A imagem abaixo mostra a pirâmide de renda da população (antes da pandemia):
— Foto: FGV Social a partir de microdados da PNADC e da PNAD/Covid
Esses dados retratam um pouco do triste quadro social do Brasil, marcado por profundas desigualdades.
É claro que esse é um problema que, para ser resolvido, precisa de ações em diversas frentes, e por parte de vários atores: governo, empresas, fundos, ONGs, sindicatos, sociedade civil.
Entre empresas e fundos de investimentos, que são os espaços por onde o Quintessa mais circula no dia-a-dia, vemos, felizmente, um crescimento constante da importância da pauta ESG. No entanto, enquanto o aspecto Environment (Ambiental) é contemplado por inúmeros compromissos de net-zero e similares, as ações e metas para o aspecto Social, em grande parte, ficam em dois campos: (i) aumentar a diversidade no quadro de funcionários e (ii) ações de responsabilidade social.
Em relação ao ponto (i), que tem sido o mais amplamente trabalhado, temos profundo respeito por essa pauta, mas nos parece que ela não é suficientemente capaz de dar uma resposta efetiva em um prazo razoável para os indicadores urgentes que trouxemos no início do texto.
Em relação ao ponto (ii), apesar dessas ações serem essenciais para milhões de pessoas impactadas, elas não fazem com que as empresas gerem desenvolvimento social no seu core (atividade principal).
Em suma: na nossa opinião, se as empresas e fundos querem tratar o S com a seriedade que merece, e que precisamos como sociedade, o foco de ação tem que amadurecer.
Onde deveria, então, estar o foco das empresas e dos fundos ESG?
Vamos trazer algumas perguntas que podem parecer óbvias, mas que são complexas de serem trabalhadas, e que acreditamos serem importantes para levar à construção de um S mais maduro e integrado com o crescimento das empresas.
Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com João Ceridono.
O termo inovação aberta foi criado em 2003 por Henry Chesbrough, professor e diretor executivo no Centro de Inovação Aberta da Universidade de Berkeley. O conceito diz sobre uma forma de inovação das empresas a partir da interação de ideias, pensamentos, processos, soluções, tecnologias e pesquisas externas e internas. A empresa pode, ao mesmo tempo, oferecer suas inovações para outras organizações e utilizar recursos externos para inovar, em um processo de colaboração com universidades, laboratórios, outras empresas e startups, por exemplo.
Se a empresa depender apenas do desenvolvimento de soluções internamente, ela pode tardar demais em promover as melhorias que deveria.
No Quintessa, temos reforçado nossa visão de que a conexão com startups de impacto é um caminho rápido e eficaz para as empresas solucionarem seus desafios, trazerem inovação, novos negócios e cumprirem seus compromissos em ESG.
As startups somam à expertise que a empresa possui internamente.
Quando consideramos as startups em estágio mais avançado, de tração e escala, estamos falando de empreendedores e equipes que há anos estão estudando um desafio, elaborando e refinando suas soluções, lidando com o público final, tendo experiência no assunto. Trabalhar com esses negócios é uma forma da empresa encurtar sua curva de aprendizado, executar projetos e cumprir metas com mais agilidade e menor risco.
Já as startups em estágio inicial trazem o potencial da empresa ser a vanguarda em determinadas inovações, direcionando a solução da startup para a realidade específica da empresa e criando diferencial competitivo perene.
Diversas empresas já têm visto valor nessa interação e estão contratando soluções de startups para seus desafios internos. Porém, além de contratar pontualmente, vemos muito valor na criação de programas estruturados de inovação aberta, como programas de implementação de pilotos ou de aceleração. Neste texto vamos trazer as diferenças entre os dois tipos de programa e porque realizá-los pode gerar mais valor que apenas contratar os negócios.
Sobre os programas de aceleração
O programa de aceleração tem como principal foco qualificar as startups, contribuindo para que ganhem maturidade em gestão e cresçam. Além do relacionamento com soluções inovadoras das startups em si, este tipo de programa traz outros benefícios:
Mitigação de risco: a aceleração permite que a empresa conheça e se relacione com a startup antes de contratá-la e implementar sua solução, entendendo melhor a sua solução e o perfil do(a) empreendedor(a).
O programa funciona também como um filtro para buscar as melhores soluções de startups, ou seja, ao invés de contratar uma startup que conheceu a partir de uma busca ampla, optar por uma startup que já passou por um filtro qualificado, que é o programa de aceleração.
É uma forma de estruturar e qualificar o pipeline de startups, que depois poderão se relacionar com diferentes áreas da empresa.
Um exemplo disso é o Braskem Labs, programa de aceleração da Braskem. O programa existe há 7 anos, tendo o Quintessa como parceiro há 3 anos, e é uma das principais referências em inovação corporativa do Brasil. Das 74 startups aceleradas desde 2015, 32% fizeram testes ou projetos com a Braskem e 15% se tornaram clientes ou fornecedores da empresa.
Considerando o cenário das startups de impacto no Brasil, que segundo a Pipe Labo, têm 79% das startups que faturaram até R$ 100 mil ano ou nunca faturaram, a mitigação de riscos faz ainda mais sentido. Muitas startups de impacto estão em estágio de maturidade inicial, validando suas soluções, e por isso, antes de contratar diretamente uma solução, um programa de aceleração com uma régua alta de seleção pode fazer sentido.
Interação entre executivos e empreendedores: o programa de aceleração pode ser uma ferramenta de transformação cultural da empresa para trabalhar com inovação e impacto. Durante o programa, a interação e o relacionamento dos colaboradores, executivos e lideranças com os empreendedores permite vivenciarem a forma de trabalhar das startups na prática, criando um espaço de aprendizado. Além disso, antes de fazer uma contratação direta, o programa traz tempo para compreender o contexto, interesses e capacidades de ambos os lados, bem como para adaptarem ou co-desenvolverem uma solução em conjunto. É uma forma de capacitar os executivos e formá-los para trabalharem com inovação e impacto.
O crescimento das startups pode beneficiar a empresa: a aceleração também faz muito sentido para desenvolver startups que beneficiam a empresa pelo simples fato de crescerem, por usarem suas soluções, sem necessariamente precisarem se tornar fornecedores ou desenvolver um produto em conjunto. Um exemplo é a Aceleradora de Comunidades do Facebook, que realizamos em 2020 – ao crescerem, as comunidades (que usam plataformas do Facebook como ponto focal) atraem mais usuários e mais engajamento para a plataforma.
Contribuição para o ecossistema empreendedor brasileiro: a maioria das startups no Brasil – de impacto ou não – estão em estágios iniciais e precisam de suporte para ganharem tração e escala. Dessa forma, por meio dos programas de aceleração, a empresa também contribui para a robustez das startups e consequente melhora nos serviços/produtos a serem contratados, construindo um caminho para garantir que tenha parceiros de negócios saudáveis e capazes de crescer e ganhar escala juntos.
Além de todos os benefícios para a empresa e a startup, é importante destacar que um programa de inovação aberta aliado a soluções de impacto social e ambiental gera também benefícios para a sociedade como um todo.
Posicionamento: o programa de aceleração pode ser visto também como uma estratégia de posicionamento da marca junto ao ecossistema empreendedor, atraindo as startups que deseja para seu portfólio de programas. Com muitos programas de inovação corporativa surgindo, a maioria deles focados em fazer negócios, um programa de aceleração voltado a desenvolver a startup e ter relacionamento de longo prazo pode ser percebido como um diferencial.
No geral, os programas de aceleração podem ser em grupos ou personalizados, e focados em startups em estágio de maturidade inicial ou avançado. Nos programas em grupo do Quintessa, por exemplo, geralmente formamos uma turma por temática e estágio de negócio, para garantir que a trilha de aprendizagem tenha fit com os negócios. Mesclamos workshops em grupo e acompanhamento individual durante um período de 4 a 5 meses, garantindo foco nos desafios chave de cada negócio e a efetividade da aceleração.
Sobre programas para implementar pilotos de soluções
Os programas para implementar pilotos das soluções de startups são uma boa alternativa para trazer resultados no curto prazo. A startup implementa a solução de impacto por um período e mensura o resultado gerado.
A implementação pode ser de uma solução pronta, ou também é possível adaptar uma solução existente e até co-criar algo novo entre executivos e empreendedores. O foco do programa é garantir o êxito dessa implementação, corrigir a rota se necessário e orientar as duas partes a partir de boas práticas.
Assim como o programa de aceleração, a implementação de pilotos também pode ser um espaço de aprendizagem para os executivos e colaboradores. Eles podem ter diferentes papéis: Sponsors (potenciais clientes, com interesse em contratar a solução), Mentores (estando mais no papel de apoiar o desenvolvimento dos empreendedores) ou Intraempreendedores (sendo eles os protagonistas do processo de criação e os empreendedores tendo o papel de especialistas de apoio).
No entanto, como a solução está sendo contratada, o espaço de aprendizagem tem alguns limites e premissas.
Para optar por este caminho, a empresa deve ter um orçamento para contratar de fato a solução e uma estrutura mínima capaz de internalizar e receber a solução da startup. Se a empresa ainda está em um estágio de cultura pouco adaptado ao mindset de inovação, os processos burocráticos de suprimentos e contratação podem estar pouco adaptados para receber uma startup. Nesses casos pode fazer mais sentido começar por um programa de aceleração, criando um espaço de ambientação para os executivos, tangibilizando como trabalhar com uma startup, e depois fazer os pilotos.
