Categoria: Webinars

  • Webinar | Adaptação Digital para Negócios de Educação

    Webinar | Adaptação Digital para Negócios de Educação

    Quais são as tendências para o setor de educação no pós-pandemia? Como adaptar o modelo de negócio para o digital e gerenciar um time digital? Quais são as melhores estratégias para vender e se diferenciar no mercado?

    Nesse encontro, convidamos os mentores do Quintessa, Marcia Nogueira de Mello, ex-CEO da Global Payments South America e conselheira da PagSeguro e SmartBank, Bruno Machado, diretor de aceleração digital na UnitedHealth Group Brasil, e Fabrício Mainieri, executivo de tecnologia da rede CNA Idiomas e acionista da Anima Educação, para uma conversa sobre adaptação digital para negócios em educação, com mediação de Marina Zavanella, gestora do Quintessa.

    [su_youtube url=”https://www.youtube.com/watch?v=4bs6RgugnCk”]

    Webinar transmitido em 20/08/2020

  • Webinar | Visões sobre o setor de negócios de impacto

    Webinar | Visões sobre o setor de negócios de impacto

    [su_youtube url=”https://www.youtube.com/watch?v=cbzpXieEZk0″]

    27:20: Visão de Empreendedores

    com Gustavo Fuga (4YOU2), Ronaldo Tenório (Hand Talk) e Bia Santos (Barkus Educacional)

    59:30: Visão de Especialistas

    com Fernanda Bombardi (ICE), Fabio Deboni (Instituto Sabin) e Lucas Maciel (ENIMPACTO)

    Evento realizado em 04/08/2020 para o Lançamento da 3ª edição do GUIA 2.5, o mapeamento de iniciativas que desenvolvem e investem em negócios de impacto no Brasil: www.guiadoisemeio.com.br

  • Captação de investimento anjo na crise da COVID-19

    Captação de investimento anjo na crise da COVID-19

    Quando falamos em captação de investimento, tão importante quanto a escolha do(a) investidor(a) e ter um bom plano de negócios é saber o momento certo para captar e ter clareza do seu objetivo com o recurso captado.

    Em meio à crise causada pela pandemia do coronavírus, muitos negócios tiveram o seu processo de captação interrompido por um cenário de incerteza, enquanto outros começaram a recorrer à uma captação para sobreviver à crise. 

    Por mais que o seu negócio esteja no momento certo de captar, o contexto traz dúvidas se esse é mesmo um bom momento para iniciar conversas com potenciais investidores e o que eles estão buscando para alocar seus recursos.

    Neste texto falaremos sobre o cenário do investimento anjo na crise da COVID-19, mas as reflexões também são válidas se você está captando outras rodadas. O conteúdo é derivado deste webinar que realizamos em parceria com a Anjos do Brasil, organização que fomenta o investimento anjo no Brasil.

    O que é importante para uma captação de investimento anjo, independente do cenário em que estamos?

    Conforme foi trazido pelos painelistas do webinar, para captar investimento anjo, é esperado que o negócio já tenha rodado o seu MVP e começado a conquistar seus primeiros clientes. Dessa forma, o recurso pode ser investido para o negócio encontrar o seu product market fit e iniciar o ganho de tração comercial, demonstrando uma positiva perspectiva de futuro para o(a) investidor(a). 

    O que deve ser evitado é buscar investimento para garantir despesas do dia a dia que não estejam atreladas à crescimento ou financiar um protótipo que ainda tenha baixas comprovações do potencial como negócio.

    Leia nossos textos sobre Validação.

    Outros critérios avaliados pelos investidores são a complementaridade dos sócios e da equipe (se houver) e a organização do quadro societário. Como o montante de dinheiro investido em uma rodada anjo está entre 50 e 500 mil reais, o empreendedor deve se atentar à porcentagem da participação que irá oferecer ao investidor, para evitar diluir muito o seu cap table precocemente e comprometer rodadas futuras (um parâmetro saudável é até 10% , como contamos neste texto). 

    Porém, o fator apontado como mais importante pelos investidores é o perfil do(a) empreendedor(a). Para grande parte dos investidores, mesmo se o modelo de negócio for bom, uma liderança frágil pode fazer o negócio não dar certo, e acabam evitando o investimento. 

