Tag: impacto

  • O que a Ambev, Braskem e BRF têm em comum? | Cases Quintessa

    O que a Ambev, Braskem e BRF têm em comum? | Cases Quintessa

    No Quintessa, acreditamos que a inovação é o caminho para alcançar soluções escaláveis para os desafios de sustentabilidade e ESG das grandes empresas – e que aplicar a lente do impacto positivo para os processos de inovação pode ser um grande diferencial.

    Por isso, convidamos lideranças da Braskem, BRF e Ambev para contarem como estão integrando as agendas de inovação e impacto positivo e implementando o ESG na prática.

    Braskem
    O Braskem Labs, programa de aceleração de startups que geram impacto positivo por meio da química e/ou plástico, já está na sua sétima edição, gerando negócios integrados à estratégia de desenvolvimento sustentável para todas as áreas da Braskem.

    Instituto BRF
    Idealizado e executado em parceria com o Quintessa, o programa Ecco Comunidades acelerou e está implementando soluções de startups para a redução da perda e desperdício de alimentos nos territórios onde a BRF está presente.

    Ambev
    Aceleradora 100+ tem como foco encontrar startups com soluções para os principais desafios sustentáveis da Ambev e implementar pilotos na companhia, acelerando o alcance das metas de sustentabilidade.

    Para saber mais sobre os cases e entender se o Quintessa faz sentido para a sua empresa, acesse aqui!

  • Aceleração de negócios de impacto na Amazônia: contexto e oportunidades

    Aceleração de negócios de impacto na Amazônia: contexto e oportunidades

    A Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e o Quintessa acabam de lançar a Tese de Aceleração da PPA, estudo que foi realizado em parceria nos últimos meses. A publicação fez um mapeamento das iniciativas de apoio a negócios socioambientais e apontou novas possibilidades de aceleração. 

    A Tese de Aceleração dá um direcionamento efetivo para a agenda de negócios socioambientais da Amazônia, criando as condições para que vários programas de aceleração sejam concebidos, lançados e implementados, em conjunto com organizações implementadoras e financiadoras. 

    ‘Contribuir para a conservação e regeneração da biodiversidade na Amazônia’ é o objetivo principal da tese. Por isso, de forma colaborativa e em conjunto com especialistas, buscou-se identificar setores e/ou atividades econômicas que funcionam como temas-chave para a prospecção de negócios de impacto socioambiental que respondem a esse objetivo. Foram elencados 4 temas:

    A proposição dos temas levou em consideração dois aspectos:
    1. Oportunidades de uso econômico que promovam o uso sustentável da floresta (mantém a floresta em pé)
    2. Existência de áreas já alteradas e/ou degradadas (desmatadas), que tem potencial e necessidade de regeneração.
    Também foram considerados tendências e negócios de impacto socioambiental emergentes no contexto amazônico.

    Sobre os temas

    Bioeconomia: Refere-se a negócios que contribuem para a “manutenção da floresta em pé”, via alternativas econômicas, a partir de insumos da biodiversidade da Amazônia. São atividades econômicas que envolvam a produção de bens e serviços a partir de material biológico como recurso primário.

    Restauração/Regeneração Florestal: Contempla negócios de fomento à recuperação de áreas alteradas, degradadas ou antropizadas (habitats modificados), que tem potencial – e necessidade – de regeneração. São atividades econômicas que envolvem intervenções, produtivas ou não, que focam na regeneração de solo fértil, no aumento da biodiversidade e no incremento do fluxo de serviços ecossistêmicos (como a regulação da erosão, a melhoria no ciclo da água e a fixação de carbono).

    Carbono/Clima: Refere-se a negócios que contribuem para a redução de emissões de gases do efeito estufa e mitigação de mudanças climáticas, além dos itens acima de Bioeconomia e Sistemas Regenerativos e de Restauração Florestal, que também contribuem nesse sentido. Contempla atividades relacionadas à energia (renovável, eficiente e acessível) e ao tratamento de efluentes (sistemas autônomos e descentralizados de saneamento e água limpa).

    Cadeias de Fornecimento Sustentáveis: Contempla negócios que mitiguem impactos negativos, promovam a eficiência das cadeias de valor da região e enderecem os desafios característicos da Amazônia, como a questão logística. Também contempla soluções relacionadas a acesso a crédito financeiro, bem como negócios voltados para os princípios da economia circular.

    Negócios de impacto no contexto amazônico

    É importante dizer que, levando em consideração o contexto amazônico, foi pertinente fazer ajustes no conceito de ‘negócios de impacto’ e, de certa forma, ampliá-lo para que se adeque a realidade local e abarque o amplo espectro de tipos de organizações. Os negócios de impacto foram categorizados em três principais aspectos:

    Essa distinção é relevante não somente para representar e abarcar a diversidade de negócios existentes na região, como para direcionar o apoio a essas organizações, no sentido de entender que cada tipo de negócio tem desafios característicos diferentes, de naturezas e profundidade particulares, de forma que os programas de fomento para o seu desenvolvimento devem ser moldados de acordo com os tipos de negócio que serão apoiados.

    A partir disso, estão sendo propostos 4 eixos de aceleração: (1) para negócios em estágios iniciais, (2) em estágios maduros, (3) ligados a restauração/regeneração florestal e (4) empreendidos por populações locais e comunitários.

    Foi feita uma tipificação e um mapeamento de iniciativas que já existem para desenvolvimento e fortalecimento dos negócios na região. As propostas de programas de aceleração foram pensadas para abarcar, então, os diversos tipos de negócios – e de ser complementar ao que existe na região, e não em sobreposição.

