O programa, que tem o Quintessa e a PPA como parceiros é focado em encontrar soluções inovadoras para as metas de sustentabilidade da Ambev (mudanças climáticas, embalagem circular, agricultura sustentável, gestão de água e ecossistema empreendedor). A iniciativa existe desde 2018 e já acelerou mais de 60 startups – atualmente a AMBEV trabalha e implementa projetos com 20 dessas de maneira mais aproximada
No evento, que aconteceu em São Paulo e também foi transmitido pelo Youtube (assista aqui), às nove startups do programa brasileiro apresentaram os resultados dos pilotos realizados com a cervejaria, e também se apresentaram startups vencedoras do programa no Paraguai, Chile e Bolívia, e a GrowPack, que participou da edição anterior. Uma delas saiu vencedora com o prêmio de R$ 100 mil, e duas receberam o segundo lugar no valor de R$ 30 mil cada. Conheça abaixo as startups e os resultados apresentados.
A Via Floresta é uma startup focada em fortalecer o ecossistema de produção e inovação da Amazônia, conectando-o com pessoas, organizações e empresas.
Após entender como a Amazônia se tornou um dos principais fornecedores de bioinsumos para diversas indústrias, a startup identificou a baixa oferta de tecnologias que garantem a rastreabilidade desses produtos.
A solução desenvolvida foi um aplicativo em parceria com a PPA que oferece para diversas empresas o rastreamento desses produtos, o comércio justo e a sustentabilidade de cadeias da biodiversidade brasileira. Hoje a VIA Floresta já mapeou mais de 60 comunidades com informações de produção desde a colheita até o processamento do produto, onde é possível identificar e conhecer produtos naturais e renováveis da floresta e outros biomas brasileiros. O aplicativo Via Floresta já está disponível para download no Google Play.
A Água Camelo junta a inovação ao design para combater a desigualdade social e promover o acesso à água tratada, hoje inacessível para 35 milhões de pessoas no Brasil – principalmente em regiões do semiárido, florestas e centros urbanos.
A solução é o Kit Camelo, composto por uma mochila que suporta até 15L de água imprópria por vez, um filtro portátil acoplado a ela que elimina até 99,99% de todas bactérias, protozoários e partículas sólidas flutuantes na água, um suporte de parede para pendurar a mochila na residência e um manual de uso do produto para o beneficiado final.
Durante a aceleração a startup pôde validar o modelo de serviço e a versatilidade do Kit Camelo – 100 kits foram implementados nas comunidades de Morro da Providência (RJ) e na Aldeia Mutum (AC), mostrando a versatilidade de implementação em diferentes cenários (centro urbano e floresta).
Na Aldeia Mutum que antes apresentava um cenário de 96% das pessoas com relatos de doenças de veiculação hídrica, após o piloto, 100% dos sintomas foram reduzidos. Já no Morro da Providência, onde 62% relataram sintomas, ao final do projeto 90% dos sintomas foram reduzidos. Foram 702 pessoas impactadas com água de qualidade e 90% de todos os beneficiados do projeto se sentem mais seguros ao consumir água do Kit Camelo.
A TRC Sustentável desenvolve tecnologias sustentáveis para reduzir os custos com a água, em um modelo de negócio que envolve Produto + Serviço + Tecnologia voltados para conduzir projetos na gestão da água.
Durante o piloto a startup implementou soluções para reduzir o consumo de água nos centros de distribuição e pontos de venda da Ambev. Os pontos escolhidos para implementação foram: CDD em Joinville e São Cristóvão (RJ) e um bar, pizzaria e um restaurante no Rio de Janeiro. O projeto foi instalado e a startup começou a mapear cada ML de água gasto nos locais e também realizou treinamentos com os colaboradores sobre o uso consciente da água.
Ao final do processo, que teve duração de 03 meses, o impacto foi de 1.5 milhão de litros de água economizados, gerando uma média de 42% de economia de água, com ganho financeiro de R$69 mil. Se o resultado for projetado para os próximos 12 meses o impacto é de 6 milhões de litros de água economizados, o que representa um ganho de R$276 mil ao ano.
