às pessoas ao seu redor e ao que elas estão dizendo. Na experiência do Quintessa, os bons movimentos de crescimento estão relacionados a empreendedores que escutam muito os clientes, para entender se estão conseguindo satisfazer e entregar o que prometeram, e escutam muito o time, para garantir que estão com capacidade de entrega e não sobrecarregá-los.

    Estando com os ouvidos abertos, conectado(a) com seu time e o mercado, você ganha mais segurança para ir calibrando o processo de crescimento enquanto ele acontece. É como uma espécie de termômetro, como um instrumento para calibrar suas ações. Você não tem como saber se o carro vai aguentar a viagem sem checar como está o combustível, por exemplo. Da mesma forma, não tem como você saber se a empresa irá aguentar o crescimento sem checar a opinião dos seus clientes e do seu time.

    Neste aspecto, valem métodos mais qualitativos e mais precisos. 

    Vale a pena fazer conversas informais, de corredor, com seu time, investigando, por exemplo, o quanto as pessoas estão seguras para realizar as entregas necessárias, o quanto já estão no seu limite de capacidade de entrega, o quanto estão com uma boa saúde mental dada a correria do dia a dia, o quanto estão engajados com o direcionamento que a empresa está tomando. Com os clientes, vale a pena ligar para eles e/ou agendar um café e ouvir seu depoimento, se estão satisfeitos e o que entendem que deveria melhorar.

    E vale a pena também fazer pesquisas mais quantitativas, como pesquisas de clima anônimas dentro do time e mensuração de churn, taxa de renovação de contratos e índice de satisfação (como o NPS) dentro do portfólio de clientes.

    Se os clientes e o time não estão satisfeitos no cenário atual, fica óbvio que não é o momento de pisar no acelerador. Se estão, pode ser o momento de aumentar o ritmo e se lançar em novos projetos.

    É essencial que a transparência faça parte deste processo. Seja com pactos explícitos com o time, como “agora precisaremos correr para entregar”, bem como com o cliente, no sentido de explicar o que você já entregou antes e o que será algo novo que irão experimentar juntos.

    Três dicas sobre este aspecto:

    1. Um bom time é essencial para aguentar um ritmo de crescimento mais acelerado. Conte com pessoas boas, em quem você possa confiar para delegar, e lembre-se de trazer perfis complementares, pessoas com diferentes habilidades necessárias para o desenvolvimento do negócio;
    2. Ouça seus clientes sobre a percepção deles sobre o mercado de uma forma mais ampla. Eles acham que o mercado está crescendo ou se retraindo? Estão sendo abordados por seus concorrentes ou substitutos? Estão prevendo alguma mudança na forma de operar deste segmento? A demanda por aumentar o ritmo de crescimento pode não vir apenas de você ou de seus investidores, mas pode ser uma demanda do próprio mercado e da necessidade de se adaptar para que o seu negócio continue sendo competitivo;
    3. O limite entre o “feito” e o “perfeito” é determinado pelos seus clientes e a percepção deles sobre a entrega estar agregando valor suficiente.

    Entenda as suas prioridades

    Até onde você está disposto(a) a chegar para alavancar o ritmo de crescimento do seu negócio?

    Perguntamos isso, pois a resposta para cada pessoa muda. Algumas estão dispostas a lidar com reclamações de clientes para terem um ritmo de crescimento mais acelerado. Outras preferem proteger uma boa reputação junto aos clientes e crescer em um ritmo mais moderado.

    Algumas pessoas preferem preservar a saúde mental do time e manter um ritmo de trabalho mais equilibrado. Outras preferem arriscar passar por pedidos de demissão e turn over, mas subir o ritmo de entregas sem crescer o time.

    Aqui no Quintessa partimos de uma visão de longo prazo, acreditando em um crescimento que seja sustentado ao longo dos anos. Não adianta triplicar de um ano para o outro, mas fechar no ano seguinte porque seus clientes e time te abandonaram. Ao mesmo tempo, se você ficar estagnado(a), sem crescer, o time poderá sair por não enxergar novos desafios para crescer e os clientes poderão sair por não perceberem evolução na solução frente às mudanças do mercado. 

    Assim, entenda as suas prioridades e ouça as pessoas, para ir constantemente calibrando se está chegando nos limites que você delineou.

    Mantenha o foco

    Em momentos de crescimento, novas frentes de negócio e clientes podem surgir, modelos de negócio podem ser repensados e soluções pivotadas. Sabemos que, tanto em um crescimento rápido, quanto em um ritmo mais lento, é comum o(a) empreendedor(a) ficar ansioso(a) para testar novos modelos.

    Uma startup é um grupo de pessoas buscando um modelo de negócio escalável, então naturalmente existe essa premissa de que você pode pivotar e testar. O desafio é equilibrar este leque de possibilidades com o foco necessário para crescer com velocidade.

    Nos diagnósticos do Quintessa, identificamos a falta de foco na maioria dos negócios que iniciam a aceleração. Isso é um problema, pois pode reduzir muito o ritmo de crescimento do negócio e torná-lo ineficiente. 

    Quando o time acabou de se tornar expert em realizar uma entrega, chega uma nova demanda, que requer novas expertises nas quais o time ainda não está treinado. Assim, ao invés de replicar, é necessário começar do zero novamente. Isso se aplica a novos produtos/serviços e também a novos perfis de clientes.

