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  • Como embasar um bom planejamento estratégico

    Como embasar um bom planejamento estratégico

    Existem várias formas de gerir um negócio de impacto e diversas ferramentas para realizar o planejamento estratégico e acompanhar a gestão no dia-a-dia. 

    Acreditamos que a utilização de uma ferramenta para dar suporte ao planejamento estratégico seja fundamental, ajudando a explicitar onde você quer chegar e o que é necessário neste caminho.

    Neste texto falamos sobre a ferramenta do OKR, mas antes de implementá-la, propomos refletir sobre algumas premissas que consideramos importantes.

    Como enxergamos o planejamento estratégico?

    O planejamento estratégico é uma importante forma da empresa conseguir priorizar e não se perder nas urgências do dia-a-dia, além de garantir o alinhamento de todo o time em uma mesma direção e entender o porquê de realizar determinadas ações.

    Entendemos que existem diferentes formas de conduzir o planejamento de um negócio, e isso é particular de cada gestor(a).

    Existem aqueles que começam de forma mais macro, analisando como está o mercado e as tendências. Outros, começam a pensar em onde gostariam de ver a empresa em 10 anos, para depois então pensar no ano seguinte. E também os que começam se baseando no desejo para o ano seguinte e depois é que analisam o movimento macro do mercado e concorrentes para checar se há alinhamento.

    Para nós, mais importante do que a forma de planejar ou a meta de faturamento são as premissas que o embasam. É ter um planejamento que deixe claro para todos quais movimentos necessários para o ano e quais oportunidades devem ser aproveitadas (e quais não). Uma boa estratégia, independente de metodologia, vai te ajudar a chegar onde quer. 

    Para embasar um bom planejamento estratégia sugerimos seis ações que fazemos no Quintessa e aplicamos também aos negócios acelerados.

    Leia mais: Como a Acordo Certo criou um forte norte estratégico

    1. Tenha clareza do direcionamento a longo prazo 

    Para nós, uma premissa essencial é garantir que o planejamento seja construído em consistência com as crenças internas da empresa e direcionamentos de longo prazo. Nesse sentido, é importante ter definidos o propósito, visão e missão da organização. 

    Tenha clareza sobre a razão de existir, o que se deseja atingir no futuro e o que a empresa faz (ou não faz) para atingir essa visão de futuro.

    Sempre que pensamos na estratégia anual, em um objetivo a ser atingido ou ação a ser realizada, nos perguntamos: isso irá contribuir para a concretizar nossa visão no longo prazo? Isso está alinhado ao nosso propósito e missão? Esse alinhamento ajuda a transparecer para os colaboradores o significado do que estão fazendo hoje e como isso se conecta a um movimento maior.

    Além dessa definição, existe um exercício bem simples para alinhar o significado de sucesso para você e o seu time, complementar ao que estamos falando aqui. São 4 perguntas guias: você lê uma, responde individualmente, compartilha entre o time, depois lê a seguinte – e assim em diante.

    • Estamos em 2025 (daqui 5 anos). Abrimos o jornal e lemos a manchete que divulga o quanto demos certo. O que diz essa manchete? O que significa que “demos certo”?
    • O que fizemos entre 2020 e 2025 para que a empresa tivesse atingido esse resultado ou tivesse chegado a esse cenário?
    • Estamos em 2025 (daqui 5 anos). Abrimos o jornal e lemos a manchete que divulga que demos muito errado. O que diz essa manchete? O que significa que “demos errado”?
    • O que fizemos entre 2020 e 2025 para que a empresa tivesse atingido esse resultado ou tivesse chegado a esse cenário?

    É um exercício bem simples e ajuda tanto a alinhar o significado de sucesso entre o time, quanto a antecipar ações que devem ser realizadas no médio prazo. Você pode realizar ele pensando em um horizonte de cinco ou dez anos.

    A determinação da Teoria de Mudança do seu negócio de impacto pode ajudar neste sentido também, trazendo clareza sobre a transformação que se deseja gerar e os resultados esperados em termos do impacto social ou ambiental positivo gerado a curto e a longo prazo.

    Em resumo, antes de se planejar, você precisa reconhecer e determinar o que desejam ser.

    2. Faça uma leitura macro do mercado: considere o cenário do país e as tendências

    Ao traçar uma estratégia para a sua empresa, é importante considerar que ela faz parte de um sistema muito maior, e por isso influencia e é influenciada pelas ações dos atores ao seu redor.

    O que está acontecendo com o mercado que faz parte? Consumidores têm comprado mais de um jeito do que de outro? Algum movimento social ou cultural tem influenciado o mercado? Algum cenário ecológico deve entrar em pauta? 

    O mais importante destes questionamentos sobre o mercado é conseguir compor uma imagem de tendência que possam acontecer para os próximos 1-3 anos. A partir disso, é mais fácil pensar o papel da empresa neste contexto.

    Analise também os concorrentes e substitutos. O que eles estão praticando? Em que público estão focando? As inovações que estão trazendo podem fragilizar seu diferencial competitivo? Há algum espaço do mercado que sua empresa deveria ocupar?

    Essa análise te ajuda a identificar oportunidades e ameaças para o seu negócio no curto e longo prazo.

    O importante é saber fazer essa leitura com discernimento. Não é porque seus concorrentes estão realizando um movimento, que você tenha que acompanhar. Pode ser o caso de acompanhar (por exemplo, atualizando a tecnologia que vocês utilizam hoje) ou de ir na direção contrária (por exemplo, se diferenciando no canal de venda em relação ao que o mercado utiliza).

    3. Conheça as necessidades do seu cliente

    A visão do cliente traz informações fundamentais para o planejamento. Em outro texto já falamos sobre a importância da escuta da opinião dos clientes e parceiros de negócio. 

    Nesse aspecto da estratégia você deve levar em conta as melhorias no produto/serviço, a experiência do cliente, atendimento, relacionamento e reputação.  Identifique o que precisa ser resolvido e melhorado no curto prazo, para que possa atingir seus objetivos de longo prazo. 

    Qual produto tem vendido melhor? Por que? Qual tem sido o melhor canal de vendas? Há alguma reclamação ou sugestão recorrente? Qual sua taxa de retenção?

    Pense em como você deseja que a empresa seja vista e qual proposta de valor quer que o seu cliente enxergue.

    4. Olhe para dentro: considere sua capacidade e limites internos

    Tão importante quanto analisar o cenário externo é entender onde você está em relação a ele e quais fatores internos te colocam neste lugar. As oportunidades e ameaças do mercado te darão as dicas de como explorar seus pontos fortes e cuidar dos seus pontos fracos.

    Avalie os pontos fracos e fortes em processos internos, gestão de pessoas, financeiro, entre outros aspectos.

    A avaliação dos processos internos é importante para entender qual operação você precisa ter para entregar a solução para o cliente. Devem ser levadas em conta a produtividade, uso de tecnologia, gestão do conhecimento, custo e tempo de desenvolvimento com o objetivo de melhorar a qualidade e o grau de inovação dos processos da empresa. Aqui é importante questionar a eficiência e capacidade da empresa de melhoria contínua principalmente em um cenário de crescimento.

    No aspecto de pessoas, estamos falando sobre a equipe necessária para a operação, e também sobre aprendizado e crescimento. Entenda os talentos chave que você precisa atrair ou reter para alcançar os objetivos e o nível de senioridade necessário do time para as entregas.  

    Nesse momento é importante considerar a perspectiva do crescimento do time no longo prazo. Qual a infraestrutura necessária para garantir a qualidade do time em um cenário de crescimento? A resposta está relacionada ao desenvolvimento das pessoas, cultura, remuneração, garantindo satisfação, motivação e engajamento. Procure pensar nesses ativos “intangíveis” que são fundamentais para que a empresa tenha sucesso.

    Sobre a perspectiva financeira, avalie o custo dessa operação, qual a sua capacidade de investimento para o ano e os resultados que pretende atingir. 

    Embora o desempenho financeiro seja o que viabiliza que a empresa esteja funcionando no final do dia, entendemos que os números devem servir como indicadores de resultado e da saúde da empresa e não devem ser o que orienta unicamente a estratégia como um todo. 

    Essa dimensão é importante para analisar a relação entre as decisões que precisam ser tomadas nas outras áreas (pessoas, processos, produto) para que o desempenho financeiro seja alcançado, e para entender no que é possível investir ou não no momento. 

    5. Defina o que é necessário para o momento atual da empresa e priorize

    Como será o próximo ano? É sobre um desafio na construção do produto? Ou estamos falando de conseguir garantir a gestão de um time que precisará dobrar de tamanho? Será necessário captar investimento? 

    Traga esse debate para um ambiente entre sócios ou lideranças e se puder, envolva também os colaboradores, para definirem essas prioridades em conjunto. 

    Essa etapa é fundamental para embasar os objetivos e a alocação de recursos financeiros, tempo e esforço. Comunique de forma clara e transparente à toda equipe, para que entendam o que está por trás dos objetivos e metas que serão estabelecidos para cada um.

    Uma pergunta lúdica que usamos no exercício de priorização de objetivos é “o que nos fará abrir o champagne no final do ano? O que, se não acontecer, nos fará deixar de celebrar este ano? E o que é legal que aconteça, mas mesmo se não acontecer, vamos querer comemorar ainda assim?”. Claro que o champagne é uma brincadeira para simbolizar o momento de celebração, mas pode ajudar no exercício de visualização sobre o que realmente é prioritário que aconteça, frente a todos os assuntos que você deseja tirar do papel. 

    Vale se atentar aqui para diferenciar o que se deseja como sócio(a) e o que de fato sua empresa precisa e é necessário que aconteça. Um bom planejamento estratégico deve ir além do benefício individual e prezar pelo olhar coletivo.

    Já falamos essa frase anteriormente, mas vale repeti-la aqui: “Um não para B, é um sim para A”. Dado que há um limite do quanto você e seu time conseguem absorver, focar nos objetivos prioritários é uma forma de protegê-los e garantir que aconteçam. Muitos objetivos distintos podem dispersar a atenção do time e arriscar com que nenhum deles seja atingido com excelência.

    Ainda, vale a pena explicitar outro aspecto que influencia a construção da estratégia: o impacto social ou ambiental positivo gerado. Ele pode e deve enviesar a sua priorização em relação a locais de atuação, serviços/produtos realizados, público atendido e clientes, entre tantos outros aspectos do seu negócio. Ou seja, além do que deseja e do que é necessário que aconteça internamente, pode fazer sentido considerar o que é necessário que aconteça na sociedade com urgência também.

    6. Determine os ciclos de planejamento

    Já falamos do planejamento de longo e curto prazo, tanto pensando em cinco ou dez anos, quanto no ano atual em específico.

    Aqui no Quintessa, além do planejamento anual, nos organizamos com planejamentos trimestrais para termos momentos de ajustar as ações de acordo com o cenário e com a concretização dos objetivos gradativamente ao longo do ano.

    No Quintessa e nos negócios acelerados, utilizamos a ferramenta do OKR (Objectives and Key Results) na realização do nosso planejamento anual. Este texto do blog explica como funciona na prática e os nossos aprendizados com ela. 

    O uso de cada ferramenta traz crenças implícitas e, nesse momento, vale ressaltar o que está por trás do OKR. Ele é recomendado para quem quer atuar com foco em resultado, já que todos os objetivos têm resultados-chave mensuráveis e atribuídos a um colaborador ou grupo. Além disso, parte do cenário de que as coisas mudam rápido, e mais do que planejar o ano, também são feitos um planejamento e uma revisão a cada trimestre. 

    E depois?

    É depois de realizado o planejamento estratégico que você começa a pensar no orçamento, alocando os recursos de acordo com as ações que serão necessárias para alcançar os objetivos priorizados.

    Pós orçamento, é a hora da vida real! Certamente seu planejamento não vai acontecer exatamente como você imaginou. Você pode ter sido muito otimista na criação dele, muito pessimista, o mercado pode mudar, entre tantos outros fatores. A boa notícia é que quanto mais os anos passam e você realiza o planejamento, mais assertivo ele fica, pois você vai ganhando mais previsibilidade sobre o comportamento do mercado, dos seus clientes, time, etc. e vai aprendendo mais sobre onde você têm tendência de ser otimista ou pessimista. 

    Algumas pessoas gostam de fazer cenários de orçamento logo de início, com cenário pessimista – realista – otimista. Ter esses cenários em mente pode te ajudar a se sentir mais seguro(a) sobre o melhor ou pior que imagina que possa acontecer, bem como determinar as expectativas de resultados do time com bastante clareza. 

    Ainda assim, lembre do que falamos ao início: o planejamento serve como um norteador para suas ações – com a consciência, tranquilidade e desapego que as coisas não acontecerão exatamente da forma como você imaginou.

    Assim, o planejamento se torna ao vivo, vivenciado, que pode e deve ser ajustado se necessário. Quase tão importante quanto criá-lo, é acompanhá-lo. Checar mensalmente se estão atingindo as metas, se o cenário macro requer alguma adaptação, se o recorrente não atingimento de uma meta requer a redução de algum custo ou despesa orçados, entre outras análises. O importante é mantê-lo, ao longo do ano, como esse instrumento que norteia e coordena seu time.

    No momento em que escrevemos este texto, estamos em plena quarentena devido ao coronavírus. Teremos ajuda do nosso conselho e estamos ajudando nossos empreendedores a pensarem em como se adaptar diante deste novo cenário e ajustar seus planejamentos.

    Certamente teremos que realizar mudanças no nosso planejamento, mas sem a clareza de como será, fica difícil fazer um plano único e assertivo (como dissemos no ponto 2 deste texto). Caso seja necessário, se permita refazer o planejamento em fases, ou ciclos, pensando no que você pode decidir agora e o que precisará esperar mais alguma semanas e um cenário mais claro para decidir.

    Muitos negócios nos trazem dificuldade em priorizar ações no dia a dia e muitas vezes entendemos que são sintomas da falta de um planejamento estratégico embasado. Por isso, antes de implementar qualquer ferramenta, garanta que tenha passado pelas premissas básicas que compartilhamos aqui.

    Esperamos que estes pontos tenham te ajudado a refletir e se preparar! Leia o próximo texto, sobre como acompanhar o planejamento estratégico na prática e conte conosco para te apoiar a implementá-lo: conheça os nossos programas de aceleração para negócios de impacto ou escreva para [email protected].

    Conheça também um caso de sucesso em que implementamos o planejamento estratégico durante a aceleração da Acordo Certo.

  • Conheça ações de startups de impacto que podem te ajudar durante a crise do coronavírus

    Conheça ações de startups de impacto que podem te ajudar durante a crise do coronavírus

    startups e coronavirus

    Neste momento de atenção e cuidado, acreditamos que a ação do governo, dos profissionais da saúde e as ações coletivas da população são essenciais, mas iniciativas empreendedoras também estão demonstrando papel importante para minimizar o impacto dessa crise. 

    Nossa crença é que as empresas podem e devem ser parte da solução dos nossos desafios sociais e ambientais centrais. 

    Conheça as ações promovidas pelos negócios de impacto da rede do Quintessa e de startups do ecossistema brasileiro para ajudar neste momento.