A Inspectral resolve o problema do método tradicional de monitoramento da qualidade da água, que envolve o difícil deslocamento até a margem do rio, com equipamentos pesados, sensores, o que muitas vezes aumenta o custo logístico do monitoramento. Pensando nos problemas gerados para monitorar a qualidade em um país continental como o Brasil, que tem a maior rede hidrográfica do mundo, a startup desenvolveu uma tecnologia para que esse monitoramento ocorra de forma remota por meio de imagens de satélite e drones, a solução também pode ser aplicada para monitorar outras atividades como de agricultura e em florestas.
Os projetos pilotos foram implementados no Rio Guandu (RJ), Rio da Antas (GO) e no Rio Jaguari (SP), atingindo três das onze bacias que fazem parte do plano de segurança hídrica da Ambev. Durante o processo foram gerados nove parâmetros para medir a qualidade da água, sendo um deles o IQA (índice de qualidade da água), parâmetro chave para execução de diversos processos na indústria. Através da tecnologia da startups, os índices são entregues de forma mais simplificada e o processo de tomada de decisão se torna mais ágil.
No Rio da Antas, após a análise, foi possível gerar uma melhora de 95% do IQA. Os resultados podem ser observados de forma dinâmica na plataforma Inspectral, disponível aqui.
A Recigases é uma empresa especialista na regeneração de fluidos refrigerantes – substância presente dentro de equipamentos que geram temperaturas baixas, como geladeiras e ar condicionado. Quando essa substância vaza de algum desses aparelhos, elas emitem cerca 1500 a 2000 vezes mais quantidade de Co2 equivalente. Segundo um ranking de 50 ações da Project Drawdown, melhorar a gestão dos fluídos de refrigerante é a quarta iniciativa com maior impacto para reduzir o aquecimento global até 2050, e descartar estes fluidos na atmosfera é considerado crime ambiental pelo IBAMA.
O projeto piloto aconteceu em Ponta Grossa (PR), em um cenário motivado pelo descarte incorreto de botijas de gás (com produto residual liberado na atmosfera) e fornecedor de manutenção contratado sem preocupação ambiental com os refrigerantes.
A startup criou um protótipo denominado EDG – Estação de Destinação de Gases, com ferramentas e equipamentos disponíveis para que o gás possa ser recolhido de forma consciente quando for necessário, um toolkit de usabilidade e um treinamento que tem como objetivo de mudar de forma cultural o pensamento de ‘utilizar, usar e jogar fora’, como forma de introduzir a economia circular no dia-a-dia da sociedade. O processo foi entregue em Ponta Grossa e o projeto deverá ser implementado em breve em outras 06 localidades.
A AfroImpacto é uma escola de afroempreendedorismo com o objetivo de reduzir a desigualdade social, econômica e educacional no cenário do empreendedorismo.
O projeto piloto se deu por uma demanda da Ambev em desenvolver empreendedores negros e negras, e na demanda desses empreendedores, que hoje representam uma parcela de cerca de 40% no Brasil, em se conectar com grandes empresas para impulsionar seus negócios. A partir daí surgiu a plataforma AfroOn, com o intuito de disponibilizar conteúdos e trilhas de conhecimento voltados para a profissionalização dos empreendedores, abordando temas como gestão com recorte racial, negociação com grandes empresas, produção de conteúdo e divulgação online.
Em dois meses no ar, a plataforma recebeu cerca de 130 matrículas e disponibilizou 63 conteúdos entre artigos, vídeos, atividades e e-books – e a plataforma ofereceu a possibilidade de mentores voluntários da AMBEV se conectarem com empreendedores oferecendo bagagem e conhecimento para impulsionar os negócios.
A Aterra é um startup de base tecnológica e sustentável que apoia empresas na criação de um novo mindset de negócios sustentáveis por meio da ressignificação de resíduos.
Os resíduos selecionados para o projeto foram: Lodos de ETEs e Terra infusória, gerados nas fábricas da Ambev. Para ressignificar o descarte desses resíduos, a startup implementou a plataforma e-Aterra uma plataforma web que atua como ferramenta de gestão e marketplace de resíduos nas fábricas de Juatuba e Sete Lagoas (MG), que geram juntas 968 toneladas por mês desses resíduos com um custo de destinação de R$73 mil reais por mês de logística e descarte.
