Tag: negócios de impacto

  • ESG na prática: startups oferecem soluções para promover diversidade nas empresas

    ESG na prática: startups oferecem soluções para promover diversidade nas empresas

    A ascensão da temática ESG, sigla que representa as práticas ambientais, sociais e de governança empresariais, tem acelerado o compromisso das empresas em trazer mais diversidade aos seus quadros de colaboradores. Porém, além de estabelecer planos e compromissos públicos, é preciso tirá-los do papel, e para isso as startups de impacto podem ser grandes aliadas.

    O Quintessa, aceleradora de impacto fundada em 2009, possui uma base de mais de 4 mil startups de impacto e identificou mais de 100 que atuam para promover inclusão e diversidade no mercado de trabalho.   

    As startups mapeadas trazem soluções com diferentes abordagens, tanto na vertical em que atuam (diversidade racial, de gênero, LGBTQIA+, etária, entre outras), quanto na abordagem de soluções que trazem (recrutamento e seleção, práticas internas, educação e conscientização, consultorias estratégicas, entre outras).

    Para o mercado de tecnologia, por exemplo, que tem alta demanda por profissionais desenvolvedores, as empresas podem contar com soluções como a Toti, que forma pessoas refugiadas como programadoras e conecta com vagas de emprego, ou a {Parças}, que tem um modelo semelhante atuando com pessoas egressas do sistema prisional. Há ainda a Specialisterne e a Laboratoria, que ensinam programação para pessoas autistas e mulheres, respectivamente.

    Não faltam exemplos de startups: TransEmpregos e Camaleao.co têm foco em empregabilidade de pessoas LGBTQIA+, Maturi e Labora atuam com a temática da inclusão etária, apoiando a contratação de pessoas com mais de 50 anos, e a Comunidade Empodera e EmpregueAfro são voltadas para a inclusão de pessoas negras nas empresas.

    No processo de recrutamento e seleção, a Jobecam é um exemplo de tecnologia que transforma a entrevista em uma chamada de vídeo às cegas, diminuindo os vieses e preconceitos do recrutador, e tem aumentado em até 68% a diversidade na contratação.

    Além de trazer pessoas diversas para o time, é papel das empresas trabalhar a inclusão e ambientação desses colaboradores, além de educação coletiva sobre a temática de diversidade. Para isso, existem soluções como a Diáspora Black, que oferece palestras, experiências culturais, cursos e dinâmicas sobre os valores afro-brasileiros e a cultura negra, e a Filhos no Currículo, que apoia as empresas na promoção de uma cultura que valorize as famílias e de um ambiente de confiança para profissionais com filhos.

    Com o objetivo de apresentar soluções inovadoras de startups de impacto para a promoção da diversidade nas empresas, o Quintessa realiza no dia 29 de julho, às 14 horas, o segundo Pitch Day da Plataforma Negócios pelo Futuro – ESG na Prática. No evento, seis startups apresentarão suas soluções para desafios de diversidade e capacitação, as quais foram selecionadas e serão avaliadas por uma banca formada pela Vedacit e Braskem, apoiadoras da edição.

    “A agenda de diversidade tem muito a avançar em todas as organizações, incluindo as grandes empresas. O desafio é complexo e requer conscientização, reflexão, mudanças em políticas internas e também adoção de novas práticas. Neste sentido, as startups de impacto, que já têm soluções prontas para serem implementadas, são um caminho eficaz para as empresas trazerem os seus objetivos para a prática. Com o evento, buscamos ampliar o repertório de executivos(as) no tema e apresentar estas soluções”, diz Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa.

    O evento é o segundo de três encontros da Plataforma Negócios pelo Futuro – ESG na Prática, iniciativa do Quintessa que conecta soluções de startups de impacto e grandes empresas, para que, por meio de parcerias e contratação das soluções, impulsionem a adoção de práticas ESG nas suas operações. A iniciativa é realizada em parceria com a Alvarez & Marsal e tem apoio da Vedacit e da Braskem.