    Na hora de diferenciar uma nova oportunidade de uma potencial nova “furada”, vale se questionar:

    • Meu time já possui as competências necessárias para realizar esta nova entrega?
    • Qual o nível de demanda dos novos ajustes necessários?
    • O valor que vou receber pelo serviço/produto compensa os custos que terei para realizar estes ajustes?
    • Esta demanda que está se apresentando é única (exclusiva deste cliente), me distanciando no meu foco? Ou ela representa um novo e relevante segmento de atuação para o meu negócio (com mais clientes também tendo essa necessidade), sendo uma oportunidade para me aproximar da minha direção de futuro? A demanda desse cliente é recorrente ou é um projeto pontual? (Estes textos podem te ajudar nessa descoberta)

    “Startup não mente, apenas estica a verdade” 

    Essa frase foi dita por um dos nossos empreendedores e representa bem o que acontece com eles na realidade. 

    Vale ressaltar aqui que não estamos falando sobre enganar o cliente ou prometer algo sem saber como irá entregar. É importante ser realista e vender aquilo que está dentro do que você e o seu time têm capacidade de realizar.

    Seja transparente, como falamos ao início.

    Cuide do tamanho da entrega. Por exemplo, se é algo que nunca entregou, é melhor prometer dezenas de unidades, do que milhões de unidades logo de início.

    Cuide do tempo, do prazo da entrega, tendo tempo suficiente para realizar os ajustes.

    Cuide do preço, garantindo que poderá absorver os novos custos associados.

    A questão aqui é você mapear o que precisará realizar, quais são os riscos envolvidos, se poderá mitigá-los e o quanto consegue correr atrás e honrar o que vendeu, priorizando sempre a satisfação do cliente.

    Existem realidades de crescimento distintas

    Uma realidade é quando você recebe um aporte de capital: seu foco estará no crescimento. Você precisa provar que tem a capacidade de crescer, que existe demanda para o seu serviço/produto. Neste caso, o crescimento tende a ser mais acelerado, mas você deve ficar muito atento(a) para evitar o “crescimento a qualquer custo” e cair nos cenários que citamos no início.

    Outra realidade é quando o crescimento está limitado em função do caixa disponível para reinvestir no negócio, ou seja, da receita e do lucro gerados pelas vendas. Nesse caso aparece ainda mais a necessidade de vender para primeiro para pagar as contas do próximo mês e aí sim, ter time para cuidar da estruturação da empresa. 

    Além disso, a depender do modelo de negócio, o ciclo de vendas pode ser mais longo ou complexo. Startups que trabalham com educação básica, por exemplo, têm que vender no ano anterior o que será a entrega e a receita do ano seguinte. É um desafio constante: vender antes e depois se organizar para entregar. Quando falamos de startups de base tecnológica, às vezes acontece o inverso: preciso primeiro ter um produto robusto, para depois poder vendê-lo no mercado. 

    Esperamos que as reflexões que sugerimos aqui te ajudem nas decisões do dia a dia – e queremos te ouvir: quais outras boas práticas você recomenda aos empreendedores que estão nesta fase?

     


    Sugestões de conteúdo:

    Texto | Qual o momento certo de trazer escala para o modelo de negócios de impacto? | Notícias de Impacto

    Texto | Meu negócio está crescendo, e agora? | Notícias de Impacto

    Podcast | KaleydosCast: Como escalar o seu negócio de impacto

  • Investidores e fundos de investimento: como escolher e ser escolhido(a)

    Investidores e fundos de investimento: como escolher e ser escolhido(a)

    A relação entre o(a) empreendedor(a) e seu(sua) investidor(a) ou fundo é uma relação de sociedade e comprometimento de longo prazo. Por isso, o processo de escolha de quem será este parceiro deve receber o devido cuidado.

    Da mesma forma que o fundo faz seu processo de seleção, de diligência, pede materiais, estuda o negócio e o mercado, o(a) empreendedor(a) deve fazer a sua parte na escolha cuidadosa do seu potencial investidor. 

    Depois de detalhar os tipos de capital e modalidades de investimento disponíveis no mercado, trazemos experiências e dicas desse processo de escolha, na visão dos dois lados: o(a) empreendedor(a) e o(a) investidor(a) ou fundo.

    Defina os critérios e faça uma boa pesquisa

    Podemos dizer que o processo de captação se assemelha a um processo de vendas, no sentido de que você vai abordar muitas pessoas e executar muitas atividades, dentre reuniões, follow ups, envio de materiais… Então é preciso gerenciar tudo de forma organizada, com CRM, organização de pipeline e um bom estudo dos potenciais investidores. 