Durante o processo, a startup mapeou novos parceiros e tecnologias possíveis para os resíduos: compostagem, coprocessamento, termo fertilizante e conversão térmica. Dessa forma, eles puderam mapear empresas para destinação final dos resíduos e implementaram a plataforma de marketplace. O Aterro Zero, que tem como objetivo a não geração e uma grande mudança na forma atual do fluxo de materiais na sociedade, foi mantido em 100% das tecnologias criadas, três empresas foram homologadas como opção para descarte a redução de custo utilizando a terra infusória como elemento para produção de fertilizante.
A diversidade.io é uma startup que conecta pluralidade e diversidade com vagas de trabalho. Todos os candidatos têm acesso gratuito para incluir seus currículos, independente de raça, idade, orientação sexual ou gênero. No Brasil são mais de 12,8 milhões de donos de negócios negros em território nacional (Pnad/IBGE) e existe uma dor real dos empreendores em lidar com as complexidades dos processos e comunicações das empresas.
A startup criou a Afroempreendedores, uma solução tecnológica para banco de dados que permite que os usuários façam filtros e acompanhem as propostas e possiblita a criação de um ambiente que fomenta a troca entre os empreendores negros e negras de forma gratuita.
Durante o piloto, a plataforma identificou 254 negócios liderados ou fundados por afroempreendedores. Desses, 202 foram aprovados e 52 já estão em análise de curadoria para criação de processos mais robustos, possibilitando acesso, inclusão racial, inclusão de gênero e no fortalecimento de empreendedores para que faturem mais, beneficiando suas famílias e gerando empregos. Conheça a plataforma.
A IQX é uma empresa de base tecnológica que gera impacto socioambiental positivo através do desenvolvimento de aditivos que ressignificam o plástico, viabilizando a reciclagem de embalagens multimateriais, e agregam valor através da inserção de funcionalidades, tais como, proteção antiestática, antiviral e bactericida.
Durante a Aceleração a startup endereçou o seu desafio para desenvolver uma embalagem circular de filme shrink, também denominado bobina plástica termoencolhível – atualmente apenas 2% desse tipo de embalagem são recicláveis na Ambev.
A solução proposta foi a possibilidade de reutilizar a resina pós-consumo nos filmes shrink por meio de processos químicos, mostrando a importância de aditivar uma resina que geralmente durante o processo industrial perde suas principais propriedades e acaba virando cerda para vassoura, para que ela possa ser utilizada novamente e virar um composto importante na lógica da economia circular.
A startup GrowPack participou da edição de 2020 da Aceleradora 100+, mas também esteve no evento para contar as evoluções do piloto, que hoje se tornou uma grande parceria entre a startup e a Ambev.
A startup tem uma tecnologia para produzir embalagens biodegradáveis feitas de resíduos agrícolas, como palha de milho. A Ambev não só investiu na startup no após a participação na Aceleradora100+, como se tornou cliente, escalando a solução nos produtos da marca Colorado.

As startups foram avaliadas por uma banca composta por Augusto Correia, secretário executivo da PPA (Plataforma parceiros pela Amazônia), Anna Aranha, diretora do Quintessa, Carla Crippa, vice-presidente de Relações Corporativas da Ambev, Carolina Garcia, diretora Global do Programa 100+, Daniel Serra, gerente de Investimentos e Impacto da Mov Investimentos, Fabio Kestembaum, sócio fundador da Positive Ventures, Jean Jereissati, CEO da Ambev, Priscila Claro, professora do Insper, Renata Weken, diretora de Meio Ambiente da Ambev, Rodrigo Maldonaldo, gerente geral da Pepsi&Co e Rodrigo Figueiredo vice-presidente de Sustentabilidade da Ambev.

A startup vencedora do Brasil e da América do Sul foi a Inspectral, recebendo um prêmio de R$100 mil e a participação no Programa Global 100+ Accelerator e até USD 100.000 para implementação do piloto. De forma excepcional, duas startups ganharam em segundo lugar o valor de R$30.000,00 para impulsionar seus negócios. As escolhidas foram: Água Camelo e Afroimpacto.