    O evento é gratuito e aberto ao público.
    As inscrições podem ser feitas neste link

    Resumo
    Evento online
    2º Pitch Day Negócios pelo Futuro – Edição ESG na Prática – Tema: Diversidade e capacitação
    29 de julho – 14h
    Inscrição gratuita
    Link

  • Quem paga a conta do desenvolvimento de um pipeline de negócios de impacto maduro?

    Quem paga a conta do desenvolvimento de um pipeline de negócios de impacto maduro?

    Reflexões sobre caminhos para o amadurecimento do ecossistema

    No final de 2019 os investimentos de impacto no Brasil somavam US$ 785 milhões, mais que o dobro de dois anos antes (US$ 343 milhões). Com a ascensão do ESG e o olhar dos investidores para o retorno além apenas do financeiro, a tendência é que ainda mais investimento de impacto seja direcionado para o setor (entenda neste outro texto a diferença de investimentos de impacto e ESG).

    A dúvida que vem então é: teremos um volume de negócios maduros suficiente para alocar esse capital?

    No Quintessa, temos uma base de mais de 4 mil negócios de impacto e vemos uma parcela relevante que chega até nós ainda não é elegível a entrar em nossos programas de aceleração por estar em um estágio muito inicial, sem conseguir especificar suas hipóteses de modelo de negócio (não é por acaso que nossos primeiros conteúdos foram direcionados para empreendedores em estágio de validação).

    3º Mapa de Negócios de Impacto Social+Ambiental, realizado pela Pipe Labo em 2021, mostra que 69% dos negócios mapeados faturam menos de R$ 100 mil por ano ou ainda não faturam.

    Outro estudo, também realizado pela Pipe, o Scoring de Impacto, identificou que um dos principais desafios para os investidores de impacto é a “falta de oportunidade de investimento de alta qualidade com bons históricos (track record)” — o que reforça o que enxergamos na prática.

    Para deixar claro: estou falando aqui de volume. Não deixemos isso ofuscar a realidade de que sim, existem negócios de impacto maduros, qualificados e que estão acessando capital relevante. Alguns exemplos de Empreendedores Quintessa que podem ser mencionados publicamente: Courri adquirida pela B2W, Boomera investida pela Ambipar, Vitalk com captação de quase R$ 10MiHand Talk com captação de 2.5MiEmoving sendo investida pela Movida, entre outros (conheça aqui).

    Trabalhando com as grandes empresas em programas de inovação aberta, na nossa frente de Programas em Parceria, vemos poucos programas direcionados a negócios de estágio de maturidade inicial, dado que isso pode representar risco (no Guia para Inovar com Impacto exploramos com mais detalhes esse elemento).

    Assim, se temos capital voltado para investimentos de impacto aguardando negócios maduros e temos negócios iniciais precisando de suporte para amadurecerem fica a pergunta: qual ator deve investir no desenvolvimento de um pipeline de negócios de impacto maduro? Qual tipo de capital pode destravar essa equação, viabilizando este suporte?

    No mundo empresarial, falamos sobre o desenvolvimento da cadeia de valor, da remuneração justa de todos os elos da cadeia — e se aplicássemos esse olhar para este assunto? Quem desenvolve a cadeia de valor para o mercado de venture capital brasileiro focado em investimento de impacto?

    (Vale mencionar que dou aqui o foco no mercado de investimento e negócios de impacto, mas sabemos que é um desafio muito mais macro, também presente quando falamos de empreendedorismo no Brasil de forma mais ampla).

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta.

  • Caminhos práticos para as empresas se aliarem às startups para reduzirem suas emissões

    Caminhos práticos para as empresas se aliarem às startups para reduzirem suas emissões

    Startups e corporações podem se juntar para fomentar inovação e sustentabilidade em diversas cadeias de valor

    As emissões de gases de efeito estufa vêm sendo amplamente entendidas como uma questão prioritária para o mercado. O crescimento de metas net-zero de grandes empresas, muitas vinculadas à bonds mais baratos, é apenas uma (e talvez a mais marcante) materialização disso.

