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  • Como famílias empresárias podem atuar com negócios de impacto

    Como famílias empresárias podem atuar com negócios de impacto

    E por que seu engajamento pode ser fundamental para o avanço do setor

    Os family offices, estruturas que administram o patrimônio de famílias empresárias e pessoas físicas de alta renda, já se aproximaram do ecossistema de empreendedorismo e das startups e são hoje uma alternativa para empreendedores que buscam investimento de venture capital. 

    Agora, começam a se aproximar também do ecossistema de impacto. O report da INEO de 2020 mostrou que as famílias empresárias têm se mostrado cada vez mais engajadas nas temáticas de filantropia, ESG e investimentos de impacto, impulsionadas pelas movimentações do mercado e pela visão das novas gerações que assumem a gestão.

    47% das famílias entrevistadas pretendem alocar entre 1 e 10% de seu portfólio em investimentos de impacto, e 12% pretende alocar de 11 a 50%. Além disso, 26% aumentou seu envolvimento com filantropia na pandemia.

    Por outro lado, a pesquisa aponta também os desafios em transformar esse engajamento em prática e investimento de fato: mais de 70% das famílias não conhecem o impacto social e ambiental dos ativos que investem, olhando apenas o retorno financeiro, e 35% dos entrevistados ainda não começaram a estudar o tema.

    O cenário é típico de transição: há intenção de avanço na atuação da temática, mas ainda é o momento de compreender como isso pode acontecer na prática. O lado bom disso é que, não havendo um único caminho correto possível, há diversas maneiras de se engajar e promover esse avanço.

    Enxergamos como essencial o engajamento desse ator dentro do ecossistema de impacto. Nos últimos anos, vimos o engajamento de empresas e governo nele, mas sabemos que estes segmentos tendem a ser direcionados por metas de curto prazo. As famílias empresárias, com maior autonomia sobre a alocação de seu patrimônio e o olhar para o legado positivo que as gerações geram, podem trazer um capital estruturante e de longo prazo para compor o setor.

    Além disso, essas famílias costumam poder aportar não apenas recursos, mas apoios não financeiros de alto valor, como conhecimento de negócios (para mentorias) e conexões qualificadas com o mercado, entre outros.

    Como então as famílias empresárias podem incrementar e aprimorar sua participação no ecossistema de impacto? 

    Já faz alguns anos que nos relacionamos com investidores ‘pessoa física’, famílias e family offices, principalmente com um olhar de investimento anjo nas startups de impacto. Recentemente, as possibilidades têm se expandido. 

    Por um bom tempo optamos por não olhar para o bolso da filantropia, pois nossa grande batalha era mostrar que negócios de impacto poderiam gerar retorno financeiro positivo. De fato, conseguimos consolidar isso, com vários negócios de impacto da nossa rede que estão sendo investidos e adquiridos por grandes fundos e empresas, como a Boomera e a Ambipar, Courri com a Americanas, entre outros cases. (Caso não conheça o conceito de negócios de impacto, conheça aqui).

    A questão é que se estes negócios não tivessem alcançado um estágio maduro como empresa, isso nunca teria acontecido e é no apoio a esses negócios que o capital filantrópico faz muito sentido e pode ser um ponto de partida para a atuação das famílias. Um capital filantrópico paciente e estruturante para viabilizar o desenvolvimento dos negócios de impacto, mais aderente ao risco e precedente ao bolso de venture capital (VC).

    Vale ressaltar que a grande maioria das famílias sempre atuou com impacto na linha da filantropia, realizando ações e doações pontuais ou até recorrentes para diversas organizações do terceiro setor. O que queremos apresentar é a inovação como uma lente para a filantropia, com o objetivo de ampliar o impacto dessa doação de forma mais perene, sustentável e com potencial de multiplicação, por meio dos negócios de impacto. 

    Nosso entendimento é que uma atuação não substitui a outra e são complementares. Dentro do espectro do capital, há os diversos “tons de cinza” a serem preenchidos, desde a filantropia mais tradicional, o venture philanthropy, o investimento anjo, o investimento de VC para estágios iniciais, o private equity, e assim em diante. Para cada tipo de capital, há um escopo específico de negócios de impacto e projetos que se adequa, sendo a atuação com esses diversos bolsos uma estratégia de diversificação de portfólio e abrangência de atuação das famílias.

    Um case muito interessante a ser estudado é de Puerto Asis Investiments, na Argentina. Tendo os 17 ODS como base (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, formulados pela ONU em 2015), são uma plataforma de investimentos com propósito que opera através de diferentes estratégias em um espectro contínuo de capital. 

    As variações dentro do espectro analisam aspectos como:

    • Retorno financeiro: retorno de mercado x “Impact first” x sem retorno financeiro
    • Nível de risco 
    • Foco de impacto: mitigação de impacto negativo x potencialização de externalidades positivas x contribuição para solução de desafios sociais e ambientais

    Entre a variação desses aspectos, as respostas variam entre:

    • Mandatos de investimento: private equity x venture capital x filantropia
    • Estágio das investidas: empresas maduras x startups x projetos
    • Estratégias: investimento responsável x investimento sustentável x investimento de impacto x venture philanthropy x investimento social x bens públicos 

    Neste texto que publicamos anteriormente você pode se aprofundar mais sobre os tipos de capital. Há ainda o viés de estruturações “blended”, que mesclam distintos tipos de capital em uma mesma operação, mas no qual não nos aprofundaremos aqui.

    Como isso acontece na prática?

    Aqui focaremos no conceito de Venture Philanthropy, que, de forma simplificada, pode oferecer capital filantrópico e apoio não financeiro para o negócio de impacto amadurecer a ponto de se tornar um investimento futuro. Falamos mais sobre esse conceito aqui, que pode ser aplicado tanto pelas famílias quanto por fundos de investimento.

    Replicando o conceito: “Venture Philanthropy trabalha para fortalecer as organizações sociais, fornecendo-lhes recursos financeiros e apoio não financeiro, a fim de aumentar seu impacto social. A metodologia é baseada na aplicação de princípios de capital de risco, incluindo investimento a longo prazo e apoio prático. As principais características incluem: Financiamento sob medida (escolhendo os instrumentos financeiros mais adequados a fim de apoiar a organização – grant, dívida, equity e instrumentos financeiros híbridos); Apoio organizacional (serviços de apoio com valor agregado a fim de fortalecer a resiliência organizacional e a sustentabilidade financeira); Medição e gerenciamento de impacto (medição e gestão do processo de criação de impacto social, a fim de maximizar e potencializar impacto)”. 

    Aqui no Quintessa já realizamos algumas iniciativas diferentes junto a investidores e famílias:
    • Family offices: Plataforma Negócios pelo Futuro

    Em 2020 executamos a iniciativa da Plataforma Negócios pelo Futuro com dois family offices, no objetivo de ampliar a oferta de soluções de negócios de impacto que pudessem contribuir com soluções no contexto de pandemia. A Provence Capital e a Península investiram, de seu bolso de filantropia, R$ 650 mil em três startups de impacto, sendo parte do valor destinado à contratação de seus serviços, para que pudessem ser oferecidos à população e gerassem impacto positivo aos beneficiários na ponta, e parte à aceleração e acompanhamento dos negócios pelo Quintessa. 

    Um dos negócios foi a Parças Developers School, que forma e emprega egressos do sistema prisional na área de tecnologia. Além de receberem um capital filantrópico para oferecer o curso a mais alunos (e inclusive usaram parte do dinheiro para comprar cestas básicas a estes jovens), receberam uma aceleração de 8 meses do nosso time para estruturar a gestão e o modelo de negócio, o que permitiu que ao fim do processo, o Nubank investisse na startup. Desde então o impacto só vem aumentando e mostra como o capital filantrópico não só apoiou os beneficiários como viabilizou a aceleração do negócio, que, já mais maduro, pôde acessar o recurso de investimento e ganhar escala, multiplicando o impacto gerado de forma perene.

    • Pessoas físicas: Sponsorship Quintessa

    Em 2018 criamos o Sponsorship Quintessa, programa em que investidores financiaram uma aceleração do Quintessa para algumas startups de impacto. O objetivo foi a geração de pipeline, impulsionando o crescimento do negócio e preparando-os para um investimento ao final da aceleração – além do que já mencionamos sobre conhecer melhor os empreendedores para mitigar riscos na futura sociedade, o que fez muita diferença ao final do processo. 