    Saúde

    TNH Health

    Assistente virtual dentro da plataforma Vitalk, que tira dúvidas comuns sobre o COVID-19, checa sintomas para dar orientações ao vivo e dá apoio emocional. No aplicativo Vitalk, além de todo o conteúdo para cuidar da saúde mental foram adicionados conteúdos focados em isolamento social e os impactos do COVID-19 na saúde emocional.
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    Tamboro

    Em parceria com a Arte Despertar, a Tamboro desenvolveu a Sou Saúde: Solução on-line e gratuita para o desenvolvimento socioemocional dos profissionais da saúde, visando contribuir para que possam lidar com as situações a que estão expostos diariamente. Os profissionais poderão acessar uma trilha desenvolvida especialmente para eles, trocar experiências e ouvir podcasts que vão de encontro aos seus anseios presentes.
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    Senior Concierge

    Em parceria com o Mão na Roda, a Senior Concierge lançou o projeto Escuta Solidária, uma plataforma de apoio psicológico aos profissionais de saúde que estão na linha de frente lidando com COVID 19 e para os idosos, oferecido por psicólogos voluntários.
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    Universaúde

    Telessaúde aberto para tirar dúvidas sobre o COVID-19. A ferramenta está a disposição 24 horas todos os dias via Chat online no site. Uma outra ação será a realização de 40 Lives de 18/03 a 12/05 através do canal no Youtube, das 20h57 às 21h30, abordando 7 temas da área da Saúde para gestores e profissionais de saúde.
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    Caren.App

    Teste gratuito de auto-avaliação para os sintomas do COVID-19.
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    Fleximedical

    Desenvolvimento de unidades móveis e portáveis  (containers, carretas, ônibus, vans) para suprir a falta de leitos de internação, leitos de isolamento,  UTI e exames que fazem parte do protocolo de tratamento do Coronavírus, como tomografia.
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    Telavita

    A plataforma oferece atendimento de psicoterapia online com profissionais qualificados para cuidar da saúde mental e emocional ao público geral e a empresas interessadas em oferecer esse benefício aos seus colaboradores.
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    Dandelin

    Disponibiliza um filtro no app para encontrar médicos aptos a atender casos de COVID-19, e oferece consultas gratuitas para pessoas no grupo de risco. Além disso estão distribuindo gratuitamente álcool em gel, máscaras, luvas e cartilhas de como se comportar para ajudar a conter a contaminação. São 3.000 horários disponíveis exclusivamente para casos de COVID-19.
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    Dr. Sintomas

    Autoavaliação gratuita baseada nos protocolos da OMS para o COVID-19. Também pode ser utilizada como triagem digital por governos e empresas privadas.
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    Labi Exames

    Até o fim de março, testes gratuitos para identificar o COVID19 nos pacientes acima de 80 anos. Quem estiver apresentando os sintomas do Coronavírus, pode preencher um questionário e anexar o pedido médico para agendar o serviço de coleta em casa do Labi sem custos. Os exames são restritos à área de cobertura e limitados à capacidade de atendimento.
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    VidaClass

    Consultas online por 30 dias para avaliar sintomas do coronavírus.
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    SaveLivez

    Desenvolvimento da Livia.bot, uma assistente virtual que ajuda nas dúvidas sobre o COVID-19 e também sobre os requisitos para a doação de sangue de forma online e gratuita.
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    Colab e Epitrack

    Criação da plataforma Brasil Sem Corona, com objetivo de diminuir a disseminação do vírus nas cidades, mapeando os casos de Covid-19 e as regiões com risco de surtos.
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    Oli

    Plataforma de planos e gestão de saúde que está disponibilizando seu checkup digital e plataforma de atendimento médico 24hrs sem custo pelo período de 15 dias.
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    Educação

    Nave À Vela

    Plataforma de atividades makers em casa para serem utilizadas gratuitamente por qualquer escola. São atividades mão na massa com objetivo de desenvolvimento de competências socioemocionais.
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    A Taba

    Maratona de histórias, rodas de leitura online e contações de histórias gratuitas para crianças, além de disponibilizar dicas de atividades e oferta de materiais gratuitos para as famílias.
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    Stoodi 

    Videoaulas de preparação para o vestibular disponíveis gratuitamente no aplicativo.  A ação tem duração inicial de 30 dias, podendo ser prorrogada caso a suspensão das aulas em escolas do país permaneça por mais tempo.
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    Reconectta

    Conteúdo com inúmeras possibilidades de atividades e materiais de educação e sustentabilidade para pais, filhos e educadores no período que estão em casa.
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    Jornal Joca 

    1. Abertura de todos os conteúdos sobre coronavírus no site:
    • Edição 145 da versão impressa em PDF
    • Informações atualizadas
    • Matérias e reportagens
    • Podcasts para educadores e para jovens
    • Atividades para as escolas aplicarem à distância
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    Já Entendi

    Disponibiliza por 6 meses de forma gratuita o curso preparatório para o ENEM. Após fazer o cadastro, é necessário solicitar a liberação para [email protected]
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    ChatClass

    Plataforma de aprendizado de inglês via Whatsapp e aulas ao vivo disponíveis gratuitamente até 17 de Abril.
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    ForEducation Edtech

    Guia de boas práticas para aulas online, incluindo ferramentas e orientação pedagógica.
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    Alfa e Beto

    Disponibiliza de forma gratuita os cursos online para educadores e jogos pedagógicos para alfabetização, matemática e desenvolvimento da fluência de leitura para crianças.
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    Bem-estar

    Pé de Feijão

    Programa de assessoria remota para apoiar as pessoas a se organizarem no homeoffice para comer em casa. Planejamento alimentar online via lives, pílulas de conteúdo, apostilas e com um canal no WhatsApp para tirar dúvidas sobre alimentação.
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    Mais Vívida

    Está disponível de forma gratuita a operação da startup, que recruta jovens para apoiar idosos em diferentes atividades, como compras de remédios e suprimentos, auxílio tecnológico remoto e contato por videochamadas para combater o isolamento.
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    Informação

    Hand Talk

    Disponibiliza de forma gratuita para site de notícias o plugin para tradução de texto em Libras, para tornar a informação acessível para surdos.
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    Guia Para Todos Verem | Veever

    Plataforma que centraliza de forma acessível para cegos e pessoas com baixa visão diversas informações sobre o COVID-19. Idealizada pela equipe da startup Veever.
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    Serviços

    Nobis

    Plataforma que conecta clientes a prestadores de serviços em domicílio. Estão oferecendo canal de vendas gratuito a pequenos comerciantes e serviços especiais como comprador pessoal, gerando renda para autônomos, MEIs e pessoas desempregadas.
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    Conhece alguma iniciativa para incluir nesta lista? Comente ou envie para [email protected].

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    covid solucoes de startups

     


    Identificamos também outras listas similares a essa, e disponibilizamos abaixo:
    #StartupsVSCovid19 | Startups brasileiras contra o coronavírus
    Pandemia coronavírus: a hora das startups mostrarem sua força
    Gonew Community #StartupsVsCovid19

  • O crescimento do negócio e seus dilemas: quando, como e a qual ritmo crescer?

    O crescimento do negócio e seus dilemas: quando, como e a qual ritmo crescer?

    É um desafio para todo(a) empreendedor(a) conseguir equilibrar os movimentos de crescimento e de estruturação da gestão do negócio, ou seja, o crescimento no curto prazo com a formação de uma base que sustente o crescimento a longo prazo. 

    Ouvimos reflexões como: primeiro devo vender ou primeiro devo contratar uma equipe para garantir a qualidade da entrega? Devo iniciar o foco em vendas ou finalizar o produto que estamos desenhando? Como diferenciar, no dia a dia, o “feito” do “perfeito”?

    Dado que é impossível padronizar uma resposta única que se aplique aos mais diversos casos, sugerimos aqui algumas perguntas que podem te ajudar nas reflexões necessárias:

    • Considerando o que já ouvi do mercado, dos meus potenciais clientes, sobre o que precisam como solução para suprir sua necessidade, meu produto/serviço já está suficiente para operar no mercado? O quanto já não passei do limite de refinar buscando uma versão perfeita na minha concepção e está na hora de ouvir o mercado e testar na prática? Os clientes estão dizendo que a solução está suficiente ou está abaixo do que esperavam? 
    • Qual a lógica do meu serviço/produto? Consigo melhorar ele colocando algumas horas a mais de dedicação e contratando um time maior ou mais sênior? Ou o aprimoramento dele demanda um longo ciclo de desenvolvimento?
    • O que o seu time está dizendo? Estão com capacidade ociosa e com disponibilidade para absorver mais demandas? Ou já estão no limite no que conseguem operar?
    • Caso precise contratar mais pessoas, quanto tempo isso leva? Você tem fácil acesso a novos talentos? Quanto tempo demora para treinar as pessoas e fazer a introdução ao seu negócio, metodologias e cultura? É possível contratar terceiros temporariamente para executarem as tarefas com a qualidade necessária? Você tem disponibilidade de caixa (recursos financeiros) para absorver estas novas contratações?
    • O quanto você já delegou funções e preparou seu time para suportar o crescimento? O quanto as funções ainda estão muito centralizadas em você e isso será um gargalo para crescer?
    • Qual o timing do mercado? É o momento de ter uma atitude conservadora e evitar a tomada de novos riscos? Ou é o momento de aproveitar uma janela de oportunidade e tomar mais riscos para acompanhar o crescimento do mercado?

    Estas perguntas podem parecer simples, mas são muito úteis no momento de evitar um “crescimento a qualquer custo” que comprometam a perenidade do seu negócio. 

    Quando falamos em ser algo “a qualquer custo” é no sentido de não olhar para o time, para a cultura, para a governança, podendo levar à cenários como perda de talentos chave para o time, perda de clientes que deveriam estar renovando e risco de ameaçar seu próprio potencial de crescimento.

    Falamos que o processo ocorre como um “efeito sanfona”: você cresce um pouco, depois segura as vendas e estrutura o time para entregar o que foi vendido. Depois, força um pouco mais as vendas. Repetindo o ciclo continuamente. Abaixo trazemos algumas dicas práticas.

    Ouça os clientes e o seu time

    Dado que não há um “certo” ou “errado” determinado, uma boa prática é estar sempre conectado(a) às pessoas ao seu redor e ao que elas estão dizendo. Na experiência do Quintessa, os bons movimentos de crescimento estão relacionados a empreendedores que escutam muito os clientes, para entender se estão conseguindo satisfazer e entregar o que prometeram, e escutam muito o time, para garantir que estão com capacidade de entrega e não sobrecarregá-los.

    Estando com os ouvidos abertos, conectado(a) com seu time e o mercado, você ganha mais segurança para ir calibrando o processo de crescimento enquanto ele acontece. É como uma espécie de termômetro, como um instrumento para calibrar suas ações. Você não tem como saber se o carro vai aguentar a viagem sem checar como está o combustível, por exemplo. Da mesma forma, não tem como você saber se a empresa irá aguentar o crescimento sem checar a opinião dos seus clientes e do seu time.

    Neste aspecto, valem métodos mais qualitativos e mais precisos. 

    Vale a pena fazer conversas informais, de corredor, com seu time, investigando, por exemplo, o quanto as pessoas estão seguras para realizar as entregas necessárias, o quanto já estão no seu limite de capacidade de entrega, o quanto estão com uma boa saúde mental dada a correria do dia a dia, o quanto estão engajados com o direcionamento que a empresa está tomando. Com os clientes, vale a pena ligar para eles e/ou agendar um café e ouvir seu depoimento, se estão satisfeitos e o que entendem que deveria melhorar.

    E vale a pena também fazer pesquisas mais quantitativas, como pesquisas de clima anônimas dentro do time e mensuração de churn, taxa de renovação de contratos e índice de satisfação (como o NPS) dentro do portfólio de clientes.

    Se os clientes e o time não estão satisfeitos no cenário atual, fica óbvio que não é o momento de pisar no acelerador. Se estão, pode ser o momento de aumentar o ritmo e se lançar em novos projetos.

    É essencial que a transparência faça parte deste processo. Seja com pactos explícitos com o time, como “agora precisaremos correr para entregar”, bem como com o cliente, no sentido de explicar o que você já entregou antes e o que será algo novo que irão experimentar juntos.

    Três dicas sobre este aspecto:

    1. Um bom time é essencial para aguentar um ritmo de crescimento mais acelerado. Conte com pessoas boas, em quem você possa confiar para delegar, e lembre-se de trazer perfis complementares, pessoas com diferentes habilidades necessárias para o desenvolvimento do negócio;
    2. Ouça seus clientes sobre a percepção deles sobre o mercado de uma forma mais ampla. Eles acham que o mercado está crescendo ou se retraindo? Estão sendo abordados por seus concorrentes ou substitutos? Estão prevendo alguma mudança na forma de operar deste segmento? A demanda por aumentar o ritmo de crescimento pode não vir apenas de você ou de seus investidores, mas pode ser uma demanda do próprio mercado e da necessidade de se adaptar para que o seu negócio continue sendo competitivo;
    3. O limite entre o “feito” e o “perfeito” é determinado pelos seus clientes e a percepção deles sobre a entrega estar agregando valor suficiente.

    Entenda as suas prioridades

    Até onde você está disposto(a) a chegar para alavancar o ritmo de crescimento do seu negócio?

    Perguntamos isso, pois a resposta para cada pessoa muda. Algumas estão dispostas a lidar com reclamações de clientes para terem um ritmo de crescimento mais acelerado. Outras preferem proteger uma boa reputação junto aos clientes e crescer em um ritmo mais moderado.

    Algumas pessoas preferem preservar a saúde mental do time e manter um ritmo de trabalho mais equilibrado. Outras preferem arriscar passar por pedidos de demissão e turn over, mas subir o ritmo de entregas sem crescer o time.

    Aqui no Quintessa partimos de uma visão de longo prazo, acreditando em um crescimento que seja sustentado ao longo dos anos. Não adianta triplicar de um ano para o outro, mas fechar no ano seguinte porque seus clientes e time te abandonaram. Ao mesmo tempo, se você ficar estagnado(a), sem crescer, o time poderá sair por não enxergar novos desafios para crescer e os clientes poderão sair por não perceberem evolução na solução frente às mudanças do mercado. 

    Assim, entenda as suas prioridades e ouça as pessoas, para ir constantemente calibrando se está chegando nos limites que você delineou.

    Mantenha o foco

    Em momentos de crescimento, novas frentes de negócio e clientes podem surgir, modelos de negócio podem ser repensados e soluções pivotadas. Sabemos que, tanto em um crescimento rápido, quanto em um ritmo mais lento, é comum o(a) empreendedor(a) ficar ansioso(a) para testar novos modelos.

    Uma startup é um grupo de pessoas buscando um modelo de negócio escalável, então naturalmente existe essa premissa de que você pode pivotar e testar. O desafio é equilibrar este leque de possibilidades com o foco necessário para crescer com velocidade.

    Nos diagnósticos do Quintessa, identificamos a falta de foco na maioria dos negócios que iniciam a aceleração. Isso é um problema, pois pode reduzir muito o ritmo de crescimento do negócio e torná-lo ineficiente. 

    Quando o time acabou de se tornar expert em realizar uma entrega, chega uma nova demanda, que requer novas expertises nas quais o time ainda não está treinado. Assim, ao invés de replicar, é necessário começar do zero novamente. Isso se aplica a novos produtos/serviços e também a novos perfis de clientes.

    Na hora de diferenciar uma nova oportunidade de uma potencial nova “furada”, vale se questionar:

    • Meu time já possui as competências necessárias para realizar esta nova entrega?
    • Qual o nível de demanda dos novos ajustes necessários?
    • O valor que vou receber pelo serviço/produto compensa os custos que terei para realizar estes ajustes?
    • Esta demanda que está se apresentando é única (exclusiva deste cliente), me distanciando no meu foco? Ou ela representa um novo e relevante segmento de atuação para o meu negócio (com mais clientes também tendo essa necessidade), sendo uma oportunidade para me aproximar da minha direção de futuro? A demanda desse cliente é recorrente ou é um projeto pontual? (Estes textos podem te ajudar nessa descoberta)

    “Startup não mente, apenas estica a verdade” 

    Essa frase foi dita por um dos nossos empreendedores e representa bem o que acontece com eles na realidade. 