    Para o Quintessa, que já está há mais de 11 anos trabalhando com soluções de mercado para superação dos nossos desafios sociais e ambientais junto a startups e grandes empresas, é ótimo ver o tema transcendendo espaços e indo além das tradicionais mesas com academia, governo e terceiro setor.

    Por já termos concordado, como sociedade, que esse é um dos temas prioritários para avançarmos, esse texto se foca em uma abordagem prática de como podemos atacar este desafio.

    Nós temos tido experiências muito positivas em ajudar grandes empresas a baterem suas metas de sustentabilidade através da inovação aberta. Esse é um caminho eficaz, rápido e menos arriscado de endereçar desafios, pois as startups já desenvolveram muitas das soluções, o que exime as grandes empresas de precisarem começar do zero.

    Assim, apresentamos aqui soluções de startups para o desafio da diminuição das emissões de carbono, e que podem ser válidas para distintos perfis de empresa.

    Logística

    No quesito eletrificação de frotas, startups como Voltz Origem vêm crescendo e mostrando que é viável produzir motocicletas elétricas nacionais. A E-Moving, startup acelerada pelo Quintessa, vem trabalhando com consumidores finais e empresas para difundir a bike elétrica como meio de transporte. Também para o last-mile, mas abrindo o flanco para maiores distâncias, a FNM está voltando, desta vez com caminhões elétricos.

    A Courri, também acelerada pelo Quintessa, colocou de pé um modelo logístico movido ao combustível mais limpo de todos: pedaladas. Em 2019, a B2W viu o movimento e adquiriu a startup.

    Startups em estágios mais embrionários, na fronteira do desenvolvimento de tecnologias em biocombustíveis e ganho de eficiência em baterias, também têm um papel relevante na temática de logística limpa.

    Uma observação importante para a opção de eletrificação de frotas se refere à matriz energética que está alimentando esses motores. No Brasil, 70% da matriz elétrica é limpa.

    Apesar de ser melhor que muitos outros países, ainda temos muito o que evoluir, o que leva ao assunto seguinte…

    Matriz energética

    Tornar a matriz mais limpa passa por ações de diversos atores e as grandes empresas têm um papel importante de indução e desenvolvimento destas soluções.

    A instalação de placas solares, que é normalmente a primeira iniciativa que vem à mente, pode ser feita com ajuda de startups como SolarGrid e a SolStar, e é um caminho cada vez mais vantajoso, à medida que a tecnologia por trás das placas evolui. O modelo de assinar placas, como o da Solar21 também tem apelo e é uma forma mais barata de começar.

    Outras fontes de energia, como o biogás produzido pela acelerada do Quintessa HY Sustentável também vem ganhando relevância, principalmente em cadeias alimentícias.

    Ademais, a migração da origem da energia elétrica da sua cadeia pode ser feita sem necessariamente a implantação de equipamentos nas instalações das empresas. Modelos de assinatura de créditos de energia limpa, como o da Lemon e da NewSun são saídas para se adotar em cadeias mais pulverizadas. Existem também grandes comercializadoras oferecendo energia limpa no mercado livre.

    Ganho em eficiência energética, uma pauta que é intimamente ligada ao retorno financeiro, uma vez que a economia de energia leva a menores gastos, também pode ser endereçado por startups, como a GreenAnt, que ajuda a mensurar perdas e ineficiências.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com João Ceridono.