    O primeiro passo é definir as premissas sobre o seu negócio e a rodada de captação, para garantir fit com o que os investidores podem/querem investir. Por exemplo:

      • tese de investimento (em quais tipos de negócio investe ou não, seja pelo estágio de maturidade, setor de atuação, perfil dos empreendedores, localização da sede ou outras características)
      • ticket de investimento (quanto investe em cada negócio)

    Depois vale definir quais são os critérios importantes para você na escolha do fundo. Por exemplo:

    • experiência no setor de atuação
    • conhecimento técnico ou de negócios que pode te agregar 
    • quantas pessoas e quem são as pessoas que compõem o time
    • tamanho do fundo (no viés do potencial para participar em novas rodadas de captação que você faça)
    • portfólio (quais outros negócios já investiu e como foi a performance deles – e a relação com eles)
    • localização (onde está situada sua sede e se isso pode interferir na proximidade da relação entre vocês)

    Com esses critérios definidos, estude sobre os fundos e investidores que você pretende conversar. O material já reunido no GUIA 2.5 pode te ajudar nisso. Assim você terá clareza de quem são os atores que você deseja se relacionar e quais você já pode descartar por não ter fit com o que está buscando. Entenda, registre e conheça as características de cada um deles antes de abordá-los. Isso vai também te dar mais eficiência no processo, sem desperdiçar seu escasso tempo: por exemplo, se um fundo apenas investe em negócios com modelo B2C e o seu modelo é B2B, não vale priorizar esta conversa frente a outras com maior fit. 

    Além de conhecer o fundo, conheça também o processo de captação como um todo e as regras do jogo. Este texto inicial, e este sobre tipos de capital podem te ajudar.

    Smart money: entenda o que o(a) investidor(a) pode agregar

    Já é esperado que os investidores agreguem valor além de somente dinheiro. Assim, é preciso ir além. É importante considerar o que esse smart money significa para cada um dos investidores, para entender como – e até onde – eles poderão apoiar o seu negócio. Algumas das formas de suporte dos investidores podem ser:

    • participação em decisões estratégicas, com conhecimento técnico sobre produto, setor de atuação ou gestão de negócios
    • networking / abertura de novas redes de relacionamento
    • conexões com potenciais clientes
    • conexões para contratações chave
    • estruturação da gestão
    • estruturação da governança
    • mensuração de impacto
    • gestão do ciclo de vida da estrutura de capital: planejamento de novas rodadas e atração de mais capital

    Neste momento vale entender também o que você precisa para o atual estágio do negócio. Dependendo dos desafios que você está vivendo, pode ser um fundo voltado para tecnologia, estruturação do negócio, ganho de escala, internacionalização, etc.

    Além desses aspectos técnicos que estamos citando, é muito importante considerar também outros aspectos mais subjetivos e relacionais. O contato e a relação construída entre vocês entra como fator de peso na decisão. É necessário ter alinhamento de valores, de visão de futuro do negócio, de visão sobre o time, do que é prioridade e de como deve ser a cultura do negócio, além de uma relação de confiança para tomarem decisões em conjunto.

    O mesmo acontece para os investidores. Tanto quanto o produto e o mercado em que estão investindo, a figura do(a) empreendedor(a) é um forte indicativo sobre quanto o negócio pode dar certo e faz muita diferença no momento de apostar as fichas.

    Costumamos brincar que a relação investidores-empreendedores é como um casamento, tem que haver uma química entre os dois lados, construindo uma relação de confiança, de parceria e transparência –  com desejo de estarem juntos a médio-longo prazo e passarem juntos pelos desafios do dia a dia.

    Para empreendedores de impacto em especial, um fator que ganha relevância na escolha do fundo ou investidor(a) é o alinhamento em relação ao propósito da empresa. Um negócio de impacto pode ser investido por fundos de impacto ou não, mas é  importante estarem focados no mesmo propósito e garantirem que o olhar para resultado estará sempre alinhado ao olhar para geração de impacto positivo.

    Converse com outros empreendedores

    Uma lição de casa que todo(a) empreendedor(a) deve fazer no processo de escolha é conversar com empreendedores que já foram investidos por esse investidor ou fundo.

    Por mais que você estude os critérios, é a experiência real de outras pessoas que irá dizer como funciona na prática. Se de fato agregam o valor prometido, como lideram em situações desafiadoras, se ajudam ou não nas outras rodadas de captação, como se comportam no momento de cobrar resultados, entre outros tipos de depoimento.

    Aqui no Quintessa, durante o processo seletivo para a aceleração, é natural passarmos o contato de empreendedores que já foram acelerados, para que o(a) empreendedor(a) possa ouvir sobre a nossa atuação diretamente de quem já viveu na prática. É unânime o feedback que todos nos dão sobre a importância que essa conversa teve no momento de escolher nossa aceleração frente a outros programas. Você bem sabe que a opinião de outro(a) empreendedor(a), que conhece suas dores e já passou por desafios similares, tem muito valor.

    Cuide da abordagem e do relacionamento

    Uma parte importante durante o processo é usar o seu networking, a sua rede de relacionamento, para identificar alguém que possa te introduzir e conectar com o potencial investidor, evitando uma abordagem “fria”. Investidores recebem propostas, materiais e pedidos de reunião todos os dias, e por isso, ser apresentado por alguém de confiança é uma excelente porta de entrada.

    Depois que conhecer as pessoas, não faça um encontro único. É uma ótima prática ir se relacionando com a pessoa ao longo do tempo, antes de pedir dinheiro de fato. Envie atualizações periódicas (mensais, trimestrais, semestrais) para que a pessoa possa ir acompanhando sua trajetória e evolução.

    Alguns investidores também gostam de ajudar e aconselhar os empreendedores, disponibilizando sua agenda para interações desse tipo – e não apenas para conversar com você na hora em que precisar investir – como uma forma de aprender sobre como você lidou com os desafios que compartilhou e o quão coachable você é.