    Vale ressaltar aqui que não estamos falando sobre enganar o cliente ou prometer algo sem saber como irá entregar. É importante ser realista e vender aquilo que está dentro do que você e o seu time têm capacidade de realizar.

    Seja transparente, como falamos ao início.

    Cuide do tamanho da entrega. Por exemplo, se é algo que nunca entregou, é melhor prometer dezenas de unidades, do que milhões de unidades logo de início.

    Cuide do tempo, do prazo da entrega, tendo tempo suficiente para realizar os ajustes.

    Cuide do preço, garantindo que poderá absorver os novos custos associados.

    A questão aqui é você mapear o que precisará realizar, quais são os riscos envolvidos, se poderá mitigá-los e o quanto consegue correr atrás e honrar o que vendeu, priorizando sempre a satisfação do cliente.

    Existem realidades de crescimento distintas

    Uma realidade é quando você recebe um aporte de capital: seu foco estará no crescimento. Você precisa provar que tem a capacidade de crescer, que existe demanda para o seu serviço/produto. Neste caso, o crescimento tende a ser mais acelerado, mas você deve ficar muito atento(a) para evitar o “crescimento a qualquer custo” e cair nos cenários que citamos no início.

    Outra realidade é quando o crescimento está limitado em função do caixa disponível para reinvestir no negócio, ou seja, da receita e do lucro gerados pelas vendas. Nesse caso aparece ainda mais a necessidade de vender para primeiro para pagar as contas do próximo mês e aí sim, ter time para cuidar da estruturação da empresa. 

    Além disso, a depender do modelo de negócio, o ciclo de vendas pode ser mais longo ou complexo. Startups que trabalham com educação básica, por exemplo, têm que vender no ano anterior o que será a entrega e a receita do ano seguinte. É um desafio constante: vender antes e depois se organizar para entregar. Quando falamos de startups de base tecnológica, às vezes acontece o inverso: preciso primeiro ter um produto robusto, para depois poder vendê-lo no mercado. 

    Esperamos que as reflexões que sugerimos aqui te ajudem nas decisões do dia a dia – e queremos te ouvir: quais outras boas práticas você recomenda aos empreendedores que estão nesta fase?

     


    Sugestões de conteúdo:

    Texto | Qual o momento certo de trazer escala para o modelo de negócios de impacto? | Notícias de Impacto

    Texto | Meu negócio está crescendo, e agora? | Notícias de Impacto

    Podcast | KaleydosCast: Como escalar o seu negócio de impacto

  • Investidores e fundos de investimento: como escolher e ser escolhido(a)

    Investidores e fundos de investimento: como escolher e ser escolhido(a)

    A relação entre o(a) empreendedor(a) e seu(sua) investidor(a) ou fundo é uma relação de sociedade e comprometimento de longo prazo. Por isso, o processo de escolha de quem será este parceiro deve receber o devido cuidado.

    Da mesma forma que o fundo faz seu processo de seleção, de diligência, pede materiais, estuda o negócio e o mercado, o(a) empreendedor(a) deve fazer a sua parte na escolha cuidadosa do seu potencial investidor. 

    Depois de detalhar os tipos de capital e modalidades de investimento disponíveis no mercado, trazemos experiências e dicas desse processo de escolha, na visão dos dois lados: o(a) empreendedor(a) e o(a) investidor(a) ou fundo.

    Defina os critérios e faça uma boa pesquisa

    Podemos dizer que o processo de captação se assemelha a um processo de vendas, no sentido de que você vai abordar muitas pessoas e executar muitas atividades, dentre reuniões, follow ups, envio de materiais… Então é preciso gerenciar tudo de forma organizada, com CRM, organização de pipeline e um bom estudo dos potenciais investidores. 

    O primeiro passo é definir as premissas sobre o seu negócio e a rodada de captação, para garantir fit com o que os investidores podem/querem investir. Por exemplo:

      • tese de investimento (em quais tipos de negócio investe ou não, seja pelo estágio de maturidade, setor de atuação, perfil dos empreendedores, localização da sede ou outras características)
      • ticket de investimento (quanto investe em cada negócio)

    Depois vale definir quais são os critérios importantes para você na escolha do fundo. Por exemplo:

    • experiência no setor de atuação
    • conhecimento técnico ou de negócios que pode te agregar 
    • quantas pessoas e quem são as pessoas que compõem o time
    • tamanho do fundo (no viés do potencial para participar em novas rodadas de captação que você faça)
    • portfólio (quais outros negócios já investiu e como foi a performance deles – e a relação com eles)
    • localização (onde está situada sua sede e se isso pode interferir na proximidade da relação entre vocês)

    Com esses critérios definidos, estude sobre os fundos e investidores que você pretende conversar. O material já reunido no GUIA 2.5 pode te ajudar nisso. Assim você terá clareza de quem são os atores que você deseja se relacionar e quais você já pode descartar por não ter fit com o que está buscando. Entenda, registre e conheça as características de cada um deles antes de abordá-los. Isso vai também te dar mais eficiência no processo, sem desperdiçar seu escasso tempo: por exemplo, se um fundo apenas investe em negócios com modelo B2C e o seu modelo é B2B, não vale priorizar esta conversa frente a outras com maior fit. 

    Além de conhecer o fundo, conheça também o processo de captação como um todo e as regras do jogo. Este texto inicial, e este sobre tipos de capital podem te ajudar.

    Smart money: entenda o que o(a) investidor(a) pode agregar

    Já é esperado que os investidores agreguem valor além de somente dinheiro. Assim, é preciso ir além. É importante considerar o que esse smart money significa para cada um dos investidores, para entender como – e até onde – eles poderão apoiar o seu negócio. Algumas das formas de suporte dos investidores podem ser:

    • participação em decisões estratégicas, com conhecimento técnico sobre produto, setor de atuação ou gestão de negócios
    • networking / abertura de novas redes de relacionamento
    • conexões com potenciais clientes
    • conexões para contratações chave
    • estruturação da gestão
    • estruturação da governança
    • mensuração de impacto
    • gestão do ciclo de vida da estrutura de capital: planejamento de novas rodadas e atração de mais capital

    Neste momento vale entender também o que você precisa para o atual estágio do negócio. Dependendo dos desafios que você está vivendo, pode ser um fundo voltado para tecnologia, estruturação do negócio, ganho de escala, internacionalização, etc.

    Além desses aspectos técnicos que estamos citando, é muito importante considerar também outros aspectos mais subjetivos e relacionais. O contato e a relação construída entre vocês entra como fator de peso na decisão. É necessário ter alinhamento de valores, de visão de futuro do negócio, de visão sobre o time, do que é prioridade e de como deve ser a cultura do negócio, além de uma relação de confiança para tomarem decisões em conjunto.

    O mesmo acontece para os investidores. Tanto quanto o produto e o mercado em que estão investindo, a figura do(a) empreendedor(a) é um forte indicativo sobre quanto o negócio pode dar certo e faz muita diferença no momento de apostar as fichas.

    Costumamos brincar que a relação investidores-empreendedores é como um casamento, tem que haver uma química entre os dois lados, construindo uma relação de confiança, de parceria e transparência –  com desejo de estarem juntos a médio-longo prazo e passarem juntos pelos desafios do dia a dia.

    Para empreendedores de impacto em especial, um fator que ganha relevância na escolha do fundo ou investidor(a) é o alinhamento em relação ao propósito da empresa. Um negócio de impacto pode ser investido por fundos de impacto ou não, mas é  importante estarem focados no mesmo propósito e garantirem que o olhar para resultado estará sempre alinhado ao olhar para geração de impacto positivo.

    Converse com outros empreendedores

    Uma lição de casa que todo(a) empreendedor(a) deve fazer no processo de escolha é conversar com empreendedores que já foram investidos por esse investidor ou fundo.

    Por mais que você estude os critérios, é a experiência real de outras pessoas que irá dizer como funciona na prática. Se de fato agregam o valor prometido, como lideram em situações desafiadoras, se ajudam ou não nas outras rodadas de captação, como se comportam no momento de cobrar resultados, entre outros tipos de depoimento.

    Aqui no Quintessa, durante o processo seletivo para a aceleração, é natural passarmos o contato de empreendedores que já foram acelerados, para que o(a) empreendedor(a) possa ouvir sobre a nossa atuação diretamente de quem já viveu na prática. É unânime o feedback que todos nos dão sobre a importância que essa conversa teve no momento de escolher nossa aceleração frente a outros programas. Você bem sabe que a opinião de outro(a) empreendedor(a), que conhece suas dores e já passou por desafios similares, tem muito valor.

    Cuide da abordagem e do relacionamento

    Uma parte importante durante o processo é usar o seu networking, a sua rede de relacionamento, para identificar alguém que possa te introduzir e conectar com o potencial investidor, evitando uma abordagem “fria”. Investidores recebem propostas, materiais e pedidos de reunião todos os dias, e por isso, ser apresentado por alguém de confiança é uma excelente porta de entrada.

    Depois que conhecer as pessoas, não faça um encontro único. É uma ótima prática ir se relacionando com a pessoa ao longo do tempo, antes de pedir dinheiro de fato. Envie atualizações periódicas (mensais, trimestrais, semestrais) para que a pessoa possa ir acompanhando sua trajetória e evolução.

    Alguns investidores também gostam de ajudar e aconselhar os empreendedores, disponibilizando sua agenda para interações desse tipo – e não apenas para conversar com você na hora em que precisar investir – como uma forma de aprender sobre como você lidou com os desafios que compartilhou e o quão coachable você é.

    Além disso, você deve se lembrar de, ao final do processo, compartilhar a notícia do fechamento com todos os potenciais investidores com quem você conversou, agradecendo o tempo dedicado. Muitos que não entraram em uma rodada podem ter interesse em investir no seu negócio no futuro e por isso você deve buscar manter os relacionamentos a longo prazo.

     

    E como os investidores escolhem? 

    O critério central é o perfil do(a) empreendedor(a)

    É consenso entre a maioria dos fundos e investidores que a parte mais importante na escolha do investimento é o(a) empreendedor(a) e seu time.

    A lista de características buscadas em um perfil varia de acordo com cada investidor, mas alguns elementos que vemos levarem em consideração é:

    • Fibra ética
    • Abertura para rever premissas (ser coachable)
    • Capacidade de realização, seja pela sua formação, experiência empreendedora, experiência no setor de atuação ou histórico da empresa
    • Capacidade de mobilizar e engajar pessoas e recursos
    • Resiliência e persistência frente a adversidades
    • Comprometimento e dedicação ao negócio
    • Ambição e desejo de crescer
    • Brilho nos olhos, conexão e paixão pela causa e comprometimento genuíno com o impacto (especialmente quando falamos de investimento de impacto)
    • Complementaridade da liderança, garantindo que possuam as competências necessárias para o desenvolvimento do negócio (muitos investidores preferem investir em negócios que tenham no mínimo duas figuras de founders ou liderança, e não em empreendedores “solo”, pois é difícil encontrar empreendedores que reúnam as habilidades distintas de produto, vendas, coordenação da operação, capacidade de realizar análises financeiras, etc.).

    Conheça o seu negócio hoje e demonstre coerência sobre onde quer chegar

    Por mais que o investimento seja feito hoje, o(a) investidor(a) está apostando em uma valorização futura do seu negócio. Ou seja, não basta você saber e conhecer muito bem sobre sua operação atual, você também tem que saber muito bem onde você quer chegar e quais principais milestones que te farão chegar lá. 

    Os investidores querem entender o grau de maturidade na visão dos empreendedores sobre o que estão buscando. 

    Essa visão clara de futuro e, principalmente, da melhor alocação dos recursos para fazer com que você chegue lá, é super importante. 

    Nesse momento, é imprescindível mostrar foco. Tudo bem ter mais de um caminho ou hipótese para impulsionar o crescimento do negócio, mas estes precisam estar bem embasados e atrelados à tese da rodada (este texto fala sobre isso). O planejamento deve ser coerente sobre como o negócio vai crescer, como usará o dinheiro, a relação entre o ritmo de crescimento dos custos e da receita. É também interessante criar cenários, do cenário ideal ao conservador, otimista e pessimista.

    Além de saber sobre o seu próprio negócio, demonstre o nível de conhecimento que você tem sobre o mercado no qual ele está inserido. Os investidores valorizam o domínio do assunto, a capacidade dos empreendedores de se apropriarem do mercado e conhecerem com profundidade o seu público.

    Um mentor do Quintessa, que é também investidor, nos traz uma visão bem relevante quando falamos de business plan: o foco não é o resultado em si, o número final que a projeção financeira está indicando, mas como você planeja chegar lá.

    A probabilidade de um business plan ser executado exatamente como o previsto é pequena, mas é essencial que ele faça sentido e seja coerente. Por isso é importante ter lógica, mais do que valores altos. 

    Outros critérios de seleção

    Além dos elementos citados acima, há uma extensa lista de aspectos considerados pelos investidores, como: 

    • Potencial e relevância do impacto gerado, composição do time
    • Potencial de escala/ replicabilidade/ crescimento do modelo de negócio
    • Tamanho do mercado no qual está inserido
    • Grau de inovação e diferenciação perante concorrentes
    • Histórico de performance financeira
    • Distribuição da participação acionária entre os sócios
    • Grau de maturidade em termos de gestão e governança

    A imagem abaixo, retirada do Scoring de Investimento de Impacto da Pipe Social, revela os elementos identificados no estudo:

    criterios captacao de investimento
    Fonte: Scoring de Investimento de Impacto | Pipe Social (Fev, 2020)

    Planeje-se e aprenda com as negativas

    Os materiais básicos para uma captação são uma planilha com projeções financeiras (que revelem o plano de negócios/business plan, o valor a ser captado e o valuation da empresa), e um pitch deck. 

    A lista inicial de critérios também te ajuda a entender qual tipo de informação priorizar, incluir ou excluir na apresentação para cada um dos investidores. Os fundos de impacto, por exemplo, farão questão de entender como a sua solução resolve um problema social ou ambiental relevante e com quais métricas o impacto é ou será mensurado. Mas para outros fundos, pode ser mais interessante a demonstração da tecnologia em si, ou das projeções de escala.

    O que queremos destacar aqui é a importância de se planejar, refinar e aprender com as reuniões feitas.

    Uma dica é começar as apresentações com os fundos que têm menos preferência na sua wishlist (aquela lista de potenciais investidores que você fez depois de avaliar os critérios no início do texto). Assim você consegue testar o seu pitch, ouvir feedbacks e planejar melhores respostas para as perguntas que começarão a surgir. 

    Aprenda, teste, refaça, refine: o pitch deck é sempre um trabalho em construção.

    Porém, cuidado na hora das adaptações. Já vivenciamos casos em que o empreendedor ouviu de um fundo “só vou investir se o plano incluir a internacionalização, para explorarmos outros mercados” e um outro fundo disse, na mesma semana, “só vou investir se o plano for focado na expansão no Brasil, pois não acredito que internacionalizar seja um bom caminho”. 

    E aí, o que fazer? Voltar para o que você acredita que seja o melhor caminho. Há um ótimo equilíbrio em o que você deve adaptar ou não no seu plano a partir das sugestões dos potenciais investidores – e somente na hora você vai saber o que absorver ou não.