    A tese traz também uma contextualização dos aspectos ambientais, socioeconômicos e territoriais da Amazônia. A floresta Amazônica precisa de novas soluções econômicas para conter as pressões de desmatamento e melhorar a qualidade de vida das mais de 25 milhões de pessoas na região, e o fomento ao empreendedorismo e negócios de impacto socioambiental é uma alternativa. 

    ACESSE A TESE COMPLETA AQUI

    Além da tese, a PPA está lançando também a campanha Caminhos para a Amazônia, com um mês todo de conteúdos, lives, podcasts e outros, com o objetivo de fortalecer o ecossistema amazônico de negócios de impacto.

    Para apresentar a tese, participamos do Festival Path Amazônia 2021 – que você pode assistir a gravação gratuitamente se cadastrando neste link – e também realizamos um evento de lançamento, que pode ser assistido abaixo:

  • Diversidade: o nutriente para uma realidade mais digna e próspera

    Diversidade: o nutriente para uma realidade mais digna e próspera

    O que podemos aprender com a {Parças} e a inclusão de jovens egressos do sistema carcerário nas grandes empresas

    14 de abril de 2020 foi o dia em que ouvimos uma das histórias que mais nos chamou atenção nos últimos anos aqui no Quintessa. O protagonista dessa história conduziu a narrativa com tanta humildade que dava a impressão de que era só mais uma, como tantas outras. Mas sentimos que ali havia elementos que se diferenciavam, que o compromisso com a missão do negócio era genuína e persistente — e, de fato, estávamos diante de um dos empreendedores que mais nos surpreenderia nos meses seguintes.

    Tudo começava com um incômodo pessoal. Depois de alguns anos frequentando a Fundação Casa, antiga FEBEM, em visitas a um familiar que estava vivendo o regime de privação de liberdade, ouvindo as vozes daqueles meninos e enxergando ali um terreno fértil para o desenvolvimento de novos talentos, Alan Almeida, no auge dos seus 20 e poucos anos, junto à sua esposa Carla Cristina, fundou a {Parças} Developers School.

    Nascia ali não só uma escola de programadores, mas também dois empreendedores que, contra todas as adversidades que a periferia os impunha, provaram (e vêm provando) que a vontade de reescrever a história da população carcerária, que, no Brasil, é a terceira maior do mundo, ficando atrás apenas da China e dos EUA, é muito maior que qualquer obstáculo que a vida já lhes apresentou.

    A {Parças} seleciona pessoas do sistema prisional e de áreas urbanas de baixa renda em situação de extrema vulnerabilidade social e qualifica e conecta estas pessoas com oportunidades de trabalho na área de tecnologia, quebrando, assim, o ciclo de reincidência e dando uma nova perspectiva para esses jovens.

    O modelo da {Parças} Developers School é baseado no modelo de sucesso compartilhado, mesclando educação com inclusão no mercado de trabalho. Estamos falando de um modelo onde a {Parças} só ganha se o aluno ganhar, criando esse estímulo positivo para que se desenvolva jovens com uma capacitação de alta qualidade que garanta a entrada deles no mercado de trabalho. Na prática: o aluno passa por uma capacitação de 4 a 12 meses se tornando apto a trabalhar na área de tecnologia de uma empresa. A contratante, por sua vez, pode remunerar a {Parças} de três formas diferentes: por contratação pontual, por pacotes de contratação (quando, por exemplo, quer contratar um grupo de 10 desenvolvedores) ou financiando a capacitação de uma turma de alunos (o que eles chamam de Bootcamps).

    Hoje, a {Parças} capacita pessoas em situação carcerária (no Complexo do Brás – Fundação Casa e no presídio feminino do Carandiru) e jovens em situação de extrema vulnerabilidade. Durante o auge da pandemia, a {Parças} arrecadou 46 computadores e 69 cestas básicas para distribuir para os jovens que estavam, aos poucos, se desengajando nos estudos em decorrência da fome. Se quiser ouvir mais, você pode assistir a live que gravamos com ele.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Thaís Fontoura.

  • O que está faltando e por onde devemos avançar para trabalhar o S do ESG?

    O que está faltando e por onde devemos avançar para trabalhar o S do ESG?

    Além de tirá-lo da sombra do aspecto E, as empresas e fundos precisam debater o S sob os ângulos que mais importam para a melhoria da nossa sociedade

    Para introduzir o assunto, vale começarmos com dados que orientam o nosso olhar sobre o S do ESG:

    A imagem abaixo mostra a pirâmide de renda da população (antes da pandemia):

     — Foto: FGV Social a partir de microdados da PNADC e da PNAD/Covid

    — Foto: FGV Social a partir de microdados da PNADC e da PNAD/Covid

    Esses dados retratam um pouco do triste quadro social do Brasil, marcado por profundas desigualdades.

    É claro que esse é um problema que, para ser resolvido, precisa de ações em diversas frentes, e por parte de vários atores: governo, empresas, fundos, ONGs, sindicatos, sociedade civil.

    Entre empresas e fundos de investimentos, que são os espaços por onde o Quintessa mais circula no dia-a-dia, vemos, felizmente, um crescimento constante da importância da pauta ESG. No entanto, enquanto o aspecto Environment (Ambiental) é contemplado por inúmeros compromissos de net-zero e similares, as ações e metas para o aspecto Social, em grande parte, ficam em dois campos: (i) aumentar a diversidade no quadro de funcionários e (ii) ações de responsabilidade social.

