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  • Ecco Comunidades, do Instituto BRF, foca em desenvolvimento local e soluções para enfrentar o desperdício de alimentos

    Ecco Comunidades, do Instituto BRF, foca em desenvolvimento local e soluções para enfrentar o desperdício de alimentos

    O Instituto BRF, responsável pelos investimentos sociais da BRF, em parceria com o Quintessa e o Prosas, anuncia os resultados das cinco startups que tiveram projetos pilotos aplicados na primeira edição do Programa Ecco Comunidades.

    O programa tem como objetivo apoiar soluções que atuam na redução de perdas e desperdícios de alimentos, além de promover o desenvolvimento territorial a partir da aceleração e implementação de pilotos em cinco municípios onde a empresa está presente: Dourados (MS), Lucas do Rio Verde (MT), Nova Mutum (MT), Rio Verde (GO) e Uberlândia (MG).  

    As Startups que participaram da fase piloto foram a Já Entendi, que transforma informação em conteúdo acessível a pessoas com baixa escolaridade, a Connecting Food, que redistribui alimentos que seriam desperdiçados para quem necessita, a Whywaste, que promove a gestão de datas de vencimento em estabelecimentos, a Eats For You, que gera renda para cozinheiros amadores e a Lemobs, que promove a gestão da alimentação escolar.

    Elas passaram por três fases: a primeira, o Pitch Day, que partiu de 13 soluções pré-elencadas e seleção de 8 negócios; a segunda, com duração de 4 meses, em que os negócios participaram de workshops para avaliar a aplicabilidade das soluções nos desafios estratégicos apresentados; e a terceira etapa, quando 5 startups tiveram 4 meses para implementar os pilotos com o apoio do Quintessa, Instituto BRF e lideranças de OSCs locais.

    Com a implementação dos pilotos, o Ecco Comunidades gerou 40 conteúdos educativos sobre perda e desperdício de alimentos, distribuiu mais de 3,26 toneladas de alimentos próximos da data de validade, reduziu o desperdício de alimento no prato das crianças em escola pública em mais de 65%,  gerou mais de R$ 34.000 de renda formal para famílias locais, além da aproximação com diversos parceiros externos, entre redes supermercadistas e gestores públicos das localidades, para ações de educação sobre aproveitamento de alimentos e redistribuição para comunidades em situação de vulnerabilidade.

    Abaixo, os resultados de cada Startup:

    Já Entendi

    Município de aplicação: Nova Mutum – MT

    Objetivo do Piloto: Realizar a transposição de conteúdos acadêmicos e das 22 jornadas da plataforma Ecco Comunidades em videoaulas e infográficos utilizando uma linguagem adequada para a base da pirâmide social. As videoaulas ficarão disponíveis para compartilhamento público via whatsapp ou qualquer meio de comunicação e também estarão organizadas no formato de curso online em um aplicativo, com funções online e offline. Nesse aplicativo os cidadãos poderão obter certificado de conclusão dos cursos gratuitamente.

    Público alvo: Consumidores no geral, feirantes, micro e pequenos(as) empreendedores(as), pequenos(as) produtores(as)

    Resultado: O piloto tem 38 conteúdos gravados e mais de 100 receitas de utilização integral de alimentos. O aplicativo está disponível para download nas plataformas Google Play para Android e App Store para iOS.   

    Lemobs

    Município de aplicação: Dourados – MS

    Objetivo do Piloto: Diminuir o desperdício de alimentos  e melhorar a qualidade das refeições nas escolas do município utilizando uma solução freemium (modelo parcialmente reduzido e gratuito do atual sistema) de gestão da alimentação escolar. Nutricionistas e diretoras terão acesso a ferramentas de automação de cardápios e geração de listas de alimentos com prioridade para produtos da agricultura familiar. A escola beneficiária da solução foi a Escola Municipal Indígena Tengatuí Marangatú.

    Público alvo: Escolas públicas.

    Resultados: Foram realizadas 8 capacitações voltadas para as cozinheiras da escola, com implementação de 48 cardápios no sistema e uma redução de mais de 65% no desperdício no prato das crianças dentro de 8 semanas de pesagem.

    Connecting Food

    Município de aplicação: Lucas do Rio Verde – MT

    Objetivo do piloto: Implantar uma rede de redistribuição de alimentos, conectando organizações onde há sobra de alimentos com organizações que distribuem alimentos, visando os seguintes objetivos: (1) articular e organizar uma rede local de redistribuição de alimentos; (2) promover o acesso de alimentos para OSCs, complementando as refeições oferecidas para populações em situação de vulnerabilidade social; (3) organizar um sistema de reporte de dados e promover potenciais melhorias para as políticas públicas locais de segurança alimentar e nutricional.

    Público alvo: Varejistas, indústrias, produção agrícola e distribuidores.

    Resultados: 13 organizações doadoras de alimentos, 7 OSCs receptoras dos alimentos doados, 1.9 tonelada de alimento doados e uma capacidade de doação de 9.6 toneladas para os meses seguintes. Para além disso, houve a reativação de uma política pública, um projeto de lei para regulamentação de bancos de alimentos, estabelecimento de parceria para colheita urbana com a prefeitura e parceria em andamento para implementar um banco de alimentos no mercado produtor com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Agricultura.  

    Why Waste

    Município de aplicação: Rio Verde – GO

    Objetivo do piloto: Implementar o sistema da Why Waste em redes de supermercados e varejo/atacado no geral com o objetivo de reduzir suas perdas com produtos vencidos e viabilizar a estruturação e redistribuição de alimentos próximos ao vencimento dos estabelecimentos para organizações sociais.

    Público alvo: Supermercados, atacado, mercadinhos e varejo no geral.

    Resultados: Implementação do sistema realizada em 2 supermercados locais. O impacto da ferramenta foi uma redução de mais de 80% do tempo dedicado dos funcionários nas checagens de vencimento, eficiência na gestão dos supermercados e identificação de oportunidades de liquidação e doação de produtos próximos a data de validade.

    Eats For You

    Município de aplicação: Uberlândia – MG

    Desafio do piloto: A solução a ser implementada pela Eats For You é a ativação do B2Social, que tem como objetivo transformar produtos próximos a data de vencimento em refeições para população em situação de vulnerabilidade, gerando assim renda formal para as famílias que produzem as refeições (de  aproximadamente 1,5 salário).

    Público alvo: Varejistas, indústrias (como doadores), população em vulnerabilidade (como base empreendedora e para recebimento das doações).

    Resultados: Doação de 9.000 refeições, 360 kg provenientes de doações e mais de 1 tonelada adquirida no atacado com priorização de insumos próximos ao vencimento. Foram gerados mais de R$34.200 mil de renda formal para os cozinheiros envolvidos no período de 3 meses (equivalente R$5.700 por família).

    Desafio: desperdício de alimentos

    De acordo com a FAO (A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), cerca de um terço do alimento no mundo é desperdiçado e 14% é perdido antes mesmo de chegar ao comércio. Entendendo as especificidades da perda e desperdício na cadeia produtiva e de consumo do Brasil e a necessidade de reduzir a perda e desperdício de alimentos, foi criado o programa Ecco Comunidades. 

    “O Instituto BRF trabalha desde 2012 para promover o desenvolvimento e a inclusão nas localidades onde a empresa está presente. Com o Ecco Comunidades, queremos promover impacto social positivo por meio da inovação, ampliando nossos esforços para combater o desperdício de alimentos e promover segurança alimentar em parceria com a sociedade civil. O programa faz parte de uma série de ações do Instituto BRF e da empresa que tiveram início com a plataforma que batizou a iniciativa, o Ecco, Especialista de Consumo Consciente que educa e sensibiliza para esse desafio global”, diz Bárbara Azevedo, gerente do Instituto BRF. 

    Para Anna de Souza Aranha, sócia-diretora do Quintessa, aceleradora de impacto referência no Brasil, a implementação de soluções inovadoras é fundamental para resolver problemas como o desperdício de alimentos. “Programas como o Ecco Comunidades possibilitam colocar em prática a lente da inovação para gerar impacto socioambiental positivo. Em apenas 4 meses já pudemos ver o resultado das soluções implementadas pelas startups, que têm potencial de escala e impacto a longo prazo”, afirma.

    Sobre as Startups: 

    Connecting Food (SP): Implementam um sistema de redistribuição de alimentos excedentes para Organizações da Sociedade Civil auxiliando setores da alimentação a diminuir custos com resíduos e gerar impacto social.