O programa Ecco Comunidades, que lançamos em parceria com o Instituto BRF, tem esse formato misto: serão 8 startups aceleradas, e destas, algumas serão selecionadas para implementar pilotos das soluções. Ao mesmo tempo que desenvolve as startups, o Instituto BRF ganha um tempo para conhecer e se relacionar, escolhendo aquelas com maior aderência ao desafio proposto.
O Ecco Comunidades e o CPFL na Comunidade são dois programas de implementação de pilotos que co-criamos com o Instituto BRF e a CPFL Energia, respectivamente. A abordagem de ambos é o desenvolvimento territorial e o relacionamento com as comunidades em que as empresas atuam: foram contratadas soluções de startups de impacto para resolver desafios destes locais, como educação financeira e eficiência energética – no caso da CPFL, e redução da perda e desperdício de alimentos – no caso do Instituto BRF.
Para algumas pessoas, pode parecer desnecessário criar um programa somente para implementar as soluções, visto que poderiam apenas contratar a solução como fornecedora. O que vemos é que, em muitos casos, essa relação direta pode não dar certo, principalmente se a empresa está iniciando no tema de inovação e/ou impacto positivo.
A empresa precisa aprender as boas práticas do mercado e aprender a trabalhar junto a startups – adaptando até as políticas do Jurídico (acostumado a exigir exclusividade e direito de propriedade intelectual) e de Suprimentos (acostumado a espremer preço, exigir longos prazos para pagamento, exigir documentos que a pequena empresa não possui), que podem mais prejudicar a startup do que ajudá-la a crescer. Dessa forma, o programa de inovação aberta estruturado também pode ser mais eficiente em gerar este tipo de ganho de escala operacional para a companhia, tendo diferentes departamentos alinhados e preparados para essas contratações.
Além disso, a própria postura dos executivos ao se relacionarem com a startup, se estes não estiverem alinhados à um mindset de inovação, pode ser prejudicial para o êxito da implementação, com opiniões, interferências e exigências desalinhadas ao objetivo em comum. Ter um programa estruturado facilita a criação de rituais de acompanhamento das soluções e accountability dos resultados, criando um ambiente propício para essa relação. Além disso, ao fazer o programa com uma aceleradora externa, a empresa acaba tendo um mediador especialista para que cada stakeholder possa exercer seu papel sem interferências.
Por fim, iniciativas de inovação aberta também podem ser focadas apenas em conhecer as startups de impacto em um primeiro momento. Pitch days, sessões pontuais de mentoria e speed dating podem fazer sentido quando a empresa está iniciando no tema e deseja conhecer, interagir, se oxigenar, sem ter um compromisso relevante de proposta de valor às startups.
Ou ainda, as iniciativas podem ser focadas em investimento e aquisição de startups, com o papel de qualificar a negociação, trazendo orientações e boas práticas para o plano de negócio, projeção financeira, valuation, e outros instrumentos que apoiam a negociação.
Nestes casos, realizar também um programa de aceleração pode ter papel importante para qualificar as startups para o investimento e também poder conhecê-las e se relacionar com os empreendedores antes de um aporte. As iniciativas de aquisição e investimento em startups são um outro universo que merecem um texto à parte.
Concluindo, os programas de inovação aberta podem ter diferentes formatos, a depender do objetivo da empresa em se relacionar com as startups, e também podem ser complementares, sendo realizados ao mesmo tempo ou em sequência. Queremos que cada vez mais empresas enxerguem nas startups de impacto as soluções para muitos desafios internos, e por meio de iniciativas estruturadas de inovação aberta, propomos qualificar e explorar o máximo de valor dessa relação.
Este tema faz parte do Guia para Inovar com Impacto, publicação inédita do Quintessa que apresenta um passo a passo para criar programas de inovação aberta que gerem valor para o negócio e impacto socioambiental positivo. Acesse o Guia completo aqui.
Rodada de USD 30 MM de uma startup de impacto ambiental desafia critérios clássicos de investimento em startups
Venture Capital (VC) é considerado um business estatístico: de 200 startups que são financiadas pelos principais VCs do mundo, apenas 15 delas geram quase todo o retorno econômico desses fundos, aponta levantamento do CFI. Esta modalidade de investimento consiste na compra de equity (participação acionária) de empresas emergentes. Ao virar sócio, a aposta é a valorização das ações e sua realização em uma possível saída (vendendo essa participação para outro investidor ou via IPO).
Por estar inserido em um contexto de tanto risco, a tese de investimento da maioria dos fundos de VC tende a seguir alguns parâmetros de mercado. Esses parâmetros delimitam o risco que os investidores estão confortáveis em comprar: captable (composição acionária dos sócios) coerente com a rodada, time de fundadores com experiência, mercado com tamanho suficientemente grande e potencial de escala são algumas das premissas clássicas de investimento.
Assim, não é novidade que a maioria dos investidores de risco priorizam startups que são digitalmente escaláveis.
Quanto mais rápido a empresa crescer, maior sua valorização em um determinado período. Não é apenas sobre priorizar modelos inovadores com propostas de valor sólidas. É também sobre garantir que a startup cresça exponencialmente utilizando o mínimo de ativos possíveis neste ganho de escala.
À primeira vista, pode-se enxergar estes critérios de investimento de risco com muita sinergia com as startups de impacto. Elas possuem soluções que resolvem tanto demandas de mercado como problemas socioambientais críticos para a sociedade, assim, expandir a operação de maneira rápida significa dar potência a soluções de problemas reais de forma eficiente. Seguindo esta lógica, escalar a operação da empresa significa aumentar o impacto gerado.
No entanto, apesar desta tese ser verdade para uma parcela das startups de impacto, nem todo problema crítico que estamos vivendo pode ser solucionado apenas por soluções digitalmente escaláveis. Ao colocar esse critério como premissa, abre-se mão de um grande volume de potenciais cases. Por exemplo, startups que trazem soluções robustas para superar desafios complexos (o que leva a um tempo de crescimento menos acelerado e em geral, a abordagens mais profundas e menos escaláveis).
A grande maioria de startups de impacto ambiental se propõe a enfrentar desafios complexos. Em muito dos casos, contam com uma operação de economia real: problemas como acesso à energia renovável, eficiência na reciclagem ou tratamento de resíduos muitas vezes precisam ser resolvidos por operações que demandam investimentos em painéis solares, frotas logísticas e estações de tratamento, ou seja, são estratégias de investimento intensivas em ativos. Não por isso deixam de trazer elementos de inovação para solucionar problemas reais ou de ter menor capacidade de resolvê-los em escala.
É neste cenário que a notícia do primeiro round da Terraformation causa um misto de curiosidade para o mercado e esperança para empreendedores comprometidos com a pauta ambiental. Fundada pelo ex-CEO da Reddit, Yishan Wong, a Terraformation visa ajudar as organizações a compensar suas próprias emissões de carbono. Auxiliando no financiamento, planejamento de projetos, consultoria e desenvolvimento de tecnologia, a meta da empresa é restaurar três bilhões de acres de ecossistemas florestais nativos globais.
Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Fabiana Goulart.
Na terceira edição do Diálogos Quintessa, convidamos Carolina Pecorari, diretora de Sustentabilidade e ESG da Ambev para a América Latina. Falamos sobre as metas de sustentabilidade da Ambev, o processo de definição delas e o papel da inovação aberta e das iniciativas internas para alcançá-las, além de como a sustentabilidade está distribuída em toda a companhia.
Você pode acessar a entrevista na íntegra em formato de áudio e vídeo, ou na leitura do texto abaixo.
Como foi a sua trajetória na Ambev e quais suas principais responsabilidades hoje?
Cheguei na Ambev em 2013 a convite de um amigo, com um frio na barriga de sair do escritório de advocacia em que trabalhava. Comecei como especialista sênior no jurídico corporativo, na área de fusões e aquisições, com o dia a dia societário e contratos. Depois de dois anos nessa área fiz o investimento da Ambev na Cervejaria Wals, e criamos a ZX Ventures, que na época era o braço de inovação da Ambev para fazer testes. Com essa entrega me tornei sócia da Ambev e assumi a gerência regional jurídica SP-SUL, saindo completamente da minha zona de conforto e do que estava acostumada a fazer. Depois fui convidada para uma vaga de Gerente Jurídico e de Relações Corporativas, em que fiquei por quatro anos com muito amadurecimento, crescimento e desafios. Durante esse período tive o meu primeiro filho, e quando ele estava com um ano e meio comecei a me questionar: o que estou fazendo para o mundo que o meu filho vai viver? A famosa busca por propósito.
Este momento, em 2018, coincidiu com o anúncio das metas de Sustentabilidade para 2025 da Ambev, em que percebi que para buscar esse propósito não precisaria sair da empresa, poderia fazer uma mudança de área. Já tinha alguns amigos que trabalhavam na área de Sustentabilidade e meus chefes na época sabiam o que eu estava buscando, então comecei a conversar com algumas pessoas, e naquele momento o antigo diretor de Sustentabilidade estava de saída. Só que eu estava grávida de dois meses da minha segunda filha, pensando se já contava ou não (costumo contar após o terceiro mês), e quando conversei com o Rodrigo, meu atual chefe, VP de Sustentabilidade e Suprimentos já estava com cinco meses de gestação, então perguntei sobre isso, que em poucos meses sairia de licença maternidade. Foi muito bacana porque eu testei o ‘walk the talk’, se a companhia estava mesmo comprometida com o que vinha falando, e ele reagiu muito bem, de que não havia problema nenhum, que eu sairia de licença e quando voltasse faríamos as grandes entregas. Voltei da licença no começo da pandemia e já teve bastante coisa que entregamos e que teve bastante reconhecimento.