    Em relação ao ponto (i), que tem sido o mais amplamente trabalhado, temos profundo respeito por essa pauta, mas nos parece que ela não é suficientemente capaz de dar uma resposta efetiva em um prazo razoável para os indicadores urgentes que trouxemos no início do texto.

    Em relação ao ponto (ii), apesar dessas ações serem essenciais para milhões de pessoas impactadas, elas não fazem com que as empresas gerem desenvolvimento social no seu core (atividade principal).

    Em suma: na nossa opinião, se as empresas e fundos querem tratar o S com a seriedade que merece, e que precisamos como sociedade, o foco de ação tem que amadurecer.

    Onde deveria, então, estar o foco das empresas e dos fundos ESG?

    Vamos trazer algumas perguntas que podem parecer óbvias, mas que são complexas de serem trabalhadas, e que acreditamos serem importantes para levar à construção de um S mais maduro e integrado com o crescimento das empresas.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com João Ceridono.

  • Quem paga a conta do desenvolvimento de um pipeline de negócios de impacto maduro?

    Quem paga a conta do desenvolvimento de um pipeline de negócios de impacto maduro?

    Reflexões sobre caminhos para o amadurecimento do ecossistema

    No final de 2019 os investimentos de impacto no Brasil somavam US$ 785 milhões, mais que o dobro de dois anos antes (US$ 343 milhões). Com a ascensão do ESG e o olhar dos investidores para o retorno além apenas do financeiro, a tendência é que ainda mais investimento de impacto seja direcionado para o setor (entenda neste outro texto a diferença de investimentos de impacto e ESG).

    A dúvida que vem então é: teremos um volume de negócios maduros suficiente para alocar esse capital?

    No Quintessa, temos uma base de mais de 4 mil negócios de impacto e vemos uma parcela relevante que chega até nós ainda não é elegível a entrar em nossos programas de aceleração por estar em um estágio muito inicial, sem conseguir especificar suas hipóteses de modelo de negócio (não é por acaso que nossos primeiros conteúdos foram direcionados para empreendedores em estágio de validação).

    3º Mapa de Negócios de Impacto Social+Ambiental, realizado pela Pipe Labo em 2021, mostra que 69% dos negócios mapeados faturam menos de R$ 100 mil por ano ou ainda não faturam.

    Outro estudo, também realizado pela Pipe, o Scoring de Impacto, identificou que um dos principais desafios para os investidores de impacto é a “falta de oportunidade de investimento de alta qualidade com bons históricos (track record)” — o que reforça o que enxergamos na prática.

    Para deixar claro: estou falando aqui de volume. Não deixemos isso ofuscar a realidade de que sim, existem negócios de impacto maduros, qualificados e que estão acessando capital relevante. Alguns exemplos de Empreendedores Quintessa que podem ser mencionados publicamente: Courri adquirida pela B2W, Boomera investida pela Ambipar, Vitalk com captação de quase R$ 10MiHand Talk com captação de 2.5MiEmoving sendo investida pela Movida, entre outros (conheça aqui).

    Trabalhando com as grandes empresas em programas de inovação aberta, na nossa frente de Programas em Parceria, vemos poucos programas direcionados a negócios de estágio de maturidade inicial, dado que isso pode representar risco (no Guia para Inovar com Impacto exploramos com mais detalhes esse elemento).

    Assim, se temos capital voltado para investimentos de impacto aguardando negócios maduros e temos negócios iniciais precisando de suporte para amadurecerem fica a pergunta: qual ator deve investir no desenvolvimento de um pipeline de negócios de impacto maduro? Qual tipo de capital pode destravar essa equação, viabilizando este suporte?

    No mundo empresarial, falamos sobre o desenvolvimento da cadeia de valor, da remuneração justa de todos os elos da cadeia — e se aplicássemos esse olhar para este assunto? Quem desenvolve a cadeia de valor para o mercado de venture capital brasileiro focado em investimento de impacto?

    (Vale mencionar que dou aqui o foco no mercado de investimento e negócios de impacto, mas sabemos que é um desafio muito mais macro, também presente quando falamos de empreendedorismo no Brasil de forma mais ampla).

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta.

  • Criando uma cultura de inovação e impacto positivo

    Criando uma cultura de inovação e impacto positivo

    Acreditamos que o movimento das empresas em direção à inovação, sustentabilidade e práticas ESG não ocorre de uma hora para outra, mas de fato é um processo de transição e uma direção de caminho a ser trilhado.

    Apesar de começar a agir ser importante, inclusive para gerar aprendizado e começar a tangibilizar intenções, no tempo, apenas realizar iniciativas e práticas isoladas não é suficiente para garantir a consistência que esse movimento precisa. É necessária uma mudança da cultura empresarial, incorporando a inovação e sustentabilidade na estratégia e na tomada de decisão de forma transversal a toda empresa.

    A mudança cultural e engajamento de colaboradores, para qualquer temática, é por si só um grande desafio, mas sem este fator acreditamos que a transição e preparação das empresas para um futuro sustentável não irá acontecer e se consolidar.

    Esse é um trabalho que deve ser feito de forma coletiva, envolvendo o RH, comunicação interna, lideranças, diretoria e as próprias áreas de inovação e sustentabilidade. Neste texto vamos mostrar alguns dos caminhos para implementar uma cultura de inovação e sustentabilidade e premissas que devem ser consideradas.