    O investimento em startups é naturalmente um investimento de risco, principalmente em estágios tão iniciais. A chance do modelo pivotar no caminho é enorme, então a pessoa que está à frente do negócio faz muita diferença na hora de apostar as fichas. Alguns aspectos avaliados no perfil são o comprometimento em fazer o negócio dar certo, brilho nos olhos, aderência a risco, resiliência e propósito.

    O que muda com a crise da COVID-19?

    Nos primeiros meses da pandemia no Brasil, a percepção que os painelistas trouxeram é de que os investidores não estavam interessados em muitas startups para investir, e por mais que continuassem investindo, não tinham cheques tão altos como antes. Muitos investidores não estão na condição de assumir um risco nesse momento, ou seja, de confiar que a projeção de retorno irá ficar dentro do esperado. 

    Se o investimento em startups em fase inicial já é um investimento de risco, em momentos de crise e incerteza sobre o futuro, é provável que os investidores prefiram alocar seus recursos em fontes mais garantidas.

    Para a Anjos do Brasil, o mais importante é pensar nos motivos da decisão de captar agora. Se o seu motivo é de curto prazo, para pagar salários ou garantir caixa, não vale a pena – e será muito difícil conseguir – fazer uma captação neste momento. 

    O investimento anjo não pode ser visto como um empréstimo. Assim como em cenários normais, o recurso deve ser investido para alcançar algum resultado. Dizemos que a captação deve ser um meio para crescer e tracionar, e não um fim por si só.

    captacao de investimento anjo

    Material da Anjos do Brasil apresentado no webinar

    Um outro cuidado é não chegar já “com a corda no pescoço” para o(a) investidor(a), pedindo um recurso para sobrevivência. Nesses casos o “barato pode sair caro”, pois você pode acabar aceitando entregar uma participação muito alta em troca do investimento somente pela urgência de fechar a negociação.

    Caso você já tenha investidores de uma rodada anterior, um caminho pode ser pedir a eles uma ajuda para ajustar o caixa ou evitar o corte de um custo importante. Ou com amigos, familiares e pessoas próximas (o que chamamos de FFF).

    Os investidores têm avaliado muito mais o quanto as startups estão conseguindo fazer um jogo de cintura, se adaptando ao contexto e às mudanças nas demandas do mercado, e mostrando resiliência. Se você conseguiu pivotar, manter clientes ou criar um novo produto ou serviço, a captação tem muito mais chances de ter sucesso. 

    A imagem abaixo mostra o que era esperado das startups antes da crise e agora:

    como captar investimento anjo

    Material da Anjos do Brasil apresentado no webinar

    Algumas perguntas que estão sendo feitas são:

    • Seu negócio segue funcionando? Se não, quando vai voltar a rodar?
    • Se a perspectiva é não voltar em breve, o que você já fez para contornar isso? 
    • Se o seu produto/serviço deixou de fazer sentido, criou uma nova frente ou pivotou?
    • Conseguiu manter seus clientes? Se sim, de que forma? Se não, por qual motivo eles resolveram sair?

    Além das informações básicas do pitch deck, inclua também no material de captação qual foi o seu plano de ação e adaptação nos últimos meses, e qual será o plano a partir de agora, além de projeções otimistas e pessimistas.

    Foque no lado smart do(a) investidor(a)

    Neste momento pode ser que você não consiga o valuation mais alto que gostaria, por isso o foco deve ser no smart money, ou seja, o quanto aquele(a) investidor(a) pode agregar no seu negócio com networking, abertura de portas com clientes, conhecimento técnico ou de gestão e outros recursos não financeiros.

    Se não conseguir o investimento, você pode convidar os potenciais investidores como mentores do seu negócio, para estreitar relações e receber suporte nos temas mais urgentes. Nesse momento, uma conversa com alguém mais experiente, que já superou outras crises pode ser determinante.

    Dicas e reflexões finais para empreendedores

    Só vale a pena captar agora se é realmente o que você precisa e vai conseguir crescer e acelerar o seu produto. Algumas startups estão conseguindo crescer por estarem em setores que estão em crescimento ou destaque, enquanto outras estão em modo de “hibernar”, para conseguir sobreviver após a crise. 

    Para muitos, esse é o ano da sobrevivência, de manter a empresa de pé, sem se endividar muito ou entregar valores altos de participação no seu negócio.