    Eats For You (SP): ESG Foodtech que funciona como um Marketplace de comida caseira – oferecem alimentação de qualidade gerando renda formal por meio da inclusão produtiva e fomento do empreendedorismo.

    Já Entendi (PR): Capacitação profissional online e offline com metodologia especializada para pessoas de baixa escolaridade.

    Lemobs (RJ): Transformação digital das cidades com soluções de impacto. Oferecem gestão da alimentação escolar com foco na saúde nutricional dos alunos, redução de desperdícios e agricultura familiar.

    Whywaste (RJ): Utilizam bigdata e inteligência artificial para ajudar o varejo/atacado a reduzirem suas perdas com produtos próximos ao vencimento.

  • Ecco Comunidades, do Instituto BRF, foca em desenvolvimento local e soluções para enfrentar o desperdício de alimentos

    Ecco Comunidades, do Instituto BRF, foca em desenvolvimento local e soluções para enfrentar o desperdício de alimentos

    O Instituto BRF, responsável pelos investimentos sociais da BRF, em parceria com o Quintessa e o Prosas, anuncia os resultados das cinco startups que tiveram projetos pilotos aplicados na primeira edição do Programa Ecco Comunidades.

    O programa tem como objetivo apoiar soluções que atuam na redução de perdas e desperdícios de alimentos, além de promover o desenvolvimento territorial a partir da aceleração e implementação de pilotos em cinco municípios onde a empresa está presente: Dourados (MS), Lucas do Rio Verde (MT), Nova Mutum (MT), Rio Verde (GO) e Uberlândia (MG).  

    As Startups que participaram da fase piloto foram a Já Entendi, que transforma informação em conteúdo acessível a pessoas com baixa escolaridade, a Connecting Food, que redistribui alimentos que seriam desperdiçados para quem necessita, a Whywaste, que promove a gestão de datas de vencimento em estabelecimentos, a Eats For You, que gera renda para cozinheiros amadores e a Lemobs, que promove a gestão da alimentação escolar.

    Elas passaram por três fases: a primeira, o Pitch Day, que partiu de 13 soluções pré-elencadas e seleção de 8 negócios; a segunda, com duração de 4 meses, em que os negócios participaram de workshops para avaliar a aplicabilidade das soluções nos desafios estratégicos apresentados; e a terceira etapa, quando 5 startups tiveram 4 meses para implementar os pilotos com o apoio do Quintessa, Instituto BRF e lideranças de OSCs locais.

    Com a implementação dos pilotos, o Ecco Comunidades gerou 40 conteúdos educativos sobre perda e desperdício de alimentos, distribuiu mais de 3,26 toneladas de alimentos próximos da data de validade, reduziu o desperdício de alimento no prato das crianças em escola pública em mais de 65%,  gerou mais de R$ 34.000 de renda formal para famílias locais, além da aproximação com diversos parceiros externos, entre redes supermercadistas e gestores públicos das localidades, para ações de educação sobre aproveitamento de alimentos e redistribuição para comunidades em situação de vulnerabilidade.

    Abaixo, os resultados de cada Startup:

    Já Entendi

    Município de aplicação: Nova Mutum – MT

    Objetivo do Piloto: Realizar a transposição de conteúdos acadêmicos e das 22 jornadas da plataforma Ecco Comunidades em videoaulas e infográficos utilizando uma linguagem adequada para a base da pirâmide social. As videoaulas ficarão disponíveis para compartilhamento público via whatsapp ou qualquer meio de comunicação e também estarão organizadas no formato de curso online em um aplicativo, com funções online e offline. Nesse aplicativo os cidadãos poderão obter certificado de conclusão dos cursos gratuitamente.

    Público alvo: Consumidores no geral, feirantes, micro e pequenos(as) empreendedores(as), pequenos(as) produtores(as)

    Resultado: O piloto tem 38 conteúdos gravados e mais de 100 receitas de utilização integral de alimentos. O aplicativo está disponível para download nas plataformas Google Play para Android e App Store para iOS.   

    Lemobs

    Município de aplicação: Dourados – MS

    Objetivo do Piloto: Diminuir o desperdício de alimentos  e melhorar a qualidade das refeições nas escolas do município utilizando uma solução freemium (modelo parcialmente reduzido e gratuito do atual sistema) de gestão da alimentação escolar. Nutricionistas e diretoras terão acesso a ferramentas de automação de cardápios e geração de listas de alimentos com prioridade para produtos da agricultura familiar. A escola beneficiária da solução foi a Escola Municipal Indígena Tengatuí Marangatú.

    Público alvo: Escolas públicas.

    Resultados: Foram realizadas 8 capacitações voltadas para as cozinheiras da escola, com implementação de 48 cardápios no sistema e uma redução de mais de 65% no desperdício no prato das crianças dentro de 8 semanas de pesagem.

    Connecting Food

    Município de aplicação: Lucas do Rio Verde – MT

    Objetivo do piloto: Implantar uma rede de redistribuição de alimentos, conectando organizações onde há sobra de alimentos com organizações que distribuem alimentos, visando os seguintes objetivos: (1) articular e organizar uma rede local de redistribuição de alimentos; (2) promover o acesso de alimentos para OSCs, complementando as refeições oferecidas para populações em situação de vulnerabilidade social; (3) organizar um sistema de reporte de dados e promover potenciais melhorias para as políticas públicas locais de segurança alimentar e nutricional.

    Público alvo: Varejistas, indústrias, produção agrícola e distribuidores.

    Resultados: 13 organizações doadoras de alimentos, 7 OSCs receptoras dos alimentos doados, 1.9 tonelada de alimento doados e uma capacidade de doação de 9.6 toneladas para os meses seguintes. Para além disso, houve a reativação de uma política pública, um projeto de lei para regulamentação de bancos de alimentos, estabelecimento de parceria para colheita urbana com a prefeitura e parceria em andamento para implementar um banco de alimentos no mercado produtor com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Agricultura.  

    Why Waste

    Município de aplicação: Rio Verde – GO

    Objetivo do piloto: Implementar o sistema da Why Waste em redes de supermercados e varejo/atacado no geral com o objetivo de reduzir suas perdas com produtos vencidos e viabilizar a estruturação e redistribuição de alimentos próximos ao vencimento dos estabelecimentos para organizações sociais.

    Público alvo: Supermercados, atacado, mercadinhos e varejo no geral.

    Resultados: Implementação do sistema realizada em 2 supermercados locais. O impacto da ferramenta foi uma redução de mais de 80% do tempo dedicado dos funcionários nas checagens de vencimento, eficiência na gestão dos supermercados e identificação de oportunidades de liquidação e doação de produtos próximos a data de validade.

    Eats For You

    Município de aplicação: Uberlândia – MG

    Desafio do piloto: A solução a ser implementada pela Eats For You é a ativação do B2Social, que tem como objetivo transformar produtos próximos a data de vencimento em refeições para população em situação de vulnerabilidade, gerando assim renda formal para as famílias que produzem as refeições (de  aproximadamente 1,5 salário).

    Público alvo: Varejistas, indústrias (como doadores), população em vulnerabilidade (como base empreendedora e para recebimento das doações).

    Resultados: Doação de 9.000 refeições, 360 kg provenientes de doações e mais de 1 tonelada adquirida no atacado com priorização de insumos próximos ao vencimento. Foram gerados mais de R$34.200 mil de renda formal para os cozinheiros envolvidos no período de 3 meses (equivalente R$5.700 por família).

    Desafio: desperdício de alimentos

    De acordo com a FAO (A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), cerca de um terço do alimento no mundo é desperdiçado e 14% é perdido antes mesmo de chegar ao comércio. Entendendo as especificidades da perda e desperdício na cadeia produtiva e de consumo do Brasil e a necessidade de reduzir a perda e desperdício de alimentos, foi criado o programa Ecco Comunidades. 

    “O Instituto BRF trabalha desde 2012 para promover o desenvolvimento e a inclusão nas localidades onde a empresa está presente. Com o Ecco Comunidades, queremos promover impacto social positivo por meio da inovação, ampliando nossos esforços para combater o desperdício de alimentos e promover segurança alimentar em parceria com a sociedade civil. O programa faz parte de uma série de ações do Instituto BRF e da empresa que tiveram início com a plataforma que batizou a iniciativa, o Ecco, Especialista de Consumo Consciente que educa e sensibiliza para esse desafio global”, diz Bárbara Azevedo, gerente do Instituto BRF. 