    Outro elemento a se considerar é que a maioria dos gestores de fundos de investimento conversam entre si e trocam percepções com grande frequência, já que é comum que co-invistam nos negócios. Considere isso no momento de planejar a ordem das suas conversas, no sentido de quem você quer que ouça seu pitch “em primeira mão” e quem talvez já tenha ouvido de outros sobre você.

    Dicas gerais

    • Conte com o suporte de mentores, especialistas e pessoas que já passaram por esse processo de captação, elas poderão te ajudar nos dilemas que certamente serão vivenciados.
    • Conte com um escritório de advocacia, priorizando aqueles que têm experiência em Venture Capital, para que tragam bom senso na negociação. Ainda assim, estude todos os termos e revise diversas vezes o contrato, pois por mais que tenha ajuda externa, só você saberá o que está ou não disposto(a) a exigir e oferecer.
    • A captação pode levar muito tempo. Não só durante o processo de conseguir um investidor, mas durante os acordos, contratos e até o dinheiro de fato cair na conta. Não subestime o tempo de captação e esteja preparado para ter um plano B, C… Conte com a entrada do dinheiro apenas dali a 6 meses a um ano desde o dia em que decidir captar.
    • Pode parecer clichê, mas saber levar um ‘não’ é um ponto chave no processo de captação. Aprenda com tudo o que ouvir.
    • Seja data-driven, apresentando dados e resultados de testes, curva de crescimento, funil de vendas, base de clientes… Mostre que seu planejamento é fundamentado e não apenas baseado nas suas opiniões.
    • Por mais que o processo demande muito tempo e energia, não tire o olho da operação. Manter a empresa saudável deve ser mais importante que a captação.

    À medida que o negócio vai amadurecendo, você vai tendo mais clareza do caminho de crescimento que deseja e de como escolher o(a) investidor(a) de uma rodada futura. Projeções financeiras, um bom pitch, mercado em crescimento… Tudo isso conta. Mas tenha sempre em mente que os investidores investem essencialmente nas pessoas, ou seja, você e seu time! 


    Conteúdos recomendados:

    Scoring de Impacto da Pipe Social

    Vídeo | Investimentos de Impacto (painel do Quintessa com Positive Ventures, Vox Capital e Yunus Negócios Sociais)

    Livro | Venture Deals – Brad Feld & Jason Mendelson

    Podcast | 20VC (em inglês)

    Podcast | Astella Playbook

    Depoimento do Ronaldo Tenório, empreendedor da Hand Talk

     

    Dicas jurídicas:

    GuiaDocumentos Legais | Anjos do Brasil

    Guias Jurídicos | Baptista Luz

    Panorama Legal | Nelm Advogados

  • Caminhos para captar investimento: tipos e modalidades de capital

    O mercado de investimento no Brasil está em crescimento. Os unicórnios brasileiros que surgiram recentemente trouxeram muita visibilidade para o ecossistema de startups e há mais capital sendo movimentado. Muito se fala em fundos de investimento de venture capital, mas na realidade existem diversas possibilidades para acessar capital no mercado e diferentes modalidades de investimento que você pode buscar para o seu negócio de impacto. Nesse texto detalhamos algumas delas. 

    As vezes é melhor adiar ou evitar a entrada de investidores

    Muitas startups crescem sem a necessidade de captação de investimento externo – o que é chamado de bootstrapping. Nestes casos, a entrada de capital é decorrente das primeiras vendas ou de recursos próprios dos empreendedores. 

    Há uma frase muito repetida no setor, de que “o melhor e mais barato capital é aquele que entra via Nota Fiscal”. 

    A vantagem desse modelo é não precisar abrir mão de uma parte da empresa, evitando diluir/reduzir a participação acionária e a distribuição de dividendos (lucro) dos sócios empreendedores. Em contraponto, normalmente acaba sendo um caminho com ritmo de crescimento um pouco mais lento.

    Nem sempre é possível adotar a estratégia de bootstrapping porque muitas empresas precisam de um investimento inicial em produto, tecnologia, divulgação ou qualquer ativo que seja imprescindível para o seu crescimento. Se este é o seu caso, após refletir se é de fato o momento ideal para captação, vale a pena entender muito bem os diferentes tipos de capital disponíveis no mercado e os diferentes tipos de investidores. 

    Tipos de capital

    Quando falamos em capital, existem essencialmente 3 caminhos principais: 

    • grant/doação
    • empréstimo
    • investimento em equity (participação acionária). 
    Grant

    O cenário de receber um grant, ou seja, uma doação a fundo perdido (sem expectativa de retorno financeiro), com certeza é o caminho mais barato, por não comprometer o captable* da empresa. 

    Quando estamos falando de doações, o captable da startup fica protegido de qualquer diluição por parte do(a) empreendedor(a) e seus acionistas. Além das pessoas físicas doadoras, institutos, fundações e editais públicos, algumas empresas chegam a dar prêmios/patrocínios/grants para startups que possuem alguma sinergia com a empresa no intuito de estreitar o relacionamento e parceria. 

    Como exemplo, entre os acelerados do Quintessa, a TNH Health recebeu grants de alguns parceiros que têm interesse na disseminação da tecnologia para controle e melhoria da qualidade de vida de pacientes. Um deles é o programa Grand Challenges, criado pela Fundação Bill & Melinda Gates e financiado pelo governo do Canadá. 

    Já a Hand Talk, recebeu um grant de R$ 3 milhões do Google. Negócios de impacto que possuem indicadores e métricas de mensuração de impacto claras tendem a ter maior facilidade para captar esse tipo de recurso.

    É importante ressaltar que não estamos falando sobre o modelo de negócio depender da doação para ter sustentabilidade financeira. Neste caso, não seria caracterizado como um negócio de impacto. A doação pode ser interessante como uma fonte de recurso adicional para financiar uma expansão, estruturação ou projeto.

    No Brasil não é muito comum ver na prática, mas no exterior existe também o modelo de grant conversível, muito na linha do venture philanthropy. É um instrumento no qual o investidor doa os recursos para o negócio, mas tem a opção de converter o valor doado em participação acionária depois. É um instrumento interessante pelo fato de não trazer o risco de uma dívida, mas ao mesmo tempo dar ao investidor a perspectiva de retorno financeiro no futuro.

    Empréstimo

    Falando em empréstimo (ou dívida ou crédito), nessa modalidade o investidor também não adquire participação societária, mas o negócio tem uma taxa de juros e um prazo para o pagamento da dívida. 

    O que vale ressaltar sobre essa modalidade de investimento é que no ecossistema de empreendedorismo de impacto existem alguns atores especializados em conceder crédito mais barato/justo/acessível (abaixo das taxas praticadas pelos bancos tradicionais ou com necessidade de garantias mais brandas) para empresas que geram impacto social e/ou ambiental. 

    É o caso da Yunus, do Sitawi e da Bemtevi, por exemplo. 

    Também vale ficar atento aos termos “debênture conversível ou dívida conversível”

    Eles podem ser usados em relações baseadas em dívida de fato, mas na maioria das vezes, tem sido usado apenas como um instrumento legal, dizendo mais a respeito de uma relação baseada em investimento no equity da empresa do que à concessão do crédito em si. Essa modalidade de investimento é uma forma de proteger o investidor nos meses ou anos iniciais de seu investimento. 

    O investimento em startups é considerado de alto risco, pois além da taxa de mortalidade das empresas ser muito alta, pode expor os sócios a passivos tributários e trabalhistas, dado que não são todos os negócios que estão já formalizados como Sociedade Anônima e com um time registrado CLT. Para tentar minimizar esse risco, criou-se esse instrumento chamado “dívida conversível”. É um contrato de dívida, com a possibilidade de conversão em ações do capital da startup após um período. 

    Normalmente, quem define sobre a conversão em  ações é o(a) investidor(a) que concedeu o crédito/investimento e que, após um período de conhecimento mais profundo do(a) empreendedor(a), seu time e modelo de negócio, consegue avaliar muito melhor se vale a pena tomar o risco de converter em participação e tornar-se sócio(a) da empresa.

    Como o instrumento tem sido usado em ambos tipos de relação, vale a pena alinhar com cuidado qual será a consequência da não conversão do(a) investidor(a), ou seja, se será de fato cobrada a dívida e a qual taxa de juros e prazo para pagamento.

    Equity

    Por fim, a terceira modalidade de investimento é o equity em si, ou seja, a compra de participação acionária na empresa. Existem diferentes tipos de investidores que praticam essa modalidade e exploraremos melhor as particularidades de cada um. Mas basicamente, todos eles investem em startups buscando a sua valorização futura e realizam o seu retorno ao vender a sua participação para um outro investidor. 

    Como o mercado é de altíssimo risco, costumam investir em uma quantidade maior de startups apostando que uma parte menor delas dará o retorno significativo esperado, uma parte não dará nem retorno positivo nem prejuízo, e outra parte não dará certo (é quando dá-se os write-offs: o(a) investidor(a) abre mão da sua participação por um valor simbólico, como um real).

     

    E na prática, qual destes é o mais adequado para o meu negócio?

    Na experiência do Quintessa a grande maioria dos empreendedores recorrem para a captação via equity no início da sua trajetória, pois é a forma de captar mais alinhada e em sintonia com o momento da empresa, ou seja, um momento de muito risco e poucas validações do negócio. 

    Para esse estágio, o capital do investidor de risco profissional é perfeito, pois ele entende esse risco, precifica esse risco e não vai cobrar o(a) empreendedor(a) na física pelos próximos 5-7-10 anos caso a empresa não dê certo. A potencial perda desse investimento faz parte do modelo de negócio dos fundos de venture capital

    Vale ressaltar que, mesmo em um estágio ainda inicial, caso o(a) empreendedor(a) (e demais sócios fundadores) estejam muito diluídos em seu captable, ou seja, com uma participação na empresa muito mais baixa do que é esperado para aquele estágio do negócio, o empréstimo pode ser uma melhor opção. Mas, neste caso, irá precisar de uma garantia a oferecer ou um fluxo futuro de recebíveis, o que geralmente é muito difícil para empreendedores em fases muito iniciais. 

    Nas acelerações do Quintessa observamos que a dívida passa a ser uma boa opção nas fases de tração e escala, quando o negócio já tem um nível de faturamento recorrente, já atingiu ou está próximo de atingir seu break even

    Nestes casos, pode ser mais barato pagar os juros do empréstimo e manter sua participação acionária, do que trazer um investidor e diluir sua participação. É muito comum em negócios que têm seu modelo baseado em alta demanda por capital para crescer (para comprar ativos físicos, por exemplo) e que se basearem todo seu crescimento em equity, acabarão com uma participação muito baixa. 

    Em alguns casos, há uma composição destes tipos de capital, compondo-se uma mesma rodada parte em dívida, parte em equity. Tanto para evitar a diluição exagerada, como para evitar alavancar demais o risco vindo pelo endividamento.

    investimento de impacto
    Fonte: Scoring de Investimento de Impacto | Pipe Social (Fev, 2020)

    Tipos de investidores

    No mercado de investimento em equity existem diferentes figuras de investidores, FFF (Family, Friends and Fools/Fans), os Anjos, os Grupos de Anjos, os fundos de Venture Capital (VC), os Family Offices e mecanismos mais novos como o Crowdequity.

    No início da jornada empreendedora, as opções costumam ser os FFFs ou Anjos/Grupos de Anjos. 

    FFFs

    Os FFFs são investidores pessoa física que geralmente tomam o risco em nome da relação que possuem com os empreendedores na esfera pessoal – geralmente amigos ou familiares, ou mesmo potenciais clientes que desejam muito que aquele negócio exista. Na maior parte dos casos, são valores pequenos, que cabem no bolso de uma pessoa física e garantem os primeiros passos da startup, o momento de tirar a ideia do papel. 

    Anjos

    Também nessa fase inicial, outra alternativa são os anjos, organizados em grupos/redes ou não. Estes também são investidores pessoa física que alocam parte minoritária de seus investimentos pessoais em capital de risco. Já que entram na física e não através de uma estrutura de fundo ou family office, costumam ser menos aderentes à risco e investem valores menores (no máximo R$ 500 mil). Geralmente, ficam próximos do(a) empreendedor(a) e buscam negócios em que possam agregar experiência e abrir o seu networking pessoal para alavancar o crescimento – o chamado smart money – e assim também minimizar o risco do investimento. 

    Venture Capital

    A figura mais famosa dentro do cenário de investimento com certeza é o do fundo de VC (venture capital). São os fundos profissionais dedicados exclusivamente a investir em startups. Geralmente trazem maior renome e agregam com smart money além do capital. Por outro lado, são os investidores mais difíceis de serem convencidos a fazer o investimento. Possuem um processo de análise bem rigoroso, com muitas etapas, diligência e critérios de investimento e ticket muito bem definidos. Raramente fazem investimentos fora da sua tese. Por conta disso, é um processo mais demandante para os empreendedores que estão se relacionamento com VCs para viabilizar sua captação. Isso acontece por serem mais regulados que as demais figuras (os veículos, os fundos, precisam ser registrados na CVM) e também por serem mais profissionais, tendo seu próprio modelo de negócio baseado em entregar retorno financeiro aos seus investidores.

    Family Offices

    Os Family Offices têm uma estrutura muito parecida com um VC, com time dedicado ao investimento e acompanhamento das startups investidas e uma tese de investimento definida. Por investirem em uma quantidade menor de negócios, costumam ter um contato mais próximo com os empreendedores, pois acabam investindo em negócios sinérgicos à atuação da família investidora, onde conseguem agregar mais no segmento específico e abrir mais portas às suas investidas. No entanto, pode ser um ponto de atenção checar se os investidores detém a expertise específica que os VCs têm sobre crescimento de startups, para te ajudar nesta trajetória.

    Crowdequity

    Por fim, nos últimos anos, o modelo do crowdequity começou a ganhar destaque no cenário de investimento em startups, principalmente para aquelas baseadas em comunidades de clientes ou para aquelas em que seus empreendedores têm dificuldade em acessar investidores por sua rede de relacionamento própria. São investimentos coletivos feitos por uma plataforma virtual em que a startup anuncia os termos da captação e busca investidores dispostos a aportar capital naquelas condições pré-estabelecidas. 

    Na maior parte dos casos os tickets de entrada são bem baixos, como 500 reais ou mil reais por pessoa, o que garante uma democratização do acesso a investimento a startups. Ao mesmo tempo, são investidores menos profissionais, e dado o ticket baixo para entrada, costuma-se reunir uma quantidade grande de pessoas para viabilizar uma só captação. 

    Nestas situações, vale a pena checar muito bem quais as condições de RI (relacionamento com investidores) pactuadas. Se haverá um grupo de pessoas, um comitê/âncora que represente os demais ao se relacionar com as startups ou se a startup terá que prestar contas e se relacionar com todos aqueles investidores que viabilizaram a captação. 

    A Vox Capital é um fundo de VC que também tem trabalhado esta modalidade com negócios de impacto (vale citar que na modalidade de empréstimo, a Sitawi também oferece uma plataforma para crowdlending).

    fundos de investimento de impacto

    Qual a diferença entre um investidor comum e um investidor de impacto?

    Antes de responder a essa pergunta, vamos entender um pouco mais como funciona a lógica dos investimentos em equity

    Os investidores têm retorno financeiro quando vendem a sua participação acionária nas empresas investidas por um valor maior do que aquele que pagaram anteriormente. Por isso buscam investir em negócios que, depois de um certo tempo, possam ser comprados por outros investidores (fundos maiores, empresas do setor, fundos internacionais ou mesmo a abertura de ações na bolsa via IPO).  