    Além disso, você deve se lembrar de, ao final do processo, compartilhar a notícia do fechamento com todos os potenciais investidores com quem você conversou, agradecendo o tempo dedicado. Muitos que não entraram em uma rodada podem ter interesse em investir no seu negócio no futuro e por isso você deve buscar manter os relacionamentos a longo prazo.

     

    E como os investidores escolhem? 

    O critério central é o perfil do(a) empreendedor(a)

    É consenso entre a maioria dos fundos e investidores que a parte mais importante na escolha do investimento é o(a) empreendedor(a) e seu time.

    A lista de características buscadas em um perfil varia de acordo com cada investidor, mas alguns elementos que vemos levarem em consideração é:

    • Fibra ética
    • Abertura para rever premissas (ser coachable)
    • Capacidade de realização, seja pela sua formação, experiência empreendedora, experiência no setor de atuação ou histórico da empresa
    • Capacidade de mobilizar e engajar pessoas e recursos
    • Resiliência e persistência frente a adversidades
    • Comprometimento e dedicação ao negócio
    • Ambição e desejo de crescer
    • Brilho nos olhos, conexão e paixão pela causa e comprometimento genuíno com o impacto (especialmente quando falamos de investimento de impacto)
    • Complementaridade da liderança, garantindo que possuam as competências necessárias para o desenvolvimento do negócio (muitos investidores preferem investir em negócios que tenham no mínimo duas figuras de founders ou liderança, e não em empreendedores “solo”, pois é difícil encontrar empreendedores que reúnam as habilidades distintas de produto, vendas, coordenação da operação, capacidade de realizar análises financeiras, etc.).

    Conheça o seu negócio hoje e demonstre coerência sobre onde quer chegar

    Por mais que o investimento seja feito hoje, o(a) investidor(a) está apostando em uma valorização futura do seu negócio. Ou seja, não basta você saber e conhecer muito bem sobre sua operação atual, você também tem que saber muito bem onde você quer chegar e quais principais milestones que te farão chegar lá. 

    Os investidores querem entender o grau de maturidade na visão dos empreendedores sobre o que estão buscando. 

    Essa visão clara de futuro e, principalmente, da melhor alocação dos recursos para fazer com que você chegue lá, é super importante. 

    Nesse momento, é imprescindível mostrar foco. Tudo bem ter mais de um caminho ou hipótese para impulsionar o crescimento do negócio, mas estes precisam estar bem embasados e atrelados à tese da rodada (este texto fala sobre isso). O planejamento deve ser coerente sobre como o negócio vai crescer, como usará o dinheiro, a relação entre o ritmo de crescimento dos custos e da receita. É também interessante criar cenários, do cenário ideal ao conservador, otimista e pessimista.

    Além de saber sobre o seu próprio negócio, demonstre o nível de conhecimento que você tem sobre o mercado no qual ele está inserido. Os investidores valorizam o domínio do assunto, a capacidade dos empreendedores de se apropriarem do mercado e conhecerem com profundidade o seu público.

    Um mentor do Quintessa, que é também investidor, nos traz uma visão bem relevante quando falamos de business plan: o foco não é o resultado em si, o número final que a projeção financeira está indicando, mas como você planeja chegar lá.

    A probabilidade de um business plan ser executado exatamente como o previsto é pequena, mas é essencial que ele faça sentido e seja coerente. Por isso é importante ter lógica, mais do que valores altos. 

    Outros critérios de seleção

    Além dos elementos citados acima, há uma extensa lista de aspectos considerados pelos investidores, como: 

    • Potencial e relevância do impacto gerado, composição do time
    • Potencial de escala/ replicabilidade/ crescimento do modelo de negócio
    • Tamanho do mercado no qual está inserido
    • Grau de inovação e diferenciação perante concorrentes
    • Histórico de performance financeira
    • Distribuição da participação acionária entre os sócios
    • Grau de maturidade em termos de gestão e governança

    A imagem abaixo, retirada do Scoring de Investimento de Impacto da Pipe Social, revela os elementos identificados no estudo:

    criterios captacao de investimento
    Fonte: Scoring de Investimento de Impacto | Pipe Social (Fev, 2020)

    Planeje-se e aprenda com as negativas

    Os materiais básicos para uma captação são uma planilha com projeções financeiras (que revelem o plano de negócios/business plan, o valor a ser captado e o valuation da empresa), e um pitch deck. 

    A lista inicial de critérios também te ajuda a entender qual tipo de informação priorizar, incluir ou excluir na apresentação para cada um dos investidores. Os fundos de impacto, por exemplo, farão questão de entender como a sua solução resolve um problema social ou ambiental relevante e com quais métricas o impacto é ou será mensurado. Mas para outros fundos, pode ser mais interessante a demonstração da tecnologia em si, ou das projeções de escala.

    O que queremos destacar aqui é a importância de se planejar, refinar e aprender com as reuniões feitas.

    Uma dica é começar as apresentações com os fundos que têm menos preferência na sua wishlist (aquela lista de potenciais investidores que você fez depois de avaliar os critérios no início do texto). Assim você consegue testar o seu pitch, ouvir feedbacks e planejar melhores respostas para as perguntas que começarão a surgir. 

    Aprenda, teste, refaça, refine: o pitch deck é sempre um trabalho em construção.