Quando eu comecei, a área era Sustentabilidade e Tecnologia para compras, a medida que foi crescendo, assumi empreendedorismo, relacionamento com fornecedores e CVC. No início do ano tiramos a parte de tecnologia da minha responsabilidade porque os assuntos estavam muito grandes e as agendas incompatíveis. Então esses são meus principais desafios hoje.
06:00 | Quais são as metas de sustentabilidade da Ambev e como foi o processo para a definição delas?
A sustentabilidade na companhia vem de longa data, antes de sermos Ambev, quando éramos Brahma e Antarctica. Nosso ex-CEO, Carlos Brito, sempre disse que “a sustentabilidade não faz parte do nosso negócio, ela é o nosso negócio”. Então sempre tivemos metas internas com olhar pra dentro de casa, relacionadas à descarbonização, eficiência hídrica, eficiência energética e redução de resíduos. Ao longo do tempo fomos amadurecendo e tendo mais consciência de que a gente fazia parte de um ecossistema muito maior, não só dentro da nossa empresa, nos nossos muros e com nossos funcionários. Começamos a olhar desde o agricultor que planta a cevada, a mandioca e outras matérias primas, passando pelos nossos funcionários, pelos pontos de venda e até os milhões de consumidores, e começamos a perceber que tudo que a gente fazia impactava também e temos esse papel de agir e impactar positivamente, transformando de forma positiva o ecossistema. Em 2018, quando anunciamos nossas metas para 2025, incluímos também o ecossistema. Fomos uma das primeiras empresas a incluir, por exemplo, metas de carbono pensando também na nossa cadeia de valor.
Nossas metas para 2025 estão divididas em cinco metas globais, sendo uma delas o Empreendedorismo, que incluímos aqui no Brasil, e quatro ambientais:
Água: ter 100% das comunidades em áreas de alto estresse hídrico em que operamos com melhoria na qualidade e disponibilidade da água de forma mensurável
Agricultura sustentável: ter 100% dos agricultores com os quais nos relacionamos devidamente treinados, conectados e com estrutura financeira para desenvolver o plantio de forma mais sustentável
Mudanças climáticas: 100% de nossas operações operando com energia renovável e 25% de redução de emissão de carbono em toda a cadeia (escopos 1, 2 e 3, nossas próprias operações, energia comprada, embalagem, agricultura e logística)
Economia circular: 100% das embalagens dos produtos retornáveis ou com conteúdo majoritariamente reciclado
Empreendedorismo: 100% dos pequenos e médios empreendedores capacitados e criando valor para o ecossistema com inclusão, inovação e colaboração
As metas são grandes guias para nós, mas não nos limitamos a elas. Se enxergamos oportunidades que podemos ir além do que definimos lá atrás e, melhor ainda, que podem beneficiar mais parceiros do nosso ecossistema, lançamos e corremos atrás para alcançar esse novo desafio. Dois grandes exemplos disso, são: o compromisso do plástico, que anunciamos no início deste ano, cujo objetivo é eliminar a poluição plástica das nossas embalagens até 2025, seja através da redução e/ou substituição do uso do plástico nas embalagens, seja usando somente conteúdo reciclado, seja usando novas tecnologias tanto para tornar o plástico reciclável, quanto para biodegradação do plástico sem prejuízo ao meio ambiente, sempre com apoio de parceiros, que incluem fornecedores, cooperativas de reciclagem, startups e universidades. Já reduzimos em um terço a quantidade de plástico usada nas nossas embalagens. Outro grande exemplo foi a solução de estender a iniciativa de abastecer nossas operações com energia solar para os pontos de venda parceiros, como mencionei antes. Temos uma parceria com a startup Lemon, em que apresentamos para os nossos pontos de venda parceiros e eles se conectam a energia renovável, reduzindo o custo de energia de forma sustentável.
11:20 | Você mencionou que a partir das quatro metas globais, incluíram uma quinta que é Brasileira. Como foi esse processo de “tropicalizar” as metas? Isso aconteceu em outros países também?
A gente trabalha muito perto do global, temos reuniões frequentes com eles, que sempre falam que a América Latina é uma inspiração. Pra gente foi muito natural, porque quando lançamos as nossas metas, já tínhamos nossos programas de aumentar a base de fornecedores locais, mais próximos das nossas operações, com a plataforma By Local. Temos um trabalho forte de relacionamento com feiras, procuramos melhorar o relacionamento com os fornecedores, praticando bastante a escuta ativa. Mais recentemente também olhamos para a questão de aumentar a diversidade racial e de gênero nos nossos fornecedores. E também em 2018 lançamos a versão brasileira da Aceleradora 100+, que foi lançada uma versão global e nós criamos aqui também, procurando inovação e soluções de startups para nos ajudarem a atingir nossas metas.
Percebemos também que tínhamos muitas boas práticas dentro de casa, como eficiência hídrica e elétrica, e começamos a compartilhar isso com a nossa cadeia de valor. Para isso temos um site em que as empresas podem preencher um questionário que é gratuito para identificar o que elas podem fazer para melhorar a forma como usam a água e energia. Outra iniciativa é o VOA Empreendedores, que são aulas de gestão, queremos compartilhar conhecimento de forma gratuita para a comunidade e para os pequenos e médios empreendedores.
15:00 | As metas têm tudo a ver com a sobrevivência do negócio a longo prazo, por exemplo, quando falamos da água e agricultura, são insumos importantes para os produtos da Ambev. A definição delas adotou essa lente?
Nossas metas foram definidas considerando a nossa matriz de materialidade, que nada mais é do que uma ferramenta utilizada para elencar as prioridades de diversas áreas dentro de ESG sobre a percepção dos stakeholders (consumidores, investidores, funcionários, por exemplo) de temas atuais, que impactam nosso negócio e que são prioritários para nós.
Por isso, ao formar a matriz ela fica alinhada com o nosso negócio. A água é 95% do nosso produto, não tem como não ser importante pra nós. Ao longo do tempo vimos nosso papel no ecossistema e, como comentei, não poderíamos falar somente de metas pra dentro de casa e começamos a considerar a cadeia de valor como um todo.
17:20 | O quanto a sustentabilidade está influenciando as práticas da operação ou tem influenciado também o portfólio de produtos, diversificando o foco em bebidas alcóolicas?
Além da sustentabilidade ser há muito tempo parte da nossa história, do nosso dia a dia, é muito natural as pessoas já olharem com esse viés. Todo mundo tem bastante autonomia e as áreas se relacionam muito bem, de forma colaborativa, então as ideias podem partir tanto do time de sustentabilidade, quanto do time de inovação, de marketing. Sempre com um olhar muito forte para o consumidor, que está cada vez mais exigente e olhando para a sustentabilidade, temos visto a demanda aumentando e pesquisas provando isso. E assim vamos trabalhando as diferentes frentes, como a conexão do consumidor com a saudabilidade.
O que gosto de falar sobre a Ambev é que não é só o time de sustentabilidade que pensa em sustentabilidade, ela está espalhada para todo mundo. Temos várias pessoas criando iniciativas e que de repente contam para nós o resultado do que têm feito, é uma coisa recorrente que já está acontecendo. Inclusive, não foi difícil trazer novas metas, porque todo mundo já faz o link, traz as propostas de acordo com o que o consumidor está ollhando.
20:00 | Uma dor muito recorrente que ouço em conversas com executivos é sobre ampliar essa agenda para além da área de sustentabilidade, que você comentou que funciona muito bem. Como foi esse processo interno para terem esse resultado hoje?
Isso sempre esteve no dia a dia de forma natural. Antes de 2018 as cervejarias e refrigeranteiras já tinham metas claras de sustentabilidade há muitos anos, então já há números relevantes, por exemplo a redução de gases de efeito estufa, que desde 2003 já reduzimos 63%. Então esse olhar é muito presente. Temos, por exemplo, uma iniciativa global que começa no dia mundial da água, dura dois meses, e termina na semana mundial do meio ambiente, em que todas as operações trazem novas soluções, ideias que desenvolveram ao longo desse período.
Nosso time teve, sem dúvidas, um trabalho de conectar com as pessoas e mostrar o que estávamos fazendo e como isso pode conectar com cada marca. Nós estamos muito atualizados com o que outras empresas no mundo estão fazendo, trazendo essas soluções pra cá, e os funcionários também estão cada vez mais com esse olhar. Todo mundo fala do assunto em reuniões, de time, de sócios e convenções de vendas.
Saiu uma pesquisa da Mintel onde indica que 60% consumidores atribuem sustentabilidade à reciclagem, isso nos ajuda também com nossa meta de embalagem circular. Ainda, na mesma pesquisa, indicou que 49% dos brasileiros associam alimentação saudável com sustentabilidade. Muitas pesquisas estão mostrando que o consumidor está mais consciente, então nos baseamos nisso para entregar o que o consumidor está querendo. Não tem como, é assim, e você está sendo cego se não fizer conexão com o assunto no que você está criando no dia a dia.