    Por mais que a área da saúde tenha aberto portas para novas soluções, a empreendedora Fabiana Almeida da TechBalance relatou no webinar que, para todos os seus clientes “qualquer coisa que não seja a urgência de salvar vidas ficou para segundo plano”. Por isso, alguns contratos não foram assinados e tiveram que cortar custos para garantir o fôlego de caixa dos próximos meses:

    “Temos que assumir a aventura, entender a oportunidade para desenvolvimento do negócio. Se não tiver uma mínima tração para mostrar, não vai “descer redondo” para o investidor. Vai tentando criar isso, firmando parcerias e fazendo acontecer até você ter números suficientes para entregar.”

    Um desafio para a liderança hoje é manter uma visão positiva sobre o futuro, se manter otimista e esperançoso para que a equipe não perca a motivação.

    Captar investimento é uma responsabilidade a mais que se inclui na lista de responsabilidades dos empreendedores, pois você precisa cumprir as expectativas e acordos com os investidores e prestar contas. O processo deve ser feito com cuidado para evitar conflitos futuros e não desgastar as relações. Não deixe a urgência do momento atrapalhar as conversas e alinhamentos.

    Fabiana completa: “O que nos segurou foi saber que construimos elos de ética e confiança e as pessoas se respeitaram em todo o momento, desde o board de investidores até a equipe.”

    Dicas e reflexões para investidores anjo

    Por ser um investimento de risco, a taxa de sucesso não é alta e por isso é importante diversificar, pois algumas não trarão o retorno esperado, principalmente neste cenário atual. Para os investidores, redes e fundos, uma opção nos próximos meses pode ser o co-investimento, ou seja, investir junto a outros investidores.

    “O setor público vai sair dessa crise ainda mais endividado, então é importante empresas e pessoas físicas investirem em startups para movimentar a economia e fomentar inovação. Sem inovação não conseguimos compatibilizar coisas antagônicas como lucro e preservação ambiental, e precisa de muita criatividade para fazer coisas com baixo custo. Não temos como resolver todos esses problemas se não usarmos a criatividade humana e a tecnologia.”

    Francisco Fortes, mentor e investidor – no webinar

    Se você estiver precisando de recursos financeiros, mas não for o momento de focar em captações via participação acionária (equity), você pode procurar soluções de empréstimos, como o Covida20, o financiamento da Sitawi ou outros tantos que reunimos no GUIA 2.5.

    Leia mais sobre captação de investimento na trilha de conteúdo sobre o tema aqui no Blog. Acesse!


    Conteúdo complementar:
    COVID-19: Perspectivas de Investidores de Venture Capital
    Conteúdos no site da Anjos do Brasil

  • Webinar | Por que investimento consciente é importante para o país?

    Webinar | Por que investimento consciente é importante para o país?

    [su_youtube url=”https://www.youtube.com/watch?v=cbzpXieEZk0″]

    Existe uma mudança de hábito na forma que os investimentos no Brasil estão acontecendo. Cada vez mais, estamos vendo a busca por empresas que tenham um propósito e impacto forte e alinhado a transformação da sociedade. Nesse webinar, vamos falar sobre as principais mudanças que estamos observando. Quais são as tendências e recomendações para quem quer estar mais engajado e quais são as perspectivas de futuro – afinal, por que investimento consciente é importante para o país?

    Webinar transmitido em 29/07/2020

     

  • Webinar | O que são negócios de impacto?

    [su_youtube url=”https://www.youtube.com/watch?v=cbzpXieEZk0″]

    Nessa live, Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, e Matheus Cardoso, CEO do Moradigna, irão compartilhar dicas e informações sobre negócios de impacto e como empreender nessa área. Dentre os tópicos abordados, falaremos sobre o que são negócios de impacto, e daremos alguns exemplos e dicas para começar a empreender nesse ramo. Essas informações serão úteis aos micro, pequenos empreendedores e autônomos, e a todos que queiram entender sobre negócios de impacto.

    Webinar transmitido em Julho/2020

  • Webinar | A oportunidade de construir um novo futuro possível

    Webinar | A oportunidade de construir um novo futuro possível

    [su_youtube url=”https://www.youtube.com/watch?v=g1D48komHJA&”]

    Webinar transmitido em 04/06/2020

  • Dicas e práticas para um bom relacionamento com seus sócios

    Dicas e práticas para um bom relacionamento com seus sócios

    O relacionamento entre sócios é um tema pouco falado no universo das startups, mas que já comprometeu o sucesso de muitas delas. Sabemos que não existe uma fórmula certa ou exata para que uma sociedade dê certo, mas já vivenciamos diversas experiências no Quintessa e reunimos aprendizados que podem ser válidos para muitos negócios. 