    Para Anna de Souza Aranha, sócia-diretora do Quintessa, aceleradora de impacto referência no Brasil, a implementação de soluções inovadoras é fundamental para resolver problemas como o desperdício de alimentos. “Programas como o Ecco Comunidades possibilitam colocar em prática a lente da inovação para gerar impacto socioambiental positivo. Em apenas 4 meses já pudemos ver o resultado das soluções implementadas pelas startups, que têm potencial de escala e impacto a longo prazo”, afirma.

    Sobre as Startups: 

    Connecting Food (SP): Implementam um sistema de redistribuição de alimentos excedentes para Organizações da Sociedade Civil auxiliando setores da alimentação a diminuir custos com resíduos e gerar impacto social.

    Eats For You (SP): ESG Foodtech que funciona como um Marketplace de comida caseira – oferecem alimentação de qualidade gerando renda formal por meio da inclusão produtiva e fomento do empreendedorismo.

    Já Entendi (PR): Capacitação profissional online e offline com metodologia especializada para pessoas de baixa escolaridade.

    Lemobs (RJ): Transformação digital das cidades com soluções de impacto. Oferecem gestão da alimentação escolar com foco na saúde nutricional dos alunos, redução de desperdícios e agricultura familiar.

    Whywaste (RJ): Utilizam bigdata e inteligência artificial para ajudar o varejo/atacado a reduzirem suas perdas com produtos próximos ao vencimento.

  • Conheça 10 startups de impacto que apoiam a AMBEV nas metas de sustentabilidade

    Conheça 10 startups de impacto que apoiam a AMBEV nas metas de sustentabilidade

    Na última segunda-feira (28/03), nove startups de impacto participaram do DemoDay da Aceleradora 100+, evento da Ambev que teve como objetivo apresentar os pilotos das startups aceleradas na edição de 2021 do programa. 

    O programa, que tem o Quintessa e a PPA como parceiros é focado em encontrar soluções inovadoras para as metas de sustentabilidade da Ambev (mudanças climáticas, embalagem circular, agricultura sustentável, gestão de água e ecossistema empreendedor). A iniciativa existe desde 2018 e já acelerou mais de 60 startups – atualmente a AMBEV trabalha e implementa projetos com 20 dessas de maneira mais aproximada

    No evento, que aconteceu em São Paulo e também foi transmitido pelo Youtube (assista aqui), às nove startups do programa brasileiro apresentaram os resultados dos pilotos realizados com a cervejaria, e também se apresentaram startups vencedoras do programa no Paraguai, Chile e Bolívia, e a GrowPack, que participou da edição anterior. Uma delas saiu vencedora com o prêmio de R$ 100 mil, e duas receberam o segundo lugar no valor de R$ 30 mil cada. Conheça abaixo as startups e os resultados apresentados.  

    Conheça as startups de impacto: 

    Via Floresta

    A Via Floresta é uma startup focada em fortalecer o ecossistema de produção e inovação da Amazônia, conectando-o com pessoas, organizações e empresas.

    Após entender como a Amazônia se tornou um dos principais fornecedores de bioinsumos para diversas indústrias, a startup identificou a baixa oferta de tecnologias que garantem a rastreabilidade desses produtos. 

    A solução desenvolvida foi um aplicativo em parceria com a PPA que oferece para diversas empresas o rastreamento desses produtos, o comércio justo e a sustentabilidade de cadeias da biodiversidade brasileira. Hoje a VIA Floresta já mapeou mais de 60 comunidades com informações de produção desde a colheita até o processamento do produto,  onde é possível identificar e conhecer produtos naturais e renováveis da floresta e outros biomas brasileiros. O aplicativo Via Floresta já está disponível para download no Google Play.  

    Água Camelo:

    A Água Camelo junta a inovação ao design para combater a desigualdade social e promover o acesso à água tratada, hoje inacessível para 35 milhões de pessoas no Brasil – principalmente em regiões do semiárido, florestas e centros urbanos.  

    A solução é o Kit Camelo, composto por uma mochila que suporta até 15L de água imprópria por vez, um filtro portátil acoplado a ela que elimina até 99,99% de todas bactérias, protozoários e partículas sólidas flutuantes na água, um suporte de parede para pendurar a mochila na residência e um manual de uso do produto para o beneficiado final.

    Durante a aceleração a startup pôde validar o modelo de serviço e a versatilidade do Kit Camelo – 100 kits foram implementados nas comunidades de Morro da Providência (RJ) e na Aldeia Mutum (AC), mostrando a versatilidade de implementação em diferentes cenários (centro urbano e floresta).  

    Na Aldeia Mutum que antes apresentava um cenário de 96% das pessoas com relatos de doenças de veiculação hídrica, após o piloto, 100% dos sintomas foram reduzidos. Já no Morro da Providência, onde 62% relataram sintomas, ao final do projeto 90% dos sintomas foram reduzidos. Foram 702 pessoas impactadas com água de qualidade e 90% de todos os beneficiados do projeto se sentem mais seguros ao consumir água do Kit Camelo. 

    TRC Sustentável:

    A TRC Sustentável desenvolve tecnologias sustentáveis para reduzir os custos com a água, em um modelo de negócio que envolve Produto + Serviço + Tecnologia voltados para conduzir projetos na gestão da água. 

    Durante o piloto a startup implementou soluções para reduzir o consumo de água nos centros de distribuição e pontos de venda da Ambev. Os pontos escolhidos para implementação foram: CDD em Joinville e São Cristóvão (RJ) e um bar, pizzaria e um restaurante no Rio de Janeiro. O projeto foi instalado e a startup começou a mapear cada ML de água gasto nos locais e também realizou treinamentos com os colaboradores sobre o uso consciente da água.  

    Ao final do processo, que teve duração de 03 meses, o impacto foi de 1.5 milhão de litros de água economizados, gerando uma média de 42% de economia de água, com ganho financeiro de R$69 mil. Se o resultado for projetado para os próximos 12 meses o impacto é de 6 milhões de litros de água economizados, o que representa um ganho de R$276 mil ao ano. 

    Inspectral

    A Inspectral resolve o problema do método tradicional de monitoramento da qualidade da água, que envolve o difícil deslocamento até a margem do rio, com equipamentos pesados, sensores, o que muitas vezes aumenta o custo logístico do monitoramento. Pensando nos problemas gerados para monitorar a qualidade em um país continental como o Brasil, que tem a maior rede hidrográfica do mundo, a startup desenvolveu uma tecnologia para que esse monitoramento ocorra de forma remota por meio de imagens de satélite e drones, a solução também pode ser aplicada para monitorar outras atividades como de agricultura e em florestas. 

    Os projetos pilotos foram implementados no Rio Guandu (RJ), Rio da Antas (GO) e no Rio Jaguari (SP), atingindo três das onze bacias que fazem parte do plano de segurança hídrica da Ambev. Durante o processo foram gerados nove parâmetros para medir a qualidade da água, sendo um deles o IQA (índice de qualidade da água), parâmetro chave para execução de diversos processos na indústria. Através da tecnologia da startups, os índices são entregues de forma mais simplificada e o processo de tomada de decisão se torna mais ágil. 

    No Rio da Antas, após a análise, foi possível gerar uma melhora de 95% do IQA. Os resultados podem ser observados de forma dinâmica na plataforma Inspectral, disponível aqui

    Recigases

    A Recigases é uma empresa especialista na regeneração de fluidos refrigerantes – substância presente dentro de equipamentos que geram temperaturas baixas, como geladeiras e ar condicionado. Quando essa substância vaza de algum desses aparelhos, elas emitem cerca 1500 a 2000 vezes mais quantidade de Co2 equivalente. Segundo um ranking de 50 ações da Project Drawdown, melhorar a gestão dos fluídos de refrigerante é a quarta iniciativa com maior impacto para reduzir o aquecimento global até 2050, e descartar estes fluidos na atmosfera é considerado crime ambiental pelo IBAMA. 

    O projeto piloto aconteceu em Ponta Grossa (PR), em um cenário motivado pelo descarte incorreto de botijas de gás (com produto residual liberado na atmosfera) e fornecedor de manutenção contratado sem preocupação ambiental com os refrigerantes. 

    A startup criou um protótipo denominado EDG – Estação de Destinação de Gases, com ferramentas e equipamentos disponíveis para que o gás possa ser recolhido de forma consciente quando for necessário, um toolkit de usabilidade e um treinamento que tem como objetivo de mudar de forma cultural o pensamento de ‘utilizar, usar e jogar fora’, como forma de introduzir a economia circular no dia-a-dia da sociedade. O processo foi entregue em Ponta Grossa e o projeto deverá ser implementado em breve em outras 06 localidades.  