    Concordamos muito com a afirmação feita pelo Ricardo Young, em entrevista para o Quintessa: “O ESG está sendo visto como uma coisa nova, mas o que tem realmente de novo é a necessidade de uma mudança radical da cultura empresarial na direção de uma visão sistêmica do seu impacto no meio ambiente, na sociedade e na economia”. 

    Por que a mudança cultural é importante?

    Incorporar a inovação e o olhar para a sustentabilidade vai além de assumir compromissos ou criar iniciativas e práticas para mitigar riscos e impactos socioambientais negativos. Envolve os valores da empresa, a forma de trabalhar, de se relacionar e de se conectar com o propósito da organização. 

    Além disso, é preciso introduzir o tema de forma a capacitar e desenvolver os colaboradores tanto na importância dele, quanto em aspectos mais ‘técnicos’ que envolvem o seu trabalho no dia a dia. 

    Por exemplo, em uma empresa que caminha em direção à adoção de práticas ESG, a área de compras deve estar instrumentada para entender quais são as externalidades dos fornecedores que contrata, tomando decisões baseadas no impacto socioambiental gerado e não somente em preço. 

    A cultura e os valores devem orientar o que essa área faz, independente da proposta comercial do fornecedor. Um exemplo disso é o caso do Carrefour, que reflete a contratação de uma empresa de segurança terceirizada não alinhada aos valores da empresa, e que causou uma consequência grave para a sua reputação. Não basta a empresa trabalhar o ESG no escritório, se o tema não se reflete também na operação, no ponto de contato com o cliente.

    A mesma coisa acontece com a área de RH, que além de ser a ‘guardiã’ da cultura organizacional, deve orientar suas práticas de seleção e desenvolvimento dos colaboradores baseadas em aspectos de diversidade. Não basta assumir compromissos se não apoiar e capacitar os responsáveis por eles no dia-a-dia.

     Leia mais: Innovability – o que é e porque você deveria conhecer

    Ter clareza dos valores e propósito da empresa

    Dado que este movimento deve ir além do “o quê” a empresa faz, mas incluir também o “por que” e “como” ela faz, ele precisa estar alinhado ao seu propósito e valores. Vale refletir: Para que existimos? No que acreditamos? O que é realmente importante para nós? Qual a nossa forma de agir?

    Isso ajuda com que a empresa não apenas adote ações que estão “em alta” ou são uma tendência no mercado, mas de fato reflita sobre como deseja agir nesta direção. Essa reflexão traz uma base sólida para que as ações sejam sustentadas ao longo do tempo.

    Por exemplo, para algumas empresas, o valor da diversidade pode ter maior importância, para outras pode ser a colaboração e confiança, e para outras é pode ser o impacto no meio ambiente. É claro que a empresa pode trabalhar todos esses aspectos, mas é importante analisar e colocar na balança esses elementos, pois serão critérios para a tomada de decisão e que irão garantir que toda a empresa caminhe na mesma direção.

    Além dessas reflexões mais amplas, é preciso combiná-las com o modelo de negócio da empresa. A depender da sua atuação, o compromisso com a neutralização da emissão de carbono pode ser mais ou menos relevante do que um compromisso com remuneração justa ao longo de toda sua cadeia de valor, por exemplo – incorporando análises como a matriz de materialidade da empresa nesta decisão.

    Não só ter essa clareza, isso deve estar introjetado na cultura em forma de rituais e símbolos compartilhados e vivenciados por todos os colaboradores, para que seja um pacto coletivo, colocando todos no mesmo barco.

    O envolvimento das lideranças é fundamental, mas não pode parar em um movimento top-down imposto apenas com base na hierarquia

    Para que aconteça um comprometimento real com a inovação e sustentabilidade, é fundamental que os(as) executivos(as), a presidência e até o conselho estejam envolvidos e engajados. É importante que deem o exemplo e as diretrizes, mas não é suficiente. Se toda a organização não estiver vivenciando e acreditando nos mesmos valores, é difícil que se concretize.

    Além disso, é muito mais fácil que as pessoas se engajem quando participam do processo de construção deste movimento e não quando é imposto de cima para baixo. 

    Um exemplo são grupos de trabalho, grupos de afinidade, coletivos, GTs ou comitês de temas como diversidade, maternidade ou até sustentabilidade (quando não faz sentido uma área formal na empresa). Incentivar que colaboradores de grupos historicamente sub-representados ou aliados e engajados na causa se organizem e proponham práticas para a empresa tem muito valor e traz legitimidade e assertividade nas ações. Neste caso é importante que haja um orçamento, comprometimento e envolvimento de áreas responsáveis para de fato colocar em prática as demandas trazidas pelo grupo.

    Em entrevista para o Quintessa, o Luis Guggenberger trouxe um exemplo de como os temas são trabalhados na Vedacit: “elencamos na nossa Matriz de Materialidade os 7 temas principais que vamos trabalhar até 2025, e para cada um desses temas sorteamos padrinhos (executivos que respondem diretamente ao CEO) que vão se reunir com os líderes de projetos e discutir os KPIs, orçamento e ações naquele tema. Isso força também o(a) alto(a) executivo(a) a estudar sobre o tema e ter uma visão 360º. Por exemplo, nosso CFO é padrinho do tema de Diversidade, então ele sai da caixinha da área das finanças e desafia a área de Gente e Gestão sobre como vamos trabalhar esse tema integralmente na companhia.”

    Capacitações e treinamentos

    Em um movimento de mudança cultural, é importante colocar todas as pessoas na mesma página. Alguns conhecimentos são básicos e devem ser compartilhados antes da implementação prática de algumas ações.