É até difícil falar como isso começou, porque é de forma natural. Por exemplo, quando eu comecei a questionar sobre meu propósito e o que estava fazendo, eu era de outra área, de certa forma separada da Ambev, e mesmo assim para mim era muito presente o que estávamos anunciando de metas e o que havíamos conquistado até então, e isso vale pra todos os funcionários de todas as áreas.
25:50 | Antes de falar de inovação aberta, gostaria de saber quais outras soluções internas têm sido importantes para o alcance da meta?
Sempre houve esse desafio entre as cervejarias e refrigeranteiras, que é um desafio global, que tem início no dia mundial da água, eles trabalham ao longo do tempo em soluções. No ano passado, por exemplo, que estávamos em casa, falamos de soluções mais pessoais, do dia a dia em casa, como reutilização de água, destinação de resíduos e outros. Fizemos posts no instagram com hashtags, foi um engajamento interno com práticas que aprenderam dentro da empresa. Isso é só um exemplo do que incentivamos dentro das operações, para eficiência no consumo de água e energia. Hoje fomos benchmark em produção de cerveja com menos hectolitros de água.
Tem ainda a questão da diversidade e inclusão. Eu tenho quase nove anos de companhia e vi muito essa evolução, é muito bacana ver isso, viver e fazer parte. Eu não posso dizer que não precisei mudar porque já tinha essa cabeça, muito pelo contrário, somos todos nós que estamos evoluindo e aprendendo essa cultura. Estamos numa jornada de evolução da cultura da companhia e as pessoas estão mais abertas, ouvindo mais, com mais diversidade de gênero, racial e de pensamentos e ideias.
No ano passado lançamos compromissos em relação à equidade racial para nossa cadeia, fornecedores e funcionários, fazendo treinamentos também, com um comitê racial e métricas internas. Nós fomos muito questionados e fomos atrás de números para saber como estávamos e começamos a dar muito mais transparência de como estamos evoluindo nas diferentes frentes de sustentabilidade. No ponto de vista de governança, elegemos duas mulheres para o conselho de administração, e agora estamos com três.
Temos incentivado cada vez mais nossos funcionários a trazerem ideias que vão além do dia a dia deles, lançamos desafios, hackathons, aceleradora interna, e investimos nas melhores propostas. A pandemia nos mostrou muito a importância de trabalhar em conjunto, que conseguimos crescer mais e ter um impacto muito maior tanto dentro de casa quanto pra fora.
32:20 | Vocês chegam a vincular remuneração variável, de bônus, definidas a partir das metas de sustentabilidade?
Temos diversas pessoas com as metas de sustentabilidade atreladas a bônus. Todos os funcionários têm metas, e por exemplo, na minha equipe todos têm metas de sustentabilidade. As diretorias diretamente envolvidas, por exemplo, packaging, têm metas relacionadas ao conteúdo reciclado e retornabilidade. De energia, tem contratação de energia renovável. A maioria dos VPs também têm metas na remuneração relacionadas à sustentabilidade, como de Gente e Gestão, para diversidade e inclusão. Nossos funcionários são também avaliados pelas entregas ‘a mais’, então por mais que não esteja escrito, as pessoas trazem coisas relacionadas a isso pela paixão também. A sustentabilidade está distribuída na companhia inteira, alguns porque faz parte da sua entrega, porque está escrito, e outros porque visualizam o ganho que uma iniciativa pode trazer a longo prazo. A gente não trabalha só por metas, e isso é muito importante.
34:50 | Qual o papel das startups de impacto perante as metas de sustentabilidade? Quando perceberam que era preciso olhar pra isso e como foi construída a Aceleradora 100+?
Quando lançamos as metas, em 2018, eram super ambiciosas, não são nada triviais. Percebemos que não somos sabedores de tudo, e levantamos a barra para chegar lá, mas sabemos que não vamos chegar sozinhos. Sabemos que tem muitas startups com ideias inovadoras que conseguem tirar do papel muito mais rápido que a gente. Quando fizemos a ZX Ventures foi um pouco disso, para separar um pouco o negócio, porque se a gente quiser virar esse ‘transatlântico’ pra fazer um MVP que pode não dar certo, estamos tirando o foco do que sabemos que é o nosso dia a dia.
Hoje conseguimos fazer isso com muito mais clareza. Eu diria que a forma como atuamos ao longo da pandemia, de mudar para fabricar álcool em gel, colocar o time para construir um hospital, foi resultado desse aprendizado e amadurecimento ao longo dos anos. Então faz parte reconhecer que outras pessoas, empreendedores, focados naquela solução, conseguem tirar do papel, fazer um teste pequeno junto ao nosso conhecimento.
A Aceleradora traz muito isso, e tenho super orgulho, porque é uma troca. Do mesmo jeito que a startup está trazendo uma solução para testar na nossa operação, a gente troca com gestão, com uma rede riquíssima de contatos. Inclusive as startups que aceleramos estão fazendo negócio entre elas, formando pontes por meio do programa e aumentando o impacto.
38:00 | Quais têm sido os desafios e aprendizados desses primeiros anos da Aceleradora 100+, que já está na terceira edição e este ano vai acontecer em parceria com o Quintessa e a PPA?
O que estamos apresentando nesta terceira edição é resultado do que aprendemos nas duas primeiras. Na segunda fomos impactados pela pandemia mas conseguimos trabalhar super bem. Ouvimos bastante as startups, e desta vez estamos tentando selecionar startups muito próximas sob o ponto de vista de maturidade, para que os encontros em grupo (intensive learning) sejam interessantes para todos, havendo mais engajamento.
Vimos também a importância de um engajamento, proximidade e comprometimento dos nossos sponsors internos, que são os funcionários que vão acompanhar as startups, e nós que coordenamos o programa acompanharmos isso e termos métricas como NPS dos sponsors. Precisamos fazer ao longo do programa para ajustar rápido, e não somente descobrir ao final do programa que não teve fit do mentor ou sponsor com a startup, perdendo uma oportunidade.
Outros aprendizados foram ouvir de coração aberto o que as startups têm para nos falar, dores que estão sentindo, e que podemos conectar com outras pessoas que podem apoiar. A qualidade e engajamento do time das startups é importante, fomos colocando isso no formulário: se são pessoas de fato comprometidas ou estão se dedicando a outras iniciativas também. Se é ainda uma ideia, ou se já está amadurecida para podermos dar tração.
A gente quer receber inscrições, queremos conhecer, nos conectar e se não for selecionado para a aceleradora, pode caber em outra oportunidade que temos aqui dentro, ou fazer pilotos, independente da aceleração. A aceleradora foi uma grande pioneira dentro da Ambev nessa conexão e nos trouxe muitos aprendizados que estamos aplicando em outros programas e oportunidades.
42:00 | Vocês têm iniciativas em parceria não só com as startups, mas com cooperativas e outros atores. Quais outras iniciativas de inovação aberta destacaria nesse sentido e a importância dessas parcerias para a Ambev?
A aceleradora acabou sendo um chamariz, cada vez mais temos recebido ideias, seja via e-mail, Linkedin, ou conhecidos. Por exemplo, pessoas estudando tipos de bioplásticos para nos apresentar. O compromisso do plástico também foi um grande chamariz para empreendedores, empresas e universidades querendo testar soluções conosco.
No início do ano rodamos um programa de inovação aberta focado em embalagem circular e consumo responsável, que acabou indo além e trouxe ideias de cidadãos comuns de todo o Brasil para serem testadas e receber mentorias. E como prova de que a sustentabilidade está espalhada pela companhia, foi uma iniciativa do time de marketing. Uma vez que fazemos, os outros se movimentam para fazer acontecer.
Com as nossas conexões, estamos trazendo a Pepsi, DSM, Google, Unilever para participar do Pitch Day da Aceleradora, e também dá a oportunidade para as startups fazerem negócios com todos eles.
A porta de entrada não é só a aceleradora. No nosso compromisso de diversidade racial na cadeia de valor, estamos apresentando para os compradores das regionais os produtos e serviços que eles costumam contratar que sejam de fornecedores com diversidade racial. Então temos startups, pequenos empreendedores, universitários, fazendo essas apresentações internamente para diferentes áreas da companhia.
45:00 | Para finalizar, quais dicas daria para executivos e empresas que estão iniciando agora na temática?
O conceito do ESG é muito norteador, dá pra saber bem o que olhar.
É preciso eliminar a conclusão que existia de que ser sustentável é mais caro, isso não é verdade. Eventualmente, não necessariamente, pode exigir um investimento maior no início, mas que a longo prazo é muito mais sustentável ambiental, social e financeiramente. Foi-se o tempo em que todas as soluções mais sustentáveis eram mais caras.
Outra dica é testar e saber que pode errar. Não fazer sozinho, fazer parcerias e aprender com quem está fazendo. Sustentabilidade não ‘poderia ser algo de valor’, ela necessariamente vai ser, e as empresas estão sendo e vão ser cada vez mais cobradas pelo que estão fazendo em relação a isso – no ambiental, social e governança.
A governança é o que define tudo e os consumidores estão cada vez mais exigentes, querendo transparência, saber o lado bom e o lado ruim, o que não está dando certo. Isso é uma quebra de paradigmas, um exercício que estamos fazendo, de falar o que deu errado e o que aprendemos, acabando com essa política de que todo mundo é perfeito e não erramos em nada, estamos todos na mesma jornada. E para quem está começando, já começar com esse pensamento.