    O que é importante para um bom relacionamento societário? Como lidar com desentendimentos? Que tipo de perfil buscar quando preciso de um(a) sócio(a)? 

    Neste texto buscamos responder algumas destas perguntas iniciais a partir da visão de mentores e empreendedores da nossa rede que participaram deste webinar:

    [su_youtube_advanced url=”https://www.youtube.com/watch?v=MCVcQ4VEZfE”]

    Quais premissas são importantes para um bom relacionamento entre sócios?

    O primeiro passo é estar alinhado(a) com o propósito e com os valores do negócio do qual você vai fazer parte. Uma relação tende a ser mais saudável quando as pessoas compartilham os mesmos objetivos e valores éticos.

    Esse alinhamento de valores ajuda a criar um espaço de transparência, honestidade e escuta, que é essencial para estabelecer a confiança no relacionamento. A base dessa confiança deve ser construída desde o início da relação, de forma intencional. 

    Outro pilar importante é a comunicação. Ela é uma das ferramentas mais eficientes para resolver os inúmeros problemas que irão surgir. Especialmente em startups, uma comunicação clara ganha ainda mais importância, por serem ambientes em que as coisas mudam muito rápido e os sócios precisam tomar decisões ágeis e fazer ajustes com frequência.

    Como saber o perfil ideal e encontrar sócios para o meu negócio?

    Como falamos no início do texto, é difícil – e pouco saudável – idealizar um(a) sócio(a) ou ter a expectativa de seguir uma receita pronta para uma boa relação, mas alguns elementos podem ser levados em conta no momento em que você precisa encontrar alguém para dividir as responsabilidades do negócio.

    Primeiro, vale diferenciar o tipo de sócio(a) que está buscando: é alguém para investir recursos financeiros e ajudar pontualmente em decisões estratégicas? É alguém para entrar na operação e “segurar o piano” com você? Existe o(a) sócio(a) investidor(a), que na maioria das vezes tem um papel menos ativo na operação diária, e o(a) sócio(a) operacional, o(a) co-fundador(a), a pessoa que coloca a mão na massa e toma riscos e decisões em conjunto.

    Depois, vale fazer uma análise fria sobre o que você prioriza como critério nesta escolha. É muito comum iniciar um negócio com amigos, familiares ou conhecidos da sua rede. Pode dar muito certo, por você já ter facilidade de se relacionar, como pode dar muito errado. Mais do que alguém com quem você irá se relacionar no dia a dia, é importante pensar que essa deve ser também a pessoa que irá fazer o negócio funcionar e crescer. 

    Um dos elementos que valorizamos muito aqui no Quintessa ao analisar os negócios é a complementaridade nos perfis dos sócios. Pense nas habilidades e competências que você possui para gerir o negócio, quais não possui e quais são aquelas que o seu negócio precisa. Ter clareza das habilidades complementares necessárias é um primeiro passo para entender o perfil de sócio(a) que você deve buscar.

    Procure identificar quais experiências você considera relevantes que a pessoa possua e os conhecimentos técnicos ou de segmento mercado necessários. Isso pode ser um critério para uma busca no LinkedIn, por exemplo, ou identificar eventos que podem ser fonte de networking.

    Outro fator para considerar é o momento de vida daquela pessoa. Ter um negócio próprio te faz abrir mão de algumas coisas e colocar na balança muitos aspectos da vida pessoal. Por isso, por mais que a pessoa pareça ter o perfil ideal, se ela não estiver em um momento propício para tomar riscos e se dedicar “de corpo e alma”, isso pode ter um custo maior no futuro.  Seja transparente sobre isso desde a primeira conversa e conte também sobre o seu momento e objetivos com o negócio. 

    Vocês não precisam estar necessariamente no mesmo momento – mas caso não estejam, vale a pena ter claro o alinhamento de expectativas de dedicação de tempo e aporte financeiro que cada um pode ou está disposto, deixando claro até onde um está disposto a ir para fazer o negócio dar certo.

    Uma reflexão interessante para se fazer ao pensar no tipo de sócio(a) que você quer ter, é pensar que tipo de sócio(a) você é ou está disposto(a) a ser para alguém. Entender como você lida com as decisões, incertezas e riscos pode ajudar a traçar comportamentos de quem combina ou não com você – e permitir que as pessoas possam conscientemente se sentir identificadas ou não com seu estilo.