    • Famílias e pessoas físicas: Jornada de Venture Philanthropy

    Este programa foi criado em 2021 para pessoas físicas e famílias empresárias, em forma de uma jornada de 8 a 15 meses abrangendo três objetivos: gerar impacto positivo (seja pela atividade fim dos negócios, seja por promover o desenvolvimento do ecossistema), gerar aprendizado prático e vivencial em investimento de impacto, e gerar pipeline qualificado para potencial investimento posterior.

    Os participantes são o Instituto Helda Gerdau e Associados do ICE.

    Além de apoiar financeiramente o desenvolvimento de startups de impacto positivo por meio de uma aceleração do Quintessa para os negócios, incluímos momentos de capacitação, mentoria, conexões de valor e networking. Uma das vantagens nesse formato é promover também a troca entre as famílias e os investidores, que compartilham seus aprendizados e reflexões sobre a atuação na temática.

    Seguindo o formato que realizamos na Jornada, entendemos que pessoas físicas de alta renda (investidores) e famílias empresárias/family offices podem atuar com negócios de impacto em três principais objetivos:
    • Desenvolvimento do ecossistema de impacto

    Quando falamos dos negócios de impacto, segundo o levantamento do Mapa de Negócios de Impacto do Brasil, 70% deles não tem faturamento ou faturam menos de 100 mil ao ano, estando a maior parte deles em estágio inicial. 

    Além disso, quando lançamos o GUIA 2.5, ficou nítida também a necessidade de apoio por parte das aceleradoras, que sozinhas na responsabilidade financeira de promover o apoio aos empreendedores, não conseguem fomentar o desenvolvimento de todo o ecossistema. 

    Com cada vez mais capital de risco chegando no ecossistema, focado em investimento de impacto, o pipeline de negócios qualificados não tem aumentado na mesma proporção para poderem receber esses aportes, havendo um gap de capital não alocado por falta de pipeline de negócios maduros que possam receber ele. É necessário então um capital mais paciente que possa apoiar no desenvolvimento dos negócios até atingirem um nível de maturidade para receber investimentos.

    Sendo assim, a doação por parte das famílias para apoiar o desenvolvimento do ecossistema de impacto tem um poder de multiplicação muito forte: ao apoiar um negócio de impacto no início, ao ele entregar seus produtos/serviços e crescer, ele impacta positivamente milhares de pessoas. Assim, o impacto se dá não apenas pelo desenvolvimento do ecossistema, mas também pela geração de impacto positivo na ponta, aos beneficiários.

    • Aprendizado prático

    Apoiar os empreendedores de impacto é uma forma de experimentar e vivenciar o ecossistema de impacto na ponta. Consumir conteúdo, participar de eventos e palestras é importante, mas atuar diretamente no dia a dia empreendedor, entender seus desafios e conhecer seus beneficiários é uma forma de aprender e refletir sobre quais são as reais necessidades de apoio e como cada um deseja participar do ecossistema para potencializar essa geração de impacto. Há diversos “tons de cinza” dentro do setor 2.5 e aprender na prática sobre a diferença entre cada negócio, de estágios diferentes, é a melhor forma para se preparar para gerir bem seus vários tipos de capital.

    • Formar pipeline de investimento

    O terceiro objetivo é formar um pipeline qualificado de startups de impacto e poder ‘trocar de bolso’, investindo por meio de capital de risco. Além disso, é uma oportunidade de se relacionar com os fundadores, entender sinergias e alinhamento de valores para uma futura sociedade. É com o bolso da filantropia que viabiliza a aceleração dessas startups e a imersão nesse relacionamento que se pode encontrar bons potenciais investimentos antes que eles cheguem ao mainstream do mercado de investimentos e mitigar o risco de uma decisão de alocação baseada apenas em reuniões e apresentações. Assim, pode-se ver não como uma “doação a fundo perdido”, mas como um investimento paciente e de longo prazo que garante uma futura boa alocação do bolso de VC.

    Por fim, é importante dizer que esse tipo de recurso é mais adequado para apoiar o ecossistema e os negócios em estágio inicial, mas já são muitas as startups de impacto madura em rodadas mais avançadas de investimento de risco.

    O grande papel do bolso do venture philanthropy pode ser poder priorizar o tipo de ajuda que aquele negócio precisa, injetar capital adequado e apoio não-financeiro, para poder destravar outros tipos de investimento.

    Uma família empresária ou um family office tem suas metas e compromissos em garantir a segurança e continuidade daquele patrimônio, mas cada vez mais surge também a preocupação com o tipo de legado que gostaria de deixar para as próximas gerações. Nesse sentido, acreditamos que ao aplicar a lente de inovação nas ações de filantropia, ela pode ser uma grande aliada do investimento de risco em negócios de impacto, gerando benefícios para as pessoas e o planeta desde o início da jornada.

    O Quintessa apoia famílias, investidores, institutos e empresas a começarem ou aprimorarem a agenda de inovação com impacto positivo. Se este conteúdo fez sentido para você e gostaria de entender melhor como podemos apoiar sua família ou organização nesta agenda,  deixe uma mensagem e entraremos em contato.


    Para se aprofundar:

  • Quintessa mapeia 192 startups para resolver questão energética no Brasil

    Quintessa mapeia 192 startups para resolver questão energética no Brasil

    O Brasil enfrenta a sua pior crise hídrica dos últimos 91 anos. O cenário se deve muito em decorrência das mudanças climáticas, que se intensifica pelos números recordes de desmatamento e queimadas e queima de combustíveis fósseis, além, é claro, da falta de chuva, deixando reservatórios das hidrelétricas vazios. Somado isso ao aumento da demanda de energia na retomada econômica do país, e mundial, estamos cada vez mais próximos de viver novamente apagões energéticos.

    Pensando neste cenário, o Quintessa realizou um estudo que traz 194 startups brasileiras que podem ajudar a resolver a questão energética do país.

    Aceleradora de impacto pioneira no Brasil, o Quintessa já impulsionou o crescimento de mais de 250 startups de impacto e mapeou mais de 4,5 mil, sendo que 190 destas têm grande potencial em atuar em três frentes urgentes e necessárias: uso de fontes renováveis, eficiência energética, monitoramento e gerenciamento de energia.

    Grande parte das startups mapeadas têm capacidade de auxiliar a indústria privada e setores públicos na melhor utilização de recursos energéticos, na oferta de energias renováveis, além de ajudar a entender possíveis e melhores cenários. 

    São 100 startups com foco em energia solar, o que demonstra a força e crescente demanda por essa fonte e pela necessidade de diversificação da matriz brasileira, ainda muito dependente da fonte hidrelétrica, como mostra o levantamento da ANEEL/ABISOLAR, de 2021:

    Além de ser uma fonte limpa, a energia solar também gera impacto social, sendo geradora dos chamados ‘empregos verdes’ e se apresentando como uma alternativa em termos de acesso e viabilidade para quem ainda não a têm, e também para a grande parte dos brasileiros que está sendo impactada com o aumento da conta de luz. É o caso da Revolusolar, que instala placas fotovoltaicas em comunidades cariocas, e a  Litro de Luz, que está levando energia para muitas comunidades remotas no Brasil e já faz parcerias com diferentes empresas.

    Já no campo da energia eólica, que representa quase 10% da matriz brasileira, foi encontrada somente uma startup, mas alguns negócios que oferecem assinatura de energia limpa incluem a eólica entre as fontes possíveis.

    20% das startups estão focadas em eficiência energética, ou seja, em otimizar a geração de energia utilizando menos recursos naturais ou custos. Alguns exemplos são soluções que se acoplam a chuveiros para aquecer a água gastando menos energia, ou como a Energia das Coisas, que monitora todos os equipamentos eletrônicos e propõe planos para economia de energia. Neste mesmo sentido, há 21 (11%) especializadas em gerenciamento de energia para empresas ou indústrias, que conseguem entender as necessidades e apresentar as melhores soluções em energia limpa.

    Outro exemplo é a startup Lemon Energia, que desenvolveu um sistema que conecta PMEs e geradoras de energia eólica, solar ou de biogás. Desta forma, é possível que comércios e donos de estabelecimentos contratem eletricidade diretamente de um fornecedor, assim permitindo negociar preços mais baixos e ainda sabendo que consumirá energia de uma fonte limpa.

    Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, explica a importância de a indústria olhar para Startups que possam contribuir com problemas que possam resolver muitos dos problemas energéticos do país. “Milhares de pessoas estão envolvidas em projetos que buscam soluções para muitos problemas da sociedade e do meio ambiente e com a eficiência energética não é diferente, essas 192 startups podem oferecer oportunidades de melhora em gargalos de sustentabilidade que grandes empresas possuem, sendo potenciais parceiras de negócios e fornecedoras para aquelas que, na linha de atuação ESG [ambiental, social e governança], fizeram compromissos em redução de emissão de gases que afetam as mudanças climáticas – além de auxiliarem na redução de custos a médio prazo”, diz Aranha.

    O estudo do Quintessa também demonstra que há Startups com este intuito espalhadas pelo Brasil, mas, a maioria está no Sudeste, especificamente em São Paulo (40%), seguido de Minas Gerais (15%) e Rio de Janeiro (10%). Esse padrão é comum para qualquer segmento, dado que a região concentra a maior base de startups e empresas do país, além de concentrar a maior parte da produção de energia. Vale o destaque para Minas Gerais, que concentra 20% da produção de energia solar do Brasil, e por isso conta com mais da metade das startups do estado neste segmento (15 no total).

    Ainda neste viés de estudos, a Agência Internacional de Energia produziu relatório em outubro de 2020 afirmando que os investimentos em projetos energéticos descarbonizados devem triplicar em dez anos para (alcançar) a neutralidade de carbono em 2050, ou seja, o tema não poderia estar mais próximo da COP 26.

    “Mais do que aumentar a capacidade produtiva e resolver os problemas de energia de suas companhias, os empresários precisam entender a importância disso tudo perante a sociedade. Buscar alternativas aos combustíveis fósseis e hidrelétrico não é uma opção, é uma obrigação de todos”, afirma a diretora do Quintessa.

  • Reflexões sobre a agenda ESG nas grandes empresas

    Reflexões sobre a agenda ESG nas grandes empresas

    Em 2021, conversamos com mais de 150 grandes empresas e pudemos entender como a agenda ESG está evoluindo dentro delas

    Nos últimos anos, e especialmente em 2021, aqui no Quintessa, temos nos dedicado a trabalhar junto a grandes empresas, institutos, fundações, e investidores. Trabalhamos com esses atores nas agendas de inovação, empreendedorismo e impacto positivo, apoiando seu relacionamento com startups de impacto. Todas as semanas, nós conversamos com novas empresas, o que nos dá uma visão muito privilegiada para acompanhar o que está acontecendo no mercado em relação a ESG e inovação para sustentabilidade.

    Entendemos junto às lideranças empresariais quais são os temas que estão guiando suas atuações, formas com que têm trabalhado e nível de maturidade de estruturação e cultura voltada para sustentabilidade corporativa. Nesse sentido, somos uma espécie de espectador ativo do crescimento de um mercado que, se tudo der certo (e estaremos trabalhando para isso), irá mudar os contornos do capitalismo como conhecemos hoje.

    Em 2021, foram mais de 150 conversas com empresas que, em sua maior parte, têm grande porte em termos de faturamento, muitas delas listadas na bolsa. Os setores foram variados, indo da indústria a serviços, e de segmentos diferentes. Deste lugar que ocupamos, surgem muitas reflexões sobre o setor, e queremos compartilhar algumas que achamos mais valiosas sobre o que vimos no ano que passou.

    Momento

    Em meados de 2020, a temática ESG emergiu como pauta prioritária dentro das empresas. Aquelas que já priorizavam isso anteriormente se beneficiaram, tendo agilidade em reportar resultados e iniciativas e amortecendo a demanda por novos projetos dentro de áreas de sustentabilidade que já estavam organizadas, com orçamento e cultura empresarial desenvolvida. Para estas, o desafio não foi de criar, mas de avançar. Avançar principalmente em dois sentidos: conectando mais a sustentabilidade ao negócio, de forma integrada à estratégia da empresa em si, e conectando mais a sustentabilidade à área financeira, seja na emissão de títulos e dívidas, seja na integração com áreas de fusões e aquisições e Corporate Venture Capital.

    Essas empresas foram exceção.

    Parte significativa do mercado não tinha a agenda de sustentabilidade como prioridade, ainda que já pudesse tê-la formalmente em sua estrutura, e começou a se movimentar para abarcar isso na estratégia. O começo foi muito puxado por anúncios e compromissos, muitos deles voltados para a redução e neutralização de emissões relacionadas às mudanças climáticas.

    Entendemos que os compromissos fazem parte do caminho, mas desde que anunciados junto com um plano de como a empresa pretende alcançá-los, ou podemos cair em um mero greenwashing. E vale explicitar que grandes empresas não mudam da noite para o dia, e, em alguns casos, precisamos de mais tempo para poder dizer o que é ou não greenwashing, no sentido de enxergar a consistência no tempo.

    Este é um trecho da coluna de Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, no Um Só Planeta. Este texto foi escrito em co-autoria com João Ceridono.

    LEIA O TEXTO COMPLETO NO UM SÓ PLANETA 

  • 5 podcasts para conhecer o ecossistema de startups de impacto e a relação com empresas

    5 podcasts para conhecer o ecossistema de startups de impacto e a relação com empresas

    Como as startups de impacto podem solucionar nossos desafios centrais? Por que as empresas estão se aproximando das startups de impacto e de que forma? Como o Quintessa está enxergando esse movimento e atuando na conexão entre empresas e startups?

    Estes são alguns dos temas que abordamos em diferentes entrevistas em podcasts recentemente. Reunimos alguns deles para você que gosta desse formato e está buscando entender um pouco mais sobre as temáticas aqui de inovação para sustentabilidade, ESG, startups e impacto positivo.

    1- Beabá da Sustentabilidade


    O que as startups de impacto possuem de diferente e como conseguem se destacar como soluções para os grandes desafios globais? No Beabá da Sustentabilidade, nossa diretora, Anna Aranha, explorou a temática das startups de impacto como veículos de transformação da sociedade e também de inovação nas grandes empresas.

    ‘As startups sempre viram as empresas como clientes e parceiros de negócios, o que está mudando é que as empresas estão passando a ver as startups como parceiras também”.

    Ainda são poucos os programas de inovação aberta que fazem essa integração com a temática de impacto positivo. No episódio apresentamos alguns cases que mostram que as temáticas podem coexistir e gerar muito valor para a empresa, além do impacto gerado.

    Falamos bastante sobre ESG e a necessidade de uma mudança de olhar das empresas, que ainda enxergam a pauta somente como mitigação de risco e não como parte da estratégia, integrada ao modelo de negócio. 

    2- Tríade Digital


    Neste podcast, nossa diretora, Gabriela Bonotti, conversou com o mentor do Quintessa, Bruno Machado. Além de um panorama sobre o que são negócios de impacto e o papel de uma aceleradora como o Quintessa, falamos sobre a intencionalidade das empresas ao interagirem com esses negócios. 

    “As empresas estão em diferentes momentos na jornada e se conectam com as startups de diferentes formas. O que mais vemos são quatro formas de integrar o impacto no modelo de negócio: inovação e novos negócios, ampliar as práticas de ESG e sustentabilidade, responsabilidade social e filantropia, iniciativas de CVC e M&A”.

    3- Conversas de Impacto – eSolidar

    No podcast da eSolidar também falamos sobre a relação entre empresas e startups, com foco no porquê conceber uma iniciativa de inovação aberta.

    Nosso ponto de partida é sempre a estratégia da empresa, e a iniciativa deve estar o mais integrada possível à estratégia. Partimos da matriz de materialidade e compromissos ESG já assumidos, com clareza do objetivo, para garantir que de fato seja uma iniciativa relevante para todos os envolvidos.

    Não costumamos falar, por exemplo, com a área de marketing. Se essa for a motivação principal, a iniciativa não se sustenta ao longo do tempo.

    O bate-papo passou também pelo tema de tecnologia e de como a entrada das grandes empresas no ecossistema de impacto pode ser um bom caminho para apoiar as startups no desenvolvimento de inovações tecnológicas.