    AfroImpacto

    A AfroImpacto é uma escola de afroempreendedorismo com o objetivo de reduzir a desigualdade social, econômica e educacional no cenário do empreendedorismo.

    O projeto piloto se deu por uma demanda da Ambev em desenvolver empreendedores negros e negras, e na demanda desses empreendedores, que hoje representam uma parcela de cerca de 40% no Brasil, em se conectar com grandes empresas para impulsionar seus negócios. A partir daí surgiu a plataforma AfroOn, com o intuito de disponibilizar conteúdos e trilhas de conhecimento voltados para a profissionalização dos empreendedores, abordando temas como gestão com recorte racial, negociação com grandes empresas, produção de conteúdo e divulgação online. 

    Em dois meses no ar, a plataforma recebeu cerca de 130 matrículas e disponibilizou 63 conteúdos entre artigos, vídeos, atividades e e-books – e a plataforma ofereceu a possibilidade de mentores voluntários da AMBEV se conectarem com empreendedores oferecendo bagagem e conhecimento para impulsionar os negócios. 

    Aterra

    A Aterra é um startup de base tecnológica e sustentável que apoia empresas na criação de um novo mindset de negócios sustentáveis por meio da ressignificação de resíduos.

    Os resíduos selecionados para o projeto foram: Lodos de ETEs e Terra infusória, gerados nas fábricas da Ambev. Para ressignificar o descarte desses resíduos, a startup implementou a plataforma e-Aterra uma plataforma web que atua como ferramenta de gestão e marketplace de resíduos nas fábricas de Juatuba e Sete Lagoas (MG), que geram juntas 968 toneladas por mês desses resíduos com um custo de destinação de R$73 mil reais por mês de logística e descarte. 

    Durante o processo, a startup mapeou novos parceiros e tecnologias possíveis para os resíduos: compostagem, coprocessamento, termo fertilizante e conversão térmica. Dessa forma, eles puderam mapear empresas para destinação final dos resíduos e implementaram a plataforma de marketplace. O Aterro Zero, que tem como objetivo a não geração e uma grande mudança na forma atual do fluxo de materiais na sociedade, foi mantido em 100% das tecnologias criadas, três empresas foram homologadas como opção para descarte a redução de custo utilizando a terra infusória como elemento para produção de fertilizante. 

    Diversidade.io 

    A diversidade.io é uma startup que conecta pluralidade e diversidade com vagas de trabalho. Todos os candidatos têm acesso gratuito para incluir seus currículos, independente de raça, idade, orientação sexual ou gênero. No Brasil são mais de 12,8 milhões de donos de negócios negros em território nacional (Pnad/IBGE) e existe uma dor real dos empreendores em lidar com as complexidades dos processos e comunicações das empresas. 

    A startup criou a Afroempreendedores, uma solução tecnológica para banco de dados que permite que os usuários façam filtros e acompanhem as propostas e possiblita a criação de um ambiente que fomenta a troca entre os empreendores negros e negras de forma gratuita. 

    Durante o piloto, a plataforma identificou 254 negócios liderados ou fundados por afroempreendedores. Desses, 202 foram aprovados e 52 já estão em análise de curadoria para criação de processos mais robustos, possibilitando acesso, inclusão racial, inclusão de gênero e no fortalecimento de empreendedores para que faturem mais, beneficiando suas famílias e gerando empregos. Conheça a plataforma

    IQX

    A IQX é uma empresa de base tecnológica que gera impacto socioambiental positivo através do desenvolvimento de aditivos que ressignificam o plástico, viabilizando a reciclagem de embalagens multimateriais, e agregam valor através da inserção de funcionalidades, tais como, proteção antiestática, antiviral e bactericida. 

    Durante a Aceleração a startup endereçou o seu desafio para desenvolver uma embalagem circular de filme shrink, também denominado bobina plástica termoencolhível – atualmente apenas 2% desse tipo de embalagem são recicláveis na Ambev. 

    A solução proposta foi a possibilidade de reutilizar a resina pós-consumo nos filmes shrink por meio de processos químicos, mostrando a importância de aditivar uma resina que geralmente durante o processo industrial perde suas principais propriedades e acaba virando cerda para vassoura, para que ela possa ser utilizada novamente e virar um composto importante na lógica da economia circular.  

    GrowPack

    A startup GrowPack participou da edição de 2020 da Aceleradora 100+, mas também esteve no evento para contar as evoluções do piloto, que hoje se tornou uma grande parceria entre a startup e a Ambev. 

    A startup tem uma tecnologia para produzir embalagens biodegradáveis feitas de resíduos agrícolas, como palha de milho. A Ambev não só investiu na startup no após a participação na Aceleradora100+, como se tornou cliente, escalando a solução nos produtos da marca Colorado.

    GrowPack

    Startup vencedora e próximos passos: 

    As startups foram avaliadas por uma banca composta por Augusto Correia, secretário executivo da PPA (Plataforma parceiros pela Amazônia), Anna Aranha, diretora do Quintessa, Carla Crippa, vice-presidente de Relações Corporativas da Ambev, Carolina Garcia, diretora Global do Programa 100+, Daniel Serra, gerente de Investimentos e Impacto da Mov Investimentos, Fabio Kestembaum, sócio fundador da Positive Ventures, Jean Jereissati, CEO da Ambev, Priscila Claro, professora do Insper, Renata Weken, diretora de Meio Ambiente da Ambev, Rodrigo Maldonaldo, gerente geral da Pepsi&Co e Rodrigo Figueiredo vice-presidente de Sustentabilidade da Ambev. 

    Na foto – Nariane Bernardo – COO & co-founder da Inspectral e Alisson Fernando Coelho do Carmo – CEO & co-founder da Inspectral

    A startup vencedora do Brasil e da América do Sul foi a Inspectral, recebendo um prêmio de R$100 mil e a participação no Programa Global 100+ Accelerator e até USD 100.000 para implementação do piloto. De forma excepcional, duas startups ganharam em segundo lugar o valor de R$30.000,00 para impulsionar seus negócios. As escolhidas foram: Água Camelo e Afroimpacto. 

     

     

  • Quintessa mapeia 192 startups para resolver questão energética no Brasil

    Quintessa mapeia 192 startups para resolver questão energética no Brasil

    O Brasil enfrenta a sua pior crise hídrica dos últimos 91 anos. O cenário se deve muito em decorrência das mudanças climáticas, que se intensifica pelos números recordes de desmatamento e queimadas e queima de combustíveis fósseis, além, é claro, da falta de chuva, deixando reservatórios das hidrelétricas vazios. Somado isso ao aumento da demanda de energia na retomada econômica do país, e mundial, estamos cada vez mais próximos de viver novamente apagões energéticos.

    Pensando neste cenário, o Quintessa realizou um estudo que traz 194 startups brasileiras que podem ajudar a resolver a questão energética do país.

    Aceleradora de impacto pioneira no Brasil, o Quintessa já impulsionou o crescimento de mais de 250 startups de impacto e mapeou mais de 4,5 mil, sendo que 190 destas têm grande potencial em atuar em três frentes urgentes e necessárias: uso de fontes renováveis, eficiência energética, monitoramento e gerenciamento de energia.

    Grande parte das startups mapeadas têm capacidade de auxiliar a indústria privada e setores públicos na melhor utilização de recursos energéticos, na oferta de energias renováveis, além de ajudar a entender possíveis e melhores cenários. 

    São 100 startups com foco em energia solar, o que demonstra a força e crescente demanda por essa fonte e pela necessidade de diversificação da matriz brasileira, ainda muito dependente da fonte hidrelétrica, como mostra o levantamento da ANEEL/ABISOLAR, de 2021:

    Além de ser uma fonte limpa, a energia solar também gera impacto social, sendo geradora dos chamados ‘empregos verdes’ e se apresentando como uma alternativa em termos de acesso e viabilidade para quem ainda não a têm, e também para a grande parte dos brasileiros que está sendo impactada com o aumento da conta de luz. É o caso da Revolusolar, que instala placas fotovoltaicas em comunidades cariocas, e a  Litro de Luz, que está levando energia para muitas comunidades remotas no Brasil e já faz parcerias com diferentes empresas.

    Já no campo da energia eólica, que representa quase 10% da matriz brasileira, foi encontrada somente uma startup, mas alguns negócios que oferecem assinatura de energia limpa incluem a eólica entre as fontes possíveis.