  • Gestão de resíduos: um panorama sobre negócios de impacto que endereçam esse desafio

    Gestão de resíduos: um panorama sobre negócios de impacto que endereçam esse desafio

    Análises e aprendizados sobre o pipeline de startups que atuam na temática

    3º Mapa de Negócios de Impacto lançado este ano pela Pipe Social contou com um estudo especial sobre negócios da área ambiental. Ao todo, foram 536 negócios mapeados alinhados à agenda ambiental, com atuação nos setores da agropecuária, florestas e uso do solo, indústria, logística e mobilidade, energia e biocombustíveis, água e saneamento e gestão de resíduos.

    Alguns dados merecem destaque sobre estas startups: 39% delas ainda não tiveram faturamento e 28% faturaram até R$100 mil em 2019. Em 45% delas, a necessidade por capital se mostra presente e dos que já receberam algum tipo de recurso, 68% acessaram um bolso filantrópico.

    Sob a perspectiva de impacto, 42% dos negócios mapeados estão voltados à gestão de resíduos, o que mostra que grande parte das greentechs estão de olho no “lixo” como negócio. E não é só no Mapa da Pipe Social que isso se comprova.

    Este é o 3º ano que o Quintessa é o parceiro do Braskem Labso programa de inovação aberta da Braskem que faz parte da estratégia de Desenvolvimento Sustentável da empresa – acelerando startups que geram impacto socioambiental positivo na cadeia do plástico e da química. Procuramos por negócios com foco em agronegócio, biotecnologia, construção e infra, economia circular, embalagens, mobilidade e química sustentável. O Labs conta com duas turmas: o Ignition, para negócios em estágio de validação do modelo de negócio, e o Scale, para negócios onde o desafio é estruturar a gestão e impulsionar o crescimento.

    Na edição deste ano recebemos aproximadamente 400 inscrições, sendo 25% dos negócios inscritos os de economia circular. Desses, menos da metade eram elegíveis para o programa do Scale, sendo direcionados para o Ignition, o que demonstra que, de fato, a maioria dos negócios desse setor está em estágio inicial de desenvolvimento.

    A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) instituída em 2010 abriu uma série de oportunidades para empreendedores desenharem modelos de negócio que auxiliassem os geradores a cuidarem da destinação correta dos resíduos.

    O que por um lado parece oportuno demais, por outro faz com que o mercado se torne bastante habitado por soluções similares, o que costumamos chamar de “oceano vermelho”. Buscar por diferencial competitivo nesses casos é a base para garantir um posicionamento sólido no mercado.

    É interessante notar nas inscrições do Braskem Labs a quantidade de negócios focados em coleta e destinação correta de resíduos pós consumo por meio de benefícios para o consumidor final. Geralmente se configuram em modelos de recompensa para quem leva o seu resíduo separado (pet, vidro, alumínio etc) por meio de pontos ou outros benefícios. So+ma e Molecoola são dois ótimos exemplos que passaram no Braskem Labs em 2019 e 2020, respectivamente. Como eles, vários outros vêm surgindo.

    Outro exemplo são as empresas de rastreabilidade da cadeia de resíduos, como a Plataforma Verde ou a Circular Brain. Aqui estamos falando de plataformas de logística reversa que permitem a integração de todos os players da cadeia, bem como monitoramento deles, promovendo um aumento da entrada de resíduos no ecossistema.

    Além deles, há diversas outras startups que já aceleramos e que trazem soluções para a logística reversa, relacionamento e melhoria das cooperativas, como BoomeraInstituto MudaRecicleirosGaia/ViraserGreenMiningBRPolenArco ResíduosSolos Biocicla.

    Com tantas soluções habitando esse mercado, a pergunta que fica é: como se diferenciar nesse mercado? Sabemos que ele está se desenvolvendo e que talvez essa resposta também esteja. Mas já dá para reconhecer algumas pistas. Destacamos aqui algumas delas.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com Thaís Fontoura.

    LEIA O TEXTO COMPLETO NO UM SÓ PLANETA

  • Podcast | Hidra Podcast com Anna de Souza Aranha

    Podcast | Hidra Podcast com Anna de Souza Aranha

    Conversas com quem cria – e cresce – na incerteza

    O Hidra Podcast, de Mariana Fonseca e Pedro Hércules, entrevistou a diretora do Quintessa, Anna de Souza Aranha.