    4- Hidra Podcast 

    Neste episódio do Hidra, falamos sobre o trabalho de articulação e atuação do Quintessa desde 2009, somente com negócios de impacto, até hoje, com as iniciativas de inovação e sustentabilidade para grandes empresas. Nossa diretora, Anna Aranha, trouxe também muito da sua visão sobre o ecossistema de impacto.

    5- Change for Good

    Neste último episódio da lista, trouxemos um foco na trajetória e motivações pessoais das diretoras do Quintessa, Anna e Gabriela, e também falamos sobre o fator humano por trás das relações. Elas trouxeram ainda indicações de livros, séries e documentários sobre a temática e também alguns aspectos sobre carreiras no ecossistema de impacto.

    Bônus!

    Não são podcasts, mas são entrevistas em formato de vídeo, áudio e texto, que fizemos com especialistas em sustentabilidade e lideranças empresariais na área:

    Ricardo Young, presidente do conselho do Instituto Ethos 

    Luis Guggenberger, Gerente Executivo de Sustentabilidade e Inovação da Vedacit

    Carolina Pecorari, Diretora de Sustentabilidade e ESG da Ambev

  • Conteúdos sobre inovação, impacto positivo e ESG para ler ainda em 2021

    Conteúdos sobre inovação, impacto positivo e ESG para ler ainda em 2021

    No início de 2021 começamos a produzir conteúdos para apoiar grandes empresas, institutos, fundações e investidores nas suas jornadas em direção a uma nova forma de fazer negócios, mais inclusiva, sustentável e que gera impacto positivo.

    Nos dedicamos para entregar a cada 15 dias um conteúdo feito com muito cuidado pela nossa equipe de gestores, que vivenciam diariamente a construção e implementação dos programas de inovação aberta do Quintessa, bem como os desafios, dúvidas e questionamentos de lideranças de grandes empresas e organizações sobre a temática de impacto positivo. Além disso, entregamos mensalmente uma newsletter com as principais novidades sobre ESG, inovação aberta e impacto positivo – você pode assinar aqui.

    Reunimos neste texto os conteúdos que publicamos separados em temáticas, para apoiar pessoas gestoras de sustentabilidade, inovação, novos negócios, responsabilidade social e outras áreas neste momento de planejamento e virada de ano, orientando a leitura de todo o conteúdo de forma organizada.

    Contexto: Entendendo a união entre inovação e impacto positivo

    Para introduzir o assunto, falamos sobre os motivos pelos quais as empresas devem mudar, seja pelo medo, pela oportunidade ou pela necessidade.

    Para falar sobre as diferentes formas de unir inovação e impacto positivo, fizemos uma tríade de conteúdos que aborda diferentes lentes:

    Para a área de inovação e novos negócios – Como empresas podem unir a geração de impacto positivo à estratégia de inovação e novos negócios

    Para a área de sustentabilidade – A inovação aberta como aliada das metas de sustentabilidade e práticas ESG das grandes empresas

    Para responsabilidade social e filantropia – Venture Philanthropy | Filantropia e startups de impacto: uma relação com muito potencial

    Outros conteúdos explicam alguns conceitos importantes, como a diferença entre Investimentos ESG e de Impacto, o termo Innovability e a Economia Donut, que propõe um novo modelo econômico e uma transformação das empresas em 5 estágios.

    Para refletir

    No texto de estreia na coluna da Capital Reset, falamos sobre como as práticas ESG exigem uma nova forma de pensar, e não um checklist a ser cumprido pelas empresas, reconhecendo as incoerências no caminho: ESG: Mais que a linha de chegada, é sobre a forma de caminhar | Reset

    E na estreia do portal Um Só Planeta, trouxemos inspiração e reflexão no texto ‘Ouse dar potência à humanidade que existe em você’, que chegou a ser o mais lido da plataforma na época.

    No texto Quem paga a conta do desenvolvimento de um pipeline de negócios de impacto maduro?, escrevemos sobre os instrumentos e tipos de capital que podem ser utilizados para desenvolver as startups de impacto. 

    E para refletir sobre o ‘S’ do ESG, trouxemos alguns questionamentos no texto ‘O que está faltando e por onde devemos avançar para trabalhar o S do ESG?’.

    Conexão entre empresas e startups

    Temos enfatizado como a conexão com as startups pode ser um caminho rápido e eficaz para empresas, institutos e fundações endereçarem seus objetivos de impacto positivo de forma inovadora, além de gerar valor para os negócios. Não faltaram exemplos práticos ao longo do ano, que trouxemos em todas as edições da newsletter.

    Neste texto trouxemos várias iniciativas entre empresas e startups que estão mostrando que a sustentabilidade não deve ser vista como custo mas como fonte de novos negócios.

    Para o Um Só Planeta escrevemos sobre como startups estão ajudando empresas em desafios ambientais, como um panorama das startups que resolvem a gestão de resíduos e também das que ajudam empresas a reduzir as emissões.

    Publicamos o case do Braskem Labs, que na sua sétima edição mostra resultados reais de um programa de inovação aberta com foco em desenvolvimento sustentável.

    Conteúdos práticos

    Por onde começar a pensar uma iniciativa de inovação e impacto? Como engajar a liderança? Como escolher o tipo de programa de inovação aberta?

    Para apoiar as lideranças de inovação e sustentabilidade, produzimos conteúdos práticos a partir das nossas experiências e de quem está na ponta.

    Publicamos um material inédito com um passo a passo da nossa metodologia para implementar programas de inovação aberta que geram valor para a empresa e impacto positivo. São mais de 50 páginas no Guia para Inovar com Impacto.

    Entrevistamos três super especialistas na série Diálogos Quintessa, que trouxeram suas experiências na prática.

    Ricardo Young, presidente do conselho do Instituto Ethos 

    Luis Guggenberger, Gerente Executivo de Sustentabilidade e Inovação da Vedacit

    Carolina Pecorari, Diretora de Sustentabilidade e ESG da Ambev

    E mais: 

    Por que fazer um programa de inovação aberta e quais os formatos possíveis?

    Por que ter uma aceleradora parceira nos programas de inovação aberta?

    Criando uma cultura de inovação e impacto positivo

    ESG na Prática – Pitch Day

    Realizamos três eventos na Plataforma Negócios pelo Futuro. A segunda edição, que chamamos de ESG na Prática, teve apoio da Braskem e da Vedacit e apresentou, em eventos abertos, pitchs de startups com soluções inovadoras para empresas adotarem práticas ESG. Os temas foram Logística Reversa, Diversidade e Capacitação e Desenvolvimento Territorial e de Fornecedores. Os eventos ficaram gravados na íntegra no site.

    Novo posicionamento Quintessa

    Neste ano nós apresentamos uma nova marca e posicionamento. O objetivo foi consolidar o Quintessa como um ecossistema de soluções inovadoras para nossos desafios sociais e ambientais centrais, com iniciativas para startups, empresas, institutos, fundações, investidores e demais organizações.

    Entenda mais nesta matéria da Reset e conheça nosso manifesto no site.

    Amazônia

    Para finalizar, acabamos de publicar também em parceria com a PPA, uma tese de aceleração de negócios socioambientais na Amazônia! Você pode conhecer um resumo neste texto e depois baixar a tese completa.

    Esperamos que esses textos possam apoiar você e seu time a se aprofundarem na temática de inovação com impacto positivo e pensar estratégias para implementar essa visão na prática. Continuaremos publicando quinzenalmente às quintas-feiras aqui no blog, na Reset e no Um Só Planeta e contamos com as suas sugestões e feedbacks. Cadastre-se aqui para receber a nossa newsletter mensal e nos acompanhe nas redes sociais (Linkedin e Instagram) para não perder nenhum conteúdo.

    E por fim, se você está buscando suporte para implementar uma estratégia de impacto positivo no próximo ano, estamos à disposição para te apoiar. É só escrever para [email protected] ou deixar sua mensagem no site.

  • Programa Impulsionar: Secretarias municipais de educação buscam soluções inovadoras para prevenção e redução de defasagens em Língua Portuguesa e Matemática

    Programa Impulsionar: Secretarias municipais de educação buscam soluções inovadoras para prevenção e redução de defasagens em Língua Portuguesa e Matemática

    Startups de todo o Brasil podem se inscrever para participarem da iniciativa

    Secretarias municipais de educação, participantes do Programa Impulsionar, iniciaram as publicações de editais públicos para a contratação de soluções que atuam com redução e prevenção de defasagens de aprendizagem em Português e Matemática entre os estudantes do 6º ao 9º anos do ensino público. As secretarias de  Bonito (PE), Cabrobó (PE), Domingos Mourão (PI), Guaramiranga (CE), Igarassu (PE), Santa Maria (RS) e Volta Redonda (RJ) estão sendo apoiadas pelo Programa ImpulsiONar, que tem como financiadores Fundação Lemann, Imaginable Futures, BID Lab, e como parceiros técnicos Quintessa e Instituto Reúna. 