]]>
A Tese de Aceleração dá um direcionamento efetivo para a agenda de negócios socioambientais da Amazônia, criando as condições para que vários programas de aceleração sejam concebidos, lançados e implementados, em conjunto com organizações implementadoras e financiadoras.
‘Contribuir para a conservação e regeneração da biodiversidade na Amazônia’ é o objetivo principal da tese. Por isso, de forma colaborativa e em conjunto com especialistas, buscou-se identificar setores e/ou atividades econômicas que funcionam como temas-chave para a prospecção de negócios de impacto socioambiental que respondem a esse objetivo. Foram elencados 4 temas:

A proposição dos temas levou em consideração dois aspectos:
1. Oportunidades de uso econômico que promovam o uso sustentável da floresta (mantém a floresta em pé)
2. Existência de áreas já alteradas e/ou degradadas (desmatadas), que tem potencial e necessidade de regeneração.
Também foram considerados tendências e negócios de impacto socioambiental emergentes no contexto amazônico.
Bioeconomia: Refere-se a negócios que contribuem para a “manutenção da floresta em pé”, via alternativas econômicas, a partir de insumos da biodiversidade da Amazônia. São atividades econômicas que envolvam a produção de bens e serviços a partir de material biológico como recurso primário.
Restauração/Regeneração Florestal: Contempla negócios de fomento à recuperação de áreas alteradas, degradadas ou antropizadas (habitats modificados), que tem potencial – e necessidade – de regeneração. São atividades econômicas que envolvem intervenções, produtivas ou não, que focam na regeneração de solo fértil, no aumento da biodiversidade e no incremento do fluxo de serviços ecossistêmicos (como a regulação da erosão, a melhoria no ciclo da água e a fixação de carbono).
Carbono/Clima: Refere-se a negócios que contribuem para a redução de emissões de gases do efeito estufa e mitigação de mudanças climáticas, além dos itens acima de Bioeconomia e Sistemas Regenerativos e de Restauração Florestal, que também contribuem nesse sentido. Contempla atividades relacionadas à energia (renovável, eficiente e acessível) e ao tratamento de efluentes (sistemas autônomos e descentralizados de saneamento e água limpa).
Cadeias de Fornecimento Sustentáveis: Contempla negócios que mitiguem impactos negativos, promovam a eficiência das cadeias de valor da região e enderecem os desafios característicos da Amazônia, como a questão logística. Também contempla soluções relacionadas a acesso a crédito financeiro, bem como negócios voltados para os princípios da economia circular.
É importante dizer que, levando em consideração o contexto amazônico, foi pertinente fazer ajustes no conceito de ‘negócios de impacto’ e, de certa forma, ampliá-lo para que se adeque a realidade local e abarque o amplo espectro de tipos de organizações. Os negócios de impacto foram categorizados em três principais aspectos:

Essa distinção é relevante não somente para representar e abarcar a diversidade de negócios existentes na região, como para direcionar o apoio a essas organizações, no sentido de entender que cada tipo de negócio tem desafios característicos diferentes, de naturezas e profundidade particulares, de forma que os programas de fomento para o seu desenvolvimento devem ser moldados de acordo com os tipos de negócio que serão apoiados.
A partir disso, estão sendo propostos 4 eixos de aceleração: (1) para negócios em estágios iniciais, (2) em estágios maduros, (3) ligados a restauração/regeneração florestal e (4) empreendidos por populações locais e comunitários.
Foi feita uma tipificação e um mapeamento de iniciativas que já existem para desenvolvimento e fortalecimento dos negócios na região. As propostas de programas de aceleração foram pensadas para abarcar, então, os diversos tipos de negócios – e de ser complementar ao que existe na região, e não em sobreposição.
A tese traz também uma contextualização dos aspectos ambientais, socioeconômicos e territoriais da Amazônia. A floresta Amazônica precisa de novas soluções econômicas para conter as pressões de desmatamento e melhorar a qualidade de vida das mais de 25 milhões de pessoas na região, e o fomento ao empreendedorismo e negócios de impacto socioambiental é uma alternativa.