    20% das startups estão focadas em eficiência energética, ou seja, em otimizar a geração de energia utilizando menos recursos naturais ou custos. Alguns exemplos são soluções que se acoplam a chuveiros para aquecer a água gastando menos energia, ou como a Energia das Coisas, que monitora todos os equipamentos eletrônicos e propõe planos para economia de energia. Neste mesmo sentido, há 21 (11%) especializadas em gerenciamento de energia para empresas ou indústrias, que conseguem entender as necessidades e apresentar as melhores soluções em energia limpa.

    Outro exemplo é a startup Lemon Energia, que desenvolveu um sistema que conecta PMEs e geradoras de energia eólica, solar ou de biogás. Desta forma, é possível que comércios e donos de estabelecimentos contratem eletricidade diretamente de um fornecedor, assim permitindo negociar preços mais baixos e ainda sabendo que consumirá energia de uma fonte limpa.

    Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, explica a importância de a indústria olhar para Startups que possam contribuir com problemas que possam resolver muitos dos problemas energéticos do país. “Milhares de pessoas estão envolvidas em projetos que buscam soluções para muitos problemas da sociedade e do meio ambiente e com a eficiência energética não é diferente, essas 192 startups podem oferecer oportunidades de melhora em gargalos de sustentabilidade que grandes empresas possuem, sendo potenciais parceiras de negócios e fornecedoras para aquelas que, na linha de atuação ESG [ambiental, social e governança], fizeram compromissos em redução de emissão de gases que afetam as mudanças climáticas – além de auxiliarem na redução de custos a médio prazo”, diz Aranha.

    O estudo do Quintessa também demonstra que há Startups com este intuito espalhadas pelo Brasil, mas, a maioria está no Sudeste, especificamente em São Paulo (40%), seguido de Minas Gerais (15%) e Rio de Janeiro (10%). Esse padrão é comum para qualquer segmento, dado que a região concentra a maior base de startups e empresas do país, além de concentrar a maior parte da produção de energia. Vale o destaque para Minas Gerais, que concentra 20% da produção de energia solar do Brasil, e por isso conta com mais da metade das startups do estado neste segmento (15 no total).

    Ainda neste viés de estudos, a Agência Internacional de Energia produziu relatório em outubro de 2020 afirmando que os investimentos em projetos energéticos descarbonizados devem triplicar em dez anos para (alcançar) a neutralidade de carbono em 2050, ou seja, o tema não poderia estar mais próximo da COP 26.

    “Mais do que aumentar a capacidade produtiva e resolver os problemas de energia de suas companhias, os empresários precisam entender a importância disso tudo perante a sociedade. Buscar alternativas aos combustíveis fósseis e hidrelétrico não é uma opção, é uma obrigação de todos”, afirma a diretora do Quintessa.

  • Dia da Consciência Negra | Empreendedorismo Negro

    Dia da Consciência Negra | Empreendedorismo Negro

    Hoje é o Dia da Consciência Negra e paramos para refletir sobre a expressiva desigualdade racial ainda presente, que obriga a população negra a buscar diferentes meios de subsistência através do empreendedorismo. Porém, esses empreendedores encontram muitas barreiras como dificuldade de acesso a crédito, a maquinário, a tecnologia.

    Para mudar essa realidade, é preciso pensar em políticas públicas, educação financeira, quebra de vieses e diversas outras intervenções. Devemos também compartilhar conhecimentos e garantir que trajetórias inspiradoras de empreendedorismo negro possam ser seguidas por outros. Confira alguns dados e depoimentos de empreendedores acelerados pelo Quintessa.

    Jorge Júnior – Trampay

    “Empreender e exercer um papel de liderança sendo negro tem suas peculiaridades. Cansei de ver situações que fomos tratados com indiferença, eu e meu sócio, como se estivéssemos pedindo um favor quando não era. Já cheguei a fazer calls preferindo que a câmera ficasse fechada para que o outro não deslegitimasse a seriedade do que eu estava tratando.

    Em uma ligação com um possível investidor, famoso até, fomos tratados de uma forma que eu cheguei até achar que erro era comigo. Quando terminamos, meu sócio me disse: ‘isso nunca aconteceria se tivéssemos um perfil padrão’.

    Não temos um perfil padrão e isso não nos desqualifica, pelo contrário, qualifica. Negócio é negócio, não é favor. Situações como essa podem ainda acontecer, mas não precisamos nos diminuir para caber na forma de quem tem olhos, mas não vê.”

    Tamila dos Santos – Afroimpacto

    Eu sou a Tamila dos Santos, tenho 30 anos, sou de Salvador, formada em assistência social e gestão de inovação social. Venho trabalhando com diversidade há mais ou menos 10 anos e sempre gostei muito de me envolver com questões sociais de maneira geral. Já trabalhei na secretaria de políticas para igualdade racial, em diversos projetos de igualdade, então trabalhar com raça é algo que me toca muito. Tudo isso está muito relacionado a minha origem, venho de uma comunidade simples, minha família veio de um bairro periférico de Salvador e nesse processo nenhum deles teve acesso ao ensino superior. Na verdade, na minha família como um todo dá pra contar na mão aqueles que tiveram acesso ao ensino superior e eu fui a primeira a acessar o ensino superior público. Então a gente tinha esse contexto de falta de acesso, com recortes de raça e socioeconômicos que fez com que eu me envolvesse mais com questões raciais. Entrei na faculdade já com essa perspectiva de ter um viés mais político, que ao longo da graduação só fez crescer, e fez com que eu agisse em prol das questões raciais voltadas para raça e diversidade.

    Eu comecei a trabalhar com empreendedorismo depois da pós graduação em inovação social, trabalhei em uma startup social e também em uma aceleradora de startups. Foi a partir desse momento que eu me aproximei um pouco mais desse cenário de empreendedorismo, antes não conhecia nada. Virei líder de eventos e comecei a trabalhar com eventos de empreendedorismo, propiciando espaço para outros empreendedores se desenvolverem. Com o tempo eu virei líder de educação empreendedora, trabalhando com conteúdo no tema e criando trilhas educacionais para empreendedores, sai e comecei a prestar consultoria para projetos sociais, principalmente de base periférica. Foi quando comecei a ouvir das pessoas que eu atendia que elas não se sentiam representadas por consultores não negros, então tinham várias questões (a pessoa falava coisas que as faziam se sentir depreciadas ou porque as pessoas falavam coisas que as faziam sentir subalternas…) então eu ouvia muitos feedbacks nesse sentido, de pessoas que tinham deixado de empreender ou que tinham saído do projeto por conta dessas sensações incomodas. Isso fez com que eu percebesse que talvez fosse importante eu abrir uma empresa de consultoria especifica para empreendedores negros. Foi quando eu montei uma empresa, uma base, já tinha pensado em vários tipos de negócios e consegui passar na incubação do Pense Grande da Aliança Empreendedora e financiado pela Fundação Telefônica Vivo. Lá passamos por um processo de incubação das nossas ideias e recebíamos um capital semente, foi ai que nasceu a Afroimpacto. A partir do Pense Grande eu comecei a testar modelos de MVP e colocar a cara na rua, projetar a Afroimpacto pro mundo e no começo foi bem difícil, já tinha inclusive a perspectiva de ser um trabalho totalmente remoto (muito antes da pandemia). Então foi difícil porque era um empreendimento com pouco recurso, de uma mulher negra, que trabalhava com educação e principalmente porque era um empreendimento que trazia uma proposta nova, eu esbarrei em várias dificuldades nesse sentido, principalmente de pessoas que não acreditavam no potencial do meu negócio.

    Com o tempo eu aprendi um pouco mais sobre como as coisas se desenvolviam, eu testei modelos de negócio, cheguei em um modelo B2B, que conta principalmente com treinamentos corporativos – hoje eu faço muitos, tanto para empresas quanto para os projetos das empresas, diretamente para os beneficiários. Isso fez com que a minha empresa fosse alcançando outros patamares, fosse conseguindo galgar outros espaços. Para mim uma das maiores dificuldades desse processo foi o descrédito, eu percebo muito o quanto se descredibiliza meu trabalho por diversas questões, por trabalhar com questões raciais, por ser uma mulher a frente de um negócio, por ser uma mulher negra a frente de um negócio que fala de educação. Então eu já passei por situações muito incômodas, principalmente em relação a precificação, de não pagarem o valor que eu acredito que o meu trabalho vale no mercado, inclusive hoje isso é algo que ainda acontece. Já passei por situações de empregadores me pedirem uma demanda e quando começo a trabalhar ser outra, pessoas perguntando se deviam de fato pagar pelo meu trabalho ou porque não faço o meu trabalho totalmente de graça. Enfim, existem diversas questões que fazem com que esse cotidiano empreendedor seja difícil! Ao mesmo tempos que no plano pessoal também é complicado né, é difícil fazer com que as pessoas do seu eixo familiar entendam que você não trabalha de carteira assinada, que tem a sua própria empresa, que tem as suas próprias metas, isso porque elas vem de outra realidade, de outro momento. E existe também uma coisa de adaptar a realidade da sua casa a esse trabalho. Todos esses foram desafios muito sérios e muito conflitantes na minha trajetória.