O Social, por exemplo, é pagar em dia e dentro da lei os seus funcionários, garantir a segurança dos funcionários na operação, é 70% dentro de casa e 15% para sua cadeia de valor e 15% para a comunidade que se relaciona. Tem muita coisa trivial que precisa ser feita em ESG, e eu fico à disposição para conversar!
A ascensão da temática ESG, sigla que representa as práticas ambientais, sociais e de governança empresariais, tem acelerado o compromisso das empresas em trazer mais diversidade aos seus quadros de colaboradores. Porém, além de estabelecer planos e compromissos públicos, é preciso tirá-los do papel, e para isso as startups de impacto podem ser grandes aliadas.
O Quintessa, aceleradora de impacto fundada em 2009, possui uma base de mais de 4 mil startups de impacto e identificou mais de 100 que atuam para promover inclusão e diversidade no mercado de trabalho.
As startups mapeadas trazem soluções com diferentes abordagens, tanto na vertical em que atuam (diversidade racial, de gênero, LGBTQIA+, etária, entre outras), quanto na abordagem de soluções que trazem (recrutamento e seleção, práticas internas, educação e conscientização, consultorias estratégicas, entre outras).
Para o mercado de tecnologia, por exemplo, que tem alta demanda por profissionais desenvolvedores, as empresas podem contar com soluções como a Toti, que forma pessoas refugiadas como programadoras e conecta com vagas de emprego, ou a {Parças}, que tem um modelo semelhante atuando com pessoas egressas do sistema prisional. Há ainda a Specialisterne e a Laboratoria, que ensinam programação para pessoas autistas e mulheres, respectivamente.
Não faltam exemplos de startups: TransEmpregos e Camaleao.co têm foco em empregabilidade de pessoas LGBTQIA+, Maturie Labora atuam com a temática da inclusão etária, apoiando a contratação de pessoas com mais de 50 anos, e a Comunidade Empodera e EmpregueAfro são voltadas para a inclusão de pessoas negras nas empresas.
No processo de recrutamento e seleção, a Jobecam é um exemplo de tecnologia que transforma a entrevista em uma chamada de vídeo às cegas, diminuindo os vieses e preconceitos do recrutador, e tem aumentado em até 68% a diversidade na contratação.
Além de trazer pessoas diversas para o time, é papel das empresas trabalhar a inclusão e ambientação desses colaboradores, além de educação coletiva sobre a temática de diversidade. Para isso, existem soluções como a Diáspora Black, que oferece palestras, experiências culturais, cursos e dinâmicas sobre os valores afro-brasileiros e a cultura negra, e a Filhos no Currículo, que apoia as empresas na promoção de uma cultura que valorize as famílias e de um ambiente de confiança para profissionais com filhos.
Com o objetivo de apresentar soluções inovadoras de startups de impacto para a promoção da diversidade nas empresas, o Quintessa realiza no dia 29 de julho, às 14 horas, o segundo Pitch Day da Plataforma Negócios pelo Futuro – ESG na Prática. No evento, seis startups apresentarão suas soluções para desafios de diversidade e capacitação, as quais foram selecionadas e serão avaliadas por uma banca formada pela Vedacit e Braskem, apoiadoras da edição.
“A agenda de diversidade tem muito a avançar em todas as organizações, incluindo as grandes empresas. O desafio é complexo e requer conscientização, reflexão, mudanças em políticas internas e também adoção de novas práticas. Neste sentido, as startups de impacto, que já têm soluções prontas para serem implementadas, são um caminho eficaz para as empresas trazerem os seus objetivos para a prática. Com o evento, buscamos ampliar o repertório de executivos(as) no tema e apresentar estas soluções”, diz Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa.
O evento é o segundo de três encontros da Plataforma Negócios pelo Futuro – ESG na Prática, iniciativa do Quintessa que conecta soluções de startups de impacto e grandes empresas, para que, por meio de parcerias e contratação das soluções, impulsionem a adoção de práticas ESG nas suas operações. A iniciativa é realizada em parceria com a Alvarez & Marsal e tem apoio da Vedacit e da Braskem.
O evento é gratuito e aberto ao público. As inscrições podem ser feitas neste link.
Resumo Evento online 2º Pitch Day Negócios pelo Futuro – Edição ESG na Prática – Tema: Diversidade e capacitação 29 de julho – 14h Inscrição gratuita Link
A dúvida que vem então é: teremos um volume de negócios maduros suficiente para alocar esse capital?
No Quintessa, temos uma base de mais de 4 mil negócios de impacto e vemos uma parcela relevante que chega até nós ainda não é elegível a entrar em nossos programas de aceleração por estar em um estágio muito inicial, sem conseguir especificar suas hipóteses de modelo de negócio (não é por acaso que nossos primeiros conteúdos foram direcionados para empreendedores em estágio de validação).
Outro estudo, também realizado pela Pipe, o Scoring de Impacto, identificou que um dos principais desafios para os investidores de impacto é a “falta de oportunidade de investimento de alta qualidade com bons históricos (track record)” — o que reforça o que enxergamos na prática.
Trabalhando com as grandes empresas em programas de inovação aberta, na nossa frente de Programas em Parceria, vemos poucos programas direcionados a negócios de estágio de maturidade inicial, dado que isso pode representar risco (no Guia para Inovar com Impacto exploramos com mais detalhes esse elemento).
Assim, se temos capital voltado para investimentos de impacto aguardando negócios maduros e temos negócios iniciais precisando de suporte para amadurecerem fica a pergunta: qual ator deve investir no desenvolvimento de um pipeline de negócios de impacto maduro? Qual tipo de capital pode destravar essa equação, viabilizando este suporte?
No mundo empresarial, falamos sobre o desenvolvimento da cadeia de valor, da remuneração justa de todos os elos da cadeia — e se aplicássemos esse olhar para este assunto? Quem desenvolve a cadeia de valor para o mercado de venture capital brasileiro focado em investimento de impacto?
(Vale mencionar que dou aqui o foco no mercado de investimento e negócios de impacto, mas sabemos que é um desafio muito mais macro, também presente quando falamos de empreendedorismo no Brasil de forma mais ampla).
Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta.
Acreditamos que o movimento das empresas em direção à inovação, sustentabilidade e práticas ESG não ocorre de uma hora para outra, mas de fato é um processo de transição e uma direção de caminho a ser trilhado.
Apesar de começar a agir ser importante, inclusive para gerar aprendizado e começar a tangibilizar intenções, no tempo, apenas realizar iniciativas e práticas isoladas não é suficiente para garantir a consistência que esse movimento precisa. É necessária uma mudança da cultura empresarial, incorporando a inovação e sustentabilidade na estratégia e na tomada de decisão de forma transversal a toda empresa.
A mudança cultural e engajamento de colaboradores, para qualquer temática, é por si só um grande desafio, mas sem este fator acreditamos que a transição e preparação das empresas para um futuro sustentável não irá acontecer e se consolidar.
Esse é um trabalho que deve ser feito de forma coletiva, envolvendo o RH, comunicação interna, lideranças, diretoria e as próprias áreas de inovação e sustentabilidade. Neste texto vamos mostrar alguns dos caminhos para implementar uma cultura de inovação e sustentabilidade e premissas que devem ser consideradas.
Concordamos muito com a afirmação feita pelo Ricardo Young, em entrevista para o Quintessa: “O ESG está sendo visto como uma coisa nova, mas o que tem realmente de novo é a necessidade de uma mudança radical da cultura empresarial na direção de uma visão sistêmica do seu impacto no meio ambiente, na sociedade e na economia”.
Por que a mudança cultural é importante?
Incorporar a inovação e o olhar para a sustentabilidade vai além de assumir compromissos ou criar iniciativas e práticas para mitigar riscos e impactos socioambientais negativos. Envolve os valores da empresa, a forma de trabalhar, de se relacionar e de se conectar com o propósito da organização.
Além disso, é preciso introduzir o tema de forma a capacitar e desenvolver os colaboradores tanto na importância dele, quanto em aspectos mais ‘técnicos’ que envolvem o seu trabalho no dia a dia.
Por exemplo, em uma empresa que caminha em direção à adoção de práticas ESG, a área de compras deve estar instrumentada para entender quais são as externalidades dos fornecedores que contrata, tomando decisões baseadas no impacto socioambiental gerado e não somente em preço.
A cultura e os valores devem orientar o que essa área faz, independente da proposta comercial do fornecedor. Um exemplo disso é o caso do Carrefour, que reflete a contratação de uma empresa de segurança terceirizada não alinhada aos valores da empresa, e que causou uma consequência grave para a sua reputação. Não basta a empresa trabalhar o ESG no escritório, se o tema não se reflete também na operação, no ponto de contato com o cliente.
A mesma coisa acontece com a área de RH, que além de ser a ‘guardiã’ da cultura organizacional, deve orientar suas práticas de seleção e desenvolvimento dos colaboradores baseadas em aspectos de diversidade. Não basta assumir compromissos se não apoiar e capacitar os responsáveis por eles no dia-a-dia.
Dado que este movimento deve ir além do “o quê” a empresa faz, mas incluir também o “por que” e “como” ela faz, ele precisa estar alinhado ao seu propósito e valores. Vale refletir: Para que existimos? No que acreditamos? O que é realmente importante para nós? Qual a nossa forma de agir?