Além da tese, a PPA está lançando também a campanha Caminhos para a Amazônia, com um mês todo de conteúdos, lives, podcasts e outros, com o objetivo de fortalecer o ecossistema amazônico de negócios de impacto.
Para apresentar a tese, participamos do Festival Path Amazônia 2021 – que você pode assistir a gravação gratuitamente se cadastrando neste link – e também realizamos um evento de lançamento, que pode ser assistido abaixo:
]]>A Trê Investindo com Causa e o Quintessa realizaram um webinar para ajudar empreendedores a entenderem como o empréstimo coletivo pode fazer sentido na estrutura de capital de empresas com faturamento a partir de R$3Mi/ano e trouxeram reflexões sobre programas de aceleração para este perfil de negócios.
– Qual é o momento ideal para tomar um empréstimo?
– É melhor tomar uma dívida ou ceder equity?
– Como uma aceleração pode apoiar esse processo?
– Meu negócio está grande demais para participar de uma aceleração?
Essas e outras perguntas foram respondidas no nosso bate papo que contou com Lívia Galasso da Trê Investindo com Causa, Fabiana Goulart, do Quintessa, e Antônio, fundador da PlantVerd.
]]>A escolha entre internalizar a iniciativa ou realizar em parceria depende de diferentes aspectos, e cada um dos caminhos tem suas vantagens e pontos de atenção, especialmente quando adicionamos a lente da sustentabilidade e impacto positivo integrada à inovação, um tema ainda novo para muitas organizações.
Acreditamos que é mais vantajoso trazer uma aceleradora parceira na maioria dos casos, e neste texto vamos explorar nossa visão sobre essa decisão.
Uma iniciativa de inovação aberta tem várias etapas
Antes de entender como e com quem realizar a iniciativa, precisamos enxergar o projeto em algumas etapas. Na metodologia do Quintessa, detalhada no Guia para Inovar com Impacto, realizamos um passo a passo de aprofundamento e definição de estratégia antes de implementar qualquer iniciativa.
Com essa visão do todo, entendemos que algumas etapas podem ser realizadas internamente, enquanto outras são mais efetivas se realizadas com externos. A contratação de um parceiro pode depender do grau de maturidade da empresa em relação ao tema de inovação e de impacto positivo.
Por exemplo, para aquelas que já estão mais avançadas nessa jornada e têm a inovação integrada à cultura da empresa, pode fazer sentido internalizar a etapa inicial, em que são mapeados os desafios da empresa a serem endereçados por meio da inovação aberta. Essa é uma entrega que envolve um bom conhecimento sobre a empresa e capacidade de navegar e dialogar com diferentes áreas. Vale destacar que ao optar por internalizar, é preciso garantir que uma pessoa estará dedicada nesta agenda.
Ao ter uma pessoa dedicada, essa etapa acaba sendo um fluxo contínuo, em que a pessoa/área dedicada recebe demandas de outras áreas e capta desafios constantemente.
Curadoria de startups e visão de mercado
Um estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) avaliou as iniciativas de relacionamento entre grandes empresas e startups na América Latina e revelou que entre as principais dificuldades apontadas pelas empresas para trabalhar com startups estão: identificar negócios que podem gerar valor para a corporação e atrair empreendedores qualificados.
Uma aceleradora parceira pode solucionar essas dificuldades ao trazer um pipeline de negócios mais robusto e já com uma curadoria, uma visão ampla de mercado para analisar o diferencial, potencial de inovação e de modelo de negócio das startups, além de metodologias de seleção já validadas com diversas startups ao longo da sua experiência. O sucesso da iniciativa não está na quantidade de startups inscritas, mas na qualidade dos negócios e aderência aos desafios da empresa.
No Quintessa, temos uma base de mais de 4 mil startups de impacto mapeadas, o que agrega muito valor na seleção. Não só abrimos a chamada aberta para inscrições, como convidamos ativamente os empreendedores que já mapeamos para se inscreverem, a partir dos critérios da iniciativa. De 70% a 95% das startups participantes das turmas que formamos nos últimos programas se inscreveram após o nosso convite ativo. Ter uma aceleradora referência e com presença forte no mercado de startups pode fazer a diferença e trazer credibilidade para o programa.