    Porém, cuidado na hora das adaptações. Já vivenciamos casos em que o empreendedor ouviu de um fundo “só vou investir se o plano incluir a internacionalização, para explorarmos outros mercados” e um outro fundo disse, na mesma semana, “só vou investir se o plano for focado na expansão no Brasil, pois não acredito que internacionalizar seja um bom caminho”. 

    E aí, o que fazer? Voltar para o que você acredita que seja o melhor caminho. Há um ótimo equilíbrio em o que você deve adaptar ou não no seu plano a partir das sugestões dos potenciais investidores – e somente na hora você vai saber o que absorver ou não.

    Outro elemento a se considerar é que a maioria dos gestores de fundos de investimento conversam entre si e trocam percepções com grande frequência, já que é comum que co-invistam nos negócios. Considere isso no momento de planejar a ordem das suas conversas, no sentido de quem você quer que ouça seu pitch “em primeira mão” e quem talvez já tenha ouvido de outros sobre você.

    Dicas gerais

    • Conte com o suporte de mentores, especialistas e pessoas que já passaram por esse processo de captação, elas poderão te ajudar nos dilemas que certamente serão vivenciados.
    • Conte com um escritório de advocacia, priorizando aqueles que têm experiência em Venture Capital, para que tragam bom senso na negociação. Ainda assim, estude todos os termos e revise diversas vezes o contrato, pois por mais que tenha ajuda externa, só você saberá o que está ou não disposto(a) a exigir e oferecer.
    • A captação pode levar muito tempo. Não só durante o processo de conseguir um investidor, mas durante os acordos, contratos e até o dinheiro de fato cair na conta. Não subestime o tempo de captação e esteja preparado para ter um plano B, C… Conte com a entrada do dinheiro apenas dali a 6 meses a um ano desde o dia em que decidir captar.
    • Pode parecer clichê, mas saber levar um ‘não’ é um ponto chave no processo de captação. Aprenda com tudo o que ouvir.
    • Seja data-driven, apresentando dados e resultados de testes, curva de crescimento, funil de vendas, base de clientes… Mostre que seu planejamento é fundamentado e não apenas baseado nas suas opiniões.
    • Por mais que o processo demande muito tempo e energia, não tire o olho da operação. Manter a empresa saudável deve ser mais importante que a captação.

    À medida que o negócio vai amadurecendo, você vai tendo mais clareza do caminho de crescimento que deseja e de como escolher o(a) investidor(a) de uma rodada futura. Projeções financeiras, um bom pitch, mercado em crescimento… Tudo isso conta. Mas tenha sempre em mente que os investidores investem essencialmente nas pessoas, ou seja, você e seu time! 


    Conteúdos recomendados:

    Scoring de Impacto da Pipe Social

    Vídeo | Investimentos de Impacto (painel do Quintessa com Positive Ventures, Vox Capital e Yunus Negócios Sociais)

    Livro | Venture Deals – Brad Feld & Jason Mendelson

    Podcast | 20VC (em inglês)

    Podcast | Astella Playbook

    Depoimento do Ronaldo Tenório, empreendedor da Hand Talk

     

    Dicas jurídicas:

    GuiaDocumentos Legais | Anjos do Brasil

    Guias Jurídicos | Baptista Luz

    Panorama Legal | Nelm Advogados

  • Caminhos para captar investimento: tipos e modalidades de capital

    O mercado de investimento no Brasil está em crescimento. Os unicórnios brasileiros que surgiram recentemente trouxeram muita visibilidade para o ecossistema de startups e há mais capital sendo movimentado. Muito se fala em fundos de investimento de venture capital, mas na realidade existem diversas possibilidades para acessar capital no mercado e diferentes modalidades de investimento que você pode buscar para o seu negócio de impacto. Nesse texto detalhamos algumas delas. 

    As vezes é melhor adiar ou evitar a entrada de investidores

    Muitas startups crescem sem a necessidade de captação de investimento externo – o que é chamado de bootstrapping. Nestes casos, a entrada de capital é decorrente das primeiras vendas ou de recursos próprios dos empreendedores. 

    Há uma frase muito repetida no setor, de que “o melhor e mais barato capital é aquele que entra via Nota Fiscal”. 

    A vantagem desse modelo é não precisar abrir mão de uma parte da empresa, evitando diluir/reduzir a participação acionária e a distribuição de dividendos (lucro) dos sócios empreendedores. Em contraponto, normalmente acaba sendo um caminho com ritmo de crescimento um pouco mais lento.

    Nem sempre é possível adotar a estratégia de bootstrapping porque muitas empresas precisam de um investimento inicial em produto, tecnologia, divulgação ou qualquer ativo que seja imprescindível para o seu crescimento. Se este é o seu caso, após refletir se é de fato o momento ideal para captação, vale a pena entender muito bem os diferentes tipos de capital disponíveis no mercado e os diferentes tipos de investidores. 

    Tipos de capital

    Quando falamos em capital, existem essencialmente 3 caminhos principais: 

    • grant/doação
    • empréstimo
    • investimento em equity (participação acionária). 
    Grant

    O cenário de receber um grant, ou seja, uma doação a fundo perdido (sem expectativa de retorno financeiro), com certeza é o caminho mais barato, por não comprometer o captable* da empresa. 

    Quando estamos falando de doações, o captable da startup fica protegido de qualquer diluição por parte do(a) empreendedor(a) e seus acionistas. Além das pessoas físicas doadoras, institutos, fundações e editais públicos, algumas empresas chegam a dar prêmios/patrocínios/grants para startups que possuem alguma sinergia com a empresa no intuito de estreitar o relacionamento e parceria. 