    Conhecimentos sobre diversidade e inclusão, por exemplo, ajudam a preparar um ambiente muito mais acolhedor para trazer pessoas diversas para o time. Não basta só contratar, é preciso incluir e fazer com que se sintam parte. As pessoas têm diferentes níveis de conhecimento sobre o assunto, e todos nós temos vieses inconscientes – explícitos em maior ou menor grau, a depender do nosso contexto e vivências. Muitas podem não saber que um termo que utilizam na sua fala pode ser ofensivo para outros, para dar um exemplo básico.

    Conversando com gestores de empresas, vemos que a formação até hoje foi majoritariamente voltada para gerir a operação, otimizar e alcançar cada vez mais resultados. O que falta para a grande maioria das pessoas é entender contextos mais complexos como a mudança do clima, a desigualdade social , a gestão de resíduos e todas as externalidades do processo produtivo. E é neste ponto que a capacitação mais técnica é essencial para diferenciar aquelas empresas que assumem compromissos superficiais, daquelas que realmente entenderam a gravidade dos problemas e irão se comprometer com um plano de implementar práticas mais sustentáveis.

    Para os colaboradores que não necessitam de saberes mais complexos na área, introduzir o assunto de forma geral, falando sobre ODS, economia circular e até pequenas ações do dia a dia para fazer em casa, são portas de entrada para expandir o interesse no tema e engajar nessa mudança cultural, além de conhecimentos importantes para todos nós como cidadãos mais conscientes.

    Treinamentos de metodologias e ferramentas de inovação, como empreendedorismo, design thinking e métodos ágeis também ampliam a visão sobre a resolução de problemas e formas de trabalhar. Mas além do conteúdo, é preciso também pensar na forma de levar esse conhecimento. Muitas vezes cursos e workshops não são suficientes, o que nos leva ao próximo tópico.

    Acelerando a mudança por meio da prática

    No Quintessa trabalhamos com programas de inovação aberta nas empresas, trazendo soluções inovadoras de startups para os desafios de sustentabilidade, novos negócios e responsabilidade social. Um dilema típico que vemos ao implementar estas iniciativas é se primeiro a empresa deveria criar essa cultura de inovação e sustentabilidade e capacitar as lideranças.

    O processo de mudança cultural é sempre vivo e está em constante evolução, então, o que vemos é que os programas de inovação aberta fazem parte desse processo e ajudam a tangibilizar e acelerar muitas transformações culturais.

    Programas de aceleração, por exemplo, oferecem um espaço de mentoria em que lideranças e colaboradores podem se envolver com empreendedores e aprender na prática como é trabalhar de forma ágil e inovadora no relacionamento com as startups, além de atuar na prática com soluções que geram impacto positivo.

    A prática estimula o desenvolvimento de competências como a criatividade, agilidade, colaboração, iniciativa e abertura ao novo, pensamento sistêmico, competências essenciais para encontrar soluções aos desafios de sustentabilidade e para se adaptar a mudanças.

    No Braskem Labs, que realizamos em parceria com a Braskem, são abertas inscrições para os colaboradores participarem como mentores do programa, e a cada ano as vagas ficam mais disputadas. O pitch day, etapa final da seleção das startups para o programa, é aberto para os colaboradores assistirem, votarem e fazerem perguntas aos empreendedores, e na última edição engajou mais de 200 pessoas.

    Programas em que implementamos pilotos de soluções das startups oferecem a experimentação prática e a geração de resultados no curto prazo. Além disso, contratar soluções de startups explicita um outro fator: não basta ter uma cultura de inovação e sustentabilidade se o processo de suprimentos ainda é burocrático e dificulta a adoção rápida de iniciativas inovadoras – a mudança cultural realmente deve estar em todas as áreas e processos. Trazer programas práticos, que provoquem e acelerem as mudanças pode ajudar muito neste processo, além de trazer uma organização parceria especialista para orientar a como realizá-las. 

    Em um programa que realizamos com o Banco BV, facilitamos a cocriação entre colaboradores do banco, para que desenvolvessem novos produtos, serviços e práticas empresariais, contando com o suporte de empreendedores como especialistas – e estimulando a inovação e intraempreendedorismo entre o time. Neste programa, além do desenvolvimento de competências dos colaboradores, colocamos em prática a criação de novos produtos, serviços e práticas empresariais que gerassem valor para o negócio e impacto positivo de forma integrada.

    A inovação aberta como aliada 

    As startups têm potencial de gerar valor e resolver desafios de quase todas as áreas, por isso a inovação aberta também tem papel transversal na empresa e deve ser trabalhada na cultura. Para que o trabalho seja possível, as pessoas precisam acreditar que não têm todas as respostas internamente, estarem abertas a dialogar, a aprender, a ouvir.

    É interessante garantir que um grupo de pessoas ou uma área seja responsável por fazer com que as iniciativas de inovação aberta aconteçam, estruturando o processo e um pipeline de startups para que outras áreas possam “beber dessa fonte”.

    A área de RH, por exemplo, pode se beneficiar da inovação aberta ao conhecer startups de impacto que trabalham a diversidade em diferentes frentes. Temos na nossa rede startups focadas em contratação de profissionais diversos; capacitação profissional de refugiados, jovens, pessoas LGBTQIA+, egressos do sistema prisional; implementação de práticas e sensibilização sobre temas como maternidade, parentalidade, masculinidade e empoderamento de mulheres no âmbito profissional; soluções inovadoras para treinamento e engajamento de colaboradores, entre outras.