    Os fundos ficam em média de 5 a 7 anos com suas investidas até terem o retorno efetivamente. Para isso, precisam se certificar de que aquela startup tem um forte indicativo de que irá crescer, de que garantirá um valuation maior na hora da venda para um próximo investidor. 

    Sendo assim, costumam focar suas análises no tamanho do mercado que aquela startup pretende atender, no perfil do(a) empreendedor(a) e no modelo de negócio em si, que viabilize financeiramente o retorno do investimento. 

    Por isso, antes de apenas ser um negócio de impacto, é preciso também ser um bom negócio.

    Os veículos de investimento para negócios de impacto são os mesmos acessados pelas startups comuns, e todos os investidores citados acima (FFF, Anjos, VCs, FOs) podem ou não ter um foco de investimento em negócios de impacto. 

    A grande maioria deles não tem esse foco e se dedica a investir em startups sem a necessidade do retorno em termos de impacto social e/ou ambiental positivo. Sendo assim, a análise que farão sobre seus investimentos será puramente financeira. 

    No caso dos investidores de impacto, além das camadas tradicionais de avaliação (mercado, empreendedor/time e modelo de negócio), existe uma camada adicional de análise que é a do impacto positivo que aquele modelo de negócio é capaz de gerar. Existem investidores focados em uma temática específica, por exemplo, educação ou saúde, e existem investidores abertos a analisar qualquer tema que tenha impacto social e ou ambiental positivo mensurável. 

    A maioria dos fundos de impacto tem se apoiado na metodologia da Teoria de Mudança como uma forma de criação da tese de impacto e análise e mensuração do impacto gerado pela startup, por mais que a questão da mensuração ainda seja um tema que todo o setor reconhece que ainda precisa evoluir.

    Acreditamos que a maior diferença neste sentido seja proteger o alinhamento com os investidores em relação ao impacto gerado. Sem esse viés, um(a) investidor(a) pode te cobrar de crescer “a qualquer custo”. Com esse viés explícito e alinhado entre vocês, o crescimento deverá acontecer garantindo que o impacto positivo também cresça. Por exemplo, que não te pressionem a aumentar o preço da solução, para aumentar a margem de lucro, fazendo com que a solução deixe de ser financeiramente acessível para seus clientes. 

    Além disso, um(a) investidor(a) focado em impacto poderá te ajudar a amadurecer as métricas de mensuração de impacto com o tempo, pois terá alinhamento para que também possa reportar sobre a sua própria performance neste sentido.

    Assim, faz sentido pesquisar todo o mercado de apoio a startups e depois entender quais critérios de filtragem utilizar

    Às vezes, você vai encontrar um empréstimo com melhores condições (taxa de juros, prazo para pagamento) no mercado de empreendedorismo, do que no mercado de investimento de impacto em si. Às vezes, você vai trazer um investidor de impacto para te ajudar a proteger e evoluir na mensuração deste aspecto, mas trará como co-investidor um fundo de VC especializado em tecnologia e um family office especializado em saúde, compondo na rodada de captação os diferentes tipos de expertise que você quer ter por perto.

    Por último, quando falamos em negócios de impacto, falamos em setor 2.5. No setor, brincamos que na verdade há uma grande diversidade de focos, variando entre o 2.1 e o 2.9. Ou seja, entre focos maiores no retorno financeiro (segundo setor) ou no retorno em termos de impacto positivo gerado (terceiro setor). 

    Vale a pena você ter essa leitura sobre os atores, pois poderá melhor entender se estão alinhados em termos do que priorizam e de qual tipo de resultado terão maior pressão para gerar.

    A captação de investimento vai muito além de somente trazer capital para o negócio: significa trazer um(a) sócio(a) ou um credor (no caso dos empréstimos) com o qual você irá manter um relacionamento e terá que reportar o resultado financeiro e de impacto gerado. 

    Sabendo que será uma relação de longo prazo, explore como cada um poderá agregar ao negócio – além do dinheiro somente – bem como o alinhamento em relação a valores, cultura e visão de longo prazo para o negócio. 

    Além disso, como falamos neste texto, também é importante pensar na sua trajetória pessoal a longo prazo, por exemplo, se sair em algum momento da operação/vender a empresa não passe pela sua cabeça no futuro, talvez captar com  um fundo de VC não seja a melhor opção.

    Dentre tantos tipos de capital e modalidades de investimento, costumamos dizer que não existe dinheiro certo ou errado, mas sim o adequado para o momento e a fase do seu negócio e da sua jornada como empreendedor(a). 

    O GUIA 2.5 pode te ajudar nessa busca. O material mostra diversas organizações e iniciativas do ecossistema de impacto e o suporte que cada uma oferece.  Acesse!

    Sugestões de conteúdo:

    ICE | Produtos financeiros de Impacto Social

    Scoring de Impacto | Pipe Social

     

    *Captable: é uma tabela que descreve quem são os acionistas da empresa e quanto de participação cada um detém.

  • Captação de investimento: quando e quanto captar?

    Captação de investimento: quando e quanto captar?

    Por mais que a falta de recursos seja apontada como o segundo principal motivo pelo qual as startups fracassam – atrás apenas de não haver necessidade de mercado pela solução – acreditamos que seja preciso refletir sobre a pergunta: devo captar investimento para garantir o sucesso do meu negócio? 

    Para nós, a resposta é: depende, talvez sim, desde que seja o momento certo para isso.

    Acompanhando empreendedores de impacto nos programas de aceleração, ao falarmos em aumentar o ritmo de crescimento, sempre chega o momento de pensar em captação, mas antes de calcular valuation, construir seu pitch deck ou bater na porta dos fundos de investimento, é preciso refletir sobre o momento do seu negócio e ter clareza do que significa a decisão de captar.

    Neste texto falaremos sobre este assunto, focando na captação de investimento caracterizada pelo aporte de capital financeiro em troca de participação acionária na empresa (equity). Em textos futuros falaremos sobre outras modalidades, como o  empréstimo.

    Eu sei para quê preciso dessa grana?

    Antes de começar uma rodada de captação de investimento, é importante se questionar se a empresa realmente precisa deste capital. 

    Já vimos diversos casos em que se a empresa tivesse captado antes, o dinheiro teria “ido para o ralo”, pois, por exemplo:

    o modelo de negócio ainda não estava refinado;
    – havia erros no controle financeiro e no entendimento da margem de lucro;
    – a estratégia comercial não trazia resultados;
    – a gestão e o time não estavam maduros o suficiente para suportar o movimento de crescimento;
    – o produto precisava ser refinado ou validado para se investir em tração – entre tantas outras situações.

    Muitas vezes, essas ações podem ser realizadas apenas com investimento de tempo dos empreendedores e do time e com testes de soluções mais rápidos e baratos. Pode parecer estranho, mas esta costuma ser a maioria dos casos que acompanhamos no Quintessa.

    É claro que estamos falando de investimento de alto risco, algo que é inerente ao venture capital. Mas, por alguns minutos, se coloque no lugar do(a) investidor(a).

    Se você fosse colocar o seu próprio dinheiro, antes de investir 2 milhões em um plano grandioso e ousado, você não ia querer mitigar parte do risco e investir apenas 200 mil para validar algumas das hipóteses iniciais? Você não ia querer quebrar o plano em fases e ir alocando mais dinheiro à medida que as fases anterior fossem dando certo?

    É disso que estamos falando no parágrafo acima.

    Ainda assim, por outras vezes, precisa-se de capital inclusive para poder superar estes desafios. Neste sentido, é preciso muita lucidez para que o volume de capital captado seja condizente com o estágio da empresa (abaixo falaremos mais sobre isso) – e que, por captar um volume alto em um estágio de maturidade inicial (ou seja, com um valuation na maioria das vezes baixo), os empreendedores não diluam demasiadamente sua participação. É muito importante que uma quantidade considerável das ações continuem nas mãos dos sócios, no sentido de mantê-los engajados e comprometidos com o sucesso da empresa.

    Assim, é essencial analisar de fato para quê a empresa precisa do investimento, pois a captação deve ser feita nos momentos em que você realmente sabe como utilizará o dinheiro para crescer, ou seja, tem um planejamento para como trará retorno aos seus investidores.

    Captar leva (bastante) tempo!

    Ao decidir captar, você precisa saber que muito do seu tempo agora será dedicado à captação – e que isso afeta seu tempo disponível para dedicação à operação da empresa. Durante os próximos 6 a 12 meses você provavelmente estará focado(a) na captação, mas precisará continuar tocando o dia a dia do negócio e, normalmente, com uma equipe ainda enxuta dependente da figura do(a) fundador(a) na operação. 

    Assim, é importante ficar atento(a) à performance da empresa durante essa fase. Um olhar para a divisão de responsabilidades entre os sócios ou o time executivo pode ajudar nesse período para evitar uma queda no faturamento. 

    Sabemos que, ao interagir com os investidores, é importante (ou no mínimo, ajuda) que a empresa esteja em um momento positivo, em uma trajetória crescente, após um período de boa performance. Por isso reforçamos a atenção nesse equilíbrio de tempo entre captação e operação, para que não afete seu resultado e não comprometa seus esforços com os potenciais investidores.

    Durante o nosso programa de Assessoria para Captação de investimento, um dos nossos assessorados teve um valuation negociado para baixo no último mês de negociação, porque não estava batendo as metas do planejamento daquele ano. Imagine então, como o fundo iria acreditar que ele bateria as metas projetadas para os próximos quatro anos?

    Além disso, dado que é um período relativamente longo, é fundamental se planejar para não ir à mercado “com a corda no pescoço”, ou seja, não começar a conversar com potenciais investidores com fôlego de caixa restrito e pouco tempo de sobrevivência da operação – para que essa situação não te pressione a fechar um acordo que não faça sentido para a empresa no longo prazo. Se você está pensando em contar com a entrada de investimento nos próximos 12 meses, comece a se preparar desde já para isso.

    Quanto eu preciso?

    Para determinar o valor captado é preciso ter clareza nos objetivos que pretende atingir com os recursos, como falamos no início deste texto. É preciso que valor e objetivo sejam condizentes.

    Determine o quanto você quer captar focando no tempo que você precisa para chegar no próximo milestone o próximo marco importante do seu business plan. Toda rodada de captação de investimento traz uma “tese” por trás. 

    Se você receber 1 milhão em investimento amanhã, o que espera alcançar com sua operação? A resposta para esta pergunta tem que estar muito clara e embasada.

    Com 1 milhão, espero duplicar meu faturamento / diminuir a retenção de clientes em X / estruturar área de vendas com geração de leads de Y.

    Tão importante quanto saber o resultado esperado é ter clareza do caminho para buscá-lo. Ou seja, onde você investe este 1 milhão? 

    A resposta não pode ser “vou investir em tecnologia” ou “100 mil para impulsionar vendas”. É necessário ter clareza de qual é o melhor uso do recurso, porque é a melhor maneira de garantir que está pegando um dinheiro que realmente precisa e dá clareza e confiança ao investidor de que seu plano é factível. 

    Defender um valor muito baixo para um objetivo muito grande pode soar como despreparo, bem como o contrário pode parecer inexperiência. Além disso, captar para um período menor do que 18 ou 24 meses pode ser ruim, por fazer com que, mal finalizada a rodada de captação anterior, você já precise começar a se dedicar para a próxima. No outro extremo, captar a mais do que você precisa pode aumentar de forma desnecessária a pressão por rentabilizar o valor. Assim, não aborde os potenciais investidores com um discurso de que “preciso de 2X, mas só o valor X já funciona”. 

    Ouvimos também empreendedores dizendo que estão captando investimento para financiar X meses de operação, mas os investidores não estão interessados em financiar somente o andamento da operação, eles querem saber o que você espera atingir de resultado com esse investimento, para que o valor aportado na sua empresa possa gerar retorno para eles. Tenha isso muito claro: eu preciso de X valor para atingir A, B e C resultados.

    É claro que o business plan pode mudar e dificilmente a realidade seguirá exatamente o que está projetado nele, mas lembre da essência, do foco em garantir que o próximo milestone seja atingido e a tese da rodada seja comprovada.  

    Para cada estágio de negócio, existe um valor a ser captado e um perfil de investidor mais adequado tipicamente. No Brasil, os valores costumam seguir as faixas indicadas abaixo (em reais):

    estagios de investimento em startups

    Nos Estados Unidos, os parâmetros são outros, por se tratar de uma indústria muito mais estruturada e desenvolvida que a do Brasil.

    Explicitando algo que está implícito na imagem, à medida que o negócio vai amadurecendo, tendo mais hipóteses validadas e com isso, mais risco mitigado, ele consegue captar valores de investimento mais altos.

    Além disso, esses parâmetros típicos do mercado podem chegar a influenciar o valor a ser captado. Tanto no sentido de te guiar sobre um intervalo que faz sentido focar, por exemplo, se você está na fase de validação, ainda realizando os primeiros testes para entender seu cliente, sua dor e solução potencial, você deveria captar um valor junto a anjos ou no máximo investimento semente (seed). Como também no sentido de adequar o valor captado para ter um melhor valuation.

    Por exemplo, há políticas de fundos que sempre entrarão com 25% de participação nos negócios. Sendo este parâmetro fixo, se você captar 5 milhões ou 10 milhões, o que está variando é o valuation da sua empresa, ficando maior ou menor. Assim, pode haver uma variação dentro do intervalo saudável para sua captação, por exemplo, dentro do intervalo entre 150 mil e 250 mil reais (mas não entre 150 mil e 1 milhão, que já isso significaria tentar migrar para outro estágio de captação).

    Um aspecto também representado na imagem é a ponderação sobre a participação nas ações da empresa que é saudável que esteja com os fundadores/empreendedores que tocam a operação. Em casos em que os empreendedores se diluem muito no início, isso pode inibir que outros potenciais investidores entrem depois, por acreditar que os empreendedores não estarão motivados a tomarem riscos e tocarem a operação por uma participação acionária tão pequena.

    Vale apenas dizer que estes são parâmetros típicos do mercado. Negócios que envolvem altos investimentos no início (seja pela tecnologia ou equipamentos demandados) tendem a fugir deles – mas ainda assim consideramos útil que você saiba o que provavelmente estará como referência na mente dos investidores.

    Por último, estamos falando dos valores aportados dentro da empresa (cash in), não considerando valores pagos pelos investidores diretamente aos sócios (cash out). Este nosso foco se dá por entender que hoje é muito difícil encontrar investidores que concordem em pagar para um sócio embolsar para si os recursos, por enxergarem que, pelo estágio dos negócios, ainda é o momento de investir no crescimento da empresa e apostar no seu sucesso, ao invés de já garantir um patrimônio financeiro no curto prazo. Além disso, o valor aportado na empresa tem o potencial de se rentabilizar, enquanto o valor pago diretamente aos sócios não trará retorno ao investimento. 

    Outras reflexões importantes

    Uma vez que você fez uma rodada, você é responsável por rentabilizar o recurso do(a) investidor(a), o que significa fazer outras rodadas futuras. No fim, a decisão de captar com um investidor anjo já é a decisão de captar depois uma Série A, B, etc. ou vender a empresa para um(a) investidor(a) que pague um valuation maior do que aqueles que investiram antes dele(a).