    E por fim, minha relação com o ativismo dentro do empreendedorismo vem muito desse lugar de se perder o medo de falar de raça e empreendedorismo, até porque a gente tem um número muito grande empreendedores negros, uma maioria negra que empreende. Esse empreendedorismo negro vem muitas vezes por necessidade, por não ter acesso a outras oportunidades e não necessariamente porque quer empreender. Então se fala muito sobre o empreendedorismo de maneira endeusada, como se fosse incrível e mágico, mas tem uma realidade de pessoas que tem experiências muito conflitantes, ansiosas e ruins ao empreender e a gente precisa falar sobre isso. A gente precisa tirar essa neutralidade do empreendedorismo porque nada é neutro e nada é meritocrático, meu ativismo dentro dessa perspectiva vem muito desse lugar, de ter a minha realidade e de entender que as realidades são diversas. Mas meu ativismo vem, principalmente, para fazer com que a imagem do empreendedor, empreendedora não seja mais uma imagem padrão, e sim uma imagem que tenha a minha cara e a cara de várias outras pessoas brasileiras.

    Alan Almeida – Parças

    “A {​​Parças}​​ nasceu em 2017 com a missão de dar um futuro digno para egressos do sistema penitenciário e moradores da periferia e ao mesmo tempo entregar talentos altamente qualificados para o mercado de tecnologia da informação. Ao longo dos anos passamos por uma série de provações. Em termos de impacto, foi necessário nos adaptar para criar um vínculo de confiança com os alunos, provar para eles que de fato a oportunidade que oferecemos é real e apoiá-los em questões emocionais e pessoais para garantir a formação. Em termos de negócios, enfrentamos barreiras de valorização e aceitação do mercado, gargalos de conhecimento sobre modelo de negócio e empreendedorismo e muita resiliência para continuar de pé depois de tanta luta.

    Mas as conquistas foram muito maiores.

    Apoiamos centenas de alunos em todas as regiões do país a conseguirem um emprego digno e transformarem a vida deles e de suas famílias. E isso tudo é possível porque temos um time de colaboradores e parceiros que estão profundamente comprometidos em transformar o sistema carcerário brasileiro e formar os melhores talentos para o mercado de TI!”

    Marcelo Arruda – Diversidade.io

    “Eu comecei a empreender depois de uma carreira corporativa, isso porque não encontrava local que eu pudesse me recolocar. Me deparei com um mercado fechado para mim. Com as rodadas de negócios e eventos de empreendedorismo que eu participava, percebi que quando uma empresa de pequeno porte fazia um vídeo ou apresentação sempre era um único negócio com empreendedor negro entre outros 30, 40 negócios. Aí, junto com um amigo criamos um movimento de afroempreendedorismo, que avançou para a plataforma Diversidade.IO. Hoje a Diversidade.IO utiliza a tecnologia para ajudar na geração de oportunidades para talentos, seja para empreendedores ou para candidatos a oportunidades de emprego. Com tecnologia de ponta a gente consegue gerar visibilidade e também atrair empresas que acreditam na inclusão e na diversidade, e a partir da nossa plataforma essas empresas encontram talentos.

    Estamos em um momento muito bacana, onde fazemos um piloto para a AmBev e também uma ação para o Carrefour, onde fomos investidos. Essas duas ações são focadas no afroempreendedorismo e vão ao encontro do nosso objetivo como empresa: Queremos que a maior base de empreendedores no Brasil, que são os negros, tenham oportunidades iguais e a mesma visibilidade perante empresas que podem contratar seus serviços, gerando para eles um ticket melhor. Uma pesquisa de 2015 mostra que um faturamento médio de um afroempreendedor era de R$ 1.370,00, enquanto o de um empreendedor branco era de R$ 2.700,00, essa é a nossa batalha. É criar oportunidades que melhorem o ticket, que dê visibilidade e que capacite os afroempreendedores, dessa forma eles podem continuar crescendo e alcançando os lugares que merecem.”

     

  • Conheça os vencedores da Batalha de Pitch do Menos30Fest

    Rede Globo premia empreendedores de impacto com R$ 75 mil 

    O Quintessa é parceiro da Globo pelo segundo ano na Batalha de Pitch do Menos30Fest, festival de educação empreendedora e inovação. Realizamos a curadoria das startups que disputaram R$25 mil em cada dia do festival.

    Com mais de 4 mil startups ativas mapeadas na base Quintessa, pré-selecionamos 22 e, destas, nove foram eleitas para subir no palco do festival e participar da batalha ao vivo, que foi transmitida de forma online.

    Sobre a Batalha

    Cada empreendedor(a) teve quatro minutos para apresentar sua solução de impacto a uma banca, que fez perguntas e comentários ao vivo, e ao público, que decidiu o ganhador em votação online. João Ceridono e Anna Aranha, do Quintessa, participaram como comentaristas.

    Entre os dias 9 e 11 de novembro, três empreendedores levaram o prêmio de R$ 25 mil, totalizando R$ 75 mil ao final do evento. O dinheiro é de uso livre, as startups vencedoras vão poder alocar no que fizer mais sentido para o negócio dar certo. Além do prêmio, os negócios tiveram também toda a alavancagem no sentido de reconhecimento e visibilidade.

    Dia 1 – Tema: Revolução por meio da educação

    No primeiro dia, o vencedor foi Pettrus Nascimento, da Prol Educa startup pernambucana de inclusão por meio da educação. Oferecendo acesso à educação por meio de bolsas de estudos, ajuda famílias que sonham em matricular seus filhos nas melhores escolas particulares do bairro e não têm condições de pagar as mensalidades integrais.

    Os outros dois participantes foram a Signa, representada pela cofundadora Fabíola Borba, e a Carambola, defendida pelo fundador Gustavo Glasser. A primeira cria soluções de aprendizado para deficientes auditivos nas mais diversas áreas, enquanto a segunda desenvolve tecnologia para promover a inclusão de diversidade no mercado de trabalho de tecnologia.

    Assista aos pitchs do primeiro dia neste link – a partir de 01:36:00

    Dia 2 – Tema: Empregabilidade, diversidade e inclusão

    Na quarta-feira o vencedor foi a Trampay. A startup atua com pontos de apoio com água, banheiro e outros itens de necessidades básicas para o dia a dia dos motoboys durante o expediente, além de serviços como seguros, empréstimos e cartões para refeições.

    Também apresentaram seus negócios as empreendedoras Adélia Rodrigues, fundadora da Gastronomia Periférica, escola de gastronomia voltada para integração profissional de moradores da periferia, e Tamila dos Santos, fundadora da Afroimpacto, que trabalha no desenvolvimento empreendedor para pessoas negras.

    Assista aos pitchs do segundo dia neste link – a partir de 01:08:00

    Dia 3 – Tema: O futuro das cidades

    No último dia da batalha, a ganhadora do prêmio de R$ 25 mil foi Simony Cesar, da startup NINA!, uma tecnologia que pode ser integrada a qualquer aplicativo, como de serviços de transporte, para receber denúncias de assédio e violência. A proposta da startup é funcionar como um canal padrão de denúncias entre aplicativos, para, dessa forma, coletar dados, gerar inteligência e influenciar tomadas de decisão nas esferas públicas e privadas.

    Foram mais de 20 mil votos distribuídos entre os participantes, que foram também a Água Camelo, apresentada pelo fundador, Rodrigo Belli, que leva água tratada para uma pessoa por menos de 1 real por mês e a Revolusolar, de Juan Cuervo, que promove o desenvolvimento sustentável de comunidades de baixa renda através da energia solar.

    Assista aos pitchs do terceiro dia neste link – a partir de 00:19:45

    Nos vídeos você também pode assistir toda a programação do festival, que trouxe temas importantes e oficinas de empreendedorismo.