    O programa conecta redes de educação, organizações de apoio e edtechs, e tem como objetivo promover a equidade e qualidade de aprendizagem entre os estudantes do ensino público, por meio do desenvolvimento, implementação e multiplicação de soluções pedagógicas e digitais. 

    Segundo o UNICEF (2020), 97,3% das crianças e jovens de 4 a 17 anos frequentam a escola, mas não aprendem: a cada 100 crianças, só metade sabe ler aos 8 ou 9 anos, e 7 em cada 10 estudantes concluem o Ensino Médio com níveis insuficientes em português e matemática (Todos Pela Educação, 2019). Esse cenário é reflexo de um dos principais desafios enfrentados pelo sistema educacional brasileiro: a defasagem de aprendizagem, ou seja, o acúmulo de habilidades não desenvolvidas ou parcialmente desenvolvidas por um estudante ao longo de seus anos escolares. 

    Se defasagem já era um problema crítico, com a pandemia, se acentuou ainda mais, sobretudo para públicos mais vulneráveis: segundo o UNICEF (2020), estima-se que 5,1 milhões de crianças e adolescentes não tiveram acesso à Educação em 2020, e os impactos da pandemia levaram a quedas de 19% na aprendizagem de Matemática e 13% de Língua Portuguesa, em São Paulo (Seduc-SP, 2020).

    É diante desse cenário que surge o Programa ImpulsiONar, que apoiará as secretarias participantes na seleção de até sete edtechs com soluções que contribuam com a prevenção e redução de defasagens em Língua Portuguesa e Matemática; uma edtech para cada secretaria municipal de educação da iniciativa.

    Para superar esse desafio, as Secretarias buscam soluções tecnológicas de apoio aos professores e estudantes. Recursos que podem auxiliar no desenvolvimento das habilidades de Língua Portuguesa e Matemática, apoiar na elaboração de instrumentos avaliativos e análises de dados e plataformas de gestão que permitam o acompanhamento do desempenho dos estudantes.

    Durante 9 meses, as startups receberão suporte especializado de uma consultoria jurídica para apoiá-las em processos de compra pública, apoio de uma consultoria de mensuração de resultados para comprovação da eficácia da solução, e a partir de  R$100 mil para implementação da solução nas escolas do Programa, com acompanhamento semanal do Quintessa, aceleradora de impacto referência no Brasil. As edtechs se envolverão em comunidades de prática com educadores, estudantes e outros profissionais do setor, para tornar o seu produto mais aderente para contratação pelo setor público;  e participarão de uma aceleração com o Quintessa, com diagnóstico individual de seu negócio para identificação dos seus desafios prioritários, suporte individual de um gestor do Quintessa e mentorias personalizadas em pautas de gestão, além ainda de acesso a especialistas em educação e suporte para aprimorar o modelo B2G do seu negócio.

    O programa, além de proporcionar que soluções inovadoras sejam relevantes em apoiar secretarias de educação e suas escolas na prevenção e redução de defasagens, marca uma inovação para o setor público. Os gestores públicos se ampararam em modalidades jurídicas que permitem um processo de teste de soluções a partir do Marco Legal das Startups (Lei Complementar nº 182, de 1º de junho de 2021) e modelo de chamadas públicas como o PitchGov, ampliando o diálogo entre os setores. Foi a primeira vez que a modalidade do Marco Legal das Startups foi utilizada por órgãos da administração direta, o que promete ser um “divisor de águas” para possibilitar a contratação dessas soluções e de implementação de inovações para a melhoria dos serviços públicos.

    “A cada dia vemos novos exemplos de como a tecnologia é uma grande aliada da educação, em especial para ajudar a reverter o quadro de defasagem de aprendizagem dos estudantes brasileiros. Estamos animadas com essa grande etapa do Programa impulsiONar pela colaboração entre startups, secretarias de educação e educadores para enfrentar, juntos, o desafio da defasagem”, diz Lucas Rocha, gerente de inovação da Fundação Lemann.

    Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, aceleradora de impacto referência no Brasil e parceira da iniciativa, comenta: “O programa é uma grande oportunidade para edtechs. Ele foca na dor de entrar, implementar e escalar soluções educacionais dentro do setor público. Elas terão suporte financeiro e especializado em aceleração, educação, compras públicas e mensuração de resultados. Isso tudo de forma integrada com o suporte pedagógico que os professores e educadores das secretarias já estarão recebendo. As edtechs são essenciais por trazerem suas soluções já desenvolvidas e que podem ser escaladas para apoiar os professores na mudança do cenário da educação pública.”

    As inscrições poderão ser feitas por startups de todo Brasil, por meio do site https://programaimpulsionar.com.br. É necessário verificar o prazo de inscrição no edital de cada Secretaria.

    Para seguir com a inscrição, é importante que as startups já estejam em estágio operacional e que possuam uma solução pronta para implementação. Mais detalhes sobre os editais, tipos de soluções procuradas, critérios de seleção e funcionamento do programa estão disponíveis no site.

    Serviço:
    Inscrições: a partir de 22 de novembro. O prazo de inscrição deve ser verificado no edital de cada Secretaria
    Como: Via internet, pelo https://programaimpulsionar.com.br
    Abrangência: Startups de todo o Brasil
    Seleção: Dezembro a Março
    Implementação das soluções: A partir de março

    Sobre a Fundação Lemann
    A Fundação Lemann acredita que um Brasil feito por todos e para todos é um Brasil que acredita no seu maior potencial: gente. Isso só acontece com educação de qualidade e com o apoio a pessoas que querem resolver os grandes desafios sociais do país. Nós realizamos projetos ao lado de professores, gestores escolares, secretarias de educação e governos por uma aprendizagem de qualidade. Também apoiamos centenas de talentos, lideranças e organizações que trabalham pela transformação social. Tudo para ajudar a construir um país mais justo, inclusivo e avançado. Saiba mais em: fundacaolemann.org.br. Siga-nos nas redes: Twitter, Instagram, Facebook e LinkedIn

    Sobre a Imaginable Futures
    A Imaginable Futures é uma empresa global de investimento filantrópico que acredita no poder do aprendizado para desbloquear o potencial humano e, nesse sentido, se propõe a fornecer a cada educando a oportunidade e as ferramentas necessárias para imaginar e concretizar um futuro melhor. Ao adotar uma abordagem de sistemas para resolver desafios complexos de educação, a Imaginable Futures trabalha em parceria com vários setores da sociedade para impulsionar a trajetória de estudantes de todas as idades.

    Com o sólido compromisso de estabelecer alianças locais e cocriar com aqueles a quem servimos, a Imaginable Futures capacita educandos, famílias e comunidades para se tornarem agentes de mudança do futuro. A Imaginable Futures, que tem administração global e operações locais no Brasil, Quênia e Estados Unidos, investiu US $200 milhões em mais de 125 parceiros na África, América Latina e América do Norte, bem como na Índia, com nossa organização irmã Omidyar Network India. A Imaginable Futures é um empreendimento do Grupo Omidyar. Visite imaginablefutures.com e siga-nos em @imaginablefut

    Sobre o BID Lab
    O BID Lab é o laboratório de inovação do Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, a principal fonte de desenvolvimento, financiamento e know-how para melhorar a vida na América Latina e no Caribe. O objetivo do BID Lab é impulsionar a inovação para a inclusão na região, mobilizando financiamento, conhecimento e conexões para co-criar soluções capazes de transformar a vida de populações vulneráveis afetadas por fatores econômicos, sociais ou ambientais. Desde 1993, o Laboratório do BID aprovou mais de US$ 2 bilhões em projetos implantados em 26 países da América Latina e Caribe. 