    Assim, antes de tomar a decisão, vale avaliar a possibilidade de crescer em um ritmo mais lento, esperando a empresa faturar, gerar lucro e com isso, gerar caixa – e então ir realizando os novos investimentos. A decisão de trazer capital externo costuma viabilizar um ritmo de crescimento mais acelerado, mas também é uma decisão que pode mudar a forma da empresa operar a longo prazo. Além disso, você passa a ter um(a) “chefe”, alguém para quem terá que prestar contas e se alinhar sobre decisões, então considere o “pacote completo” do que decidir captar significa.

    Ao se preparar para captar, é importante também já ir refletindo sobre algumas decisões que você terá que tomar mais adiante, no momento de assinar o contrato. É padrão do mercado, por exemplo, determinar em contrato um tempo mínimo para os sócios permanecerem na empresa, ou ainda, um termo de não competição, expressando que você não poderá atuar no mesmo mercado ao sair da empresa. Por isso é importante pensar, desde já, sobre o que você e seus sócios querem pessoalmente para o futuro.

    Além disso, é muito importante que os sócios estejam alinhados sobre a decisão de captar, bem como sobre a tese da rodada, bem como sobre os termos de contrato que citamos acima. A divergência entre sócios é um elemento nítido de se perceber e influencia muito no distanciamento de potenciais investidores.

    Há um certo mito no campo do empreendedorismo, com pessoas enxergando a captação de investimento como uma “linha de chegada”, como um indicador de que a empresa já teve sucesso – mas vale tomar cuidado com esta ilusão. Na realidade, trata-se de uma nova linha de partida, com novas responsabilidades e compromissos a longo prazo – e que significará “sucesso” a depender do resultado dela.

    Este texto tem o papel de te estimular a refletir antes de tomar esta decisão. Em seguida, conheça os diferentes tipos e modalidades de capital e critérios utilizados pelos investidores

     

    Sugerimos também algumas leituras e materiais para se aprofundar no assunto:

    Vídeo | Evento na íntegra: Captação de Investimento – Quintessa

    Texto | Como e quando captar investimentos para o seu negócio 

    Texto | Ronaldo Tenório – O que eu aprendi captando R$2,5 milhões para a Hand Talk


    Termos mencionados no texto:

    Business Plan: plano de negócios – um estudo da viabilidade do negócio, estratégia de crescimento, riscos e projeções futuras.
    CAC: Custo de Aquisição de Cliente.
    IPO: sigla para Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial, momento em que a empresa abre o seu capital na Bolsa de Valores.
    PE: sigla para Private Equity, tipo de investimento voltado à empresas mais estruturadas.
    Pitch Deck: apresentação feita para investidores, que mostra um panorama geral da empresa e da tese da rodada de captação.
    Seed: capital semente, investimento entre 500 mil e 2 milhões em uma empresa.
    Série A, B: nomes dados para cada rodadas de investimento, começando com a série A e crescendo à medida que o valor investido aumenta.
    Valuation: é o valor que determina o quanto sua empresa vale, utilizado como base na aquisição de ações.
    VC: sigla para Venture Capital, ou Capital de Risco, um tipo de investimento focado no crescimento rápido de empresas, muito comum no ecossistema de startups.

  • Passo 3 | Validando a solução no mercado

    Passo 3 | Validando a solução no mercado

    No dia a dia do Quintessa, conversamos com muitos empreendedores em fase de tração que nos trazem dificuldades em vender ou em definir em qual produto/serviço focar. Esses desafios podem ser sintomas de um processo de validação ainda incompleto, ou seja, de que os empreendedores ainda não conhecem com profundidade seus clientes e suas necessidades, e como consequência encontram dificuldade em definir um discurso de venda e uma solução aderentes.

    Há um certo mito sobre “pegar mal” estar ainda em fase de validação, no sentido de parecer mais “bonito” pular logo essa etapa e ir para a fase de tração, mas a verdade é que uma validação bem feita permite que o negócio cresça com muito mais rapidez depois. Estar em validação é um conceito e diz sobre o negócio estar no momento de gerar evidências e realizar definições sobre as questões que embasam seu modelo de negócio. 

    Você pode já ter vendido R$ 500 mil, mas se vendeu para segmentos de clientes diferentes, oferecendo soluções diferentes, para demandas pontuais, talvez ainda não tenha evidências suficientes sobre a necessidade que atende e que sua solução está validada para já pensar em tracionar ela.

    Já falamos por aqui sobre as reflexões iniciais necessárias, a fase de descoberta das necessidades do cliente, e se a sua solução atende essa necessidade. Agora iremos refletir sobre o product-market fit, ou seja, se esse produto ou serviço de fato tem aderência de mercado, agregando valor para o cliente e sendo competitivo com outras alternativas de solução.

    Descrevendo o seu mercado

    Um erro comum ao se pensar o product-market fit é subestimar o tamanho do seu mercado e da concorrência, exemplificado por Peter Thiel no livro Zero a Um:

    “(…) Suponha que você quer abrir um restaurante de comida britânica em Palo Alto. “Ninguém mais está fazendo”, você deve pensar. Mas isso só é verdade se o mercado relevante a ser considerado é o de “restaurantes britânicos em Palo Alto”. E se o verdadeiro mercado for o mercado de restaurantes de Palo Alto em geral? E se todos os restaurantes da região são parte do mercado relevante também?”

    Para Thiel, esse é o maior erro que uma startup pode cometer: descrever o seu mercado de forma extremamente restrita, para que você o domine por definição.

    “(…) empreendedores exageram sua distinção ao definir seu mercado como a intersecção de vários mercados menores: comida britânica ∩ restaurantes ∩ Palo Alto.”

    O que falamos sobre segmentação a partir do problema/necessidade do cliente pode te ajudar aqui: a pessoa deseja comer? Deseja comer uma refeição saudável? Deseja comer em um restaurante britânico? A cada resposta distinta, a visão sobre tamanho de mercado, concorrentes e substitutos muda também. 

    O destaque para os substitutos é válido, pois eles costumam ficar no ponto cego de muitos empreendedores. Por exemplo, se a necessidade da pessoa é simplesmente comer, talvez ela deixe de ir no seu restaurante não porque foi em outro, mas porque seus pais resolveram oferecer um jantar. Ou seja, a sua oferta tem que se competitivamente melhor também que o substituto, neste caso, a refeição na casa dos pais.

    Sobre o tamanho do mercado, essa premissa é importante para entender quão grande é o espaço para sua empresa crescer. Pode ser um mercado muito grande e em tendência de crescimento, no qual mesmo que existam concorrentes, todos eles e você terão espaço para crescerem com relevância. Pode ser um nicho, um mercado pequeno, então será importante que você seja muito relevante para os clientes e o domine em termos de market share para que possa ter um tamanho de empresa atrativo. De novo, como falamos nas reflexões iniciais, o quão grande “precisa” ser seu mercado vai depender bastante das suas ambições e desejos pessoais sobre o tamanho de empresa que deseja ter.  

    Ainda neste assim, vale destacar que definimos o tamanho de mercado a partir de quem compra e paga pela sua solução, não necessariamente por quem usa ela, pois nem sempre estamos falando do mesmo grupo. Pense por exemplo, no Google. Você utiliza, mas quem paga são as empresas anunciantes. O tamanho do mercado do Google tem relação com a quantidade de empresas anunciantes, disponibilidade a pagar pela solução e participação do Google para acessar esses recursos em comparação com seus concorrentes.

    Quando falamos de impacto, também existem casos assim. No caso da Hand Talk, por exemplo, são empresas e entes do governo que contratam a solução tecnológica de tradução do português para a Libras (Língua Brasileira de Sinais), mas são as pessoas com deficiência auditiva que utilizam ela e se beneficiam sendo incluídas em novos locais e acessando novos conteúdos.

    Qual bolso seu negócio acessa?

    A categoria que o cliente enquadra o seu produto influencia no preço que ele está disposto a pagar.

    Por exemplo, se você tem um produto B2B, quem paga por ele é a área de RH, de Marketing ou de Responsabilidade Social? Se a empresa te vê como uma solução para engajamento dos funcionários, então você acessa o budget de RH, se for uma estratégia de posicionamento de marca, então sairá do bolso de Marketing. No B2C acontece a mesma coisa, de forma um pouco mais sutil, por exemplo: esse valor sairá dos gastos mensais com lazer ou com saúde? 

    A categoria que o cliente enquadra a sua solução influencia no preço que ele está disposto a pagar por ela, porque a tendência é que ele compare o preço com uma solução atual que ele conheça para resolver um problema naquela categoria. Desta mesma forma, a sua proposta de valor e a categoria na qual seus clientes te classificam fará com que você considere concorrentes e substitutos distintos. 

    Diferencial competitivo

    Quando perguntamos aos empreendedores sobre diferencial competitivo, um outro erro comum é responderem sobre a “diferença” para as soluções de seus concorrentes a partir da sua própria opinião. Em um mercado muito competitivo, o instinto pode ser tentar convencer as pessoas de que o seu produto é diferente focando em fatores triviais de diferenciação, como: “o nosso produto cabe dentro da bolsa, ou tem uma função a mais…”.

    A resposta sobre o diferencial competitivo deve ser construída a partir do olhar dos clientes: por qual motivo eles vão preferir a sua solução frente às outras soluções do mercado? 

    No exemplo acima: eles abandonariam a solução atual por este ter uma função a mais? Caber na bolsa é uma característica relevante para estes clientes pagarem pela sua solução?

    Seu diferencial pode ser baseado em uma questão de preço, rapidez, qualidade da experiência do cliente, tamanho, sabor, entre tantos outros elementos. A resposta de a qual elemento você deveria se ater vem da pergunta: qual destes elementos mais influencia a decisão de compra do seu cliente? Por exemplo, se a agregação de valor é vista como  “uma ferramenta para realizar ligações telefônicas”, o concorrente do Iphone é o Android; se é “uma forma de me dar status social”, então o Iphone pode concorrer com um relógio de marca.

    A concorrência!

    Outra afirmação que já ouvimos muito de empreendedores é “fazemos algo tão inovador que não temos concorrentes”.

    Essa situação nos leva a pensamentos extremos, como: ou eu estou diante de empreendedores super qualificados, que identificaram uma dor que ninguém percebia existir; ou ninguém criou uma solução porque na verdade esta necessidade e este mercado não existem; ou os empreendedores não se dedicaram minimamente a pesquisar seus concorrentes e por isso não os conhecem; ou os empreendedores acham que eu não me dedicarei no mínimo 30 minutos depois da reunião para fazer minhas pesquisas e descobrirei que não são os únicos no mercado.

    Ou seja, sempre cai bem mostrar que você pesquisou seu mercado, conhece seus concorrentes e substitutos, conhece suas soluções e sabe dizer quais os diferenciais que seus clientes enxergam na sua solução em comparação com as demais.

    Como já comentamos acima, outra boa dica é considerar seus substitutos: quem concorre ou substitui sua solução depende sempre de qual é a necessidade que você resolve. Por exemplo, se a necessidade é reduzir a sinistralidade do plano de saúde dos funcionários, plataformas de monitoramento e orientação médica concorrem entre si, diferente se você diz que a necessidade é oferecer um benefício extra, então esse tipo de solução poderia ser substituída por aulas de yoga.

    Os substitutos costumam ser subestimados, mas podem ser até mais relevantes do que seus concorrentes diretos. Vale a dica de entender como os clientes resolviam essa necessidade antes de a sua solução existir – se haviam outras soluções mais “caseiras” ou se ela não era mesmo atendida. A depender da resposta, sua solução deverá ser boa o suficiente para que as pessoas queiram substituir a solução atual pela sua, por mais que sejam completamente diferentes.

    Tem que ter foco

    Como comentamos no início, nos casos que vemos de negócios que já estão operando, vendendo, mas ainda com muitas frentes de modelo de negócio em aberto, a falta de foco é um dos fatores mais comuns de origem deste cenário. É importante priorizar! 

    Quanto mais foco, melhor. Isso não significa que não poderá diversificar as soluções a longo prazo, mas no início, se empreender uma empresa já é difícil, empreender duas ao mesmo tempo é mais difícil ainda. 

    “Um não para B é um sim para A”. Tente ver o foco pelo aspecto positivo: ao invés de pensar que está abrindo mão da frente B agora, pense que você está protegendo e garantindo a evolução da frente A.

    Além disso, traga um sentimento de urgência para a decisão, no sentido de: “eu preciso entender o quanto antes se o negócio tem potencial de dar certo ou não, para decidir se continuo dedicando meu tempo e carreira para ele”. Desta forma, fica ainda mais claro que ter dois focos distintos ao mesmo tempo te atrapalhará e fará com que você demore mais para ter esse entendimento.

    Pense no Nubank, por exemplo, que se tornou um unicórnio oferecendo somente o cartão de crédito. Algum tempo depois é que diversificou os serviços para conta digital, empréstimos, conta PJ, um de cada vez.

    Uma dica é alocar suas horas garantindo que uma parte relevante do tempo esteja dedicada para o foco, e uma parte menos significativa está reservada para novas possibilidades. Então você define: onde você vai alocar suas próximas 100 horas? Será, por exemplo, prospectando novas escolas ou novas empresas? 

    Sem foco, você pode desperdiçar muito seu tempo de forma ineficiente, pois poderá, ao fim de um ano, não ter conhecido bem um mercado, nem o outro. Não ter criado uma solução relevante para um, nem para o outro. Costumamos dizer que se você coloca a mão em um lugar frio e a outra mão em um lugar quente, está errado dizer que a resposta é algo morno. Cuidado para entender se uma mesma solução de fato atende bem dois públicos distintos.

    Oportunidades x Desvios

    Por fim, clientes chegando passivamente são sempre animadores e um bom indício de que existe a demanda no mercado, mas saber diferenciar e filtrar as oportunidades que aparecem pode te ajudar muito. Se aparece um cliente disposto a pagar, mas apresentando uma demanda única, que você não ouviu de mais ninguém no mercado, com uma solução que também será utilizada uma única vez, cuidado. Pode ser bom pontualmente para gerar caixa ou para entender a capacidade de entrega da sua equipe, mas pode também ser um grande desvio e tirar seu tempo do que é prioritário. 

    Vale sempre dar um passo para trás e se questionar:

    – Alguém mais apresenta essa necessidade?
    – Esse cliente é único ou representa o meu público ideal?
    – Vou conseguir aproveitar a solução que vou desenvolver para este cliente para outros futuros?
    Se não, o preço que o cliente está pagando é suficiente para cobrir todos os custos do projeto?
    – Deveria cobrar pelo “custo de oportunidade” por não conseguir executar outros projetos neste período?
    – Este cliente vai me dar um endosso relevante para o futuro? 

    Há clientes que te aproximam da sua visão de futuro e te ajudam a concretizar seu propósito. Outros podem te desviar. É importante estar consciente para entender cada passo que se está dando.

    O programa de Validação do Quintessa oferece suporte mão-na-massa para apoiar empreendedores de negócios de impacto em toda a jornada de go-to-market. Se esse é o momento do seu negócio, inscreva-se por aqui, e entraremos em contato!

  • Passo 2 | Criando soluções relevantes para problemas reais

    Passo 2 | Criando soluções relevantes para problemas reais

    Já falamos sobre as necessárias reflexões iniciais e o processo de descoberta do problema do seu potencial cliente. É natural que durante ele você já tenha tido dezenas de novas ideias e imaginado uma nova solução para oferecer ao mercado. Precisamos agora evoluir e descobrir se existe interesse de compra por esta nova solução. 