Isso ajuda com que a empresa não apenas adote ações que estão “em alta” ou são uma tendência no mercado, mas de fato reflita sobre como deseja agir nesta direção. Essa reflexão traz uma base sólida para que as ações sejam sustentadas ao longo do tempo.
Por exemplo, para algumas empresas, o valor da diversidade pode ter maior importância, para outras pode ser a colaboração e confiança, e para outras é pode ser o impacto no meio ambiente. É claro que a empresa pode trabalhar todos esses aspectos, mas é importante analisar e colocar na balança esses elementos, pois serão critérios para a tomada de decisão e que irão garantir que toda a empresa caminhe na mesma direção.
Além dessas reflexões mais amplas, é preciso combiná-las com o modelo de negócio da empresa. A depender da sua atuação, o compromisso com a neutralização da emissão de carbono pode ser mais ou menos relevante do que um compromisso com remuneração justa ao longo de toda sua cadeia de valor, por exemplo – incorporando análises como a matriz de materialidade da empresa nesta decisão.
Não só ter essa clareza, isso deve estar introjetado na cultura em forma de rituais e símbolos compartilhados e vivenciados por todos os colaboradores, para que seja um pacto coletivo, colocando todos no mesmo barco.
O envolvimento das lideranças é fundamental, mas não pode parar em um movimento top-down imposto apenas com base na hierarquia
Para que aconteça um comprometimento real com a inovação e sustentabilidade, é fundamental que os(as) executivos(as), a presidência e até o conselho estejam envolvidos e engajados. É importante que deem o exemplo e as diretrizes, mas não é suficiente. Se toda a organização não estiver vivenciando e acreditando nos mesmos valores, é difícil que se concretize.
Além disso, é muito mais fácil que as pessoas se engajem quando participam do processo de construção deste movimento e não quando é imposto de cima para baixo.
Um exemplo são grupos de trabalho, grupos de afinidade, coletivos, GTs ou comitês de temas como diversidade, maternidade ou até sustentabilidade (quando não faz sentido uma área formal na empresa). Incentivar que colaboradores de grupos historicamente sub-representados ou aliados e engajados na causa se organizem e proponham práticas para a empresa tem muito valor e traz legitimidade e assertividade nas ações. Neste caso é importante que haja um orçamento, comprometimento e envolvimento de áreas responsáveis para de fato colocar em prática as demandas trazidas pelo grupo.
Em entrevista para o Quintessa, o Luis Guggenberger trouxe um exemplo de como os temas são trabalhados na Vedacit: “elencamos na nossa Matriz de Materialidade os 7 temas principais que vamos trabalhar até 2025, e para cada um desses temas sorteamos padrinhos (executivos que respondem diretamente ao CEO) que vão se reunir com os líderes de projetos e discutir os KPIs, orçamento e ações naquele tema. Isso força também o(a) alto(a) executivo(a) a estudar sobre o tema e ter uma visão 360º. Por exemplo, nosso CFO é padrinho do tema de Diversidade, então ele sai da caixinha da área das finanças e desafia a área de Gente e Gestão sobre como vamos trabalhar esse tema integralmente na companhia.”
Capacitações e treinamentos
Em um movimento de mudança cultural, é importante colocar todas as pessoas na mesma página. Alguns conhecimentos são básicos e devem ser compartilhados antes da implementação prática de algumas ações.
Conhecimentos sobre diversidade e inclusão, por exemplo, ajudam a preparar um ambiente muito mais acolhedor para trazer pessoas diversas para o time. Não basta só contratar, é preciso incluir e fazer com que se sintam parte. As pessoas têm diferentes níveis de conhecimento sobre o assunto, e todos nós temos vieses inconscientes – explícitos em maior ou menor grau, a depender do nosso contexto e vivências. Muitas podem não saber que um termo que utilizam na sua fala pode ser ofensivo para outros, para dar um exemplo básico.
Conversando com gestores de empresas, vemos que a formação até hoje foi majoritariamente voltada para gerir a operação, otimizar e alcançar cada vez mais resultados. O que falta para a grande maioria das pessoas é entender contextos mais complexos como a mudança do clima, a desigualdade social , a gestão de resíduos e todas as externalidades do processo produtivo. E é neste ponto que a capacitação mais técnica é essencial para diferenciar aquelas empresas que assumem compromissos superficiais, daquelas que realmente entenderam a gravidade dos problemas e irão se comprometer com um plano de implementar práticas mais sustentáveis.
Para os colaboradores que não necessitam de saberes mais complexos na área, introduzir o assunto de forma geral, falando sobre ODS, economia circular e até pequenas ações do dia a dia para fazer em casa, são portas de entrada para expandir o interesse no tema e engajar nessa mudança cultural, além de conhecimentos importantes para todos nós como cidadãos mais conscientes.
Treinamentos de metodologias e ferramentas de inovação, como empreendedorismo, design thinking e métodos ágeis também ampliam a visão sobre a resolução de problemas e formas de trabalhar. Mas além do conteúdo, é preciso também pensar na forma de levar esse conhecimento. Muitas vezes cursos e workshops não são suficientes, o que nos leva ao próximo tópico.
Acelerando a mudança por meio da prática
No Quintessa trabalhamos com programas de inovação aberta nas empresas, trazendo soluções inovadoras de startups para os desafios de sustentabilidade, novos negócios e responsabilidade social. Um dilema típico que vemos ao implementar estas iniciativas é se primeiro a empresa deveria criar essa cultura de inovação e sustentabilidade e capacitar as lideranças.
O processo de mudança cultural é sempre vivo e está em constante evolução, então, o que vemos é que os programas de inovação aberta fazem parte desse processo e ajudam a tangibilizar e acelerar muitas transformações culturais.
Programas de aceleração, por exemplo, oferecem um espaço de mentoria em que lideranças e colaboradores podem se envolver com empreendedores e aprender na prática como é trabalhar de forma ágil e inovadora no relacionamento com as startups, além de atuar na prática com soluções que geram impacto positivo.
A prática estimula o desenvolvimento de competências como a criatividade, agilidade, colaboração, iniciativa e abertura ao novo, pensamento sistêmico, competências essenciais para encontrar soluções aos desafios de sustentabilidade e para se adaptar a mudanças.
No Braskem Labs, que realizamos em parceria com a Braskem, são abertas inscrições para os colaboradores participarem como mentores do programa, e a cada ano as vagas ficam mais disputadas. O pitch day, etapa final da seleção das startups para o programa, é aberto para os colaboradores assistirem, votarem e fazerem perguntas aos empreendedores, e na última edição engajou mais de 200 pessoas.
Programas em que implementamos pilotos de soluções das startups oferecem a experimentação prática e a geração de resultados no curto prazo. Além disso, contratar soluções de startups explicita um outro fator: não basta ter uma cultura de inovação e sustentabilidade se o processo de suprimentos ainda é burocrático e dificulta a adoção rápida de iniciativas inovadoras – a mudança cultural realmente deve estar em todas as áreas e processos. Trazer programas práticos, que provoquem e acelerem as mudanças pode ajudar muito neste processo, além de trazer uma organização parceria especialista para orientar a como realizá-las.
Em um programa que realizamos com o Banco BV, facilitamos a cocriação entre colaboradores do banco, para que desenvolvessem novos produtos, serviços e práticas empresariais, contando com o suporte de empreendedores como especialistas – e estimulando a inovação e intraempreendedorismo entre o time. Neste programa, além do desenvolvimento de competências dos colaboradores, colocamos em prática a criação de novos produtos, serviços e práticas empresariais que gerassem valor para o negócio e impacto positivo de forma integrada.
A inovação aberta como aliada
As startups têm potencial de gerar valor e resolver desafios de quase todas as áreas, por isso a inovação aberta também tem papel transversal na empresa e deve ser trabalhada na cultura. Para que o trabalho seja possível, as pessoas precisam acreditar que não têm todas as respostas internamente, estarem abertas a dialogar, a aprender, a ouvir.
É interessante garantir que um grupo de pessoas ou uma área seja responsável por fazer com que as iniciativas de inovação aberta aconteçam, estruturando o processo e um pipeline de startups para que outras áreas possam “beber dessa fonte”.
A área de RH, por exemplo, pode se beneficiar da inovação aberta ao conhecer startups de impacto que trabalham a diversidade em diferentes frentes. Temos na nossa rede startups focadas em contratação de profissionais diversos; capacitação profissional de refugiados, jovens, pessoas LGBTQIA+, egressos do sistema prisional; implementação de práticas e sensibilização sobre temas como maternidade, parentalidade, masculinidade e empoderamento de mulheres no âmbito profissional; soluções inovadoras para treinamento e engajamento de colaboradores, entre outras.
Pensar uma cultura de inovação e sustentabilidade é isso: buscar formas mais inovadoras de gerar impacto social e ambiental nas suas atividades – seja nas práticas de gestão, como também criando novos produtos, serviços e modelos de negócio.
“Para o meu time, o Braskem Labs é uma oportunidade de interagir com um ecossistema que não teríamos outra oportunidade. Na área de desenvolvimento de mercado buscamos novos usos e aplicações para os nossos plásticos, e a provocação que acabo levando para a equipe é: além do modelo tradicional que a gente já vinha mapeando pra encontrar essas inovações, o que a gente pode trazer através das startups? E naturalmente isso acaba cativando as equipes para buscarem as novidades. É uma semente que vai reverberando.” – Renato Yoshino | Diretor dos negócios de Agro, Infra e Indústria na Braskem, durante gravação de um webinar com o Quintessa.