    Pensar uma cultura de inovação e sustentabilidade é isso: buscar formas mais inovadoras de gerar impacto social e ambiental nas suas atividades – seja nas práticas de gestão, como também criando novos produtos, serviços e modelos de negócio.

    “Para o meu time, o Braskem Labs é uma oportunidade de interagir com um ecossistema que não teríamos outra oportunidade. Na área de desenvolvimento de mercado buscamos novos usos e aplicações para os nossos plásticos, e a provocação que acabo levando para a equipe é: além do modelo tradicional que a gente já vinha mapeando pra encontrar essas inovações, o que a gente pode trazer através das startups? E naturalmente isso acaba cativando as equipes para buscarem as novidades. É uma semente que vai reverberando.” – Renato Yoshino | Diretor dos negócios de Agro, Infra e Indústria na Braskem, durante gravação de um webinar com o Quintessa.

    Mostrar resultados gera engajamento e incentivo

    Quando os colaboradores enxergam o resultado das ações de inovação e sustentabilidade, o engajamento também aumenta. Não só daqueles envolvidos diretamente nas ações, mas em todos os que têm o desejo de se sentir parte de ‘algo maior’, de saber que a sua empresa está contribuindo para a geração de impacto positivo na sociedade.

    Sabemos que o processo de inovação demanda abertura para experimentação e para lidar com riscos, mas começar pequeno e ir demonstrando resultados tangíveis faz parte dessa transformação cultural. Cuide do engajamento das pessoas chave e ajude-os a entender que é um processo experimental e que as respostas serão dadas ao longo do caminho.

    Como falamos neste texto, não é tão óbvio para muitas pessoas que uma ação de impacto positivo pode gerar novas formas de relacionamento com o cliente e fidelização. Conforme a cultura vai amadurecendo e os resultados vão sendo demonstrados, esse tipo de iniciativa vai se tornando cada vez mais natural para os desafios das áreas.

    No programa CPFL na Comunidade, implementamos pilotos de negócios de impacto em comunidades de baixa renda atendidas pela CPFL Energia. As soluções de educação financeira, capacitação de mulheres em elétrica básica e reciclagem de uniformes geraram melhoria da percepção de marca pela população e resultados mensuráveis na redução do consumo de energia dos clientes. Ou seja, novas formas de se pensar o relacionamento com esse público e de gerar impacto além das ações de responsabilidade social.

    Pensando em mostrar o valor desse tipo de iniciativa para toda a companhia e gerar engajamento, a equipe responsável pelo projeto circulou algumas newsletters internas durante a implementação, contando sobre os desafios, os resultados e os depoimentos dos beneficiários na ponta.

    Ter metas atreladas à inovação e sustentabilidade traz um incentivo a mais para acelerar essa mudança cultural. Indo mais além, muitas empresas já começaram a atrelar o bônus de executivos(as) ao cumprimento das metas ESG – o que tangibiliza o compromisso e incentiva a mudança.

    Por fim, as empresas são feitas de pessoas, e cada uma tem suas crenças e motivações individuais para se engajar em determinados assuntos. Por isso, ao mesmo tempo em que se define e publica uma estratégia para ESG, sustentabilidade ou inovação, é preciso pensar nos fatores da cultura empresarial que sustentam e engajam as pessoas para essa agenda. Não é um desafio fácil, mas vale a pena dedicar energia aqui.

    A sustentabilidade não é responsabilidade de uma área, e sim de todas as pessoas. A inovação como alavanca da sustentabilidade – e vice-versa – deve estar no checklist de todos os projetos e decisões do dia a dia. A cultura é um processo contínuo e de longo prazo, tendo o propósito e valores como base. 

    Como falamos neste texto, as empresas estão em diferentes estágios de maturidade em direção a um futuro mais sustentável, e o nosso papel no Quintessa é acolhê-las e direcioná-las nesta transição. Entre em contato conosco para conhecer nossa atuação. 

  • Caminhos práticos para as empresas se aliarem às startups para reduzirem suas emissões

    Caminhos práticos para as empresas se aliarem às startups para reduzirem suas emissões

    Startups e corporações podem se juntar para fomentar inovação e sustentabilidade em diversas cadeias de valor

    As emissões de gases de efeito estufa vêm sendo amplamente entendidas como uma questão prioritária para o mercado. O crescimento de metas net-zero de grandes empresas, muitas vinculadas à bonds mais baratos, é apenas uma (e talvez a mais marcante) materialização disso.

    Para o Quintessa, que já está há mais de 11 anos trabalhando com soluções de mercado para superação dos nossos desafios sociais e ambientais junto a startups e grandes empresas, é ótimo ver o tema transcendendo espaços e indo além das tradicionais mesas com academia, governo e terceiro setor.

    Por já termos concordado, como sociedade, que esse é um dos temas prioritários para avançarmos, esse texto se foca em uma abordagem prática de como podemos atacar este desafio.

    Nós temos tido experiências muito positivas em ajudar grandes empresas a baterem suas metas de sustentabilidade através da inovação aberta. Esse é um caminho eficaz, rápido e menos arriscado de endereçar desafios, pois as startups já desenvolveram muitas das soluções, o que exime as grandes empresas de precisarem começar do zero.

    Assim, apresentamos aqui soluções de startups para o desafio da diminuição das emissões de carbono, e que podem ser válidas para distintos perfis de empresa.

    Logística

    No quesito eletrificação de frotas, startups como Voltz Origem vêm crescendo e mostrando que é viável produzir motocicletas elétricas nacionais. A E-Moving, startup acelerada pelo Quintessa, vem trabalhando com consumidores finais e empresas para difundir a bike elétrica como meio de transporte. Também para o last-mile, mas abrindo o flanco para maiores distâncias, a FNM está voltando, desta vez com caminhões elétricos.