    Muitos empreendedores tendem a olhar a validação do produto em aspectos mais funcionais, no sentido de entender se “o produto funciona ou não”. Porém, antes disso, acreditamos que se deva entender se é necessário para o cliente um produto melhor do que existe hoje e o que é necessário para ser uma solução melhor para o cliente.

    Sendo assim, a validação não começa construindo o produto, mas sim testando o  interesse do mercado por uma nova solução. 

    O objetivo nessa fase é entender:

    • Se seu cliente pagaria para ter uma solução que resolva o problema dele, validando a proposta de valor;
    • Se a solução pensada realmente resolve o problema dele no dia a dia, identificando sua usabilidade e possíveis funcionalidades;
    • Se é possível entregar esta solução dentro de um modelo de negócio financeiramente viável, entendendo seus custos para entregar a solução.

    Testes e MVP

    Nessa fase, o fator principal será testar potenciais soluções e interagir com seus potenciais clientes. 

    A ideia é começar com um MVP (mínimo produto viável), que pode ter baixa ou alta fidelidade à solução imaginada. Naturalmente você começa com baixa fidelidade e vai evoluindo e aprimorando ao longo dos testes.

    Os MVPs de baixa fidelidade são usados para testar premissas iniciais de um negócio, como a precificação e interesse de compra. Você pode fazer, por exemplo, uma landing page para cadastro dos interessados no seu produto ou serviço.
    Um MVP de alta fidelidade irá testar se a percepção de valor da solução é condizente com a necessidade do cliente e se encaixa na realidade dele. Nesse caso, provavelmente você irá fazer manualmente todos os processos de uma solução.

    A EasyTaxi, antes de gastar dinheiro, tempo e energia para desenvolver um aplicativo para conectar pessoas à taxistas sem saber se ele teria aderência, testou todo o processo de forma muito simples: seu primeiro MVP foi um formulário online em que o cliente colocava o seu endereço e a própria equipe da EasyTaxi ligava para a cooperativa mais próxima e pedia o serviço.

    Em alguns casos você pode até utilizar a estrutura de parceiros para testar a sua solução, por exemplo, acrescentando uma nova funcionalidade em um serviço/produto já existente e aproveitando para realizar os testes junto à sua base de clientes.

    O MVP não é uma versão mais barata ou mal acabada do seu produto, é apenas uma forma de testar e aprender rápido e com baixo custo. Uma clássica imagem explica o conceito de forma didática:

    mvp

    Você deve entregar valor em cada etapa de aprimoramento do produto, não apenas com o produto finalizado. 

    Encontre os early adopters, os entusiastas que estarão dispostos a compartilhar feedbacks sinceros quanto à usabilidade, ao preço, ao formato e à experiência como um todo. Fique atento(a) para entender se essa pessoa viu valor e disse que “pagaria” pela solução, e não somente se “gostou” ou “achou legal”. Além disso, pela nossa cultura no Brasil, temos a tendência de dar feedbacks positivos para evitar constranger o outro – estimule que as pessoas sejam sinceras com você e deixe claro que você está aberto(a) a ouvir suas opiniões sem nenhum filtro.

    Se tiver que pivotar, está tudo bem!

    Pivotar é um termo utilizado por startups para falar sobre a mudança de rumo e o teste de novas hipóteses e caminhos. O termo não significa desistir da ideia e começar outra do zero, mas sim utilizar as bases e ativos existentes para redirecionar o modelo e a estratégia existentes.

    A partir dos primeiros testes da sua solução, você começa a entender se o caminho que o negócio está seguindo faz sentido, ou se terá a necessidade de pivotar – e é natural que isso aconteça! O importante é estar aberto(a) para rever as premissas e pivotar o quanto antes. Lembre-se: teste, teste e teste. É a melhor forma de mitigar riscos e ineficiências antes de investir mais tempo, energia e dinheiro na sua ideia.

    Quanto tempo leva esse processo?

    Todas as etapas de validação exigem uma capacidade de experimentação e resiliência. Quanto maior a experiência dos empreendedores no problema e as competências técnicas para desenvolver o produto, menor é o tempo gasto para validar. Por outro lado, se a solução exige uma tecnologia robusta, naturalmente mais tempo e dinheiro são necessários para se desenvolver os primeiros testes.

    O timing do mercado também deve ser considerado. Muitas vezes o processo será longo porque a sazonalidade do mercado não induz que o assunto seja priorizado, e em outras, o mercado está em um momento muito propício para a experimentação. 

    Dicas no momento de refinar sua solução

    Algumas perguntas guias que podem te ajudar ao longo do refinamento da sua solução são:

    – A utilização da solução requer mudanças no comportamento do cliente? Requer mudanças na sua rotina?

    – Há um custo de mudança, barreira ou dificuldade para meu cliente trocar de fornecedor/ de solução? Caso haja, é algo que consigo ajudar a superar? (por exemplo: ele já se comprometeu com uma anualidade e pagará multa se mudar de plano antes do prazo final, ou ele já integrou seu sistema de softwares e será muito difícil realizar uma nova integração com o seu agora)

    – A solução é compatível, simples, identificável e de baixo risco percebido pelo cliente? (por exemplo: os fones da Apple, brancos, fazem com que o produto seja divulgado diariamente sem terem que investir em marketing, pois todos conseguem identificar seu produto)

    – Se a proposta de valor for “economizar” um custo para o cliente, você consegue tangibilizar essa proposta e calcular o tamanho dessa economia para ele: “hoje paga X, passará a pagar Y e economizará Z”? 

    – Está alinhada a uma tendência de mercado ou está indo na contra mão? (ex: uso de inteligência artificial ou telemedicina?)

    – Alguma mudança que afetará a necessidade por essa solução? Alguma lei que foi aprovada e está influenciando o comportamento de compra?

    – Quais são as barreiras de entrada? O que impede que amanhã alguém crie uma solução muito similar à minha e me substitua no mercado?

    – A venda da minha solução depende da venda de outra, ou da mudança de algum setor ou infraestrutura? (por exemplo, vendo buzinas de bicicletas e dependo que outra empresa venda bicicletas para que eu possa crescer também)

    – Se meu diferencial se conecta à uma solução super personalizada para cada cliente, o custo que isso me demandará supera a receita que me gerará? O ganho compensa minha potencial perda de escala?

    – Onde nós, sócios, somos bons? O que temos como ativo? O que sabemos fazer? Não adianta se tratar de uma grande oportunidade de mercado, se você (ou seus sócios) não tem as competências necessárias para entregar a solução ou não consegue mobilizar os recursos necessários para entregar a proposta de valor. À medida que a solução que você deve oferecer ao mercado for se tornando mais clara, reflita se ela é factível de ser entregue ou se você deveria mobilizar novas pessoas e competências ao time.

    – Lembre-se que em negócios de impacto a geração de receita e de impacto positivo andam juntos. Por exemplo, se minha tese de impacto é sobre dar acesso, o preço a ser praticado está condizente com isso?

    Como saber se as evidências já são suficientes?

    As opiniões dos potenciais clientes, a chegada de demandas passivas, indicações e recomendações boca-a-boca, o sucesso do MVP, a realização das primeiras vendas… São muitas as variáveis que podem indicar que o caminho escolhido para validar a sua solução está fazendo sentido. Um processo de validação bem feito evita muitas dores de cabeça no futuro, como ter que refazer o produto ou enfrentar dificuldades em vendas por não entender a fundo para quem vender e de que forma apresentar a solução. Encontrar uma solução que atende o problema do cliente ainda não significa que ela faz sentido e é competitiva no mercado, então vamos continuar falando de validação aqui neste outro texto.

  • Validação | Passo 1 – Qual problema o seu negócio resolve?

    Validação | Passo 1 – Qual problema o seu negócio resolve?

    No dia-a-dia do Quintessa trabalhamos com empreendedores de diferentes perfis. Vemos empreendedores com experiência em gestão, negócios, lideranças de times. Vemos empreendedores que são especialistas no contexto socioambiental do problema que se propõem a resolver (saúde, educação, etc.). Vemos também empreendedores especialistas nos aspectos técnicos que pretendem desenvolver (pedagogos, médicos, desenvolvedores, etc.).

    Embora os perfis sejam importantes e complementares, para desenvolver um negócio o primordial é se tornar um especialista sobre a realidade do cliente. O trabalho principal no início da jornada é ser identificar quais problemas/dores/necessidades seu potencial cliente possui e quais você vai atender.

    Um dos mais recorrentes erros que vemos empreendedores em estágio de validação fazerem é dizerem que os seus clientes são “os homens que moram em tal cidade”, “professoras” ou “hospitais” ou ainda “a sociedade”.  Hoje temos uma quantidade enorme de dados disponíveis, que geram informações demográficas e psicográficas para entender o seu público, mas elas não bastam para identificar o principal elemento que vai definir o seu segmento de mercado: “qual necessidade do cliente você está ajudando a resolver”.

    Por exemplo: é muito diferente dizer que o seu público é composto por “mulheres, que moram em São Paulo, classe média, que têm entre 25 e 35 anos” ou dizer que é composto por “mulheres jovens que estudam, moram longe e precisam de uma forma para chegarem mais rápido no trabalho, com disponibilidade de investir x reais/mês em algo que solucione esta necessidade”. 

    “Jobs to Be Done” é uma metodologia que sugere uma abordagem para trazer clareza de qual necessidade o seu negócio se propõe a atender. Partimos do princípio de que as pessoas pagam por produtos e serviços para realizar tarefas, trabalhos e problemas que precisam ou se interessam em resolver. O que determina a compra não são as características da pessoa, mas sim se ela consegue ter o seu problema relevante resolvido.

    Embora pareça simples, essa visão reforça a importância de entender as motivações dos seus clientes, indo muito além das características pessoais. Além disso, você evita construir produtos que sejam apenas  “legais” de se ter, mas sim aqueles que são realmente relevantes para as pessoas.

    A necessidade do cliente é que determina o produto: as pessoas querem um furo na parede, não necessariamente querem uma furadeira. Por isso, antes de investir em construir uma potencial nova solução, o melhor a se fazer é compreender a fundo quais dificuldades as pessoas possuem quando precisam furar e se há demanda para se proporcionar uma melhor solução para elas.

    Algumas perguntas podem te guiar nessa descoberta:
    • Qual o tamanho dessa necessidade? Ela é relevante para o seu potencial cliente?
    • Com qual frequência ele sente essa necessidade?
    • É uma necessidade recorrente/constante ou é pontual?
    • O cliente tem percepção sobre essa necessidade?
    • É uma necessidade implícita ou explícita?
    • Como ele já resolve essa dor hoje? 
    • Por quê as soluções que já existem não atendem essa necessidade da melhor forma?
    • O seu potencial cliente precisa/deseja/está aberto a uma nova e melhor solução? 

    Lembre-se que quem deve responder a essas perguntas são os seus potenciais clientes – e não o que você supõe que eles pensem a respeito delas. Aos poucos você vai percebendo como este processo muda a sua visão sobre o produto e o negócio, chegando a conclusões difíceis de serem imaginadas sem esse contato com o cliente.

    Prepare-se para gastar muita sola de sapato!

    No nosso programa de validação, apoiamos os empreendedores que têm uma hipótese de modelo de negócio ainda não validada e trabalhamos para buscar evidências e validá-la junto ao mercado. No entanto, nos deparamos com muitos negócios que ainda nos trazem muitas hipóteses em aberto.

    Na maioria destes casos, ao conversar um pouco mais, percebemos que (às vezes com o produto já pronto) os empreendedores ainda não foram para a rua conversar, interagir e conhecer seus potenciais clientes, e por isso chegaram a uma solução que não atende suas necessidades reais. Quando isso acontece, muitas vezes provocamos que eles ainda gastem um pouco mais a sola do sapato sozinhos antes de entrarem no nosso programa. 

    Brincadeiras à parte, isso significa sair do escritório e fazer uma escuta de mercado ativa e ampla para entender quem são estas pessoas e como elas se relacionam com o problema. Pode significar marcar entrevistas, fazer pesquisas online, participar de eventos, promover rodas de conversa, ler conteúdos sobre este público e mercado, conversar com pessoas que trabalham na área, pedir para acompanhar o dia a dia de um potencial cliente, passar pela experiência de comprar a solução de um provável concorrente ou substituto, entre outras ações.

    Neste processo, você ganhará mais certeza sobre suas hipóteses, ou poderá descobrir que o que antes parecia ser uma grande oportunidade, na verdade é um mercado inexistente, ou mesmo, ao interagir com seus potenciais clientes, terá reflexões se quer mesmo dedicar os próximos anos da sua vida para trabalhar para estas pessoas e para solucionar esta sua dor.

    Reunimos algumas dicas e metodologias para te ajudar a fazer isso.

    Quais os objetivos dessa escuta?
    • Entender o contexto no qual a pessoa vive o problema (a partir da perspectiva dela)
    • Entender, de todos os problemas que vivencia, qual considera mais relevante
    • Compreender o que a pessoa tem feito para resolver seu problema e porquê
    • Entender, para cada entrevistado, o que existe de positivo e negativo com cada solução que utiliza
    • Identificar qual segmento de cliente (grupo de pessoas que se comporta de maneira similar) está mais insatisfeito ou buscando outra forma de resolver este problema
    • Atenção: o foco ainda não é validar a sua ideia de solução, mas apenas conhecer e aprender sobre seu público.
    Como organizar este processo de escuta?

    A Matriz CSD (Certezas, Suposições e Dúvidas) serve para abrir horizontes e priorizar dúvidas e pode te ajudar a organizar as informações que tenha escutado durante a interação com o mercado.

    Vamos retomar o exemplo citado acima, e entender o problema das “mulheres jovens que estudam, moram longe e precisam de uma forma para chegarem mais rápido no trabalho, com disponibilidade de investir x reais/mês em algo que solucione esta necessidade”.

    matriz csd

    Para cada elemento de “dúvida” e “suposição”, você deve investigar como pode buscar evidências (dados, fatos, informações, comprovações) de que sejam verdadeiras – e migrá-lo para a coluna das “certezas”. 

    Por exemplo, neste caso, para tirar a dúvida se uma potencial cliente já tentou ir de bicicleta ou se utiliza o Uber e 99, podemos seguir mais ou menos este roteiro:

     Hoje como você vai para o trabalho? Quanto tempo demora? Pega trânsito? O que faz enquanto está no trânsito? Já tentou ir em outro horário/outra forma? Por que não deu certo? Qual situação seria ideal para você ir ao trabalho/sair a noite/ viajar? Quais meios de transporte já tentou usar para ir trabalhar?