    O Hidra número 10 está no ar! E pra vestir a camisa da articulação de jogadas e assistências ninguém melhor que a Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa. O Quintessa é uma das principais aceleradoras de negócios de impacto social e ambiental do país, pelo qual já passaram diversos negócios que são referência para o setor. Eles também tem um programa de captação de investimentos para estes negócios e auxiliam grandes empresas a se aproximarem dos temas ESG (ou, ASG). A conversa foi muito rica e a gente tem certeza que vocês vão curtir. Aperta o play!

  • Webinar | Inovação, ESG e Diversidade

    Webinar | Inovação, ESG e Diversidade

    No dia 25 de maio, Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, realizou uma palestra no Learning Village, hub de inovação e educação da HSM e SingularityU.

    A palestra abordou como a inovação aberta e o relacionamento com startups de impacto podem impulsionar a agenda ESG de grandes empresas, trazendo exemplos na temática de diversidade.

    Acesse aqui a gravação na íntegra.

  • Case  Braskem  Labs | Aprendizados e Resultados

    Case Braskem Labs | Aprendizados e Resultados

    O Braskem Labs é um case de sucesso que tangibiliza a visão de que é possível unir inovação aberta e novos negócios com sustentabilidade e impacto positivo. O programa de inovação aberta da Braskem está na sua sétima edição e faz parte da estratégia de Desenvolvimento Sustentável da empresa, se relacionando e fazendo negócios com startups que geram impacto positivo por meio da química e/ou do plástico.

    O Quintessa é parceiro da Braskem desde 2019 na realização do programa. Neste material, compartilhamos a estrutura, os aprendizados e os resultados que fazem do Braskem Labs uma das referências em iniciativas de inovação aberta e impacto positivo. Faça download do material abaixo.

  • O processo de validação e os voos de galinha

    O processo de validação e os voos de galinha

    Conduzir a seleção de negócios e empreendedores aqui no Quintessa me fez perceber que muito se fala sobre a jornada de validação de um negócio, mas pouco se fala sobre o que faz um negócio estar ou não validado no mercado. Em que momento você está preparado para simplesmente replicar o que está fazendo para ganhar tração comercial e quando é a hora de dar alguns passos para trás e rever premissas que já estavam dadas como verdades absolutas?

    Viver o período de validação é uma das tarefas menos triviais da jornada empreendedora. É um processo tortuoso, de muitas idas e vindas e que exige uma lucidez dos empreendedores que, muitas vezes, é ofuscada pela paixão pela solução perfeita.

    Quero começar falando sobre isso: o bom e velho clichê “paixão pelo problema e não pela solução”.

    Aqui na área de seleção de negócios é comum eu me deparar com empreendedores que confundem a falta de clareza das premissas do modelo de negócio com gargalos comerciais. Explico: em algumas conversas que fiz por aqui, o(a) empreendedor(a) dizia que o problema estava em crescer vendas mas, na verdade, o desafio era anterior.

    Não existia clareza de questões básicas do modelo como a dor a ser atendida ou mesmo segmentação de mercado e, portanto, a solução não endereçava uma proposta de valor relevante e, consequentemente, não era comercializada. É essencial praticar uma escuta atenta às necessidades do cliente e estar conectado a elas. É dali que vão sair as respostas para muitas perguntas que estão na mesa.

    Não existe demérito nenhum em estar vivendo uma etapa de validação. Pelo contrário: processos de validação negligenciados podem surtir efeitos a longo prazo no negócio. Algumas dessas consequências podem passar por furos na modelagem financeira, erros na priorização de desenvolvimento de produto e, até mesmo, entraves em captações de investimento.

    E eu tenho certeza que você não quer experimentar os voos de galinha, subindo e descendo muito rápido, sem linearidade e consistência no longo prazo.