    Qual o momento certo de definir regras e formalizar acordos?

    Ouvimos de muitos empreendedores, principalmente em fase inicial, o receio de fazer acordos societários “cedo demais” e criar conflitos e colocar pautas desconfortáveis na mesa enquanto a relação está indo bem. Porém, não ter papéis e responsabilidades combinados desde o início também acaba sendo um erro comum para que conflitos aconteçam. Entendemos que, não importa o tamanho do negócio, sempre pode ter espaço para se definir um pouco de governança e a divisão de papéis.

    Costumamos dizer que a relação em sociedade se assemelha com a relação em um casamento, em muitos aspectos. Se uma pessoa tem certeza que não quer ter filhos e a outra tem certeza que deseja ter, é melhor que conversem sobre isso no início da relação ou descubram isso após 5 anos de casados? Só cada um sabe dizer o que considera essencial em uma relação, e isso deve ser explicitado e conversado. Quanto mais o negócio evolui sem discutir esses pontos, mais a relação pode ir ficando desconfortável.

    Além disso, no momento em que se casa, você precisa definir como será a divisão de bens caso se separem. Por que em uma sociedade não podemos fazer igual? Alguns acordos básicos sobre compra e venda de ações serão melhores explorados no início do que no calor do momento, com uma oportunidade de venda em jogo.

    Existe uma tendência de discutir questões societárias ‘sob demanda’, no momento de se captar investimento, por exemplo. O problema é que esses momentos vêm carregados de emoção. Então, por mais que a relação seja ótima e de boa fé, é fundamental ter os combinados para se guiar e eliminar qualquer dúvida.

    Chega um momento em que de fato é importante colocar essas conversas em um instrumento formal, mas sabemos que tem um custo – tanto financeiro, quanto de tempo, e para startups focadas em colocar o negócio de pé, muitas vezes isso não será a prioridade. Portanto, se existiram essas conversas francas no início, depois ficará muito mais fácil registrar no ‘papel’ o que já está alinhado – com o cuidado de não ‘deixar sempre para depois’. 

    Em diferentes ciclos de vida da empresa, o grau de formalização vai amadurecendo também. Um estudo do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) recomenda para as startups o ciclo abaixo:

    relacionamento-socios-startups

    Fonte: IBGC – Governança Corporativa para Startups & Scale-ups

    O documento recomenda que para a fase de ideação, deve-se:

    “Estruturar os papéis e as responsabilidades dos sócios, especificar as formas de contribuição e a intensidade de dedicação, a remuneração e futura participação, bem como opções de saída e descontinuidade. Garantir a titularidade da propriedade intelectual da sociedade e o alinhamento entre os sócios, o processo de tomada de decisão e a construção de consenso.”

    Em validação, é recomendado:

    “Constituir a empresa e organizar regramentos quanto a direitos e deveres dos sócios, incluindo as primeiras reflexões sobre o propósito da organização. Organizar práticas referentes a potenciais empregados-chave e a relação com clientes e parceiros estratégicos. Também começa a ser importante manter controles internos e indicadores mínimos adequados para apuração de resultados e eventual prestação de contas a terceiros.”

    Para negócios em fase de tração:

    “Fortalecer o entendimento da diferença entre a posição de sócio e de executivo, definir alçadas para tomada de decisão, estruturar o conselho (consultivo ou de administração) e evoluir nas práticas de planejamento e controle do negócio.”

    E na etapa de escala, “consolidar práticas de governança que podem auxiliar o negócio a prosperar e a ter a continuidade desejada”.

    Acima de regras e acordos, sociedade é sobre pessoas: permitam que os sentimentos entrem na pauta

    Quando falamos sobre o tema societário, é normal começarmos a pensar em regras e acordos que serão estabelecidos. Buscamos mecanismos técnicos e racionais, procurando advogados, escrevendo cláusulas… É claro que isso é uma parte importante do processo, mas também é fundamental não negligenciar o lado emocional da relação societária.

    Em uma situação de conflito, o lado racional é importante para entender os acordos feitos, mas o emocional não pode ser tratado como uma pauta implícita. Explicitar o sentimento pode ajudar a conversa a fluir melhor. Acolher o sentimento do outro de estar com medo, de não ter mais dinheiro para investir, de estar sentindo uma grande pressão familiar… Crenças e sentimentos enviesam as opiniões em discussões, por mais objetivas e práticas  que elas possam parecer, por isso a transparência sobre eles é muito importante. 