Mostrar resultados gera engajamento e incentivo
Quando os colaboradores enxergam o resultado das ações de inovação e sustentabilidade, o engajamento também aumenta. Não só daqueles envolvidos diretamente nas ações, mas em todos os que têm o desejo de se sentir parte de ‘algo maior’, de saber que a sua empresa está contribuindo para a geração de impacto positivo na sociedade.
Sabemos que o processo de inovação demanda abertura para experimentação e para lidar com riscos, mas começar pequeno e ir demonstrando resultados tangíveis faz parte dessa transformação cultural. Cuide do engajamento das pessoas chave e ajude-os a entender que é um processo experimental e que as respostas serão dadas ao longo do caminho.
Como falamos neste texto, não é tão óbvio para muitas pessoas que uma ação de impacto positivo pode gerar novas formas de relacionamento com o cliente e fidelização. Conforme a cultura vai amadurecendo e os resultados vão sendo demonstrados, esse tipo de iniciativa vai se tornando cada vez mais natural para os desafios das áreas.
No programa CPFL na Comunidade, implementamos pilotos de negócios de impacto em comunidades de baixa renda atendidas pela CPFL Energia. As soluções de educação financeira, capacitação de mulheres em elétrica básica e reciclagem de uniformes geraram melhoria da percepção de marca pela população e resultados mensuráveis na redução do consumo de energia dos clientes. Ou seja, novas formas de se pensar o relacionamento com esse público e de gerar impacto além das ações de responsabilidade social.
Pensando em mostrar o valor desse tipo de iniciativa para toda a companhia e gerar engajamento, a equipe responsável pelo projeto circulou algumas newsletters internas durante a implementação, contando sobre os desafios, os resultados e os depoimentos dos beneficiários na ponta.
Ter metas atreladas à inovação e sustentabilidade traz um incentivo a mais para acelerar essa mudança cultural. Indo mais além, muitas empresas já começaram a atrelar o bônus de executivos(as) ao cumprimento das metas ESG – o que tangibiliza o compromisso e incentiva a mudança.
Por fim, as empresas são feitas de pessoas, e cada uma tem suas crenças e motivações individuais para se engajar em determinados assuntos. Por isso, ao mesmo tempo em que se define e publica uma estratégia para ESG, sustentabilidade ou inovação, é preciso pensar nos fatores da cultura empresarial que sustentam e engajam as pessoas para essa agenda. Não é um desafio fácil, mas vale a pena dedicar energia aqui.
A sustentabilidade não é responsabilidade de uma área, e sim de todas as pessoas. A inovação como alavanca da sustentabilidade – e vice-versa – deve estar no checklist de todos os projetos e decisões do dia a dia.A cultura é um processo contínuo e de longo prazo, tendo o propósito e valores como base.
Como falamos neste texto, as empresas estão em diferentes estágios de maturidade em direção a um futuro mais sustentável, e o nosso papel no Quintessa é acolhê-las e direcioná-las nesta transição. Entre em contato conosco para conhecer nossa atuação.
Startups e corporações podem se juntar para fomentar inovação e sustentabilidade em diversas cadeias de valor
As emissões de gases de efeito estufa vêm sendo amplamente entendidas como uma questão prioritária para o mercado. O crescimento de metas net-zero de grandes empresas, muitas vinculadas à bonds mais baratos, é apenas uma (e talvez a mais marcante) materialização disso.
Para o Quintessa, que já está há mais de 11 anos trabalhando com soluções de mercado para superação dos nossos desafios sociais e ambientais junto a startups e grandes empresas, é ótimo ver o tema transcendendo espaços e indo além das tradicionais mesas com academia, governo e terceiro setor.
Por já termos concordado, como sociedade, que esse é um dos temas prioritários para avançarmos, esse texto se foca em uma abordagem prática de como podemos atacar este desafio.
Nós temos tido experiências muito positivas em ajudar grandes empresas a baterem suas metas de sustentabilidade através da inovação aberta. Esse é um caminho eficaz, rápido e menos arriscado de endereçar desafios, pois as startups já desenvolveram muitas das soluções, o que exime as grandes empresas de precisarem começar do zero.
Assim, apresentamos aqui soluções de startups para o desafio da diminuição das emissões de carbono, e que podem ser válidas para distintos perfis de empresa.
Logística
No quesito eletrificação de frotas, startups como Voltz e Origem vêm crescendo e mostrando que é viável produzir motocicletas elétricas nacionais. A E-Moving, startup acelerada pelo Quintessa, vem trabalhando com consumidores finais e empresas para difundir a bike elétrica como meio de transporte. Também para o last-mile, mas abrindo o flanco para maiores distâncias, a FNM está voltando, desta vez com caminhões elétricos.
A Courri, também acelerada pelo Quintessa, colocou de pé um modelo logístico movido ao combustível mais limpo de todos: pedaladas. Em 2019, a B2W viu o movimento e adquiriu a startup.
Startups em estágios mais embrionários, na fronteira do desenvolvimento de tecnologias em biocombustíveis e ganho de eficiência em baterias, também têm um papel relevante na temática de logística limpa.
Uma observação importante para a opção de eletrificação de frotas se refere à matriz energética que está alimentando esses motores. No Brasil, 70% da matriz elétrica é limpa.
Apesar de ser melhor que muitos outros países, ainda temos muito o que evoluir, o que leva ao assunto seguinte…
Matriz energética
Tornar a matriz mais limpa passa por ações de diversos atores e as grandes empresas têm um papel importante de indução e desenvolvimento destas soluções.
A instalação de placas solares, que é normalmente a primeira iniciativa que vem à mente, pode ser feita com ajuda de startups como SolarGrid e a SolStar, e é um caminho cada vez mais vantajoso, à medida que a tecnologia por trás das placas evolui. O modelo de assinar placas, como o da Solar21 também tem apelo e é uma forma mais barata de começar.
Outras fontes de energia, como o biogás produzido pela acelerada do Quintessa HY Sustentável também vem ganhando relevância, principalmente em cadeias alimentícias.
Ademais, a migração da origem da energia elétrica da sua cadeia pode ser feita sem necessariamente a implantação de equipamentos nas instalações das empresas. Modelos de assinatura de créditos de energia limpa, como o da Lemon e da NewSun são saídas para se adotar em cadeias mais pulverizadas. Existem também grandes comercializadoras oferecendo energia limpa no mercado livre.
Ganho em eficiência energética, uma pauta que é intimamente ligada ao retorno financeiro, uma vez que a economia de energia leva a menores gastos, também pode ser endereçado por startups, como a GreenAnt, que ajuda a mensurar perdas e ineficiências.
Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com João Ceridono.
Há anos, a inovação e a transformação digital vem sendo colocados como fatores decisivos para a sobrevivência das empresas no nosso tempo. Nos últimos 10 anos, o número de startups no Brasil cresceu 20 vezes, com um grande salto em 2018. Grandes empresas passaram a não só inovar internamente, mas se relacionar com esse ecossistema. Vimos o surgimento de hubs de inovação, plataformas digitais e co-workings patrocinados pelas grandes corporações.
Recentemente, tivemos uma mudança: apesar de um conceito e prática com décadas de existência, nos últimos dois anos a sustentabilidade passou a ser reconhecida como fator chave para a sobrevivência das empresas.
Porém, muitos ainda não perceberam o valor em incorporar a sustentabilidade nos processos de inovação. Em muitas empresas ainda existe uma desconexão entre os compromissos de sustentabilidade com a criação de novos negócios e produtos.
Imagine, por exemplo, uma área de inovação trabalhando no lançamento de novos produtos em novas embalagens, enquanto a área de sustentabilidade está com o desafio de trabalhar em programas de logística reversa para as embalagens atuais da marca. Não faria sentido as duas áreas conceberem juntas um produto em embalagens mais sustentáveis, feitas com outros tipos de materiais, biodegradáveis ou de mais fácil reciclagem, por exemplo?
É do potencial desta conexão que surge o termo Innovability, ou Inovabilidade. A palavra tangibiliza a crença de que a inovação e a sustentabilidade devem ser inseparáveis, não somente como áreas de negócio, mas como pilares estratégicos para toda a empresa.
Em uma publicação da London School of Economics (LSE), os autores demonstram duas razões pelas quais estas agendas ainda estão desconectadas. A primeira é a falta de processos que realmente incluam a sustentabilidade na jornada de inovação desde os estágios iniciais. A sustentabilidade deve ser inserida desde os primeiros passos de uma inovação.
A segunda razão é o gap entre as áreas de negócio e a área de sustentabilidade. Isso é reflexo de uma estrutura organizacional há muito tempo já estabelecida, com os dois times trabalhando por objetivos e metas muito distintas. É tempo de reestruturar as organizações para se adaptarem às novas demandas.
O uso do termo Innovability não é sobre criar mais um conceito dentre tantos que já existem hoje, como ESG, valor compartilhado, Empresas B, capitalismo consciente… Mas sim sobre consolidar essa visão de que os dois processos são indissociáveis.
A Inovabilidade indica a capacidade de uma organização de inovar de forma sustentável e de alavancar a sustentabilidade como forma de inovação, novos negócios e diferenciação.
O Quintessa acredita muito nesta visão estratégica, de ter a sustentabilidade como lente para enxergar novos negócios – bem como entender que processos de inovação, como a inovação aberta, podem ser muito eficazes para atingir os objetivos de sustentabilidade.