    Quantos “sim” você recebeu?

    Elogios, convites para entrevistas, palestras e tapinha nas costas não pagam as contas do negócio. Enquanto a solução não começar a ser monetizada, não dá para dizer que ela foi validada. Talvez você tenha validado a intenção do seu cliente pagar por ela. Mas entre a intenção e o “colocar a mão no bolso” existe um abismo que muitas vezes os empreendedores se esquecem.

    Aproveite os momentos de escuta para fazer algumas vendas investigativas. Depois de conversar com 10 ou 15 clientes correspondentes a uma mesma segmentação, provavelmente você já vai começar a notar alguns padrões nas respostas que ajudam a firmar as premissas do seu modelo de negócio, como por exemplo, a compreensão da problemática, configuração da solução, modelagem de cobrança e parceiros chave para viabilizar tudo isso. A pergunta que eu faço é: quantos (potenciais) clientes já disseram “sim” para essas suas premissas?

    Cuidado com as perdas de tempo disfarçadas de oportunidade

    Saber dizer “não” é uma das etapas da validação também. Já conheci negócios com faturamento na casa dos 6 dígitos que chegaram nesse patamar vendendo vários contratos pontuais, atendendo a demandas muito específicas e pouco replicáveis. Caso os contratos fossem rompidos e eles precisassem buscar novos clientes, não existiria um foco explícito, dado que atendiam a demandas muito diferentes.

    Se deparar com clientes que trazem demandas específicas é comum durante o processo de validação. É importante ter frieza para entender se essa é uma demanda muito particular desse cliente ou se é uma demanda comum no mercado que vale a pena ser endereçada, uma vez que outros clientes pagarão por ela.

    Atender a demandas pontuais é perigoso e custa caro para os empreendedores. Focar em uma demanda que não é replicável em outros potenciais clientes significa dissipar energia e conhecimento, aspectos preciosos para quem poderia estar focando naquilo que, de fato, trará sustentabilidade para o negócio a longo prazo.

    O faturamento pode dizer alguma coisa

    Nesses últimos anos analisando os negócios de impacto, comecei a perceber que existem alguns padrões de faturamento que trazem bons indícios do estágio de validação de um negócio.

    Empresas com faturamento de até ~R$500k/ano geralmente estão vivendo dilemas de modelo de negócio. Perguntas que costumam estar na mesa são: qual a persona para qual eu vendo? Por qual porta de entrada devo entrar no meu cliente? Qual bolso dentro do meu cliente vai pagar pela minha solução (ex.: MKT? Tecnologia? RH?)? Como eu gero diferencial competitivo perante meus concorrentes e demonstro isso de forma clara na minha proposta de valor?

    Empresas com faturamento entre ~R$500k/ano e ~R$1Mi/ano já começam a viver dilemas da validação comercial. Ou seja, são negócios que já entenderam suas as premissas básicas e agora o desafio é empacotar tudo isso em uma máquina de vendas que gere cadência comercial. Perguntas comuns nesta etapa são: qual o meu ciclo comercial? Quais os canais de aquisição de cliente? Como desenhar o meu funil? Quais as métricas de conversão? Qual o tempo médio de aquisição de clientes? Está dentro do tempo médio do mercado?

    Mas, antes de seguir, um disclaimer: sempre tomo muito cuidado para não generalizar. Cada mercado exige uma dinâmica diferente de validação. Sabemos que, por exemplo, o mercado de saúde requer que a v1 da solução já chegue mais pronta, com menos cara de MVP, dado que estamos falando de monitoramento de vidas e isso implica em um risco a ser gerenciado para quem vende e para quem contrata. No mercado de educação, para quem vende para escolas, sabemos que existe sazonalidade e que isso torna o ciclo de vendas mais longo. Enfim, nem sempre esse padrão se aplica a todos.