    Como exemplo, entre os acelerados do Quintessa, a TNH Health recebeu grants de alguns parceiros que têm interesse na disseminação da tecnologia para controle e melhoria da qualidade de vida de pacientes. Um deles é o programa Grand Challenges, criado pela Fundação Bill & Melinda Gates e financiado pelo governo do Canadá. 

    Já a Hand Talk, recebeu um grant de R$ 3 milhões do Google. Negócios de impacto que possuem indicadores e métricas de mensuração de impacto claras tendem a ter maior facilidade para captar esse tipo de recurso.

    É importante ressaltar que não estamos falando sobre o modelo de negócio depender da doação para ter sustentabilidade financeira. Neste caso, não seria caracterizado como um negócio de impacto. A doação pode ser interessante como uma fonte de recurso adicional para financiar uma expansão, estruturação ou projeto.

    No Brasil não é muito comum ver na prática, mas no exterior existe também o modelo de grant conversível, muito na linha do venture philanthropy. É um instrumento no qual o investidor doa os recursos para o negócio, mas tem a opção de converter o valor doado em participação acionária depois. É um instrumento interessante pelo fato de não trazer o risco de uma dívida, mas ao mesmo tempo dar ao investidor a perspectiva de retorno financeiro no futuro.

    Empréstimo

    Falando em empréstimo (ou dívida ou crédito), nessa modalidade o investidor também não adquire participação societária, mas o negócio tem uma taxa de juros e um prazo para o pagamento da dívida. 

    O que vale ressaltar sobre essa modalidade de investimento é que no ecossistema de empreendedorismo de impacto existem alguns atores especializados em conceder crédito mais barato/justo/acessível (abaixo das taxas praticadas pelos bancos tradicionais ou com necessidade de garantias mais brandas) para empresas que geram impacto social e/ou ambiental. 

    É o caso da Yunus, do Sitawi e da Bemtevi, por exemplo. 

    Também vale ficar atento aos termos “debênture conversível ou dívida conversível”

    Eles podem ser usados em relações baseadas em dívida de fato, mas na maioria das vezes, tem sido usado apenas como um instrumento legal, dizendo mais a respeito de uma relação baseada em investimento no equity da empresa do que à concessão do crédito em si. Essa modalidade de investimento é uma forma de proteger o investidor nos meses ou anos iniciais de seu investimento. 

    O investimento em startups é considerado de alto risco, pois além da taxa de mortalidade das empresas ser muito alta, pode expor os sócios a passivos tributários e trabalhistas, dado que não são todos os negócios que estão já formalizados como Sociedade Anônima e com um time registrado CLT. Para tentar minimizar esse risco, criou-se esse instrumento chamado “dívida conversível”. É um contrato de dívida, com a possibilidade de conversão em ações do capital da startup após um período. 

    Normalmente, quem define sobre a conversão em  ações é o(a) investidor(a) que concedeu o crédito/investimento e que, após um período de conhecimento mais profundo do(a) empreendedor(a), seu time e modelo de negócio, consegue avaliar muito melhor se vale a pena tomar o risco de converter em participação e tornar-se sócio(a) da empresa.

    Como o instrumento tem sido usado em ambos tipos de relação, vale a pena alinhar com cuidado qual será a consequência da não conversão do(a) investidor(a), ou seja, se será de fato cobrada a dívida e a qual taxa de juros e prazo para pagamento.

    Equity

    Por fim, a terceira modalidade de investimento é o equity em si, ou seja, a compra de participação acionária na empresa. Existem diferentes tipos de investidores que praticam essa modalidade e exploraremos melhor as particularidades de cada um. Mas basicamente, todos eles investem em startups buscando a sua valorização futura e realizam o seu retorno ao vender a sua participação para um outro investidor. 

    Como o mercado é de altíssimo risco, costumam investir em uma quantidade maior de startups apostando que uma parte menor delas dará o retorno significativo esperado, uma parte não dará nem retorno positivo nem prejuízo, e outra parte não dará certo (é quando dá-se os write-offs: o(a) investidor(a) abre mão da sua participação por um valor simbólico, como um real).

     

    E na prática, qual destes é o mais adequado para o meu negócio?

    Na experiência do Quintessa a grande maioria dos empreendedores recorrem para a captação via equity no início da sua trajetória, pois é a forma de captar mais alinhada e em sintonia com o momento da empresa, ou seja, um momento de muito risco e poucas validações do negócio. 

    Para esse estágio, o capital do investidor de risco profissional é perfeito, pois ele entende esse risco, precifica esse risco e não vai cobrar o(a) empreendedor(a) na física pelos próximos 5-7-10 anos caso a empresa não dê certo. A potencial perda desse investimento faz parte do modelo de negócio dos fundos de venture capital

    Vale ressaltar que, mesmo em um estágio ainda inicial, caso o(a) empreendedor(a) (e demais sócios fundadores) estejam muito diluídos em seu captable, ou seja, com uma participação na empresa muito mais baixa do que é esperado para aquele estágio do negócio, o empréstimo pode ser uma melhor opção. Mas, neste caso, irá precisar de uma garantia a oferecer ou um fluxo futuro de recebíveis, o que geralmente é muito difícil para empreendedores em fases muito iniciais. 