    Sobre o Quintessa
    O Quintessa é um ecossistema de soluções empreendedoras e inovadoras para os desafios sociais e ambientais centrais do país. Desde 2009, trabalha pela integração estratégica entre impacto positivo e resultado financeiro, atuando junto a empreendedores de negócios de impacto, grandes empresas, investidores, institutos e fundações para promover as agendas de inovação, impacto positivo e ESG. O Quintessa já identificou e mapeou mais de 5 mil startups e impulsionou mais de 250 startups de impacto de destaque em áreas como educação, saúde, meio ambiente, cidades sustentáveis e inclusão.

    www.quintessa.org.br

    Sobre o Instituto Reúna
    O Instituto Reúna é uma organização sem fins lucrativos criada para garantir a qualidade e consistência na educação básica. Partindo do desafio de implementar a Base Nacional Comum Curricular, o Reúna desenvolve, junto de uma rede ampla de parceiros, serviços técnico-pedagógicos em quatro frentes de atuação: formação, material didático, currículo e avaliação. Cada uma dessas iniciativas apoia o sistema educacional a garantir a aprendizagem de qualidade a que todos os alunos brasileiros têm direito.

  • Programa Impulsionar: Secretarias municipais de educação buscam soluções inovadoras para prevenção e redução de defasagens em Língua Portuguesa e Matemática

    Programa Impulsionar: Secretarias municipais de educação buscam soluções inovadoras para prevenção e redução de defasagens em Língua Portuguesa e Matemática

    Startups de todo o Brasil podem se inscrever para participarem da iniciativa

    Secretarias municipais de educação, participantes do Programa Impulsionar, iniciaram as publicações de editais públicos para a contratação de soluções que atuam com redução e prevenção de defasagens de aprendizagem em Português e Matemática entre os estudantes do 6º ao 9º anos do ensino público. As secretarias de  Bonito (PE), Cabrobó (PE), Domingos Mourão (PI), Guaramiranga (CE), Igarassu (PE), Santa Maria (RS) e Volta Redonda (RJ) estão sendo apoiadas pelo Programa ImpulsiONar, que tem como financiadores Fundação Lemann, Imaginable Futures, BID Lab, e como parceiros técnicos Quintessa e Instituto Reúna. 

    O programa conecta redes de educação, organizações de apoio e edtechs, e tem como objetivo promover a equidade e qualidade de aprendizagem entre os estudantes do ensino público, por meio do desenvolvimento, implementação e multiplicação de soluções pedagógicas e digitais. 

    Segundo o UNICEF (2020), 97,3% das crianças e jovens de 4 a 17 anos frequentam a escola, mas não aprendem: a cada 100 crianças, só metade sabe ler aos 8 ou 9 anos, e 7 em cada 10 estudantes concluem o Ensino Médio com níveis insuficientes em português e matemática (Todos Pela Educação, 2019). Esse cenário é reflexo de um dos principais desafios enfrentados pelo sistema educacional brasileiro: a defasagem de aprendizagem, ou seja, o acúmulo de habilidades não desenvolvidas ou parcialmente desenvolvidas por um estudante ao longo de seus anos escolares. 

    Se defasagem já era um problema crítico, com a pandemia, se acentuou ainda mais, sobretudo para públicos mais vulneráveis: segundo o UNICEF (2020), estima-se que 5,1 milhões de crianças e adolescentes não tiveram acesso à Educação em 2020, e os impactos da pandemia levaram a quedas de 19% na aprendizagem de Matemática e 13% de Língua Portuguesa, em São Paulo (Seduc-SP, 2020).

    É diante desse cenário que surge o Programa ImpulsiONar, que apoiará as secretarias participantes na seleção de até sete edtechs com soluções que contribuam com a prevenção e redução de defasagens em Língua Portuguesa e Matemática; uma edtech para cada secretaria municipal de educação da iniciativa.

    Para superar esse desafio, as Secretarias buscam soluções tecnológicas de apoio aos professores e estudantes. Recursos que podem auxiliar no desenvolvimento das habilidades de Língua Portuguesa e Matemática, apoiar na elaboração de instrumentos avaliativos e análises de dados e plataformas de gestão que permitam o acompanhamento do desempenho dos estudantes.

    Durante 9 meses, as startups receberão suporte especializado de uma consultoria jurídica para apoiá-las em processos de compra pública, apoio de uma consultoria de mensuração de resultados para comprovação da eficácia da solução, e a partir de  R$100 mil para implementação da solução nas escolas do Programa, com acompanhamento semanal do Quintessa, aceleradora de impacto referência no Brasil. As edtechs se envolverão em comunidades de prática com educadores, estudantes e outros profissionais do setor, para tornar o seu produto mais aderente para contratação pelo setor público;  e participarão de uma aceleração com o Quintessa, com diagnóstico individual de seu negócio para identificação dos seus desafios prioritários, suporte individual de um gestor do Quintessa e mentorias personalizadas em pautas de gestão, além ainda de acesso a especialistas em educação e suporte para aprimorar o modelo B2G do seu negócio.

    O programa, além de proporcionar que soluções inovadoras sejam relevantes em apoiar secretarias de educação e suas escolas na prevenção e redução de defasagens, marca uma inovação para o setor público. Os gestores públicos se ampararam em modalidades jurídicas que permitem um processo de teste de soluções a partir do Marco Legal das Startups (Lei Complementar nº 182, de 1º de junho de 2021) e modelo de chamadas públicas como o PitchGov, ampliando o diálogo entre os setores. Foi a primeira vez que a modalidade do Marco Legal das Startups foi utilizada por órgãos da administração direta, o que promete ser um “divisor de águas” para possibilitar a contratação dessas soluções e de implementação de inovações para a melhoria dos serviços públicos.

    “A cada dia vemos novos exemplos de como a tecnologia é uma grande aliada da educação, em especial para ajudar a reverter o quadro de defasagem de aprendizagem dos estudantes brasileiros. Estamos animadas com essa grande etapa do Programa impulsiONar pela colaboração entre startups, secretarias de educação e educadores para enfrentar, juntos, o desafio da defasagem”, diz Lucas Rocha, gerente de inovação da Fundação Lemann.

    Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, aceleradora de impacto referência no Brasil e parceira da iniciativa, comenta: “O programa é uma grande oportunidade para edtechs. Ele foca na dor de entrar, implementar e escalar soluções educacionais dentro do setor público. Elas terão suporte financeiro e especializado em aceleração, educação, compras públicas e mensuração de resultados. Isso tudo de forma integrada com o suporte pedagógico que os professores e educadores das secretarias já estarão recebendo. As edtechs são essenciais por trazerem suas soluções já desenvolvidas e que podem ser escaladas para apoiar os professores na mudança do cenário da educação pública.”

    As inscrições poderão ser feitas por startups de todo Brasil, por meio do site https://programaimpulsionar.com.br. É necessário verificar o prazo de inscrição no edital de cada Secretaria.

    Para seguir com a inscrição, é importante que as startups já estejam em estágio operacional e que possuam uma solução pronta para implementação. Mais detalhes sobre os editais, tipos de soluções procuradas, critérios de seleção e funcionamento do programa estão disponíveis no site.

    Serviço:
    Inscrições: a partir de 22 de novembro. O prazo de inscrição deve ser verificado no edital de cada Secretaria
    Como: Via internet, pelo https://programaimpulsionar.com.br
    Abrangência: Startups de todo o Brasil
    Seleção: Dezembro a Março
    Implementação das soluções: A partir de março

    Sobre a Fundação Lemann
    A Fundação Lemann acredita que um Brasil feito por todos e para todos é um Brasil que acredita no seu maior potencial: gente. Isso só acontece com educação de qualidade e com o apoio a pessoas que querem resolver os grandes desafios sociais do país. Nós realizamos projetos ao lado de professores, gestores escolares, secretarias de educação e governos por uma aprendizagem de qualidade. Também apoiamos centenas de talentos, lideranças e organizações que trabalham pela transformação social. Tudo para ajudar a construir um país mais justo, inclusivo e avançado. Saiba mais em: fundacaolemann.org.br. Siga-nos nas redes: Twitter, Instagram, Facebook e LinkedIn

    Sobre a Imaginable Futures
    A Imaginable Futures é uma empresa global de investimento filantrópico que acredita no poder do aprendizado para desbloquear o potencial humano e, nesse sentido, se propõe a fornecer a cada educando a oportunidade e as ferramentas necessárias para imaginar e concretizar um futuro melhor. Ao adotar uma abordagem de sistemas para resolver desafios complexos de educação, a Imaginable Futures trabalha em parceria com vários setores da sociedade para impulsionar a trajetória de estudantes de todas as idades.