Aqui no Brasil, além da nossa menção ao conceito em nossa publicação Guia para Inovar com Impacto, a referência que temos visto utilizando o conceito é Ricardo Voltolini, CEO da Ideia Sustentável, por quem conhecemos o termo.
Na prática
Uma empresa que se destaca e pauta este tema é a Enel, que criou um departamento de Innovability dentro da empresa, tornando as duas áreas indissociáveis. Desde 2014 a Enel faz da inovação e sustentabilidade seus pilares estratégicos por meio da inovação aberta, trazendo soluções de startups, universidades, pesquisadores, fornecedores, colaboradores e outras empresas.
“Nós trabalhamos no innovability, um termo que combina os dois conceitos, e não somente em palavras, porque acreditamos que é impossível separá-los. Não podemos pensar em inovação sem ser sustentável, e vice-versa.” Ernesto Ciorra, Chief Innovability Officer da Enel.
A iniciativa chamada de “Open Innovability” já envolveu mais de 100 países, com hubs em 32 deles, e 7 mil soluções propostas.
Outras empresas que trabalham o conceito internamente são a EDP, também do ramo de energia, na crença de que “os desafios de mercado devem ser encarados sob uma perspectiva de reinvenção completa” e a Suzano, que se pauta na Inovabilidade para “pensar fora da caixa e enxergar longe para lidar com os desafios do século 21”.
Sem a utilização do conceito, mas enxergando as ações na prática, vale a menção à Vedacit, que unifica sob a liderança de Luis Guggenberger as áreas de Sustentabilidade, Inovação e Responsabilidade Social (Instituto), e o Braskem Labs, programa de inovação aberta da Braskem, que é originado e é até hoje gerido pela área de Desenvolvimento Sustentável.
Em tempos de grandes e rápidas mudanças, a inovação e a sustentabilidade passam a ser prioridade para qualquer empresa que deseja garantir sua relevância em um futuro próximo e devem andar juntas.
No Quintessa, acreditamos que a inovação é o caminho para alcançar soluções escaláveis para os desafios de sustentabilidade e ESG das grandes empresas, e que desafios de sustentabilidade podem ser oportunidades de inovação e diferenciação para as empresas.
As áreas e as pessoas já existem, a mudança é sobre introduzir uma nova lente e reorganizar os processos e estruturas para promover a Inovabilidade.
Este tema faz parte do Guia para Inovar com Impacto, publicação inédita do Quintessa que apresenta um passo a passo para criar programas de inovação aberta que gerem valor para o negócio e impacto socioambiental positivo. Acesse o Guia completo aqui!
Neste ano, a plataforma de empreendedorismo conta com apoio de Johnson & Johnson Consumer Health, Grendene, Sherwin-Williams e Oxiteno como co-sponsors. Desde 2015, a plataforma acelerou mais de 90 startups.
A Braskem anuncia as 20 startups selecionadas para a próxima etapa do programa Braskem Labs, que chega à sétima edição em 2021. Com objetivo de impulsionar negócios sustentáveis criados a partir da química e do plástico, o programa conta este ano com as parcerias de Johnson & Johnson Consumer Health, Grendene, Sherwin-Williams e Oxiteno, que trabalharam juntas na escolha e darão mentoria aos projetos inovadores e com impacto positivo na sociedade e no meio ambiente. O Quintessa, aceleradora dedicada a startups de impacto socioambiental positivo, é parceiro da Braskem nesta plataforma pelo terceiro ano consecutivo.
Respeitando as medidas de isolamento social, a edição desse ano foi, pela segunda vez, em formato digital. A seleção ocorreu nos dias 11 e 13 de maio contando com os integrantes das empresas participantes e importantes nomes da cadeia da química e do plástico, que determinaram as startups que seguirão no Braskem Labs. O programa conta com duas frentes: 10 projetos irão participar do Braskem Labs Ignition, focado em startups ainda em fase de validação de modelo de negócio; e 10 do Braskem Labs Scale, que oferece suporte para negócios em fase de tração ou escala, impulsionando seu crescimento.
Desde 2015, quando foi criado, mais de 90 startups foram aceleradas pelos dois programas e, destas, 96% continuam no mercado e outras 34% atraíram investimentos externos. A próxima fase de aceleração teve início na última quarta-feira, 09/06, contando com um evento de kick-off. Ao longo deste ano, os empreendedores participarão de workshops e mentorias – individuais e em grupo – com executivos da Braskem e dos co-sponsors relacionados aos seus negócios, realizando dinâmicas envolvendo desde o estabelecimento de um público-alvo à construção do modelo de negócio.
Para Karla Censi, gerente de soluções sustentáveis na Braskem e responsável pelo programa de aceleração Braskem Labs, a iniciativa reforça o papel da Braskem de antever a importância de incentivar esse ecossistema e fomentar seu próprio programa de aceleração de startups há sete anos, como uma forma de apoio ao empreendedorismo e construção de parcerias em prol da inovação.
“Ao longo de todo o desenvolvimento do programa, temos notado movimentos que geram resultados positivos e viabilizam a realização de projetos disruptivos, tirando-os do campo das ideias e oferecendo possibilidades para que sejam colocados em prática. Com isso, o Braskem Labs contempla duas frentes primordiais nos negócios, não só no presente, mas também visando as gerações futuras: a inovação e a sustentabilidade”, afirma.
O Braskem Labs é inteiramente equity free, ou seja, as empresas apoiadoras não se tornam sócias das startups, o que reforça o posicionamento do programa em prol do ecossistema e dos empreendedores. Nos últimos seis anos, mais de 32% das empresas participantes firmaram parcerias com a Braskem ou co-sponsors.
Confira as empresas selecionadas para participar do Braskem Labs 2021:
Braskem Labs Ignition
Startup
Descrição
Circular Brain
Primeiro ecossistema digital para rastreabilidade e gestão do Ciclo de Vida de equipamentos eletroeletrônicos. Um hub de soluções digitais para economia circular por meio de logística reversa (pós-venda e pós-consumo), segurança da informação, reuso, reciclagem e disposição final de produtos tecnológicos.
BioBeads
Produção e desenvolvimento de micro e nanopartículas poliméricas naturais biodegradáveis e/ou biocompatíveis para aplicação em diversos setores como cosmético, farmacêutico e médico.
Dana Agro
Linha de produtos atóxicos que protegem e renovam as culturas de cana-de-açúcar, soja, milho, hortaliças e frutas, dos danos ambientais (seca, chuva intensa, alternância de temperaturas, chuvas de granizo e geada). Por meio da tecnologia, o produtor tem garantida a produtividade e a arentabilidade nas lavouras frente as condições adversas.
Desembala
Comercialização de linha completa de produtos de limpeza disponíveis em sachês concentrados e hidrossolúveis.
FitStock
Plataforma digital onde as empresas podem anunciar seus excedentes de insumos químicos para venda, compra de materiais anunciados ou outras solicitações que sejam procuradas no mercado.
Instituto Cidade Jardim
Telhados verdes e jardins verticais que possibilitam espaço para produção local de alimentos, ajudando a reduzir as distâncias entre o produtor e o consumidor.
Minha Coleta
Solução que promove a coleta para todos tipos de resíduos em condomínios, com assinatura de crédito de logística reversa e programas de logística reversa para empresas.
Mush
Embalagens e isolamento acústico biodegradável produzidos a partir da tecnologia de micélio, com resíduos do agronegócio.
O2Eco
Placa de parafina com nano minerais que ativam o processo de bioestimulação, mobilizando, naturalmente, as bactérias que já estão no corpo hídrico a consumirem a matéria orgânica.
S3nano
Aditivo utilizado para eliminar fungos, bactérias e vírus das superfícies dos produtos, aumentando o tempo de vida da produção e reduzindo a transmissão de doenças.
Braskem Labs Scale
Startup
Descrição
BioLambda
Venda de equipamentos de fotopolimerização de ambientes, ar e superfícies.
Bioz Green
Produtos de limpeza e higiene isentos de conteúdo petroquímico.
Coletando
Inclusão bancária por meio da coleta de resíduos. Por meio da plataforma, é possível gerar renda extra ao trocar embalagens por dinheiro.
Descarte Correto
Recebem ou compram resíduos eletrônicos, atuando em 3 frentes: (1) recuperação de computadores e venda a preços acessíveis para centros educativos, (2) recuperação de computadores e venda da licença da metodologia para centros educativos com cursos profissionalizantes e (3) venda da matéria-prima de volta para a indústria.
Fleurity
Venda de coletores menstruais ou calcinhas/absorventes reutilizáveis, reduzindo o risco de infecções e evitando o descarte de absorventes usados no meio ambiente.
Port Roll
Substituição da embalagem one way de madeira por caixas de plástico reutilizáveis.
Rochmam
Venda ou aluguel de máquinas para a recuperação de solventes.
TNS Nano
Soluções de nanotecnologia para aplicação em embalagens, tecidos, tintas, espumas e fibras.
Trashin
Sistema de coletas e projetos de logística reversa. Trabalham com educação e sinalização no ponto de coleta, rastreabilidade até a destinação adequada, dados em sistema online e cashback aos geradores sobre a venda dos resíduos.
YouGreen
Cooperativa que realiza a gestão integrada de resíduos para grandes geradores, trazendo uma solução completa para clientes industriais, comerciais e residenciais.