    O equilíbrio entre o que o mercado quer e a visão de futuro dos sócios

    Nem sempre o que o mercado quer está alinhado com as motivações dos empreendedores a longo prazo.

    Uma história para ilustrar. Há algum tempo conheci uns empreendedores que tinham um negócio voltado para o público baixa renda, mas que, à medida que foram realizando os testes, perceberam que a solução era facilmente substituída por outra que, apesar de ter uma proposta de valor menos completa, era gratuita e não onerava o bolso do cliente. Por outro lado, pessoas de alta renda estavam dispostas a investir naquela solução.

    A motivação dos empreendedores estava na possibilidade de entregar um serviço de alta qualidade para um público que, na visão deles, estava desatendido. Migrar a solução para um perfil de cliente que já tem acesso a soluções parecidas no mercado e que a geração de impacto social seria menos relevante não foi um caminho que motivou os fundadores. E foi assim que eles abandonaram o barco.

    Um movimento, ao meu ver, admirável e que demonstra 2 pontos muitos importantes: (1) intencionalidade de impacto na figura dos sócios e (2) lucidez para entender que o business que estava sendo criado não era para ser empreendido por eles e, portanto, decidiram parar.

    O seu planejamento vai dar errado

    Essa é a única certeza que temos. Eu, particularmente, não me apego a projeções de longo prazo que algumas startups em validação me apresentam. Sinceramente, elas me dizem muito pouco e a chance de os números estarem errados é de quase 100%.

    Não estou ignorando a necessidade de se criar uma visão de futuro e entender como o modelo se sustenta a longo prazo. Mas, para mim, o que conta é muito mais o quanto os empreendedores já gastaram de “sola de sapato” para validar o negócio junto aos clientes, do que ler raciocínios perfeitos traduzidos em números que não vão se concretizar.

    Nesta trilha de conteúdos do Quintessa sobre Validação trazemos dicas de como fazer isso na prática.

    Não é um processo em linha reta e não existem todas as respostas

    É fato que existem algumas metodologias e ferramentas que facilitam esse processo. Mas por aqui, costumamos dizer que a beleza se dá na junção da arte com a ciência. Mais importante do que ter a ferramenta em mãos, é saber aplicá-la tendo a sensibilidade de entender que cada mercado é um mercado, com ciclos de validação diferentes e que não existe receita de bolo.

    Busque parceiros isentos que possam te acompanhar nessa jornada. Já ouvi de alguns ex-acelerados do Quintessa que ter tido o acompanhamento imparcial de uma pessoa no dia a dia, acompanhando as reuniões comerciais, apoiando nas escutas e vendas investigativas foi essencial para que o exercício de priorização fosse bem feito, respeitando o desejo dos fundadores e a demanda do mercado.

    Antes de falar que o desafio é escalar, faça um breve questionamento sobre o quanto a modelagem do negócio está firme. Se eu te desse R$1 milhão, você saberia gerir esse recurso para extrair o máximo de resultados possíveis dele?

    Seja sincero(a) nessa reflexão ou então experimentará os voos de galinha.

    Para quem gostou, recomendo a leitura do texto sobre como foi a condução da jornada de validação da Techbalance, um dos cases do Quintessa. Recomendo também que conheça os nossos programas e que caso queira conversar mais sobre isso eu e o time de seleção estamos aqui para te apoiar!

    Thaís Fontoura, Coordenadora de Seleção de Empreendedores no Quintessa
    Texto publicado originalmente no LinkedIn

  • ESG na Prática: Quintessa lança iniciativa focada em conectar grandes empresas e startups de impacto

    ESG na Prática: Quintessa lança iniciativa focada em conectar grandes empresas e startups de impacto

    Nova edição da Plataforma Negócios pelo Futuro tem foco em soluções de startups que impulsionam a adoção de práticas ambientais, sociais e de governança nas empresas

    Está no ar uma nova edição da Plataforma Negócios Pelo Futuro, iniciativa do Quintessa que conecta marcas (empresas, institutos e fundações) aos negócios de impacto para que, juntos, protagonizem a construção de uma nova realidade possível.