    Fotos: G1/Reprodução

  • Instituto BRF anuncia startups selecionadas para o programa Ecco Comunidades

    Instituto BRF anuncia startups selecionadas para o programa Ecco Comunidades

    Oito negócios que possuem soluções inovadoras para a redução da perda e desperdício de alimentos participarão do programa

    O Instituto BRF, responsável pelos investimentos sociais da BRF, em parceria com o Quintessa e o Prosas, selecionou oito startups de impacto socioambiental para fazerem parte da primeira edição do Ecco Comunidades. O programa tem como objetivo apoiar soluções que atuam na redução de perdas e desperdícios de alimentos, além de promover o desenvolvimento territorial a partir da aceleração e implementação de suas soluções em cinco municípios onde a empresa está presente: Dourados (MS), Lucas do Rio Verde (MT), Nova Mutum (MT), Rio Verde (GO) e Uberlândia (MG).  

    Na última etapa da seleção, o Pitch Day, 13 empreendedores(as) apresentaram para integrantes do Instituto BRF, da BRF, OSCs (organizações da sociedade civil) e atores locais, as suas soluções para a redução da perda e desperdício de alimentos. Os candidatos eram startups em estágio operacional e com soluções prontas para implementação ou que fossem facilmente adaptadas.

    De acordo com a FAO (A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), cerca de um terço do alimento no mundo é desperdiçado e 14% é perdido antes mesmo de chegar ao comércio. Entendendo as especificidades da perda e desperdício na cadeia produtiva e de consumo do Brasil e a necessidade de reduzir a perda e desperdício de alimentos, foi criado o programa Ecco Comunidades. 

    “O Instituto BRF trabalha desde 2012 para promover o desenvolvimento e a inclusão nas localidades onde a empresa está presente. Com o Ecco Comunidades, queremos promover impacto social positivo por meio da inovação, ampliando nossos esforços para combater o desperdício de alimentos e promover segurança alimentar em parceria com a sociedade civil. O programa faz parte de uma série de ações do Instituto BRF e da empresa que tiveram início com a plataforma que batizou a iniciativa, o Ecco, Especialista de Consumo Consciente que educa e sensibiliza para esse desafio global”, diz Bárbara Azevedo, gerente do Instituto BRF. 

    A turma formada possui soluções para diversos elos da cadeia de alimentos: Já Entendi, ManejeBem e Sumá atuam com a capacitação de pequenos produtores da agricultura; Connecting Food e Whywaste propõem soluções para a redução do desperdício em comércios; Eats For You e Gastronomia Periférica promovem geração de renda a partir do aproveitamento de alimentos; e a Lemobs promove a gestão da alimentação escolar. 

    As oito startups selecionadas participarão de um programa de aceleração no qual, ao longo de 4 meses, participarão de workshops em grupo e receberão apoio individualizado de um gestor do Quintessa e de executivos da BRF para atuar nos desafios estratégicos de cada negócio. Ao final dessa etapa, estarão elegíveis para serem selecionadas para a segunda fase do programa, durante a qual poderão implementar suas soluções nos territórios de atuação da BRF. 

    Cada iniciativa receberá até R$90 mil e terá, ao longo de 4 meses, o apoio do Quintessa na implementação dos pilotos e das OSCs locais com atuação relevante nos territórios para que possam acompanhar e apoiar o desenvolvimento dos projetos, trazendo legitimidade e articulação local.

    Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, aceleradora de impacto referência no Brasil e parceira da iniciativa, comenta: “a iniciativa mostra o potencial de colocarmos a inovação como lente para a geração de impacto positivo, reunindo diversos atores para lidar com esta temática complexa. Durante a seleção identificamos diversas startups de impacto com alto potencial e as oito selecionadas revelam a qualidade das soluções”.

    Conheça as oito startups: 

     

    Negócio Descrição Site Local da sede
    Connecting Food Implementam um sistema de redistribuição de alimentos excedentes para Organizações da Sociedade Civil auxiliando setores da alimentação a diminuir custos com resíduos e gerar impacto social. https://connectingfood.com/ SP
    Eats For You ESG Foodtech que funciona como um Marketplace de comida caseira – oferecem alimentação de qualidade gerando renda formal por meio da inclusão produtiva e fomento do empreendedorismo. https://www.eatsforyou.com.br/ SP
    Gastronomia Periférica Negócio social que visa transformação por meio do desenvolvimento técnico e humano. Tem a missão de alimentar pessoas de comida e conhecimento, na mesma proporção. https://gastronomiaperiferica.com.br/ SP
    Já Entendi Capacitação profissional online e offline com metodologia especializada para pessoas de baixa escolaridade. www.jaentendi.com.br PR
    Lemobs Transformação digital das cidades com soluções de impacto. Oferecem gestão da alimentação escolar com foco na saúde nutricional dos alunos, redução de desperdícios e agricultura familiar. https://lemobs.com.br/ RJ
    ManejeBem Geram inteligência para o desenvolvimento de comunidades rurais familiares. Ajudam a estruturar a cadeia produtiva agrícola, através da promoção da inteligência para a tomada de decisão no campo e da geração de produtos rentáveis com responsabilidade social, por meio da coleta de dados sócio-agroambientais. http://www.manejebem.com.br/ SC
    Sumá Estruturam cadeias e qualificam agricultores e cooperativas para o fornecimento de alimentos por meio de contratos de compra programada e entrega fracionada em seus territórios de atuação. appsuma.com.br SC
    Whywaste Utilizam bigdata e inteligência artificial para ajudar o varejo/atacado a reduzirem suas perdas com produtos próximos ao vencimento. https://www.whywaste.com.br RJ

     

  • Aceleração de negócios de impacto na Amazônia: contexto e oportunidades

    Aceleração de negócios de impacto na Amazônia: contexto e oportunidades

    A Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e o Quintessa acabam de lançar a Tese de Aceleração da PPA, estudo que foi realizado em parceria nos últimos meses. A publicação fez um mapeamento das iniciativas de apoio a negócios socioambientais e apontou novas possibilidades de aceleração. 

    A Tese de Aceleração dá um direcionamento efetivo para a agenda de negócios socioambientais da Amazônia, criando as condições para que vários programas de aceleração sejam concebidos, lançados e implementados, em conjunto com organizações implementadoras e financiadoras. 

    ‘Contribuir para a conservação e regeneração da biodiversidade na Amazônia’ é o objetivo principal da tese. Por isso, de forma colaborativa e em conjunto com especialistas, buscou-se identificar setores e/ou atividades econômicas que funcionam como temas-chave para a prospecção de negócios de impacto socioambiental que respondem a esse objetivo. Foram elencados 4 temas:

    A proposição dos temas levou em consideração dois aspectos:
    1. Oportunidades de uso econômico que promovam o uso sustentável da floresta (mantém a floresta em pé)
    2. Existência de áreas já alteradas e/ou degradadas (desmatadas), que tem potencial e necessidade de regeneração.
    Também foram considerados tendências e negócios de impacto socioambiental emergentes no contexto amazônico.

    Sobre os temas

    Bioeconomia: Refere-se a negócios que contribuem para a “manutenção da floresta em pé”, via alternativas econômicas, a partir de insumos da biodiversidade da Amazônia. São atividades econômicas que envolvam a produção de bens e serviços a partir de material biológico como recurso primário.

    Restauração/Regeneração Florestal: Contempla negócios de fomento à recuperação de áreas alteradas, degradadas ou antropizadas (habitats modificados), que tem potencial – e necessidade – de regeneração. São atividades econômicas que envolvem intervenções, produtivas ou não, que focam na regeneração de solo fértil, no aumento da biodiversidade e no incremento do fluxo de serviços ecossistêmicos (como a regulação da erosão, a melhoria no ciclo da água e a fixação de carbono).

    Carbono/Clima: Refere-se a negócios que contribuem para a redução de emissões de gases do efeito estufa e mitigação de mudanças climáticas, além dos itens acima de Bioeconomia e Sistemas Regenerativos e de Restauração Florestal, que também contribuem nesse sentido. Contempla atividades relacionadas à energia (renovável, eficiente e acessível) e ao tratamento de efluentes (sistemas autônomos e descentralizados de saneamento e água limpa).

    Cadeias de Fornecimento Sustentáveis: Contempla negócios que mitiguem impactos negativos, promovam a eficiência das cadeias de valor da região e enderecem os desafios característicos da Amazônia, como a questão logística. Também contempla soluções relacionadas a acesso a crédito financeiro, bem como negócios voltados para os princípios da economia circular.