    Nas acelerações do Quintessa observamos que a dívida passa a ser uma boa opção nas fases de tração e escala, quando o negócio já tem um nível de faturamento recorrente, já atingiu ou está próximo de atingir seu break even

    Nestes casos, pode ser mais barato pagar os juros do empréstimo e manter sua participação acionária, do que trazer um investidor e diluir sua participação. É muito comum em negócios que têm seu modelo baseado em alta demanda por capital para crescer (para comprar ativos físicos, por exemplo) e que se basearem todo seu crescimento em equity, acabarão com uma participação muito baixa. 

    Em alguns casos, há uma composição destes tipos de capital, compondo-se uma mesma rodada parte em dívida, parte em equity. Tanto para evitar a diluição exagerada, como para evitar alavancar demais o risco vindo pelo endividamento.

    investimento de impacto
    Fonte: Scoring de Investimento de Impacto | Pipe Social (Fev, 2020)

    Tipos de investidores

    No mercado de investimento em equity existem diferentes figuras de investidores, FFF (Family, Friends and Fools/Fans), os Anjos, os Grupos de Anjos, os fundos de Venture Capital (VC), os Family Offices e mecanismos mais novos como o Crowdequity.

    No início da jornada empreendedora, as opções costumam ser os FFFs ou Anjos/Grupos de Anjos. 

    FFFs

    Os FFFs são investidores pessoa física que geralmente tomam o risco em nome da relação que possuem com os empreendedores na esfera pessoal – geralmente amigos ou familiares, ou mesmo potenciais clientes que desejam muito que aquele negócio exista. Na maior parte dos casos, são valores pequenos, que cabem no bolso de uma pessoa física e garantem os primeiros passos da startup, o momento de tirar a ideia do papel. 

    Anjos

    Também nessa fase inicial, outra alternativa são os anjos, organizados em grupos/redes ou não. Estes também são investidores pessoa física que alocam parte minoritária de seus investimentos pessoais em capital de risco. Já que entram na física e não através de uma estrutura de fundo ou family office, costumam ser menos aderentes à risco e investem valores menores (no máximo R$ 500 mil). Geralmente, ficam próximos do(a) empreendedor(a) e buscam negócios em que possam agregar experiência e abrir o seu networking pessoal para alavancar o crescimento – o chamado smart money – e assim também minimizar o risco do investimento. 

    Venture Capital

    A figura mais famosa dentro do cenário de investimento com certeza é o do fundo de VC (venture capital). São os fundos profissionais dedicados exclusivamente a investir em startups. Geralmente trazem maior renome e agregam com smart money além do capital. Por outro lado, são os investidores mais difíceis de serem convencidos a fazer o investimento. Possuem um processo de análise bem rigoroso, com muitas etapas, diligência e critérios de investimento e ticket muito bem definidos. Raramente fazem investimentos fora da sua tese. Por conta disso, é um processo mais demandante para os empreendedores que estão se relacionamento com VCs para viabilizar sua captação. Isso acontece por serem mais regulados que as demais figuras (os veículos, os fundos, precisam ser registrados na CVM) e também por serem mais profissionais, tendo seu próprio modelo de negócio baseado em entregar retorno financeiro aos seus investidores.

    Family Offices

    Os Family Offices têm uma estrutura muito parecida com um VC, com time dedicado ao investimento e acompanhamento das startups investidas e uma tese de investimento definida. Por investirem em uma quantidade menor de negócios, costumam ter um contato mais próximo com os empreendedores, pois acabam investindo em negócios sinérgicos à atuação da família investidora, onde conseguem agregar mais no segmento específico e abrir mais portas às suas investidas. No entanto, pode ser um ponto de atenção checar se os investidores detém a expertise específica que os VCs têm sobre crescimento de startups, para te ajudar nesta trajetória.

    Crowdequity

    Por fim, nos últimos anos, o modelo do crowdequity começou a ganhar destaque no cenário de investimento em startups, principalmente para aquelas baseadas em comunidades de clientes ou para aquelas em que seus empreendedores têm dificuldade em acessar investidores por sua rede de relacionamento própria. São investimentos coletivos feitos por uma plataforma virtual em que a startup anuncia os termos da captação e busca investidores dispostos a aportar capital naquelas condições pré-estabelecidas. 

    Na maior parte dos casos os tickets de entrada são bem baixos, como 500 reais ou mil reais por pessoa, o que garante uma democratização do acesso a investimento a startups. Ao mesmo tempo, são investidores menos profissionais, e dado o ticket baixo para entrada, costuma-se reunir uma quantidade grande de pessoas para viabilizar uma só captação. 

    Nestas situações, vale a pena checar muito bem quais as condições de RI (relacionamento com investidores) pactuadas. Se haverá um grupo de pessoas, um comitê/âncora que represente os demais ao se relacionar com as startups ou se a startup terá que prestar contas e se relacionar com todos aqueles investidores que viabilizaram a captação. 

    A Vox Capital é um fundo de VC que também tem trabalhado esta modalidade com negócios de impacto (vale citar que na modalidade de empréstimo, a Sitawi também oferece uma plataforma para crowdlending).

    fundos de investimento de impacto

    Qual a diferença entre um investidor comum e um investidor de impacto?