Ao realizar a etapa de curadoria, vemos que além de trazer uma boa quantidade de inscrições qualificadas, conseguimos trazer eficiência e metodologia para a seleção, sem que a empresa dependa de uma pessoa com pouco tempo disponível para administrar dúvidas e mensagens dos candidatos em redes sociais e e-mails ou desenvolver um método de avaliação.
Ainda assim, colaboradores que estão dentro da empresa têm uma visão sobre as prioridades e uma melhor articulação entre as áreas. Por isso, mesmo contratando uma aceleradora, é estratégico ter uma pessoa dedicada na seleção, que possa trazer essa visão do todo e um olhar técnico e estratégico ao avaliar as soluções das startups. Em geral, nos programas que realizamos há uma pessoa dedicada parcialmente ao programa, cuidando de outras iniciativas ao mesmo tempo.
Diferentes formatos de programas exigem conhecimentos distintos
No último texto, falamos sobre as diferenças entre os programas de inovação aberta. A execução de cada um deles também demanda expertises diferentes. Por isso, para empresas mais maduras em relação a processos de inovação e no relacionamento com startups, pode fazer sentido internalizar a realização de POCs e implementação de pilotos.
Já nos programas de aceleração, independente da maturidade da empresa, faz mais sentido contar com um parceiro. A aceleração demanda expertise sobre metodologias de empreendedorismo e gestão alinhadas ao contexto das startups.
Ainda assim, estar maduro no relacionamento com scale-ups (startups mais avançadas) não significa que terá facilidade em dialogar com startups em estágio de validação (mais iniciais), pois são outras demandas, desafios e formas de agregar valor, e neste caso contar com uma aceleradora pode valer a pena.
Integrar inovação e impacto positivo
Quando falamos em iniciativas que conectam inovação e sustentabilidade/impacto positivo, pode fazer sentido trabalhar com uma aceleradora especializada nesse universo. A falta de experiência pode fazer a agenda não avançar e cair em um ponto cego dos executivos em não conseguir enxergar uma integração entre os dois campos.
Já vimos alguns programas darem errado ao igualar “impacto” com os demais critérios de seleção, mas sem detalhar seu significado e sem ter um parceiro especialista na área. Dessa forma, é difícil para a empresa encontrar bons candidatos que resolvam problemas reais de impacto socioambiental. Além de que, avaliar impacto não é algo trivial, por isso é importante ter um parceiro com essa experiência.
A aceleradora tem o papel de mediação
Mais um motivo para ter um parceiro externo, que é pouco percebido, é o papel de ‘mediação’ que uma aceleradora pode oferecer. Quando as empresas fazem o processo com time interno, vemos uma certa confusão de papéis: em um dia a empresa está cobrando resultados e propostas como potencial parceiro ou cliente, no outro está apoiando a startup, e por vezes isso pode levar a conflitos de interesses.
Ao contar com uma aceleradora externa, a empresa se mantém na cadeira que precisa estar – de potencial parceiro/cliente da startup. A aceleradora faz o papel de mediar essas conexões e de apoiar os empreendedores com a mão-na-massa no dia a dia, inclusive para poderem se preparar com o diálogo com as empresas. Mesmo com a aceleradora, os executivos da empresa se mantêm ainda muito próximos neste apoio e troca de experiências, como falamos neste texto sobre cultura e sobre os motivos para realizar uma iniciativa de inovação aberta.
Em resumo, os motivos para decidir entre internalizar ou contar com um parceiro podem ser baseados em conhecimento técnico, metodologias para seleção e relacionamento com startups, repertório e experiência com programas similares para lidar com os desafios de implementação, rede de relacionamento já estabelecida com startups, reputação e credibilidade de marca para atrair empreendedores qualificados, tipo de programa que será implementado, maturidade no assunto e cultura da empresa, entre outros.