    A Courri, também acelerada pelo Quintessa, colocou de pé um modelo logístico movido ao combustível mais limpo de todos: pedaladas. Em 2019, a B2W viu o movimento e adquiriu a startup.

    Startups em estágios mais embrionários, na fronteira do desenvolvimento de tecnologias em biocombustíveis e ganho de eficiência em baterias, também têm um papel relevante na temática de logística limpa.

    Uma observação importante para a opção de eletrificação de frotas se refere à matriz energética que está alimentando esses motores. No Brasil, 70% da matriz elétrica é limpa.

    Apesar de ser melhor que muitos outros países, ainda temos muito o que evoluir, o que leva ao assunto seguinte…

    Matriz energética

    Tornar a matriz mais limpa passa por ações de diversos atores e as grandes empresas têm um papel importante de indução e desenvolvimento destas soluções.

    A instalação de placas solares, que é normalmente a primeira iniciativa que vem à mente, pode ser feita com ajuda de startups como SolarGrid e a SolStar, e é um caminho cada vez mais vantajoso, à medida que a tecnologia por trás das placas evolui. O modelo de assinar placas, como o da Solar21 também tem apelo e é uma forma mais barata de começar.

    Outras fontes de energia, como o biogás produzido pela acelerada do Quintessa HY Sustentável também vem ganhando relevância, principalmente em cadeias alimentícias.

    Ademais, a migração da origem da energia elétrica da sua cadeia pode ser feita sem necessariamente a implantação de equipamentos nas instalações das empresas. Modelos de assinatura de créditos de energia limpa, como o da Lemon e da NewSun são saídas para se adotar em cadeias mais pulverizadas. Existem também grandes comercializadoras oferecendo energia limpa no mercado livre.

    Ganho em eficiência energética, uma pauta que é intimamente ligada ao retorno financeiro, uma vez que a economia de energia leva a menores gastos, também pode ser endereçado por startups, como a GreenAnt, que ajuda a mensurar perdas e ineficiências.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com João Ceridono.

  • Gestão de resíduos: um panorama sobre negócios de impacto que endereçam esse desafio

    Gestão de resíduos: um panorama sobre negócios de impacto que endereçam esse desafio

    Análises e aprendizados sobre o pipeline de startups que atuam na temática

    3º Mapa de Negócios de Impacto lançado este ano pela Pipe Social contou com um estudo especial sobre negócios da área ambiental. Ao todo, foram 536 negócios mapeados alinhados à agenda ambiental, com atuação nos setores da agropecuária, florestas e uso do solo, indústria, logística e mobilidade, energia e biocombustíveis, água e saneamento e gestão de resíduos.

    Alguns dados merecem destaque sobre estas startups: 39% delas ainda não tiveram faturamento e 28% faturaram até R$100 mil em 2019. Em 45% delas, a necessidade por capital se mostra presente e dos que já receberam algum tipo de recurso, 68% acessaram um bolso filantrópico.

    Sob a perspectiva de impacto, 42% dos negócios mapeados estão voltados à gestão de resíduos, o que mostra que grande parte das greentechs estão de olho no “lixo” como negócio. E não é só no Mapa da Pipe Social que isso se comprova.

    Este é o 3º ano que o Quintessa é o parceiro do Braskem Labso programa de inovação aberta da Braskem que faz parte da estratégia de Desenvolvimento Sustentável da empresa – acelerando startups que geram impacto socioambiental positivo na cadeia do plástico e da química. Procuramos por negócios com foco em agronegócio, biotecnologia, construção e infra, economia circular, embalagens, mobilidade e química sustentável. O Labs conta com duas turmas: o Ignition, para negócios em estágio de validação do modelo de negócio, e o Scale, para negócios onde o desafio é estruturar a gestão e impulsionar o crescimento.

    Na edição deste ano recebemos aproximadamente 400 inscrições, sendo 25% dos negócios inscritos os de economia circular. Desses, menos da metade eram elegíveis para o programa do Scale, sendo direcionados para o Ignition, o que demonstra que, de fato, a maioria dos negócios desse setor está em estágio inicial de desenvolvimento.

    A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) instituída em 2010 abriu uma série de oportunidades para empreendedores desenharem modelos de negócio que auxiliassem os geradores a cuidarem da destinação correta dos resíduos.

    O que por um lado parece oportuno demais, por outro faz com que o mercado se torne bastante habitado por soluções similares, o que costumamos chamar de “oceano vermelho”. Buscar por diferencial competitivo nesses casos é a base para garantir um posicionamento sólido no mercado.

    É interessante notar nas inscrições do Braskem Labs a quantidade de negócios focados em coleta e destinação correta de resíduos pós consumo por meio de benefícios para o consumidor final. Geralmente se configuram em modelos de recompensa para quem leva o seu resíduo separado (pet, vidro, alumínio etc) por meio de pontos ou outros benefícios. So+ma e Molecoola são dois ótimos exemplos que passaram no Braskem Labs em 2019 e 2020, respectivamente. Como eles, vários outros vêm surgindo.

    Outro exemplo são as empresas de rastreabilidade da cadeia de resíduos, como a Plataforma Verde ou a Circular Brain. Aqui estamos falando de plataformas de logística reversa que permitem a integração de todos os players da cadeia, bem como monitoramento deles, promovendo um aumento da entrada de resíduos no ecossistema.