    Cada vez mais se fala no termo ESG, uma tendência que veio para ficar.  Existem diferentes abordagens do termo, como na adequação de critérios de investimento, na criação de novos produtos e serviços, na revisão de projetos de filantropia corporativa, e na adoção de práticas na operação da empresa. 

    A tendência crescente do conceito ESG tem mobilizado grandes empresas na adoção de melhores práticas ambientais, sociais e de governança e a aceleradora vê na inovação aberta e na conexão com as startups de impacto um caminho eficaz para que as empresas cumpram estes compromissos. 

    Na segunda edição da Plataforma Negócios pelo Futuro, o Quintessa vai conectar grandes empresas e soluções inovadoras de startups de impacto, para que, por meio de parcerias e contratações de suas soluções, impulsionem a adoção de práticas ESG na sua operação.

    As startups trarão soluções para os principais desafios das empresas nos pilares: Ambiental (como gestão de resíduos, eficiência energética, redução de emissão de carbono e eficiência hídrica); Social (como promoção de diversidade e inclusão no time, promoção de saúde e educação aos colaboradores e fornecedores); e Governança (como gestão de indicadores de sustentabilidade, transparência e combate à corrupção).

    Esta segunda edição, denominada “ESG na Prática”, é realizada em parceria com a Alvarez & Marsal, via BizHub.

    As empresas podem fazer parte por meio de três categorias: participante, apoiadora e patrocinadora. A aceleradora está agora focada em convidar empresas para estas duas últimas.

    As apoiadoras e patrocinadoras participarão da definição dos desafios prioritários dentro dos três pilares, da seleção das startups e dos três Eventos, compostos por apresentações de pitchs das startups, banca, e realização de speed dating com os empreendedores das startups, em encontros individuais para conexão direta, de forma que firmem parcerias e gerem valor mútuo. Além disso, terão sua marca posicionada durante toda a divulgação dos Eventos.

    A iniciativa acontecerá entre Abril e Agosto deste ano, sendo uma oportunidade para quem deseja ingressar na temática ou complementar a atuação de seus programas de inovação aberta já existentes.

    “Há 12 anos trabalhamos junto às startups de impacto, tendo hoje uma rede de mais de 4 mil que já identificamos e nos relacionamos – tendo acelerado e implementado pilotos com centenas delas. Neste momento do mercado, é nosso papel facilitarmos a conexão entre estes dois atores e oferecermos nossas metodologias e expertise para potencializar esse processo. Essa é uma ação que une diversas marcas em uma mesma iniciativa, sendo complementar aos Programas em Parceria proprietários que desenvolvemos com Braskem, CPFL, Facebook, entre outros, sempre focados em inovação aberta para geração de negócios e impacto positivo”, diz Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa.

    Para quem está se introduzindo no assunto, vale conferir este texto recente que o Quintessa publicou sobre como startups de impacto podem impulsionar a agenda de sustentabilidade e práticas ESG nas grandes empresas.

    Na primeira edição da Plataforma, o foco foi impulsionar soluções dos negócios de impacto que colaboravam diretamente para a redução dos danos causados pela COVID-19. Foram mobilizados R$ 650 mil junto à Península e Provence Capital, dois destacados family offices, para apoiar a implementação de soluções em geração de emprego, microcrédito e moradia de três negócios de impacto: Parças Development School, Programa Vivenda e Fundo Periferia Empreendedora.

    Para participar ou ser uma empresa apoiadora da iniciativa,  acesse mais informações em www.negociospelofuturo.com.br.

  • Palestra | Retorno financeiro e transformações sociais

    Palestra | Retorno financeiro e transformações sociais

    [su_youtube url=”https://www.youtube.com/watch?v=cb-xaXvFFn0″]

    Palestra de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no evento Laços, em Setembro/2020