    Negócios de impacto no contexto amazônico

    É importante dizer que, levando em consideração o contexto amazônico, foi pertinente fazer ajustes no conceito de ‘negócios de impacto’ e, de certa forma, ampliá-lo para que se adeque a realidade local e abarque o amplo espectro de tipos de organizações. Os negócios de impacto foram categorizados em três principais aspectos:

    Essa distinção é relevante não somente para representar e abarcar a diversidade de negócios existentes na região, como para direcionar o apoio a essas organizações, no sentido de entender que cada tipo de negócio tem desafios característicos diferentes, de naturezas e profundidade particulares, de forma que os programas de fomento para o seu desenvolvimento devem ser moldados de acordo com os tipos de negócio que serão apoiados.

    A partir disso, estão sendo propostos 4 eixos de aceleração: (1) para negócios em estágios iniciais, (2) em estágios maduros, (3) ligados a restauração/regeneração florestal e (4) empreendidos por populações locais e comunitários.

    Foi feita uma tipificação e um mapeamento de iniciativas que já existem para desenvolvimento e fortalecimento dos negócios na região. As propostas de programas de aceleração foram pensadas para abarcar, então, os diversos tipos de negócios – e de ser complementar ao que existe na região, e não em sobreposição.

    A tese traz também uma contextualização dos aspectos ambientais, socioeconômicos e territoriais da Amazônia. A floresta Amazônica precisa de novas soluções econômicas para conter as pressões de desmatamento e melhorar a qualidade de vida das mais de 25 milhões de pessoas na região, e o fomento ao empreendedorismo e negócios de impacto socioambiental é uma alternativa. 

    ACESSE A TESE COMPLETA AQUI

    Além da tese, a PPA está lançando também a campanha Caminhos para a Amazônia, com um mês todo de conteúdos, lives, podcasts e outros, com o objetivo de fortalecer o ecossistema amazônico de negócios de impacto.

    Para apresentar a tese, participamos do Festival Path Amazônia 2021 – que você pode assistir a gravação gratuitamente se cadastrando neste link – e também realizamos um evento de lançamento, que pode ser assistido abaixo:

  • Diversidade: o nutriente para uma realidade mais digna e próspera

    Diversidade: o nutriente para uma realidade mais digna e próspera

    O que podemos aprender com a {Parças} e a inclusão de jovens egressos do sistema carcerário nas grandes empresas

    14 de abril de 2020 foi o dia em que ouvimos uma das histórias que mais nos chamou atenção nos últimos anos aqui no Quintessa. O protagonista dessa história conduziu a narrativa com tanta humildade que dava a impressão de que era só mais uma, como tantas outras. Mas sentimos que ali havia elementos que se diferenciavam, que o compromisso com a missão do negócio era genuína e persistente — e, de fato, estávamos diante de um dos empreendedores que mais nos surpreenderia nos meses seguintes.

    Tudo começava com um incômodo pessoal. Depois de alguns anos frequentando a Fundação Casa, antiga FEBEM, em visitas a um familiar que estava vivendo o regime de privação de liberdade, ouvindo as vozes daqueles meninos e enxergando ali um terreno fértil para o desenvolvimento de novos talentos, Alan Almeida, no auge dos seus 20 e poucos anos, junto à sua esposa Carla Cristina, fundou a {Parças} Developers School.

    Nascia ali não só uma escola de programadores, mas também dois empreendedores que, contra todas as adversidades que a periferia os impunha, provaram (e vêm provando) que a vontade de reescrever a história da população carcerária, que, no Brasil, é a terceira maior do mundo, ficando atrás apenas da China e dos EUA, é muito maior que qualquer obstáculo que a vida já lhes apresentou.

    A {Parças} seleciona pessoas do sistema prisional e de áreas urbanas de baixa renda em situação de extrema vulnerabilidade social e qualifica e conecta estas pessoas com oportunidades de trabalho na área de tecnologia, quebrando, assim, o ciclo de reincidência e dando uma nova perspectiva para esses jovens.

    O modelo da {Parças} Developers School é baseado no modelo de sucesso compartilhado, mesclando educação com inclusão no mercado de trabalho. Estamos falando de um modelo onde a {Parças} só ganha se o aluno ganhar, criando esse estímulo positivo para que se desenvolva jovens com uma capacitação de alta qualidade que garanta a entrada deles no mercado de trabalho. Na prática: o aluno passa por uma capacitação de 4 a 12 meses se tornando apto a trabalhar na área de tecnologia de uma empresa. A contratante, por sua vez, pode remunerar a {Parças} de três formas diferentes: por contratação pontual, por pacotes de contratação (quando, por exemplo, quer contratar um grupo de 10 desenvolvedores) ou financiando a capacitação de uma turma de alunos (o que eles chamam de Bootcamps).

    Hoje, a {Parças} capacita pessoas em situação carcerária (no Complexo do Brás – Fundação Casa e no presídio feminino do Carandiru) e jovens em situação de extrema vulnerabilidade. Durante o auge da pandemia, a {Parças} arrecadou 46 computadores e 69 cestas básicas para distribuir para os jovens que estavam, aos poucos, se desengajando nos estudos em decorrência da fome. Se quiser ouvir mais, você pode assistir a live que gravamos com ele.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Thaís Fontoura.

  • O que a Terraformation nos ensina sobre investimento em cleantechs

    O que a Terraformation nos ensina sobre investimento em cleantechs

    Rodada de USD 30 MM de uma startup de impacto ambiental desafia critérios clássicos de investimento em startups

    Venture Capital (VC) é considerado um business estatístico: de 200 startups que são financiadas pelos principais VCs do mundo, apenas 15 delas geram quase todo o retorno econômico desses fundos, aponta levantamento do CFI. Esta modalidade de investimento consiste na compra de equity (participação acionária) de empresas emergentes. Ao virar sócio, a aposta é a valorização das ações e sua realização em uma possível saída (vendendo essa participação para outro investidor ou via IPO).

    Por estar inserido em um contexto de tanto risco, a tese de investimento da maioria dos fundos de VC tende a seguir alguns parâmetros de mercado. Esses parâmetros delimitam o risco que os investidores estão confortáveis em comprar: captable (composição acionária dos sócios) coerente com a rodada, time de fundadores com experiência, mercado com tamanho suficientemente grande e potencial de escala são algumas das premissas clássicas de investimento.

    Assim, não é novidade que a maioria dos investidores de risco priorizam startups que são digitalmente escaláveis.

    Quanto mais rápido a empresa crescer, maior sua valorização em um determinado período. Não é apenas sobre priorizar modelos inovadores com propostas de valor sólidas. É também sobre garantir que a startup cresça exponencialmente utilizando o mínimo de ativos possíveis neste ganho de escala.

    À primeira vista, pode-se enxergar estes critérios de investimento de risco com muita sinergia com as startups de impacto. Elas possuem soluções que resolvem tanto demandas de mercado como problemas socioambientais críticos para a sociedade, assim, expandir a operação de maneira rápida significa dar potência a soluções de problemas reais de forma eficiente. Seguindo esta lógica, escalar a operação da empresa significa aumentar o impacto gerado.

    No entanto, apesar desta tese ser verdade para uma parcela das startups de impacto, nem todo problema crítico que estamos vivendo pode ser solucionado apenas por soluções digitalmente escaláveis. Ao colocar esse critério como premissa, abre-se mão de um grande volume de potenciais cases. Por exemplo, startups que trazem soluções robustas para superar desafios complexos (o que leva a um tempo de crescimento menos acelerado e em geral, a abordagens mais profundas e menos escaláveis).

    A grande maioria de startups de impacto ambiental se propõe a enfrentar desafios complexos. Em muito dos casos, contam com uma operação de economia real: problemas como acesso à energia renovável, eficiência na reciclagem ou tratamento de resíduos muitas vezes precisam ser resolvidos por operações que demandam investimentos em painéis solares, frotas logísticas e estações de tratamento, ou seja, são estratégias de investimento intensivas em ativos. Não por isso deixam de trazer elementos de inovação para solucionar problemas reais ou de ter menor capacidade de resolvê-los em escala.

    É neste cenário que a notícia do primeiro round da Terraformation causa um misto de curiosidade para o mercado e esperança para empreendedores comprometidos com a pauta ambiental. Fundada pelo ex-CEO da Reddit, Yishan Wong, a Terraformation visa ajudar as organizações a compensar suas próprias emissões de carbono. Auxiliando no financiamento, planejamento de projetos, consultoria e desenvolvimento de tecnologia, a meta da empresa é restaurar três bilhões de acres de ecossistemas florestais nativos globais.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Fabiana Goulart.

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