    Com o sólido compromisso de estabelecer alianças locais e cocriar com aqueles a quem servimos, a Imaginable Futures capacita educandos, famílias e comunidades para se tornarem agentes de mudança do futuro. A Imaginable Futures, que tem administração global e operações locais no Brasil, Quênia e Estados Unidos, investiu US $200 milhões em mais de 125 parceiros na África, América Latina e América do Norte, bem como na Índia, com nossa organização irmã Omidyar Network India. A Imaginable Futures é um empreendimento do Grupo Omidyar. Visite imaginablefutures.com e siga-nos em @imaginablefut

    Sobre o BID Lab
    O BID Lab é o laboratório de inovação do Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, a principal fonte de desenvolvimento, financiamento e know-how para melhorar a vida na América Latina e no Caribe. O objetivo do BID Lab é impulsionar a inovação para a inclusão na região, mobilizando financiamento, conhecimento e conexões para co-criar soluções capazes de transformar a vida de populações vulneráveis afetadas por fatores econômicos, sociais ou ambientais. Desde 1993, o Laboratório do BID aprovou mais de US$ 2 bilhões em projetos implantados em 26 países da América Latina e Caribe. 

    Sobre o Quintessa
    O Quintessa é um ecossistema de soluções empreendedoras e inovadoras para os desafios sociais e ambientais centrais do país. Desde 2009, trabalha pela integração estratégica entre impacto positivo e resultado financeiro, atuando junto a empreendedores de negócios de impacto, grandes empresas, investidores, institutos e fundações para promover as agendas de inovação, impacto positivo e ESG. O Quintessa já identificou e mapeou mais de 5 mil startups e impulsionou mais de 250 startups de impacto de destaque em áreas como educação, saúde, meio ambiente, cidades sustentáveis e inclusão.

    www.quintessa.org.br

    Sobre o Instituto Reúna
    O Instituto Reúna é uma organização sem fins lucrativos criada para garantir a qualidade e consistência na educação básica. Partindo do desafio de implementar a Base Nacional Comum Curricular, o Reúna desenvolve, junto de uma rede ampla de parceiros, serviços técnico-pedagógicos em quatro frentes de atuação: formação, material didático, currículo e avaliação. Cada uma dessas iniciativas apoia o sistema educacional a garantir a aprendizagem de qualidade a que todos os alunos brasileiros têm direito.

  • Manifesto Diversidade Quintessa

    Manifesto Diversidade Quintessa

    O Quintessa está trabalhando ativamente pela diversidade e inclusão, tanto no nosso time, quanto na rede de mentoria e de startups aceleradas. Somos indivíduos coletivos, plurais e inquietos, questionaremos o status quo e vamos agir para que cada espaço se torne inclusivo, seguro e diverso, trazendo atenção e superando nossos preconceitos e vieses inconscientes. Conheça o manifesto do nosso GT de Diversidade:

    O Quintessa existe para que empresas sejam relevantes na solução dos principais desafios sociais e ambientais que enfrentamos. Acreditamos naqueles que sonham, se dedicam e empreendem. Enxergamos em todos indivíduos a potência e a inspiração capazes de transformar a realidade de nosso país. E, desta forma, entendemos que a diversidade inclusiva é fundamental para criarmos um mundo verdadeiramente justo e com equidade.

    Enquanto empresa, escolhemos encarar aquilo que nos deixa inconformados e, dado que as pessoas estão no centro da nossa decisão, precisamos olhar para elas de forma integral

    Sabemos que não poder expressar quem você é, ter que ficar se mascarando para poder acessar determinados ambientes, ou até mesmo nunca chegar a algum deles, vai contra toda potencialidade que os seres humanos têm.

    Nós acreditamos que a pluralidade de pessoas, vivências e ideias permitem a verdadeira profundidade e alcance do impacto positivo que queremos gerar. E para resolvermos, de fato, problemas sociais e ambientais, não devemos apenas atender às necessidades de diferentes pessoas, precisamos ter as diferentes pessoas sendo parte da solução. 

    Somos indivíduos coletivos, plurais e inquietos, questionaremos o status quo e vamos agir para que cada espaço se torne inclusivo, seguro e diverso, trazendo atenção e superando nossos preconceitos e vieses inconscientes.

    Dessa forma, nos comprometemos, como indivíduos e como organização, a:

    1. Quebrar tabus em relação às diferenças, provocar discussões que resultem em ações propositivas e rompam barreiras impostas às populações minorizadas.
    2. Ser vigilantes e atuantes frente a ações preconceituosas e discriminatórias.
    3. Fomentar espaços de aprendizado e compreensão. 
    4. Nos reconhecer cada vez mais na diversidade e não nos conformar com pensamentos como “foi sempre assim”, “mas é difícil mudar”.
    5. Desenvolver uma sistemática que atraia pessoas com diferentes trajetórias, interesses, gostos e características.
    6. E, em qualquer dificuldade ao longo desse processo, apoiaremos a todos com uma visão empática e solidária.  

    Assim, através deste manifesto, firmamos um acordo coletivo para tornar o ambiente do Quintessa confortável, seguro e atrativo para todas as pessoas.

     

  • Dia da Consciência Negra | Empreendedorismo Negro

    Dia da Consciência Negra | Empreendedorismo Negro

    Hoje é o Dia da Consciência Negra e paramos para refletir sobre a expressiva desigualdade racial ainda presente, que obriga a população negra a buscar diferentes meios de subsistência através do empreendedorismo. Porém, esses empreendedores encontram muitas barreiras como dificuldade de acesso a crédito, a maquinário, a tecnologia.

    Para mudar essa realidade, é preciso pensar em políticas públicas, educação financeira, quebra de vieses e diversas outras intervenções. Devemos também compartilhar conhecimentos e garantir que trajetórias inspiradoras de empreendedorismo negro possam ser seguidas por outros. Confira alguns dados e depoimentos de empreendedores acelerados pelo Quintessa.

    Jorge Júnior – Trampay

    “Empreender e exercer um papel de liderança sendo negro tem suas peculiaridades. Cansei de ver situações que fomos tratados com indiferença, eu e meu sócio, como se estivéssemos pedindo um favor quando não era. Já cheguei a fazer calls preferindo que a câmera ficasse fechada para que o outro não deslegitimasse a seriedade do que eu estava tratando.

    Em uma ligação com um possível investidor, famoso até, fomos tratados de uma forma que eu cheguei até achar que erro era comigo. Quando terminamos, meu sócio me disse: ‘isso nunca aconteceria se tivéssemos um perfil padrão’.

    Não temos um perfil padrão e isso não nos desqualifica, pelo contrário, qualifica. Negócio é negócio, não é favor. Situações como essa podem ainda acontecer, mas não precisamos nos diminuir para caber na forma de quem tem olhos, mas não vê.”

    Tamila dos Santos – Afroimpacto

    Eu sou a Tamila dos Santos, tenho 30 anos, sou de Salvador, formada em assistência social e gestão de inovação social. Venho trabalhando com diversidade há mais ou menos 10 anos e sempre gostei muito de me envolver com questões sociais de maneira geral. Já trabalhei na secretaria de políticas para igualdade racial, em diversos projetos de igualdade, então trabalhar com raça é algo que me toca muito. Tudo isso está muito relacionado a minha origem, venho de uma comunidade simples, minha família veio de um bairro periférico de Salvador e nesse processo nenhum deles teve acesso ao ensino superior. Na verdade, na minha família como um todo dá pra contar na mão aqueles que tiveram acesso ao ensino superior e eu fui a primeira a acessar o ensino superior público. Então a gente tinha esse contexto de falta de acesso, com recortes de raça e socioeconômicos que fez com que eu me envolvesse mais com questões raciais. Entrei na faculdade já com essa perspectiva de ter um viés mais político, que ao longo da graduação só fez crescer, e fez com que eu agisse em prol das questões raciais voltadas para raça e diversidade.