    Além deles, há diversas outras startups que já aceleramos e que trazem soluções para a logística reversa, relacionamento e melhoria das cooperativas, como BoomeraInstituto MudaRecicleirosGaia/ViraserGreenMiningBRPolenArco ResíduosSolos Biocicla.

    Com tantas soluções habitando esse mercado, a pergunta que fica é: como se diferenciar nesse mercado? Sabemos que ele está se desenvolvendo e que talvez essa resposta também esteja. Mas já dá para reconhecer algumas pistas. Destacamos aqui algumas delas.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Thaís Fontoura.

    LEIA O TEXTO COMPLETO NO UM SÓ PLANETA

  • Guia para inovar com impacto | Passo a passo para Inovar com Impacto

    Guia para inovar com impacto | Passo a passo para Inovar com Impacto

    Está no ar o “Guia para inovar com impacto”, uma publicação do Quintessa que apresenta um passo a passo para criar programas de inovação aberta que gerem valor para o negócio e impacto socioambiental positivo.

    Compartilhamos nossa metodologia para apoiar grandes empresas, institutos e fundações a avançarem nesta agenda, detalhando a abordagem dentro de três pilares: novos negócios, sustentabilidade e ESG, e filantropia corporativa e responsabilidade social.

    A publicação tem patrocínio da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto.

    Faça download aqui

  • Ouse dar potência à humanidade que existe em você

    Ouse dar potência à humanidade que existe em você

    O que a gente precisa é de gente humana, inconformada, corajosa — e disposta a agir

    “ESG”, felizmente, chegou ao mainstream. Cada vez mais há recursos para fundos de investimento de impacto. Contornada por diversos conceitos distintos (como Empresas B, capitalismo consciente, capitalismo de stakeholders, negócios de impacto, entre outros), a ideia de que não basta se satisfazer apenas com o lucro e retorno financeiro gerado chegou.

    A ideia de que é preciso olhar além – seja mitigando riscos, adotando práticas alinhadas aos aspectos sociais, ambientais e de governança, ou resolvendo desafios sociais e ambientais a partir da sua atividade principal – começou a furar a bolha. Mas, se ela ainda não chegou para você, por que olhar para ela?

    Há três vertentes para racionalizar a resposta. A primeira: pela dor, medo de perder, constrangimento de regulamentações e exigências de consumidores, colaboradores e investidores. A segunda: pela conveniência, inteligência, oportunidade em ganhar ainda mais — fundamentada pelos estudos que demonstram o retorno de investimentos sustentáveis superior aos tradicionais. A terceira, pelo amor, pela convicção, pela consciência – que é a que vou explorar aqui, dada que as demais já foram embasadas antes.

    Acho que além das argumentações racionais, às quais estamos viciados como sociedade, há um motivo maior e mais simples. Porque faz sentido. Porque é necessário. Porque se não, não estaremos vivos para podermos operar da forma como operávamos antes. A crise ambiental que vivemos é também uma crise social – seja porque nós somos uma das espécies afetadas por ela, seja porque somos a espécie que está causando ela.

    Há algum tempo, como professora no MBA da FIAP, fiz com diversas turmas um exercício muito simples — estimulava a pessoa a refletir sobre seus valores pessoais, entender o quanto estavam alinhados às suas práticas diárias no trabalho e então propor novas práticas ou reforçar outras para poder garantir um maior alinhamento. Tendo visto mais de quase 200 respostas ao exercício, fiquei chocada em ver que elas todas iam para caminhos comuns.

    Exemplifico: ouvir o cliente e vender algo que lhe fosse de fato útil, sem ter que vender algo que está vinculado à sua meta, mas que sabe que é ruim para o cliente.

    Ter mais espaços de escuta com o time e poder compartilhar aprendizados com outros. Poder unir mais o lado pessoal e profissional, sendo mais transparente sobre o que pensa e sente no ambiente de trabalho. E tantas outras, mais ou menos sofisticadas, nessa linha.

    Minha reflexão foi de que parecia que a resposta estava apenas em não atrapalhar as pessoas para que elas pudessem expressar seus valores e sua humanidade, o que já traziam naturalmente dentro de si, sem esbarrar em regras e políticas que impedissem isso.

    Quando falamos sobre ESG, acho que há (ou deveria haver) essa mesma reflexão por trás. Podemos pensar de uma forma racional sobre o eixo de “diversidade”, mas não há uma abordagem mais natural, orgânica, humana, na qual podemos chegar nesse eixo simplesmente pensando “não parece estranho que alguns grupos de pessoas não consigam alcançar as mesmas oportunidades que chegam a outros, de forma mais equânime?”.

    A mesma coisa para a questão ambiental. Podemos olhar para um eixo ambiental a partir de frames, métodos e políticas, mas também podemos chegar a uma ideia de ação refletindo “não parece justo que eu ajude a regenerar o ecossistema do qual estou extraindo água do lençol freático, pensando que a população local não deveria ser prejudicada pela minha empresa?”. Ou mesmo dentro do viés de “se eu posso beneficiar os pequenos fornecedores que atuam na minha cadeia de valor, convertendo isso em fidelização, produtividade ou qualidade do produto, não parece um desperdício não fazer isso?”.

    Algumas ideias que às vezes consideramos geniais e fora da caixa são muitas vezes óbvias, apenas não vistas por termos nos viciado tanto a um certo modo de pensar, enxergar, fazer negócios, que ficam escondidas por trás de nossos pontos cegos.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta

    LEIA O TEXTO COMPLETO NO UM SÓ PLANETA