Acreditamos que o apoio de uma aceleradora pode ser crucial para o êxito da iniciativa. Falando pela nossa experiência como Quintessa, começamos a apoiar essa relação depois de anos de desenvolvimento de metodologias próprias de aceleração para empreendedores, de preparação para investimento, de mediação do estabelecimento de novas parcerias. Isso nos levou a desenvolver uma metodologia de ponta para o relacionamento de qualidade com as startups, levando aos melhores resultados para os parceiros e startups mais satisfeitas com os programas.
Sendo uma aceleradora especializada em impacto socioambiental, garantimos a seriedade da pauta, com um know-how estruturado e genuíno no tema ESG e com a maior base de startups de impacto do mercado brasileiro.
Além disso, ao trabalharmos com diferentes empresas, compartilhamos os aprendizados dos programas, fazendo com que a curva de aprendizado do ecossistema como um todo acelere.
Este tema faz parte do Guia para Inovar com Impacto, publicação inédita do Quintessa que apresenta um passo a passo para criar programas de inovação aberta que gerem valor para o negócio e impacto socioambiental positivo. Acesse o Guia completo aqui!
Para entender melhor como o Quintessa pode ser parceiro da sua iniciativa de inovação aberta com impacto positivo, entre em contato conosco: [email protected]
]]>Esse processo, dos empreendedores selecionarem de quem desejam receber suporte, além de relevante, é necessário. Cada vez mais as palavras “aceleração” e “incubação” não são suficientes para entender o que é entregue, pois têm sido usadas com diferentes significados e muitas vezes até, de forma banalizada.
As dicas abaixo visam auxiliar o(a) empreendedor(a) e trazer algumas perguntas relevantes a serem feitas na hora de analisar uma aceleradora, incubadora ou outra organização de apoio.
Muitas vezes, empreendedores encontram dificuldade em perceber o que realmente está sendo uma barreira para o desenvolvimento do seu negócio. Procure ir além dos desafios mais corriqueiros, dos “incêndios” que acontecem no dia a dia, e tente compreender quais são os desafios que originam eles. Pedir a opinião da equipe e de pessoas externas ao negócio, que oferecem um olhar neutro, pode ajudar a aprofundar essa reflexão. Busque também fugir da resposta imediata de “eu preciso de dinheiro” e procure compreender o que está por trás, como, “por que está faltando dinheiro antes do havia planejado?” ou “em quais atividades eu investiria este dinheiro e poderia suprir elas por meio de outros tipos de suporte?” ou mesmo “como preciso me preparar para poder captar esse investimento que desejo?”.
Apesar de trazer inúmeros benefícios aos empreendedores, processos de aceleração e incubação costumam demandar tempo de dedicação do(a) empreendedor(a), tanto em encontros, reuniões, quanto em tarefas e “lições de casa”, entre outras coisas. Assim, empreendedores com grande parte da agenda dedicada a funções operacionais essenciais no dia a dia do negócio devem refletir sobre o tempo que estão dispostos a investir nesses processos e se as atividades que fazem parte do programa estão alinhadas ao que é prioridade hoje para o negócio. Aqui no Quintessa costumamos dizer que não é necessário um tempo “a mais” na agenda para a nossa aceleração, mas que a nossa aceleração é uma forma trazer eficiência e eficácia para o tempo que já seria dedicado pelos empreendedores para os assuntos prioritários.
Em 2015, 2017 e novamente agora em 2019/2020, nós produzimos o GUIA 2.5. O GUIA tem o objetivo de trazer clareza sobre o suporte existente para o desenvolvimento de negócios de impacto e facilitar a conexão entre empreendedores(as) de negócios de impacto e organizações de suporte focadas em negócios de impacto. Assim, o GUIA 2.5 empodera o(a) empreendedor(a), qualificando sua decisão e facilitando o acesso ao suporte que precisa e traz ainda eficiência ao ecossistema, direcionando os empreendedores às iniciativas mais adequadas para seu estágio de negócio e necessidades.

Teste para facilitar a busca de iniciativas pelos empreendedores disponível no GUIA 2.5
Este texto traz algumas das perguntas que utilizamos no GUIA e que podem te ajudar como um roteiro para que converse com as aceleradoras/incubadoras e compreenda melhor se o que fazem têm fit com o que você está precisando.