    Eu comecei a trabalhar com empreendedorismo depois da pós graduação em inovação social, trabalhei em uma startup social e também em uma aceleradora de startups. Foi a partir desse momento que eu me aproximei um pouco mais desse cenário de empreendedorismo, antes não conhecia nada. Virei líder de eventos e comecei a trabalhar com eventos de empreendedorismo, propiciando espaço para outros empreendedores se desenvolverem. Com o tempo eu virei líder de educação empreendedora, trabalhando com conteúdo no tema e criando trilhas educacionais para empreendedores, sai e comecei a prestar consultoria para projetos sociais, principalmente de base periférica. Foi quando comecei a ouvir das pessoas que eu atendia que elas não se sentiam representadas por consultores não negros, então tinham várias questões (a pessoa falava coisas que as faziam se sentir depreciadas ou porque as pessoas falavam coisas que as faziam sentir subalternas…) então eu ouvia muitos feedbacks nesse sentido, de pessoas que tinham deixado de empreender ou que tinham saído do projeto por conta dessas sensações incomodas. Isso fez com que eu percebesse que talvez fosse importante eu abrir uma empresa de consultoria especifica para empreendedores negros. Foi quando eu montei uma empresa, uma base, já tinha pensado em vários tipos de negócios e consegui passar na incubação do Pense Grande da Aliança Empreendedora e financiado pela Fundação Telefônica Vivo. Lá passamos por um processo de incubação das nossas ideias e recebíamos um capital semente, foi ai que nasceu a Afroimpacto. A partir do Pense Grande eu comecei a testar modelos de MVP e colocar a cara na rua, projetar a Afroimpacto pro mundo e no começo foi bem difícil, já tinha inclusive a perspectiva de ser um trabalho totalmente remoto (muito antes da pandemia). Então foi difícil porque era um empreendimento com pouco recurso, de uma mulher negra, que trabalhava com educação e principalmente porque era um empreendimento que trazia uma proposta nova, eu esbarrei em várias dificuldades nesse sentido, principalmente de pessoas que não acreditavam no potencial do meu negócio.

    Com o tempo eu aprendi um pouco mais sobre como as coisas se desenvolviam, eu testei modelos de negócio, cheguei em um modelo B2B, que conta principalmente com treinamentos corporativos – hoje eu faço muitos, tanto para empresas quanto para os projetos das empresas, diretamente para os beneficiários. Isso fez com que a minha empresa fosse alcançando outros patamares, fosse conseguindo galgar outros espaços. Para mim uma das maiores dificuldades desse processo foi o descrédito, eu percebo muito o quanto se descredibiliza meu trabalho por diversas questões, por trabalhar com questões raciais, por ser uma mulher a frente de um negócio, por ser uma mulher negra a frente de um negócio que fala de educação. Então eu já passei por situações muito incômodas, principalmente em relação a precificação, de não pagarem o valor que eu acredito que o meu trabalho vale no mercado, inclusive hoje isso é algo que ainda acontece. Já passei por situações de empregadores me pedirem uma demanda e quando começo a trabalhar ser outra, pessoas perguntando se deviam de fato pagar pelo meu trabalho ou porque não faço o meu trabalho totalmente de graça. Enfim, existem diversas questões que fazem com que esse cotidiano empreendedor seja difícil! Ao mesmo tempos que no plano pessoal também é complicado né, é difícil fazer com que as pessoas do seu eixo familiar entendam que você não trabalha de carteira assinada, que tem a sua própria empresa, que tem as suas próprias metas, isso porque elas vem de outra realidade, de outro momento. E existe também uma coisa de adaptar a realidade da sua casa a esse trabalho. Todos esses foram desafios muito sérios e muito conflitantes na minha trajetória.

    E por fim, minha relação com o ativismo dentro do empreendedorismo vem muito desse lugar de se perder o medo de falar de raça e empreendedorismo, até porque a gente tem um número muito grande empreendedores negros, uma maioria negra que empreende. Esse empreendedorismo negro vem muitas vezes por necessidade, por não ter acesso a outras oportunidades e não necessariamente porque quer empreender. Então se fala muito sobre o empreendedorismo de maneira endeusada, como se fosse incrível e mágico, mas tem uma realidade de pessoas que tem experiências muito conflitantes, ansiosas e ruins ao empreender e a gente precisa falar sobre isso. A gente precisa tirar essa neutralidade do empreendedorismo porque nada é neutro e nada é meritocrático, meu ativismo dentro dessa perspectiva vem muito desse lugar, de ter a minha realidade e de entender que as realidades são diversas. Mas meu ativismo vem, principalmente, para fazer com que a imagem do empreendedor, empreendedora não seja mais uma imagem padrão, e sim uma imagem que tenha a minha cara e a cara de várias outras pessoas brasileiras.

    Alan Almeida – Parças

    “A {​​Parças}​​ nasceu em 2017 com a missão de dar um futuro digno para egressos do sistema penitenciário e moradores da periferia e ao mesmo tempo entregar talentos altamente qualificados para o mercado de tecnologia da informação. Ao longo dos anos passamos por uma série de provações. Em termos de impacto, foi necessário nos adaptar para criar um vínculo de confiança com os alunos, provar para eles que de fato a oportunidade que oferecemos é real e apoiá-los em questões emocionais e pessoais para garantir a formação. Em termos de negócios, enfrentamos barreiras de valorização e aceitação do mercado, gargalos de conhecimento sobre modelo de negócio e empreendedorismo e muita resiliência para continuar de pé depois de tanta luta.

    Mas as conquistas foram muito maiores.

    Apoiamos centenas de alunos em todas as regiões do país a conseguirem um emprego digno e transformarem a vida deles e de suas famílias. E isso tudo é possível porque temos um time de colaboradores e parceiros que estão profundamente comprometidos em transformar o sistema carcerário brasileiro e formar os melhores talentos para o mercado de TI!”

    Marcelo Arruda – Diversidade.io

    “Eu comecei a empreender depois de uma carreira corporativa, isso porque não encontrava local que eu pudesse me recolocar. Me deparei com um mercado fechado para mim. Com as rodadas de negócios e eventos de empreendedorismo que eu participava, percebi que quando uma empresa de pequeno porte fazia um vídeo ou apresentação sempre era um único negócio com empreendedor negro entre outros 30, 40 negócios. Aí, junto com um amigo criamos um movimento de afroempreendedorismo, que avançou para a plataforma Diversidade.IO. Hoje a Diversidade.IO utiliza a tecnologia para ajudar na geração de oportunidades para talentos, seja para empreendedores ou para candidatos a oportunidades de emprego. Com tecnologia de ponta a gente consegue gerar visibilidade e também atrair empresas que acreditam na inclusão e na diversidade, e a partir da nossa plataforma essas empresas encontram talentos.

    Estamos em um momento muito bacana, onde fazemos um piloto para a AmBev e também uma ação para o Carrefour, onde fomos investidos. Essas duas ações são focadas no afroempreendedorismo e vão ao encontro do nosso objetivo como empresa: Queremos que a maior base de empreendedores no Brasil, que são os negros, tenham oportunidades iguais e a mesma visibilidade perante empresas que podem contratar seus serviços, gerando para eles um ticket melhor. Uma pesquisa de 2015 mostra que um faturamento médio de um afroempreendedor era de R$ 1.370,00, enquanto o de um empreendedor branco era de R$ 2.700,00, essa é a nossa batalha. É criar oportunidades que melhorem o ticket, que dê visibilidade e que capacite os afroempreendedores, dessa forma eles podem continuar crescendo e alcançando os lugares que merecem.”

     

  • Câmara promove homenagem pelo Dia do Empreendedorismo Feminino

    Câmara promove homenagem pelo Dia do Empreendedorismo Feminino

    Nossa diretora Anna de Souza Aranha foi uma das homenageadas da sessão solene da Câmara de Deputados realizada hoje (19 de Novembro), em comemoração ao Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino.

    A homenagem recebida pela Anna é um reconhecimento pela contribuição do Quintessa, empreendido por ela e Gabriela Bonotti Carpinelli, para o ecossistema do empreendedorismo de impacto. Ela teve oportunidade de falar no plenário e destacou a situação da mulher empreendedora no nosso país. Confira!

    “Acredito que essa data é mais que um dia de homenagens, é importante para reforçarmos a importância do assunto. Cada vez mais as mulheres estão empreendendo, mas mesmo sendo maioria da população, apenas 5% tem acesso a capital de risco. Por isso, essa causa é mais que um dever moral de todos e uma questão de justiça social. Quanto mais investirmos no empreendedorismo feminino, mais estamos investindo no crescimento econômico do nosso país”.