    Se a relação entre os sócios não está indo bem, o quanto vale a pena insistir ou desistir?

    O momento de saída de um(a) sócio(a) é um dos mais delicados e pode desestabilizar o negócio se não for feito de maneira cuidadosa e transparente. Nem sempre é fácil chegar em um acordo ideal ou encontrar potenciais compradores para a participação societária de quem está saindo. Além disso, se trata-se de uma pessoa essencial para a empresa, o momento traz ainda inseguranças de como o negócio irá seguir sem este ‘ativo’ importante. 

    São muitos fatores envolvidos e é difícil recomendar o quanto insistir ou não na relação. Acreditamos que seja essencial ter uma insistência inicial para entender o que está acontecendo e, principalmente em startups, como o crescimento é muito rápido e muitas pessoas são empreendedoras de primeira viagem, é importante experimentar e dar oportunidade para as pessoas aprenderem e se desenvolverem.

    Por outro lado, insistir demais na manutenção da relação pode virar teimosia e acabar criando uma relação ‘tóxica’ de sociedade, deixando de ser funcional. Isso pode ser comum em relações societárias que envolvem uma amizade anterior à sociedade: muitos prezam por preservar a amizade e acabam evitando ou relevando os conflitos – e sabemos que em uma questão de tempo, isso irá prejudicar tanto o lado profissional quanto pessoal.

    Para dosar o equilíbrio entre essa insistência e teimosia, vale olhar pela ótica da empresa, pensando que a relação dos sócios deve ser funcional para a empresa: O que é necessário para a empresa ser mais eficiente, produtiva, crescer, ter sucesso?

    A partir do momento que a colaboração daquele(a) sócio(a) não está cumprindo seu papel funcional, é o momento de refletir se a relação ainda faz sentido para a empresa. E isso pode acontecer por diferentes motivos, seja por baixa performance, por relacionamento interpessoal ou falta de interesse daquela pessoa em continuar na sociedade. Todos os colaboradores têm suas contribuições e responsabilidades, e se alguma dessas frentes não está funcionando é a hora de ligar um alerta e tentar resolver antes de culminar em um prejuízo maior para todos.

    Quando esse momento chega, provavelmente foi precedido de um processo de enfraquecimento da relação ao longo do tempo, muitas vezes ignorado. O momento de finalizar a relação é o último ao qual você deve recorrer, por isso reforçamos a importância da transparência e confiança como base da sociedade para que o conflito seja identificado e tente ser resolvido – podendo ajudar a presença de mediadores neutros para apoiar na resolução. 

    Um ponto importante é essa neutralidade dos mediadores – não ampliando o conflito recorrendo a pessoas para endossar a sua perspectiva, sem trazer o lado do outro. Isso pode acentuar que os sentimentos de tristeza, injustiça ou raiva se sobreponham, menosprezando o valor da sociedade e daquela pessoa que investiu e aderiu ao risco ao seu lado.

    Por fim, a incerteza dentro de startups já é muito grande e exige muitas decisões rápidas. Em momentos inesperados, como essa crise que estamos vivendo com o COVID-19, a necessidade de adaptação cresce ainda mais e vem carregada de emoção e instabilidade, o que demanda ainda mais que a relação esteja forte e resista ao stress do momento. 

    Seja com termos escritos ou conversas informais, em qualquer que seja a maturidade do seu negócio, garanta que todos os sócios estejam alinhados sobre:  Se nós discordarmos sobre uma decisão, como vamos resolver? Como nós vamos estar em paz em evoluirmos mesmo tendo opiniões distintas sobre uma decisão? Ou seja, como podem concordar em discordar, sem que isso se transforme em conflito.

    A relação societária de fato não é um assunto trivial. Envolve desde questões jurídicas, regras e acordos, até questões de viés pessoal. Assim, este texto teve o papel de trazer dicas e reflexões mais amplas sobre a relação entre os sócios. Em um próximo texto falaremos de questões mais práticas e burocráticas da relação societária – acompanhe o assunto conosco!


    Sugestões de conteúdo:

    Webinar Quintessa | Relacionamento entre sócios
    Publicação IBGC | Governança Corporativa para Startups & Scale-ups
    Notícias de Impacto | Como e por que você deve cuidar da relação societária na sua startup