Acreditamos que seja essencial haver um alinhamento entre os times das duas equipes: negócio apoiado e organização que oferece o serviço. Isso facilitará que haja transparência e confiança durante o processo. Avalie o alinhamento entre a organização e o seu negócio no sentido de propósito, valores e estilo de trabalho.
Além disso, conversar com um(a) empreendedor(a) que já recebeu suporte da organização e ouvir sua opinião acerca de pontos positivos e negativos da sua experiência é uma ótima fonte de informação. Você sai do “pitch” e vai entender de fato como o processo se dá, com base em quem já vivenciou ele. Cabe a dica de tentar ouvir mais de uma pessoa e também de ir além da avaliação de “bom/ruim”, mas compreender o que a pessoa estava buscando na época e o que lhe foi oferecido.
Para os negócios de impacto, é importante ainda entender se a aceleradora/incubadora tem experiência com o tema, para garantir que uma estratégia recomendada não dissocie o crescimento do negócio com a ampliação do impacto gerado.
Conheça organizações de suporte a negócios de impacto no GUIA 2.5.
A contrapartida pelo programa é um ponto importante a ser analisado, principalmente se houver participação societária. Algumas aceleradoras trabalham com contrapartida financeira, em que o negócio paga uma determinada quantia para participar do programa, enquanto outros programas são gratuitos, principalmente aqueles oferecidos por grandes empresas. Outro modelo comum é envolver equity, ou seja, a aceleradora fica com uma participação acionária na empresa, normalmente aportando investimento financeiro além do programa. Nesse caso, se estabelece uma relação de sociedade, e todos os elementos de análise citados aqui no texto se tornam ainda mais relevantes
Leia mais: Dicas e práticas para um bom relacionamento entre sócios
Ao participar de uma aceleração que envolve participação societária, é preciso analisar com muita cautela os valores negociados e ter clareza de quanto vale a sua empresa (valuation), pois é uma decisão que acompanhará seu negócio por muito tempo e pode te comprometer no futuro. Ouvimos relatos de empreendedores que tiveram dificuldades no momento de captação de investimento por estarem com um cap table muito diluído para o estágio em que se encontravam. Por isso essa negociação não é nada trivial e se necessário, revise o contrato com um(a) advogado(a).
Um outro aspecto é sobre a agregação de valor e sua duração: faz sentido ter por sete anos um(a) sócio(a) com participação de 5% da sua empresa por uma agregação de valor de apenas 4 meses de duração? Este(a) sócio(a) continuará agregando valor após os 4 meses de programa? O valor agregado ao longo destes 4 meses pode realmente mudar o rumo do seu negócio? Aqui estão alguns exemplos de questionamentos que podem te ajudar nesta reflexão, mas o foco é que seja uma decisão lúcida e que você não se arrependa dela mais adiante.
Listamos essa série de perguntas que consideramos importantes de se avaliar e que procuramos explicitar para os negócios durante o processo seletivo do Quintessa. É claro que algumas delas podem ser mais ou menos relevantes a depender do tipo de apoio que você como empreendedor(a) está buscando para o seu negócio.
Vale destacar que os serviços das organizações podem ser complementares (oferecidos de maneira sequencial ou ao mesmo tempo), de forma que mais de uma organização se apresente como adequada para você e seu negócio. Ainda, em outros casos pode ser preciso fazer uma escolha: ou se participa de um processo, ou de outro.
Para nós, não basta que o negócio tenha fit com nossos critérios de seleção, mas também é necessário o entendimento de que o nosso programa irá de fato agregar e fazer sentido para o momento daquele negócio. Se você tem interesse em saber mais sobre aceleração, o nosso time de seleção está disponível para uma conversa sobre o nosso programa, ou uma indicação de possíveis caminhos para você buscar suporte. Entre em contato!
Texto adaptado do artigo de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, na Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
]]>Papo Empreendedor é o podcast da Folha em parceria com o Braskem Labs. No primeiro episódio, a diretora do Quintessa, Anna de Souza Aranha, fala sobre erros e acertos em programas de aceleração.
]]>