    Antes de responder a essa pergunta, vamos entender um pouco mais como funciona a lógica dos investimentos em equity

    Os investidores têm retorno financeiro quando vendem a sua participação acionária nas empresas investidas por um valor maior do que aquele que pagaram anteriormente. Por isso buscam investir em negócios que, depois de um certo tempo, possam ser comprados por outros investidores (fundos maiores, empresas do setor, fundos internacionais ou mesmo a abertura de ações na bolsa via IPO).  

    Os fundos ficam em média de 5 a 7 anos com suas investidas até terem o retorno efetivamente. Para isso, precisam se certificar de que aquela startup tem um forte indicativo de que irá crescer, de que garantirá um valuation maior na hora da venda para um próximo investidor. 

    Sendo assim, costumam focar suas análises no tamanho do mercado que aquela startup pretende atender, no perfil do(a) empreendedor(a) e no modelo de negócio em si, que viabilize financeiramente o retorno do investimento. 

    Por isso, antes de apenas ser um negócio de impacto, é preciso também ser um bom negócio.

    Os veículos de investimento para negócios de impacto são os mesmos acessados pelas startups comuns, e todos os investidores citados acima (FFF, Anjos, VCs, FOs) podem ou não ter um foco de investimento em negócios de impacto. 

    A grande maioria deles não tem esse foco e se dedica a investir em startups sem a necessidade do retorno em termos de impacto social e/ou ambiental positivo. Sendo assim, a análise que farão sobre seus investimentos será puramente financeira. 

    No caso dos investidores de impacto, além das camadas tradicionais de avaliação (mercado, empreendedor/time e modelo de negócio), existe uma camada adicional de análise que é a do impacto positivo que aquele modelo de negócio é capaz de gerar. Existem investidores focados em uma temática específica, por exemplo, educação ou saúde, e existem investidores abertos a analisar qualquer tema que tenha impacto social e ou ambiental positivo mensurável. 

    A maioria dos fundos de impacto tem se apoiado na metodologia da Teoria de Mudança como uma forma de criação da tese de impacto e análise e mensuração do impacto gerado pela startup, por mais que a questão da mensuração ainda seja um tema que todo o setor reconhece que ainda precisa evoluir.

    Acreditamos que a maior diferença neste sentido seja proteger o alinhamento com os investidores em relação ao impacto gerado. Sem esse viés, um(a) investidor(a) pode te cobrar de crescer “a qualquer custo”. Com esse viés explícito e alinhado entre vocês, o crescimento deverá acontecer garantindo que o impacto positivo também cresça. Por exemplo, que não te pressionem a aumentar o preço da solução, para aumentar a margem de lucro, fazendo com que a solução deixe de ser financeiramente acessível para seus clientes. 

    Além disso, um(a) investidor(a) focado em impacto poderá te ajudar a amadurecer as métricas de mensuração de impacto com o tempo, pois terá alinhamento para que também possa reportar sobre a sua própria performance neste sentido.

    Assim, faz sentido pesquisar todo o mercado de apoio a startups e depois entender quais critérios de filtragem utilizar

    Às vezes, você vai encontrar um empréstimo com melhores condições (taxa de juros, prazo para pagamento) no mercado de empreendedorismo, do que no mercado de investimento de impacto em si. Às vezes, você vai trazer um investidor de impacto para te ajudar a proteger e evoluir na mensuração deste aspecto, mas trará como co-investidor um fundo de VC especializado em tecnologia e um family office especializado em saúde, compondo na rodada de captação os diferentes tipos de expertise que você quer ter por perto.

    Por último, quando falamos em negócios de impacto, falamos em setor 2.5. No setor, brincamos que na verdade há uma grande diversidade de focos, variando entre o 2.1 e o 2.9. Ou seja, entre focos maiores no retorno financeiro (segundo setor) ou no retorno em termos de impacto positivo gerado (terceiro setor). 

    Vale a pena você ter essa leitura sobre os atores, pois poderá melhor entender se estão alinhados em termos do que priorizam e de qual tipo de resultado terão maior pressão para gerar.

    A captação de investimento vai muito além de somente trazer capital para o negócio: significa trazer um(a) sócio(a) ou um credor (no caso dos empréstimos) com o qual você irá manter um relacionamento e terá que reportar o resultado financeiro e de impacto gerado. 

    Sabendo que será uma relação de longo prazo, explore como cada um poderá agregar ao negócio – além do dinheiro somente – bem como o alinhamento em relação a valores, cultura e visão de longo prazo para o negócio. 

    Além disso, como falamos neste texto, também é importante pensar na sua trajetória pessoal a longo prazo, por exemplo, se sair em algum momento da operação/vender a empresa não passe pela sua cabeça no futuro, talvez captar com  um fundo de VC não seja a melhor opção.

    Dentre tantos tipos de capital e modalidades de investimento, costumamos dizer que não existe dinheiro certo ou errado, mas sim o adequado para o momento e a fase do seu negócio e da sua jornada como empreendedor(a). 

    O GUIA 2.5 pode te ajudar nessa busca. O material mostra diversas organizações e iniciativas do ecossistema de impacto e o suporte que cada uma oferece.  Acesse!

    Sugestões de conteúdo:

    ICE | Produtos financeiros de Impacto Social

    Scoring de Impacto | Pipe Social

     

    *Captable: é uma tabela que descreve quem são os acionistas da empresa e quanto de participação cada um detém.