    Do que está me contando, entendi que os problemas principais relacionados para você são:

    – Indo de bicicleta chega muito suado(a)
    – Ônibus é muito lotado
    – Se usar carro, tem alto gasto com estacionamento e combustível. É isto mesmo?
    – Se tivesse onde parar o carro gratuitamente, iria de carro?
    – Dado os problemas que trouxe, por que prefere usar o ônibus?
    Um painel de resultados pode te ajudar a visualizar as respostas:

    validação de mercado 

    E uma forma de compilar todas estas descobertas de forma simples pode ser resumir neste modelo de frase:

    Algumas dicas complementares sobre este processo são:

    – Pode ser interessante ir na linha da “venda investigativa”, ou seja, ao invés de puramente agendar uma entrevista, você agenda uma reunião de venda e conduz ela desta forma, porém, não tendo como foco apenas o fechamento de um novo contrato, mas sim tendo como foco investigar e conhecer mais sobre seu potencial cliente;

    – Para conseguir realizar as entrevistas, você pode propor pesquisas online, enviar mensagens para as pessoas no LinkedIn pedindo uma conversa, abordar as pessoas no seu dia a dia (como na saída do metrô), pedir que uma pessoa conhecida em comum te apresente – o melhor caminho vai depender de quem é o seu público e também do que é viável realizar na prática;

    – Pense sobre qual será a ordem de abordagem de seus potenciais clientes: se a “Empresa X” é seu grande objetivo, pode ser estratégico iniciar as conversas por ela, por representar exatamente seu segmento foco, bem como pode ser muito estratégico deixar ela por último, quando você já tenha aprendido mais sobre o mercado e tenha uma proposta mais refinada para apresentar – não há uma resposta certa única, pois depende muito de cada caso, mas vale a pena considerar este elemento no momento em que estiver planejando sua jornada de escuta;

    – Tratando de negócios de impacto de forma específica, cuidado para não cair em pensamentos como “mas é claro que as pessoas querem solucionar a questão dos resíduos na cidade, esse problema é muito relevante”. Como falamos no texto de reflexões iniciais, se permita pensar de forma mais cética: será mesmo que as pessoas se importam com seus resíduos? Será mesmo que elas pagariam do próprio bolso por uma solução? A beleza dos negócios de impacto está exatamente na união da superação de desafios sociais e ambientais relevantes com o atendimento de necessidades de mercado relevantes. Há de se considerar ambos aspectos.

    – É um risco os empreendedores acharem que, por essa solução deixar o mundo melhor, as pessoas estarão dispostas se engajar. Mas, na prática não é tão fácil: não basta substituir um produto que já existe de uma forma “mais bonita” ou “mais sustentável”, pois a troca não é natural. A não ser que a necessidade do clientes seja especificamente de uma solução mais sustentável, você precisará oferecer de fato uma solução melhor que a atual, resolvendo de forma mais eficaz/eficiente/barata a dor do cliente. Entenda bem qual a necessidade do seu cliente para que depois tenha um bom embasamento para sustentar seu diferencial competitivo.

    “Nenhum plano de negócio sobrevive ao primeiro contato com o cliente”

    Essa frase de Steve Blank é ótima para traduzir a importância de envolver o cliente em todo o processo de desenvolvimento de um novo negócio, que se dá resumidamente nesta lógica:

    Uma escuta de mercado bem feita faz com que você aprenda rápido e não perca tempo tentando resolver os problemas errados (ou seja, inexistentes ou irrelevantes) – ou desenvolvendo uma solução que não seja relevante para superá-lo. E isso é ainda mais importante para os negócios de impacto que se propõem a resolver problemas grandes e complexos. 

    Feito este primeiro passo, começamos a pensar na solução, entendendo o que é necessário para oferecer uma solução melhor para o cliente. Nesse texto do blog falamos sobre o encaixe do problema com a solução, o também chamado “problem-solution fit”.

  • Reflexões para todo(a) empreendedor(a) no início da jornada

    Reflexões para todo(a) empreendedor(a) no início da jornada

    Tirar uma ideia do papel e começar um negócio de impacto é um grande desafio, sendo preciso coragem e resiliência para apostar o seu tempo, esforço e dinheiro para levar a ideia adiante e encontrar um modelo de negócio sustentável e lucrativo.

    Conseguir se manter de pé nos primeiros meses ou anos do seu negócio é um dos momentos mais difíceis na jornada, por isso esse processo de validação é também chamado de “vale da morte” para muitas startups. No Quintessa, nos deparamos com os mais diferentes desafios nos negócios que selecionamos e entendemos que muitos deles estão relacionados a uma falta de clareza, visão ou alinhamento do(a) empreendedor(a) sobre sua própria jornada e expectativas sobre o negócio.

    Assim, reunimos aqui alguns conselhos e reflexões que gostaríamos de compartilhar com todo(a) empreendedor(a) no início da jornada. 

    Entenda o que é sucesso para você e seja sincero(a) consigo mesmo(a) sobre o que deseja para si a longo prazo

    Cada um tem um entendimento do que significa sucesso e o que significa “chegar lá”: pode ser impactar milhões de pessoas, pode ser faturar milhões, sair na capa de uma revista, captar milhões de investimento, ter uma vida saudável e um time feliz, pode ser empreender sozinho(a) e ganhar um pró-labore* suficiente para trabalhar com algo que goste, pode ser ter uma empresa com centenas de colaboradores, ter uma empresa internacional, e tantas outras possibilidades.

    Essa visão de sucesso, de forma explícita ou implícita, acaba guiando as decisões dos empreendedores, pois fica sempre a reflexão: esta decisão que estou tomando agora, me aproxima ou distancia de onde desejo chegar? 

    É importante ter essa visão explícita e consciente consigo mesmo(a), pois será a sua régua para dizer se o negócio tem potencial para ser “o suficiente” para o que você quer para sua vida. Caso contrário, você vai ouvir opiniões de aceleradoras, investidores, familiares e conhecidos a partir do que é a régua de valores/critérios de cada um deles, seguindo opiniões externas sem saber se aquilo faz mesmo sentido para você. Essa visão pode mudar com o tempo, mas quanto mais consciente e explícita para si (ou entre os sócios) ela estiver, melhor será.

    Além de ser o norte em termos de direção e a régua em relação ao que é suficiente, também te ajudará a entender os limites – e até onde você irá para cumprir a sua visão. Por exemplo, se está disposto(a) a ficar sem receber pró-labore por um tempo, arriscar realizar entregas sem qualidade, empréstimo no banco ou tantas outras possibilidades. Isso também te ajudará a entender o quanto de risco você está disposto(a) a correr na sua jornada empreendedora – e, de novo, quanto mais consciente e explícito for este pacto entre os sócios, melhor.

    *Pró-labore: remuneração dos sócios

    Permita-se colocar um “chapéu” mais cético

    Um dos grandes desafios dos empreendedores é alternar entre os tantos e diversos “chapéus” que precisa colocar.

    Um dia é o papel mais visionário(a), olhando a longo prazo, para acompanhar as tendências do seu mercado. No dia seguinte, olhar a curto prazo e entender quais as prioridades desta semana. Um dia ser super criativo(a) e pensar em novos produtos. No dia seguinte, ser super focado(a) nas entregas e detalhes da operação. No próximo, ser vendedor(a) e mobilizar novos parceiros. Um dia ser super otimista, acreditando que tudo vai dar certo e que faz sentido tomar esse risco. No dia seguinte, ser pessimista e saber mitigar riscos.

    Não é à toa que é saudável dividir estes papéis com sócios com responsabilidades diferentes na empresa. Porém, muitas vezes se está sozinho(a) nessa.

    Dentro disso, na etapa de validação é muito importante que você, em alguns momentos, possa enxergar a situação com um “chapéu” mais cético. Sugerimos algumas reflexões:

    • Já recebi vários parabéns e palavras de apoio, mas essas pessoas que estão dizendo isso são meus amigos ou são meus potenciais clientes?
    • Já palestrei em vários eventos, mas quantas notas fiscais já emiti?
    • As pessoas estão dizendo que acham a solução legal, mas de fato pagariam por ela? De fato mudariam sua rotina para adotá-la?
    • Se muitas pessoas boas já tentaram fazer isso antes e não deu certo, por que agora dará? O que de fato eu estou fazendo diferente delas? O quanto as condições do mercado mudaram de fato? 
    • Por mais que eu acredite que isso deveria acontecer ou existir, será que as pessoas sentem mesmo essa necessidade? Será que elas de fato se importam com este assunto? Será que elas se importam a ponto de te pagar para solucionar essa necessidade?

    Essa última pergunta é bem importante, principalmente quando falamos de negócios de impacto, de empreender com o objetivo de superar desafios sociais e ambientais. Por exemplo, as pessoas deveriam se importar em saber para onde vai o seu lixo, mas será que elas se importam mesmo? De todas as pessoas que existem, qual o segmento delas que de fato se importa? Isso é importante para que você segmente seu público para aquele que de fato sente essa necessidade, para quem essa necessidade é de fato relevante. 

    Por aqui, no Quintessa, brincamos que os bons negócios são aqueles que não dependem que o seu cliente acorde de bom humor para dar certo. A brincadeira tem relação com o que estamos falando agora – um bom negócio não depende que a pessoa acorde bem humorada e pense “hoje vou fazer uma boa ação e me importar com o meu lixo”, mas que talvez no dia seguinte já se esqueça disso. Um negócio depende apenas que a pessoa acorde como acorda todos os dias – porque ele está conectado em solucionar uma necessidade já existente e relevante para a pessoa.

    Por mais inovadora que seja a solução e por mais que se precise “educar seu cliente”, essa educação tem a ver com conseguir mostrar que a sua solução é eficaz, mas não tem a ver com criar uma necessidade que a pessoa não reconheça em si. 

    Saber adotar uma forma de pensar mais cética pode te ajudar muito. Isso não significa que você deve tomar suas decisões apenas com ela como guia, mas ela pode ser uma grande parceira para te ajudar a amadurecer decisões antes de tomar riscos pensando apenas com uma abordagem otimista.

    Permita-se colocar um “chapéu” mais conservador

    Na hora de investir recursos próprios, se imagine no lugar de uma pessoa super conservadora e que quisesse mitigar riscos antes de alocar seus recursos financeiros. Isso pode te ajudar a pensar em caminhos de realizar mais testes, rápidos e baratos, para validar suas hipóteses, antes de apostar recursos em uma premissa que pode não ser verdadeira na prática. Por exemplo:

    • Antes de investir 100 mil reais em marketing para vender online, eu já testei se meus clientes têm o hábito de comprar online, ou passariam a comprar esta solução online? Eu já realizei entrevistas para entender o que eles precisam de informação e no que precisam sentir segurança antes de decidirem comprar?
    • Antes de investir 100 mil reais em um app, eu já testei se um site responsivo resolveria a necessidade dos meus clientes? Eu já testei se a operação funciona e se meus clientes ficam satisfeitos (e pagam pela solução) em alguns testes iniciais mais “caseiros”? 

    Assim, faça uma lista das hipóteses e premissas que você está adotando e busque meios de validá-las, ou seja, de obter evidências de que são reais, de que funcionam na prática, antes de apostar nelas apenas porque você acredita que fazem sentido. Lembre-se: quem deve achar se elas fazem sentido ou não, não é você, seus familiares ou amigos, são os seus potenciais clientes. 

    Além disso, dentro desta abordagem mais conservadora, vale encarar que, muitas vezes, no início da trajetória empreendedora o que você possui como base de diferencial competitivo é apenas você mesmo(a), sem ainda uma tecnologia, produto, serviço, time, etc. para embasar sua capacidade de ganhar o mercado. Assim, antes de se jogar em algo novo, reflita um pouco sobre: 

      • O que eu já sei sobre este mercado? 
      • O que eu já sei sobre este potencial cliente? 
      • O que eu já vivenciei sobre a dor que eu quero resolver? 
      • Quais, das competências, habilidades e conhecimentos necessários para fazer este negócio dar certo, eu já possuo?
      • Em qual área eu terei mais chances de executar um melhor negócio do que outra pessoa que também decida empreender neste segmento? 

    Ter o mínimo de vivência e de conhecimento sobre a área na qual você vai empreender pode ser um bom filtro inicial para mitigar riscos e aumentar a probabilidade de criar algo diferenciado de fato.

    O limite entre a persistência e a teimosia

    Dentro desta diversidade de “chapéus” a se utilizar, ou seja, de formas de enxergar as situações e de papéis a se realizar, é comum perder-se em algumas linhas tênues. 

    Uma delas, talvez uma das mais difíceis, seja no momento que as coisas não estão dando certo. Você pode pensar: “tudo bem, é difícil mesmo, é normal ouvir muito ‘não’, preciso persistir mais” ou pensar “ok, está claro que isso não vai funcionar, devo mudar meus planos”. 

    É claro que não há uma resposta única e assertiva para se utilizar em todas as situações, mas uma dica que vale para todos é: se atenha ao que o mercado, ao que os seus clientes estão te dizendo. Está sendo uma situação momentânea ou atípica, ou as condições do mercado estão normais e ele funciona assim mesmo? Qual o tempo de ciclo de vendas comum neste mercado? Esta margem bruta é comum para esta indústria ou a sua está mesmo baixa demais? 

    É importante trazer um sentimento de urgência para a decisão, no sentido de se esforçar para tentar entender o quanto antes se o negócio tem potencial de dar certo ou não. 

    Por isso, converse, converse, converse: com os seus clientes e com outras pessoas que já operam neste mercado há mais tempo. A decisão final sempre será sua e feita a partir do que você deseja e quais riscos está disposto(a) a correr, mas te ajudará a entender por qual caminho seguir. 

    Em alguns casos, o feeling também merece ter um espaço na reflexão: o que sua intuição, livre dos medos e da pressão e do ego, te diz?

    Reserva financeira e saúde mental

    Empreender é uma montanha-russa de emoções. Dias de luta, dias de glória – ou melhor, muitas horas de luta e algumas horas de glória. É receber uma ligação que ganhou uma premiação, mas desligar o telefone e pensar em qual instituição pegará empréstimo para pagar as contas do mês seguinte. É receber um feedback positivo de um cliente, mas saber em seguida que o(a) colaborador(a) que você via como futuro(a) sócio(a) pediu demissão.

    Dentro disso, acaba sempre surgindo a pauta da saúde mental, de como manter uma sanidade mental, um equilíbrio emocional, um dia a dia saudável em meio a tantas oscilações, e entre as diversas dicas que existem, queremos destacar uma em especial: a pressão financeira pode agravar muito o cenário de estresse emocional.

    Empreendedores estão acostumados a tomar risco financeiro – tomar empréstimo para financiar a operação antes de receber de clientes, por exemplo. No entanto, como diz este texto da Inc (em inglês), um bom conselhos é limita a sua exposição financeira enquanto empreendedor(a). Se o negócio não der certo, isso já será duro. Se o negócio não der certo, mas você tiver perdido o suficiente para não conseguir garantir o aluguel da sua casa e fazer o supermercado, a situação será muito mais dura e difícil de superar.

    Cada um sabe até onde deseja ir e o que chama de “limite” de exposição, mas acreditamos que seja saudável você refletir sobre qual é o seu limite pessoal e ter isso claro para si – e, caso tenha sócios, pactuado entre vocês. E vale lembrar que não é apenas limite financeiro, mas também o limite de tempo investido em fazer o negócio dar certo.

    Reflexões para empreendedores de impacto

    Ao longo do processo de validação de negócios de impacto, podem surgir diversas soluções possíveis. Ao decidir para onde ir, algumas outras reflexões podem ser importantes:

    • Se o mercado não for grande o suficiente, é uma opção para os sócios depender da captação de doações e operar como uma ONG?
    • Independente do impacto que isso gere, e da minha vontade de fazer isso, se eu estivesse apenas em busca de retorno financeiro, eu seguiria adiante? Em qual direção iria?
    • Independente do retorno financeiro que pode me trazer, o impacto gerado é de fato relevante? De fato estou trazendo uma solução relevante para este desafio social ou ambiental? O desafio no qual estou focado(a) é de fato relevante?

    Por fim, tenha certeza de que essa é sua verdadeira paixão – que este empreendimento te instiga, te motiva a continuar, te dá energia para ir além. É necessário abrir mão de muita coisa pelo negócio e a sua relação com ele será de muitos anos!

    Aqui no blog você encontra mais conteúdos e dicas práticas para o processo de validação do seu negócio de impacto. Acesse!


    Para se aprofundar:

    Webinar – Negócios de Impacto Social